Júlio Ferraz une folk, música brasileira e experimentações em novo álbum 

Entre ruídos, a beleza. Entre o minimalismo, um reflexo do todo. Em busca de respostas em meio ao caos, o artista pernambucano Júlio Ferraz lançou pelo selo Discobertas seu novo álbum Soturno Jarro Diamante. O trabalho explora temas psicológicos e evoca emoções que se conectam com nossos sentimentos mais profundos. O álbum conta com uma parceria com a musicista e poetisa canadense Maud Evelyne em Tell Me If The City (Dis-moi si la ville). “O título é uma analogia aos sentimentos mais íntimos, aqueles que guardamos em nosso lugar mais secreto. O jarro simboliza um lugar oculto, reservado, onde guardamos sensações e sentimentos que normalmente não colocamos para fora. Neste reservatório, os sentimentos ficam retidos até um dia transbordar”, conta Júlio. “O diamante é a luz, o momento em que a energia cintila, trazendo leveza e refletindo todo seu brilho ao ambiente. Este jarro diamante está cheio de canções soturnas. Elas estão disponíveis para todos aqueles que desejam resgatar os seus sentimentos adormecidos à superfície. Há muita coisa acontecendo, e nem tudo posso lhe contar em palavras, mas lhe garanto que tudo está aqui, presente nesses minutos de gravação, que duraram quase dois anos de minha vida”. Júlio Ferraz é músico, compositor e arranjador, tendo iniciado sua carreira em 2006 com o Novanguarda, uma banda que mesclava rock de garagem com elementos psicodélicos e lhe rendeu reconhecimento nacional. Em 2016, lançou seu primeiro álbum solo, A Ilha da Inconsciência no Espelho Polifônico das Bifurcações do Tempo. Sua música incorpora uma variedade de elementos, como psicodelia, tropicalismo, jazz e folk. Após anos de intensa atividade em estúdio, em 2020 ele anunciou o show Freak Bananas, apresentando material lançado nos últimos quatro anos, explorando sua liberdade artística e celebrando o caos e o amor. No entanto, as apresentações ao vivo foram interrompidas devido à pandemia de covid-19, e o artista aproveitou seu período de confinamento para experimentar novas abordagens e sonoridades. Durante o período de isolamento social, ele lançou o EP Lampejos e o álbum ao vivo Quarentine Live, este último gravado em casa por meio de transmissões online. Em janeiro de 2021, lançou o álbum de estúdio, Orbe Onírico, e em dezembro do mesmo ano, lançou o single Travessia Boa Viagem, que incluía a faixa Algoz no lado B. Agora, lançando o seu quinto álbum solo, e abrindo um novo capítulo nessa história que conta com uma indicação ao Prêmio da Música de Pernambuco (na categoria MPB com o EP Sonhos & Ruídos) e quatro ao Prêmio Dynamite (O Manifesto Das Cores, Capital Esperança, Lampejos e Orbe Onírico, todos na categoria MPB). Nova página nesta trajetória, Soturno Jarro Diamante se propõe a encapsular os últimos anos e seus caos e dores, usando as experiências pessoais do artista como porta de conexão e espelho para o ouvinte.

