Entrevista | Smith/Kotzen – “Estamos todos contando os minutos para tocar no Bangers Open Air”

O Bangers Open Air recebe neste ano um encontro que une peso, groove e história no rock. O Smith/Kotzen desembarca no festival, dia 26 de abril, trazendo ao Brasil a parceria entre dois guitarristas de trajetórias consagradas. De um lado, Adrian Smith, integrante do Iron Maiden e responsável por alguns dos riffs mais emblemáticos do heavy metal. Do outro, Richie Kotzen, multi-instrumentista com passagens por Poison, Mr. Big, The Winery Dogs e uma sólida carreira solo marcada por blues, soul e improvisação. No palco, a dupla é sustentada por dois brasileiros de trajetória internacional: a baixista Julia Lage, que construiu carreira nos Estados Unidos e já integrou a banda Vixen, e o baterista Bruno Valverde, atual baterista do Angra, conhecido por sua versatilidade e intensidade técnica. Em entrevista ao Blog N’Roll, a dupla brasileira, responsável pela cozinha do projeto, falou sobre como surgiu o convite para integrar a banda, a possibilidade de mudanças no setlist no Brasil e a expectativa para o Bangers Open Air. Como foi o convite para vocês integrarem o Smith/Kotzen? E como aconteceu a coincidência de os dois serem brasileiros? Bruno Valverde: Fui tocar em um bar de fusion em Los Angeles chamado Baked Potato, com o guitarrista brasileiro Rafa Moreira. A Júlia e o Richie foram assistir ao show e eu estava na bateria. Já tínhamos nos encontrado antes em Los Angeles, mas ali trocamos contato. O Richie me viu tocando e, cerca de quatro ou cinco meses depois, perto de dezembro, a Júlia me ligou dizendo que ele queria falar comigo. Ele comentou que tinha um projeto com o Adrian Smith e que começariam os ensaios na semana seguinte. Mandou quatro ou cinco músicas e, na outra semana, já estávamos ensaiando para a turnê de 2022. Foi tudo muito direto. Júlia Lage: No meu caso foi algo bem orgânico. Todo fim de ano o Richie fazia uma festa na casa dele em Malibu, que sempre terminava em jam session. No final, ficavam Richie e Adrian tocando por horas. Quando surgiu a necessidade de montar a banda ao vivo, a esposa do Adrian, que inclusive foi quem conectou os dois, sugeriu meu nome. Depois chamaram o Bruno também, colocaram todo mundo no estúdio para testar e tocamos quatro ou cinco músicas. Deu liga. É um ambiente muito familiar. O fato de sermos brasileiros também facilitou a conexão cultural entre nós. O Richie, como multi-instrumentista, é muito exigente ou deixa vocês mais livres? Bruno Valverde: O Richie é um grande músico, com uma cabeça muito voltada tanto para o artista quanto para o instrumentista. Ele gosta muito de música e de improvisar. Na turnê solo dele, há músicas que chegam a 10 ou 15 minutos porque ele gosta de jam, de trocar ideias entre os instrumentos. Ele não limita suas ideias, mas você precisa entender o formato do projeto e agir como profissional. Não é sair ultrapassando limites. Ele sabe o que quer ouvir, mas gosta que você traga algo. É uma construção orgânica. Júlia Lage: Ele gosta que você contribua, mas é preciso entender a música. Existem partes que precisam ser executadas exatamente como são. Ele é aberto, gosta da parte criativa, mas sempre dentro do contexto da canção. Mas, Júlia, como é sustentar a base para o Adrian Smith? Há momentos em que você precisa segurar a mão para deixar ele brilhar? Júlia Lage: Com qualquer artista você precisa entender de quem é o momento. Como baixista, minha função é sustentar o groove. Se há espaço para um detalhe, faço, mas preciso compreender meu papel e o tipo de show que estamos fazendo. No solo de “Wasted Years”, por exemplo, eu executo exatamente como no disco, porque aquele momento é dele. É uma questão de bom senso musical. Bruno Valverde: Estamos ali para servir a música. Não é sobre alguém brilhar mais que o outro, mas sobre criar o ambiente para que cada momento aconteça. Esse projeto é diferente porque todos são muito apaixonados por música. Não é apenas performance, é troca real. Eu ia perguntar, mas já que você mencionou, The Wasted Years vai rolar no Brasil? Júlia Lage: Ainda não discutimos o que será tocado na América do Sul. Provavelmente será muito parecido com o que temos feito, mas, por ser festival e ter menos tempo, talvez algumas músicas sejam cortadas. Bruno Valverde: Existe possibilidade, mas ainda não está definido. E como o Adrian e o Richie enxergam o público brasileiro? Bruno Valverde: É quase unanimidade entre artistas que tocam na América do Sul que o público é muito intenso. É uma energia humana muito forte. Não tem como não ser alimentado por isso. Em alguns lugares da Europa o público é mais contido. No Brasil é uma loucura do começo ao fim. Júlia Lage: Os dois já tocaram muito no Brasil e sabem o que esperar. Estamos todos contando os minutos para tocar na América do Sul e no Bangers. A energia é diferente e isso impacta diretamente o show. Como vocês enxergam a participação no Bangers Open Air, um festival tradicionalmente ligado ao metal, tocando um som mais próximo ao hard rock? Júlia Lage: Será a primeira vez que tocaremos nesse festival com essa banda, então vamos descobrir. Mas o show é energético. Mesmo sendo mais hard rock e blues em alguns momentos, há intensidade. Existe ação o tempo todo no palco. Bruno Valverde: A expectativa do público é grande, mesmo conhecendo o setlist. A gente faz o que precisa fazer no palco e entrega energia. O que vocês têm ouvido atualmente no fone de vocês? Bruno Valverde: Nada, silêncio (risos). Existe uma característica comum entre nós de evitar música de fundo. Estamos todos os dias tocando na estrada, sempre com muito som ao redor. Precisamos de silêncio para descompressão. Júlia Lage: Às vezes escuto algo bem tranquilo para dormir e baixar a adrenalina do pós-show. Depois de horas de intensidade no palco, é importante equilibrar.
