Entrevista | Sociedade Armada – “A ideia é tocar com regularidade e voltar a estar ativo no cenário”

A banda Sociedade Armada está oficialmente de volta à ativa após um hiato de cerca de seis anos. O retorno ganha ainda mais força com uma nova formação, marcando uma nova fase para um dos nomes tradicionais do hardcore santista. A retomada foi impulsionada por um documentário sobre a trajetória do grupo, reacendendo o interesse dos integrantes e também a conexão com fãs e amigos que acompanharam a banda desde sua fundação, em 1994. O primeiro show dessa nova fase, na cidade natal em Santos, aconteceu no último dia 10 de abril, reunindo nomes importantes da cena como Ação Direta, Contramão e Causa Hardcore. A apresentação marcou não apenas o reencontro da banda com o público, mas também reafirmou sua relevância dentro do circuito underground, com um show celebrado como uma verdadeira festa entre músicos e fãs. No setlist estavam clássicos que abrangeram todas as fases da banda com grande destaque para Rotina e Juventude Transviada que levou o público à loucura. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Fefê falou sobre o retorno da banda, os planos para manter uma agenda ativa de shows e relembrou momentos marcantes da trajetória, destacando apresentações em diferentes fases da carreira e a forte conexão construída com o público ao longo dos anos. 11 entrevistas sobre a cena punk e hardcore do Brasil. O que motivou a Sociedade Armada a voltar e como foi esse primeiro show da volta? Na verdade, tudo começou quando, há alguns anos, Rodney, Eric e Chroma Key (estúdio) vieram produzir um documentário sobre a história da banda. Isso já despertou aquela vontade, porque você começa a revisitar tudo o que aconteceu, mesmo depois de cerca de seis anos sem tocar. Esse processo trouxe de volta um pouco dessa energia. Depois, começamos a conversar com amigos, consultar pessoas próximas, e todo mundo incentivando, dando força. Também é muito legal pela oportunidade de reencontrar pessoas. A banda existe desde 1994, então são muitas amizades construídas ao longo dos anos em várias partes do Brasil. É uma chance de rever todo mundo. Após esse retorno, quais são os planos para o futuro? A ideia é tocar com regularidade, pelo menos uma vez por mês, e voltar a estar ativo no cenário. A gente não vive da banda, mas existe o compromisso de manter essa disciplina e continuar presente no underground. Queremos fazer shows como esse, que deixou todo mundo feliz, foi uma festa muito bacana. Todo mundo se divertiu, e isso mostra que o resultado foi positivo. Tem algum show que ficou marcado na história da banda? Todo show acaba sendo especial de alguma forma. Até apresentações mais difíceis, como uma que fizemos em 1995, em uma quarta-feira, quase às quatro da manhã, praticamente só para o dono do bar. Mesmo nessas situações, você aprende, evolui e ganha experiência. Mas um show que marcou bastante foi em Natal, que foi realmente muito especial. Em Santos também tivemos vários momentos importantes, principalmente nos anos 90, quando a cidade vivia uma fase muito forte, com muitas bandas de fora e casas lotadas. Sempre tivemos uma relação muito intensa com o público, uma troca de energia muito forte. Independentemente do tamanho do público, seja para poucas pessoas ou para mais de mil, como já aconteceu em Recife, essa conexão é o que realmente importa.

Bring Me The Horizon anuncia regravação de “Count Your Blessings” e show especial

O Bring Me the Horizon decidiu olhar para trás e revisitar suas origens. A banda anunciou uma regravação completa de Count Your Blessings, disco de estreia lançado originalmente em 2006, que será relançado em uma versão atualizada intitulada Count Your Blessings | Repented, prevista para 10 de julho. A ideia é apresentar o material com uma nova abordagem sonora, refletindo a evolução do grupo ao longo de duas décadas. Marcado pelo peso do deathcore e por faixas como “Pray for Plagues”, o álbum foi essencial para projetar o nome da banda na cena pesada, ainda que tenha sido deixado de lado nos anos seguintes, conforme o grupo expandiu sua sonoridade. Agora, a proposta é resgatar essa fase com produção moderna e uma pegada mais refinada, mantendo a intensidade original. Para celebrar o lançamento, o Bring Me The Horizon também confirmou um show especial no festival Outbreak, em Manchester, onde tocará o disco na íntegra. A apresentação promete ser um momento simbólico para fãs antigos e novos, reforçando a importância do álbum na trajetória da banda e no desenvolvimento do metal contemporâneo. A revisita ao passado surge em um momento de intensa atividade do grupo, que segue explorando novas sonoridades e projetos paralelos. Ainda assim, a decisão de revisitar Count Your Blessings indica uma reconexão com as raízes, transformando um capítulo muitas vezes ignorado em peça central de celebração. Brasil O Bring Me The Horizon se apresenta no Rock in Rio ao lado de Avenged Sevenfold no dia 5 de setembro. A última apresentação no Brasil, em 2024, marcou a maior apresentação solo da carreira da banda e virou filme, sendo exibido este ano nos cinemas.

