Tuyo, Terno Rei e o bedroom pop nacional independente

Recentemente, Tuyo e Terno Rei uniram forças em duas músicas – justamente o que adiantamos por aqui no Blog n’ Roll, falando disso ainda em 2019. Em Eu Te Avisei, a faixa é do Tuyo com participação do Terno Rei. Enquanto isso, o oposto ocorre em Pivete. Ambas músicas têm album arts com designs simplistas e soam como se literalmente se completassem. São sutis, grudentas e ainda sim, um tantinho melancólicas. Porém, as duas músicas também soam como se fossem muito mais da Tuyo do que do Terno Rei, ou de uma unificação dos conjuntos em si. Isso pode apontar para uma probabilidade sonora pela qual o Terno Rei esteja se direcionando no seu próximo álbum. Algo mais pop, com mais synths, mais ligado a referências do bedroom pop – o que me remete a Clairo, por exemplo. Fato é que quando Eu Te Avisei e Pivete são postas ao lado do Violeta – disco que literalmente levou o grupo para o topo da música indie brasileira -, ambos singles se mostram fracos e pouco impactantes. Contudo, isso não significa que sejam músicas ruins. São belas harmonias e vozes. A voz do Alê, inclusive, combinou a beça com a Tuyo. Agora, somente me vejo cada vez mais ansioso por novas canções do Terno Rei. E você, curtiu a nova empreitada do Terno Rei ao lado da Tuyo?

Oasis: Liam implora reunião em prol da caridade

Não é novidade que a reunião do Oasis não sai de pauta desde o anúncio do hiato do grupo em 2009. E de lá pra cá, foram inúmeros falsos alarmes vindos do ex-vocalista Liam Gallagher. Desta vez, o cantor basicamente implorou ao irmão Noel, por um show da banda. Segundo Liam, isso ocorreria em prol da caridade, doando todos os valores arrecadados. “Precisamos recuperar o Oasis para o rito de um show de caridade. Vamos Noel! Depois disso, podemos voltar para nossas incríveis carreiras solo”, clamou. Um fã ainda questionou o argumento de Liam, duvidando se Noel realmente iria querer abrir mão de tanto dinheiro. Contudo, Liam, ao seu estilo de sempre, retrucou: ” Foda-se dinheiro, ele tem o suficiente. Vamos lá”. E ai, será que dessa vez a tão esperada reunião vai rolar?

Nekomata: Muñoz mistura ancestralidade e experimentalismo em novo disco

Manuel e Samuel Fontoura são dois irmãos de Uberlândia, Minas Gerais. Juntos, eles formam o duo Muños desde 2012. O grupo atualmente reside em Florianópolis, Santa Catarina, e acaba de divulgar o disco Nekomata via os selos Abraxas e Locomotiva Records. O álbum contém dez músicas e é recheado de virtuosismo e criatividade. Isso porque consegue imprimir características que vão desde o espectro do indie rock dançante à temperos percussivos e jazzísticos. Estes ficam muito visíveis na faixa Ogu, aliás, que ainda assim não perde as guitarras distorcidas. E bem como nesta música, quase que todas as demais obtém este timbre um tanto quanto sujo, seco e grave que me remete sutilmente ao Black Keys em seus primeiros discos. O porém é que esse “cru” dialoga com synths e vozes doces (que soam quase como backings, de tão baixos). Na faixa-título, Nekomata, isso é colocado de forma mais clara. A música Blue Cat & the Eternal Bat é outra que merece destaque pela sonoridade. As duas linhas de guitarra, novamente, chamam atenção. Nekomata tem letras ótimas Todas as letras são em inglês, é verdade. No entanto, não pense que estas são vagas. No lirismo é que o duo se entrega no misticismo de fato. Nas músicas citadas acima, por exemplo, já temos isso. Em Nekomata, abordam um mito japonês onde gatos maltratados se transformam. Enquanto isso, em Blue Cat & the Eternal Bat fazem referências ao povo Apapocuva-Guarani, situado no leste do Paraguai e no norte do Brasil, que acreditava que os eclipses eram causados pela lenda do Morcego Eterno e do Jaguar Celestial, que consomem o Sol e a Lua. Enfim! Sem mais delongas: trata-se de um álbum que vale o confere especialmente para quem é de “outro mundo”, por assim dizer. Mas se você gosta de bandas como Glue Grip ou Bike, é certo que o Muños também deve lhe bater bem.