Voraz e Julies se unem em “Sessão da Tarde”

A música brasileira vive um momento de encontros produtivos, e a nova colaboração entre Voraz e Julies é a prova disso. Com mais de 30 milhões de reproduções somadas em suas trajetórias individuais, os artistas decidiram deixar os rótulos de lado e explorar uma faceta mais pop em seu novo single, Sessão da Tarde. A faixa é uma celebração da simplicidade. Em tempos de redes sociais frenéticas, o single propõe um olhar atento aos pequenos gestos e ao afeto presente no cotidiano, transformando a rotina em uma verdadeira história de amor. Força da composição A colaboração nasceu de um time de peso. A composição leva a assinatura de Julies Mazarini, Tales de Polli, DEKO, Tercio de Polli e Willer Carvalho. Vale destacar que DEKO e Tales já possuem o selo de qualidade do Grammy Latino, tendo sido indicados em 2023 pela composição de Lágrimas de Alegria. “A gente queria criar algo gostoso de ouvir, que abraçasse as pessoas. No fim, acabamos contando a história de um amor que vive nos detalhes”, explica Julies. A conexão entre as bandas, segundo Diogo, vocalista da Voraz, foi algo que o algoritmo previu antes mesmo deles se conhecerem, e que se concretizou naturalmente no estúdio. Estética e produção O lançamento ganha vida com um clipe dirigido por Mazza, da Área 51. As gravações foram realizadas na Cabana Yeshua, um cenário que traduz a leveza da música: rodeada pela natureza e com uma arquitetura que convida ao descanso. Entre cenas internas e externas, o vídeo captura a essência de Sessão da Tarde, reforçando que os melhores momentos são, quase sempre, os mais simples.
Jorja Smith anuncia “What Are The Odds” e turnê no Brasil

Uma década após Blue Lights ter apresentado a voz de Jorja Smith ao mundo, a artista britânica chega ao seu terceiro álbum de estúdio com a maturidade de quem não tem pressa para ditar seus próprios rumos. What Are The Odds, que chega às plataformas em 21 de agosto, é um manifesto sobre crescimento, amizade, luto e a complexidade de ser uma das vozes mais ouvidas da música soul contemporânea. Para celebrar o anúncio, Jorja liberou o single Alive, uma colaboração solar e atmosférica com o astro nigeriano Wizkid. Produzida por seu colaborador de longa data P2J, a música traz um frescor afrofuturista que dialoga perfeitamente com a estética parisiense do videoclipe dirigido por Gabriel Trautmann. Uma década de “Blue Lights” O novo álbum é um projeto de celebração. Com 12 faixas inéditas, o disco passeia por gêneros que pavimentaram a carreira de Jorja, do UK Garage e Grime ao Soulful House e Afro House. É um projeto que olha para trás com carinho, mas que também confronta a realidade de amadurecer sob os holofotes, explorando temas como a traição (Pretend) e a reconstrução do afeto (For Life). Turnê no Brasil com What Are The Odds O anúncio chega no timing perfeito para os fãs brasileiros. Jorja Smith desembarca no país para uma série de quatro shows que prometem ser um dos destaques da agenda internacional do segundo semestre:
The Bombers lança versão ao vivo de “My Way My Strength”

Se existe uma banda que carrega o DNA da resistência no punk rock brasileiro, essa banda é o The Bombers. O quarteto santista, que em 2025 completou três décadas de estrada, começa a revelar os frutos de sua celebração com o lançamento da versão ao vivo de My Way My Strength (Crazy Train). A faixa faz parte do registro audiovisual Noite Alucinante: 30 Anos Ao Vivo, gravado em São Paulo e com lançamento completo previsto para o dia 30 de julho de 2026. A música, lançada originalmente em 2014 no álbum All About Love, tornou-se um pilar do repertório da banda. Para o vocalista Matheus Krempel, a canção não é apenas um hit de palco: ela é um manifesto. “A faixa fala sobre seguir em frente, permanecer fiel à própria rota e usar as dificuldades como combustível. Ela resume o que sustentou o The Bombers nesses 30 anos: insistência, coerência e palco”, pontua. Registro histórico (e em VHS!) Gravado no dia 18 de outubro de 2025, no estúdio Red Star em São Paulo, o álbum Noite Alucinante é um documento de uma era. Além do streaming e da edição em CD, a banda preparou um mimo para os fãs mais nostálgicos: uma tiragem limitada em VHS, honrando a estética da época em que tudo começou. A produção traz participações que reforçam a importância do grupo para o cenário independente, como Alexandre Saldanha (Reverendo Frankenstein), a dupla da Marzela (Raphael Oliveira e Anderson Reis) e os rappers Jay Bone e Jhou Bastos. A mixagem e masterização ficaram a cargo de Davi Pacote (Hill Valley Studio), garantindo que a energia crua do show fosse transposta com fidelidade.
