Crítica | Super Pumped: A Batalha Pela Uber

Engenharia do Cinema Sendo vendida como um dos carros chefes da Paramount+, no Brasil, “Super Pumped: A Batalha Pela Uber” é mais uma daquelas produções sobre a origem de um selo famoso, e aqui no caso do Uber. Fundada pelo visionário Travis Kalanick (Joseph Gordon-Levitt), a minissérie de sete episódios procura estabelecer ao público como a mesma começou a ocupar um espaço na sociedade, e as diversas dificuldades que Kalanick e seus parceiros tiveram no início. E começo enfatizando que a produção não define como “dificuldade” apenas os problemas que eram mostrados no prédio da Uber, e aos redores do mesmo, mas sim no mundo todo (inclusive há um arco envolvendo latrocínio com motoristas brasileiros, da plataforma). E realmente Levitt é o ator certo para este tipo de papel, pois o próprio Travis possui um ar jovem e malandro, pelos quais nos transmite uma enorme habilidade de sempre conquistar o que quer. Imagem: Elizabeth Morris/Showtime (Divulgação) E nesses contratempos entram os personagens de Kyle Chandler (Bill Gurley), Kerry Bishé (Austin Geidt) e Uma Thurman (Arianna Huffington, que mesmo sendo vendida como uma das protagonistas, aparece apenas na metade da minissérie), que realmente entraram de cabeça em seus papéis e convencem como os cabeças importantes nesta história (que é narrada pelo próprio Quentin Tarantino). Mas como estamos falando de um enredo que envolve bastantes estratégias comerciais, financeiras e até mesmo “jogatinas”, animações são usadas para estabelecer um compreendimento melhor (e só funcionam por conta do estilo da própria narrativa, que se assemelha até com o longa “A Rede Social“). Só que francamente, ao invés de se resumir em uma minissérie de sete episódios, colocaria tudo como um filme com cerca de 2h30, pois em datada metragem na metade da produção, ela começa a cansar e não sair daquela pegada que já estava sendo dita no primeiro parágrafo (chega o problema, Travis joga com todo mundo e consegue sair do mesmo). Em um longa-metragem, isso seria mais condensado e o público compraria melhor.     “Super Pumped: A Batalha Pela Uber” acaba sendo um interessante retrato de como surgiu o aplicativo de caronas, porém acaba pecando ao sempre ficar na mesma tecla ao conduzir sua narrativa.

Crítica | Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez

Engenharia do Cinema Com toda certeza essa foi uma das produções nacionais que entrará para a história como uma das mais impactantes nos últimos anos. “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez” narra toda a trajetória de como ocorreu o inescrupuloso assassinato da atriz Daniella Perez, em dezembro de 1992, pelo próprio colega de novela dela, o também ator Guilherme de Pádua e sua esposa Paula Thomaz. Dividido em cinco episódios, a atração conta com vários depoimentos (em grande parte pela mãe da própria, a roteirista Glória Perez).    Os diretores Guto Barra (que também cuidou do roteiro deste documentário) e Tatiana Issa procura traçar a história na perspectiva total da família de Daniella, e seus vários amigos (afinal, ela era uma atriz e bailarina com 22 anos e estava em tremenda ascensão na carreira). E é nítido que tanto Glória, quanto Raul Gazolla (que era casado com Daniella) ainda demonstram enorme amor por ela até hoje, e se sentem sem entender tudo que ocorreu. E isso é transposto para nossa pele, e sentimos por completo a dor deles (inclusive, é inevitável se emocionarmos). Imagem: HBO Max (Divulgação) Mas o que é interessante, é o fato da história ser contada em forma de um verdadeiro quebra-cabeça, pois além da dupla citada, há vários depoimentos de personalidades da época e que cercavam Daniella como Alexandre Frota, Fábio Assunção, Eri Johnson e muitos outros parentes da atriz como o irmão, tio e primos. Sempre acompanhados de cenas das investigações, imagens televisivas e até mesmo reconstituições. E facilmente somos transportados ao contexto turbulento, que mexeu com todos os envolvidos durante boa parte dos anos 90/inicio dos anos 2000. Porém, em momento algum a narrativa tenta justificar ou até mesmo defender Guilherme e Paula, muito pelo contrário, é apresentado por intermédio de depoimentos de pessoas que conviveram com ambos (dentro e fora da prisão) sobre o quão a personalidade da dupla sempre foi doentia e que estavam dispostos a tudo por ter holofotes. Por que eles não estão presentes fisicamente falando neste documentário? Porque simplesmente estamos falando de um projeto que foca totalmente na família da vítima, e o quão eles mesmos tentaram a todo custo até bater de frente com a justiça brasileira para conseguir fazer a lei ficar melhor (algo que raramente é até mostrado em nosso cinema e dramaturgia). “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez” é uma das mais fortes e necessárias minisséries nacionais lançadas nos últimos anos, e nos faz refletir o quão a sociedade brasileira está cada vez mais denegrida.

