Badzilla recebe Lay e Zudizilla em “Não Me Conhece”

Compreender as diferente camadas de uma relação foi o ponto de partida para a canção Não Me Conhece, do Badzilla, duo formado pelos produtores Tuti AC (baixista do Medulla) e LAN (do projeto Savino). A música, que conta ainda com participação de Lay, da banda Tuyo, e do rapper Zudizilla, versa de forma irônica sobre o comportamento – inconveniente – de certas pessoas quando o assunto é amizade. Não Me Conhece abre caminho para o lançamento do EP de estreia do Badzilla, previsto para o primeiro semestre de 2023. Tuti e LAN começaram a composição de Não Me Conhece ainda na pandemia e, mesmo à distância, fizeram o convite para Zudizilla e Lay. A cantora foi a responsável pela escolha da temática da letra. “Vivi uma série de acontecimentos que me fizeram ter essa enorme vontade de gritar ‘o que você está falando? você nem me conhece’”, relembra a artista, que integra o trio Tuyo ao lado de Lio e Machado. “Mandei a ideia para o Tuti e o LAN. O Zudizilla chegou com as rimas e potencializou a música”, complementa ela. Assim como a parceria entre os músicos, a sonoridade de Não Me Conhece fluiu naturalmente. “Costumamos escutar um pouco de tudo e trafegamos com o Badzilla por vários estilos – desde uma pegada mais agressiva até algo mais enérgico; e essa música veio do lugar do Afrobeat, com a melodia mais pop”, explica LAN. A trilha que embala a faixa é avessa às reflexões extravasadas na letra. “Normalmente, quando se trata de pop no Brasil os temas são mais amenos, então buscamos discutir o embaraço das relações de uma forma dançante, para que as pessoas falem sobre isso com leveza”, comenta. O clipe permeia essa linguagem e mostra Tuti, LAN, Lay e Zudizilla se divertindo de formas cômicas, na ambiguidade de abordarem as diferenças de laços entre as pessoas de uma forma mais espirituosa. Com referência estética dos anos 2000, o registro audiovisual foi feito pela diretora Laís Dantas, escolha incontestável para o duo. “Ela completa todo o sentido da música, porque queríamos alguém que realmente nos conhecesse e tivesse um elo afetivo”, pontua LAN.

Maria Beraldo retorna com Truco; ouça!

Depois de quase cinco anos do lançamento de Cavala (Risco 2018), seu primeiro álbum solo, Maria Beraldo volta à roda com Truco, uma canção de poucas palavras e muita lábia, que esquenta a pista. Esse tempo, que pode parecer um hiato na carreira da artista, significa na verdade um mergulho no mundo da música para cinema, que é de onde nasce Truco, composta especialmente para o novo longa-metragem de Julia Murat, Regra 34. O filme ganhou em 2022 o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, na Suíça, e conta a história de Simone (Sol Miranda), uma jovem negra que acabou de ser aprovada na defensoria pública e pagou os estudos fazendo performance online de sexo como camgirl. A maneira como Simone vive e elabora seu desejo sexual ao longo do filme, o confrontando com a violência que também vive e elabora – no seu corpo, no das pessoas com quem entra em contato na defensoria pública, nas suas relações pessoais, na sociedade – moveram Beraldo a compor Truco, que ecoa para além filme. Depois da sua saída do armário como pessoa lésbica em Cavala, cantando as delícias mas muito das dores de ser sapatão, Beraldo encontra em Truco, em Simone, em Maria, passados esses anos, o sabor da revanche pelo prazer. Quem goza por último goza melhor. E é na pista que é dada essa letra, em uma faixa que se ouve dançando, entre beats eletrônicos, clarinetes, sintetizadores e percussão. O single foi produzido por Maria Beraldo e Lucas Marcier e conta com Felipe Roseno nas percussões.

La Gang fala de afeto e cumplicidade na pop punk ‘Dani Song’

Dani Song é o mais novo single da banda paulista La Gang. O primeiro trabalho lançado em 2023, pelo selo Canil Records, fala de cumplicidade, afeto, parceria e força de vontade. O som faz referência ao pop punk dos anos 2000, muito bem representado na linha de baixo que inicia a faixa. A linha de bateria e os coros vocais também encaixam no estilo musical que marcou época e continua atemporal. “Quem não gosta de falar de amor, é porque na vida falta amor”, desfere a La Gang. Dani Song é uma música que traz um tom mais romântico, mas sem perder o rock e hardcore – essência da La Gang. Neste caminho, a canção apresenta uma influência mais jovem, com um ar de punk hardcore, mais alto astral e de casais que buscam explorar intensamente as possibilidades que o mundo dá. A música busca trazer uma sensação de entusiasmo, passando uma mensagem de que os casais podem sim ter uma vida agitada, cheia de amor e emoções, onde os casais podem ser de verdade. A La Gang está na ativa desde 2014 e traz como referências o hardcore, hard rock, heavy metal e também reggae e ska. Já são dois álbuns lançados, Notícias Quentes, de 2014, e Pagando de Louco na Cara Dura, de 2017, além dos singles Anote o Recado, lançado em 2019, e Vacilão, de 2022. A atual formação, com João Gonzales (vocalista), Adriano Padilha (guitarra), Dani “San” (baixo) e Leo Faizibaioff (bateria), está junta desde 2020.