Vannick Belchior inicia nova fase com o manifesto visual “Carisma”

A obra de Belchior nunca foi confortável e, talvez por isso, permaneça tão urgente. É sob essa premissa de contínua provocação, afeto e busca pelas origens que a cantora cearense Vannick Belchior apresenta o single e clipe Carisma. A faixa não é apenas um lançamento; é o cartão de visitas oficial de uma nova e madura fase em sua carreira, onde a “guardiã do acervo” paterno se funde à artista que define sua própria narrativa. Escolher uma composição “lado B” do vasto catálogo de seu pai foi um movimento estratégico. Originalmente pensada como um baião, Carisma ganha uma roupagem contemporânea pelas mãos do diretor musical Lu D’Sosa, incorporando elementos tradicionais do Nordeste, como o pífano, e uma cadência que transita com elegância pelo forró e pela MPB. Manifesto visual ancestral de Vannick Belchior O videoclipe de Carisma é uma declaração de intenções. Gravado em parceria com o tradicional Reisado de Santa Luzia, de Fortaleza, sob o comando do Mestre João, o registro audiovisual é um manifesto contra o preconceito geográfico que, muitas vezes, distancia a cultura regional do eixo principal da produção musical brasileira. A presença de uma criança no vídeo, vivendo o legado de geração em geração, espelha a própria trajetória de Vannick, que hoje ocupa palcos e programas de TV com a mesma idade em que seu pai iniciou sua jornada profissional. “Eu escolhi Carisma para essa virada porque ela me mantém muito aterrada, mantém viva a minha ancestralidade regional do Ceará. Quero bater na tecla de que a cultura regional faz parte da cultura brasileira; ela é uma cultura pertencente ao Brasil tanto quanto a cultura do Sudeste”, explica a cantora.
