Crítica | Os Olhos de Tammy Faye

Engenharia do Cinema Certamente este é um dos piores filmes indicados ao Oscar 2022, e curiosamente ainda segue como favorito na categoria de atriz para Jessica Chastain (“A Hora Mais Escura“). Inspirado em fatos reais, aqui ela vive a apresentadora de televisão e ativista Tammy Faye Bakker, que junto com seu marido Jim Bakker (Andrew Garfield) criaram uma das maiores emissoras religiosas do mundo. Mas após vários escândalos envolvendo conflitos com LGBTs e afins, ambos tiveram suas vidas totalmente abaladas. Facilmente consigo comparar (para não dizer igualar) “Os Olhos de Tammy Faye“com o recente “Apresentando os Ricardos“, estrelado por Javier Barden e Nicole Kidman. Ambos apresentam histórias sobre os bastidores das emissoras dos EUA, durante os anos 50/60/70 e apenas quem viveu e é da nacionalidade citada, consegue comprar esses enredos. Por isso, produções com estas temáticas estão ficando cada vez mais restritas para serviços de streaming (enquanto o primeiro chegou direto no Prime Video, o segundo irá chegar na América Latina direto pelo Star+). Poucos diretores conseguem transpor uma história dos EUA, de uma maneira que signifique que ela foi importante para o resto do mundo (vide Steven Spielberg, David Fincher e etc).    Imagem: Searchlight Pictures (Divulgação) O principal erro da roteirista Abe Sylvia, foi ter tirado como base dois documentários distintos sobre o tema e com direções de Fenton Bailey e Randy Barbato. A obra citada teve como foco total o público estadunidense, e não se preocupava em passar para o mercado de fora, o quão Tammy e Jim tinham tamanha importância naquela época. E para piorar a situação, tanto Andrew, quanto Jessica (cuja maquiagem deixa ela mais parecendo o Kiko do Chaves) estão totalmente canastrões nos seus papéis. De fato não tem como termos interesse ou nos motivarmos nesta trama.     Se caso a atriz Jessica Chastain leve o Oscar por “Os Olhos de Tammy Faye“, certamente este filme em si não será lembrado como a produção que deu o prêmio para ela. Realmente estamos falando de uma bomba, que só conseguiu este prestígio, por conta da grande campanha da Disney.    

Crítica | Red: Crescer É Uma Fera

Engenharia do Cinema Antes programado para ser lançado nos cinemas mundiais e ser o primeiro da Pixar a ter este tipo de lançamento, desde “Dois Irmãos” (que estreou em março de 2020), “Red: Crescer É Uma Fera” foi jogado direto para o Disney+. Confesso que realmente não estamos falando de um filme que necessitava a ida até uma sala cinema, pois assim como “Luca” temos mais um exemplar que diverte o público dentro de sua premissa, mas não chega a ser marcante como um “Soul” ou “Divertidamente“. A trama mostra a adolescente Meilin, que repentinamente passa a se transformar em um panda. Porém, a medida que ela descobre como controlar a situação, ela terá de aprender a conviver com esse pequeno detalhe com sua mãe controladora Ming, e amigas. Imagem: Walt Disney Pictures (Divulgação) O roteiro de Julia Cho e Domee Shi (que também assina a direção) procura mostrar como são alguns detalhes na cultura chinesa, desde seu primórdio. Seja pelo design de produção, o excesso da cor vermelha, os estilos musicais, a forma como a protagonista convive em sua casa e até mesmo algumas rotulações daquela nacionalidade (como o fato dela viver em uma família totalmente conservadora).     Só que isso já foi mostrado inúmeras vezes em várias outras produções, então acabamos comprando a animação em si por conta da própria Meilin, que tem carisma. Apesar de muitas das cenas acabarem sendo roubadas pela sua própria mãe (literalmente), acaba arrancando vários risos pelo fator semelhança em relação a “lembrarmos de alguma pessoa que convive com uma mãe assim”. E com isso os adultos podem achar tanta graça na narrativa, como as próprias crianças.   Apesar de a Pixar não ter realizado mais uma produção marcante no seu padrão, “Red: Crescer É Uma Fera” acaba sendo uma ótima adição no catálogo do Disney+ e divertirá quem busca uma animação bastante divertida.

