Duda Raupp junta Kamau e Fabriccio para lançar Janelas; ouça!

A música sempre foi voz. O artista por meio dela tenta se expressar, o ouvinte por meio dela tenta se identificar. E foi nessa troca, que o produtor e beatmaker chegou até Kamau e Fabriccio. A música também é porta e Janelas, não à toa leva o nome do novo single de Duda Raupp. Janelas é uma brecha para reflexão sobre sentimentos e afeto. Foi se questionando sobre a dificuldade de expressar seus sentimentos e demonstrar afeto a outros homens, que Duda Raupp, se vendo como homem, percebeu que isso não fazia só parte da sua característica, mas como uma construção da própria sociedade. “Para mim, Janelas traz a abertura para que cada um de nós três possamos nos abrir. Falar de nossos afetos, curar as nossas feridas, e tentar ser melhor,” conta Duda Raupp. Kamau e Fabriccio escutaram o que Duda queria trazer e participaram inteiramente no processo de criação. “Eu tinha a ideia de criar um instrumental inédito para esse som, pensando em que ele ia receber as vozes do Fabriccio e do Kamau, mas ainda querendo trazer bastante de mim na sonoridade. Em um mês mandei três ideias diferentes pro Kamau, que gostou de todas, mas insistiu na ideia de que o beat tinha que ser eu, algo novo”. “Acho que me preocupei demais em fazer algo que encaixasse com o que eu ouço desses artistas, mas tive mais dificuldade em expressar o que era o Duda nesse som. Foi aí que procurei algo em beats parados que eu tinha, e encontrei o instrumental certo” Duda Raupp Parcerias Com a aprovação dos artistas, Janelas nasceu e se tornou a primeira música autoral de Duda Raupp com convidados. Aliás, a conexão foi tão grande que o som que faz a mistura de Rap, R&B e influências do Neo Soul só mostra o quanto estávamos precisando da parceria desse trio. Duda conheceu Kamau em junho de 2020 no evento de beatmakers, Beat Brasilis, que acontece semanalmente, antes presencialmente e durante a pandemia online, o que possibilitou a participação de Duda, que reside em Porto Alegre. A amizade com uma das grandes figuras do hip hop trouxe para Duda bastante conhecimento sobre o mercado da música e também a parceria com a Foco na Missão. E foi através da produtora que teve contato com o Fabriccio, mas o trabalho do cantor já tocava em seus fones de ouvido, sendo referência e inspiração. Feedback dos convidados “Desde que conheci o trabalho do Duda eu pensava no melhor momento para trabalharmos juntos. Já tinha aceitado antes que ele fizesse o convite e disse que estava aguardando o beat certo. Quando ele citou o nome do Fabriccio que já é um artista que também admiro, achei mais legal ainda. Quando chegou o beat certo com a guia do Fabriccio o verso saiu em 20 minutos. Gostei bastante do resultado,” conta Kamau. “Pra mim antes de tudo foi uma experiência realmente especial, além de ter me identificado muito com o instrumental e o clima que ele propõe, e também de ter podido conversar com o Duda sobre essa temática do som, e ter podido trazer minhas sensações e experiências para letra. E pra ficar mais inesquecível tem o Kamau que eu escuto a tanto tempo e que além de me inspirar pelo som esses anos todos muitas vezes me fez pensar, refletir, aprender coisas novas. Sem dúvida uma experiência das mais especiais pra mim”, conta Fabriccio. Anteriormente, Duda Raupp lançou, no primeiro semestre, o seu EP de estreia Giro.
