Mr. Bungle no Allianz Parque tem Andreas Kisser, caos controlado e referências à Umbanda

O Allianz Parque recebeu, no último sábado (31), uma noite de proporções grandiosas dedicada ao rock pesado. Antes das apresentações de A Day To Remember e Avenged Sevenfold, a responsabilidade de abrir os trabalhos ficou com o Mr. Bungle, que trouxe sua mistura experimental e imprevisível para o palco paulistano. Embora o estádio ainda estivesse longe da lotação máxima no início da noite, a apresentação funcionou como um aquecimento excêntrico. O clima entre o público era de curiosidade e reverência técnica, diferindo da entrega coletiva habitual de shows de arena, uma reação que casa perfeitamente com a proposta da banda liderada por Mike Patton. Andreas Kisser e a conexão brasileira do Mr. Bungle Um dos grandes destaques da noite do Mr. Bungle foi a presença de Andreas Kisser na guitarra, substituindo Scott Ian. O músico brasileiro foi recebido com entusiasmo e protagonizou um dos momentos mais simbólicos do show ao conduzir uma versão de Refuse/Resist, do Sepultura. A execução do clássico reforçou a conexão local, transformando a curiosidade inicial da plateia em celebração. A sequência de covers manteve o tom debochado característico do grupo, incluindo uma leitura de All By Myself, de Eric Carmen, adaptada para um coro nada delicado (e tipicamente brasileiro) de “Tomar no c*”, que arrancou risadas e aplausos. Mike Patton: straight edge e umbanda Como esperado, Mike Patton fez questão de deixar sua marca para além da performance vocal. O vocalista subiu ao palco exibindo o “X” do movimento straight edge tatuado nas mãos, feitas no Brasil, e demonstrou respeito à cultura local de forma inusitada. Patton citou “Laroyê”, usou guias de proteção e brincou que cantaria com a pomba gira. Em um show repleto de referências caóticas, esses gestos ajudaram a quebrar a barreira do “estranhamento” sonoro e criaram uma conexão direta e carismática com o público presente. Setlist do Mr. Bungle em São Paulo (31/01)

Ana Cacimba transforma ancestralidade e fé afro-brasileira em narrativa de recomeço no single Mandinga

A cantora, compositora e instrumentista Ana Cacimba lançou Mandinga, single que parte do significado histórico da palavra ligada aos amuletos de proteção usados por povos africanos. A canção ressignifica esse símbolo ao tratar o corpo fechado não como feitiço literal, mas como força espiritual, resistência e capacidade de se reerguer diante das quedas, com apoio da ancestralidade e da fé afro-brasileira. Composta por Ana Cacimba em parceria com Léo da Bodega e produzida por Los Brasileiros nos estúdios Head Media, a faixa se constrói como um percurso de atravessamento. Ao longo desse caminho, a espiritualidade aparece como elemento central de sustentação simbólica, com a presença de Iemanjá associada ao encerramento de ciclos e à abertura de novas histórias, reforçando a ideia de recomeço que atravessa toda a narrativa. Musicalmente, Mandinga transita por um afro pop tropical de pegada world music, combinando violões, congas e beats eletrônicos em uma atmosfera leve e envolvente, de estética praiana e brasileira. O lançamento chega acompanhado de um visualizer criado a partir de uma montagem digital da artista Ysis Policarpo e dialoga com a nova MPB de viés solar e contemporâneo, aproximando referências que evocam acolhimento, conforto e bem-estar.

Capitu revisita Dom Casmurro em curta-metragem musical com olhar contemporâneo e queer