Entrevista | Usted Señalemelo – “Sempre tentamos buscar coisas novas”

Um dos maiores nomes do indie rock e da música alternativa sul-americana contemporânea, o trio argentino Usted Señalemelo aterrissa em São Paulo na noite deste sábado (27) para uma apresentação que promete ser histórica no Bar Alto. Acostumados a lotar arenas na Argentina e a rodar grandes festivais pelo mundo, incluindo uma passagem recente pelo Lollapalooza Chicago, os músicos trazem à capital paulista um formato intimista. O grande combustível da noite é o quarto álbum de estúdio do grupo, Términos & Condiciones, lançado no início de 2026. Sucessor do aclamado TRIPOLAR (indicado ao Latin Grammy), o novo trabalho marca uma virada corajosa do trio em direção às pistas de dança. Com uma sonoridade retrofuturista rica em synth-pop, texturas sombrias de eletrônica e batidas de drum and bass, o álbum quebra as fórmulas do rock tradicional e convida o público a habitar o movimento e a experimentação digital. Para esquentar os motores antes de subirem ao palco, o baterista, Lucca Beguerie Petrich, conversou com o Blog n’ Roll. Em um papo franco e descontraído, Lucca revelou os bastidores do processo de composição feito inteiramente em computadores, detalhou as inéditas parcerias de estúdio com o mexicano Jay de la Cueva e com os norte-americanos do Portugal. The Man, e analisou como o minimalismo estético do novo trabalho serve de manifesto contra o excesso de telas na sociedade moderna. A conexão do Usted Señalemelo com o Brasil não é de hoje, e Lucca fez questão de reforçar o carinho pelo público local. Relembrando o início da carreira, quando tocaram em São Paulo para apenas duas pessoas que já conheciam suas letras, o baterista celebrou o retorno à cidade ao lado de bandas parceiras da cena brasileira, como Boogarins e Terno Rei, e destacou o quanto o público do país é caloroso e aberto a novas e ousadas experiências sonoras. A apresentação de hoje no Bar Alto é uma oportunidade única de testemunhar a evolução de uma banda que se recusa a estagnar. Os ingressos para o evento estão disponíveis na Ingresse. Confira a seguir a íntegra da entrevista! Términos y Condiciones traz uma virada clara para as pistas de baile, mesclando synth-pop, drum’n’bass e disco. O que motivou o Usted Señalemelo a buscar essa sonoridade mais eletrônica e retrofuturista logo após o sucesso de TRIPOLAR? É um disco que, na hora de compor e começar a fazer as canções, nós o fizemos com muita gente. Foi a primeira vez que, na etapa de composição, incorporamos outros compositores ou produtores. Então isso nos deu um leque, uma quantidade de possibilidades de músicas que, quando começamos a pensar no álbum já como um corpo de trabalho e não como faixas isoladas, o eletrônico unia muito bem tudo o que tinha acontecido na composição. Além disso, nós sempre tivemos elementos eletrônicos nos nossos discos, sempre usamos sintetizadores, baterias eletrônicas, samplers, um pouco de tudo. Então, este disco foi uma aposta: vamos fazer com que o eletrônico seja um pouco o eixo do que está acontecendo a nível estético, algo que nunca tínhamos feito de forma tão explícita quanto agora. Foi um processo longo, muito digital. É um disco muito digital, feito inteiramente no computador e não em grandes estúdios, um processo bem diferente daqueles a que estávamos acostumados, que no geral eram mais orgânicos e de gravações clássicas de um disco de rock. Neste álbum foi como: vamos tentar fazer algo mais atual, com a forma como estamos trabalhando e as ferramentas que temos hoje, e ver o que acontece. O disco tem estruturas ousadas e mudanças inesperadas, como em Eso que llaman luz. Como foi o processo de composição e produção junto aos produtores para alcançar texturas complexas e imprevisíveis? Nós sempre nos caracterizamos por buscar dinâmicas nas músicas ou nos discos