Com atriz global em clipe, banda santista Balara revela novo single

A banda santista Balara lançou, na sexta-feira (18), o single Deixa Ela Voar, que chega acompanhado de videoclipe com mensagem importante sobre mulheres independentes. Em resumo, a banda traz o pop com elementos que transitam entre a nova MPB, o pop rock e o urban music, onde fala sobre mulheres inspiradoras, batalhadoras e determinadas a alcançar seus sonhos pessoais e profissionais, sem que para isso tenham que se privar de suas liberdades. “Acredito que essa é nossa canção mais pop e groovada até agora. Escrevi à distância, no início da pandemia, junto com Mateus Cristóvão, amigo e parceiro antigo de composições. Fiquei muito feliz com o resultado e a sonoridade que alcançamos com o trabalho de produção musical, que trabalhei em parceria com outro grande amigo, o produtor e músico Jeff Pina, que já trabalhou com Anavitória, Gabriel Elias. Já sobre a letra, ela fala por si só, uma exaltação à mulheres incríveis e inspiradoras”, comenta Luccas Trevisani. Aliás, acompanhada de videoclipe, a produção audiovisual traz participação da atriz global Natália Curvelo. “Tivemos a honra de tê-la para esse lançamento, o produto final ficou lindo, apesar de todas as adversidades da pandemia. Além disso, a direção de fotografia é assinada pelo diretor e fotógrafo Luringa”, completa. Formada por Luccas Trevisani (vocal, piano, violão e guitarra), Danilo Almeida (bateria) e Daniel Debski (guitarra e backing vocal), a Balara surgiu em 2018 e já soma 250 mil ouvintes mensais no Spotify, mais de 10 milhões de plays. Ademais, conquistou dois prêmios internacionais, como “Melhor Mensagem Social em Videoclipe Musical” e “Melhor Produção em Videoclipe Musical” no renomado Festival de Cinema Prémios Latinos.
Entrevista | Andi Deris (Helloween): “Vai ser um recomeço para a música”

*Desde que lançou o seu último álbum de estúdio, My God-Given Right (2015), o Helloween surpreendeu os fãs com uma série de novidades. A mais impactante delas foi a Pumpkins United World Tour, que trouxe Kai Hansen e Michael Kiske de volta ao lineup. A super reunião rendeu duas passagens pelo Brasil (2017 e 2019) e um álbum ao vivo. Agora, a banda alemã consolida de vez essa formação com a estreia do disco homônimo, lançado na última sexta-feira (18). Vocalista do Helloween desde 1994, Andi Deris conversou via Zoom com o Blog n’ Roll. Na pauta, o novo álbum, turnê com o Hammerfall e Brasil. Descontraído e fumando um charuto durante a entrevista, Andi se mostrou extremamente divertido e chegou a brincar que entendia tudo que era dito em português, mas só conseguia arriscar uma conversa em espanhol. Com pandemia no meio do processo de preparação do novo álbum, qual foi o grande desafio do Helloween para tirar o disco do forno? Nós começamos a gravação bem antes da pandemia. Lembro que quando a pandemia chegou aqui, nós já estávamos preparando a mixagem. Quase tudo já estava gravado, só faltou uma parte do Michael, que precisou ir até o estúdio com uma autorização para circular durante o lockdown. Não tivemos problema, justamente porque estava quase tudo terminado. A única questão foi que eu e nosso produtor teríamos que viajar para Nova York para a mixagem, mas os Estados Unidos fecharam as fronteiras, então tivemos que encontrar uma solução, que foi a internet de fibra ótica. Felizmente, tenho uma internet muito boa aqui no meu estúdio, e em Nova York eles tinham a mesma conexão, e isso facilitou demais o processo. Tínhamos apenas 0.1 milissegundos de delay. Foi fantástico, parecia que estava lá. Reunir o lineup da Pumpkins United rendeu o resultado esperado? Isso é algo que já pensávamos fazer (um álbum para os fãs de todas as fases da banda), mas que você só percebe que deu certo quando está tudo pronto. Acho que fizemos um bom trabalho. Tivemos que fazer canções que se conectassem com os anos 1980, outras com os anos 1990, outras com os trabalhos menos