Crítica | Respire!

Engenharia do Cinema Essa série é um típico exemplo de que a Netflix realmente não está interessada em exercer um bom conteúdo, e que faz total sentido. É apenas mais uma produção que tem o intuito de vender o quão a “protagonista feminina é melhor do que quaisquer homens que dividem a cena”. “Respire!” tem uma premissa que realmente poderia funcionar, caso os roteiristas tivessem trabalhado melhor as situações colocadas, e não dividir apenas com um mero “porque sim!”.  A história é centrada em Liv (Melissa Barrera), que após perder um voo resolve pagar uma dupla de pilotos para conseguir embarcar o mais rápido possível. Porém, após a aeronave sofrer uma pane, ela acaba caindo em uma floresta e a mesma se torna a única sobrevivente. O que lhe faz ter de agir sozinha, para tentar conseguir ser resgatada.     Imagem: Netflix (Divulgação) Chega a ser engraçado, mas o roteiro de Brendan Gall, Martin Gero e Iturri Sosa tenta a todo custo vender que a Liv é uma verdadeira super-heroína e consegue fazer às mil e uma atividades na floresta, mesmo com ela não sendo escoteira ou até ter tido um conhecimento prévio de algumas coisas. Tudo é meramente jogado em cena e ela consegue na maior facilidade de um Rambo ou MacGyver, enquanto os pilotos são vendidos como dois homens burros, ignorantes e malvados (mesmo com Liv também agindo com grosseria com eles). Isso acaba “justificando” a saída deles da forma mais esdrúxula o possível (com um objeto alojado em suas pernas, e uma consequência fatal aleatória por causa disso). Embora Barrera já tenha mostrado que é uma boa atriz, e consegue dominar a cena sozinha durante boa parte da projeção, a direção da dupla Maggie Kiley e Rebecca Rodriguez (onde cada uma dirige três, dos seis episódios) não consegue captar boa parte da atmosfera claustrofóbica e tensão que Liv passa no meio da floresta. O motivo chega a ser banal, pois isso é quebrado por flashbacks com o passado da personagem e serve apenas para conhecermos mais da mesma. Datado o estilo de narrativa, isso não poderia ser executado, pois estamos falando de uma personagem que está sozinha em uma floresta e a única “ameaça” que o roteiro tem a audácia de criar é um urso “vegano” (não estou brincando) e chuvas homeopáticas. “Respire!” acaba sendo mais uma minissérie da Netflix, que nos faz respirar fundo em cada erro grotesco que é apresentado, pois trata-se de uma narrativa que apenas procura enaltecer uma protagonista genérica.