AC/DC ignora a chuva, cala críticos e transforma o Morumbis em templo do rock

O sábado, 28, entrou para a história do Morumbis como mais uma noite monumental do AC/DC no Brasil. No segundo dos três shows com ingressos esgotados, cerca de 70 mil pessoas transformaram o estádio em território sagrado do rock pesado durante 2h15. A banda ainda retorna no dia 4 de março, encerrando a passagem que já nasce histórica. Quase duas décadas depois da última visita, o reencontro carrega outro peso. Desde a apresentação de 2009, muita coisa mudou no mundo e dentro da própria banda. Por isso, qualquer análise honesta precisa considerar o fator tempo. Ele não perdoa ninguém, nem mesmo as lendas. Leia aqui o review da primeira noite do AC/DC no Morumbis Ainda assim, o que se viu em São Paulo foi uma banda em plena forma, contrariando vídeos e comentários que circularam após trechos da turnê europeia. Sim, algumas mudanças são perceptíveis. O riff de Thunderstruck apareceu em andamento levemente mais cadenciado. E Brian Johnson já não sustenta todas as notas agudas como nos anos 80. Mas nada disso compromete o impacto do espetáculo. Aos 78 anos, o vocalista canta, caminha, dança e interage com uma vitalidade que muitos artistas com metade da idade não conseguem sustentar. A entrega continua absoluta. Angus Young também respondeu à altura. A chuva inesperada que caiu sobre o Morumbis poderia ter esfriado o clima. Não para ele. O guitarrista atravessou a passarela sob a água, solo em punho e dancinha, sem hesitar. Como se o tempo fosse apenas mais um detalhe irrelevante diante do compromisso com o público. Seu uniforme escolar permanece intacto como símbolo, e o famoso duckwalk segue arrancando gritos. O longo desfecho instrumental em Let There Be Rock reafirma por que ele é um dos arquitetos definitivos da guitarra no hard rock. A base formada por Stevie Young, Chris Chaney e Matt Laug sustenta o peso com precisão cirúrgica. Sem exageros, sem disputas de protagonismo. Apenas riffs sólidos, graves pulsantes e batidas diretas ao ponto. A engrenagem funciona como sempre funcionou: simples, alta e eficiente. Para quem preferiu opinar à distância, o show foi um recado claro. Exigir de músicos septuagenários o mesmo desempenho físico de três décadas atrás é perder o ponto principal. O público que esteve no estádio entendeu isso desde o primeiro acorde e provou porque o Brasil merecia mais visitas dos australianos nos últimos anos. Cantou cada refrão, abriu rodas, puxou o tradicional coro de estádio e iluminou a noite com milhares de chifres vermelhos piscando. As tradições permaneceram intocáveis. O sino marcando a introdução de Hells Bells ecoou imponente. Em Highway to Hell, Angus saudou a multidão com o clássico chifrinho iluminado. E Let There Be Rock trouxe a já esperada sequência de solos, estendida, intensa, celebrada como um ritual coletivo. O repertório foi um passeio pela espinha dorsal do rock. Clássicos de Back in Black, Highway to Hell, Dirty Deeds Done Dirt Cheap, Powerage e Power Up apareceram em sequência quase didática. A abertura com If You Want Blood (You’ve Got It), seguida imediatamente por Back in Black, estabeleceu o tom da noite. Um dos momentos mais comemorados foi Jailbreak, ausente dos palcos por décadas e agora reintegrada ao set. No bis, T.N.T. transformou o estádio em um coral de dezenas de milhares de vozes, preparando o terreno para For Those About to Rock (We Salute You), acompanhada por explosões e fogos que fecharam a apresentação em clima de celebração máxima. O AC/DC não é mais a mesma formação física de 30 anos atrás. E não precisa ser. O que permanece é a convicção, o repertório irretocável e a conexão direta com quem está na frente do palco. Em 2026, vê-los ao vivo é mais do que assistir a um show, será, provavelmente, a última chance de testemunhar a permanência de um legado que insiste em continuar pulsando alto. Foto por @christiegoodwin
Taylor Momsen assume controle do Morumbis e The Pretty Reckless entrega abertura à altura do AC/DC

A responsabilidade de abrir para o AC/DC nunca é pequena. Ainda mais quando se trata de uma banda liderada por uma atriz que ficou conhecida em um seriado teen em meio a uma plateia mais velha e amante do rock clássico. O rótulo poderia pesar contra o The Pretty Reckless, mas bastou o primeiro riff ecoar no Morumbis para qualquer desconfiança cair por terra. Taylor Momsen e seus parceiros entraram com postura de veteranos e, em poucos minutos, tinham a multidão nas mãos. O que poderia ser um teste de fogo virou uma recepção calorosa, com direito a aplausos consistentes e um público atento do começo ao fim. Leia aqui o review do primeiro show da The Pretty Reckless no dia 24.02 Sem recorrer a telões grandiosos, efeitos especiais ou labaredas cenográficas, o quarteto apostou