Entrevista | Caroline Rose – “Estamos realmente tentando ir ao Brasil em 2027. Então espero que aconteça.”

Caroline Rose construiu uma carreira marcada pela constante transformação, transitando da Americana dos primeiros trabalhos para o indie rock, synth-pop e experimentações que tornaram cada álbum uma espécie de reinvenção. Depois do introspectivo The Art of Forgetting e de year of the slug, gravado de maneira caseira no celular, a cantora e compositora norte-americana inicia agora outra fase da trajetória, desta vez com ainda mais controle sobre a própria carreira. Além de preparar um novo disco, Rose criou a SUCK Records, selo próprio que amplia sua independência artística e comercial. Gentling the Horse at the Walt Whitman Mall será lançado em 23 de outubro pela SUCK Records e apresenta o que Rose define como uma espécie de “Hyper-Americana”. Produzido ao lado de John Congleton, o álbum combina guitarras surf, referências aos westerns spaghetti, humor, estranheza e imagens da vida suburbana dos Estados Unidos. O contraste também está presente no próprio título, que coloca a delicadeza de domar um cavalo ao lado do Walt Whitman Mall, shopping real próximo de onde Rose cresceu. As primeiras faixas reveladas, “Yip Yip Yow” e “Chow Mein”, reforçam essa abordagem, transformando experiências pessoais, situações constrangedoras e elementos aparentemente banais do cotidiano em caricaturas de uma América cada vez mais absurda. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Caroline Rose falou sobre o processo de abrir mão do perfeccionismo para gravar o novo álbum em poucos dias, detalhou a experiência dos shows pop-up sem taxas de ingressos e discutiu como algoritmos mudaram a sensação de descobrir uma banda ou um disco por acaso. A artista também revelou que sua equipe trabalha para viabilizar uma passagem pelo Brasil em 2027 e explicou como year of the slug, lançado inicialmente pelo Bandcamp, acabou gerando os recursos que possibilitaram a criação da SUCK Records. Você descreveu o novo álbum como uma espécie de “Hyper-Americana”. Que tipo de América você queria retratar neste disco? O tipo de América, ou de música “Americana”, entre aspas, que me interessa é aquela mais bizarra e estranha, ou muito mais agressiva do que o material tradicional, mais voltado ao folk. Porque é assim que o país parece hoje. Tudo é muito mais absurdo e muito mais energizado do que a música Americana que eu ouvia enquanto crescia. Eu simplesmente tenho precisado dessa energia, de muita energia, e já faz algum tempo que tenho me aproximado desse tipo de música. É o tipo de música que quero fazer. Algo absurdo, exagerado. É assim que parece viver aqui atualmente. Fale um pouco sobre o título Gentling the Horse at the Walt Whitman Mall. Qual é a história por trás do cavalo e do shopping? Uma pessoa com quem eu estava conversando sobre o álbum criou uma imagem muito boa sobre o significado dele. Na verdade, achei que ela conseguiu explicar melhor do que eu conseguiria. Na minha cabeça, eu tinha mais uma sensação. Quando penso em gentling a horse, penso em domar um cavalo sem usar violência. É algo muito delicado e baseado em confiança. Achei uma maneira muito bonita de falar sobre adolescência e sobre crescer neste mundo extremamente consumista e, de certa maneira, violento. O Walt Whitman Mall é um shopping que realmente existe no lugar onde cresci. É um grande centro comercial que recebeu o nome de um famoso poeta americano conhecido por escrever sobre a classe trabalhadora e os direitos dos trabalhadores. Acho muito engraçado colocar essas duas imagens juntas. Essa pessoa com quem conversei falou sobre a imagem de uma América antiga, de cavalos e cowboys, e uma nova imagem da América, feita de shoppings, fast-food e rodovias. Achei que ela definiu perfeitamente. É