A banda Capitu lançou Sobreamor, curta-metragem musical concebido como álbum visual que antecipa o EP de estreia do grupo. Formado por Camilla Araújo, Bruno Carnovale e Marco Trintinalha, o projeto une música, cinema e literatura em uma narrativa contínua, estruturada como um filme em quatro atos e já disponível no YouTube. Inspirado livremente em Dom Casmurro, de Machado de Assis, Sobreamor propõe uma releitura contemporânea do triângulo amoroso entre Capitu, Bentinho e Escobar. Distante de uma adaptação literal, o curta utiliza o clássico como ponto de partida para investigar desejo, ciúme e afeto a partir de uma perspectiva atual, atravessada por questões de gênero, sexualidade e racialidade, além de tensionar leituras tradicionais da obra machadiana. Musicalmente, a Capitu transita entre indie rock, pop e neo-soul, com arranjos que valorizam camadas de voz e construção instrumental como elementos narrativos. Dirigido e roteirizado por Alice Marcone, o curta assume o audiovisual como parte indissociável da linguagem artística da banda, culminando no ato final Desaguar, que propõe uma resolução afetiva fora da lógica da culpa e da moral monogâmica. Com Sobreamor, o grupo apresenta um projeto que afirma identidade, conceito e experimentação como eixos centrais de sua estreia.

Barbarize convoca legado do manguebeat ao lado de Fred Zero4 em novo videoclipe

O duo Barbarize lançou o videoclipe de Mangue, faixa do álbum de estreia Manifexta, aprofundando sua relação com o território onde nasceu, a Comunidade do Bode, no Recife. A música conta com a participação de Fred Zero4, fundador do Mundo Livre S/A e um dos nomes centrais do manguebeat, em um encontro que articula memória, identidade e crítica social a partir das margens da cidade. A aproximação entre Barbarize e Fred Zero4 surgiu de um reconhecimento artístico mútuo e se consolidou naturalmente quando a faixa ficou pronta. Musicalmente, Mangue parte do trap, dialoga com o boombap e incorpora riffs de guitarra que trazem organicidade à composição. A percussão de Maurício Badé, somada ao beat eletrônico e à flauta, constrói uma atmosfera ritualística que equilibra elementos urbanos e tradicionais, reforçando o diálogo entre passado e presente. O mangue surge como símbolo de origem e resistência, com versos que afirmam a relação do grupo com o território e utilizam imagens do ecossistema como metáforas de sobrevivência coletiva. O videoclipe amplia esse discurso ao adotar uma estética que transita entre o afro-surrealismo e o afro-futurismo, tratando o audiovisual como extensão política da canção. Ao unir natureza, tecnologia e crítica social, Barbarize reafirma sua identidade artística e atualiza o legado do manguebeat a partir de uma perspectiva contemporânea e periférica.

Levant Fest transforma quatro capitais do Nordeste em rota do hardcore brasileiro

O Levant Fest chega ao Nordeste em março como um festival itinerante que propõe mais do que uma sequência de shows. A turnê passa por Fortaleza, Natal, João Pessoa e Recife, reunindo Dead Fish, Matanza Ritual, Switch Stance e Malvina em um lineup que conecta diferentes gerações e estéticas do rock nacional, reforçando a diversidade sonora dentro do peso. A presença do Dead Fish acontece em um momento simbólico da carreira da banda. Ao mesmo tempo que celebra os 25 anos de Afasia ao vivo, o grupo lançou ontem a versão deluxe do álbum Labirintos da Memória, que chega às plataformas com duas faixas inéditas e gravações ao vivo. Além do Dead Fish, o Levant Fest também destaca a fase atual do Matanza Ritual, que apresenta ao público o álbum A Vingança é Meu Motor, enquanto Switch Stance representa a brutalidade direta do hardcore nacional, com shows intensos que transformam cada apresentação em um choque físico entre palco e público. Completa o lineup a Malvina, que carrega a urgência do hardcore punk, com músicas rápidas, discurso direto e uma postura DIY que mantém viva a essência mais crua do underground brasileiro. Ao escolher o Nordeste como rota, o Levant Fest reafirma a região como protagonista no mapa da música pesada brasileira. A circulação por quatro capitais fortalece a descentralização cultural e amplia o acesso do público a uma experiência pensada de forma coletiva, unindo peso, identidade e renovação artística. Serviço Datas e locaisFortaleza – 19 de marçoEstacionamento da Praça Verde do Dragão do Mar Natal – 20 de marçoRibeira Music João Pessoa – 21 de marçoClube Cabo Branco Recife – 22 de marçoArmazém 14 Ingressos101 Tickets

Entrevista | Psychic Fever – “Criamos nossa música hoje pensando em um público verdadeiramente global”

