Entrevista | Rafael Witt – “Fui escolhido pelo próprio Lumineers. Foi um sonho que virou realidade”

Hoje começa no Rio de Janeiro um dos momentos mais simbólicos da trajetória de Rafael Witt. O cantor e compositor gaúcho dá início nesta terça-feira (22) à série de apresentações como atração de abertura da turnê brasileira do The Lumineers, com show no Vivo Rio. A participação de Witt nos três concertos da banda no país, que ainda passa por Curitiba e São Paulo, nasceu de uma mobilização nas redes sociais: após publicar um vídeo no Instagram pedindo a oportunidade, o artista viu sua comunidade de fãs impulsionar a campanha com centenas de comentários e compartilhamentos, movimento que chamou a atenção da produção da turnê. Mais do que um passo importante na carreira, a abertura dos shows carrega um peso afetivo e artístico. Foi justamente no indie-folk de The Lumineers e Mumford & Sons que Witt encontrou algumas de suas principais referências ainda na adolescência. Agora, a influência que ajudou a moldar sua identidade musical se transforma em realidade no palco, em uma conexão direta entre formação artística e projeção profissional. O momento também reforça a consolidação de seu nome dentro do circuito folk contemporâneo, após passagens recentes por turnês ao lado de Seafret e Hollow Coves no Brasil. Natural de Caxias do Sul, Rafael Witt vem construindo carreira de forma independente, com turnês pelo Brasil, Europa e América do Norte, além de números expressivos nas plataformas digitais. Seu álbum Wanderer, lançado em 2024, já ultrapassa 1,5 milhão de streams no Spotify, consolidando uma trajetória marcada por composições em inglês, forte apelo autobiográfico e temas como pertencimento, transformação e deslocamento. A estreia da turnê com The Lumineers nesta noite, no Rio, marca um capítulo decisivo e emblemático para o artista. Como surgiu a campanha para abrir o show do The Lumineers e como foi receber a notícia? Foi muito engraçado. Eu tenho essa tradição na minha carreira, desde o início, de compartilhar com os fãs os meus sonhos e vontades. Algumas coisas se concretizam, outras ainda não, mas a galera já está acostumada com a minha cara de pau de simplesmente dizer: “gente, eu quero isso, vamos ver se a gente consegue fazer acontecer”. Nesse caso, eu tive a audácia de gravar um vídeo bem produzido, falando em inglês diretamente para o Lumineers. Quase como um portfólio. Eu mostrei tudo o que já fiz, os shows que já abri, as cidades em que tenho público, as turnês na Europa e nos Estados Unidos, além de reforçar que meu som tem tudo a ver com eles. Inclusive mostrei um vídeo meu, com 14 anos, tocando uma música da banda. Pedi para a galera comentar, marcar o Lumineers e a Live Nation, e o vídeo acabou ganhando uma repercussão enorme. Duas semanas depois, recebi a mensagem da Live Nation perguntando se eu tinha as datas disponíveis. Falei brincando “Deixa eu olhar na minha agenda” (risos). Claro que eu tinha. Depois veio a confirmação de que eu tinha sido escolhido pelo próprio Lumineers. Foi um sonho de infância que começou na internet e virou realidade. Que conselho você daria para bandas e artistas que estão começando e sonham com oportunidades como essa? Eu acho que o principal é desenvolver a carreira de forma consistente. Não basta só querer estar naquele palco, você precisa estar preparado para isso. No meu caso, eu cuido muito das composições, da qualidade dos vídeos, da apresentação ao vivo e do meu posicionamento como artista autoral. Também acho importante jogar os sonhos para o universo. Falar sobre eles, compartilhar, fazer acontecer. Às vezes as pessoas têm vergonha de pedir, de tentar. Eu nunca tive isso. Mas claro que não é só pedir: você precisa mostrar que merece estar ali. No fim, a banda e a produção fazem uma curadoria, então tem que fazer sentido artisticamente. Como está sendo a preparação para abrir o maior show da sua carreira? Como você monta o setlist? Estou muito animado e, ao mesmo tempo, nervoso. É o maior palco em que já subi na vida. Acho que o palco é maior do que todos os shows que já fiz somados. Isso exige muita concentração e muita dedicação. Mas eu levo isso com humor. Nos shows de abertura, sempre falo para o público que sei que eles não foram ali para me ver, mas que já estão presentes e podem curtir aquele momento. Acho que essa honestidade aproxima as pessoas. Também preparei algumas surpresas no repertório, incluindo um cover inesperado de “Lose Yourself”, do Eminem, em uma versão bem diferente. É sempre um momento divertido e ajuda a quebrar o gelo. Além de Lumineers e Mumford and Sons, quais são as principais influências do seu trabalho? No meu som, as maiores referências são The Lumineers, Mumford & Sons e Of Monsters and