Alceu Valença lança álbum audiovisual “Meu Querido São João”; assista

Alceu Valença lançou o álbum Meu Querido São João – Ao Vivo na Fundição Progresso, registro na íntegra da turnê de forró que o cantor realiza todos os anos no período das festas juninas. A gravação foi registrada em 1 de julho de 2022, dia do aniversário do artista, disponibilizada pela Deck também em audiovisual em todas as plataformas. Com sua performance explosiva, Alceu enfileira sucessos no palco da Fundição Progressso, no Rio de Janeiro, sob o imenso guarda-sol do forró e seus congêneres. E tome xote, xaxado, baião, coco de embolada, em temas que aliam hits de sua autoria – Como Dois Animais, Anunciação, Tropicana, Girassol, Belle de Jour, Pelas Ruas que Andei, entre elas – a clássicos do repertório de Luiz Gonzaga, como Baião, Vem Morena, O Xote das Meninas e Sabiá. A música de abertura do espetáculo, Pagode Russo (João Silva), outra do repertório de Luiz, foi lançada como single de estúdio por Alceu no ano passado. A versão garantiu para o artista o troféu de “melhor cantor” no Prêmio da Música Brasileira em 2023. Ao vivo, o tema ganha em animação e organicidade, onde a vibração do público funciona como combustível extra pra lá de aditivado. A canção que dá título ao álbum, Meu querido São João, foi inicialmente composta para o filme A Luneta do Tempo, escrito e dirigido por Alceu Valença, realizado em 2015. Em maio de 2023, Alceu catapultou uma versão em estúdio da canção, cantada por ele em dueto com seu filho Juba. O primeiro single do novo álbum, Táxi Lunar – recriação turbinada do hit atemporal composto por Alceu, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho na década de 1970, já decola em todas as plataformas – irresistível como sempre, mais espacial do que nunca. Alceu Valença é acompanhado em cena por André Julião (sanfona), Zi Ferreira (guitarra), Tovinho (teclados), Nando Barreto (baixo), Cassio Cunha (bateria).

Francisco, el Hombre faz convite à movimentação em Chão Teto Parede

Ao passo que a Francisco, el Hombre vai apresentando o disco 10 Anõs, o público pode identificar nas novas versões a energia catártica dos shows sendo impressas em novos acordes, melodias e batidas. Chão Teto Parede chegou com uma nova camada musical. As batidas eletrônicas contínuas nos minutos iniciais da primeira versão abrem espaço para um começo enérgico no single de dez anos. Com o aviso que esta é a última canção da tracklist ecoando nos fones, a banda convida o ouvinte a se jogar na coreografia, que acompanha o grupo ao longo dos últimos quatro anos. Assim como dito nos segundos iniciais da faixa, Chão Teto Parede antecede a chegada do disco 10 Anõs, previsto para o próximo dia 30. “Nada melhor do que deixar as defesas e travas no chão e só viver um momento catártico juntos”, comenta Lazúli, que integra a Francisco, el Hombre ao lado de Mateo Piracés-Ugarte, Sebastianismos, Andrei Kozyreff e Helena Papini. O show, para eles, é uma pequena amostra das emoções que as pessoas vivem ao longo de sua jornada, por isso, trazer esse momento de descontração e de troca com o público é muito importante. A tão conhecida e ensinada coreografia de Chão Teto Parede foi criada a partir de uma brincadeira que Mateo fazia com amigos quando mais novo e foi apresentada para a banda de maneira bem espontânea durante um ensaio. Essa ideia, de ter uma canção no setlist que convidasse à movimentação, refletiu diretamente em algo que a Francisco, el Hombre idealizava quando lançou o disco Rasgacabeza (2019). “Estávamos com uma mentalidade de criar músicas que instigasse nosso show a ser ainda mais participativo”, relembra Mateo. Cada vez que a banda performa essa canção nas apresentações, se torna um momento único por diferentes motivos, sendo, o principal deles, o público, que, a cada show, amplifica sua conexão com a Francisco, el Hombre.

Capital Inicial promove matinê de hits em show redondo no MITA Festival

Apostar em veteranos do rock nacional tem sido um grande acerto dos maiores festivais de música do Brasil. Se o Lollapalooza trouxe o Paralamas do Sucesso e o Best of Blues and Rock veio com Ira!, o MITA não ficou para trás e escalou o Capital Inicial, no segundo dia do evento, em São Paulo. No Novo Anhangabaú, Dinho Ouro Preto comandou um repertório de hits do início ao fim. Menos falante que o normal, o cantor vibrou com a oportunidade no festival. “Eu morei 12 anos aqui do lado, no Centro de São Paulo. É muito bom ver o Centro sendo revitalizado. Hoje é como se eu cantasse no quintal da minha casa”. É perceptível que houve uma quebra na sequência de gerações que curtem as bandas nacionais dos anos 1980, mas é justamente aí que entra a força dos festivais para reconectar público jovem com esses artistas. Essas bandas seguem ativas, produzindo conteúdos e renovando repertório. No caso do Capital, são cinco anos sem disco de inéditas, mas lançou no ano passado o Capital Inicial 4.0, comemorando as quatro décadas de música, dando novos arranjos para clássicos do grupo. Em pouco mais de uma hora de apresentação, Dinho distribuiu hits a rodo, passando por várias fases, dos anos 1980 ao Acústico MTV, do início dos anos 1990 até discos mais atuais. Começou com O Mundo, Independência, Depois da Meia-Noite, Todas as Noites e Tudo que Vai. Olhos Vermelhos deu uma segurada na euforia do público, mas a sequência final foi matadora: Primeiros Erros, Não Olhe Pra Trás, Música Urbana, Fátima, Veraneio Vascaína, Natasha e À Sua Maneira. O Capital Inicial deu o seu recado e mostrou que as bandas clássicas do rock nacional merecem respeito sempre. Não podem ser esquecidas na estante, ainda mais em tempos tão ruins no mainstream.