Jade Baraldo abre 2023 com autorreflexão em single

Depois de ter flertado com uma música pop mais eletrônica e letras mais densas sobre amores mal resolvidos, a cantora Jade Baraldo abre 2023 com sonoridades mais orgânicas e um mergulho para dentro, com o single Sei Lá. Em Sei Lá, Jade Baraldo entra no mar agitado da autorreflexão. Em tom de conversa consigo mesma, ela se despe frente ao espelho e deixa a luz entrar por entre suas rachaduras. “Pra quê fingir frieza, menina, se não ameniza a tua dor? / Eu sei que essa máscara pesa tua vida, amarga e confunde o interior / Acenda de volta esse brilho no olhar, não afunda na mágoa profunda / Tu tens tanta coisa bonita pra dar, não afunda no mar, não se afunda“. A ideia do clipe foi retratar o peso e a leveza. “No clipe, eu quis explorar a simplicidade da vida. Tem várias referências do livro e filme Lolita – primeiro que li aos 14 anos. Na parte do jardim, eu estou lendo A insustentável leveza do ser que fala muito sobre o que esse lançamento representa também”, conta Jade. Sobre a canção, Jade revela que ela tem uma história bem especial de quando ainda era adolescente. Ela foi feita quando a artista tinha 15 anos e foi uma de suas primeiras poesias/composições falando sobre depressão. “Lembro que fiz ela cantarolando e saiu praticamente inteira. Guardei em algum lugar, acabei esquecendo e, anos depois, ela veio na minha cabeça. Achei ela num grupo de Facebook abandonado que criei pra depositar minhas poesias e pensamentos na época e resgatei. Ela me salvou e continua salvando. É daquelas que sem querer acessei um lugar espiritual, tipo uma visão, uma cura, não sei explicar exatamente. Mas esse processo todo de vivência doeu. São poucas que saem assim e por isso ela é uma iguaria pra mim. Quando comecei a cantar foi como as palavras de uma anciã me dizendo pra não desistir de mim, pra não me tornar o que não sou e, o refrão, é a minha resposta sobre essa vertigem causada por enxergar a dor tão de perto. Afinal, o trauma sempre te acompanha, mas o gatilho é uma vertigem de uma lembrança repentina”. O single inaugura uma fase mais solar de Jade, o que não quer dizer menos profunda. Depois de rasgar-se nos versos de Insegurança e Desapaixonar – canção que fez parte da trilha sonora do remake da novela Pantanal, da TV Globo, em 2022, Sei Lá é o início do remendo.

Mateus Fazeno Rock reflete a infância nas favelas em Melô de Aparecida

Destaque da novíssima música cearense, Mateus Fazeno Rock é cria das favelas e periferias de Fortaleza e faz de sua história uma inspiração em Melô de Aparecida, uma faixa impactante sobre o fim da inocência. Este é o novo single de seu próximo álbum de estúdio, Jesus Ñ Voltará, e está disponível em todas as plataformas de música. “Assim como todo o álbum, Melô de Aparecida é uma música que costura memórias da minha infância e vida na Sapiranga, bairro da periferia de Fortaleza, e histórias de pessoas da minha convivência. A faixa fala sobre as relações da infância com alguns cotidianos violentos, a construção da noção do que é ser um menino na favela. Mas não é storyline linear, é um emaranhado com essas histórias”, reflete ele, que já havia antecipado o álbum na intensa Pose de Malandro / Me Querem Morto. Mateus é acima de tudo um agitador cultural. Ator, performer, músico, compositor e letrista, ele é o fundador do Fazeno Rock, potente rede de produção cultural formada por artistas ligados pelo rock de favela, que busca contrapor às formas hegemônicas de criar música unindo as influências do grunge, punk, funk brasileiro, rap, reggae, dub e R&B. Durante a pandemia, ele lançou seu debute, Rolê Nas Ruínas, que já soma mais de 600 mil plays apenas no Spotify e cuja turnê o levou a várias partes do Brasil, dividindo palcos com grandes nomes como Jup do Bairro (Popload Festival, SP), Don L (Circo Voador, RJ), Jonathan Ferr (Queremos Lab + Oi Futuro, RJ), Fernando Catatau e Juçara Marçal (Centro da Terra, SP) e Brisa Flow (Mundo Pensante, SP). Atualmente, Mateus Fazeno Rock finaliza o novo álbum, com lançamento previsto para o dia 3 de março.

