Butthole Surfers desenterra álbum perdido de 1998 para apagar desastre com a indústria fonográfica

A justiça histórica finalmente bateu à porta de uma das bandas mais excêntricas do rock alternativo norte-americano. O Butthole Surfers anunciou nesta quarta-feira (18) o lançamento oficial de After The Astronaut, um disco de estúdio que estava pronto e finalizado desde 1998, mas que acabou engavetado pelas grandes gravadoras. Para marcar o anúncio, o grupo liberou o videoclipe inédito para a versão original de Jet Fighter, uma faixa que aposta em uma sonoridade densa e próxima ao trip-hop psicodélico. Intervenção da Disney e o fator Kid Rock A história de After The Astronaut é um retrato clássico da interferência corporativa na música dos anos 90. Após o sucesso estrondoso e improvável do single Pepper e do disco de ouro Electric Larryland em 1996, a banda gravou o sucessor natural do projeto. A Capitol Records, no entanto, cancelou o lançamento de última hora. O material foi então comprado pela Hollywood Records (selo afiliado à Disney), que exigiu mudanças drásticas. A banda foi obrigada a regravar as faixas e incluir parcerias comerciais duvidosas, como um gancho escrito por Kid Rock para o single The Shame Of Life. O resultado dessa interferência foi o desastroso álbum Weird Revolution, lançado em 2001. A experiência foi tão traumática que a banda nunca mais lançou um disco de inéditas desde então. “A Hollywood Records comprou o álbum, mas queria fazer mudanças nele, o que foi uma experiência muito desconfortável para nós”, relembra o guitarrista Paul Leary. O baterista King Coffey detalha a visão original do projeto, que agora chega ao público sem filtros: “Foi um projeto divertido. Estávamos usando todos os brinquedos digitais à nossa disposição e brincando com as coisas que nos divertiam. Não estávamos preocupados com o rádio, era uma volta às nossas raízes experimentais”. Renascimento cultural O resgate do álbum original pega carona no atual momento de redescoberta da banda. O Butthole Surfers é o tema central do novo documentário The Hole Truth And Nothing Butt, o que motivou a primeira apresentação ao vivo do grupo em oito anos. Além disso, a banda teve uma de suas músicas incluída recentemente na trilha sonora da série Stranger Things. 💿 Serviço: Butthole Surfers – “After The Astronaut” O clipe de “Jet Fighter” (dirigido por Jeffrey Garcia) já está disponível. O álbum resgata a tracklist idêntica à planejada em 1998. Tracklist de After The Astronaut

St. Vincent eleva o rock alternativo no álbum “Live in London!”, gravado com orquestra de 60 músicos

A cantora, compositora e guitarrista norte-americana St. Vincent (Annie Clark) oficializou nesta quarta-feira (18) o lançamento de um projeto de proporções eruditas. A artista disponibiliza nesta sexta-feira, dia 20 de março, o álbum Live in London!, via selo Total Pleasure/Virgin Music Group. O registro documenta a grandiosa apresentação de Clark durante o evento BBC Proms de 2025, realizado no Royal Albert Hall, em Londres. Peso de 60 instrumentistas Para o repertório do show, que passeia por todas as fases de sua discografia, a cantora subiu ao palco acompanhada pela orquestra conduzida pelo renomado maestro e arranjador britânico Jules Buckley, composta por 60 instrumentistas. O formato sinfônico desconstruiu e ampliou a sonoridade de faixas como New York, Slow Disco e Smoking Section, fundindo a complexidade da música clássica com as guitarras angulosas e a estética do art rock que definem o trabalho de St. Vincent. Turnê sinfônica na América do Norte O sucesso da gravação em Londres motivou a cantora a transportar o formato para a estrada. Junto com o anúncio do disco, St. Vincent confirmou uma longa turnê norte-americana onde se apresentará exclusivamente acompanhada por orquestras locais sob a direção de Buckley. A rota inclui apresentações ao lado da Filarmônica de Nova York (no Lincoln Center), da Sinfônica de Chicago, da Sinfônica de São Francisco e da orquestra do Hollywood Bowl, em Los Angeles. “Neste verão, terei o prazer de fazer shows com orquestras conceituadas nos Estados Unidos”, declarou a artista em nota. “Fiz isso uma vez em Londres e foi… glorioso pra caralho! Então vamos lá, rumo à beleza!”. 💿 Serviço: St. Vincent – “Live in London!” O álbum chega aos aplicativos de música nesta sexta-feira (20), mesma data em que a venda geral de ingressos para a turnê sinfônica será aberta. Tracklist