Men. Também tem muita influência de Ed Sheeran, John Mayer e até de Taylor Swift. Mas quando eu era mais novo, era muito ligado ao rock e ao metal. Ouvi muito Metallica, Slipknot e Linkin Park. Acho que isso também aparece de alguma forma na minha identidade musical. Suas músicas são bem intimistas, como funciona o seu processo de composição? As histórias são verdadeiras e autobiográficas? Ele é muito autobiográfico. Eu comecei a escrever músicas como uma forma de terapia. Escrevia em inglês porque tinha vergonha de expor exatamente o que estava sentindo para as pessoas próximas. Sempre foi uma forma muito honesta de colocar para fora inseguranças, medos, amores, transformações pessoais e momentos difíceis. As músicas falam muito sobre a minha vida, sobre relações e sobre esse processo de amadurecimento. Pode dar um exemplo de história para gente? Eu escrevi “Space and Time” no começo de um relacionamento. Essa história é até engraçada e meio dolorida ao mesmo tempo. Eu sempre brinco que vou ter que tocar essa música pelo resto da minha vida e, inevitavelmente, lembrar da minha ex-namorada, porque é a música que as pessoas mais gostam e sempre pedem nos shows. Naquele momento, eu vinha de uma fase em que não queria me apaixonar de novo. Eu
Entrevista | Fresno – “Carta de Adeus é um disco de canções que tem um quê de confortável pensando no fã”

A Fresno viveu um momento marcante no último sábado (18), ao transformar o Espaço Unimed, em São Paulo, no palco de lançamento de seu novo álbum, Carta de Adeus. Em uma proposta não usual na trajetória da banda, o trio apresentou o disco ao vivo e na íntegra antes mesmo de seu lançamento nas plataformas digitais, oferecendo ao público a primeira audição coletiva das novas faixas. A noite também serviu como estreia oficial da nova turnê, que inaugura mais um capítulo nos 27 anos de carreira do grupo. O show foi pensado como uma experiência imersiva, reforçando a relação histórica da banda com os fãs. Além das músicas inéditas, o repertório passeou por clássicos que ajudaram a consolidar a identidade da Fresno ao longo das décadas. A proposta de lançar o álbum diretamente no palco ampliou o peso emocional da apresentação, transformando a estreia em um evento único para quem acompanhou a noite. O conceito do disco, centrado no processo humano da criação artística, também se refletiu no espetáculo, que valorizou a organicidade da música e a conexão direta com o público. Quem ouviu o novo álbum também pode observar uma forte referência aos anos 80 e, inclusive, teve processos de gravação no formato analógico. Com Carta de Adeus, a banda liderada por Lucas Silveira reafirma sua maturidade criativa e aposta em uma sonoridade que dialoga com nostalgia, emoção e novas possibilidades estéticas. A apresentação no Espaço Unimed consolidou esse novo momento, unindo a força do repertório inédito à memória afetiva construída ao longo dos anos com sua base de fãs, hoje formada por diferentes gerações. Nossa correspondente Fernanda Santana bateu um papo com a Fresno ainda no Espaço Unimed e trouxe a visão do trio em relação ao novo álbum. O público da Fresno hoje é mais velho do que no início da carreira, e esse novo álbum transmite uma grande sensação de maturidade. Há também elementos que remetem aos anos 80. O que inspirou esse trabalho? Lucas – Se uma banda com uns malucos de 40 anos fizer um álbum imaturo, tu pode acabar a banda, né? Eu acho que a maturidade vem com o tempo, e ela não pode ser um bagulho do tipo “vamos fazer um disco maduro”. Não é assim. A gente vai evoluindo, vai florescendo. Diferentemente de uma fruta, a gente vai só evoluindo mesmo. A coisa dos anos 80 veio porque a gente decidiu incorporar coisas com as quais cresceu ouvindo, e não necessariamente só bandas atuais que a gente gosta. Hoje também temos acesso a timbres e sonoridades que talvez há dez anos a gente nem soubesse fazer. É um disco de canções que tem um quê de confortável pensando no fã da banda. Para mim, tem elementos musicais que, assim como na comida, funcionam como um temperinho com gosto de vó. Nesse disco tem um pouco disso. A pessoa se sente em casa com um timbre de guitarra menos processado, que às vezes lembra coisas mais antigas, e a gente se colocando dentro dessa linguagem faz com que as músicas falem de uma forma diferente. Quais bandas e artistas serviram como referência para esse álbum? Lucas – Eu cresci indo em festas onde tocavam Legião Urbana, Plebe Rude, The Smiths, Joy Division e New Order. Depois, um pouquinho mais velho, todo mundo aqui via muita novela, então tem muita coisa incrível que tocou em novela e que a gente gosta bastante. Guilherme Arantes, para mim, é um dos maiores compositores do Brasil. Mesmo a gente gostando de algumas bandas de rock