que talvez fujam do que estamos acostumados em termos de estruturas, melodias ou formas de compor. Sempre tentamos buscar coisas novas na hora de compor e gravar, caminhos que ainda não tínhamos trilhado para que nos levem a novos resultados. Sempre estivemos experimentando; há muitas músicas deste disco que tiveram várias versões, tanto em estrutura quanto em arranjos. Por isso, foi um trabalho que envolveu muito mais produção do que pré-produção. Foi muito mais sobre começar a gravar e começar a mudar tudo uma vez que já estava gravado, testando coisas novas. Há músicas que gravamos e terminaram completamente diferentes no disco, da primeira versão até a última. Nós nos damos essa liberdade de poder experimentar porque acreditamos que faz parte da nossa identidade e da nossa busca. Então não importa se é mais eletrônico, se é mais rock ou mais pop, sinto que sempre haverá esse selo nosso de buscar algo diferente, mesmo que esteja ligado a um gênero, entende? E, pela primeira vez na história do Usted Señalemelo, vocês tiveram colaborações de estúdio, com o mexicano Jay de la Cueva e com o Portugal. The Man. Como surgiram esses convites e como foi equilibrar a identidade de vocês com a deles? Nós assistimos ao show deles (Portugal. The Man) e tivemos uma conexão muito bonita. Eles são do Alasca, que fica bem ao norte dos Estados Unidos, nas montanhas, na neve, e nós somos de Mendoza, que é um pouco semelhante sob certo aspecto: somos da montanha, estamos longe das grandes cidades. Então já existia algo ali que nos conectava por si só, o fato de sermos bandas de rock de lugares fora do eixo onde as coisas costumam acontecer, com tudo o que isso custa para uma banda. Naquela noite, ficamos conversando um tempão sobre a vida, ficamos muito amigos, e eles estavam muito interessados em tudo o que estava acontecendo na cena alternativa em espanhol. Eles já tinham escutado bandas e artistas do México, da Argentina, então já estavam conectados com isso. Conversando, dissemos que um dia deveríamos fazer música juntos, como algo bem descompromissado, tranquilo, e eles toparam de primeira. Quando começamos a fazer essa faixa, que se chama Dando Vueltas, era uma música que imaginávamos com
Raimundos lança clipe de “Dia Bonito” com imagens exclusivas da tour

Os Raimundos estão em um momento de pura catarse. Nesta sexta-feira (26), a banda liberou o videoclipe de Dia Bonito, faixa que integra o seu mais recente álbum, XXX. O vídeo não é apenas uma peça de divulgação, mas um registro documental intenso da fase atual do grupo, capturando a conexão visceral entre palco e público. Dirigido por Miguel Rivero, o clipe é um compilado emocionante que intercala cenas de estúdio com registros brutos da vida na estrada. A produção ganha um brilho especial ao revisitar a recente e marcante turnê da banda ao lado do Guns N’ Roses, onde os Raimundos provaram sua força diante de multidões gigantescas, conquistando até mesmo novos fãs para o seu repertório clássico. Essência da road trip em Dia Bonito, do Raimundos A música, que prega a felicidade nas pequenas coisas e a valorização das relações, encontrou no clipe o cenário perfeito. A estética crua e dinâmica das imagens retrata a cumplicidade entre os membros da banda, revelando o que acontece entre um show e outro. “O clipe de Dia Bonito foi feito despretensiosamente com imagens de estrada, shows e backstage! Ilustra bem o ótimo momento atual que a banda vive! É nítido o clima descontraído, cheio de paz e cumplicidade nas apresentações”, comenta Digão. O vocalista também destacou a renovação no time: “A evolução do som tanto em estúdio quanto ao vivo salta aos ouvidos! Vale ressaltar também a presença do Jean (baixista) que reforçou bastante a linha de frente da banda, assumindo o posto que eu fazia na formação original e reforçando a interação com a plateia!”.
