Uma década após o aclamado O Corpo de Dentro, o compositor, guitarrista e produtor paulistano Lourenço Rebetez confirmou seu retorno com o anúncio de Língua Geral, seu segundo álbum solo de estúdio. O trabalho tem lançamento marcado para o dia 4 de novembro de 2026 em uma aliança internacional entre o selo brasileiro RISCO, a britânica Jazzybelle Records e a japonesa Think! Records, garantindo distribuição simultânea na Europa, Ásia e América Latina.
A primeira amostra desse universo chega com o single Maestro, já disponível nas plataformas de streaming. A faixa antecipa a assinatura de um disco gerado pelo atrito entre tradição ancestral e vanguarda: beats elásticos, deslocamentos métricos e arranjos que habitam o espaço instável e fascinante onde diferentes linguagens colidem sem a obrigação de um encaixe milimétrico. As imagens de divulgação e capa são assinadas pelo fotógrafo Gleeson Paulino.
Da escola de Berklee ao legado de Letieres Leite
Graduado em jazz pela prestigiada Berklee College of Music, Rebetez redefiniu seu pensamento harmônico e rítmico ao retornar ao Brasil e mergulhar no ecossistema musical de Salvador. A proximidade com o saudoso maestro Letieres Leite e a vivência com a Orkestra Rumpilezz transformaram sua visão, amalgamando as claves e matrizes percussivas afro-baianas ao jazz de vanguarda e à produção contemporânea.
Em Língua Geral, essa travessia de dez anos de pesquisa ganha corpo ao longo de sete composições inéditas dirigidas pelo próprio Lourenço e produzidas pelo lendário Arto Lindsay, pioneiro do no wave nova-iorquino e articulador histórico do diálogo entre música experimental e MPB.
Encontro de gerações globais na música instrumental
O repertório do álbum une um elenco internacional de instrumentistas que borram as fronteiras entre o hip-hop instrumental, o jazz experimental e os toques sagrados da Bahia.
- Panteão Afro-Baiano: Presenças de Kainan do Jêje, Ícaro Sá e membros do tradicional Grupo Ofá;
- Cena Global e Jazz Contemporâneo: Colaborações com o baterista, produtor e MC norte-americano Kassa Overall, o tecladista e sintetista japonês BigYuki e o pianista e arranjador nova-iorquino Jason Lindner (conhecido pelo quarteto Donny McCaslin e pelo disco Blackstar, de David Bowie).
O resultado coloca a irregularidade rítmica e a sobreposição melódica no coração da produção, projetando a música instrumental brasileira contemporânea para o centro do debate sonoro internacional.