Samwise amadurece o pop punk no single “Acidentes”

A banda Samwise lançou o single Acidentes, seu oitavo trabalho pela Repetente Records, selo capitaneado por Badauí e Phil Fargnoli (CPM 22) e Rick Lion. A faixa é o último movimento estratégico antes da chegada do aguardado álbum completo do quinteto. Se nos primeiros lançamentos a Samwise focava no impulso e na velocidade, em Acidentes o grupo escolhe a precisão. A música preserva as melodias fortes e os refrões diretos, mas mergulha em uma densidade lírica que trata a ruptura não como um trauma estático, mas como um processo de reorganização. O que sobra depois da queda Com frases como “colar tudo que quebrou” e “paredes trincadas”, a letra foge do clichê do sofrimento gratuito para focar na reconstrução. Musicalmente, a faixa foi gravada em Araraquara sob a batuta de Gabriel do Vale, conseguindo equilibrar a nitidez das guitarras com uma atmosfera mais introspectiva. O lançamento ganha ainda mais peso com um videoclipe gravado no Canadá, com captação de imagens de Felipe Rocha e edição de Henrique Bap, reforçando a ambição estética da banda nesta nova fase. Formação estabilizada Formada em 2020, a Samwise chega a esse momento decisivo com sua formação consolidada: Thiago Silva (voz), Thiago Quina e Matheus Silvério (guitarras), Vinícius Rhein (baixo) e Lucas Chambrone (bateria). A parceria com os músicos do CPM 22 no selo tem servido como um selo de qualidade, inserindo a banda em um ecossistema de fortalecimento do rock nacional.
Tom Misch volta às raízes no álbum “Full Circle”

Em 2018, Tom Misch ajudou a definir a sonoridade de uma geração de produtores de quarto com o álbum Geography. Mas, após oito anos, o músico londrino decidiu que era hora de fechar um ciclo. Lançado nesta segunda-feira (30) via Beyond The Groove / AWAL Recordings, o seu segundo álbum solo, Full Circle, abandona o Logic Pro e as edições digitais perfeitas para abraçar o calor da gravação em fita e a composição clássica no violão. O álbum é fruto de um período de vulnerabilidade. Após enfrentar um esgotamento mental (burnout), Tom voltou a morar com os pais e encontrou na natureza e no surf a cura para retomar sua relação com a música. Ecos das chamas e a influência dos anos 70 O single de destaque, Echo From The Flames, é o retrato fiel dessa fase. Construída sobre um riff de guitarra hipnótico, a faixa detalha as noites em que Tom ficava sentado em frente à lareira da casa dos pais, tentando “regular” seus pensamentos. Diferente da estética lo-fi hip hop que o consagrou, Full Circle bebe da fonte de gigantes como Fleetwood Mac, Joni Mitchell e Neil Young. Para alcançar a textura hi-fi dos anos 70, o álbum foi gravado em fita com microfones vintage, preservando a espontaneidade da performance sem a “muleta” da edição excessiva do computador. Conexão com o Brasil e Marcos Valle Para o público brasileiro, o lançamento tem um sabor especial. Durante o processo de criação de suas novas músicas, Tom Misch esteve no Brasil para trabalhar com ninguém menos que o mestre da bossa nova e do jazz, Marcos Valle. Essa vivência tropical e rítmica ajudou a moldar a leveza de faixas como Red Moon e Sisters With Me, que trazem um groove mais profundo e orgânico. * 💿 Serviço: Tom Misch – “Full Circle” O álbum já está disponível em todas as plataformas de streaming e marca o retorno de um dos produtores mais influentes da década passada.
Gipsy Kings confirma show único no Espaço Unimed em julho