antigos, e além disso também tivemos que construir as pontes entre essas músicas. Às vezes você faz um álbum e nem tudo sai como você espera, mas nesse tudo aconteceu de forma muito suave. Dizem que cozinhar demais queima a comida, mas dessa vez valeu a pena planejar com calma, porque a opinião de todos importou demais. Trabalhando com músicos tão bons fica mais fácil de alcançar esses sonhos. Além disso, os produtores também fizeram um trabalho muito bom para que o álbum fosse coerente. A escolha dos singles que antecederam o álbum parecem pensadas com muito cuidado, justamente para mostrar a força do lineup atual. Como foi feita a definição? Skyfall era um single um pouco óbvio para nós. É uma música longa, tem o Michael Kiske, que os fãs queriam tanto voltar a escutar… então foi a escolha perfeita para abrir o álbum. E Fear Of The Fallen foi, para mim, a melhor escolha para mostrar que: “olhem, aqui estão Michael e Andi em uma música que combina as gerações da banda”. É uma faixa muito completa e bem construída, que combina nossa história e passeia pelas décadas do metal. Uma música para todos, muito rica. O que você tem escutado ultimamente? De alguma forma impacta no trabalho de vocês? Eu sou muito aberto para ouvir qualquer coisa que me interesse. Então, estou sempre procurando por temperos musicais, como sons, arranjos, e até novas bandas. Não fecho meu ouvido para nada que seja novo. Acho que todos que têm um sonho merecem ser ouvidos. Passei por isso no começo e sei como é. Sou um artista curioso e gosto de entender o que é novo. Escuto duas, três vezes, até entender o conceito e aprender. E isso me ajuda a evoluir também. Claro que isso não faz com que eu mude as características da nossa banda, mas me dá pequenos temperos para apimentar cada vez mais nossa música. E acredito que nosso novo álbum seja especial justamente por combinarmos três décadas de metal e usando elementos novos. Voltar aos palcos e embarcar em turnê com o Hammerfall. Existe cenário melhor? Como chegaram na definição para a escolha deles? Hammerfall é uma banda de grandes amigos. Eles gravaram mais de um álbum no meu estúdio, já fizemos shows juntos e nos conhecemos há uns 15 anos. Então, é natural que você convide uma banda que tem uma boa relação para uma turnê. E é a primeira vez que vamos fazer uma turnê com ele. Na turnê que faríamos ano passado e foi atrapalhada pela covid, eles não poderiam participar porque estavam com a agenda cheia. Além disso, nossas agendas nunca bateram. Mas dessa vez vai dar certo, até porque todos os artistas estão com tempo nessa época. “É como se o safety car estivesse na pista da Fórmula 1. Todos estão com tempo para se ajeitarem até que a largada seja dada novamente. Vai ser um recomeço para a música”. Andi Deris, vocalista do Helloween Estou muito ansioso, mas sou supersticioso. Não gosto de demonstrar. Bato na madeira e torço para dar certo (risos). Não dá para prever as coisas. Não sei como é a real situação da covid atualmente, porque sabemos que sempre há questões políticas por trás. Na Alemanha, por exemplo, os números são maiores que no ano passado, mas as pessoas estão todas nas ruas. Não dá para entender bem, parece que tudo é um instrumento. O Helloween coleciona turnês bem sucedidas pelo Brasil. Tem alguma mais especial para você? Por que? Provavelmente, minha melhor memória é da minha primeira vez no Brasil, até porque a primeira é sempre a mais marcante. E, no caso, foi algo enorme. Foi em 1996, quando teve o Monsters of Rock em São Paulo. Se não me engano, o Megadeth estava escalado para o festival, mas eles tiveram um
Entrevista | Bryan Giles (Red Fang): “são músicas boas para quem está mal-humorado”