Rock in Rio fecha line-up de rock com The Hives, Rise Against e despedida do Sepultura

The Hives

A organização do Rock in Rio 2026 encerrou o mistério sobre a programação dos dias focados nas guitarras. Nesta terça-feira (17), o festival anunciou os nomes que completam os line-ups dos Palcos Mundo e Sunset para os dias 4 e 5 de setembro, juntando-se aos já anunciados Foo Fighters, Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon. O grande peso histórico do anúncio ficou por conta do Sepultura. A banda brasileira foi confirmada para abrir o Palco Mundo no dia 5 de setembro, realizando não apenas a sua despedida do festival, mas o penúltimo show de sua carreira, antecedendo o encerramento definitivo de suas atividades em São Paulo. Confira como ficou a divisão dos palcos: 4 de setembro: punk, garage rock e nostalgia nacional O dia encabeçado pelo Foo Fighters ganhou reforços de peso internacional que farão suas estreias na Cidade do Rock. 5 de setembro: metal moderno e nova geração O dia que já contava com Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon assumiu uma postura focada no rock e metal contemporâneo, com forte presença feminina no palco secundário. 🎸 Serviço: Rock in Rio 2026 Os ingressos do formato “Rock in Rio Card” já estão esgotados. A organização anunciará a data para a venda geral de ingressos em breve.

The Red Jumpsuit Apparatus adia show em São Paulo para agosto

A apresentação da banda norte-americana The Red Jumpsuit Apparatus, inicialmente marcada para o dia 28 de março, foi reagendada para o dia 8 de agosto (sábado). O local do evento permanece inalterado: o Hangar 110, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Segundo o comunicado oficial, a mudança de data ocorreu devido a motivos pessoais dos integrantes da banda, sendo uma decisão alheia ao trabalho da produtora brasileira Áldeia Produções Artísticas. Ingressos e política de reembolso Para os fãs que já haviam garantido presença, a organização reforça que todos os ingressos adquiridos seguem válidos para a nova data em agosto, sem necessidade de troca. Para aqueles que não puderem comparecer no dia 8 de agosto e optarem pelo estorno do valor, o contato deve ser feito diretamente com a plataforma Pixelticket através do e-mail (contato@pixelticket.com.br) ou pelo WhatsApp de suporte (11 97135-5496). Turnê ‘Don’t You Fake It’ A passagem do grupo pelo Brasil integra a turnê internacional que celebra os 20 anos de lançamento do álbum Don’t You Fake It (2006). O disco cravou o nome da banda no auge da cena emo e do rock alternativo da primeira década dos anos 2000. O grande diferencial do The Red Jumpsuit Apparatus na época foi furar a bolha do underground com o single Face Down. Diferente de seus contemporâneos que focavam em desilusões amorosas, a faixa trazia uma denúncia explícita contra a violência doméstica, narrando a história de uma mulher vítima de agressões. A postura direta fez com que a música fosse adotada em campanhas de conscientização contra relações tóxicas e violência de gênero. O show no Hangar 110 será focado na execução desse álbum clássico na íntegra (incluindo sucessos como False Pretense e a balada Your Guardian Angel), além de abrir espaço para singles mais recentes, como Perfection e Slipping Through. 🎫 Serviço: Nova Data – The Red Jumpsuit Apparatus A doação de 1kg de alimento não perecível ou de um pacote de absorvente feminino garante o benefício do Ingresso Promocional Solidário.

El Negro foge do estúdio e grava o álbum “Bronco” no porão da antiga prefeitura de Porto Alegre

A padronização sonora dos estúdios modernos fez a banda gaúcha El Negro buscar uma rota de fuga radical para o seu quarto disco. O trio disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Bronco, um trabalho cuja sonoridade foi moldada diretamente pela arquitetura do local onde foi concebido. Fugindo das cabines de gravação tradicionais, o grupo formado por Mumu (vocal, guitarra e teclados), Fabian Steinert (baixo e guitarra) e Leandro Schirmer (bateria e percussão) montou seus equipamentos no subsolo da antiga prefeitura de Porto Alegre, um prédio de arquitetura neoclássica no centro da capital gaúcha. El Negro aposta na acústica do porão e rejeição à IA A escolha do porão não foi um mero capricho estético. A banda utilizou o espaço como um elemento ativo na captação do áudio, capturando a reverberação e a crueza do ambiente para encorpar a sua mistura de rock de garagem com electro rock. Segundo o vocalista Mumu, a decisão é uma resposta direta à plastificação da música atual. “Fizemos testes em diferentes lugares antes de escolher a antiga prefeitura. Isso era feito nos anos 70 e me parece muito atual em épocas de inteligência artificial. A busca é por um som com mais presença, textura e personalidade em um momento em que a padronização técnica é cada vez mais acessível”, explica o músico. Conexões com o rock gaúcho Para além da experimentação acústica, Bronco solidifica suas raízes na cena do Rio Grande do Sul ao recrutar dois nomes de peso para o repertório:

Mari Romano canta em inglês e flerta com o krautrock no inusitado single “Mosquito”

Um jogo de palavras aleatórias durante uma residência artística foi o gatilho para o single Mosquito, da cantora e compositora carioca Mari Romano. A faixa ocupa um papel central em seu próximo álbum de estúdio, batizado de Além da Pele. A composição surgiu quando Mari e o artista de Los Angeles Oto-Abasi decidiram sortear palavras em inglês para criar poemas como forma de passar o tempo. A partir dos termos mosquito, flower e cry, a carioca pegou o violão e estruturou o que viria a ser a única faixa cantada em idioma estrangeiro do seu novo disco. Krautrock e microfones vintage em Mosquito, de Mari Romano Fugindo de estruturas convencionais, Mosquito assume um clima soturno e de faroeste. A sonoridade rítmica e hipnótica da faixa carrega forte influência da banda alemã Can (um dos pilares do krautrock dos anos 70). A base musical foi gravada com a cozinha afiada formada por Guilherme Lírio (baixo) e Jeremy Gustin (bateria). O tratamento vocal também recebeu atenção técnica específica. A captação ocorreu no estúdio do músico Vovô Bebê, com operação de Rafaela Prestes. “A voz principal foi gravada com a técnica de emparelhar lado a lado um microfone moderno com um microfone super antigo. Isso gerou um efeito quase de rádio antigo, dando um caráter próprio para a interpretação”, detalha a produção. Liricamente, a faixa traça um paralelo sobre a mortalidade, comparando a fragilidade da vida de um inseto à condição humana diante das leis da natureza. Remix para as pistas O lançamento duplo também joga a faixa diretamente nas pistas de dança. Mosquito ganhou um remix oficial assinado pelo DJ e produtor Vinicius Tesfon, que transformou a levada soturna original em um groove no estilo house/disco, adicionando inclusive um novo verso cantado em espanhol. A força da versão eletrônica foi tamanha que a faixa acabou sendo prensada em vinil para integrar uma coletânea exclusiva da Mov Dome, a tenda de música eletrônica do festival Rock The Mountain.

Must Be Wrong resgata a velocidade do skatepunk no segundo álbum “Fools Paradise”

A banda suíça de skatepunk Must Be Wrong disponibilizou nas plataformas digitais o seu segundo álbum de estúdio, Fools Paradise. Composto por dez faixas, o disco foca nas raízes do gênero dos anos 90: andamentos rápidos, guitarras distorcidas e refrões melódicos em coro. Liricamente, o trabalho aborda questões de saúde mental, injustiça social e as complexidades dos relacionamentos contemporâneos. Conexão com The Blasting Room Formado em 2019, o grupo suíço decidiu investir pesado na ficha técnica deste segundo lançamento para garantir a sonoridade clássica do estilo. As gravações ocorreram no Carving Room Studio e a mixagem no Soundfactory Studio, ambos na Suíça. No entanto, a masterização do álbum foi enviada para os Estados Unidos, ficando a cargo do produtor Jason Livermore no lendário The Blasting Room (estúdio fundado por Bill Stevenson, do Descendents, e responsável por discos históricos do NOFX, Rise Against e Propagandhi). A arte da capa, que reflete o tom crítico das composições, é assinada pelo artista visual Oscar Puig, de Barcelona. Currículo do Must Be Wrong na estrada A busca pela sonoridade crua do skatepunk no estúdio reflete a experiência que o Must Be Wrong vem acumulando nos palcos. Nos últimos anos, a banda solidificou sua presença no circuito europeu abrindo shows para gigantes da cena punk mundial na Alemanha, Áustria e na própria Suíça. O currículo de turnês conjuntas do grupo já inclui apresentações ao lado de bandas como Less Than Jake, A Wilhelm Scream, Authority Zero e ITCHY.