Após o sucesso do EP PSYCHIC FILE III, que apresentou os singles “Gelato” e “Reflection”, o boygroup japonês PSYCHIC FEVER inicia um novo capítulo de sua trajetória com o lançamento de “SWISH DAT.”. A faixa marca uma fase ainda mais ambiciosa do grupo, que vem consolidando sua presença fora do Japão ao unir performance, identidade visual forte e uma sonoridade que dialoga com o pop global. Formado por KOKORO, WEESA, TSURUGI, RYOGA, REN, JIMMY e RYUSHIN, o grupo integra o coletivo EXILE TRIBE, sob a gestão da LDH JAPAN. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o PSYCHIC FEVER falou sobre o conceito por trás do novo single “SWISH DAT.”, o impacto do EP PSYCHIC FILE III na maturidade artística do grupo e os efeitos da primeira turnê pelos Estados Unidos na construção de uma carreira cada vez mais global, além da forte conexão que vem sendo criada com o público brasileiro por meio das redes sociais. “SWISH DAT.” vem após o lançamento de PSYCHIC FILE III. O que vocês queriam expressar artisticamente com esse single em relação aos lançamentos anteriores? TSURUGI:Nós focamos em expressar um senso de Japão. Essa música incorpora os pontos fortes do J-pop, e acreditamos que expressar a identidade japonesa pode se tornar uma ponte que conecta o Japão ao resto do mundo. KOKORO:Como a música também é o tema de abertura do drama Masked NINJA Akakage, gravamos imaginando o mundo e a atmosfera da série. Espero que as pessoas consigam sentir a química entre o drama e o estilo único do PSYCHIC FEVER. A música também é tema da série Masked NINJA Akakage. Como foi adaptar a identidade do grupo a uma narrativa ligada ao universo ninja? RYOGA:Senti que os conceitos associados aos ninjas, como velocidade, precisão e foco, combinam muito com o estilo de performance do PSYCHIC FEVER. Ao respeitar essa visão de mundo e combiná-la com um som moderno e nossa própria energia, acredito que conseguimos unir naturalmente o universo do drama com a identidade do grupo. JIMMY:Por ser uma música tema, foi empolgante nos desafiarmos em um gênero um pouco diferente do que costumamos fazer. Ao cantar, tentei entrar totalmente no personagem e criar uma atmosfera que combinasse com o drama, mas ainda expressando isso de uma forma que fosse fiel ao PSYCHIC FEVER. PSYCHIC FILE III, com “Gelato” e “Reflection”, teve uma forte repercussão internacional. O que esse EP representou em termos de maturidade do grupo? REN:Com PSYCHIC FILE III, buscamos novamente um novo som para o PSYCHIC FEVER. Durante o processo de gravação, aprendemos novas formas de transmitir emoções e de nos expressar, e isso acabou se tornando uma experiência muito significativa para nós. WEESA:Se não continuarmos crescendo a cada lançamento, até mesmo nossos fãs mais dedicados podem acabar se cansando. Em vez de pensar em “maturidade”, encaramos cada projeto com a mentalidade de evoluir constantemente e seguir avançando. A primeira turnê pelos Estados Unidos foi um marco importante? O que mais surpreendeu vocês na reação do público americano? TSURUGI:Quando fomos a Dallas, no Texas, muitas pessoas apareceram no show