Weezer lança seu 20º álbum de estúdio, o autointitulado The Gold Album

O Weezer está oficialmente de volta com uma nova era cromática e um retorno às origens criativas. Após as célebres fases do Blue, Green, Red, White, Teal e Black, Rivers Cuomo e sua turma inauguram o capítulo dourado da carreira com o lançamento de seu 20º álbum de estúdio, o autointitulado The Gold Album. Disponível agora nas plataformas digitais, o projeto nasceu de um processo analógico e coletivo. Embalado pelo sucesso de sua turnê de 30º aniversário, o quarteto se reuniu em um espaço de ensaios no condado de Orange, na Califórnia. A dinâmica marcou a primeira vez desde o disco de estreia de 1994 que Cuomo e o baterista Pat Wilson estruturaram a base de uma música juntos em uma sala de estar, lado a lado, durante meses. Participações especiais no Gold Album Para moldar a sonoridade do disco, a banda contou com a produção de Klas Ahlund e Kenneth Blume (Kenny Beats). Enquanto Ahlund trouxe uma abordagem “mais matemática e rigorosa”, Blume assumiu a missão de ajudar a criar “o álbum do Weezer mais violento de todos os tempos”. Composto por dez faixas, o trabalho inclui os singles principais Shine Again e We Might As Well Be Strangers, esta última contando com a participação especial da banda Wednesday. O grupo esteve recentemente nos palcos do programa The Tonight Show Starring Jimmy Fallon para apresentar a nova faixa e falar sobre o processo artesanal do disco. “O que você ouve no disco é algo que só pode ser criado por humanos se unindo, sendo vulneráveis e criando algo juntos”, destacou Rivers Cuomo a Jimmy Fallon. “Isso simplesmente não pode ser criado por IA ou por alguém sozinho trabalhando em um computador.”
Black Pantera lança o quinto álbum de estúdio, Continental

A banda mineira Black Pantera disponibilizou nesta sexta-feira (21) o seu quinto álbum de carreira, Continental, lançado pelo selo Deck. Consolidando a força do trio formado por Chaene da Gama (baixo e vocal), Charles Gama (guitarra e vocal) e Rodrigo “Pancho” (bateria), o novo trabalho chega às plataformas de streaming trazendo um som pesado, urgente e profundamente enraizado nas reflexões sociopolíticas e culturais do Brasil. Sucessor dos aclamados Ascensão (2022) e Perpétuo (2024), o disco funciona como um verdadeiro caldeirão sônico e conceitual. Um retrato dos “vários Brasis” Inspirado pela grandiosidade de um país de dimensões continentais e pelas teorias do renomado geógrafo e pensador Milton Santos (1926–2001), cuja voz inclusive abre trechos de depoimentos ao longo do projeto, Continental examina as belezas, contradições e feridas históricas do Brasil contemporâneo. Enquanto a sonoridade transita com maestria entre o rock pesado, o crossover e o thrash metal, as letras abordam desde a vida na estrada (Velho Jeans Rasgado) e polarizações políticas (Start the Game, Obsoleto) até denúncias contundentes contra o racismo (Hórus, Negusa Nagast, W.P.P. e Sic Mundus). “É o melhor álbum que a gente construiu até hoje. É a soma de tudo que a gente passou, e trata desse Brasil que é gigante e desse Black Pantera também, imenso, muito maior do que a gente”, destaca o baixista Chaene da Gama. Parcerias de peso e vozes intergeracionais em Continental Para traduzir a pluralidade sonora e cultural do país, o Black Pantera reuniu um time impressionante de participações especiais em Continental: produzido por Rafael Ramos e gravado no Estúdio Tambor (RJ), com mixagem de Leo Ramos e masterização de Fernando Delgado e Chris Gehringer (Sterling Sound), Continental coroa o momento mais maduro e expansivo da trajetória do grupo. Show de lançamento em São Paulo O lançamento do álbum abre alas para uma maratona de shows da banda, que inclui o aguardado show de estreia da turnê no Cine Joia, em São Paulo, neste domingo (23), onde tocarão o disco Continental na íntegra, antes de embarcarem para uma apresentação explosiva no Palco Sunset do Rock in Rio 2026.
Hevo84 lança a session audiovisual Emo Vive Nostalgia unindo clássicos dos anos 2000

