Anti-Fashion: supergrupo DIY abriu as portas do rock em Santos

Anti-Fashion: supergrupo DIY abriu as portas do rock em Santos

Imagine a cena: o dono da principal loja de CDs de hardcore da região, o editor do fanzine mais influente e o vocalista da banda mais promissora do momento decidem se juntar. O resultado dessa união foi a Anti-Fashion, um projeto que agitou o underground de Santos entre 1999 e 2002.

Os protagonistas dessa história eram figuras que dispensam apresentações para quem viveu a época:

  • João Fera (Sound of Fish);
  • Wladimyr Cruz (Rebel Magazine e criador do portal Zona Punk);
  • Matheus Krempel (vocalista do The Bombers);
  • Netinho (bateria).

A loja do Fera, ponto de encontro obrigatório dos roqueiros, serviu como o catalisador. Foi lá que ele recrutou as peças certas para fazer algo fora da curva.

“O objetivo era tocar com as bandas que a gente gostava, fazer rock n’ roll, sem se preocupar com molde, cena, padrão, porra nenhuma”, explica Wladimyr.

Com o tempo, a formação sofreu alterações pontuais, como a entrada de Rodrigo Bozo (ex-NBK), Tim e Phernandu (ambos do Jerseys) em reencontros posteriores.

Uma salada de influências no Anti-Fashion

A sonoridade da Anti-Fashion era uma verdadeira “salada”, mas conduzida com maestria. As influências iam do punk ao garage rock, passando por Social Distortion, New York Dolls, Stiff Little Fingers, The Adicts, The Stooges, Supersuckers e Guitar Wolf.

Não havia preocupação com “hits”. Para a banda, que não tinha plano de carreira ou pretensões comerciais, todas as músicas eram as principais.

Apesar da postura descompromissada, o grupo deixou sua marca registrada na fita demo K7 Rockin’ The Pubs. Um detalhe luxuoso: a capa foi assinada pelo artista plástico Sesper (o Farofa, do Garage Fuzz). O som da banda rompeu fronteiras, aparecendo em coletâneas internacionais, incluindo uma do lendário fanzine Maximum Rocknroll.

Desbravando novos palcos (espírito DIY)

Mais do que a música, o legado da Anti-Fashion está na abertura de novos espaços para o rock em Santos. Wlad e Fera, adeptos ferrenhos do Do It Yourself, não se contentaram com o circuito tradicional do Armazém 7 e Bar do 3. Eles queriam mais.

A banda foi pioneira em ocupar locais inusitados:

  • Teatro Rosinha Mastrângelo: reativado para shows de rock em uma apresentação ao lado do Holly Tree.
  • Quadra de escola de samba: Um evento no Centro da cidade, onde tocaram com o Pin Ups.
  • Praia Sport Bar: Antes focado em covers e MPB, o local recebeu seu primeiro show de rock independente com a Anti-Fashion e o Forgotten Boys, abrindo as portas para centenas de bandas que vieram depois.

Ainda assim, shows tradicionais também tiveram seu brilho. “Talvez o mais notável tenha sido com os suecos do Backyard Babies (no Bar do 3, em 2001)”, recorda Wlad.

Status atual: uma pausa para a cerveja

Embora nunca tenham anunciado um fim oficial, a fase ativa durou de 1999 a 2002. Hoje, os integrantes seguem trabalhando e ouvindo rock.

Mas a banda ainda respira? Segundo Wlad, sim. “A base da banda sou eu e o Fera. Fizemos alguns ensaios sem flashback, apenas uma desculpa para tomar cerveja no meio da semana e tocar meia dúzia de canções barulhentas”.

Ouça Rockin’ The Pubs abaixo