Casa fechada ou estádio, frio ou calor, Amyl and The Sniffers entrega da mesma forma

Responsável pela abertura do Punk Is Coming, no Allianz Parque, na tarde de sábado (8), a banda australiana Amyl and the Sniffers entregou um set arrebatador, tal como já havia feito na última quinta-feira (6), no Cine Joia. Dessa vez, no entanto, debaixo de muito sol e com um público estranho, que não tinha familiaridade alguma com as canções. Isso, porém, não alterou em nada a disposição de Amy Taylor e companhia. A banda soube aproveitar muito bem o tempo de palco, cerca de 45 minutos, emendando um som atrás do outro. A apresentação teve início com Security, um dos primeiros hits da banda, sendo emendado por Doing in Me Head e Chewing Gum, do álbum mais recente, Cartoon Darkness, além de Guided by Angels, outro sucesso do início da carreira. Pareceu uma boa estratégia para conquistar o público alheio, mas acredito que a presença de palco impecável de Amy teve muito mais êxito. Na pista do Allianz, o público não pareceu estar muito em sintonia com as faixas, mas elogiou bastante a disposição da cantora. Por fim, mesmo que o público não tenha abraçado tanto a Amyl and The Sniffers, é garantido que o cartão de visitas funcionou. Que retorne logo para mais apresentações por aqui.
The Damned honra Brian James com velório punk no Cine Joia

Ainda abalados com a morte do lendário Brian James, guitarrista e fundador da banda, os ingleses do The Damned encararam o luto de uma forma diferente: entregando um show de punk rock em um palco cheio de flores brancas, que simulava um velório no Cine Joia, em São Paulo, na noite de sexta-feira (7). Logo no início da apresentação, o vocalista Dave Vanian anunciou que o show seria inteiramente dedicado ao amigo. E para a sorte dos fãs, não faltou energia para esses senhores na casa dos 70 anos. Com três dos quatro membros originais no palco (além da Vanian, estavam o guitarrista Captain Sensible e o baterista Rat Scabies), The Damned soube equilibrar bem o repertório entre a fase punk rock, mais presente nos três primeiros álbuns, e o pós punk, que veio na sequência. Confesso que a fase punk rock me agrada muito mais, mas no palco as duas etapas da carreira do Damned se conectam muito bem, dando mais vida e consistência para o set. Love Song abriu o show, que teve uma 1h30 de duração e com poucas pausas. Em geral, os integrantes foram emendando som atrás de som, sem gastar tempo com conversas. I Just Can’t Be Happy Today e Life Goes On (sim, aquela que o Nirvana ‘roubou’ a linha de baixo para Come As You Are) foram bem festejadas pelos fãs. Os super clássicos do Damned foram deixados para a reta final, com destaque para Ignite (com participação muito ativa do público nos coros), Born to Kill e Neat Neat Neat. Um rápido solo de bateria de Rat Scabies abriu espaço para o grande hino feito por Brian James, New Rose, que foi regravada até pelo Guns n’ Roses. Depois de uma rápida pausa, os músicos voltaram para o número final: Smash it Up (Part 1) e (Part 2), a segunda que ficou muito conhecida na versão do Offspring nos anos 1990. Aliás, quem assiste ao Damned ao vivo consegue entender muito bem qual foi a principal fonte de Dexter Holland e companhia. Fim de show, coração mais leve e sensação de dever cumprido: Brian James recebeu um tributo inesquecível no Cine Joia. Os integrantes do Damned, então, distribuíram as flores para o público. Um dia histórico para o punk rock mundial. Hoje, menos de 24 horas depois, o The Damned retorna aos palcos, às 16h30, dentro da programação do Punk Is Coming, no Allianz Parque. Não perca! Confira abaixo registro completo do show feito por um fã e disponibilizado no YouTube.