A banda Hevo84 está de volta com um projeto que celebra duas décadas de história sem cair na armadilha da repetição. O grupo disponibilizou em seu canal oficial no YouTube o audiovisual Emo Vive Nostalgia. Gravada no Quintal Bar com direção de Lucas Ferreira e produção de Pedro Damião, a session reúne sete faixas em um formato intimista que coloca o público ao redor dos músicos, recriando o clima de festa e o imaginário visual da geração 2000. O repertório costura a fase atual da banda com grandes hinos que marcaram a época, passando por clássicos de NX Zero, Fresno, Restart, Forfun, Maneva, Pitty, Evanescence, Replace e Charlie Brown Jr. Do recomeço à consolidação O projeto é aberto por Libertação, faixa lançada em 2026 e composta por Renne Fernandes (vocal e piano) durante os momentos mais difíceis do hiato de oito anos enfrentado pela banda. Mais do que olhar para trás, a escolha estabelece o ponto de vista do grupo em seu momento presente, marcado pela retomada dos álbuns, como o disco Livre (2024), e de uma agenda intensa de shows. A trajetória da Hevo84, eternizada no final dos anos 2000 pelo sucesso Passos Escuros (trilha sonora da novela Malhação), ganha novas cores através de convidados especiais que dialogam diretamente com cada vertente do repertório: Próximos passos e turnê internacional Completada por Eric Malfini na guitarra, Arthur na bateria e Daniel San no baixo, a Hevo84 incorporará o repertório de Emo Vive Nostalgia aos seus próximos shows pelo Brasil. Além disso, o grupo já mira novos horizontes: em outubro de 2026, a banda embarca para uma turnê pela Europa, com passagens confirmadas por Inglaterra, França, Espanha, Portugal e Irlanda.
Selvagens À Procura de Lei lançam Pivete, álbum conceitual que narra a vida de um marginal urbano

A banda cearense Selvagens À Procura de Lei disponibilizou nas plataformas de streaming o seu mais ambicioso projeto até o momento: o álbum Pivete. A obra é um projeto conceitual denso e visceral que acompanha a jornada completa, do nascimento à morte, de um personagem marginalizado em um ambiente urbano. O grupo, formado por Aragão (guitarra/vocal), Matheus Brasil (bateria), Jonas Rio (baixo) e Plínio Câmara (guitarra), abraçou uma abordagem analógica e livre, desafiando padrões da indústria. Segundo Aragão, o álbum busca a espontaneidade: “Vamos contra as ideias estabelecidas: se a música pede mais de 3 minutos ou se o projeto precisa de 20 faixas, nós fazemos. É pelo desafio de criar algo com as próprias mãos”. Um elenco de estrelas na construção do universo sonoro de Pivete Para dar vida à complexidade da narrativa de Pivete, a banda convocou colaboradores de peso que transitam entre a música, o ativismo, a literatura e as artes cênicas: Uma jornada musical por texturas e décadas O álbum é uma colagem de influências que vão desde o rock psicodélico e o grunge latino-americano até o stoner rock e o dub. Faixas como Eu Não Moro Mais Aqui dialogam com a sensibilidade de Tame Impala e Legião Urbana, enquanto Menino De Ouro flerta com o gingado brasileiro e guitarras carregadas no fuzz. A sonoridade nostálgica do rock dos anos 2000 também se faz presente em Revoada, contrastando com momentos experimentais como Gira Gira e o encerramento catártico de Cidade Baixa, que funciona como um coro de resistência.
Show de mgk (Machine Gun Kelly) em São Paulo muda de local para a Audio

A produção do show de mgk (Machine Gun Kelly) em São Paulo anunciou a mudança de local da apresentação, marcada para o dia 6 de setembro de 2026. O evento, que acontecia originalmente em outro espaço, foi transferido para a Audio. Validade dos ingressos e realocação de setores Para quem já garantiu a entrada, os ingressos continuam válidos e não é necessário realizar troca física. A organização confirmou a realocação automática dos setores conforme o mapeamento abaixo: Observação: Não será permitida a troca de setores fora da regra de realocação estabelecida. Política de reembolso e cancelamento Caso o público não possa comparecer ao novo local e opte pelo cancelamento, o reembolso poderá ser solicitado a partir desta quarta-feira, 20 de agosto (às 15h), até o dia 28 de agosto de 2026 (às 23h59). O estorno é realizado de forma integral (incluindo taxas). Prazos de estorno: Serviço: mgk em São Paulo
Hot Chip anuncia show em São Paulo em novembro para celebrar 20 anos do álbum The Warning