no básico que sustenta qualquer show de rock de verdade nesta segunda noite de dobradinha com o AC/DC no sábado (28/02): guitarra alta, cozinha pesada e presença de palco. O repertório foi construído com dez músicas executadas sem rodeios, alternando momentos mais sotis com explosões diretas. Death by Rock and Roll abriu os trabalhos apontando o caminho da noite, seguida por Since You’re Gone e Follow Me Down. A banda também trouxe a densidade de Only Love Can Save Me Now, o clima mais sombrio de Witches Burn, dedicada a todas as mulheres no público, e apresentou For I Am Death, faixa recente que entrou há pouco tempo no setlist. Na parte final, vieram as cartas mais conhecidas. Make Me Wanna Die foi cantada em coro, Going to Hell incendiou o gramado e Heaven Knows funcionou como ponto máximo de interação. O encerramento com Take Me Down manteve a vibração lá em cima e consolidou a missão cumprida. Antes de deixar o palco, Taylor surpreendeu ao pegar um caderno para se comunicar em português com o público, gesto simples que arrancou gritos e aproximou ainda mais a banda da plateia brasileira. Ao fim, ficou claro que o grupo não apenas abriu caminho para o gigante australiano, mas também cravou seu próprio espaço na noite e um show solo no futuro. Crédito da foto: Camila Cara / Live Nation
Review faixa a faixa: New Found Glory retorna com força em “Listen Up!” e reafirma legado no pop-punk

Quase três décadas depois de surgir como um dos pilares do pop-punk moderno, o New Found Glory retorna com Listen Up!, um álbum que reafirma a identidade da banda ao mesmo tempo em que dialoga com maturidade, resistência e pertencimento. Em Listen Up!, o New Found Glory aposta naquilo que sempre soube fazer melhor: refrões explosivos, guitarras afiadas e letras que transformam conflitos pessoais em combustível emocional. O resultado é um disco que não reinventa o gênero, mas reforça por que o nome da banda ainda segue relevante em 2026. A abertura com Boom Roasted já deixa claro que Listen Up! não pretende ser discreto. O riff inicial é urgente, quase nostálgico, remetendo diretamente à fase clássica do NFG. A letra critica a espetacularização da dor e ironiza a cultura da exposição, enquanto o instrumental mantém a vibração crua que consolidou o grupo no início dos anos 2000. Em seguida, 100% mantém o ritmo acelerado e entrega um dos refrões mais grudentos do álbum. É pop-punk direto ao ponto, com versos rápidos e uma mensagem otimista e que imagino que funciona muito bem ao vivo. Laugh It Off desacelera levemente a tensão para apostar em dinâmica melódica e narrativa relacional. Há um equilíbrio interessante entre leveza e frustração, sustentado por uma estrutura que valoriza o contraste entre versos contidos e refrão expansivo. A Love Song, apesar do título simples, surge com guitarras firmes e energia consistente, reafirmando o compromisso com melodias acessíveis sem abrir mão da intensidade. Um dos momentos mais marcantes de Listen Up! aparece em Beer and Blood Stains. A faixa mergulha na nostalgia dos primeiros anos da banda, evocando memórias de clubes pequenos, turnês caóticas e noites marcadas por excessos. Musicalmente, é uma das composições mais sólidas do álbum, combinando peso e melodia com naturalidade. Medicine introduz um clima mais introspectivo, com linha de baixo destacada e atmosfera levemente mais sombria. A banda explora vulnerabilidade sem abandonar o formato pop-punk que define sua assinatura. Treat Yourself retoma a energia positiva com uma mensagem de autocuidado e resiliência. Ainda que a abordagem soe direta demais em alguns momentos, a música cumpre seu papel dentro da proposta do álbum ao reforçar a conexão emocional com o público. Dream Born Again funciona como um respiro melódico, trazendo um clima mais contemplativo e mostrando que o New Found Glory ainda sabe trabalhar nuances dentro de uma fórmula conhecida. Na reta final, You Got This aposta em um refrão feito sob medida para grandes coros. É simples, quase ingênua em sua mensagem motivacional, mas eficaz na construção de atmosfera coletiva. O encerramento com Frankenstein’s Monster adiciona peso emocional ao conjunto. A faixa aborda batalhas internas e desafios pessoais com intensidade sincera, transformando fragilidade em potência sonora. No panorama geral, Listen Up! reafirma o New Found Glory como um dos nomes mais consistentes do pop-punk. O álbum pode não apresentar rupturas radicais, mas demonstra confiança criativa e domínio da própria linguagem. Para fãs antigos, funciona como reencontro. Para novos ouvintes, é uma porta de entrada acessível para entender por que o NFG permanece como referência do gênero. Em tempos de revisitações constantes ao pop-punk, a banda mostra que não vive apenas de nostalgia, mas de continuidade consciente de seu legado.