Amyl and the Sniffers estreia com show cheio de energia no Cine Joia

O fenômeno Amyl and The Sniffers, enfim, chegou ao Brasil. Em seu primeiro show como headliner no país, Amy Taylor e companhia transformaram o Cine Joia, em São Paulo, em um caldeirão na noite de quinta-feira (6). Com a casa lotada, a banda australiana apresentou um show de 1h15 de duração com uma energia fora do comum. Amy Taylor é a grande estrela no palco, com o seu cabelo de Farrah Fawcett, o físico da She-Ra e o entusiasmo na linha de Iggy Pop. O set foi calcado nos três álbuns de estúdio da banda, o homônimo (2019), Comfort to Me (2021) e Cartoon Darkness, lançado no final do ano passado. Bom para os fãs brasileiros que puderam ouvir faixas que já marcam presença nos shows da Amyl and the Sniffers desde antes da pandemia. Aliás, aqui vale um ponto para entender essa trajetória meteórica. O primeiro álbum da Amyl and the Sniffers foi lançado em 2019, antes da pandemia, o que inviabilizou um estouro mais precoce. Na fase pré-covid, o grupo se limitou a tocar em bares pequenos da Austrália e Inglaterra. Em 2022, já com Comfort to Me em mãos, que veio recheado de hits como Guided by Angels e Security, a banda soube aproveitar muito bem o “verão da retomada” para impulsionar seu nome no hemisfério norte. Em poucas semanas teve um show como headliner no Brixton Academy, abriu a Hella Mega Tour, do Green Day, Fall Out Boy e Weezer, além de ter participado dos históricos concertos de Liam Gallagher em Knebworth. Mas arrisco dizer que o público brasileiro foi brindado com o melhor momento possível da Amyl and The Sniffers. Agora com um repertório mais robusto, a banda mostrou que tem condições de segurar facilmente um show desse tamanho. Além da postura visceral no palco, Amy Taylor também arrumou tempo para conversar com o público. Pediu para os fãs ensinarem palavrões em português e dedicou Got You para todas as mulheres, na sequência proferindo alguns xingamentos contra Donald Trump, Elon Musk e Vladimir Putin. No sábado (8), às 14h, Amyl and The Sniffers abrirá a programação do Punk Is Coming, no Allianz Parque, em São Paulo. Se o seu planejamento contemplava apenas Sublime ou The Offspring, repense. Chegar cedo pode garantir a melhor surpresa da temporada. Edit this setlist | More Amyl and the Sniffers setlists
Ghost anuncia álbum Skeletá com o single Satanized; ouça!

Ghost confirmou o lançamento de seu novo álbum, Skeletá, o primeiro trabalho inédito dos ícones suecos do rock teatral desde Impera, que alcançou o topo das paradas internacionais em 2022. O álbum será lançado em 25 de abril via Loma Vista Recordings. A chegada de Skeletá é anunciada juntamente ao single Satanized e seu perturbador novo videoclipe, que traz um primeiro vislumbre do recém-ungido líder do Ghost, Papa V Perpetua – cuja ascensão foi prefigurada pela recente campanha V is Coming!, culminando na conclave em Sin City onde ele foi coroado. “Uma possessão demoníaca como nenhuma outra” nunca soou tão doce quanto aqui – uma avalanche de ganchos e harmonias envolventes sustentada por um ritmo hipnótico, enquanto o narrador sucumbe a forças obscuras dentro e fora de si, reconhecendo impotente sua própria blasfêmia e heresia à medida que é consumido. Quando os versos iniciais da música “Há algo dentro de mim e eles não sabem se há uma cura” passarem do monólogo interior do possuído para os ouvidos do ouvinte desavisado, já será tarde demais: você terá sido “satanizado”. Hoje também marca a estreia do The Satanizer, uma experiência inédita de videoclipe interativo para os fãs que desejam ser Satanized. Desenvolvido em parceria com Jason Zada (Elf Yourself), The Satanizer transformará os usuários em personagens do videoclipe melodramático da música. Com apenas o upload de uma foto, o sistema criará um clipe musical personalizado com a participação do usuário, que poderá compartilhá-lo nas redes sociais e mostrar que também foi “satanizado”. A gênese de Skeletá surgiu após uma longa turnê mundial em apoio a Impera – um período que levou o álbum ao topo das paradas globais, rendeu um American Music Award e um iHeart Radio Music Award, além de conquistar o primeiro single de platina do Ghost pela RIAA (Mary on a Cross) e garantir o maior evento de cinema de rock pesado da história da América do Norte com a estreia do filme Rite Here Rite Now. À medida que esse turbilhão começou a desacelerar, Tobias Forge, a mente criativa por trás do Ghost, embarcou em uma jornada introspectiva. Esse mergulho profundo em sua própria psique resultou em Skeletá: uma coleção de dez músicas inéditas que tocam na essência da experiência humana com uma honestidade cortante. O sexto salmo do Ghost, Skeletá, é sua obra mais profundamente introspectiva até o momento. Enquanto os álbuns anteriores exploravam temas externos – como as reflexões sobre ascensão e queda de impérios em IMPERA e os horrores das pragas históricas em Prequelle – Skeletámergulha na individualidade emocional de cada uma de suas dez faixas. Muitas vezes, parece um diálogo direto consigo mesmo diante do espelho. O resultado final é uma coleção singular de sentimentos atemporais e universais, filtrados por uma perspectiva pessoal única. Skeletá ganhará vida ao longo da Skeletour World Tour 2025, a mais ambiciosa encarnação do ritual ao vivo do Ghost até hoje. A primeira leva de datas da turnê já conta com mais de 55 shows confirmados – incluindo uma estreia histórica como atração principal no lendário Madison Square Garden em Nova York.