como essa personalidade antiga e nova do lugar onde cresci, que é um lugar selvagem, louco. Resumidamente, é disso que se trata. O cowboy e o cavalo me fazem lembrar aqueles antigos comerciais de cigarro… Totalmente! É tudo exagerado. Aqui, tudo parece uma propaganda. Li que você se considera perfeccionista, mas este álbum foi gravado em cerca de dez ou doze dias. Houve alguma música em que seu antigo instinto perfeccionista apareceu e John Congleton (produtor) precisou dizer: “Caroline, acabou”? Sim, mais ou menos. Na verdade, você acertou em cheio. O meu produtor, John Congleton, é conhecido por fazer discos muito rapidamente, e eu comecei este álbum sabendo disso. Foi necessário um grande esforço para conseguir abrir mão do controle e confiar que as decisões dele eram boas. Assim que essa confiança apareceu, tudo aconteceu muito rapidamente. Conseguíamos lançar ideias de um lado para o outro. Ele dizia: “Vamos tentar isso. O que você acha daquilo?”. Era como ficar jogando uma bola de um lado para o outro, e funcionou muito bem. Mas algumas decisões foram difíceis para mim porque eram completamente diferentes do que eu teria feito se estivesse trabalhando sozinha. No fim, fico feliz por ter feito dessa maneira, porque colaborar com mais pessoas em quem confio me força a ser uma artista melhor. Então, sim, é difícil para uma perfeccionista, mas também é algo bom e muito saudável. Eu já conhecia toda a história de “Yip Yip Yow”, então queria abordar o assunto de outra maneira. Você pediu a músicos excelentes que tocassem como adolescentes de 16 anos em uma garagem. Temos exemplos como o punk e os Ramones, com músicas de poucos acordes. O que músicos profissionais desaprendem ao longo dos anos que os adolescentes ainda sabem fazer? A coragem. Acho que existe algo realmente incrível nos músicos que estão começando. Você pode nunca ter tocado um instrumento antes e, mesmo assim, criar partes muito interessantes. O estilo e a energia ficam muito evidentes justamente porque você não sabe exatamente o que está fazendo. Eu adoro música assim. Adoro os Ramones. Existe uma razão pela qual pessoas muito jovens, adolescentes, conseguem criar grandes obras de arte e grandes músicas: elas simplesmente estão colocando aquela energia para fora. É elétrico. Existe uma sensação de vida ali, mesmo quando as notas estão erradas. Quando você se torna um músico muito, muito bom, às vezes perde
Entrevista | Tigers Jaw – “Ficamos realmente impressionados com a paixão do público no Brasil”

O Tigers Jaw retorna ao Brasil em outubro para três apresentações da turnê de “Lost On You”, sétimo álbum de estúdio da banda e primeiro trabalho inédito em cinco anos. O grupo toca no Cine Joia, em São Paulo, no dia 10 de outubro, segue para o Rio de Janeiro no dia 11, com local ainda a ser anunciado, e encerra a passagem pelo país no Belvedere, em Curitiba, no dia 12. Os shows fazem parte de uma extensa passagem pela América Latina, que inclui ainda México, Guatemala, Costa Rica, Colômbia, Chile e Argentina. Formado há duas décadas em Scranton, na Pensilvânia, o Tigers Jaw construiu uma das trajetórias mais consistentes do emo e rock alternativo norte-americano dos anos 2000. Atualmente formado por Ben Walsh, Brianna Collins, Mark Lebiecki, Colin Gorman e Teddy Roberts, o grupo chega com um disco novamente produzido por Will Yip e marcado pela passagem do tempo, memória, ansiedade e pelas incertezas que permanecem da juventude à vida adulta. Ao mesmo tempo, “Lost On You” preserva elementos fundamentais da identidade da banda, principalmente a combinação das vozes de Walsh e Collins e o equilíbrio entre guitarras melódicas, peso e delicadeza. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Ben Walsh falou sobre a relação do Tigers Jaw com o público brasileiro, a descoberta da banda por uma nova geração de fãs e o atual momento da cena emo. O vocalista e guitarrista também explicou o significado por trás de “Lost On You”. Vocês estão voltando ao Brasil depois de alguns anos. O que você lembra das visitas anteriores ao país e dos fãs brasileiros? Ficamos realmente impressionados com a paixão do público no Brasil. Nós nos sentimos muito bem recebidos e queridos quando tocamos aí e estamos muito animados para voltar. Nossas visitas anteriores ao país foram repletas de comidas e bebidas incríveis, lugares lindos, mergulhos no mar e buscas por camisetas piratas legais de bandas que amamos. O título “Lost On You” permite diferentes interpretações. O que ele significa para você? Eu interpreto de duas maneiras. Pode significar estar completamente encantado por alguma coisa ou pode significar não entender absolutamente nada do que está acontecendo. O novo álbum tem ocupado bastante espaço nos setlists recentemente. Podemos esperar o mesmo no Brasil? Estamos celebrando a turnê mundial de “Lost On You”, então vamos tocar uma boa quantidade de músicas do novo álbum. Mas, na maioria dos nossos shows como atração principal, tocamos por mais de uma hora. Então haverá uma boa mistura de músicas de diferentes momentos do nosso catálogo. “BREEZER” chama atenção pela atmosfera influenciada pelo shoegaze. Como você enxerga a mistura entre emo, shoegaze e indie na música do Tigers Jaw? Tivemos uma variedade muito grande de ideias para este disco e, sempre que alguma delas parecia inspiradora para nós, fomos atrás até sentirmos que estava certa. Acho que “BREEZER” é um bom exemplo de como entramos em um tipo diferente de sonoridade, mas a música ainda soa como Tigers Jaw. O álbum “Tigers Jaw”, de 2008, continua sendo descoberto por pessoas que eram crianças ou que nem sequer tinham nascido quando ele foi lançado. Como é perceber uma nova geração chegando aos shows por causa dessas músicas? É sempre incrível ver novas pessoas descobrindo a nossa banda. Somos muito gratos por continuarmos crescendo, encontrando oportunidades e vivendo novas experiências depois de tantos anos fazendo música. Poder viajar pelo mundo e criar uma conexão com as pessoas por meio da música é um sonho. O emo passou por uma verdadeira montanha-russa ao longo dos anos. Como você enxerga o momento atual da cena? A cena emo está prosperando e buscando referências em uma variedade enorme de influências, tanto em todas as diferentes ondas do emo quanto em gêneros que estão fora dele. É sempre muito legal ver novas bandas levando a música adiante.
Peter Hook anuncia show tocando álbuns do Joy Division em São Paulo

Peter Hook & The Light retorna ao Brasil em 9 de março de 2027 para uma apresentação dedicada à obra do Joy Division. No palco da Audio, em São Paulo, o baixista e cofundador do grupo tocará na íntegra os dois únicos álbuns de estúdio da banda, “Unknown Pleasures” (1979) e “Closer” (1980). A apresentação faz parte da turnê “Unknown Pleasures & Closer”, que vem percorrendo diferentes países com uma celebração de dois discos fundamentais para a construção do pós-punk. O primeiro apresentou músicas como “Disorder”, “She’s Lost Control”, “New Dawn Fades” e “Shadowplay”, enquanto “Closer” aprofundou a atmosfera sombria e experimental do grupo em faixas como “Isolation”, “Twenty Four Hours” e “Heart and Soul”. “Unknown Pleasures” foi lançado em 1979 com produção de Martin Hannett e estabeleceu uma sonoridade que teria influência duradoura sobre o rock alternativo. “Closer” chegou em julho de 1980, apenas dois meses depois da morte de Ian Curtis, aos 23 anos, encerrando precocemente a trajetória do Joy Division. Após o fim da banda, Hook, Bernard Sumner e Stephen Morris formariam o New Order ao lado de Gillian Gilbert. Peter Hook começou a revisitar sistematicamente esse repertório