JOVA busca olhar positivo para momentos sombrios em “Novo Dia”

JOVA, encarnação artística do cantor e compositor fluminense Diego Jovanholi, lançou o single Novo Dia. A canção traz um olhar otimista para ser ouvido em dias ruins e antecipa o EP Casa Caída, que será lançado em abril de 2023. “Essa música fala inicialmente sobre tristeza e solidão, da dificuldade de superar esses sentimentos e seguir em frente. A letra também fala sobre como esses sentimentos de tristeza e solidão são passageiros. A pessoa diz que faz tempo que estava dormindo sem perceber isso, mas agora ela está acordando e vendo a luz no fim do túnel”, resume o artista. A nova fase soma a uma trajetória já íntima da arte. Diego é designer e ilustrador, natural de Belford Roxo (RJ), onde formou suas primeiras experiências musicais, em particular com a banda Mazé. Após se mudar para São Paulo, começou a dar vazão ao seu projeto solo, onde pop e nostalgia se encontram para repaginar suas múltiplas referências. “Novo Dia é uma boa escolha para celebrar o início de um novo ciclo, pois ela fala sobre deixar para trás os sentimentos negativos do passado e seguir em frente com esperança e otimismo. Tudo isso pode ser muito pertinente no contexto de um novo ciclo, quando muitas pessoas se propõem a deixar o passado para trás e começar uma nova etapa da vida com otimismo e esperança”, conclui Jova.

Sound Bullet lança single “De repente, tudo é possível de novo”

Após o politizado e experimental single O Ano da Volta, a banda carioca Sound Bullet antecipa seu terceiro álbum com De repente, tudo é possível de novo, um sopro de esperança vindo da luta. O lançamento é da Sony Music Brasil e chega com um visualizer. “Essa música representa uma vontade de não estar confinado e conformado com a imposição de um sistema sobre o seu destino e ter que repetir dia a dia tudo para ter o mínimo para sobreviver. Além disso, ela fala sobre o quão violento é ser submetido a isso que pode não te quebrar os ossos, mas te rasga a mente e deixa em frangalhos”, reflete Fred Mattos, baixista da Sound Bullet. Ainda fazem parte da banda Guilherme Gonzalez (guitarra e voz), Rodrigo Tak-ming (guitarra) e Henrique Wuensch (guitarra e synth), além do baterista Bruno Castro fechando a formação atual. Sound Bullet traz na sua identidade sonora o math rock e o indie, o post-punk revival e o alternativo. Porém, a banda vem desconstruindo esses rótulos em busca de uma sonoridade mais abrangente e sem amarras – seja por meio de remixes, ou releituras surpreendentes como Rosalía e Só Pra Contrariar. Atualmente, o grupo trabalha no sucessor de Home Ghosts, álbum que saiu pela Sony Music após o EP de estreia Ninguém Está Sozinho e o primeiro disco, Terreno. O próximo trabalho da Sound Bullet será totalmente em português e deve continuar a apontar novos caminhos para o grupo carioca. Com produção musical de Patrick Laplan, que assume as baterias do álbum, De repente, tudo é possível de novo já está disponível para audição nas principais plataformas. “Musicalmente falando, eu fico bem feliz de poder criar e ampliar as fronteiras musicais sem medo algum, contando com o Patrick podendo levar até onde bem entender a bateria dele”, completa Fred sobre o single.

Guitarrista do Television, Tom Verlaine morre aos 73 anos

O guitarrista Tom Verlaine, nome influente na cena punk de Nova York e mais conhecido membro da banda Television, morreu neste sábado (28) aos 73 anos.A informação foi anunciada por Jesse Paris Smith, filha de Patti Smith, que diz que sua morte acontece “após uma breve doença” e em Manhattan, nos Estados Unidos. Um dos artistas que emergiram da CBGB, clube noturno de Nova York, Verlaine ficou conhecido por improvisações experimentais na guitarra e letras poéticas na carreira, que teve como grande pilar o Television. Ele também atuava como vocalista e serviu de compositor na maioria das canções. O grupo se dissolveu depois de dois discos e, apesar de elogiado pela crítica, nunca foi um grande sucesso de vendas, mas foi o começo do músico como referência no mundo da música. Junto dos Ramones, do Blondie e do Talking Heads, o Television fundamentou uma nova geração da música. Nascido em Denville, Nova Jersey, e batizado Thomas Miller, ele estudou piano e saxofone na infância e se decidiu pela carreira musical depois de ouvir 19th Nervous Breakdown, dos Rolling Stones.A partir daí, ele adotou o nome Tom Verlaine como homenagem ao poeta francês Paul Verlaine. Suas influências ainda incluíam John Coltrane. Depois da banda, Verlaine perseguiu carreira solo, começando com o álbum Tom Verlaine em 1979. Foram dez discos lançados no total, com o último, “Around”, lançado em 2006. O artista também se reuniu em múltiplas ocasiões com os membros do grupo para shows -incluindo o Brasil, onde se apresentaram em múltiplas ocasiões. Ele ainda colaborou com Patti Smith em canções como Glitter in Their Eyes e Fireflies, bem como com o guitarrista James Iha, do Smashing Pumpkins, no disco “Look to the Sky”. Ele ainda fez parte do supergrupo Million Dollar Bashers, formado com Lee Ranaldo e Steve Shelley, do Sonic Youth, os guitarristas Nels Cline e Smokey Hormel, o baixista Tony Garnier e o tecladista John Medeski. *Com informações da Folhapress