Entrevista | Nile – “Estamos tocando um monte de coisas que não tocamos em anos”

Menos de um ano após incendiar o público no Bangers Open Air, realizado em maio de 2025, em São Paulo, o Nile confirma seu retorno ao Brasil em março de 2026 para três apresentações: dia 20/03 em Brasília, 21/03 em Fortaleza, e 22/03 em São Paulo. A nova passagem marca mais um capítulo da turnê de divulgação de The Underworld Awaits Us All (2024), décimo álbum de estúdio do grupo. Formado em 1993, nos Estados Unidos, o Nile construiu uma identidade singular ao unir death metal técnico, velocidade extrema e rigor histórico, com letras inspiradas no Antigo Egito e em culturas do Oriente Médio e da África. Ao longo de mais de três décadas, lançou álbuns fundamentais como Black Seeds of Vengeance e Annihilation of the Wicked, consolidando seu nome como uma das forças mais respeitadas do metal extremo mundial. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Karl Sanders fala sobre a cena death metal dos anos 90, a recepção da nova formação no Brasil e os paralelos entre história antiga e política contemporânea. Como era a cena de death metal nos Estados Unidos quando o Nile surgiu, em 1993? Acho que estava entre o que eu chamo de a primeira onda e a segunda onda. Death Metal tinha chegado e o Black Metal estava fazendo um barulho. Ai tem New Wave, depois Nu Metal, Metalcore, e toda aquela merda que era popular. Então foi um pouco difícil conquistar espaço, mas nós não nos importávamos, nós amávamos o Death Metal, nós íamos tocar Death Metal, não importava se era modesto ou não, nós íamos fazer. Quais bandas foram influências fundamentais naquele início? As bandas de metal antigas, como Gorfest, Entombed, Left Hand Path, Clandestine, Early Morbid Angel, as músicas antigas do Black Sabbath, mais um monte de coisas antigas e clássicas no começo. Mas também teve uma influência de trilha sonora. Eu estava particularmente fã da trilha sonora de Exorcista 2, tem um monte de coisa boa lá dentro. Depois de apresentar o novo álbum no Brasil, inclusive no Bangers Open Air, qual peso este disco terá na atual turnê? Definitivamente vamos tocar uma mistura de tudo. Nós estamos tocando algumas coisas do novo álbum, mas também um monte de clássicas antigas. Eu acho que essa será a primeira tour em muitos anos que nós tocamos Cast Down the Heretic, de Annihilation of the Wicked, e tocamos isso há uns 10 anos. Também estamos tocando um monte de outras coisas que não tocamos em anos. Tem Ithypallic, Hittite Dung Incantation, um monte de coisas clássicas. Você sentiu uma boa recepção das novas músicas no Brasil? Sim, eu acho que toda vez que chegamos ao Brasil, na história da banda, os fãs de metal do Brasil foram incríveis. É um dos meus lugares favoritos para estar. E como foi a recepção da nova fase com Adam no Brasil? Bem, eu acho que foi muito boa. A audiência foi ótima. Eles nos trataram maravilhosamente. Não podemos ser gratos o suficiente. Estamos muito orgulhosos dessa nova fase. Temos alguns caras realmente talentosos. Eles estão trabalhando muito duro. Eles só querem tocar metal. E eu acho que o público percebe isso. As pessoas sentem quando o coração está no lugar certo, quando você está ali pelas razões certas. O Brasil tem uma das cenas mais intensas do mundo. Em que se diferencia o público brasileiro? Eu acho que a herança do metal é um fator importante. O Brasil tem grandes bandas. Somos bons amigos do Krisiun. Fizemos turnês com eles muitas vezes ao longo dos anos, especialmente nos anos 2000. E eu sinto que o metal está no sangue de vocês. Está na alma. Está no coração. Os fãs brasileiros têm esse coração e essa alma do metal. Isso está no sangue. E como você vê a evolução da base de fãs do Nile no Brasil ao longo dos anos? Nós só viemos ao Brasil uma vez por ano, às vezes nem isso. Então eu não acompanho de perto o que acontece o tempo todo. Mas toda vez que venho, vejo uma ótima audiência. Para mim, sempre foi assim. Por isso é difícil avaliar a evolução. Do meu ponto de vista, sempre foi um público forte. Falando sobre as composições, de onde surgiu a abordagem lírica baseada no Egito Antigo e culturas do Oriente Médio e da África? Foi