O Gipsy Kings, sob a liderança de seu fundador e principal compositor Tonino Baliardo, confirmou seu retorno ao Brasil para uma apresentação única em São Paulo. O show acontece no dia 26 de julho de 2026 (domingo), no palco do Espaço Unimed. A vinda do grupo não celebra apenas os hinos que atravessaram gerações, mas também marca o lançamento de História, o primeiro álbum de material inédito de Tonino em mais de 13 anos. Legado além das fronteiras Longe de ser apenas um grupo de “world music”, os Gipsy Kings cravaram seu nome na cultura pop através de trilhas sonoras memoráveis. Quem não se lembra da versão icônica de Hotel California em O Grande Lebowski dos irmãos Coen, ou do toque cigano em You’ve Got a Friend in Me (Amigo Estou Aqui) em Toy Story 3? No repertório da nova turnê, Tonino Baliardo promete equilibrar os clássicos absolutos como Volare, Djobi Djoba e Bamboleo com as novas composições que exploram o jazz, o pop e a dance music, sem perder a essência da rumba que rendeu ao grupo o Grammy em 2013. “Pensei no título História porque queria criar um álbum com todas as diferentes influências musicais que experimentei ao longo dos anos, viajando pelo mundo. Minha música não tem fronteiras”, afirma Tonino. 💿 Serviço: Gipsy Kings em São Paulo Ingressos
Casa Natura Musical reúne os gigantes da cena nacional em abril

Se o indie brasileiro das últimas duas décadas fosse um lugar, ele seria a Casa Natura Musical em abril de 2026. O espaço em Pinheiros (SP) preparou uma agenda que é uma verdadeira viagem no tempo, unindo bandas que moldaram o som alternativo dos anos 2000 com os novos lançamentos que estão ditando o ritmo hoje. De Salvador a Porto Alegre, passando pelas garagens de Santos e Vitória, a programação de abril é um prato cheio para quem acompanha a evolução do rock e do pop alternativo no Brasil. Destaques da agenda 🎸 O retorno da Vivendo do Ócio (02/04) A banda abre o mês lançando Hasta La Bahia, seu quinto disco. Após dez anos vivendo em São Paulo, o grupo retornou a Salvador para gravar um repertório mais solar e dançante. A abertura fica por conta do psicodélico André Prando. 🥁 25 anos de “Bloco do Eu Sozinho” (11/04) O baterista Rodrigo Barba comanda uma celebração histórica do segundo álbum do Los Hermanos. Considerado por muitos o “divisor de águas” do rock nacional nos anos 2000, o disco será revisitado por músicos que fizeram parte da história da banda, garantindo aquela dose de nostalgia que só Sentimental e A Flor proporcionam. 🦀 Conceito da Supercombo (26/04) A Supercombo retorna para apresentar a segunda parte do projeto Caranguejo. Conhecidos pela estética visual e letras que investigam o comportamento humano, a banda promete um show imersivo focado nesse novo movimento artístico. “DNA Santista” no encerramento (01/05) Para fechar a maratona, o dia 1º de maio (feriado) terá a banda santista Zimbra. O grupo sobe ao palco para celebrar os dez anos do álbum Azul, trabalho que catapultou o grupo para o cenário nacional. E para deixar a noite ainda mais “caiçara”, a abertura será da talentosíssima Carolina Andrade, artista de Santos que vem ganhando destaque com sua voz marcante e composições autorais. É a Baixada Santista ocupando um dos palcos mais cobiçados da capital. 💿 Guia de serviço: Abril na Casa Natura Musical Local: Rua Artur de Azevedo, 2134, Pinheiros, São Paulo. Ingressos: Disponíveis via Sympla.
Novo livro analisa a trajetória de Renato Russo através da astrologia