Paramount+ anuncia documentário de Ozzy Osbourne

O Paramount+ anunciou a produção de Ozzy Osbourne: No Escape From Now, um documentário que traz um retrato profundo da imagem pública da lenda do rock, Ozzy Osbourne, para revelar os contratempos devastadores que ele enfrentou desde sua queda fatídica em 2019. Atualmente em produção, o projeto está programado para estrear em breve no Paramount+. Este é Ozzy Osbourne como nunca visto antes: um retrato honesto, caloroso e profundamente pessoal de uma das maiores estrelas do rock de todos os tempos, detalhando como o mundo do cantor parou há seis anos, forçando-o a contemplar quem ele realmente é, confrontar sua própria mortalidade e questionar se será ou não capaz de se apresentar no palco pela última vez. Abordando seus problemas de saúde e o impacto do diagnóstico de Parkinson, o documentário mostra o papel central que a música continua a desempenhar na vida de Ozzy, demonstrando também que seu senso de humor travesso permanece intacto apesar de tudo. “Os últimos seis anos foram repletos de alguns dos piores momentos pelos quais já passei. Houve momentos em que pensei que minha carreira havia acabado”, admite Ozzy. “Mas fazer música e gravar dois álbuns me salvou. Eu teria enlouquecido sem música.” Dirigido pela ganhadora do prêmio Bafta, Tania Alexander, o documentário começou a ser filmado no início de 2022, durante as sessões de gravação de seu décimo terceiro álbum de estúdio, duas vezes ganhador do Grammy Awards, Patient Number 9. As filmagens continuarão no verão, quando Ozzy tentará subir ao palco para uma última apresentação com seus companheiros de banda do Black Sabbath. A celebração, marcada para o dia 5 de julho, já conta com ingressos esgotados e será realizada no Villa Park, estádio que fica em sua cidade natal, Birmingham. Ozzy continua: “Meus fãs me apoiam por tantos anos, e eu realmente quero agradecê-los e dizer um adeus adequado a eles. É disso que se trata o show do Villa Park.” Com acesso total a Ozzy, Sharon Osbourne e seus filhos, Ozzy Osbourne: No Escape From Now também conta com vários depoimentos de pessoas importantes em sua vida, incluindo o colega de banda Tony Iommi (Black Sabbath), Duff McKagan (Guns N’ Roses), Robert Trujillo (Metallica), Billy Idol, Maynard James Keenan (Tool), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), o guitarrista Zakk Wylde, o produtor Andrew Watt e seu amigo e músico Billy Morrison, que ajudam a oferecer uma visão humana de um homem que continua sendo um herói para milhões de pessoas. “Este projeto é um relato honesto do que aconteceu com Ozzy nos últimos anos. Mostra como as coisas têm sido difíceis para ele e a coragem que ele demonstrou diante de uma série de sérios problemas de saúde, incluindo Parkinson. É sobre a realidade de sua vida hoje. Trabalhamos com uma equipe de produção em quem confiamos e demos a eles a liberdade de contar a história abertamente. Esperamos que essa história inspire pessoas que estão enfrentando problemas semelhantes aos de Ozzy”, comenta Sharon Osbourne.