Crítica | Águas Profundas

Engenharia do Cinema Previsto para ser lançado nos cinemas em 2020, “Águas Profundas” acabou ficando no arquivo da Disney após a compra da Fox e até então não se sabia como o mesmo seria lançado. Mesmo deixando passarem a febre que foi o namoro entre Ben Affleck e Ana de Armas (que se conheceram nas gravações deste filme), o estúdio resolveu lançar em sua plataforma de streaming da Hulu, quase um ano depois do termino do namoro destes e vendeu para a Amazon Prime Video lançar o longa na América Latina. Dirigido pelo cineasta Adrian Lyne (“Atração Fatal” e “Proposta Indecente”), estamos com um claro exemplo de produção que realmente o estúdio soube o que estava fazendo, ao direcionar ao streaming. Inspirado no livro de Patricia Highsmith, a trama gira em torno do casal Vic (Affleck) e Melinda (Armas), que vivem um casamento bastante monótono. Mas quando eles passam a adotar um relacionamento aberto e se envolverem com outras pessoas, os amantes da segunda começam a aparecerem mortos misteriosamente. Imagem: Regency Enterprises (Divulgação) O roteiro adaptado por Zach Helm e Sam Levinson (criador da série “Euphoria“) consegue nos apresentar um dos piores diálogos vistos em quaisquer filmes do gênero thriller erótico em seus primeiros minutos (onde até em um porno nacional, você acha um texto muito melhor). Após este caos inicial, o próprio Lyne realmente está ciente que não possui um material bom em mãos, pois qualquer espectador com dois neurônios já deduz toda a sua história. Então ele resolve apelar para mostrar cenas como a filha de Affleck e Armas cantando, o personagem de Jacob Elordi (conhecido por viver Nate, em “Euphoria”) “tocando” piano e até mesmo para cenas com Affleck brincando com suas lesmas de estimação (não estou brincando). Realmente estamos falando de um filme que claramente sofreu vários problemas durante seu desenvolvimento e, o estúdio teve de se virar para fazer milagres e não aumentar o orçamento de U$ 49 milhões (bastante caro, para este tipo de produção). “Águas Profundas” acaba sendo uma das maiores bombas que a Disney conseguiu tirar da Fox de maneira esperta, e foi bom apenas para a vida amorosa de Ben Affleck e Ana de Armas.

Crítica | Ninguém Pode Saber

Engenharia do Cinema É inegável que ao ver o nome de Toni Collete estampando alguma minissérie da Netflix, sabemos que terá qualidade em alguma coisa. Seja nas atuações, roteiro e até mesmo no fator entretenimento. Após o sucesso de “Inacreditável” em 2019, ela retorna mais uma vez em uma produção da plataforma em “Ninguém Pode Saber“. Inspirado no livro de Karin Slaughter e dividida em oito episódios com cerca de 40 minutos cada, realmente estamos falando de uma minissérie que se encaixa nos padrões ditos. Imagem: Netflix (Divulgação) O enredo tem inicio quando Laura (Collete) impede que sua filha Andy (Bella Heathcote) seja assassinada em um repentino massacre em uma lanchonete, ao conseguir matar o próprio atirador. A atitude acabou provocando um espanto em todos ao seu redor, fazendo com que Andy comece a desconfiar que sua mãe lhe esconde algo bastante perigoso. A direção dos episódios são assinadas por Minkie Spiro, que está ciente do fato de termos um roteiro cuja premissa qualquer espectador consegue discernir seus desdobramentos. Eis que ela começa apelar para uma atmosfera de nos aproximarmos de alguns personagens, para podermos comprar sua história. Com constantes flashbacks da vida de Laura (agora vivida por Jessica Barden), começamos aos poucos a compreender o quebra-cabeças que está sendo feito. Não entrarei em território de spoilers, mas alerto que a fonte condiz e muito com o que estamos vendo em movimentos sociopolíticos.    Porém o que acaba deixando um pouco de lado é a própria trama central de Andy, que realmente é aproveitada por poucas vezes. Atmosferas de suspense em sua investigação, são jogadas de lado e temos a mesma em cenas de novela mexicana (que vão de discussões com padrasto, “ajudante na investigação” e até mesmo com a própria Laura). Faltou mais originalidade na atmosfera desta. Embora o show das atuações seja sobre Collete, Heathcote e Barden. Mesmo as vezes parecendo uma novela mexicana, “Ninguém Pode Saber” consegue entreter quem busca um suspense interessante na Netflix.