Entrevista | Ação Direta – “Estamos preparando dois setlists para os 40 anos da banda”

A banda Ação Direta voltou a Santos, na última sexta-feira (10), para um show no pub Mucha Breja, reunindo diferentes gerações da cena punk e hardcore. O evento também contou com apresentações de Sociedade Armada, Causa Hardcore e Contramão, consolidando uma noite marcada pelo reencontro entre nomes históricos. Formada no ABC Paulista em 1987, a Ação Direta construiu uma trajetória sólida dentro do hardcore brasileiro, com letras politizadas, atitude DIY e forte presença ao vivo. Ao longo das décadas, a banda se tornou referência no gênero, mantendo-se ativa com lançamentos constantes, turnês e participações em festivais importantes. Mesmo após mudanças de formação, o grupo preserva sua essência combativa e segue dialogando com diferentes gerações da cena. O retorno a Santos também teve caráter simbólico para a banda, que mantém uma relação histórica com a cidade desde os anos 80, período em que o intercâmbio entre as cenas do ABC e do litoral era intenso. No show do Mucha Breja, o público respondeu com casa cheia e participação ativa, reforçando a relevância contínua do grupo. Em entrevista ao Blog N’Roll, o vocalista Paulo Gepeto fala sobre os 40 anos da banda que será celebrado em 2027. Esta entrevista faz parte de uma série de 11 entrevistas sobre a cena punk e hardcore do Brasil. 39 anos de Ação Direta. Você tem algum plano para os 40 anos? O que vocês pretendem fazer para o ano que vem? Quais são as expectativas? Cara, nem parece que passou tanto tempo, né? Mas são 39 anos de estrada, de trabalho pesado. A banda está em um momento bom, a gente está fazendo bastante shows. Tem um álbum novo chegando agora em maio, que é um split com uma banda alemã chamada Japanische Kampfhörspiele. Não sei se meu alemão está tão bem assim. Mas estamos com muita atividade e com um baixista novo. Estamos preparando dois setlists para os 40 anos da banda, para comemorar, abrangendo todas as fases. E como está a agenda da banda? Muitos planos, turnês, shows. A agenda da banda está legal, a gente está rodando. Hoje estamos aqui em Santos, voltando a Santos. Se não me engano, fazia três anos que a gente tinha vindo no FuzzFest, do Garage Fuzz. E é muito legal, emocionante rever toda essa galera, os amigos dos anos 80, que ajudaram muito a Ação Direta aqui. Tem algum show memorável aqui em Santos? Cara, hoje com certeza foi um show memorável, porque casa cheia, festa boa, rever a velha guarda de Santos, a molecada nova, todo mundo. Isso é memorável. Acho que todos os shows que a gente fez aqui entraram para a história. Acho que o Circo Marinho, que reuniu Psychic Possessor, Ação Direta, Vulcano, SPH, foi um show que me marcou muito. Já fizemos um lançamento de disco Vestido de Mulher, no Carinhoso Bar, com o Nego caindo no canal, chapado. Tinha um intercâmbio muito grande entre ABC e Santos. E relembrar Psycho Possessor, Ovec, Garage Fuzz, Safari Hamburguers, tantas bandas importantes da cena. Aqui é muito legal. É um prazer enorme voltar a Santos, que a gente frequenta desde os anos 80. Então, muitas histórias legais e rever essas pessoas, rever a cena nova, as bandas novas que tocaram com a gente hoje também. Muito importante, cara. E a gente está muito feliz de ver o espaço abrindo as portas para as bandas, a galera comparecendo, se divertindo, comprando merchandise, dando suporte. A gente vai sair daqui feliz e a banda tem várias novidades. Fiquem atentos que agora em maio sai o trabalho novo.