Entrevista | Kelsey Lu – “Quando aquele violoncelo quebrou, não consegui levantar da cama”

A multi-instrumentista e artista visual Kelsey Lu está de volta com seu mais novo e aguardado projeto de estúdio, So Help Me God. Conhecida pela atmosfera suntuosa, devocional e orquestral de sua estreia com Blood, a artista agora convida o público a testemunhar uma virada radical em sua jornada criativa. Longe de ser um manifesto de cura pacífica, o novo trabalho é descrito como um verdadeiro acerto de contas com o passado, onde Lu decide caminhar pelas próprias sombras para resgatar a pureza de sua arte. O estopim para essa transformação profunda aconteceu em 2020, quando o violoncelo que acompanhava a artista há mais de duas décadas rachou em suas mãos logo no início da pandemia. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, Kelsey Lu revelou que o incidente simbólico a mergulhou em um luto profundo, forçando-a a abandonar sua zona de conforto e a reconstruir sua identidade musical longe do instrumento que antes lhe servia como escudo. O resultado é uma produção multifacetada, moldada por anos de isolamento, superação e reconexão espiritual. Além das barreiras sonoras, o processo criativo do álbum transbordou para as artes plásticas. Kelsey Lu explicou como o tarô e desenhos em larga escala feitos em seu ateliê servem para que ela decifre as histórias visuais de suas composições. Essa fusão de linguagens já ganhou vida em performances imersivas na Europa, onde o público participou ativamente da criação de obras de arte sob o chão de palácios históricos, um conceito de “escavação de si mesma” que ela planeja estender para suas futuras apresentações ao vivo. Durante a conversa, a artista não escondeu o entusiasmo ao falar sobre o Brasil e o desejo de trazer a nova turnê ao país. Demonstrando grande admiração pela cultura local, Kelsey Lu revelou considerar o português um dos idiomas mais bonitos e rítmicos do mundo, destacando o “fogo” e a musicalidade natural do povo brasileiro. Para os fãs que aguardam ansiosamente por sua estreia em solo nacional, o aceno da cantora acende a esperança de uma performance histórica em breve. So Help Me God já está disponível em todas as plataformas digitais. Você pode conferir a entrevista completa com Kelsey Lu abaixo. Seus brincos são lindos, combina com o esse desenho aqui em cima. Sim, lindo! Eu pratico tarô. Então, quando estou no processo de tentar entender e descobrir qual é a história de cada música, quando estou tentando decifrar as histórias visuais e tudo mais, meio que me baseio no que está aparecendo nas minhas leituras diárias de tarô. Mas também escrevo as letras bem grandes. Eu meio que as deixo na minha parede por um tempo para, de certa forma, queimarem no meu subconsciente. Assim consigo tentar entender exatamente sobre o que estava falando, porque muitas vezes no meu processo de escrita e gravação, não sei necessariamente com quem ou sobre o que estou falando, ou ao que estou me referindo. Então preciso passar um tempo meditando sobre isso depois para entender melhor. E este é mais ou menos o meu processo. E com Portrait of a Lady on Fire, eu continuava tirando o Ás de Espadas. Então este é o meu desenho baseado nisso. E depois esse tipo de coração e fogo no centro. É lindo. É algo que você desenvolveu sozinha ou algo que aprendeu? Sim, é algo que desenvolvi por conta própria. Na verdade, tenho uma prática de desenho desde pequena. Meu pai é retratista. Então cresci nesse ambiente, e o ateliê dele ficava em casa. Por isso, cresci muito perto de pastel a óleo… ele trabalha com pastel a óleo, carvão e todo esse tipo de coisa. Cresci muito em torno disso e tive uma prática secreta por muito tempo. E isso tem sido, sim, a minha prática no que diz respeito à composição. Mas isso geralmente vem depois que escrevi uma música, ou até mesmo no meio da escrita, quando preciso tentar descobrir como será o resto dela. Gosto de fazer as coisas em grande escala. Assim consigo realmente sentir a emoção, especialmente enquanto estou escrevendo, sabe? Porque, por exemplo, esta aqui, Running the