Crítica | Influencer de Mentira

Engenharia do Cinema Atualmente é impossível você não ter se envolvido em algum desentendimento ou até mesmo tentativa de cancelamento na internet (se já não foi). Em “Influencer de Mentira” estamos falando de uma produção que exatamente procura ter sua base no meio deste universo da internet, porém o quão ele é importante para você ter uma boa vida em seu dia a dia. Mas o roteiro de Quinn Shephard (que também assina a direção), parece que em sua primeira metade joga os ingredientes para uma excelente narrativa, mas quando entra na batida do bolo, lembrou de jogar outros compostos que não tinham nada haver. A história gira em torno da jornalista Danni (Zoey Deutch), que vive uma vida pacata e totalmente parada. Mas um dia ela tem a brilhante ideia de fingir que realizou uma viagem para Paris, justamente no mesmo período em que ocorre um atentado fatal na cidade, o que lhe faz ganhar uma enorme fama por conta disso. Imagem: Searchlight Pictures (Divulgação)  Assim como todo filme sobre uma “grande mentira”, somos jogados em duas realidades, que são a fictícia e a real, no universo do longa. Só que Shephard tinha a faca e o queijo na mão para explorar várias e várias situações que a internet promove para o ser humano, e suas consequências nada ortodoxas por conta da cultura do cancelamento. Aqui, isso praticamente não existe, muito pelo contrário, elas são feitas apenas por grupos extremistas (e não por quem prega a paz e o amor, como muito de nós sabemos), uma vez que nos últimos 40 minutos ele transforma o filme em uma verdadeira cartilha anti-armas (sim, o filme muda o foco por completo!).     E isso acaba sendo totalmente estranho, uma vez que temos como protagonistas nomes fortes como Deuth (que já mostrou que casa neste tipo de personagem, vide a série “The Politician”) e Dylan O’Brien (que faz um influencer maconheiro, e está bem divertido no papel), são envoltos a situações genéricas, pois parece que o roteirista fechou os olhos para a outra realidade que poderia ser explorada. Então ele joga tudo no colo da personagem Rowan (Mia Isaac), que é totalmente clichê, desinteressante e uma verdadeira mistura de Malala com Greta Thunberg. “Influencer de Mentira” acaba sendo uma crítica genérica às redes sociais, onde a realidade mostrada neste enredo remete apenas a galera que mira em fazer a “paz e o amor”, com suas postagens.

Crítica | Persuasão

Engenharia do Cinema Realmente a Netflix está cada vez mais se tornando um caso para estudo, pois os caras conseguem estragar até icônicas obras literárias de renomadas escritoras como Jane Austen (“Orgulho e Preconceito“). “Persuasão” não é sua escrita mais famosa, porém ao anunciar que teríamos como protagonista a atriz Dakota Johnson, a produção começou a chamar atenção dos fãs (já que estamos falando de uma escritora, que também tem uma enorme parcela consumidora da franquia literária/cinematográfica “50 Tons de Cinza”). Só que ao conferir o filme, vemos que o roteiro de Ron Bass e Alice Victoria Winslow parecia querer plantar várias sementes, que não deram suas frutíferas.      A história mostra Anne Elliot (Johnson), a filha do meio do Sir Walter Elliot (Richard E. Grant), que sai em viagem com sua futura esposa, e filha mais velha (Yolanda Kettle), deixando sua mansão aos cuidados de Anne. Só que ela não imaginava que durante este período, iria esbarrar com sua antiga paixão Frederick Wentworh (Cosmo Jarvis), que chegou a ter um complexo relacionamento no passado.    Imagem: Netflix (Divulgação) É complicado pensar que estamos falando da pior adaptação de uma obra de Austen. O roteiro realmente parece que sofreu diversos problemas em sua concepção, pois tópicos, abordagens e até mesmo personagens, somem e reaparecem no enredo. Nos minutos iniciais, Johanson consegue captar a atenção do espectador de forma simples e sutil: quebra da quarta parede, e conversa conosco sobre como é seu dia e sua família. Porém, conforme o enredo avança isso é deixado de lado, junto com o teor cômico que estava sendo estabelecido. Apesar da plataforma ter vendido o ator Henry Golding (Mr. Elliot) como um dos protagonistas, ele acaba tendo uma aparição tão breve e mesquinha, que pensamos no motivo do serviço ter usado ele como um dos grandes caracteres da trama. Isso sem citar que Anne e Frederick não possuem química alguma, e é nítido que os atores não estão confortáveis com essa “incentivada” do roteiro. Como estamos falando de um filme de época, o roteiro ainda faz o favor de retratar suas coadjuvantes da maneira mais clichê possível. Temos as irmãs Musgrove, Mary (Mia McKenna-Bruce) sendo a mais mimada e irritante, Louisa (Nia Towle) a mais romântica enquanto Henrietta (Izuka Hoyle) só está ali para tapar algum buraco (que termina sem ser fechado). Chega a ser vergonhoso termos essa forçação de barra, neste tipo de produção. “Persuasão” consegue não só ser a pior adaptação de Jane Austen, como também um filme que tenta ser uma comédia, romance e drama, mas falha até ser em adição no catálogo da Netflix.