usando chapéus de cowboy. Isso me deixou muito feliz. RYUSHIN:Visitamos muitos lugares pela primeira vez, então estávamos sinceramente preocupados com o público. Mas muitos fãs locais compareceram e cantaram quase todas as nossas músicas. Cada show se tornou uma memória inesquecível. Depois de se apresentarem pela Europa, América do Norte e Ásia, vocês sentem que o PSYCHIC FEVER já atua como um grupo verdadeiramente global? KOKORO:Não quero me dar por satisfeito com onde estamos agora. Sinto fortemente que queremos conhecer ainda mais pessoas em ainda mais lugares. Vamos continuar buscando o que nos define e estou muito motivado a levar nossa música e nossos shows para o mundo inteiro. WEESA:Tivemos a sorte de visitar muitos países, mas queremos que nossa música alcance ainda mais pessoas. Quero continuar trabalhando duro para que mais ouvintes ao redor do mundo descubram e se conectem com nossas músicas. Como a assinatura de um contrato global com a Warner Music Group e a 10K Projects muda a estratégia internacional de vocês? RYOGA:Esse contrato global ampliou muito nossa perspectiva e as formas de entregar nossa música. Tanto na produção quanto na divulgação, estamos tomando decisões pensando em um público global. Parece que agora estamos em um ambiente onde podemos realmente testar até onde o PSYCHIC FEVER pode chegar. JIMMY:Definitivamente passamos a criar nossa música com uma mentalidade muito mais global. Temos recebido muitas oportunidades de nos apresentar em eventos internacionais e turnês mundiais, e estamos colocando muita energia na produção do próximo álbum para continuar expandindo nossa base de fãs. O grupo mistura vocais, rap e dança com forte influência do pop dos anos 2000. Como vocês equilibram essas referências com uma identidade atual? RYOGA:As melodias marcantes e os grooves do pop dos anos 2000 fazem parte das nossas raízes. Em vez de simplesmente recriá-los, buscamos mesclar essas influências com uma sensibilidade moderna. Acreditamos que sentir nostalgia e frescor ao mesmo tempo é o que torna o PSYCHIC FEVER único. JIMMY:Somos muito cuidadosos para não apenas copiar o passado. Queremos que o som carregue claramente a cor do PSYCHIC FEVER. Também nos preocupamos em preservar a individualidade dos sete membros, trabalhando de perto com a equipe em tudo, das letras aos detalhes da performance. “Just Like Dat feat. JP THE WAVY” teve números expressivos em streaming e no TikTok. Como vocês veem o papel das redes sociais no crescimento do grupo? TSURUGI:Por meio das plataformas de streaming e do TikTok, conseguimos nos conectar com pessoas do mundo todo. Acima de tudo, poder nos conectar com fãs do Brasil nos deixa muito felizes. Essas plataformas são extremamente importantes na cena musical atual e ajudam muitas pessoas a descobrirem nossa música. RYUSHIN:As redes sociais são essenciais porque permitem que nossa música alcance pessoas que talvez nunca tivessem nos conhecido. Mesmo em lugares onde ainda não conseguimos ir fisicamente, conseguimos nos comunicar com fãs do mundo todo. O Brasil tem um público muito engajado com o pop e a