Em franca ascensão, Sabrina Carpenter conquista novos fãs no MITA

Estrela pop em ascensão, Sabrina Carpenter tem tudo para fortalecer ainda mais seu nome no Brasil. Pela terceira vez no País, ela protagonizou um bom show no segundo dia do MITA Festival, no Novo Anhangabaú, em São Paulo, que aconteceu no domingo (4). E o retorno já está garantido: vem em novembro como atração de abertura da turnê de Taylor Swift. Surgida em série da Disney, tal como outras estrelas pop como Britney Spears, Miley Cyrus, Olivia Rodrigo e Selena Gomez, Demi Lovato, Sabrina Carpenter já tem cinco discos de estúdio, mas foi o último, emails i can’t send, lançado em 2022, que deu um status maior para ela. No palco do MITA, ela comprovou a força desse álbum, que ganhou uma versão deluxe no início deste ano. Das 15 canções do repertório, 12 vieram de emails i can’t send. Aliás, todas cantadas com muita euforia pelos fãs. Vale destacar que o show de Sabrina foi um dos primeiros do dia, mas o público já estava em peso no Palco Deezer. A ascensão da cantora é nítida. Em 2017 veio ao Brasil como atração de abertura da turnê de Ariana Grande, voltou dois depois para um pocket show fechado para convidados. Disposta a deixar uma boa impressão para um novo público, Sabrina ainda apresentou uma bela versão para The Sweet Escape, de Gwen Stefani. Aqui arrancou muitos elogios da plateia. Apesar do problema técnico em Paris, que precisou ser reiniciada, Sabrina ainda demonstrou muita simpatia, conversando com os fãs o tempo todo, inclusive para lembrar que retorna em novembro. Setlist Read your Mind Feather Vicious Already Over Tornado Warnings bet u wanna The Sweet Escape (Gwen Stefani cover) Looking at Me Paris opposite Fast Times Sue Me decode skinny dipping because i liked a boy Nonsense

Don L faz show político e cativante no MITA Festival

Ex-integrante do grupo de rap Costa a Costa, o brasiliense radicado no Ceará Don L abriu a programação do palco principal do MITA Festival neste domingo (4). Debaixo de forte sol, o músico entrou dez minutos depois do previsto, mas deu conta de mostrar o trabalho e conquistar um novo publico em 45 minutos de apresentação. Passeando pelos seus álbuns de estúdio e mixtapes, o artista de 42 anos mostrou porque é requisitado em tantos festivais pelo Brasil, como Primavera e Coala, só para citar alguns. Da apresentação vale destacar as autorais A Todo Vapor, Chips (Controla ou te Controlam) e Aquela Fé, todas cantadas por parte do público, que ainda chegava ao Anhangabaú. Na reta final, Don L ainda recebeu Tasha & Tracie para três canções. Começou com Salve, da dupla, apresentou uma boa releitura de O Ouro e a Madeira, música do baiano Ederaldo Gentil, além de Beira da Piscina, que encerrou o curto set. Uma mensagem contra o Marco Temporal, aprovado pelos deputados durante a semana, que restringe os direitos dos povos indígenas, também foi mostrada no telão. Com o Anhangabaú ainda vazio, o público conseguiu se deslocar sem problemas para o Palco Deezer e acompanhar a sensação Sabrina Carpenter.