em 2010, quando apresentou “Unknown Pleasures” em um show beneficente. Desde então, acompanhado pelo The Light, passou a construir turnês dedicadas a diferentes períodos de Joy Division e New Order, recuperando discos como “Closer”, “Movement”, “Power, Corruption & Lies”, “Low-Life”, “Technique” e as coletâneas “Substance”. O retorno ganha ainda mais peso em um momento especial da trajetória do músico. Em 2026, Peter Hook foi incluído no Rock & Roll Hall of Fame como integrante de Joy Division e New Order, com a cerimônia marcada para novembro, em Los Angeles. Em São Paulo, o público terá a oportunidade de ouvir em sequência dois álbuns que somam pouco mais de uma hora, mas deixaram uma influência que atravessa quase cinco décadas. A apresentação será realizada pela Reddoor Agency, com ingressos disponíveis pela Ticket360. Serviço Peter Hook & The Light – “Unknown Pleasures” & “Closer”Data: 9 de março de 2027Local: Audio – Av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, São PauloAbertura da casa: 20hShow: 21h30Ingressos: a partir de R$ 120Vendas: Ticket360Classificação: 18 anos
The Town 2027 terá Slipknot e Marilyn Manson no palco principal

O Slipknot é o primeiro headliner confirmado para o The Town 2027. A banda de Iowa será a principal atração do palco Skyline em 4 de setembro, data que terá ainda Marilyn Manson no mesmo palco e será dedicada ao rock e ao metal. Segundo a organização, a apresentação do Slipknot será a única do grupo no Brasil durante sua nova turnê mundial. A confirmação marca também a estreia do Slipknot no The Town, embora a relação da banda com os festivais organizados pela Rock World venha de longa data. O grupo passou pelo Rock in Rio em 2011 e 2015 e agora levará para Interlagos um novo espetáculo, incluindo cenografia desenvolvida para a turnê de 2027. O show acontece em uma fase de mudanças na trajetória do grupo. Em 2024, o brasileiro Eloy Casagrande assumiu a bateria, juntando-se a Corey Taylor, Mick Thomson, Jim Root, Shawn “Clown” Crahan, Alessandro Venturella e Michael Pfaff. Já em 2026, a banda apresentou Arsenal, seu primeiro single inédito desde 2022, abrindo caminho para um novo ciclo após as comemorações pelos 25 anos do álbum de estreia. Marilyn Manson também fará sua primeira apresentação no The Town. Um dos principais nomes do rock industrial surgido nos anos 1990, o músico construiu sua carreira com discos como Antichrist Superstar e Mechanical Animals e chegará ao festival durante a fase de One Assassination Under God – Chapter 2, lançado em agosto de 2026. A presença dos dois nomes no mesmo dia promove ainda um reencontro curioso. Slipknot e Marilyn Manson já dividiram uma grande turnê norte-americana em 2016, quando excursionaram juntos com o Of Mice & Men. Dez anos depois, os dois voltam a aparecer no mesmo evento, agora diante do público brasileiro. O The Town 2027 será realizado nos dias 4, 5, 6, 11 e 12 de setembro, novamente no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Tom Morello reúne todas as suas facetas em “Everyone Gets Everything They Want”

É praticamente impossível ouvir um disco de Tom Morello sem esperar aquele momento em que a guitarra vai soar como qualquer coisa, menos uma guitarra. Esse é o tamanho do legado que ele construiu no Rage Against the Machine. Em “Everyone Gets Everything They Want”, porém, Morello parece determinado a provar que existe muito mais em seu repertório. O problema é que, ao tentar colocar todas essas versões de si mesmo dentro de um único álbum, ele entrega um trabalho interessante, corajoso e bastante irregular. O disco passa por blues, folk, hard rock, hip hop, eletrônico, punk e metal sem pedir muita licença. A faixa-título já quebra expectativas ao trazer Morello cantando com aquele vozeirão grave que lembra bastante Johnny Cash. Depois, “Adjourn