Crítica | Naquele Fim de Semana

Engenharia do Cinema Fazendo um enorme barulho por vários usuários da Netflix em seu lançamento, o suspense “Naquele Fim de Semana” pode-se definir como um “mais do mesmo” dentro de um arco que já foi inúmeras vezes mostrado nos cinemas. Mesmo apostando no talento da atriz Leighton Meester (da série “Gossip Girl“), dificilmente este filme conseguirá agradar aqueles que buscam um suspense mais complexo. Afinal, o mesmo se passa em Lisboa e sempre é bom vermos estes cartões postais em longas, não é verdade? Baseado no livro de Sarah Alderson (que também assina o roteiro do longa), a história gira em torno de Beth (Meester) que vai para Lisboa encontrar com sua amiga Kate (Christina Wolfe). Depois de uma noite de bebedeiras e farras, ela desaparece, fazendo com que Beth lhe procure por toda a cidade. Imagem: Ivan Sardi/Netflix (Divulgação) Se fosse uma comédia, claramente o primeiro filme que viria à cabeça ao ler a sinopse seria “Se Beber, Não Case!“. Mas como estamos falando de um drama com toques de suspense, a sensação que temos no longa é uma só: será que estamos certos ou errados sobre os rumos da narrativa. Sim, o escopo funciona perfeitamente neste tópico. Só que sempre quando temos um filme nesta temática, temos de saber trabalhar a quantidade de ploats e surpresas com o público.  Certamente esse cuidado básico não aconteceu aqui, pois o excesso de informações jogadas em tela e a forma como as mesmas são abordadas e encerradas, parecem ser feitas às pressas, pois não havia mais condições de gravar o longa em Lisboa. Por um breve momento, até parece que estamos vendo um filme com outra temática ao invés da proposta no segundo parágrafo.  “Naquele Fim de Semana” acaba sendo mais uma produção genérica da Netflix, que vai acabar mofando no catálogo já nas próximas semanas.

Crítica | Pam & Tommy

Engenharia do Cinema Durante os anos 90, o mundo acabou presenciando o caso da atriz Pamela Anderson e o roqueiro Tommy Lee, que tiveram sua sex-tape vazada e comercializada por diversos meios. A situação acabou gerando bastante polêmica e muitos problemas para ambos. Quase 30 anos depois do ocorrido, a série “Pam & Tommy” retrata a história com uma ácida pegada de humor negro/nonsense. Sendo vividos por Lily James e Sebastian Stan, facilmente conseguimos comprar o enredo devido ao enorme carisma da dupla.     Inspirado no artigo de Amanda Chicago Lewis, a minissérie mostra como se deu todo o processo de vazamento da fita de sexo do famoso casal Pamela Anderson e Tommy Lee, em duas perspectivas: do próprio casal e do responsável pelo fato, o marceneiro Rand (Seth Rogen). Imagem: Hulu/Star+ (Divulgação) Dividida em oito episódios, esta minissérie procura mostrar os dois pontos de vistas da história que são do próprio casal e de Randy. Apesar de em um primeiro momento tudo ter parecido ser inofensivo, e ser uma grande “farra de adolescente”, a medida que o programa vai avançando ele começa a ganhar um apelo mais dramático. Enquanto muitos achavam que a série iria pegar um clima mais satírico por causa de uma “manjuba falante” (estou falando sério), ela acaba retratando tudo como citado anteriormente: uma farra de jovens, onde as consequências começam a implicar depois. Realmente estamos falando do melhor trabalho na carreira de James, Stan e Rogen, inclusive o segundo acaba roubando a cena e está totalmente desconstruído de seus papéis habituais, além de estar em uma enorme camada de maquiagem, assim como James (que realmente está idêntica a própria Pamela Anderson, mas ainda sim com uma pegada de vale da estranheza). As situações vividas pelo trio em plenos anos 90, acabam transpondo uma enorme nostalgia daqueles que viveram tais épocas. Seja pelas breves cenas envolvendo os bastidores da série “SOS Malibu“, os ensaios da banda Mötley Crüe e até mesmo a facínora pela então tecnologia do VHS e o surgimento da internet. Pode-se dizer que isso funciona, pois é apresentado na tonalidade certa e não jogado pro espectador como uma mera expressão de “lembra disso que existia naquela época?” Mas confesso que o roteiro só se perde um pouco ao tentar abordar uma subtrama envolvendo o relacionamento de Randy com a atriz porno Erica (Taylor Schilling), pois parece que ela apenas está lá como uma espécie de interlocutora para aquele, sobre o que os protagonistas estão pensando e passando (se parar para pensarmos, não fazia sentido este personagem ter existido na série). Em sua conclusão, “Pam & Tommy” acaba sendo uma divertida série que nos faz reviver os anos 90 e analisarmos por uma outra perspectiva uma das mais polêmicas histórias da cultura pop.