algo que sempre nos interessou. Algo de que gostamos. O autor Samuel Clemens, mais conhecido como Mark Twain, disse uma vez: escreva sobre o que você conhece. Escreva sobre o que você gosta. Acho que esse é um bom conselho. Você deve criar sobre aquilo que realmente te interessa. Se você gosta de carros esportivos, então escreva sobre carros esportivos. Em algumas letras é possível notar paralelos entre eventos históricos e o sistema político atual dos Estados Unidos. Como você constrói essas metáforas? Eu acho que as pessoas continuam sendo as mesmas. A tecnologia avança. A civilização avança. Mas os seres humanos continuam basicamente os mesmos de milhares de anos atrás. É aí que vejo os paralelos. Quando vejo governos fazendo coisas terríveis, isso não é nada novo. Isso sempre aconteceu. É uma parte triste da condição humana, a forma como as pessoas se tratam. Depois de mais de três décadas de carreira, qual foi o momento decisivo da banda? Eu diria que foi quando fizemos nosso primeiro grande álbum. Houve um momento na primeira grande turnê que fizemos pelos Estados Unidos. Estávamos abrindo para o Morbid Angel. Viajávamos em uma van pequena, puxando um trailer pequeno, mas tínhamos atravessado o país inteiro. Eu já tinha ido para o outro lado dos Estados Unidos antes, mas nunca como banda. Quando estávamos olhando para o oceano, perto de Seattle, percebi que nossa música tinha nos levado até o outro lado do continente. Aquilo foi profundo. Pensei: o que mais podemos fazer? Há mais continentes para conquistar. Foi um momento muito marcante. Sim, é possível. Pode ser feito. Você tem alguma história curiosa ou engraçada no Brasil?
Entrevista | Gogol Bordello – “Esse álbum é a minha vingança pós-punk contra mim mesmo”

O Gogol Bordello lançou, na última sexta-feira (13), o álbum We Mean It, Man!, um trabalho que reafirma a identidade combativa e multicultural da banda formada em Nova York no fim dos anos 1990. O disco amplia a sonoridade do grupo ao mergulhar ainda mais em sintetizadores, camadas eletrônicas e influências pós-punk, sem abandonar as raízes ciganas, latinas e do hardcore que consolidaram o chamado gypsy punk. O álbum carrega senso de urgência e posicionamento político, mas também mantém o espírito festivo que transformou o Gogol Bordello em uma das bandas mais intensas ao vivo da cena alternativa. A produção aposta em texturas mais eletrônicas e uma abordagem moderna, reforçando a ideia de que o grupo nunca foi preso a um purismo acústico, mas sempre dialogou com tecnologia, experimentação e cultura urbana global. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Eugene Hütz, vocalista do Gogol Bordello, falou sobre o simbolismo do lançamento do álbum e do selo, a proposta sonora mais eletrônica do novo álbum e a relação histórica e afetiva da banda com o Brasil. O álbum foi lançado na sexta-feira 13. A data teve algum simbolismo especial para a banda ou foi coincidência? Eu não acho que existia nenhum simbolismo antes. Mas agora existe. Porque não foi apenas o lançamento de um álbum. Nós também começamos nosso próprio selo. Então essa data virou o nascimento oficial do nosso selo e das bandas que fazem parte dele, como Puzzled Panther, Greatest Berger, Pons e nós. Eu estou produzindo várias bandas de Nova York agora. Então, a partir deste momento, essa data se tornou simbólica. Como você descreveria a essência desse novo álbum? É a minha vingança pós-punk contra mim mesmo. Algumas pessoas passaram a enxergar o Gogol Bordello como uma banda que cortou ligações com o resto do mundo musical, como se fôssemos anti-tecnologia ou neo-primitivistas. Isso nunca foi verdade. Antes mesmo da banda, eu já tocava com sintetizadores e experimentava com sons eletrônicos. Sempre usamos eletrônicos. Até Immigrant Punk é totalmente programada com loops e samples. Esse álbum deixa isso claro. É post-punk, post-hardcore, com mais sintetizadores. É sobre avançar, não sobre voltar para a montanha com um violão. Quando ouço o disco, sinto uma grande fusão entre punk, eletrônico e ritmos globais. É isso. Exatamente. Fusão é a palavra. Existe uma faixa que represente melhor o espírito do álbum? São as 11 faixas. Se alguma