Alexandre Carlo explora a brasilidade e o afrobeat no single “Sunshine”

O propósito de trazer boas energias e ajudar a sonhar guia as escolhas do cantor, compositor, guitarrista, cofundador e compositor de todos os hits do Natiruts, Alexandre Carlo. Não foi diferente com Sunshine, segundo single da sua carreira solo, lançado pelo selo Carlo Music. O artista uniu a brasilidade baiana com o afrobeat para compor a canção que chega acompanhada de um videoclipe no canal de YouTube do artista. Sunshine retrata um amor romântico que se encontra em meio à beleza da natureza, flertando para algo maior. Durante a canção, é possível perceber que Alexandre brinca com a mistura de dois idiomas como forma de cessar fogo através de uma única palavra: “amor”. “Quando eu componho, é como se eu estivesse pintando um quadro. Meu lugar dentro da música brasileira é esse: buscar o empírico, o sonho”, afirma. A mistura da ancestralidade, negritude, alegria, cores e vibração durante o processo de criação do videoclipe tem o objetivo de posicionar Alexandre Carlo enquanto artista-solo, fazendo uma ligação com o seu “eu do passado”, que explorava o reggae, junto ao seu “eu do agora”, caminhando em direção ao afrofuturismo como forma de se aprofundar em novas sonoridades. Com direção geral de Rafa Costakent e direção de arte de Fábio Setti, o videoclipe carrega muita simbologia que mistura o afrobeat com a brasilidade baiana por meio de uma estética lúdica e surrealista. O registro audiovisual também carrega um toque fashion por trás dos figurinos, a fim de prender o público com as cores. “Nós estamos muito certos do que queremos passar. O Alexandre tem as mensagens muito bem definidas do que ele quer e a minha função enquanto diretor é entender essas demandas e montar um time para concretizar”, afirma Rafa Costakent.
Bangers Open Air divulga horários dos shows

O Bangers Open Air, que acontecerá nos dias 2 (Warm-Up), 3 e 4 de maio, no Memorial da América Latina, em São Paulo, anunciou a grade oficial de horários de apresentação das bandas para a edição deste ano do festival. Entre os grandes nomes do festival, estão W.A.S.P., Doro e Avantasia, uma das atrações mais pedidas pelo público. Além disso, o evento fica ainda mais imperdível com Powerwolf, Sabaton, Lacrimosa, Vader, Municipal Waste, We Came As Romans e a banda solo de Kerry King após o fim do Slayer. Para o Warm-Up, ninguém menos que a rainha do metal, Doro, os dinamarqueses do Pretty Maids e o mestre das quatro cordas e uma das vozes mais influentes do rock clássico, Glenn Hughes, completam o line-up da edição de 2025. E não para por aí! Também estarão presentes Dream Spirit (China), Pressive (México), muitas outras atrações internacionais, além de grandes nomes brasileiros como Hibria (RS), Malefactor (BA), Black Pantera (MG) e Carro Bomba (SP), entre outras. Os ingressos estão disponíveis de forma online, através do Clube do Ingresso. O ingresso solidário do GRAACC está disponível até o dia 8 de fevereiro, no valor de R$ 565,00 por dia, com doação de R$20,00 à instituição já inclusa. Abaixo as datas do festival com as bandas que tocarão em cada dia SÁBADO, 3 DE MAIO 2025 SABATONPOWERWOLFSAXONKAMELOTLACRIMOSASONATA ARCTICAMUNICIPAL WASTEDARK ANGELENSIFERUMH.E.A.T.BURNING WITCHESDYNAZTYVIPERMATANZA RITUALDREAM SPIRITCARRO BOMBAPRESSIVEMALEFACTORGLORIA PERPETUAVÁLVERASCHOOL OF ROCKNEW BLOOD DOMINGO, 4 DE MAIO TOBIAS SAMMET’S AVANTASIAW.A.S.P.KERRY KINGI PREVAILKNOCKED LOOSEWE CAME AS ROMANSPARADISE LOSTNILEHAKENVADERLORD OF THE LOSTBEYOND THE BLACKDORSAL ATLÂNTICABLACK PANTERAHIBRIAMAESTRICKHATEFULMURDERWARSHIPPERTHE HEATHEN SCŸTHEREADY TO BE HATEDRONNIE JAMES DIO TRIBUTE WARMP-UP – SEXTA-FEIRA, 2 DE MAIO GLENN HUGHESDOROPRETTY MAIDSARMORED SAINTDOGMAKISSIN’ DYNAMITE