Crítica | O Projeto Adam

Engenharia do Cinema Pode-se dizer que “O Projeto Adam” é um dos primeiros grandes blockbusters do ano, na Netflix. Sendo estrelado por Ryan Reynods, Mark Ruffalo, Jennifer Garner, Zoe Saldana e Catherine Keener, o filme já se vende pelo nome dos quatro primeiros, além de ter na direção o cineasta Shawn Levy (que é conhecido por ter feito inúmeros filmes populares como “Uma Noite no Museu” e “Doze É Demais”). Com uma pegada de “De Volta Para o Futuro” com “Exterminador do Futuro”, confesso que mesmo possuindo uma trama interessante e bem encaminhada, certamente ocorreram vários problemas na pós-produção. A história gira em torno de Adam (Reynolds), que volta ao passado com o propósito de salvar sua então namorada (Saldana). Só que por um descuido, ele acaba voltando para a época onde ele tinha 12 anos (Walker Scobell) e nota que terá de salvar seu Pai (Ruffalo) de ser assassinado, para poder consertar toda a situação. Imagem: Netflix (Divulgação) Um dos grandes chamarizes em seus primeiros minutos é a verossimilhança entre Reynolds e Scobell, pois este se assemelha e muito com uma “versão criança do Deadpool”. O fato consegue arrancar boas risadas e interações entre os dois, só que o roteiro de Jonathan Tropper, T.S. Nowlin, Jennifer Flackett e Mark Levin parecem apenas jogar as situações e não acabam explorando as mesmas por completo.     Sem entrar no contexto de spoilers, a sensação que acabamos tendo é de que os produtores queriam uma metragem menor em relação ao corte final (que deveria ter tido 2h15, ao invés de 1h43 minutos). Então é perceptível que muitas cenas foram jogadas para escanteio e personagens centrais acabam sendo jogados para escanteio e até “sumindo” do enredo. Em contradição, posso assegurar que se tivéssemos o mesmo projeto concebido por outros atores e até mesmo diretor, não teria conseguido entreter o espectador, mesmo com esta estupenda quantidade de erros técnicos. “O Projeto Adam” acaba sendo uma produção que diverte apenas por ter conseguido escolher os atores e diretores certos, pois caso contrário teria sido mais uma bomba da Netflix.