não representasse, não estaria no álbum. Eu não conseguiria eliminar nada. Há muita vida ali, muitas influências de Nova York, de Manchester psicodélica, da música cigana e da América Latina. Temos integrantes latino-americanos na banda, inclusive um baixista de Minas Gerais, Gil Alexandre, que, aliás, é especialista em cachaça. E quais foram as selecionadas para entrar no setlist dos shows? Todas. Fizemos uma grande turnê na Europa tocando basicamente o álbum inteiro. É raro quando músicas novas se tornam imediatamente destaques do show. Mas está acontecendo. O clima político e social atual dos Estados Unidos influenciou o álbum? Por que limitar aos Estados Unidos? O mundo inteiro está perdendo a cabeça. O ponto central é a perda do pensamento crítico. O pensamento crítico era essencial para o punk rock. Hoje, muita gente faz qualquer coisa por seguidores e publicidade e chama isso de punk. Isso não é punk. O espírito original era quase o oposto disso. Há planos para trazer essa nova turnê ao Brasil? Esperamos que sim. Eu amo o Brasil. É um dos meus lugares favoritos no mundo. Pessoas incríveis, cultura incrível. Passei muito tempo aí e penso nisso todos os dias. O que faz o Brasil diferente de outros lugares? No Brasil as pessoas, na maior parte do tempo, estão de bom humor. Em outros lugares, você precisa quase levantar peso para sentir essa energia, como se tivesse que puxar as pessoas pelo cabelo. Eu amo a cultura do Nordeste. Já estive no Carnaval em Recife e Olinda várias vezes. Me aproximei quase como um antropólogo cultural. Qual foi o show mais marcante da banda no Brasil? Acho que foi o Lollapalooza em São Paulo, com Gogol Bordello. Foi um momento muito forte para a banda. Mas eu também vivi muitas experiências especiais no Brasil fora dos nossos próprios shows. Durante o Carnaval, fiz participações com Mundo Livre, DJ Dolores, Nação Zumbi e uma Orquestra de Frevo. Toquei e convivi com Seu Jorge, Otto e Lenine. Com Lenine, fizemos inclusive uma apresentação longa no Rock in Rio, algo como 30 minutos juntos, com músicos ciganos do Rio de Janeiro. Também toquei como DJ em cidades como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Tenho amigos aí, como o pessoal do Comunidade Ninjitsu, especialmente o Freddy Chernobyl. Então é difícil escolher um único momento, porque minha relação com o Brasil vai muito além de um show específico. Álbum novo e independência com o selo. Como você enxerga o futuro do Gogol Bordello? Você planeja um tempo para lançar um trabalho novo? Nós agora existimos no nosso próprio tempo. Não temos uma grande gravadora dizendo quando lançar algo. Às vezes um álbum vem em um ano e meio, às vezes leva três anos. Não dependemos do ciclo da indústria. Claro que quando saímos em turnê existe um ciclo, mas temos liberdade. Há muito trabalho envolvido, mas estamos acostumados. Além do Gogol Bordello, eu tenho outra banda chamada Puzzle Panther, com o Brian Chase, do Yeah Yeah Yeahs, e músicos mais jovens de Nova York que estão começando a deixar sua marca. É uma formação diferente, mais voltada para um dance punk psicodélico. O Brian e eu nos conhecemos antes de existir Yeah Yeah Yeahs, antes de existir Gogol Bordello, antes de existir Interpol, The Strokes, Liars. Era só um grupo de pessoas fumando e bebendo juntas, imaginando que um dia começariam bandas. E então, entre 1999 e 2000, todas essas bandas explodiram. Depois disso, a gente só se via em festivais, no catering, uma vez a cada cinco anos. Agora está tudo um pouco mais organizado. Todo mundo tem a própria vida
AC/DC terá bar oficial e loja exclusiva em São Paulo durante passagem da turnê