mais moderno, de coisas meio metal, a gente se baseia muito também em coisas que crescemos ouvindo, em referências que são universais. Vavo – Eu discordo da parte de que eu assisti muitas novelas, isso não é verdade. Mas eu conheço as músicas das novelas, isso eu acompanhei muito, porque elas ultrapassavam a novela. Elas chegavam até a gente de outras formas. Se Carta de Adeus fosse “irmão” de outro álbum da Fresno, qual seria? Lucas – Cara, são todos nossos filhos, então são todos irmãos. Eu acho que nessa nossa última passada de discos, desde Sua Alegria Foi Cancelada, são discos que eu considero bem irmãos. Enquanto banda, como pais da obra, a gente não consegue fazer muito essas relações de qual disco bate de qual maneira, porque a gente não consegue ouvir da mesma forma que um fã ouve, que sente as conexões de outro jeito. Eu já vi fãs relacionando esse disco até com trabalhos que não têm muito a ver, e às vezes eu nem sei de onde eles tiram isso. Mas eu não consigo responder de uma maneira totalmente satisfatória porque, para mim, todos fazem parte de uma mesma linhagem. Vavo – Eu vejo mais como Pokémon. Um é a evolução do outro, não necessariamente irmãos. Gostou da minha referência? Guerra – Acho que é isso mesmo. Existe uma linha que une todos, principalmente na escrita, nas canetadas do Lucas. Essa identidade foi sendo construída ao longo do tempo. Vejo como um processo evolutivo de dois ou três discos, uma fase que vai se transformando naturalmente. Setlist do Show de lançamento de Carta de Adeus Parte 1 Parte 2
From Ashes To New abraça de vez o metal moderno e o nu metal no novo álbum Reflections

Com o lançamento de Reflections na última sexta (17), o quinto álbum de estúdio do From Ashes To New reforça a posição dos norte-americanos como um dos nomes mais consistentes do nu metal moderno e do metal moderno de apelo radiofônico. Longe de ser um disco de reinvenção, o trabalho aposta na consolidação de uma identidade já bem definida: riffs densos, bases eletrônicas, versos em rap e refrões construídos para grandes palcos. O resultado é um álbum que funciona pela eficiência e pela continuidade de manter sua essência. A abertura com “Drag Me” deixa clara essa proposta. A faixa começa com um impacto imediato, apoiada em texturas eletrônicas e um groove que remete ao metalcore contemporâneo. O contraste entre o vocal melódico de Danny Case e a entrega mais agressiva de Matt Brandyberry sustenta a música, especialmente no refrão, que tem clara vocação de single. Há um breakdown central que adiciona peso real à faixa e impede que ela se torne apenas mais uma canção de metal alternativo. É uma música pensada para o ao vivo, com refrão de destaque e um andamento feito para conquistar o público nos primeiros acordes. Na sequência, “Villain” surge como uma das composições mais interessantes do álbum. Aqui, a banda aprofunda uma atmosfera mais sombria e trabalha uma narrativa de ambiguidade moral, explorando o fascínio pelo caos e pela autodestruição. A música tem um acabamento mais sofisticado, com camadas eletrônicas e uma dinâmica que se aproxima do que nomes como Linkin Park e Bring Me the Horizon fizeram em suas fases mais acessíveis. É uma das faixas que melhor traduz o conceito de Reflections: olhar para dentro, confrontar os próprios impulsos e aceitar o lado escuro da personalidade. O meio do disco ganha força com “Black Hearts” e “Upside Down”, talvez os momentos em que o From Ashes To New melhor equilibra agressividade e apelo comercial. “Black Hearts” aposta em riffs mais rápidos e numa progressão que culmina em um breakdown pesado, enquanto “Upside Down” adiciona um tom emocional mais evidente sem perder a tensão instrumental. São faixas que demonstram maturidade na composição e ajudam a evitar que o álbum se torne apenas uma coleção de singles previsíveis. Há também bons destaques na reta final. “New Disease” trabalha uma crítica à fadiga geracional e ao desgaste provocado pela cultura digital, tema que a banda aborda com um viés mais cínico e contemporâneo. Já “Darkside” mergulha em um território mais introspectivo, com clima quase industrial, enquanto “Your Ghost” encerra o álbum em tom melancólico, trazendo um peso emocional que amplia a experiência do disco. O fechamento funciona justamente por não buscar uma resolução fácil, mas sim uma sensação de permanência do conflito interno apresentado ao longo das 12 faixas. Do ponto de vista crítico, Reflections acerta ao refinar a sonoridade do grupo e manter sua consistência com versos em rap, explosão melódica no refrão, ponte eletrônica e breakdown programado. O disco entrega exatamente o que seu público espera, com produção forte, refrões memoráveis e peso suficiente para manter a identidade da banda intacta.