Pain, a escrita, o estilo, o sentimento e o movimento através das linhas das palavras são tão diferentes do que são nesta outra. Então, sim. Sim. E você pensa em usar isso nos seus shows ou algo assim? Sim, já pensei sobre isso. Fiz uma performance em Veneza há algumas semanas chamada Penumbra. E foi uma instalação em escala realmente grande, onde preenchi todo o espaço, o último andar deste palazzo, com terra. E debaixo da terra, coloquei esses rolos grandes de papel. Depois, espalhei pedaços de carvão e também um pouco de pó de carvão. E esse dançarino com quem colaboro, o Josh Johnson… ele e eu fizemos esses movimentos, esses diferentes tipos de movimentos sobre isso enquanto ouvíamos o álbum. Depois cobri com camadas finas de terra, mais um pouco de carvão e mais terra. Então, todos que estavam assistindo à performance também foram participantes ativos na criação do desenho que surgiu depois. E após a performance, eu escavei todos os desenhos e eles estão incríveis. Estão com uma aparência tão, tão… são realmente muito especiais. Vou voltar lá no começo de julho para fazer outra abertura e exibição das obras no palazzo. Mas acho que é algo que eu adoraria fazer porque, sabe, com o álbum em si, é uma profunda exploração e escavação de si mesma. E também um esforço para se conectar consigo mesma, mas também com o mundo. Acho que, enquanto fazia isso, percebi quantas paredes de medo construí ao longo do tempo. Isso como resultado da maneira como fui criada, que é temer o mundo e temer as pessoas. E, sabe, a música para mim sempre foi essa espécie de salvadora e uma forma de me conectar com as pessoas. Ao longo da minha jornada lançando música e me conectando com pessoas pelo mundo todo… sabe, quando lancei meu último álbum, houve muitas coisas vindas tanto da indústria quanto da gestão que
Capacetes em chamas e pistola de raios alfa: a abdução do Man Or Astro-man? em Santos, em 1999

Considerada uma das maiores bandas de surf music do mundo, com repertório praticamente inteiro instrumental, o Man Or Astro-man? visitou Santos em sua segunda turnê ao Brasil, em 26 de setembro de 1999. A apresentação histórica aconteceu na extinta casa noturna Millenium (Av. Ana Costa, 554B, no Gonzaga), com abertura do Garage Fuzz e do Sonic Sex Panic. Menos de um ano antes, a banda do Alabama (EUA) havia feito sua primeira turnê no Brasil. O rolê foi tão bem-sucedido que eles não pensaram duas vezes antes de retornar, e o motivo era uma verdadeira paixão pelo país. Em entrevista para a Folha de Londrina, em 1999, o baterista e membro-fundador Brian Teasley (o Birdstuff) declarou que o Brasil era o seu país favorito. O músico fez questão de exaltar a energia local: “Nos Estados Unidos e na Europa, as pessoas sentam em suas poltronas e ouvem música de forma muito polida, muito correta. Vocês (brasileiros) aí vivem a música, todo mundo tem banda e parece que a música é uma parte significativa das vidas de vocês”. A ligação da banda com o país foi além das palavras. Revelando admiração por Mutantes e Chico Science, Birdstuff foi poético: “Minha vida não estaria completa se não fosse o Brasil. Funcionou como uma inspiração para nós, por isso gravamos o disco aí”. De fato, a segunda turnê, que passou por 12 cidades brasileiras, serviu para divulgar o nono álbum da banda, Eeviac, gravado no estúdio móvel deles (o Zero Return) em Belo Horizonte durante a primeira passagem pelo país. Risco do Garage Fuzz e a gafes da imprensa Apesar do status cult da banda, o show em Santos quase não aconteceu. Segundo resenha da época feita pelo fanzine Surfcore, assinada por Marco Casado e Victor Martins, se não fosse pelo esforço do pessoal do Garage Fuzz, o público da Baixada teria que “subir a Serra de novo”. O Surfcore detalhou que o aluguel dos espaços de shows estava muito caro e que a Millenium, local escolhido para o evento, era novata no ramo de rock, enchendo apenas “de vez em nunca de funkeiros ou playboys”. Isso fez com que os donos da casa duvidassem do sucesso do evento, mas a aposta do Garage Fuzz e a boa divulgação lotaram a discoteca, surpreendendo os proprietários. A