O Épicco estreia com Algo Mais e aposta em mistura de soul, rock e brasilidade

A banda O Épicco dá um novo passo na carreira com o lançamento de seu primeiro álbum, Algo Mais, já disponível em todas as plataformas digitais. Fundado pelo vocalista Whil Savegnago, o grupo aposta em uma sonoridade que transita entre soul, R&B, blues e rock dançante, com forte influência da música brasileira. Gravado na Toka Produtora e com curadoria do produtor e guitarrista Eduardo Loja, o disco apresenta 13 faixas que exploram diferentes vertentes musicais, consolidando a identidade de uma big band contemporânea. Com formação robusta e novos integrantes, incluindo um trio de metais, o álbum resgata elementos clássicos do jazz, soul e R&B, atualizados com referências modernas. A faixa-título “Algo Mais”, que abre o disco, estabelece o tom do projeto com inspiração nos anos 70 e 80 e no soul nacional. Já músicas como “Vício”, “Pode se Jogar” e “Um Dia de Cada Vez” dialogam com o pop rock brasileiro, enquanto “Somos Dois Exagerados” mergulha na linguagem do blues. Outras canções como “Acende”, “Leva Nada” e “Clichê” ampliam o alcance do álbum, conectando-se tanto com playlists de MPB quanto com o pop rock. Segundo Whil Savegnago, o diferencial da banda está na força instrumental e na dinâmica coletiva. A proposta é clara: criar uma experiência musical que vá além do entretenimento, incentivando o público a buscar uma vida mais leve, com menos excessos e mais conexão com o que realmente importa. Formada em 2018, em Ribeirão Preto, O Épicco já passou por palcos importantes, abriu show para o Kiss na cidade e soma participações em festivais relevantes como o Brazilian Bacon Day, onde também está confirmada como um dos destaques da edição de 2026.

Entrevista | Supercombo – “Com as duas partes juntas é um dos discos mais incríveis da banda”

O Supercombo lança nesta sexta-feira, 10 de abril, a segunda parte do álbum Caranguejo, pela Deckdisc, concluindo um projeto concebido desde o início como um disco dividido em dois tempos. Após apresentar a primeira metade ao longo de 2025 em uma série de shows por seis estados, o novo capítulo chega com oito faixas inéditas que ampliam a proposta do trabalho, explorando diferentes climas, ritmos e atmosferas sem perder a unidade estética construída anteriormente. O show de lançamento será dia 26 de abril na Casa Natura. Musicalmente, o rock segue como base da identidade do Supercombo, mas ganha contornos mais abertos nesta segunda etapa. A sequência se inicia com “Combustão”, uma vinheta que funciona como ponte entre as duas partes, e avança para momentos de maior impacto, como “Deixa a Maré Te Levar”, marcada por riffs mais pesados e energia crescente. Ao mesmo tempo, o álbum aprofunda narrativas já sugeridas, como em “Deixar Pra Lá”, que dialoga diretamente com “Alento”, e em “Como Se Fosse Ontem”, que revisita a nostalgia da adolescência sem se prender ao passado. Com a Parte 2, Caranguejo se consolida como o trabalho mais elaborado da carreira da Supercombo, resultado de um período mais longo em estúdio e de uma produção refinada assinada por Victor de Souza, o Jotta. O disco completo, agora com 15 faixas, reforça o momento de maturidade criativa do grupo e sua proposta de construir álbuns como experiências contínuas. O Blog N’ Roll acompanhou de perto esse processo e esteve, na última sexta-feira (03/04), no estúdio da banda ao lado do fã-clube para uma audição exclusiva da segunda parte do projeto em primeira mão. Como é que foi ver a recepção dos fãs agora na audição dessa segunda parte de Caranguejo? Léo Ramos – Absurdamente incrível. A gente sempre fica numa expectativa porque a parte 1 foi tão bem recebida por eles e aí a gente pensando, né? Pô, e aí? E a parte 2? Será que a galera vai gostar? Mas eu acho que pra mim superou as expectativas, tanto pra gente quanto pra eles. Foi um momento muito legal. Tenho certeza que com as duas partes juntas, pra mim, é um dos discos mais incríveis da banda. Tem uma parte favorita de vocês? A 1 ou a 2? Léo Ramos – Cara, eu acho que eu gosto mais da 2 agora. André “Dea” – Eu acho que por ser mais novinha, todo mundo tá com a 2 no coração. Carol Navarro – Vou votar na 2 também. É, a parte 2 tem uns rifão. Não que o primeiro não tivesse, né? Mas a 2 vai ser divertido de tocar no show. Paulo Vaz – Eu gosto mais da segunda parte também. Eu acho que ela é mais concisa em relação aos timbres, a sonoridade. Eu sinto ela com mais pressão. Então eu gosto mais da segunda parte, mas amo a primeira também. E qual vai ser a primeira música de trabalho dela? Léo Ramos – Eu acho que vai ser Como Se Fosse Ontem, do Vitor Kley. Brincadeira, risos. A gente não sabia, ou a gente não lembrava, sei lá, que o Vitor Kley tinha uma música chamada Como Se Fosse Ontem. Beijo, Vitor Kley, te amo. Mas enfim, acho que vai ser esse single o primeiro. E sobre o que fala a letra? Léo Ramos – É sobre nostalgia, sobre uma época em que a gente só ia pros Corujão jogar CS até de madrugada, até o dia raiar. E a vida era muito mais simples. É uma música sobre isso, mais leve, né? Levinho.