Crítica | Sem Limites

Engenharia do Cinema Cada vez mais o cinema está deixando para escanteio adaptações cinematográficas envolvendo várias passagens históricas e importantes para o contexto da humanidade. “Sem Limites” é um destes casos onde a metragem da minissérie poderia facilmente ser convertida em um filme com cerca de 2h40 (ou até mesmo três horas), pois estamos falando de seis episódios com cerca de 40 minutos cada. Inspirada em fatos reais, a história mostra quando o historiador Fernando de Magallanes (Rodrigo Santoro) resolve convencer o governo da Espanha em realizar uma expedição para descobrir novos horizontes e conseguir abrir o caminho para mais riquezas para o país, em uma época onde às expedições estavam começando a ganhar força pelo mundo. Apesar de outras embarcações se juntarem a ele, o mesmo acaba escolhendo o misterioso Juan Sebastian Elcano (Álvaro Morte), para ser o Capitão de sua embarcação por conta do histórico que o mesmo já havia carregado.     Imagem: Amazon Studios (Divulgação) Apesar de ser dirigida pelo inglês Simon West (conhecido por filmes pipoca como “Os Mercenários 2” e “Con Air: Rota de Fuga“), estamos falando de uma produção totalmente idealizada na Espanha e filmada na Republica Dominicana. Com um orçamento nitidamente pequeno, é nítido que várias cenas no navio foram simplesmente filmadas em uma piscina com uma pintura “idealizando” o oceano com as outras embarcações ao seu redor. Isso pode ser prejudicial, se você fica encucado com estes detalhes, ao invés do próprio enredo. Porém, este não é o único problema, uma vez que o roteiro de Patxi Amezcua apela para diversas frases de efeito e cenas de ação quase sempre regadas por violência (pelas quais claramente não aconteceram naquela época, e até justificam a presença de West para dirigir esta atração) para conseguir captar a atenção do espectador que compete a atenção com seu aparelho celular. Sim, mas isso claramente não acaba sendo prejudicial para a trama como um todo, já que ela nos desperta a vontade de ir pesquisarmos sobre o que realmente aconteceu naquele cenário mostrado pela minissérie. Facilmente é transposta que Santoro e Morte possuem uma boa química em cena, e datado ao contexto da história, isso era um fator chave que conseguiu ser muito bem trabalhado pela dupla. “Sem Limites” acaba sendo um interessante retrato histórico e mostra o quão foi importante o projeto de Fernando de Magallanes foi importante para o crescimento econômico da Espanha, e como Portugal até hoje mantém uma rivalidade ainda maior com esta nacionalidade.

