Beabadoobee já é um dos grandes nomes do rock e “Pylon” explica o motivo

Beabadoobee já é um dos grandes nomes do rock e “Pylon” explica o motivo

“Pylon”, novo álbum de beabadoobee, nasceu de uma imagem curiosa. Durante os longos períodos em turnê, Beatrice Laus passou a enxergar postes e torres de eletricidade nas estradas como uma lembrança de casa. Por trás disso estava um sentimento menos confortável: o isolamento de passar meses viajando e o medo de que sua vida fosse sempre assim. Essa inquietação atravessa um disco mais pesado e agressivo que “This Is How Tomorrow Moves” (2024), seu último trabalho.

Boa parte das músicas surgiu de anotações em seu diário, principalmente sentimentos que Bea não conseguia dizer em voz alta. “Sun Has Set” é um dos exemplos mais fortes, construída em torno da vontade de dizer a alguém o quanto ela o odeia, mesmo sabendo que provavelmente nunca terá essa oportunidade. Em “Switchblade”, as guitarras ganham peso enquanto a cantora encara as incertezas da vida adulta. Já “Memories” recupera seu lado mais delicado e próximo do dream pop.

Essa alternância é um dos pontos fortes de “Pylon”. O álbum mergulha ainda mais no grunge, shoegaze, emo e rock alternativo dos anos 1990 e 2000, mas preserva a facilidade de Bea para criar melodias pop. Em vez de seguir pelo caminho mais polido depois do sucesso do álbum anterior, das grandes turnês e da abertura da The Eras Tour, ela decidiu aumentar a distorção.

As participações ajudam a construir esse universo. Hayley Williams aparece em “Nothing to Prove”, música sobre se recuperar de amizades interesseiras justamente depois de Bea experimentar uma enorme expansão de sua carreira. Brendan Yates, do Turnstile, participa de “Powerlines”, enquanto Evan Stephens Hall, do Pinegrove, colabora em “Spark”. Shane Moran, do Title Fight, também tem papel importante na composição e produção do álbum.

Chino Morenosurge nos backing vocals de “Satellite”, encerrando o disco de maneira quase simbólica. Sua participação pode até ser discreta, mas a atmosfera, o timbre da guitarra e a melodia mostram um casamento perfeito entre a sonoridade do Deftones e a proposta de beabadoobee. Matty Healy e George Daniel, do The 1975, também aparecem entre os colaboradores de “Pylon”.

Canções autobiográficas

É tentador transformar essas letras em um mapa da vida amorosa de Bea. O relacionamento anterior terminou em 2022, parte dessas experiências apareceu em “This Is How Tomorrow Moves” e, desde 2024, ela namora Jake Erland. A própria cantora, porém, já demonstrou incômodo com fãs tentando relacionar automaticamente cada composição à sua vida pessoal. “Pylon” funciona melhor quando o diário é tratado como ponto de partida, não como caça às referências.

No fim, as participações de Paramore, Turnstile, Deftones, Pinegrove e Title Fight ajudam a revelar o tamanho do universo musical que cerca beabadoobee, mas ninguém rouba seu protagonismo. “Pylon” é essencialmente um disco de Bea: mais pesado, confiante e disposto a transformar vulnerabilidade em guitarras distorcidas. Para quem ainda não entendeu por que seu nome cresceu tanto nos últimos anos, este álbum é uma ótima resposta.

Este texto contou com colaboração de Fernanda Melo.