Entrevista | Lúcio Maia – “A confiança do Chico Science foi decisiva para que eu continuasse”

Lúcio Maia abre um novo capítulo da carreira solo com o lançamento de seu segundo álbum, disponibilizado nesta quinta-feira (16). O fundador e ex-guitarrista da Nação Zumbi apresenta um trabalho instrumental que mergulha em psicodelia, futurismo e diferentes atmosferas sonoras, ampliando ainda mais a identidade que construiu ao longo de décadas na música brasileira. O disco traz faixas como “Cogumelo de Vidro”, “Qítara”, “Fetish Motel” e “Tábua das Horas”, combinando texturas eletrônicas, riffs densos e uma abordagem cinematográfica. Em alguns momentos, o álbum flerta com o noir sessentista; em outros, aproxima baião, funk e ambiências psicodélicas, reforçando a proposta de um trabalho que se move entre tradição e futuro. Produzido pelo próprio Lúcio Maia, o álbum conta com mixagem de Mario Caldato Jr. e Daniel Ganjaman, além da participação de Arquétipo Rafa, Marco Gerez e Pedro Regada. O resultado é um disco que evidencia não apenas a assinatura de sua guitarra, reconhecível desde os tempos do manguebeat, mas também a inquietação artística de um músico que segue explorando novos territórios sonoros. Na história, o guitarrista foi um dos arquitetos da sonoridade que ajudou a projetar o manguebeat para o mundo. Sua guitarra foi peça central em discos fundamentais como Da Lama ao Caos e Afrociberdelia, obras que redefiniram os limites entre rock, maracatu, dub, funk e música eletrônica nos anos 1990, mesmo que o reconhecimento tenha sido tardio, como ele lembra. Além da trajetória com a banda, o músico também consolidou uma carreira paralela em projetos solo, trilhas sonoras para cinema, teatro e televisão, passando por trabalhos como Baile Perfumado, Amarelo Manga e Linha de Passe. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Lúcio Maia falou sobre o lançamento do novo álbum, a evolução de seu timbre ao longo das décadas, o motivo da saída da Nação Zumbi e a expansão de sua carreira para o cinema e as trilhas sonoras. É a primeira vez que eu falo com um artista que está lançando o álbum no dia. Como são essas primeiras horas e as primeiras impressões? Cara, eu acho que devo ter lançado uns 15, 20 discos na vida. Na real, para mim, o dia do lançamento é mais como um nascimento. A história começa a ser contada dali para frente. Então, falar do disco no dia em que ele já está nascido, com a criança já no mundo, é mais legal porque as pessoas podem ir ouvir imediatamente. Com a internet trazendo informação freneticamente 24 horas por dia, você avisa que vai lançar um disco e, no dia seguinte, muita gente já esqueceu. Por isso, eu prefiro falar quando ele já está na plataforma. A pessoa ouve e a conversa acontece no mesmo instante. O álbum traz uma fusão que vai de Pink Floyd ao baião. Como foi construir essa mistura e quais são seus objetivos de carreira neste momento? Isso nunca foi planejado. A música sempre flui de forma natural para mim. Eu nasci em Recife, cresci ouvindo a música pernambucana e Luiz Gonzaga. Depois vieram Iron Maiden, Black Sabbath, Led Zeppelin, James Brown, Isaac Hayes, drum and bass, house. Tudo isso vai entrando espontaneamente. Na hora de compor, as coisas se encaixam. Eu nunca sentei para pensar “agora vai virar baião” ou “agora vai soar reggae”. Vai acontecendo. Para mim, inclusive, reggae e baião têm uma sensação muito próxima, quase a mesma pulsação. Sua guitarra tem uma identidade muito marcante. Como você enxerga a evolução do seu timbre desde os anos 1990? Eu vejo isso como a minha digital musical, meu RG. É uma dádiva você ter uma identidade própria. Desde as demos que gravei ainda adolescente em Recife, isso já estava ali. Hoje, claro, com mais recursos e equipamentos, o timbre evoluiu, mas o DNA continua o mesmo. Eu nunca fui um cara preocupado em imitar alguém. Sempre preferi seguir meu instinto e preservar essa assinatura. Você comentou sobre seguir o seu instinto ao longo da carreira. Em algum momento do início você imaginava que se tornaria um dos guitarristas mais premiados da música brasileira? De forma alguma. Quando comecei a tocar, ali com 14, 15, 16 anos, eu nunca me enxerguei como alguém que fosse me profissionalizar. Na verdade, eu nem me achava um grande guitarrista. Sempre me considerei um músico regular, e não alguém tecnicamente impressionante. Quem teve um papel fundamental nisso foi o Chico. Ele sempre me incentivou muito e dizia que eu tinha alguma