Cinco anos após Only Ghosts, o Red Fang está de volta com mais um ótimo disco de estúdio. Arrows, o quinto álbum da carreira, saiu no início de junho. Aliás, será a base da turnê da banda pelos Estados Unidos, após quase dois anos sem shows. Serão 29 shows em 32 dias, a partir de 15 de outubro, em Tacoma/WA. No entanto, antes, no dia 21 de agosto, fará uma apresentação em Las Vegas. O guitarrista e vocalista, Bryan Giles, conversou com o Blog n’ Roll sobre o processo de gravação de Arrows, pandemia, relação com os fãs, videoclipes divertidos e o carinho pelo Brasil. Confira abaixo. Como foi o processo de gravação de Arrows? Fizeram algo inusitado? Foi bom! Gravamos aqui em Oregon, e fizemos com o Chris Funk, que também produziu nosso primeiro e nosso segundo álbum. Eu me dou muito bem com ele e adoro a sensibilidade estética que ele tem. Ele se interessou em trabalhar conosco nesse álbum, então foi um processo bem natural. Nós gravamos as baterias em uma piscina. Foi estranho, mas deu certo (risos). Estava vazia, claro, e eu amei o resultado. A pandemia atrapalhou de alguma forma os planos da Red Fang? Nós gravamos o álbum em outubro de 2019. A pandemia não atrapalhou. E dá para perceber que as músicas não têm nada a ver com esse momento (risos). O que os fãs podem esperar de Arrows? Acho que são os mesmos músicos produzindo, e nós não mudamos nossa filosofia. Acho que fizemos o que gostamos, e todos nós gravitamos em torno de sons mais agressivos. Quando as pessoas escutam, elas reconhecem o som do Red Fang. Talvez esse álbum seja um pouco mais assustador que os outros, e eu gosto muito disso. O Red Fang sempre é muito criativo e divertido em seus vídeos. Essa característica será mantida em Arrows? Acabamos de divulgar nosso segundo vídeo. É divertido lançar esse tipo de coisa, então com certeza faremos mais. Gravamos antes da pandemia também. Como é voltar aos palcos após uma pandemia tão mortal? Nós temos uma turnê nos EUA marcada para outubro. Será a primeira vez que tocaremos para o público em um ano e meio, então estou bem animado. Imagino que não será exatamente a mesma coisa de antes, mas estou otimista para que todos estejam vacinados até lá e as pessoas possam tossir em público sem ser expulsas do local. Você acredita que as pessoas vão tirar lições da pandemia? Acredito que sim. Seres humanos estão acostumados a pisar nos próprios pés. Pessoas se preocupam com suas contas bancárias enquanto milhares estão morrendo. Estamos preocupados com o dinheiro, mas se o mundo está em chamas, não vamos ter onde parar nosso barco, porque todos estarão mortos. As pessoas são rasas muitas vezes, e não veem a perspectiva de tudo. Acho que é possível que a humanidade melhore, mas imagino que o mundo fique ainda pior, infelizmente. Acho que uma grande porção da população não está nem aí. Se a gente pensar em mudanças climáticas… é complicado. Nos importamos com a nossa geração e não ligamos para a dos nossos filhos. Arrows é indicado para quem? Nós aproximamos o tom das faixas, e o álbum é muito coerente nisso. É uma experiência bacana de 43 minutos, porque é um álbum contínuo. Mas, em relação às músicas, acho que elas são boas para quem está mal-humorado (risos). Você costuma buscar bandas novas no streaming? Gosto de algumas bandas novas, mas dependo muito dos meus colegas de banda para conhecer novas bandas, porque geralmente eles me apresentam. Mas, não tem banda há mais de um ano (risos), estou meio perdido. O que você lembra de divertido da passagem de vocês pelo Brasil, em 2018? Fizemos o Maximus Festival em 2018, e foi muito empolgante estar no Brasil. Foi bem legal conhecer as pessoas, e eu fiquei muito surpreso só de me chamarem para tocar no Brasil. A gente abriu para o Slayer em Porto Alegre, e aquilo me aterrorizou, porque os fãs de Slayer são assustadores. No entanto, foi um momento único, porque sou muito fã de Slayer e acompanho a carreira deles há muitos anos. Mas, lembro que fiz uma tatuagem no Maximus Festival. Foi de graça, e me disseram que o tatuador não falava inglês (risos). Tentei falar espanhol, mas me disseram que não seria legal e eu só fiquei quieto (risos). Fiz uma caveira em alta voltagem, e ficou bem legal.