Entrevista | Sensor Noise – Atriz que fez sobrinha de Phoebe em Friends lança banda de rock com estrela da Disney

Quem assistiu a Friends provavelmente se lembra da família excêntrica de Phoebe Buffay. O que muita gente talvez não saiba é que uma de suas sobrinhas, Leslie, vivida por Allisyn Snyder, cresceu, seguiu carreira artística e hoje está à frente de uma banda que começa a dar seus primeiros passos. Allisyn é casada com Dylan Snyder, também ator mirim na infância, conhecido por trabalhos na Disney e por ter interpretado o jovem Tarzan na Broadway. Juntos, eles comandam a Sensor Noise junto Steve Arm, pai da atriz. Em família, a banda mistura rock alternativo, eletrônica e forte identidade visual. O grupo já soma sete músicas lançadas no Spotify e constrói um projeto que une música, cinema e narrativa estética como um único universo criativo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Allisyn e Dylan Snyder falam sobre a origem da Sensor Noise, a influência da atuação na música e os planos para o primeiro álbum, que deve ser lançado junto a um projeto audiovisual ambicioso. Começando por Friends, como foi para você fazer parte de uma série que teve um impacto tão grande no Brasil e segue sendo descoberta por novas gerações? Estar em Friends é como fazer parte de algo que vai existir para sempre. É uma cápsula do tempo de como era a vida e a amizade naquela época. Interpretar a Leslie Buffay e ser a criança que jogava coisas no Matthew Perry foi incrível. Na época, eu era muito nova e não entendia totalmente a dimensão daquilo. Para mim, era tipo: eu posso jogar comida em adultos? Posso faltar à escola e correr dentro de uma cafeteria? Só anos depois caiu a ficha do quão especial aquilo era. Quando voltei a assistir à série completa, já mais velha, foi emocionante chegar ao meu episódio. Pequenas memórias começaram a voltar, detalhes do set, do clima, das pessoas. Foi realmente especial. Nota: Allisyn tinha apenas 6 anos na época e o episódio foi gravado em 2003. Você guarda alguma lembrança ou curiosidade dos bastidores? Meus pais passaram a prestar muita atenção na série depois que eu participei. Eles não assistiam antes. Como é uma sitcom gravada com plateia, o processo dura uma semana inteira até a gravação final. Meu pai conseguiu acompanhar tudo, ver as reações do público. O episódio é “The One Where Ross Is Fine”, que o Ross descobre que Joey e Rachel estão juntos. É aquele das fajitas? Sim, é aquele das fajitas. Antes mesmo de o episódio ir ao ar, meus pais já estavam citando as falas o tempo todo. Isso ficou muito marcado para mim. Quando e como a Sensor Noise se uniu como banda? A Sensor Noise começou de forma muito orgânica. O pai da Allisyn é guitarrista e uma espécie de guru do rock indie. Ele tem uma banda chamada Pistol For Ringo, e nós sempre adoramos assistir aos shows e acompanhar as sessões de estúdio. A Allisyn praticamente cresceu dentro de estúdios, desde criança.Alguns anos atrás, no Ano Novo, fizemos uma viagem para o deserto e ficamos em um Airbnb com a ideia de levar equipamentos para gravar algumas demos, só para nos divertir. A ideia era tocar música sem pressão nenhuma. E isso favoreceu o processo criativo de vocês? Isso acabou virando um hábito. Sempre que tínhamos um aniversário ou alguma ocasião especial, usávamos como desculpa para viajar e gravar. Fomos para Lake Arrowhead, alugamos uma cabana e estabelecemos essa regra de uma demo por dia. Você acorda, faz uma caminhada nas montanhas com um café e cria algo novo. Muitas dessas sessões envolveram o pai da Allisyn, o Steve Arm, e também o Shane Smith, que é outro integrante do Pistol For Ringo. O Shane é um engenheiro incrível e uma das maiores influências da Allisyn desde a infância. Ele organizava festas de Natal chamadas Camp Shane, em que músicos se reuniam para tocar músicas natalinas a noite inteira. Crescer nesse ambiente tornou tudo meio inevitável. O Dylan sempre tocou música a vida toda também. Ele esteve na Broadway ainda criança, interpretando o jovem Tarzan, então tudo isso acabou convergindo naturalmente. A experiência de vocês como ator e atriz influencia a forma como vocês escreves e se posicionam musicalmente hoje? Com certeza. Cada parte da nossa vida influencia a banda. Até o nome Sensor Noise vem de um termo de câmera, porque somos cineastas. A Allisyn e eu fazemos filmes juntos há quase dez anos. Tivemos uma série semanal na internet, postando conteúdo toda sexta-feira, sem falhar. A filmagem sempre fez parte da nossa rotina, e isso entra direto na música. Os clipes são uma extensão natural desse processo criativo. O visual parece mesmo ter um papel central no projeto. Isso é intencional? Totalmente. Pensamos nos visuais enquanto criamos as músicas. Tudo está interligado. A banda acaba sendo um espaço onde performance, imagem, figurino, maquiagem e narrativa se encontram.Quando estamos compondo, já estamos imaginando o vídeo, os personagens, o clima. Isso vem muito da nossa vivência no cinema. Inclusive vi que você está com uma maquiagem bem diferente, já faz parte da caracterização? Sim, faz parte do estilo. Um dos meus artistas favoritos é o David Bowie, alguém que sempre abraçou a ideia de se vestir de forma única, sem seguir padrões. A maquiagem brilhante vem muito dessa referência.Além disso, é algo prático. Para mim, é mais rápido do que fazer uma maquiagem tradicional. Não importa se borrar, se chover ou se eu passar o dia todo com ela. Teve um momento em que pensei “preciso tomar cuidado para não borrar a maquiagem”, mas logo percebi que borrar também faz parte do visual. No Ano Novo, choveu em Los Angeles e eu continuei com o mesmo visual o dia inteiro. É libertador. O lado visual dos nossos clipes é essencial, e a estética faz parte do projeto tanto quanto a música. Como vocês definem o som da Sensor Noise e quais são as principais influências? Nossas referências vêm de muitos lugares. Crescemos ouvindo muito rock clássico. Pink Floyd, Bowie,