coisa diferente. Eu respondia que não sabia exatamente o que era, e ele dizia que isso não importava, que eu precisava seguir esse feeling. Essa confiança dele foi decisiva para que eu continuasse. A vida inteira eu fui muito movido por instinto e sensibilidade. Nunca foi sobre virtuosismo ou técnica pela técnica. Foi sempre sobre identidade, sobre ter uma voz própria na guitarra. Acho que, olhando para trás, uma das coisas mais certas que fiz foi confiar nisso. Muitos guitarristas estão abandonando amplificadores e migrando para setups em linha ao vivo. Como está o seu equipamento hoje? Eu sempre fui muito ligado ao analógico e ainda sou um cara do amplificador. Prefiro gravar com ampli. Mas a tecnologia evoluiu demais. Hoje uso bastante impulse response porque consigo levar para o palco praticamente o mesmo som do estúdio, sem depender da estrutura do lugar. Para quem toca no circuito alternativo, isso é uma liberdade enorme. Você comentou que, durante a pandemia, ampliou sua atuação para trilhas, teatro e outros projetos. Em que momento veio a decisão de sair da Nação Zumbi e buscar esse novo formato de carreira? Isso aconteceu muito durante a pandemia. Eu dei uma desencanada de viajar e estava de saco cheio de turnê, de ficar esperando empresário arrumar show, de depender dessa engrenagem toda. Também estava cansado da dinâmica de banda, de precisar conciliar agenda, negociar datas, esperar um ou outro poder viajar. Depois de 30 anos fazendo a mesma coisa, aquilo começou a me tolher criativamente. Chegou um momento em que eu percebi que não queria mais viver nessa dependência. Eu sempre fui
Entrevista | Daniel Gnatali – “Separei o álbum em 2 EPs para explorar os conceitos de cada um”

Daniel Gnatali lançou nesta sexta-feira (17) o EP “Antes do sol”, primeiro capítulo de um projeto dividido em duas partes que será concluído ainda este ano com “Manhã de festa”. O novo trabalho apresenta seu lado mais introspectivo, reunindo canções que transitam entre o folk-pop, o rock sessentista e a MPB, em uma atmosfera marcada por delicadeza e mistério. Descrito pelo artista como uma espécie de sonho envolto em névoa, o EP funciona como uma “pré-revelação” de um percurso maior. Faixas como “Ventre a luz do mundo”, que conta com participação especial de Nina Becker, e “Estação”, com sua leveza country-rock, ajudam a construir essa sensação de suspensão. Já “Dear to Me” e “Lady Lo” resgatam composições iniciadas ainda no começo dos anos 2010 e finalizadas agora em estúdio, reforçando a conexão do repertório com referências como The Beatles e The Beach Boys. O encerramento fica por conta de “Quando me mudei”, faixa que funciona como ponte entre os dois EPs. Ancorada no rock brasileiro dos anos 1970, a música aborda a mudança de Gnatali para Visconde de Mauá como metáfora de autoconhecimento e transformação. O artista aponta a canção como elo entre o universo rarefeito de “Antes do sol” e a concretude luminosa que será explorada em “Manhã de festa”, descrito por ele como a “descida da cachoeira para o mar”. Produzido por Antonio Guerra, amigo de infância do compositor, o projeto evidencia a assinatura autoral de Gnatali ao unir folk, samba, forró, rock e balada pop sob uma mesma perspectiva poética. Com influências familiares que passam pela Jovem Guarda, pelos Beatles e pela herança musical do maestro Radamés Gnattali, o músico assume a dualidade como essência criativa. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o músico detalhou o lançamento e o futuro da carreira. Como surgiu a ideia de transformar esse repertório em dois EPs, começando por “Antes do sol”? Foi uma ideia do Kassin. Um pouco antes da mix eu mostrei o disco pra ele e trocamos uma ideia. Eu queria muito lançar em um disco inteiro, só pela sensação de dizer “lancei um disco”. Mas fui conversar com ele justamente pra ter um parecer de quem tem experiência. E a sugestão de dividir o repertório fez muito sentido, pois já mostrava duas estéticas muito marcantes, com boas composições, mas cada uma à sua maneira. Daí entre lançar um disco “duplo” nas plataformas, preferi separar em 2 EPs para explorar os universos e trabalhar melhor os conceitos de cada um. E a dualidade é um conceito que permeia tudo na vida. O que diferencia emocional e musicalmente os dois trabalhos e o que o público pode esperar em “Manhã de festa”? ANTES DO SOL é um início. Ele representa o que ainda não foi revelado, que está em desvelo. As atmosferas das canções são oníricas, sugerindo