Entrevista | Winger – “Provavelmente será a última vez que tocamos no Brasil”

A banda Winger está confirmada no line-up do Bangers Open Air e se apresenta no dia 26 de abril. Formado no fim dos anos 1980, o grupo liderado por Kip Winger ganhou projeção com hits como “Seventeen” e “Miles Away”, consolidando seu nome no hard rock melódico da época. A banda também ficou conhecida pela forte musicalidade, equilibrando técnica refinada e apelo radiofônico, algo que os diferenciava dentro da cena glam. Ao longo das décadas, o Winger enfrentou altos e baixos, especialmente durante a virada dos anos 1990, quando o grunge dominou o mercado e impactou diretamente bandas do estilo. Ainda assim, o grupo manteve sua relevância com trabalhos consistentes e retornos pontuais, como o álbum “Karma” e o mais recente “Winger VII”, que reuniu a formação clássica. Paralelamente, Kip Winger desenvolveu uma carreira respeitada na música erudita, inclusive com indicações ao Grammy na área de composição clássica. A apresentação no Bangers Open Air ganha contornos ainda mais especiais por marcar uma das últimas passagens da banda pelo Brasil, dentro de uma turnê que sinaliza o encerramento gradual das atividades. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Charles “Kip” Winger falou sobre o fim das turnês, a transição para a música clássica e a relação com o público brasileiro. Quando você percebeu que era hora de encerrar a trajetória do Winger? Já venho pensando nisso há cerca de cinco anos. Tenho me dedicado cada vez mais à composição orquestral e senti que queria focar mais nisso. Chegamos a planejar essa despedida antes da pandemia, mas com a COVID decidimos seguir e depois fazer uma despedida gradual, com shows finais ao redor do mundo. Não anunciei oficialmente que nunca mais vou tocar, mas estou diminuindo o ritmo. Também tive alguns problemas vocais nos últimos anos e não quero subir ao palco sem conseguir cantar bem. Essa será uma despedida definitiva dos palcos ou ainda haverá espaço para apresentações pontuais? Provavelmente será a última vez que tocamos no Brasil. Já fizemos nossos últimos shows no Japão e na Europa. Ainda temos algumas datas nos Estados Unidos, mas estou mantendo tudo bem reduzido e sem aceitar novos compromissos. O que muda emocionalmente ao subir no palco sabendo que são os últimos shows? Foi um processo gradual. Sinto que já fiz tudo que podia com a banda. O álbum “Winger VII” foi pensado como uma declaração final, reunindo a essência do início com tudo que construímos ao longo de 35 anos. Eu não gosto de me repetir como artista, então prefiro seguir em frente e explorar novos caminhos, principalmente na música clássica. Como está sendo montado o setlist dessa turnê final sendo um show em Festival? Haverá surpresas para o Brasil? Ainda não defini completamente. Inclusive meu empresário me perguntou isso recentemente. Se você tiver alguma música favorita, pode sugerir. Vamos incluir os principais hits, claro, e algumas faixas que gostamos de tocar ao vivo. Gosto dos clássicos, mas imagino que já estejam no set, como “Seventeen”e “Can’ Get Enough”. Inclusive, “Miles Away” fez sucesso como trilha sonora de novela no Brasil. Como você vê esse tipo de exposição? Fiquei sabendo disso depois. É uma grande honra. Sempre é bom quando sua música chega a outros contextos, como TV e cinema. Há alguma música difícil de deixar de fora do repertório nessa turnê? Não especificamente. Sempre priorizamos os hits, que são muitos, e escolhemos outras músicas dependendo do momento. Algumas funcionam melhor ao vivo do que outras. Você sabia que São Paulo é hoje a cidade que mais ouve Winger no mundo? Inclusive ela tem quase o dobro de plays no Spotify do que Chicago, segunda colocada. Esse tipo de dado influencia decisões de turnê? Não sabia. Isso é incrível e aumenta ainda mais a responsabilidade para o show. Sou bem old school e não acompanho estatísticas. Acho que isso pode até atrapalhar a criatividade. Como você enxerga o público brasileiro? Todos os shows que fiz no Brasil foram incríveis. Os fãs brasileiros são absolutamente impressionantes, eles vivem e respiram a música de uma forma única. Não existe nada igual. Fiz uma pequena turnê acústica com meu percussionista, Robbie Rothschild, e desde o primeiro show, mesmo em um lugar pequeno, estava lotado e o público estava enlouquecido. Eu me virei para ele e disse: “é disso que se trata tudo isso”. Porque você não vai ver isso em qualquer lugar. O Brasil é muito único nesse sentido. Os fãs simplesmente se tornam a música, é algo inacreditável. Então, quando você me pergunta sobre memórias, a verdade é que cada show no Brasil é melhor que o anterior. Como foi a transição de tocar com Alice Cooper para liderar sua própria banda? Foi uma experiência muito importante para mim. Aprendi bastante com o Alice, principalmente sobre turnês e sobre como se comportar como frontman. Eu vinha de uma banda com meus irmãos, onde esse papel era dividido, então precisei desenvolver isso quando o Winger começou. Observar como ele conduzia o público e comandava o palco foi uma grande escola, e isso acabou sendo fundamental quando a banda engrenou. A banda sofreu críticas nos anos 1990 com o grunge e a cultura pop, teve o episódio do personagem de Beavis and Butthead que era fã de Winger e sofria bullying, teve a cena do Lars do Metallica jogando dardos na sua foto… Como você lidou com isso? Aquilo tudo simplesmente aconteceu ao nosso redor. A chegada do grunge, o impacto cultural de coisas como Beavis and Butt-Head e até o próprio Metallica acabaram nos colocando no centro de uma situação que não controlávamos. Foi algo que prejudicou bastante a nossa imagem por um tempo, mas musicalmente nunca me afetou. Eu sempre tive uma visão clara do que queria fazer e continuei evoluindo. Foquei na música, segui trabalhando e, no fim, consegui sair do outro lado, inclusive com reconhecimento na música clássica. Por outro lado, hoje há um revival de estilos clássicos. Inclusive, o Crazy Lixx que dividirá o palco com vocês é uma banda bem mais