Entrevista | Lexie Liu – “Eu quero ser como o Cansei de Ser Sexy: fora da curva, expressiva e com um pouco de loucura”

Lexie Liu dá um passo decisivo em sua trajetória internacional com Teenage Ramble, EP que marca seu primeiro trabalho totalmente cantado em inglês. Conhecida por transitar entre pop, eletrônico e referências alternativas, a artista chinesa aposta agora em um registro mais direto, espontâneo e menos conceitual do que seus projetos anteriores, abrindo espaço para uma escrita mais emocional. O lançamento reforça a busca de Lexie Liu por novos públicos e por uma identidade artística cada vez mais global. Antes mesmo do novo EP, Lexie Liu já vinha ampliando seu alcance fora da Ásia por meio de projetos ligados ao universo de League of Legends. A artista participou de iniciativas musicais da Riot Games, incluindo faixas associadas ao K/DA, um dos projetos mais populares do jogo, o que ajudou a apresentar seu trabalho a uma audiência internacional diversa e conectada à cultura pop, games e música. Essa ponte entre música e entretenimento digital foi fundamental para consolidar seu nome fora do circuito tradicional do pop chinês. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Lexie Liu falou sobre o processo criativo por trás de Teenage Ramble, as influências que vão de Wet Leg ao Cansei de Ser Sexy e os desafios de equilibrar uma carreira internacional sem perder autenticidade, além de comentar seus próximos passos e o desejo de vir ao Brasil. Você lançou Teenage Ramble, seu primeiro álbum totalmente em inglês. Quando você sentiu que era o momento certo para dar esse passo? Eu senti. Acho que nunca foi uma decisão muito pensada. Eu nunca sentei com o meu time para calcular quando deveríamos fazer isso. Mas senti que o tempo era bom porque eu tinha acabado de terminar o meu terceiro álbum, e todos os meus projetos anteriores eram bilíngues. Este ano, eu só quis ver como seria fazer um projeto totalmente em inglês, testar como eu me sentiria e como as pessoas reagiriam. É uma nova experiência. A escrita, a produção e todo o processo criativo são diferentes, porque é no meu segundo idioma, mas isso acabou se tornando muito divertido. Então você sente que sua expressão emocional muda dependendo da língua que você está usando? Eu acredito que sim, definitivamente. Esse trabalho parece mais espontâneo e menos polido. Isso reflete um momento específico da sua vida? Eu acho que sim, de certa forma. Eu não pensei em um grande conceito ou em um longo processo de construção de mundo para este projeto. Ele nasceu mais como o escoamento de um longo tempo criando demos. Eu criei realmente de forma espontânea, para o momento e no momento. Então, você está certo, ele é muito menos polido. Eu quis ver como soaria um projeto mais cru. Desta vez, eu tentei ser o mais genuína e honesta possível, e algumas pessoas podem achar isso bem diferente do que eu fiz antes. O seu trabalho mistura pop, energia alternativa e elementos eletrônicos, eu vejo coisas de divas pop e até um pouco de indie, como do Wet Leg e música alternativa como os brasileiros do Cansei de Ser Sexy. Mas quero saber de você, que artistas lhe influenciam? Tem mais algo brasileiro que você conhece? Você basicamente já citou todos os nomes (risos). Na verdade, eu amo muito o Cansei de Ser Sexy. Nem sabia de onde eles eram no começo, porque encontrei as músicas no modo aleatório do streaming. Eu simplesmente amei a energia deles, e eles se tornaram um dos meus grupos favoritos. Eu quero ser como eles. Eles são tão fora da curva, tão expressivos emocionalmente. Os vocais são meio loucos, mas é o tipo de loucura boa. A loucura que eu gostaria de ser, mas talvez nunca consiga. Eu me identifico muito com isso. E eu também gosto muito de MPB. Acho que nunca falei isso antes em entrevistas. Eu tenho uma playlist inteira só de música brasileira de MPB, de artistas que eu não conheço pessoalmente, mas que eu conheço muito bem através da música. Hoje o pop internacional parece cada vez menos centrado nos Estados Unidos e na Europa. Como você enxerga esse novo cenário global? Essa é uma grande pergunta. Eu acho que é definitivamente uma ótima oportunidade para os artistas se cruzarem. Não só nós indo para outros mercados, mas também artistas brasileiros indo para a Ásia. Apesar de todas as diferenças culturais, de fronteiras e de idioma, nós estamos muito conectados agora. É fácil encontrar pessoas do outro lado do planeta e compartilhar música e paixão. Isso abre muitas possibilidades reais de troca. É um desafio equilibrar as expectativas do público chinês e, ao mesmo tempo, construir uma carreira global? Porque são culturas muito diferentes. Eu acho que é desafiador, sim. É difícil não ser. É algo muito complicado de equilibrar. Mas, ao mesmo tempo, acredito que, quando a minha música é verdadeira para quem eu sou e para o que eu quero expressar, e quando as pessoas sentem isso, muitas expectativas simplesmente desaparecem. Se elas se conectam emocionalmente, isso se torna maior do que qualquer rótulo. Os fãs brasileiros acompanham o seu trabalho e temos muito fãs aqui de LOL e Arcane que com certeza lhe conheceram por lá. Existe a possibilidade de você vir ao Brasil no futuro? Eu adoraria ir ao Brasil, com certeza. Eu sinto que tenho alguns dos fãs mais calorosos e acolhedores aí, o que é muito louco para mim. Para quem ainda não lhe conhece, existe alguma faixa de Teenage Ramble que você considera o coração do EP? Eu diria que é “X”. É a minha música favorita do EP, mesmo que eu esteja um pouco cansada dela agora, porque eu a ouvi muitas vezes desde o primeiro dia em que a fiz. Mesmo sendo uma faixa mais dançante, que talvez não soe tão profunda ou emocional à primeira vista, ela tem uma vibração muito boa. É daquelas músicas que te fazem se sentir renovada, confiante, quase como um personagem caminhando pela rua. Essa energia rápida ilumina o dia, mesmo que por um momento. Ela representa