The Mönic celebra mulheres da cena no We Are One Tour 2026

A The Mönic será o único nome nacional a integrar a We Are One Tour 2026, turnê que reúne nomes consagrados da cena como Pennywise, Millencolin e Mute. Mais do que uma participação de destaque no line-up internacional, a série de shows também marca um posicionamento claro da banda de ampliar a presença de mulheres em uma cena que historicamente sofre uma desigualdade no gênero. Os ingressos já estão disponíveis e podem ser adquiridos pelo link.  Para a turnê, o grupo preparou um set especial e decidiu transformar o palco em um espaço coletivo. Em todas as cidades, exceto Porto Alegre, uma guitarrista convidada de bandas locais se junta à apresentação para tocar uma música com a banda, além dos feats nos dois shows em São Paulo. Compartilhar o palco com outros artistas não é novidade para a The Mönic, que já incorporou colaborações em festivais e apresentações importantes antes como Rock in Rio, The Town, Knotfest e Se Rasgum. “Esse mês fazemos oito anos de banda, as coisas melhoraram muito em questão de presença das minas nos line-ups nestes últimos anos, mas a conta ainda é muito desigual. Não adianta só se indignar, e aproveitar o espaço só para nós mesmas. Queremos mais minas do nosso lado quando estamos ocupando lugares de destaques”, comenta a vocalista da banda, Dani Buarque.  As convidadas confirmadas são Jessi Gonçalves (Dirty Grills) em Florianópolis, Rubia Oliveira (Cigarras) em Curitiba, Camila Araújo (Punho de Mahin) em São Paulo (28), Isabela Lorio (Fake Honey) no Rio de Janeiro (29) e Luisa Phoenix (Swave) na data extra em São Paulo (31). Além dessas participações na guitarra, os shows na capital paulista terão dois feats especiais de Charlotte Matou Um Cara, no dia 28, e MC Taya, no dia 31. A We Are One Tour 2026 passa por seis datas no Brasil, sendo Porto Alegre será a única cidade do roteiro em que a The Mönic ainda não se apresentou: 24/03 – Porto Alegre – URB Stage 25/03 – Florianópolis – Life Club 27/03 – Curitiba – Tork n Roll 28/03 – São Paulo – Terra SP 29/03 – Rio de Janeiro – Sacadura 154 31/03 – São Paulo – Audio (data extra)

Ginger, do The Wildhearts, é diagnosticado com câncer raro, mas mantém turnê e gravação

Nesta segunda-feira (16), o mundo do rock foi pego de surpresa com um comunicado oficial emitido pela equipe da banda britânica The Wildhearts. Ginger Wildheart, o carismático vocalista, foi diagnosticado com uma forma rara e agressiva de câncer, o Linfoma de Células do Manto (MCL). De acordo com a nota, os primeiros sinais do problema surgiram em dezembro de 2025, durante a turnê More Satanic Rites pelo Reino Unido. Sentindo dores intensas que o obrigavam a fazer pequenas pausas durante os shows, Ginger demonstrou sua dedicação inabalável aos palcos: à base de analgésicos, ele garantiu que nenhum fã saísse decepcionado e entregou cada riff com a atitude de sempre. Foi apenas após o fim da turnê que o músico buscou investigar a fundo a causa das dores, culminando no triste diagnóstico recente. No entanto, se engana quem pensa que isso vai parar a máquina de fazer rock n’ roll que é Ginger. O comunicado tranquiliza os fãs ao afirmar que, neste momento, o músico está com o ânimo excelente. Ele segue compondo ativamente, tanto para o The Wildhearts quanto para projetos solo. Inclusive, o álbum sucessor de The Satanic Rites… (2025) já está em fase de finalização e ganhará novidades ainda este ano via Snakefarm/Universal. Em uma demonstração de força imensa, a equipe confirmou a notícia mais aguardada pelos fãs: todos os shows da turnê de primavera anunciados para abril e maio de 2026 no Reino Unido estão mantidos. “Enquanto processamos esta notícia e aguardamos mais orientações médicas, Ginger quer que todos saibam que a força e a positividade prevalecerão e que o show VAI continuar”, destaca o comunicado, que carrega no topo uma frase muito propícia para o momento: “Você tem que acreditar que pode melhorar”. Aqui do Blog n’ Roll, onde Ginger sempre teve cadeira cativa pelas suas composições geniais e atitude, enviamos nossas melhores energias para que sua recuperação seja plena. Como a própria banda frisou: o The Wildhearts está soando maior e mais revigorante do que nunca. Longa vida ao Ginger!