Crítica | Crimes do Futuro

Engenharia do Cinema Afastado da função de diretor de cinema desde o aclamado “Cosmópolis“, o cineasta David Cronenberg tem aqui seu projeto mais maluco e audacioso em anos. Conhecido por filmes que chegam a enlouquecer nossas mentes como o clássico “Videodrome: A Síndrome do Vídeo“, “Crimes do Futuro” chegou literalmente causando no Festival de Cannes deste ano. Com seus primeiros minutos sendo o verdadeiro “agora ou nunca”, pois o impacto proposto pelo mesmo sacode o limite da maluquice antes mesmo de seu ápice (inclusive, vários presentes não aguentaram ver mais o filme, e se retiraram do local). Mas tudo isso tem uma justificativa. A história tem início com o casal Saul Tenser (Viggo Mortensen) e Caprice (Léa Seydoux), que tem como hobby exibirem uma espécie de “anatomia do amor”, para um público que procura um incentivo alternativo, já que o primeiro possui uma dificuldade em seu corpo, que necessita de um cuidado mais além. Porém, a rotina deles é abalada quando o misterioso Lang (Scott Speedman), chega com uma proposta inusitada e que lhes fará refletir sobre seus comportamentos diante da sociedade.     A palavra ideal para definir este filme é “sadismo”. E o resumo com esta simples palavra, pelo notório motivo que Cronenberg quer mostrar como o ser humano está cada vez mais se desgastando na sociedade, apenas com o intuito de se mostrar como um ser “poderoso” e com o “poder sexual” em mãos. Através de situações bem desconfortáveis, como várias pessoas trocando olhares excitantes ao verem uma pessoa fazendo autópsia estomacal (cuja sequências podem incomodar os mais sensíveis), vemos que esse pensamento é o que mais ocorre neste projeto.  Imagem: Neon (Divulgação) E isso acaba sendo melhor notado não só por conta deste tópico, mas também devido às atuações de Mortensen, Seydoux, Speedman e Kristen Stewart (que possui um papel pequeno, mas serve como uma grande interlocutora e ponte para o arco central). Eles estão cientes que estão em um cenário beirando ao expressionismo alemão (vide as cenas onde o primeiro está se alimentando na “cadeira digestiva”), e aproveitam para extrapolar a maluquice que estamos vivenciando.    “Crimes do Futuro” é uma produção que foi feita para refletirmos como o ser humano está ficando cada vez mais grotesco, em busca apenas de um prazer maluco, nas mais delicadas e inusitadas situações.

Crítica | O Agente Oculto

Engenharia do Cinema Sendo tratado como um dos filmes mais caros na história da Netflix, junto do recente “Alerta Vermelho” (onde cada um custou cerca de US$ 200 milhões aos bolsos da plataforma), “O Agente Oculto” ainda mostra que o serviço está longe de acertar no termo “fazer um bom Blockbuster”. Digo isso com total ênfase, pois mesmo tendo uma produção estrelada por grandes nomes como Chris Evans, Ryan Gosling, Ana de Armas e com direção dos irmãos Anthony e Joe Russo, com roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely (quarteto responsável pelos sucedidos “Vingadores: Guerra Infinita” e “Vingadores Ultimato”), eles conseguem ficar em um mesmo círculo e não evoluírem.   A história mostra o misterioso detento Seis (Gosling) que é recrutado pelo agente Fitzroy (Billy Bob Thornton), para agir como um assassino da CIA, em troca de sua liberdade. Mas isso tudo começa a ir de pernas pro ar alguns anos depois, quando a própria agência resolve extinguir o quadro e contrata o astuto Lloyd Hansen (Evans) para caçar seis.      Imagem: Netflix (Divulgação) Logo nos primeiros minutos de projeção, já vemos a grande carência dos irmãos Russo ao quererem trabalhar com CGI. Em uma conversa que ocorreu há cerca de 13 anos, vemos os personagens de Gosling e Thornton conversando. Embora ambos tenham mudado o mínimo neste meio tempo, é gritante terem não só usado a técnica de rejuvenescimento digital para ambos (sendo que poderia ser feito com uma simples maquiagem), como filmaram a cena toda em 4K (cuja tecnologia não demonstra a idade dos atores, e deixam eles mais “robóticos”).  Só com esta explicação, já dá para sentir tamanha produção problemática que estamos tratando (isso porque não citei que a primeira cena de Thornton com Evans, foi totalmente filmada em estúdio com o CGI porco de fundo). E não estamos falando de um filme gravado em plena pandemia como “Alerta Vermelho” (que usou até mesmo figurantes de CGI), e sim uma dupla de diretores que está operando no comodismo da indústria.  Mas como não estamos falando de uma bomba por completo, confesso que o trio central está operando bem dentro de suas funções. Embora o roteiro não explore como devia os papéis de Evans (que teve seu potencial para ser mais um grande vilão em sua filmografia, jogada fora) e Armas (que parece ter saído diretamente de “007” e vir dar uns chutes por aqui). Não posso dizer que se tratam de menções honrosas, pois as participações de Wagner Moura, Jessica Henwick e Regé-Jean Page estão genéricas demais e de nada pesam ou acrescentam eles terem sido escalados para tais papéis. Enquanto Julia Butters (que interpreta Claire, sobrinha de Fitzroy) está literalmente repetindo o papel da “garota que fala verdade na cara do galã” (só trocando o Leonardo DiCaprio de “Era Uma Vez Em… Hollywood“, por Gosling). Agora, porque não podemos definir tudo isso como “um Blockbuster interessante”, já que temos várias cenas de ação e galãs como protagonistas? Primeiro, em momento algum do roteiro é criado um arco para que façamos gostar dos protagonistas ou até mesmo nos importarmos com suas motivações. Todos os obstáculos que são criados durante sua jornada, não surgem de forma natural, e são apenas jogados para fazerem cenas de ação baratas (como a fuga em Berlim). Não acaba sendo um bom filme, mas sim um conjunto de esquetes. Simples assim. “O Agente Oculto” é só mais um mero resultado de que os Irmãos Russo só sabem fazer bons filmes quando estão na Marvel, e a Netflix ainda não sabe o que é fazer um Blockbuster de verdade.