esse lugar onde o sonho e a realidade se confundem, entre memórias e projeções. Nesse preambulo do despertar, as letras falam de nascimento e pulsão de vida, mas também de nostalgia e resignação, sentimentos que são opostos complementares, como saudade e esperança – por vezes sentidos ao mesmo tempo. Mas entre a dúvida e a sublimação do mistério, os contornos são otimistas, dando ao EP um caráter contemplativo, onde a dor e a alegria convivem em paz. Em MANHÃ DE FESTA o volátil dá lugar à matéria, deixando o campo do sonho e indo para o corpo, a expressão terrena. Enquanto a primeira parte é marcada por uma identidade folk, sessenta e setentista, a segunda parte aterra na MPB com sambas, groove e forró. Como foi o trabalho de produção ao lado de um amigo de infância? Foi mais fácil trabalhar dessa maneira? Foi muito mais fácil e prazeroso. O campo da intimidade pode ajudar ou atrapalhar, mas temos muito respeito um pelo outro e carinho por essa amizade. A arte de estabelecer e aceitar limites sem stress é uma que conseguimos dominar rs. O Antonio é um excelente profissional e um grande amigo. Além dos arranjos fantásticos que ele escreveu, nosso bate-bola (que já era bom desde a escolinha de futebol) deu muito certo. E esses encontros enveredavam também por conversas filosóficas. Eu estava voltando pro Rio depois de morar 4 anos em Visconde de Mauá (onde escrevi “Quando me mudei”) e foi ótimo pra mim ter essa amizade nesse processo. E também, como estreante na música, poder ouvir conselhos de um amigo experiente. Show em Maio Daniel Gnatali sobe ao palco do Fino da Bossa dia 06 de maio com o show “Pássaro Noturno”, proposta que aposta na conexão direta com o público por meio da voz e do violão. O repertório percorre diferentes tradições musicais, do samba e do forró à música anglo-americana, reforçando o diálogo entre o popular brasileiro e a linguagem folk. A apresentação ainda ganha peso com as participações especiais de Lucinha Turnbull, pioneira do rock nacional, e da artista multidisciplinar Anna Sartori, parceira de composição de Gnatali. O espetáculo acontece com início pontual às 20h30, mas a casa abre às 19h, permitindo ao público acompanhar parte da passagem de som e aproveitar o cardápio de comidas e drinks. Os ingressos dão acesso tanto às mesas quanto aos lugares no balcão, no sistema por ordem de chegada, e a casa funciona até as 23h, com consumação mínima por pessoa. O Fina Bossa fica na Av. Brigadeiro Faria Lima, 473 em Pinheiros – São Paulo.
Madonna anuncia “Confessions II” e retoma uma de suas eras mais icônicas

Madonna está oficialmente de volta às pistas de dança. A artista anunciou, nesta quinta-feira (16), o lançamento de seu novo álbum de estúdio, Confessions II, previsto para chegar às plataformas no dia 3 de julho pela Warner Records. O disco marca a continuação direta do celebrado Confessions on a Dance Floor, lançado em 2005 e considerado um dos trabalhos mais emblemáticos da fase dance-pop da cantora. Antes mesmo da chegada do single principal, Madonna já ofereceu aos fãs a primeira amostra do projeto por meio de um teaser visual de atmosfera hipnótica, reforçando a proposta estética e sonora do novo trabalho. O anúncio também veio acompanhado da abertura do pré-save do álbum e de uma curadoria especial com versões em vinil, CD e cassete, evidenciando a aposta em uma experiência que dialoga tanto com o streaming quanto com o público colecionador. Ao apresentar o conceito do disco, a cantora destacou os versos iniciais da faixa “One Step Away”, defendendo a profundidade da música eletrônica e da cultura de pista. Segundo ela, a dance music vai muito além do entretenimento superficial. “A pista de dança não é apenas um lugar, é um limiar: um espaço ritualístico onde o movimento substitui a linguagem”, afirmou. A declaração reforça a proposta conceitual do álbum, que trata a dança como uma forma de transcendência, comunhão e expressão emocional. Madonna também revelou que o disco nasceu a partir de um manifesto criativo desenvolvido ao lado do produtor Stuart Price, parceiro do álbum original. Para a artista, dançar, celebrar e “rezar com o corpo” são práticas espirituais milenares, e o ato de “ravear” representa uma arte ligada à superação de limites e à conexão coletiva. A expectativa em torno de Confessions II é alta, especialmente por retomar uma das eras mais icônicas de sua discografia e por recolocar a Rainha do Pop no centro do universo clubber contemporâneo.