O grupo britânico Hot Chip está de volta ao Brasil. Liderada por Alexis Taylor e Joe Goddard, a banda realizará uma apresentação única no país no dia 22 de novembro de 2026 (um domingo), na casa de shows Audio, localizada na Barra Funda, em São Paulo. A noite especial cumpre um duplo propósito: promover a antologia definitiva de carreira da banda, Joy in Repetition (lançada no final de 2025), e celebrar o aniversário de 20 anos de The Warning, disco lançado em 2006 que se tornou um marco na fusão entre o rock alternativo e a música eletrônica de pista. Uma rara experiência em formato de clube Completando sua sétima passagem pelo Brasil, o Hot Chip repetirá um formato raro em sua história por aqui: apresentar-se em um clube fechado (algo que não acontecia em São Paulo desde a passagem pelo Cine Joia em 2013). A acústica intimista e a iluminação controlada prometem transformar a Audio em uma imersiva indie-rave, garantindo graves potentes e a catarse coletiva que caracteriza os shows da banda. No repertório, o público pode aguardar uma sequência implacável de hinos que definiram os anos 2000 e 2010, como Ready for the Floor, Over and Over, Flutes, Boy from School e o lançamento mais recente Devotion. Serviço: Hot Chip em São Paulo Setores e valores:
Balu Brigada inicia nova fase com o lançamento do single BedHead

Após uma passagem memorável pelo Brasil durante o Lollapalooza 2026, a aclamada dupla neozelandesa Balu Brigada está de volta. Os irmãos Henry e Pierre Beasley apresentaram hoje o single BedHead, a primeira novidade inédita desde o lançamento de seu elogiado álbum de estreia, Portal (2025). A faixa já está disponível em todas as plataformas digitais, acompanhada de um videoclipe oficial no YouTube. Conceito por trás de BedHead Com uma sonoridade que mantém a marca registrada do duo, o equilíbrio entre sintetizadores envolventes, guitarras nostálgicas e letras introspectivas, a nova canção carrega um peso pessoal e reflexivo sobre os sacrifícios necessários para viver de música. “BedHead fala sobre trocar o sono por um sonho”, explicam os irmãos. “É ter consciência de todas as dores e desilusões que inevitavelmente surgem quando você decide se dedicar a um projeto pelo qual é apaixonado e, ainda assim, concluir que vale a pena. […] fala, de forma doce, sobre os sacrifícios que fazemos nos relacionamentos, no sono e na vida em casa e chega à conclusão de que não gostaríamos que fosse de outro jeito.” Ascensão meteórica O Balu Brigada vem consolidando uma trajetória de destaque no cenário alternativo global. Seu álbum de estreia, Portal, já ultrapassou a marca de 328 milhões de streams globais e conta com o sucesso So Cold, que atingiu o 1º lugar na parada Alternative Airplay da Billboard e integrou a trilha sonora do EA Sports FC 25. O reconhecimento internacional da dupla foi reforçado recentemente ao serem convidados pelo Twenty One Pilots para integrar a Clancy World Tour em diversos continentes, além de realizarem uma turnê própria com ingressos esgotados pela Europa e Reino Unido. Com BedHead, Henry e Pierre Beasley não apenas dão sequência a esse sucesso, como também preparam o terreno para uma nova etapa criativa em sua carreira.
Foo Fighters anuncia shows em Belo Horizonte e São Paulo em 2027 com a turnê Take Cover

O Foo Fighters confirmou seu retorno ao Brasil para fevereiro de 2027 com a turnê Take Cover Tour 2027. A banda passará por duas capitais brasileiras, trazendo no setlist clássicos de sua trajetória e as faixas do álbum mais recente, Your Favorite Toy (2026). As apresentações contarão com as aberturas da cantora Karen Dió e da banda paulistana Deb and The Mentals. Datas e locais da turnê no Brasil Ingressos e calendário de vendas A comercialização de ingressos acontecerá através da plataforma oficial Ticketmaster e nas bilheterias físicas autorizadas (sem taxa de conveniência). Clientes do Santander contarão com pré-vendas exclusivas e condições facilitadas de parcelamento. Condições de pagamento: Serviço rápido: Bilheterias oficiais (sem taxa) Aviso importante: Os ingressos para os shows são exclusivamente digitais e deverão ser ativados através do aplicativo Quentro.
A mensagem política do pós-punk