Crítica | Turma da Mônica: A Série (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Pegando basicamente todos de surpresa, a Globoplay lançou em pleno mês de julho a série em live-action de “Turma da Mônica“. Se tratando de uma continuação do universo estabelecido por Daniel Rezende nos cinemas, essa obra é voltada mais para suprir a saudade do público infantil por mais conteúdos envolvendo os personagens (já que “Turma da Mônica: Lições” foi lançado em dezembro do último ano). Certamente Mauricio de Sousa começando a deixar seu legado com maestria na dramaturgia brasileira, com essas novas produções. A história já começa com um enorme clima de mistério, já que a patricinha Carminha Frufru (Luiza Gattai) havia acabado de chegar ao bairro do Limoeiro e misteriosamente foi atingida por um balde de lama na cabeça. Então Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) são interrogados um a um, para descobrirem quem foi o verdadeiro culpado por tudo. Imagem: Globoplay (Divulgação) Apesar de estarmos falando de uma produção dividida com oito episódios, com cerca de 20 minutos cada, a maioria do desenrolar desta série poderá dividir e muito o público infantil que está cada vez mais afoito por um conteúdo com mais ação. Uma vez que o mesmo arco é replicado várias e várias vezes, mas sempre com outra perspectiva, isso acaba cansando demais (por sempre ter o ar de um mais do mesmo) e isso realmente é um deslize desta produção desde seu primórdio (que inclusive, parece que foi feita um pouco às pressas). E quando a série começa a andar mesmo e mudar seu paradigma, mais da metade já havia passado e chega um novo porém no enredo “será que o público ainda está com vontade de ver essa história?”. A minha resposta é sim! Porque, a partir deste ponto de ignição, o foco da atração fica mais linear e chamativo para o que está começando a ser desenvolvido.  Assim como nos dois filmes recentes, a série também traz dois grandes atores para papéis homeopáticos mais importantes e são eles Mariana Ximenes (Madame Frufru, mãe da Carminha) e Fernando Caruso (Capitão Feio), que chegam não só roubar a cena, mas também como a primeira até arranca risadas do público (uma vez que ela estava totalmente no modo zoeira). Nesta primeira temporada de “Turma da Mônica: A Série“, o sucesso será notório, mas infelizmente a narrativa travada em seu início poderá prejudicar quem procura mais ação envolvendo os icônicos personagens.