It” coloca Serj Tankian no microfone e imediatamente nos leva para um território muito mais familiar. Aqui aparece aquele Morello que transforma riffs simples em algo enorme, e a química com Serj funciona tão naturalmente que é difícil não pensar que os dois poderiam fazer muito mais juntos. Talvez o grande problema de “Everyone Gets Everything They Want” esteja justamente aí. Quando uma música começa a criar uma identidade, a próxima frequentemente parece pertencer a outro álbum. Não é necessariamente ruim, mas falta aquela sensação de obra fechada. Em alguns momentos, parece menos um disco e mais uma coletânea de tudo que Morello gosta de fazer. Isso explica por que as críticas estão tão divididas: há quem enxergue versatilidade nessa mistura, o que é o meu caso, mas há quem veja falta de direção. “Unconquered”, com o Kneecap, é provavelmente onde essa mistura funciona melhor, principalmente porque Morello os colocou como o novo Rage Against The Machine. A faixa coloca uma pulsação eletrônica quase The Prodigy ao lado do rap confrontador dos irlandeses e abre espaço para o guitarrista fazer aquilo que sabe como poucos: aparecer com a guitarra sem precisar transformar a música em uma demonstração técnica. É pesada, estranha e urgente. Curiosamente, justamente quando ele se distancia do rock mais convencional é que encontramos alguns dos momentos mais interessantes do álbum. Também gosto bastante da ideia de “Date Night”. Morello transforma em música a história real de jovens holandesas que participaram da resistência contra os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. É o tipo de tema que combina perfeitamente com um músico que nunca tentou esconder suas posições políticas. Aliás, quem esperava que Morello estivesse mais moderado aos 62 anos pode esquecer. A política continua sendo parte inseparável de sua música, passando por antifascismo, imigração, resistência e solidariedade. “Everything Burns”, com Caleb Shomo, do Beartooth, vai para o outro extremo e entrega um dos refrões mais imediatos do álbum. “Soldier in the Army of Love” mistura gospel, country, rap e hard rock, enquanto “The Last Rung on the Ladder” e “They Can’t Kill Us All” recuperam diretamente o Morello folk que conhecemos no The Nightwatchman. São músicas que deixam claro que este não é exatamente um álbum feito para quem simplesmente queria ouvir 12 variações de “Bulls on Parade”. Outro elemento importante é Roman Morello. O filho de Tom, com apenas 15 anos, aparece nos créditos de composição de cinco músicas. Há algo bastante interessante nessa relação porque “Everyone Gets Everything They Want” acaba funcionando também como um encontro entre gerações. Em vez de simplesmente tentar reproduzir aquilo que fez nos anos 1990, Morello abre espaço para referências e estruturas mais próximas da música pesada atual. E talvez seja justamente por isso que eu tenha uma relação tão dividida com o disco. Quando funciona, funciona muito. “Adjourn It” e “Unconquered” mostram que Tom Morello ainda consegue soar absolutamente único quando encontra o parceiro e o contexto certos. Em outros momentos, algumas músicas parecem genéricas demais para alguém que passou a carreira inteira fazendo justamente o contrário. “Everyone Gets Everything They Want” não é o disco definitivo de Tom Morello, mas também seria injusto esperar que, mais de 30 anos depois, ele continuasse tentando recriar o Rage Against the Machine, ele não precisa disso. É um álbum de alguém que já não precisa provar que é um dos guitarristas mais inventivos de sua geração e, por isso mesmo, resolveu brincar com tudo que gosta. Às vezes acerta em cheio, outras nem tanto. Mas prefiro um Tom Morello inquieto e tentando coisas diferentes do que simplesmente vivendo de repetir os riffs que mudaram o rock nos anos 1990.