Crítica | Fresh

Após uma passagem bastante sucedida no Festival de Sundance deste ano, “Fresh” teve seu lançamento direcionado para as divisões de streaming adulto da Disney (Hulu nos EUA, Star+ na América Latina). Com um ar totalmente independente e maluco, vemos um Sebastian Stan mostrando que por mais que ele pareça ser o amigável Bucky Barnes/Soldado Invernal, também pode ser um dos maiores e mais temidos psicopatas. A história gira em torno de Noa (Daisy Edgar-Jones), que após vários encontros amorosos desastrosos conhece o enigmático Steve (Stan). Só que ela não imaginava que o mesmo teria um hobby um tanto peculiar, que é consumir carne humana. Imagem: Searchlight Pictures (Divulgação) Este é aquele clássico projeto onde ele pode direcionar para dois lados: ele pode ser um trash ao extremo ou um suspense que consegue ter diversas tensões criadas em momentos chaves. Partindo da segunda opção, a cineasta estreante em longas Mimi Cave opta por indiretamente homenagear o trabalho de Jordan Peele em “Corra!”. Através de um cenário bizarro, o roteiro de Lauryn Kahn coloca em pauta alguns temas atuais como sexismo, feminismo até mesmo luta de classes. Estes recursos funcionam? Sim! Porém estamos falando de um roteiro sutil, onde ele coloca essas pautas em cena e devemos raciocinar sobre suas execuções e mensagens. Quando ele não está fazendo isso, Cave opta por criar uma atmosfera perturbadora, mas não tão impactante. Ao invés disso, ela coloca uma pegada de nonsense e neste contexto Stan acaba funcionando perfeitamente como psicopata (inclusive, chega até a assustar, em algumas cenas).    No final das contas, “Fresh” é uma grata surpresa que a divisão independente da Disney conseguiu nos propor neste início de 2022. Que continuem assim!    

Crítica | De Volta aos 15 (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Anunciada ha cerca de um ano, a série brasileira “De Volta aos 15” é mais uma adaptação da Netflix para um famoso livro da escritora de livros teens, Bruna Vieira. Estrelada por Maisa e Camila Queiroz, o mesmo se assemelha demais com o sucedido “De Repente 30“, mas de forma oposta. Só que mesmo com seus primeiros minutos mostrando uma enorme nostalgia para quem viveu os anos 2000, a qualidade do programa acaba decaindo bruscamente a medida que ele progride em seus seis episódios. A história gira em torno de Anita (Queiroz), que tem 30 anos e ainda vive com a cabeça no tempo da adolescência. Sem conseguir ter animo com nada que está acontecendo, ela acaba recordando de uma rede social que frequentava nos tempos de 2006. Ao fazer o Upload de uma foto no mesmo, Anita (agora vivida por Maisa) acaba voltando justamente para este ano citado, quando tinha 15 anos. Imagem: Netflix (Divulgação) Com diversas menções a situações que recordam ao melhor dos anos 2000, como locadoras de vídeo, comunidades do Orkut e músicas de bandas então que bombavam como Charlie Brown Jr. e Pitty, conseguimos em seus primeiros momentos comprar a premissa. Porém estamos falando apenas dos primeiros minutos do episódio piloto, e ainda restam mais cinco. É ai que está o principal problema. Mesmo com uma enorme semelhança física e nas feições de Maisa e Camila, o roteiro começa a cada vez menos aproveitar essas situações que ambas poderiam ter vivenciado. Ao invés de mirar no estranhamento da situação e até mesmo com algumas “consequências” que o fato promove, o enredo promove apenas um ativismo sócio-politico e deixa tudo que foi citado de lado. A começar que há episódios onde acompanhamos mais os dramas dos amigos de Anita, ao invés da própria. Mesmo tendo a possibilidade de explorar relações que seriam impossíveis quando esta está no corpo adulto, o roteiro direciona para arcos de personagens coadjuvantes chorando e vivenciando problemas amorosos e sexuais (inclusive, até esquecemos que estamos vendo uma série sobre “viagem no tempo”). Isso sem citar que são usadas diversas frases de efeito e músicas daquela época, com o único intuito de fazer com que a mesma seja compartilhada em redes sociais e trazer mais visibilidade para a série e a própria plataforma. Mesmo sendo vendida como a versão nacional de “De Repente 30“, a série “De Volta aos 15” nos promove uma versão pobre de “Malhação“