Expoente da MPB santista, Gon lança versão lo-fi de “Sinhô”

Foi na reclusão da quarentena que o músico santista Gon viu que era possível e preciso se reinventar. Apesar de ter lançado o seu primeiro EP, Origami, dias antes de oficialmente ter sido declarado que estávamos vivendo uma pandemia de covid-19, o artista, nos meses que passou em casa, decidiu dar uma nova cara para a sua mais bem-sucedida composição: a canção Sinhô. Com mais de 20 mil plays nas plataformas digitais, Sinhô acaba de ganhar uma nova roupagem no estilo lo-fi. Em resumo, é um tipo de gravação marcada por ser feita com poucos recursos técnicos e muitas vezes em estúdios caseiros. Aliás, tudo a ver para quem passou o último ano em casa sem poder se apresentar. “Estar nessa fase de pandemia não foi nada simples, mas depois de um tempo em casa, aprendi a usar essas músicas como ferramenta de relacionamento. Eu aprendi que poderia usar essa arte para me conectar com as pessoas de forma verdadeira”, diz o cantor e compositor. A composição une as atmosferas do conforto da música lo-fi e a sinceridade emocional do artista. Aliás, é um convite para ouvir todas as músicas desse músico promissor da Baixada Santista. Ouça o som abaixo
Entrevista | Adam Duritz (Counting Crows): “Fico preocupado em encorajar aglomerações”

Em 1993, o Counting Crows estourou no mundo inteiro com o seminal álbum August and Everything After, que tinha como carro-chefe o poderoso hit Mr Jones. Nos Estados Unidos e em tantos outros países, a banda se manteve popular e com turnês marcantes. No Brasil, no entanto, foi recuperar o sucesso comercial apenas com Accidentally in Love, em 2004, que foi trilha sonora de Shrek 2. Agora, sete anos após o último disco de estúdio, Somewhere Under Wonderland, o Counting Crows retorna com o EP Butter Miracle, Suite One. A novidade veio acompanhada por um curta documentário. O vocalista Adam Duritz conversou com o Blog n’ Roll e Santa Portal sobre o novo trabalho, pandemia, futuro e Brasil. Confira o papo completo abaixo. Por que demorou tanto para lançar um material inédito? Eu só não estava afim de fazer uma gravação, então não estava escrevendo. A gente continuou tocando e viajando até 2019, que foi quando a gente parou um pouco pela primeira vez em anos. Mas, acho que fiquei um pouco saturado de lançar discos. Escrever e gravar são coisas bem diferentes de lançar um trabalho. Quando você escreve ou grava, você pode estar sozinho ou com seus melhores amigos, mas lançar um álbum precisa ter muita gente envolvida. Então, acho que estava tentando evitar isso por um tempo. Você sentiu que perdeu o interesse pela música nesse período? Eu não sei bem. Sei que foi algo importante para mim. Música sempre foi a coisa mais importante da minha vida, mas nos últimos anos foi ok não trabalhar tanto com música, porque outras coisas surgiram. Mas, acho que isso também me fez ter ainda mais prazer em trabalhar com música de novo. Eu amo esse EP mais do que qualquer outro trabalho nosso. São mais de 30 anos e ainda estamos produzindo bem, e isso significa muito para mim. Espero que o EP seja bom para as pessoas também, mas eu estaria mentindo se dissesse que fiz para elas. Música é o mundo para mim. O que você fez nesse tempo? Eu fui para a Inglaterra em 2019 e passei bastante tempo na fazenda de um amigo, e lá fiquei muito tempo sozinho. Foi aí que voltei a tocar piano pela primeira vez em alguns anos, e comecei a escrever algumas das canções do EP. Na medida em que fui escrevendo, percebi que as músicas estavam se encaixando, e a ideia de fazer uma série de músicas conectadas me animou bastante. Então, essa foi a primeira vez que me vi empolgado em escrever e gravar em um bom tempo. Aproveitei o momento e escrevi. O que notou de diferenças para a sua última gravação? Foi bem diferente, porque estávamos escrevendo músicas já com esse conceito de fazê-las fluírem umas com as outras. Gravando uma a uma, a gente terminava invadindo o começo da música seguinte para termos certeza da conexão entre elas. Só aí a gente parava. Sempre estávamos pensando em como elas se conectariam. O processo de gravação do Counting Crows foi atrapalhado pela pandemia? No começo, a pandemia não pareceu