A turnê AC/DC PWR UP ganha um ponto de encontro especial em São Paulo. Pela primeira vez no Brasil, a banda australiana realiza a AC/DC PWR UP House Pop Up Store Oficial na Tokio Marine Hall, com entrada gratuita e proposta de imersão total no universo do grupo. O espaço funcionará como extensão da experiência dos shows do AC/DC, reunindo bar temático, loja oficial com produtos exclusivos e áreas instagramáveis pensadas para o público registrar o momento. A iniciativa promete transformar a casa em ponto de encontro dos fãs durante os dias de programação. Além da comercialização de itens oficiais, a Pop Up Store aposta na ambientação como diferencial, criando um ambiente voltado para a celebração da trajetória da banda e do álbum PWR UP. A expectativa é de grande circulação de público, especialmente nos dias que antecedem e sucedem as apresentações. A programação acontece nos dias 21, 22, 23, 25, 26 e 27 de fevereiro, além de 01 e 02 de março, das 12h às 20h. No dia 03 de março, o horário será das 10h às 16h. Já em 24 e 28 de fevereiro e 04 de março, o funcionamento será das 10h às 20h. ServiçoAC/DC PWR UP House Pop Up Store OficialLocal: Tokio Marine HallDatas: 21 de fevereiro a 04 de marçoEntrada gratuita
Chet Faker retorna às origens em A Love for Strangers e entrega seu disco mais íntimo em anos

Chet Faker está oficialmente de volta ao personagem que o mundo aprendeu a amar. Em A Love for Strangers, o produtor e cantor australiano retoma o alter ego que o projetou há mais de uma década, mas faz isso sem recorrer à nostalgia fácil. O novo álbum não tenta recriar Built on Glass. Ele prefere revisitar emoções antigas com maturidade, cicatrizes abertas e menos filtros. Ao longo das faixas, Chet Faker trabalha a vulnerabilidade como eixo central. O disco gira em torno de relações frágeis, conexões que não se completam e a sensação constante de deslocamento emocional. O título A Love for Strangers funciona quase como manifesto. É sobre amar quem ainda não se conhece totalmente. É também sobre se encarar depois de anos de exposição pública e reinvenções. Em entrevista que fiz com o artista no passado, ele já sinalizava essa mudança de rota. Segundo Chet Faker, a principal transformação desde Hotel Surrender foi se afastar da produção mais complexa, baseada em loops e camadas digitais, para focar na escrita tradicional. Muitas músicas foram gravadas com apenas um instrumento do começo ao fim. Quase todas podem ser tocadas no piano ou no violão, sem depender de samples ou elementos eletrônicos difíceis de reproduzir ao vivo. Ele definiu o processo como uma volta ao básico, à composição pura, deixando a estrutura da canção guiar tudo. Isso ajuda a entender por que o álbum soa mais contido e orgânico. Há beats e texturas eletrônicas, mas eles não dominam a narrativa. O foco está na atmosfera e na interpretação. Em vários momentos, a produção parece propositalmente enxuta, abrindo espaço para a voz respirar. Quando reduz os elementos e assume o minimalismo, o impacto emocional cresce. O single This Time for Real sintetiza bem essa fase. Chet Faker contou que quase deixou a faixa de fora do disco por considera-la diferente do restante. Escrita ainda na época de Hotel Surrender, a música carrega esse espírito de transição. A letra fala sobre esperança e autenticidade, mas também sobre lidar com o alcance inesperado de algumas canções na indústria. Existe ironia no discurso e no videoclipe, que o mostra cercado por símbolos exagerados de sucesso. No fundo, ele resume como aprender a andar de bicicleta pela primeira vez no meio de um furacão. A metáfora explica muito sobre o tom do álbum. Outro ponto interessante é a referência às memórias de infância. Chet Faker revelou que tentou recriar a sensação de quando ouvia música nos anos 1990 e 2000. Ele cita as trilhas de jogos japoneses de Playstation 1, cheias de batidas jungle e rave, convivendo com o pop que tocava no carro da mãe, como David Gray, além de grunge e guitarras mais cruas. Essa mistura aparece diluída no disco. Não como colagem explícita de gêneros, mas como atmosfera. É um trabalho que parece abraçar influências distintas sem precisar provar nada para ninguém. Nem todas as faixas mantêm o mesmo nível de impacto. Algumas funcionam mais como paisagens sonoras do que como canções memoráveis. Ainda assim, o conjunto é coeso. Existe uma linha clara de retorno à essência, mas com consciência artística ampliada. A Love for Strangers não é um álbum de explosões imediatas. É um disco que cresce com o tempo e recompensa quem escuta com atenção. Talvez não tenha o impacto imediato do trabalho que o consagrou, mas reafirma Chet Faker como um artista interessado em evolução, não em repetição. E isso, hoje, já diz muito.