Entrevista | Bayside Kings – “A gente quer ocupar espaço em todos os eventos para mostrar nosso som”

O Arena HC confirmou mais uma vez sua força como principal vitrine do hardcore nacional na atualidade durante a edição realizada no último sábado, 11 de abril, no Studio Stage, em São Paulo. Entre os grandes destaques do line-up, o Bayside Kings foi um dos nomes que mais mobilizaram o público logo nas primeiras horas do festival, ajudando a transformar o evento em um verdadeiro ponto de encontro da cena. Com uma apresentação visceral, a banda santista entregou um show intenso do início ao fim, reafirmando a conexão construída ao longo dos anos com os fãs do hardcore brasileiro. O público respondeu à altura, com muitos stage dives, rodas de mosh pit e a energia caótica que já se tornou marca registrada dos shows do grupo. No repertório, um dos momentos mais aguardados foi a execução do single “Nada Para Mim”, faixa recente que já vem ganhando força entre os seguidores da banda. Como de costume, o palco também se transformou em uma grande festa, com os tradicionais artefatos de praia que acompanham a identidade do grupo, incluindo os clássicos macarrões de isopor, que deram ainda mais personalidade à apresentação. Vivendo uma nova fase, o Bayside Kings também se prepara para um passo importante na carreira: o lançamento de um novo álbum, o primeiro pela Deckdisc. Em entrevista durante o festival, a banda falou ao Blog N’ Roll sobre a importância de estar presente em festivais de diferentes perfis e sobre a expansão do seu alcance dentro do mercado. Esta entrevista faz parte de uma série de 11 entrevistas sobre a cena punk e hardcore do Brasil. O novo single Nada para Mim já está sendo cantado pelo público nos shows. Qual o próximo passo? Teremos um novo single ou um novo Milton – O próximo single sai pela Deck Disk no próximo dia 15 de maio, antes da gente ir para o Porão do Rock. A música se chama “A Lei do Retorno” e acredito que no meio do ano a gente já lance o álbum cheio. Você citou o Porão do Rock, o Bayside Kings está tocando além de festivais de hardcore e indo para festivais que não tocam só Rock. Como vocês enxergam essas participações em festivais para o crescimento da banda? Teteu – Eu acho legal porque a gente consegue abrir a porta para um tipo de som que não é muito comum de estar nesses festivais. A gente sempre quis ocupar esses espaços porque são sempre poucas bandas que vão e às vezes são bandas secundárias, mais longe da proposta do festival. Mas a gente quer ocupar espaço em todos os eventos, não importa se é de música X ou música Y. Queremos estar lá para mostrar nosso som, nossa comunidade e como tudo funciona. O próximo Arena HC será realizado no dia 26 de abril em Belo Horizonte e, além do Bayside Kings, terá as bandas Dead Fish, Hateen, Rancore, Pense, Garage Fuzz e Aurora Rules. Ingressos à venda na articket.
Landmvrks estreia no Brasil com show no Carioca Club em setembro

A banda francesa Landmvrks, um dos principais nomes do metalcore contemporâneo, fará sua aguardada estreia no Brasil no dia 20 de setembro, no Carioca Club, em São Paulo. A apresentação integra a primeira turnê latino-americana do grupo, com cinco datas inéditas pela região, e acontece em um momento especial da carreira do quinteto, impulsionado pelo álbum The Darkest Place I’ve Ever Been, lançado em abril de 2025. A realização é da Liberation Music Company, com ingressos disponíveis a partir de amanhã, 17 de abril, pelo Clube do Ingresso. A passagem pela capital paulista faz parte de uma rota que começa na Cidade do México, no dia 16 de setembro, segue por Bogotá no dia 18 e depois desembarca no Brasil antes de passar por Buenos Aires e Santiago. A turnê reforça a expansão internacional da banda, que nos últimos anos consolidou seu nome entre os destaques do metalcore europeu e global, especialmente após uma sequência de shows lotados e a repercussão positiva do trabalho mais recente. Formado em 2014, em Marselha, o Landmvrks construiu sua trajetória de forma ascendente. O primeiro álbum, Hollow, chegou em 2016, seguido por Fantasy, em 2018, disco que ajudou a consolidar a identidade sonora do grupo. O salto maior veio com Lost In The Waves, de 2021, trabalho que ampliou a presença da banda na imprensa especializada, no circuito de turnês e entre o público do gênero. Desde então, o quinteto passou a figurar entre os nomes mais comentados da nova geração do metalcore. O novo álbum, The Darkest Place I’ve Ever Been, é apontado como o trabalho mais ambicioso do grupo até aqui. Com faixas como “Creature”, “Sulfur”, “Sombre 16” e “A Line In The Dust”, a banda aprofunda a mistura entre peso, melodias marcantes, tensão hardcore e influências de nu metal e hip-hop, características que se tornaram assinatura do grupo. A formação atual reúne Florent Salfati nos vocais, Nicolas Exposito e Paul Cordebard nas guitarras, Rudy Purkart no baixo e Kévin D’Agostino na bateria. Os resultados desse ciclo recente também apareceram nos palcos. Em janeiro deste ano, a banda lotou o Zénith Paris, um dos espaços mais simbólicos da cena francesa, reforçando o momento de alta e a expectativa para a estreia no Brasil. ServiçoLANDMVRKS em São PauloData: 20 de setembroLocal: Carioca ClubIngressos: Clube do Ingresso a partir das 10h de 17.04
Entrevista | Cachorro Grande – “A banda volta em definitivo, vamos gravar um disco em junho”