que atrapalharia tanto, porque estávamos quase terminando o EP. O plano era passar duas semanas em Nova York trabalhando ao máximo, e depois faríamos uma pausa de duas semanas para ficarmos com as famílias. E por fim a gente retomaria o trabalho com nossos dois guitarristas, porque só um deles participou da primeira parte. Mas, assim que terminamos as primeiras duas semanas, a pandemia chegou e a quarentena começou justamente na nossa pausa. Então, a gente tinha feito 85% do trabalho e ficamos presos. Então, eu liguei para o meu amigo Dave Drago para fazermos os back vocals, porque ele é um ótimo cantor, e eu amo o trabalho dele. Como foi esse período de isolamento social dos integrantes do Counting Crows? No começo, estávamos cada um preso em suas respectivas casas, mas ele (Drago) tem um estúdio, então conseguimos fazer os vocais pelo telefone. Finalmente, em julho, conseguimos fazer com que os guitarristas fizessem suas partes de casa no mesmo mês. Então, a pandemia nos atrasou, mas a maior parte já estava feita antes de tudo isso começar. O que o Counting Crows trouxe de inspirações para esse novo álbum? Acho que o álbum tem influências de bandas dos anos 1979, do início da carreira do David Bowie… mas não são coisas tão perceptíveis no EP. A influência que a banda teve não é necessariamente refletida nas músicas. Só é algo que invade sua cabeça quando você está trabalhando. E os impactos no lançamento? A pandemia fez vocês repensarem formas de divulgação? Vão conseguir excursionar? Eu tive que pensar muito em como entrar em turnê. Fui muito contra no início, porque mesmo com a vacinação nos EUA, não sabia se estaríamos prontos. Falei com muitos artistas, mas não consegui ter uma resposta exata, porque todos da indústria da música estavam tão empolgados em voltar a viajar que provavelmente não estavam pensando com clareza sobre o que precisava ser feito para ser seguro. Então, entrei em contato com amigos que trabalham na área da saúde e pedi para que me conectassem com oficiais de saúde, pessoas que só se importam de fato com a saúde pública, e eles me disseram que a queda de mortes e casos já tornava possível a volta de shows, mas que lugares abertos são muito mais seguros que os ambientes fechados. Como foi essa montagem de turnê do Counting Crows? Tentei guiar a montagem da turnê focando em locais abertos, tirando cidades que eu ainda não acho seguras da lista… A gente tinha marcado 22 shows em locais fechados, agora só temos seis, e são bem limitados a cidades conscientes sobre a vacinação, como Nova York. Mas, ainda não acho que seja a hora de tocar em outros países. Não por causa da banda, porque já estamos vacinados, mas fico preocupado em encorajar aglomerações em qualquer lugar do mundo. A Europa é ótima, mas é um conglomerado de países que ainda
Danilovers, banda de punk rock de Sampa, lança álbum “Para Poucos”

Para Poucos, primeiro trabalho completo dos Danilovers, enfim, chegou ao streaming. Em resumo, o álbum conta com dez faixas autorais que falam sobre a vida noturna, rolês, amores e amizade. Ele foi gravado em 2020 no Estúdio V8, por Denis Gomes, e mostra um amadurecimento da banda em relação aos seus lançamentos prévios. Trabalhando nos sons desde 2016, a banda conseguiu incorporar muitos elementos de outros estilos no seu som. Aliás, influências dos sons jamaicanos em Garota do Laptop Curte Ska, presente na primeira demo dos Danilovers e regravada com uma nova roupagem, inclusive, com a inserção de alguns metais. O disco conta também com a gravação da música Classe Média Falida, um som escrito por Fernando Hound para a banda paulista Fox Hound. A banda também teve a participação do guitarrista Adaílton “China”, da banda Demock PRS, que trouxe seus arranjos para a música Becos Escuros. Por fim, o disco encerra com a instrumental Osasco, que brinca com as histórias que a banda já teve na cidade da Grande São Paulo, lar do guitarrista Luca. Por fim, o lançamento faz um questionamento sobre a ideia de se produzir um álbum atualmente. Para Poucos além de estar disponível em todas as plataformas digitais, também sairá no formato físico, com um trabalho focado no encarte, que contará com artes do baterista Eduardo Vidiabos.