Hurtmold lança primeiro álbum ao vivo e celebra quase 28 anos de trajetória

Chegando aos quase 28 anos de estrada, o Hurtmold lançou Sessões Selo Sesc #17: Hurtmold, primeiro álbum ao vivo da carreira. O registro reúne faixas captadas nas duas apresentações realizadas nos dias 16 e 17 de setembro de 2023, no teatro do Sesc Santana, em São Paulo, revisitando músicas que atravessam diferentes fases da banda desde sua formação, em 1998. Formado por amigos de escola, o grupo construiu uma trajetória sólida dentro da música instrumental e alternativa brasileira, transitando entre rock, experimentação sonora e composição coletiva. Ao longo dos anos, o Hurtmold dividiu palcos e projetos com nomes como Rob Mazurek, Naná Vasconcelos, Pharoah Sanders, Toninho Horta e Thomas Rohrer, além de acompanhar Marcelo Camelo em sua turnê solo, consolidando-se como uma das formações mais consistentes da cena independente. Com 13 faixas, o repertório do álbum percorre diferentes momentos da discografia, incluindo músicas como Sabo, Kampala, Mestro, Olvecio e Bica e Música Política para Maradona Cantar. Gravado no Sesc Santana, o trabalho integra a série Sessões Selo Sesc, conhecida pelo cuidado técnico na captação, mixagem e masterização, aproximando o ouvinte da experiência ao vivo. Para os integrantes, a longevidade da banda passa pela escuta coletiva e pela capacidade de adaptação ao longo do tempo. Segundo o baixista Marcos Gerez, o Hurtmold segue existindo na interseção das vidas de seus seis integrantes, aprendendo a ouvir, ajustar e criar juntos. Uma conexão que também se reflete no público, atravessando gerações e reafirmando o impacto construído pela banda ao longo de quase três décadas. Ouça o álbum ao vivo do Hurtmold