Vitor Isensee retoma carreira solo com o single “Amanhece o Dia”

Vitor Isensee, fundador do Forfun e atualmente integrante do BRAZA, está de volta à carreira solo com “Amanhece o Dia”. Lançado pela Deck, o single é a primeira amostra de um novo trabalho previsto para outubro e recupera o lado mais melódico e intimista do compositor. “Amanhece o Dia” parte de uma imagem simples, o início de uma nova manhã, para abordar passagem do tempo, cotidiano e a possibilidade de recomeçar. A composição integra um conjunto de músicas acumuladas por Isensee ao longo dos últimos dez anos, período marcado por diferentes fases de sua trajetória artística. “É uma música que representa bem o astral do álbum que vem aí. Letra simples e direta, com essa coisa da aurora da manhã e as promessas que se renovam”, explica o músico. A produção ficou por conta de Júlio Raposo, com coprodução do próprio Isensee. O lançamento também representa uma retomada da produção solo do artista. Em 2019, sob o nome Izenzee, ele apresentou “Vida E Nada Mais”, álbum que contou com participações de Duda Beat, Luê, Morcego e Castello Branco e mostrou uma vertente diferente daquela explorada em seus trabalhos com bandas. A trajetória de Isensee, porém, permanece diretamente associada ao rock brasileiro das últimas duas décadas. Ele integrou o Forfun desde sua formação, em 2001, até o encerramento das atividades em 2015, participando da transformação do grupo em um dos nomes de referência de sua geração. Posteriormente, seguiu ao lado de Danilo Cutrim no BRAZA, ampliando a mistura de rock, reggae, rap e música brasileira. Com “Amanhece o Dia”, Vitor Isensee abre agora mais uma frente dessa trajetória. O single já está disponível nas plataformas digitais e funciona como primeiro passo para um projeto que recupera composições guardadas durante uma década e transforma pequenas experiências cotidianas em canções.
Rochelle Jordan recruta Kaytranada para remix de “TTW” antes de show no Brasil

A canadense Rochelle Jordan lançou “TTW (Kaytranada Remix)”, nova versão de uma das faixas de “Through The Wall”. A música abre oficialmente “Disc 3”, terceiro capítulo de um projeto dividido em cinco partes que entrega o repertório do álbum a diferentes produtores. O EP completo chega em 9 de outubro, um dia antes da apresentação da cantora no ZIG Festival 2026, em São Paulo. Na releitura, Kaytranada leva “TTW” para seu território característico, combinando os vocais de Rochelle com grooves sincopados e uma abordagem voltada à pista. O produtor canadense é um dos principais nomes envolvidos em “Disc 3”, que contará ainda com TOKiMONSTA remixando “The Boy” e Mirasia assumindo “On 2 Something”. O projeto começou com “Disc 1”, que reuniu Honey Dijon, Ron Trent, Hallogenix e KLSH. Na sequência, “Disc 2” trouxe versões assinadas por Chad Hugo, Terry Hunter, Shanti Celeste e Bianca Oblivion. A ideia é ampliar progressivamente o universo de “Through The Wall” por meio de diferentes interpretações da música eletrônica, R&B e club music. A nova fase acontece também depois de Rochelle ser convidada por Mariah Carey para participar do remix oficial de “Didn’t Mean To Turn You On”, lançado dentro das comemorações relacionadas aos 25 anos da trilha sonora de “Glitter”. A colaboração acrescenta mais um nome importante à lista de conexões construídas pela canadense ao longo da carreira. Com mais de 500 milhões de streams acumulados globalmente, Rochelle Jordan chega ao Brasil para se apresentar no ZIG Festival em 10 de outubro, em São Paulo. A passagem acontece imediatamente depois do lançamento de “Disc 3” e em paralelo a uma turnê norte-americana ao lado de Suki Waterhouse. “TTW (Kaytranada Remix)” já está disponível nas plataformas digitais pela EMPIRE, enquanto “Disc 3” será lançado integralmente em 9 de outubro.
