Alter Bridge entrega show tecnicamente impecável, porém tímido, antes do Iron Maiden

Alter Bridge entrega show tecnicamente impecável, porém tímido, antes do Iron Maiden

O Alter Bridge subiu ao palco pontualmente às 19h10, com a missão de aquecer o público para o Iron Maiden. Com apenas 50 minutos disponíveis, a banda norte-americana precisou condensar seu repertório em oito músicas, seis a menos do que havia apresentado três dias antes na Argentina, onde realizou um show solo. A escolhida para abrir a apresentação foi “Silent Divide”, faixa do mais recente álbum de estúdio, autointitulado.

O repertório privilegiou diferentes momentos da carreira, mas reservou um espaço especial para Fortress (2013). Três das oito músicas executadas vieram do disco: “Cry of Achilles”, “Addicted to Pain” e a faixa-título, ausente nas últimas turnês. Outra diferença em relação à apresentação argentina ficou para o encerramento. Em vez de repetir a escolha do show anterior, o grupo apostou em “Isolation” para fechar sua participação.

Musicalmente, o Alter Bridge mostrou por que é considerado um dos nomes mais respeitados do hard rock contemporâneo. A execução foi praticamente irrepreensível, com instrumentos bem definidos e uma precisão que impressiona mesmo nas passagens mais complexas. Entretanto, toda essa qualidade técnica contrastou com uma presença de palco discreta para as dimensões de um estádio.

Myles Kennedy, reconhecido como um dos grandes vocalistas de sua geração, manteve uma postura bastante contida durante a apresentação. Mesmo nos momentos em que deixou a guitarra de lado para se dedicar exclusivamente aos vocais, pouco explorou o espaço do palco ou buscou uma interação mais intensa com a plateia. Nada disso, porém, comprometeu seu desempenho musical. Kennedy alcançou as notas mais altas com segurança e demonstrou a mesma precisão quando dividiu as funções de cantor e guitarrista.

Brian Marshall (baixo) e Mark Tremonti (guitarra), por outro lado, pareceram mais à vontade diante de um público numeroso. O guitarrista apresentou uma postura mais desenvolta, transmitindo uma energia que, em determinados momentos, fez falta ao restante da apresentação. Sua performance ajudou a dar mais peso a um show que, apesar da qualidade musical, raramente conseguiu transmitir a grandiosidade esperada de uma apresentação em estádio.

No fim das contas, o Alter Bridge cumpriu sua missão sem grandes sobressaltos. Entregou um repertório consistente, execução técnica impecável e demonstrou a qualidade de músicos que dispensam apresentações. Faltou, entretanto, aquela dose de ousadia e presença de palco capaz de transformar uma abertura em um acontecimento à parte. Para um público que aguardava ansiosamente as grandes estrelas da noite, ficou a impressão de um show musicalmente excelente, mas tímido demais para o tamanho da ocasião.

Setlist

  1. Silent Divide
  2. Addicted to Pain
  3. Cry of Achilles
  4. Fortress
  5. Silver Tongue
  6. Metalingus
  7. Blackbird
  8. Isolation

Foto destaque: Stephan Solon