A Cachorro Grande desembarca em São Paulo para um dos shows mais simbólicos dessa nova fase nesta sexta (17). A apresentação no Cine Joia acontece em clima de reta final, com últimos ingressos disponíveis e expectativa de casa cheia. O show faz parte da turnê que celebra os 26 anos da banda, um marco que reforça o peso histórico do grupo dentro do rock nacional e a força do reencontro com o público. Formada em Porto Alegre no fim dos anos 1990, a Cachorro Grande construiu sua trajetória com base em riffs diretos, referências clássicas e uma energia de palco que virou marca registrada. Ao longo dos anos 2000, a banda se consolidou como um dos principais nomes do rock brasileiro, transitando entre garage rock e psicodelia, acumulando hits e presença constante em festivais e na programação da MTV Brasil. Após o hiato iniciado em 2019, o retorno reposiciona o grupo em um momento de reconexão com sua própria história. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Beto Bruno falou sobre três pontos centrais desse novo momento: o impacto emocional do reencontro com a banda após anos separados, a construção da atual turnê a partir da resposta do público e o desejo de transformar a reunião em um retorno definitivo. Segundo ele, a retomada deixou de ser pontual quando os primeiros shows mostraram que ainda havia algo forte acontecendo no palco, tanto musicalmente quanto na relação entre os integrantes. O discurso também aponta para o futuro. A banda está prestes a oficializar esse retorno com material inédito e já tem planos concretos: entra em estúdio em junho para gravar um novo álbum, com repertório praticamente fechado. A ideia é lançar o disco ainda este ano e, a partir dele, estruturar uma nova turnê, deixando para trás o formato comemorativo. A proposta é clara: voltar a ser uma banda em atividade contínua, com produção autoral e não apenas sustentada pela nostalgia. Como está funcionando a turnê de vocês, além do show no Cine Joia? Já existem outras cidades confirmadas? A gente começou isso tudo de uma forma muito natural. Há uns três anos, depois de cinco anos separados, rolou um convite para tocar em Porto Alegre, no aniversário da cidade. E foi muito forte, sabe? Não só pelo reencontro pessoal, mas principalmente pelo som que saiu no palco. Aquilo ali me mostrou o quanto eu estava com saudade dos caras. E acho que isso foi recíproco. A partir dali, começaram a surgir convites, o público pedindo show em São Paulo, e a gente também queria muito tocar aqui. Fizemos São Paulo, depois vieram outras datas e, quando vimos, já estávamos estruturando uma turnê. Era para ser de 25 anos, mas o tempo passou e virou 26. Agora estamos nessa estrada, com mais datas sendo organizadas. Qual o peso de um show em São Paulo para o Cachorro Grande hoje? São Paulo sempre teve um peso diferente. Tudo o que acontece aqui repercute no resto do país. Então dá um nervosismo maior, sim. É uma responsabilidade grande, mas também é muito importante. É um termômetro para a banda. Em que momento vocês perceberam que não seria apenas um reencontro pontual? Isso foi acontecendo. Depois daquele primeiro show, bateu uma sensação muito forte. Quando eu subi no palco com eles, aconteceu uma coisa absurda, aquela química voltou na hora. E eu só fui entender o tamanho da saudade naquele momento. Não era só da amizade, era do que acontece ali em cima do palco, que é muito único. A gente tentou fazer mais um show, depois outro, e quando viu já não fazia mais sentido ser algo pontual. A gente queria continuar, e o público também. E já que vão continuar, eu já vi vocês falando sobre músicas novas. Quais os planos do Cachorro Grande? Voltaram em definitivo, tem álbum em vista? Então, bicho, nosso pensamento futuro é realmente a banda voltar definitivo. Não com turnê de reunião. É gravar um disco agora em junho que a gente já tem o repertório pronto. O plano é lançar esse disco antes do fim do ano e aí sim, voltar definitivamente com uma turnê, com disco. Que eu acho que é muito mais valioso. Então a maneira da gente respeitar o nosso público e a melhor maneira da gente seguir tocando seria com um disco novo. E é isso que vai acontecer. Falando sobre o álbum novo, você pode adiantar alguma coisa da sonoridade? Vocês vão mais para o som antigo ou algo novo? A gente já passou por várias fases, inclusive aquela mais eletrônica, que ficou para trás. O que tinha para fazer ali, a gente já fez. A banda que se encontra hoje pra gravar um disco daqui três meses tá fazendo sim um disco diferente de tudo que a gente já fez. Mas não quer dizer que tenha alguma novidade com relação ao mercado. São novidades com relação à nossa própria história, à nossa própria evolução. Vai ser um disco diferente dentro da nossa própria história, da nossa evolução. Não é uma coisa pensada para seguir tendência ou surpreender o mercado. O mais importante é não deixar de fazer o que a gente gosta. Porque quando você tenta forçar algo novo só para impressionar, você deixa de ser verdadeiro. E aí não funciona nem para a gente, nem para o público. A única forma de seguir no rock é sendo verdadeiro. Então o disco vai ser isso. Vocês chegaram brigar e isso levou ao fim da banda. Agora que a volta é definitiva, vocês chegaram a conversar sobre o que não repetir do passado ou foi algo mais natural? Teve uma conversa, sim. Antes mesmo do primeiro ensaio, a gente sentou e falou sério sobre tudo. Sobre como deveria ser dali para frente, para não repetir os erros que levaram ao fim da banda. Mas muita coisa também veio naturalmente. Esses cinco anos separados, fazendo projetos solos, e a pandemia fizeram a gente refletir muito. Quando você está no meio