Renan Inquérito transforma luta contra câncer em álbum mais íntimo da carreira

O rapper Renan Inquérito transformou um dos momentos mais delicados de sua vida em matéria-prima para seu novo álbum, “Tireoide”, já disponível nas plataformas digitais. Em 2024, enquanto se preparava para a gravação de um clipe e um show que celebraria uma década de carreira, o artista descobriu um corpo estranho na glândula tireoide, responsável pela produção dos hormônios T3 e T4 e fundamental para o funcionamento do organismo. O diagnóstico trouxe o risco de comprometer sua principal ferramenta de trabalho, a voz, e deu início a uma jornada marcada por exames, tratamentos e cirurgias. Mais do que um novo lançamento, “Tireoide” se apresenta como um registro direto do enfrentamento ao câncer. Em tom cru e confessional, o disco percorre contrastes entre o impacto do diagnóstico e o alívio da cura, entre perdas e recomeços. Ao longo de 11 faixas, o rapper expõe momentos de vulnerabilidade, como em “Elis Não Sabe Nada”, dedicada à filha, ao mesmo tempo em que constrói uma narrativa de superação que ganha força em músicas mais luminosas, onde o câncer deixa de ser protagonista e abre espaço para a esperança e a celebração da vida. Com produção de Pop Black, o álbum aposta em uma estética clássica do boombap, mesclando samples e batidas tradicionais com instrumentação orgânica. O projeto ainda reúne participações de Vih Mendes, Wesley Camilo, Dow Raíz e Lino Krizz. Após a retirada total da glândula, Renan Inquérito encerra o ciclo com um trabalho que reafirma sua trajetória e transforma dor em discurso, consolidando um dos capítulos mais intensos de sua carreira.