ironia do evento, no entanto, ficou por conta da imprensa. O fanzine relatou, com indignação, que a rádio, os jornais e os cartazes trataram o gigantesco Man or Astro-man? como uma banda de suporte para o Garage Fuzz. “O jornal apenas dizia ‘uma banda bem legal que toca vestida de uniformes da Nasa’ e o resto do texto todo falando do GF”, destacou a publicação. Skate rock, mosh e os “roadies alienígenas” do Man Or Astro-man? A noite começou quente com o Sonic Sex Panic. A banda entregou um HC melódico e agressivo, definido pelo zine como “skate rock”, tocando músicas novas em português que retratavam problemas pessoais, uma possível influência do novo baixista, Medina (também do Sociedade Armada). O Garage Fuzz subiu na sequência, misturando os clássicos do primeiro CD com faixas mais recentes. A resenha pontuou, com certa irritação, que os fãs exaltados atrapalharam: “Mais uma vez os idiotas do stage diving atrapalharam o show”. Essa invasão repetiria-se no show principal, mas em menor escala, pois a “maioria dos chatos” já havia ido embora. A longa espera para a atração principal justificou-se pela complexidade do palco. “Os integrantes travestiram-se de funcionários de usina nuclear com macacões e capuzes brancos com máscara de oxigênio e óculos escuros”, relatou o Surfcore sobre a equipe técnica. Os “roadies alienígenas” montaram um verdadeiro laboratório sonoro, espalhando projetor de imagens super-8, um laptop ligado ao P.A., samplers e inúmeras mangueiras pelo palco da Millenium. Abdução: macacões da Nasa e espetáculo classe A Do nada, Birdstuff (bateria), Blazar the Probe Handler (guitarra), Trace Reading (guitarra) e Coco the Electronic Monkey Wizard (vocal e mentor) surgiram vestindo macacões vermelhos da Nasa. Para o Surfcore, o que se viu a seguir não foi um show, mas um espetáculo “Classe A”. Com movimentos robóticos enquanto tocavam, os integrantes entregaram um setlist focado no futurista Eeviac, mas recheado de faixas do aclamado Destroy All. Embora tenham deixado de fora clássicas como Popcorn Crabula, a destruição sonora foi garantida com músicas como Reverb 10,000, a viajante Bermuda Triangle Shorts, Bombora e Destination Venus. Os pontos altos da noite uniram técnica e insanidade. A plateia foi ao delírio quando Coco e Blazar dividiram o mesmo baixo de dois braços para tocar, e o choque foi total quando Coco incendiou seu “capacete combustível”, repleto de mangueiras, em cima da própria cabeça. Para resumir o nível daquela noite alienígena em Santos, o fanzine fechou sua resenha pegando emprestada uma frase do jornalista André Barcinski: “Quem perdeu este show merece ser dizimado por uma pistola de raios alfa”.
Godspeed You! Black Emperor fará primeiro show no Brasil em novembro em São Paulo

A Balaclava Records anunciou a vinda inédita da emblemática banda canadense de post-rock Godspeed You! Black Emperor ao Brasil. O grupo, formado em Montreal em 1994, realizará apresentação única no país no dia 23 de novembro de 2026, na Audio, em São Paulo. Os ingressos já estão disponíveis nos setores Pista e Camarote por meio da plataforma Ingresse, além da opção de compra física sem taxa de conveniência no Takkø Café, localizado na Vila Buarque. Reconhecidos por redefinir a música de protesto com composições instrumentais longas de rock de câmara, os álbuns da banda lançados entre 1997 e 2002 — com destaque para F#A#∞ (1997) e Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven (2000) — tornaram-se referências fundamentais do gênero. A identidade do grupo também se sustenta em suas apresentações ao vivo, marcadas pelo uso de múltiplos projetores analógicos de 16mm, e por uma postura avessa ao culto à personalidade: o coletivo nunca manteve redes sociais, site próprio ou lançou videoclipes, priorizando que a obra fale por si mesma. Após um hiato iniciado em 2003, a banda retornou aos palcos em 2010 e consolidou uma nova fase prolífica, que rendeu quatro álbuns aclamados pela crítica, culminando no lançamento de No Title as of 13 February 2024 28,340 Dead em 2024. Serviço do Godspeed You! Black Emperor em São Paulo