CHRIS RITCHIE Você já se perguntou por que escuta a música que escuta? Ou por que acredita no que acredita? Neste artigo, não vamos discutir gosto musical, religião ou estilo de vida, mas consciência de classe e dignidade para todos, o fulcro da mensagem do hardcore. Ao refletir sobre a evolução e o papel da música popular hoje, quando a polarização das opiniões e o poder dos tecnocratas na aniquilação do pensamento crítico é tão evidente quanto indesejável a quem preza a capacidade cognitiva humana e a justiça social, me perguntei por que a clara e objetiva mensagem política do hardcore tem um alcance limitado aos fãs do gênero, sem chegar à maioria dos oprimidos que, conhecendo-a, poderiam compreender melhor sua condição de existência, aprender a reivindicar seus direitos constitucionais e votar em candidatos com competência e planejamento para garanti-los; também me perguntei como a potência de manifesto antissistema do hardcore pode ser subjugada por gêneros que comunicam quase que somente platitudes, submissão ou lascívia, gêneros a que, independente de gosto ou escolha, em uma espécie de tirania sonora, estamos expostos em salas de espera, supermercados, bares, transportes, passeios etc. ou dentro de casa, a depender dos vizinhos. O que está por trás do alcance de massa e aceitação de gêneros musicais como o sertanejo universitário, o gospel neopentecostal e o funk proibidão, por exemplo, em detrimento do hardcore? Ou da música clássica, que se aprofunda nas emoções e, portanto, seria um meio para a autopercepção? Ou mesmo do glorioso samba, esse gênero que contém a alma brasileira? Quem já pensou a respeito do assunto poderia concluir que a resposta está na própria pergunta: o princípio do pão e circo para controle da população, que destitui a complexidade humana com a premissa de que basta não passar fome e estar se divertindo para aceitar e/ou defender a autoridade que governa sua vida, não importando a qualidade desse poder. Ou seja, o que está por trás do produto massificado é o que interessa a quem domina a indústria cultural, os meios de comunicação, hoje majoritariamente tecnológica, e os meios de produção para conservar e aumentar seu lucro e seu poder. E, para tanto, é necessário manter a população acrítica, anestesiada, desmobilizada, individualizada, obediente a estímulos controladores e ignorante de sua força como maioria, por exemplo, quando não existe negociação ou o diálogo falha, na organização de um boicote a um serviço, um produto ou um governo. Sobre esse poder, Patti Smith canta, desde 1988, People have the power to redeem the work of fools (O povo tem o poder para se redimir da ação dos idiotas). Para responder às perguntas aqui colocadas, é possível argumentar que o hardcore, com sua bateria em bombardeio, as guitarras rasgadas e os vocais gritados ou guturais, afastaria quem busca paz de espírito. Este, porém, é o ponto nevrálgico da música hardcore: se nem os monges do Tibet conseguem ficar zen diante do poder que esmaga sua cultura, como você vai encontrar paz em meio ao abuso e à injustiça de um sistema que promove manobras para favorecer uma elite econômica que, por sua vez, apoia esse sistema desde que o Brasil é um país? Para ilustrar a impossibilidade de se alcançar essa paz, segue um trecho do poema em prosa de Marcelino Freire, cuja apresentação por uma Naruna Costa revoltada é consoante com a voz do hardcore: “A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? Um bando de gente. Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Taí uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue.” A paz referida no poema é a paz de cemitério, a paz que persegue, pune e mata quem não se adequa ao sistema instalado. Já a paz da justiça se faz com enfrentamento embasado, com reflexão crítica, com estudo e preparo, onde a palavra é uma arma potente de destruição do sistema opressor, portanto, a música que se propõe a acompanhá-la deve ser um arsenal – sem espaço para suavidade, a não ser por ironia ou sarcasmo. O hardcore é sinônimo de protesto, denuncia os esquemas, conclama à revolta e à reflexão, escancara todo tipo de manipulação. Não existe eufemismo no hardcore, ele é brutalmente sincero ao expor os abusos e apresentar as soluções para que cessem: uma atitude ética firme e consistente. Em Mídia, música de abertura do álbum 400% (1995), a banda Sociedade Armada avisa: A mídia é o veículo de divulgação de regras que a sociedade te obriga a seguir. Se você quer ser famoso, estrelinha do sistema, terá que se vender se quiser subir. Por isso nós gritamos: cuidado com a mídia, por isso somos livres, no agir e no pensar. Por isso nós gritamos: cuidado com a mídia. Tocar é nossa forma de protestar. Cuidado com a mídia, não se deixe influenciar. Cuidado com a mídia, eles querem te enganar. Enquanto Dead Fish dá o recado sobre A Inevitável Mudança: A narrativa vinda do colonizador tingiu de branco nossa história e sem escrúpulo omitiu e apagou o outro lado da moeda, mas cada dia mais janelas vão se abrir e a diversidade vai brilhar ao Sol (…) Do ponto cego da história brotam vozes de resistência e de luta . Quando o oprimido finalmente se expressa o resto, [a gente] cala e escuta, tirando aqueles que nunca querem ouvir, fecham os olhos e sonham com aquilo que nunca mais será. Do mesmo modo, no Riot Grrrl, movimento dos anos 1990, a raiva, esse sentimento genuíno de alerta quando nossos limites são desrespeitados, na voz de Kathleen Hanna do Bikini Kill ou Corin Tucker do Heavens to Betsy, também traduz a