Entrevista | Blackberry Smoke – “O Brit faleceu há três anos, então vamos dedicar essa turnê a ele”

O Blackberry Smoke está de volta ao Brasil após sete anos. A banda norte-americana, um dos principais nomes do renascimento moderno do southern rock, desembarca no país para uma série de quatro shows em abril, passando por Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba. Com uma base fiel de fãs e uma carreira construída na estrada, o grupo retorna em um momento simbólico, celebrando 25 anos de atividade. Com realização da Solid Music Entertainment, a turnê passa por Porto Alegre/RS no dia 8/04 (Urb Stage), Belo Horizonte/MG dia 10/04 (Mister Rock), São Paulo/SP dia 11/04 (Audio) e Curitiba/PR no dia 12/04 (Tork n’ Roll). Formado em Atlanta, o Blackberry Smoke consolidou seu nome ao longo das últimas duas décadas com uma sonoridade que mistura southern rock, country e blues, mantendo uma abordagem orgânica em meio a um mercado cada vez mais digital. Fora do mainstream tradicional, a banda construiu sua trajetória de forma independente, conquistando relevância global e chegando ao topo das paradas de country mesmo sem seguir os padrões do gênero. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Charlie Starr falou sobre a expectativa para o retorno ao Brasil, a nova fase da banda após a perda do baterista Brit Turner e também comentou o cenário atual da música, incluindo a relação entre country e rock e o uso crescente de tecnologia nos shows ao vivo. O que vocês mais esperam dessa volta e existe alguma memória específica da última vez de vocês no Brasil? As pessoas. As pessoas lindas. Eu lembro de como as pessoas cantavam alto as músicas, e eu amo muito isso. O público brasileiro tem fama de ser intenso. Você sentiu isso de forma diferente no palco em comparação com outros países? Cada país é diferente, até cada cidade dentro dos Estados Unidos pode ser diferente, e de uma noite para outra a intensidade muda. Mas é muito especial tocar em lugares que não visitamos com frequência, isso torna tudo ainda mais especial. O setlist será o mesmo da turnê ou podemos esperar surpresas? Com certeza teremos surpresas. A gente muda o setlist toda noite, tentamos não repetir sempre a mesma coisa. Na última passagem, teve alguma música que teve uma reação diferente do público brasileiro? Não sei se diferente, mas eu adoro como o público brasileiro canta até os riffs de guitarra. Tem uma música chamada “Ain’t Got The Blues” e as pessoas estavam cantando a guitarra, isso não acontece com frequência. O que mudou na banda da última visita até agora e o que essa turnê representa para o futuro da banda? Bom, temos outro baterista. Nosso baterista original, Brit, faleceu há três anos, então vamos dedicar essa turnê a ele. Estamos celebrando 25 anos de banda este ano, então já é um bom motivo para comemorar. Vamos seguir em frente. Vocês estão trabalhando em material novo durante a estrada? Sim, estamos escrevendo agora. Está sendo bom, estou animado. Já que vocês compõe na estrada, há algum lugar que já inspirou diretamente vocês a compor músicas? Sim, o tempo todo. Onde quer que a gente vá, eu tento manter a antena ligada, prestar atenção e buscar inspiração em tudo. Depois de 25 anos, vocês ainda estabelecem objetivos ou é mais sobre manter consistência? Acho que é mais sobre consistência. Não sei se alguma vez realmente estabelecemos metas. A gente só quer tocar para o maior número de pessoas possível e fazer a melhor música que puder. Ainda existe algo que vocês querem conquistar na carreira? Eu foco no que estamos fazendo, mas adoraria fazer um show com os Rolling Stones, seria incrível. O Brit era visto como o “norte” da banda. Como vocês reorganizaram esse papel? Não sei se reorganizamos exatamente. A gente absorveu a ética de trabalho dele. Ele era incansável e uma inspiração para continuar seguindo em frente. Ele trabalhava muito na parte de negócios e merchandising, então tentamos manter isso em homenagem a ele. Como foram os primeiros ensaios e shows sem ele? Foi muito surreal. O último show dele foi em Atlanta, na cidade natal. A gente não sabia que seria o último. Ele já estava perdendo algumas habilidades motoras e precisou se afastar em alguns momentos. Foi muito triste, sinto falta do meu amigo. E como o público reagiu a esses primeiros shows sem ele? Acho que todo mundo ficou em choque. Mas todas as noites a gente menciona que o show é para o Brit, e isso cria uma sensação de união com os fãs, porque eles acompanharam tudo, a doença, a piora e a perda. Vocês já lideraram as paradas de country sendo uma banda de southern rock. Como veem essa diferença hoje? É difícil dizer. Muito do country atual nem soa como country para mim. Mas a música evolui, sempre evoluiu. Tem espaço para todo mundo. Como vocês veem artistas pop, como Beyoncé e Post Malone entrando no country? Acho legal. Gosto do disco do Post Malone, ele é muito talentoso. A música da Beyoncé também achei boa. No começo estranhei, mas depois pensei, é um hit. Hoje, com streaming, as pessoas buscam novos caminhos para se manter relevantes. Como vocês veem o rock hoje em dia e o que você acha do uso de backing tracks e elementos eletrônicos nos shows? É algo que sempre evolui. Mas tocar ao vivo, tocar alto e não ser seguro demais, isso é o que define o rock desde o começo. Mas eu gosto de música ao vivo. Se vou ver alguém tocar, quero ouvir tocando de verdade. Não gosto de tracks, acho isso péssimo. Prefiro imperfeição do que algo perfeito demais. Perfeição é chata. Vocês construíram a carreira fora da mídia tradicional. Hoje é mais fácil ou mais difícil seguir fora do mainstream? Acho que é mais acessível hoje, existem mais caminhos. Não sei se mais fácil, mas certamente mais possível. Aprendemos do jeito antigo, controlando tudo, pagando tudo e levando nossa música diretamente para as pessoas. Foi um crescimento orgânico. Que conselho vocês