Entrevista | Katatonia – “Minhas expectativas para o público do Brasil são muito altas, porque a turnê tem sido uma loucura”

O Katatonia retorna ao Brasil com a turnê de Nightmares as Extensions of the Waking State e se apresenta no dia 21 de março de 2026, no Cine Joia, em São Paulo. No palco, a banda sueca promete um repertório que equilibra o novo álbum com clássicos da carreira, em um show que deve alternar peso, melancolia e intensidade emocional. A abertura fica por conta da guitarrista Jessica Falchi, reforçando o clima de atmosfera e técnica que marca a noite. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Nico Elgstrand fala sobre o impacto de assumir as guitarras no lugar de uma lenda, os desafios enfrentados com o visto negado nos EUA e a nova dinâmica criativa dentro do Katatonia após as mudanças na formação. Com passagem marcante pelo Entombed, um dos nomes fundamentais do death metal sueco, Nico construiu sua reputação no underground europeu antes de integrar o Katatonia. Sua entrada, ao lado de Sebastian Svalland, marca uma nova etapa no grupo liderado por Jonas Renkse, conectando a tradição pesada de sua trajetória anterior com a fase mais atmosférica e progressiva da banda. Você já estava tocando com o Katatonia como guitarrista de apoio antes de se tornar um membro oficial. Quando começou a sentir que isso poderia se tornar algo permanente? Na verdade, foi bem rápido. Fiz o primeiro show logo após a Covid, e foi uma viagem muito, muito longa. Fomos para a Austrália, para a Tasmânia. Foram três dias no aeroporto para chegar lá e depois três dias para voltar. Então passamos muito tempo juntos, convivendo bastante. Você percebe quando existe uma conexão pessoal. E quando fiz outro show, um ano depois, porque o Anders não pôde tocar, senti, e acho que eles também sentiram, que realmente nos conectamos socialmente. Isso é o mais importante quando você está em uma banda. Eu não fiquei muito surpreso quando soube que poderia me tornar membro permanente. Ouvi que havia algumas questões com o Anders, mas não quis me envolver. Porém senti que, se eles mudassem a formação, provavelmente eu seria chamado. Então foi muito legal ser convidado. Basicamente, quando fiz a turnê, senti que, se surgisse uma oportunidade, eu teria uma chance. E também foi muito bom perceber que eu queria isso. Às vezes você ama alguém mais do que ela ama você, ou o contrário, e aí temos um problema. Aqui foi diferente. Se eles queriam, eu também queria. Foi muito legal. E aqui estamos. Substituir um membro histórico e fundador da banda como Anders Nyström naturalmente traz comparações e comentários entre os fãs. Como você lidou com isso em nível pessoal? Eu decidi não pensar muito sobre isso. Quando você faz isso há tanto tempo, percebe que pensar demais não muda nada. Eu toco do jeito que eu toco, sou do jeito que eu sou. Claro, quando toco uma música escrita pelo Anders, eu escuto como ele toca. Não estou ali para mudar nada. A música já está escrita, as pessoas amam do jeito que é, então tento respeitar isso ao máximo. Mas eu sou um indivíduo, então inevitavelmente toco do meu jeito, mesmo tentando ser fiel ao álbum. Acho que é como começar um relacionamento novo sabendo que houve alguém antes. Não importa. É o passado. Se eu começar a pensar demais nisso, vai atrapalhar meu próprio desempenho. Então preferi não focar nisso. Se os fãs não gostassem, não haveria muito que eu pudesse fazer além de trabalhar mais. Felizmente, não foi o caso. As pessoas foram muito receptivas. Acho que o desejo de ouvir a música é maior do que a necessidade de ver indivíduos específicos. A música é mais importante do que quem a toca. E eu acho que deve ser assim. Estou realmente ansioso, especialmente para voltar à América, porque o carinho que você recebe lá é enorme. E falando em América, você perdeu parte da turnê na América do Norte por causa de problemas com o visto. O que aconteceu? Não sei exatamente. É o novo governo do Trump. Não sei por que fui rejeitado. Se você quiser recorrer, é muito caro. Você pode tentar uma segunda vez, digamos assim, mas envolve muitos advogados. Eles disseram que esse novo governo tem ideias bem estranhas sobre isso. Houve outro cara na turnê que também teve o visto rejeitado. Fiquei realmente devastado, porque o Fredrik, do Opeth, é meu melhor amigo há 30 anos, e estávamos muito animados para fazer essa turnê juntos. Mas o que você pode fazer? É o que é. Estou tentando não ficar triste com isso. Em vez disso, estou ansioso para ir ao Brasil e à América do Sul. Mas por um tempo, e ainda agora, fico pensando que eu deveria estar lá. Não estou impressionado com esse governo. Nem vou dizer o nome dele de novo. Está ficando tudo muito louco por lá. É muito triste, mas, de novo, o que você pode fazer? Vamos falar de coisas boas então. Falando sobre o Brasil, o show em São Paulo marca um novo capítulo da banda aqui. O que os fãs podem esperar do setlist? O set não é fixo. Temos várias variações. Eu e Daniel até queríamos ter umas 50 músicas e trocar tudo todas as noites, mas isso é muito desafiador para o Jonas por causa dos vocais. Então haverá variações, mas mesmo que eu soubesse exatamente o set, não diria aqui (risos). Acho que uma das coisas ruins da internet é que você pode descobrir tudo antes. Às vezes é legal ser surpreendido. Mas, pelo menos sua expectativa você pode contar, né? Minhas expectativas para o público são muito altas, porque tem sido uma loucura. Lembro que pensei que, como a música do Katatonia é mais suave do que outras bandas com as quais toquei, talvez a reação fosse mais contida. Mas foi absolutamente insano. Não houve diferença. Foi intenso do mesmo jeito. Da última vez com o Entombed foi tão alto que eu quase não conseguia ouvir meus in-ears. Então as expectativas são altas. Com