Aurora abre os arquivos do primeiro álbum em “The Moth Tapes”

Dez anos depois de apresentar seu universo ao mundo com “All My Demons Greeting Me As A Friend”, AURORA retorna às origens com “All My Demons Greeting Me As A Friend (The Moth Tapes)”. A nova edição de seu álbum de estreia reúne demos, gravações alternativas e materiais produzidos no início da carreira, incluindo a inédita “Let Me Heal You (demo)”. Lançado originalmente em 2016, “All My Demons Greeting Me As A Friend” estabeleceu boa parte dos elementos que acompanhariam a norueguesa nos anos seguintes. Natureza, humanidade, fantasia, escuridão e vulnerabilidade já apareciam em músicas como “Running With The Wolves” e “Runaway”, que agora ganham versões alternativas recuperadas dos arquivos da artista. Entre as descobertas está “Let Me Heal You”, composição que AURORA relaciona diretamente à maneira como enxerga a própria música. “Sempre considerei a música como um remédio, e o álbum inteiro trata de enfrentar seus próprios demônios antes de poder ajudar outra pessoa a afastar os dela”, explica. Para a cantora, tentar cuidar dos outros antes de conseguir lidar consigo mesmo pode levar ao esgotamento. “The Moth Tapes” foi montado a partir de gravações intimistas, demos e outros registros produzidos durante o período de criação do primeiro álbum. O material recupera também a participação de colaboradores importantes na formação de sua identidade musical, entre eles Magnus Skylstad, Odd Martin, Michelle Leonard e Sacha Skarbek. A retrospectiva acontece enquanto uma das músicas daquele período vive um novo momento. “Runaway”, lançada originalmente em 2015 e redescoberta mundialmente em 2021, voltou a crescer nas plataformas em 2026 e registrou recentemente seu maior dia de streaming desde a primeira explosão viral. A faixa também reapareceu entre as músicas mais identificadas pelo Shazam em diferentes países. A trajetória da canção acompanha de certa forma a própria transformação de AURORA. Da adolescente que escrevia músicas em uma pequena cidade norueguesa, ela passou a ocupar grandes arenas e construiu uma comunidade internacional de fãs conhecida como Warriors & Weirdos. Disponível também em uma edição especial em vinil inspirada em mariposas, “The Moth Tapes” integra as comemorações pelos dez anos de “All My Demons Greeting Me As A Friend”. Mais do que reeditar o álbum, o projeto mostra versões ainda em formação das ideias que acabariam definindo a carreira de AURORA.
Nickelback explora vulnerabilidade no novo single “Make Me Love You”

O Nickelback lançou “Make Me Love You”, terceiro single de “Everything Under The Sun”, novo álbum de estúdio da banda canadense, previsto para 30 de outubro pelo Virgin Music Group. Depois do peso de “Rattle The Cage” e do tom emocional de “Leave Me Behind”, a faixa apresenta outra faceta do disco ao abordar a insegurança que acompanha o início de um relacionamento. “Make Me Love You” trabalha justamente com o momento em que se permitir gostar de alguém também significa aceitar a possibilidade de se machucar. A letra explora vulnerabilidade e medo diante de um novo romance, colocando o desejo de criar uma conexão em conflito com as experiências que fazem alguém manter suas defesas. A música amplia também o panorama apresentado até agora para “Everything Under The Sun”. “Rattle The Cage”, que conta com participação de John 5, apostou em guitarras mais pesadas e energia de arena, enquanto “Leave Me Behind” abordou lealdade e resiliência. O novo single desloca o foco para uma composição mais pessoal e introspectiva. Essa variedade ajuda a explicar o título escolhido para o álbum. A proposta de “Everything Under The Sun” é percorrer diferentes experiências e sonoridades, alternando grandes refrões característicos do Nickelback com momentos mais íntimos. O trabalho será o primeiro álbum do grupo desde “Get Rollin’”, lançado em 2022. Formado em Hanna, na província canadense de Alberta, o Nickelback atravessa mais de três décadas de carreira e soma quase 60 milhões de álbuns vendidos mundialmente. A banda também ganhou um novo olhar sobre sua trajetória nos últimos anos com o documentário “Hate to Love: Nickelback”, que abordou tanto o enorme sucesso comercial quanto a rejeição que acompanhou o grupo durante parte de sua história. “Everything Under The Sun” chega, portanto, em um período de renovada exposição para o Nickelback. Com três músicas já apresentadas, a banda começa a desenhar um álbum que procura equilibrar o rock de arena responsável por seus maiores sucessos com letras mais pessoais e diferentes níveis de intensidade.