MARIANNA e NIZZ unem R&B e house no single “Queima-Roupa”

MARIANNA e NIZZ, promessas do pop nacional, lançam Queima-Roupa, um R&B com influência do house. Mostrando a cumplicidade e química do casal de artistas, a parceria antecipa o novo EP da cantora. “Queima-Roupa faz parte de um trabalho que será lançado em março. Digamos que eu tenha amado produzir House e Garage”, se diverte MARIANNA, que no ano passado lançou singles como Por Uma Noite Só e Nada Vai Ser Como Antes com essa sonoridade. “Eu sou fã do NIZZ, não tem como. Ter esse feat para mim é uma realização profissional e pessoal enorme! Foi muito bom construir essa música com ele. Estou muito orgulhosa desse lançamento e de fato botando na rua uma música com um dos meus artistas favoritos”. No ano passado, o casal se apresentou na noite de estreia do projeto Música Boa Ao Vivo, em São Paulo, idealizado por NIZZ. Para ele, o sentimento da parceria foi recíproco. “Eu amo o trabalho da MARIANNA, desde a primeira vez que ouvi já entendi como ela é autêntica, e isso me chamou muita atenção. Tivemos o prazer de nos conhecer no show dela e ver ela ao vivo me deu mais a certeza de que queria gravar algo junto! Tentamos escrever várias músicas, mas nenhuma nos deu a sensação de realização como Queima-Roupa”. A faixa foi composta pelos artistas junto de Nara Barbezane, irmã de NIZZ e apresenta um pouco o modo como os dois se conheceram e se apaixonaram. “Escrever essa música com a Nara foi engraçado porque ela trouxe a perspectiva de uma pessoa que acompanhou todo o nosso encontro, mas de fora”, conta MARIANNA. Desde o EP de estreia Não Posso Te Esperar, lançado em setembro de 2022, MARIANNA se consolidou como um nome a se prestar atenção no cenário nacional, combinando pop, R&B e funk carioca com letras profundamente pessoais e uma produção visual sofisticada. Em 2024, ela passou a explorar novas sonoridades como house e jazz, além de ter lançado uma parceria com Sylvia Nazareth (Me Deixa Lembrar) e uma estreia nos palcos internacionais em uma noite dedicada a novos artistas no lendário The Dublin Castle, em Londres.
TBT de 30 anos da estreia do Rolling Stones no Brasil

A estreia do Rolling Stones no Brasil foi um dos maiores momentos da história dos shows no País. A espera pela maior banda de todos os tempos superou os 30 anos. Quando Mick Jagger, Charlie Watts, Keith Richards e Ron Wood desembarcaram no Brasil, nada mais importava. Aliás, esse foi o primeiro grande show que assisti na vida. Isso teve um impacto definitivo para ter o Rolling Stones como a “banda da minha vida”. Lembro de ter feito um caderno clipping com todas as notícias que saíram sobre a turnê no Brasil. Eu tinha nove para dez anos na época. O show escolhido pela minha família foi o terceiro no Pacaembu, em São Paulo, debaixo do maior dilúvio possível. O Rolling Stones foi o headliner do Hollywood Rock, que contou ainda com Spin Doctors, Rita Lee e Barão Vermelho. Segue abaixo um relato histórico daquela noite memorável. Frejat e banda são vencidos pelo dilúvio e risco de choque no Pacaembu A noite prometia ser uma celebração do rock nacional com o Barão Vermelho aquecendo as turbinas para os Stones. A banda chegou a subir ao palco, instrumentos plugados e prontos para a batalha. Frejat, Guto Goffi e companhia estavam visivelmente ansiosos para tocar. Porém, São Pedro não perdoou. A tempestade que desabou sobre o Pacaembu transformou o palco em uma armadilha elétrica. Com a água invadindo equipamentos e o risco real de choques fatais, a organização e a banda tomaram a difícil decisão de abortar a missão antes mesmo do primeiro acorde. Foi um anticlímax doloroso. Ver Frejat no microfone, não