Vertigem Tropical apresenta o EP “Todas as Reticências”; ouça!

Depois de divulgar uma série de videoclipes que antecipavam esse novo projeto, a banda Vertigem Tropical liberou Todas as Reticências. O EP, composto por cinco faixas, é protagonizado pelo indie rock com toques de baião, bossa nova e ritmos psicodélicos. “Os temas das canções refletem conflitos internos criados pela rotina da geração atual. Estamos acostumados às falsas promessas de incentivo à aceitação da individualidade de cada um, mas na real somos pressionados a agir de um determinado jeito em nossas relações. Isso sufoca e desestimula nossa identidade”, explicam os integrantes Caique Lorente (baixo), Lucas De León (guitarra), Lucas Troiano (bateria) e Vini Cabra (voz/guitarra). Introspectivo e pulsando ao mesmo tempo no “inconsciente coletivo”, o projeto encontra inspiração em Arctic Monkeys, Boogarins e Alceu Valença.
Após cinco anos, Garbage libera disco de inéditas. Ouça “No Gods No Masters”

Um dos principais nomes de rock dos últimos 30 anos, o Garbage lançou seu primeiro trabalho de inéditas em cinco anos, No Gods No Masters. Em resumo, o álbum é incisivo e politizado e casa com as bandeiras que a banda levanta nos palcos e fora deles desde o início. O título No Gods No Masters vem de uma expressão anarquista, ligada à libertação pessoal de viver “sem deuses ou mestres” que chegou aos EUA no início do século passado e se tornou uma das bases para o movimento feminista americano. Em síntese, o disco passa por críticas ao materialismo, ao individualismo, racismo e sexismo, além de se inspirar nas convulsões sociais e lutas políticas por direitos humanos na América Latina. “Esse é o nosso sétimo disco e esse número e seus múltiplos significados afetaram o DNA do conteúdo do trabalho. As sete virtudes, as sete dores da religião, os sete pecados capitais. Foi nosso modo de tentar achar algum sentido nessa loucura que é o mundo e esse caos sem limites que nos metemos”. Shirley Manson, vocalista do Garbage Além de Shirley, o Garbage conta as guitarras e baixos de Duke Erikson, as guitarras e teclados de Steve Marker e as baterias de Butch Vig. Contudo, desde sua fundação, em 1993, o grupo acumula 25 milhões de discos vendidos em todo mundo e verdadeiros hinos geracionais como Only Happy When It Rains, Push It e I Think I’m Paranoid. Covers e participações em No Gods No Masters O lançamento marca uma nova página na sua história e foi produzido pela banda com o colaborador de longa data Billy Bush. Aliás, o disco chega às plataformas em uma edição dupla reunindo uma série de singles e compactos que o Garbage tem lançado nos últimos anos. Entre os destaques estão a versão para Starman, de David Bowie, e Because the Night, de Patti Smith (com a banda Screaming Females).