“Nunca brinque com um Peixes de ascendente em Escorpião”. A frase icônica de Faroeste Caboclo não era apenas uma rima de impacto; revelava o interesse de Renato Russo pelo misticismo e pelos astros. Para mergulhar a fundo nessa conexão, a astróloga e jornalista Mariana Candeias (a Piky) lança o livro Renato Manfredini ‘Júpiter’ – As Revoluções Solares do Líder Legionário. O projeto está em campanha de financiamento coletivo no Catarse desde o último dia 27, data em que o eterno líder da Legião Urbana completaria 66 anos. O lançamento oficial está previsto para outubro, marcando os 30 anos de saudade do cantor. Os ciclos de Júpiter e a Legião Diferente de uma biografia convencional, a obra revisita os 12 anos de existência da Legião Urbana, período que corresponde exatamente a um ciclo completo do planeta Júpiter. Mariana Candeias utiliza o mapa natal e as revoluções solares de Renato para explicar momentos cruciais da banda. O livro mostra que Renato estava no início do seu segundo retorno de Júpiter (um símbolo de renascimento) quando lançou o primeiro álbum da Legião, e iniciava o terceiro ciclo quando entregou o melancólico A Tempestade ou O Livro dos Dias, pouco antes de sua partida em 1996. Além das análises técnicas, o texto explora as referências astrológicas espalhadas por hinos como Eduardo e Mônica (a leonina e o garoto de 16), Vinte e Nove (o retorno de Saturno) e Perdidos no Espaço. “O livro propõe uma interpretação da Revolução Solar que foge do convencional, mostrando a astrologia como uma linguagem simbólica capaz de traduzir a produção artística”, afirma a autora. 💿 Serviço: Campanha “Renato Júpiter” O livro será editado pela Garota FM Books e a campanha oferece recompensas exclusivas para quem apoiar o projeto antecipadamente.
Kneecap lança “Fenian” e reafirma identidade irlandesa

Se existe um grupo hoje que personifica a urgência das ruas, esse grupo é o Kneecap. O trio de Belfast acaba de lançar o single Fenian, faixa-título do seu aguardado novo álbum que chega às prateleiras no dia 1º de maio pela Heavenly Recordings. Produzido por Dan Carey (cérebro por trás de bandas como Fontaines D.C.), o som é uma explosão de hip hop com atitude punk. A música é um manifesto. Ao usar a palavra “Fenian”, historicamente um insulto anti-irlandês usado por lealistas britânicos, o trio reverte o estigma e o transforma em um símbolo de orgulho e comunidade. Um sonho febril em Belfast O lançamento chega acompanhado de um videoclipe dirigido por Thomas James. Gravado em West Belfast, o visual é um turbilhão psicodélico que destaca a icônica balaclava tricolor de DJ Provai. O vídeo captura a energia caótica do grupo, convencendo moradores locais a participarem de cenas insanas que borram a linha entre o folclore e o cotidiano da Irlanda do Norte hoje. “É um hino para abraçar nosso passado e curar nossa ressaca colonial, reconectando os guerreiros do folclore com os jovens do Norte da Irlanda de hoje”, afirma o trio. Produção de elite Além do novo single, o próximo disco já conta com as elogiadas Smugglers & Scholars (apresentada no canal Colors) e Liars Tale. A mão de Dan Carey na produção garante que as batidas não sejam apenas para a pista, mas que carreguem a sujeira e a crueza necessárias para o discurso político afiado de Mo Chara e Móglaí Bap.
Pentagram anuncia show de despedida em São Paulo para agosto

O peso do Pentagram sempre esteve entre o colapso e a imortalidade. Formada em 1971, a banda norte-americana que ajudou a inventar o que hoje chamamos de doom metal confirmou seu retorno a São Paulo para o dia 13 de agosto de 2026. O show, que acontece no Fabrique Club, faz parte da Farewell Tour, Last Latin American Run, anunciada como a última passagem do grupo pelos palcos latino-americanos. Liderada pelo icônico e indestrutível Bobby Liebling, o Pentagram vive um momento curioso. Em 2025, a presença de palco magnética de Liebling viralizou globalmente através de memes, apresentando a banda a uma nova geração de fãs que agora busca entender a densidade de clássicos como “Be Forewarned” e “Relentless”. Mais de 50 anos de distorção A trajetória do Pentagram é uma das mais tortuosas do rock. Embora tenham surgido na mesma época que o Black Sabbath, o primeiro disco oficial só saiu em 1985. Nesse intervalo, a banda moldou o som arrastado e ameaçador que influenciaria nomes como Cathedral e Candlemass. Diferente de muitas bandas em turnê de despedida, o Pentagram não volta como uma peça de museu. Em janeiro de 2025, eles lançaram “Lightning in a Bottle”, o décimo álbum de estúdio e o primeiro em uma década. O trabalho provou que, mesmo após 50 anos de altos e baixos (retratados no emocionante documentário Last Days Here), o vigor de Liebling e sua nova formação — com Tony Reed, Henry Vasquez e Scooter Haslip — permanece intacto. Despedida no Fabrique Club A escolha do Fabrique Club para o show de despedida garante a proximidade ideal para um culto de doom metal. Será a última oportunidade de testemunhar a “presença hipnótica” de Bobby Liebling em solo paulista, em uma noite realizada pela Powerline Music & Books em parceria com a Heart Merch. 💿 Serviço: Pentagram em São Paulo (Farewell Tour)
Jovem Dionísio lança “Migalhas” com palco sobre rodas