para cantar Puro Êxtase, mas para explicar que não poderiam tocar por segurança, foi o primeiro sinal de que aquela noite seria, literalmente, lavada com água e frustração, pelo menos até a próxima atração. Rita Lee desafia a tempestade e a moralidade com show curto, genial e nudez no palco Se a chuva espantou o Barão, ela só serviu para lavar a alma de Rita Lee. A “Ovelha Negra” subiu ao palco do Hollywood Rock com a missão de manter o público aquecido debaixo d’água, e fez isso com a maestria de quem não teme cara feia (nem de roqueiros puristas, nem de São Pedro). O set foi curto, quase punk em sua urgência. Rita, vestida com seu figurino de “feiticeira moderna”, desfilou hits como Lança Perfume e Ovelha Negra. Mas o momento que fez o Pacaembu esquecer o frio veio em Miss Brasil 2000. Com a irreverência que lhe é peculiar, Rita trouxe ao palco uma modelo vestida de faixas de miss que, ao final da música, ficou completamente nua. Foi o choque estético perfeito: rock, deboche e nudez em um estádio de futebol lotado. Rita saiu de cena ovacionada, provando que para abrir para os Stones, é preciso ter tamanho de Stone. Spin Doctors enfrenta a fúria dos fãs dos Stones com hits de rádio e dignidade Existe uma “maldição” em abrir para os Rolling Stones, e o Spin Doctors sentiu isso na pele. A banda de Chris Barron vivia o auge comercial com o álbum Pocket Full of Kryptonite, mas o público do Pacaembu, ensopado e exausto de esperar por Mick Jagger, não queria saber de funk-rock simpático. Desde a primeira música, as vaias e os gritos de “Stones! Stones!” foram ensurdecedores. Barron tentou de tudo: correu, dançou seu passo característico e interagiu, mas a barreira era sólida. Musicalmente, a banda foi impecável. Little Miss Can’t Be Wrong soou redonda e pesada. Quando finalmente tocaram Two Princes, o hit onipresente da época, houve uma trégua: a maioria cantou junto, mesmo que a contragosto. O Spin Doctors fez um show muito bom para um público que não queria vê-los. Saíram de cabeça erguida, vítimas do fanatismo alheio, mas vitoriosos na execução. Rolling Stones estreia no Brasil domando o dilúvio do Pacaembu Eram quase 22h quando as luzes se apagaram e o gigantesco palco da Voodoo Lounge, com sua cobra cibernética e estrutura de ferro, se acendeu sob uma chuva bíblica. Pela primeira vez na história, Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood pisavam em um palco brasileiro. A espera de décadas acabou com os acordes de Not Fade Away. O que se viu nas duas horas seguintes foi sobrenatural. A chuva, que cancelou o Barão e esfriou o público do Spin Doctors, parecia combustível para Jagger. Ele corria pelas passarelas encharcadas, deslizava e rebolava como se o Pacaembu fosse sua casa de praia. O setlist foi um desfile de hinos: Tumbling Dice, You Got Me Rocking e a obrigatória Satisfaction. Em Sympathy for the Devil, o palco pegou fogo (visualmente) com bonecos infláveis gigantes, criando um cenário dantesco e maravilhoso sob a tempestade. Out of Tears, linda balada do álbum Voodoo Lounge, foi a responsável por me fazer chorar litros. Eu, com apenas dez anos recém-completados, estava aos prantos ouvindo meus ídolos. Keith Richards teve seu momento de brilho (e descanso para Mick) cantando The Worst e Happy, com aquele charme despojado de pirata. O encerramento com Jumpin’ Jack Flash foi a prova final de resistência. O público, encharcado até os ossos, pulava nas poças de lama. Os Stones não apenas tocaram em São Paulo, eles sobreviveram a São Paulo e entregaram o maior espetáculo de rock que o Pacaembu já viu. Foi o fim de uma era de espera e o início de uma relação de amor eterno com o Brasil. Edit this setlist | More The Rolling Stones setlists