The Amity Affliction anuncia show em São Paulo com nova fase e álbum inédito

A banda australiana The Amity Affliction retorna a São Paulo no dia 24 de maio para apresentação única no Brasil, marcada para o Carioca Club. O show integra a Latin America Tour 2026 e acontece poucas semanas após o lançamento de House of Cards, nono álbum de estúdio do grupo, previsto para 24 de abril. A turnê marca também a estreia de Jonny Reeves nos vocais limpos, reforçando uma nova fase na trajetória da banda. Formado por Joel Birch, principal compositor do grupo, o The Amity Affliction construiu sua carreira abordando temas como depressão, ansiedade, dependência química e exaustão emocional de forma direta. Essa abordagem ajudou a projetar a banda além da Austrália, com quatro álbuns alcançando o topo da parada da ARIA e presença constante em rankings internacionais. Nos últimos anos, o grupo também manteve relevância com Not Without My Ghosts, que entrou no Top 10 em 2023, e com a releitura Let the Ocean Take Me (Redux), novamente no Top 10 em 2024. O novo álbum, House of Cards, chega cercado de expectativa por representar um momento delicado para Birch e sua família. O disco foi concebido a partir do luto pela morte da mãe do vocalista, em 2024, e carrega uma carga emocional ainda mais intensa. A faixa-título, apresentada pela gravadora Pure Noise Records, foi descrita como uma composição pessoal dedicada a ele e aos irmãos, refletindo o impacto direto dessa perda. Musicalmente, o trabalho também indica mudanças, como um período de renovação para a banda: formação atualizada, processo de autoprodução e uma retomada consciente da sonoridade melódica que marcou seus maiores sucessos. O disco reforça a identidade do grupo ao combinar refrões acessíveis com letras intensas e sem filtro emocional. Com esse novo repertório, o The Amity Affliction chega ao Brasil em um momento decisivo da carreira, revisitando sua essência enquanto expande sua abordagem criativa. A expectativa é de um show que equilibre clássicos da banda com as faixas inéditas, mantendo a conexão direta com o público que os acompanha ao longo dos anos. ServiçoThe Amity Affliction em São PauloData: 24 de maio de 2026Horário: a partir das 17hLocal: Carioca ClubEndereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – São Paulo/SPIngressos: fastix.com.br/events/the-amity-affliction-em-sao-paulo