A Jovem Dionísio decidiu que a melhor forma de apresentar seu terceiro disco de inéditas, Migalhas, lançado nesta quarta-feira (1º de abril), era voltando para a rua. Mas eles não vão de qualquer jeito: a banda curitibana adquiriu um clássico ônibus Scania dos anos 2000 e o adaptou para ser o palco itinerante de sua nova turnê nacional. O conceito é uma espécie de “circo contemporâneo sobre rodas”. A ideia dos “meninos de Curitiba” é estacionar em praças e espaços públicos, abrindo o ônibus e transformando o deslocamento em linguagem visual. O disco: império do “erro” e da textura Se você espera a perfeição milimétrica de Acorda Pedrinho, Migalhas pode te surpreender. O álbum marca um amadurecimento radical do quinteto. Gravado integralmente ao vivo em apenas duas semanas, o disco não utilizou autotune ou intervenções digitais de correção. A aposta aqui é na respiração coletiva, na textura dos instrumentos e até no “erro” que traz humanidade à música. Sonoramente, o grupo expandiu o vocabulário com: Vida no Scania A turnê itinerante foca inicialmente no Paraná, mas deve percorrer todo o Brasil ao longo de 2026. O ônibus funciona como camarim, transporte e, claro, a estrutura de som que vai levar a catarse do palco direto para o asfalto. É um movimento que reforça o DNA indie e alternativo da banda, buscando uma conexão mais visceral com o público.
Após novidades com Korn e Rock in Rio, Black Pantera anuncia primeiro audiovisual

Se existe uma banda que define o “agora” do rock brasileiro, esse nome é Black Pantera. O trio mineiro formado por Charles Gama, Chaene da Gama e Rodrigo “Pancho” consolidou em 2026 uma trajetória que muitos levam décadas para alcançar. O grupo acaba de anunciar uma agenda que coloca o metal nacional em destaque nos maiores palcos do país e do mundo. O grande marco de abril é o lançamento de Resistência! Ao Vivo no Circo Voador. O primeiro registro audiovisual da banda documenta a noite histórica de 19 de novembro do ano passado, no Rio de Janeiro, celebrando os 11 anos de carreira na véspera do Dia da Consciência Negra. O repertório traz a fúria de hinos como Fogo Nos Racistas e Padrão é o Caralho, capturando a catarse que o trio promove ao vivo. Do Allianz Parque ao Rock in Rio A agenda de shows para os próximos meses é de tirar o fôlego. No dia 16 de maio, o Black Pantera sobe ao palco do Allianz Parque, em São Paulo, para abrir o show dos gigantes do Korn. Para os mineiros, dividir o palco com os pioneiros do nu metal é um fechamento de ciclo, já que o Korn é uma das maiores influências declaradas do grupo. E não para por aí: o trio foi confirmado pela terceira vez no Rock in Rio. Eles se apresentam no dia 5 de setembro, no Palco Sunset, consolidando-se como uma das poucas bandas de rock pesado a ter residência quase fixa no festival. Reconhecimento e novo disco A fase iluminada rendeu indicações ao Prêmio da Música Brasileira nas categorias “Melhor Artista” e “Melhor Lançamento (Rock)” pelo single Seleção Natural. Enquanto colhem os frutos, os caras já estão em estúdio com a gravadora Deck preparando o sucessor do aclamado Ascensão, com previsão de lançamento ainda para este segundo semestre.