A banda mineira Basta lançou nesta sexta-feira (6) seu primeiro EP, Manual para Dias Estranhos, com seis faixas que misturam hardcore melódico e skate punk cantados em português. Formado por músicos de Araguari e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o grupo conta com participações especiais de Henrike Baliú, vocalista do Armada e ex-Blind Pigs, e Badke, do Carbona e Morcegula.
Criado em 2024, o Basta reúne integrantes com experiência em bandas como Uganga, Attero e Krow. A proposta é resgatar a sonoridade do hardcore melódico dos anos 1990 e 2000, com influências de Pennywise, NOFX, Bad Religion, Face to Face e Rise Against, além de referências brasileiras como Dead Fish, CPM 22, Garage Fuzz e Noção de Nada.
O título Manual para Dias Estranhos faz referência às dificuldades e contradições do cotidiano, abordando temas como mudanças, perdas, escolhas e frustrações. A inspiração também passa pelo Enchiridion, obra do filósofo estoico Epicteto que discute a diferença entre aquilo que está sob nosso controle e os acontecimentos que não podemos modificar.
Essa reflexão aparece especialmente em “Inevitável”, escolhida como primeiro single do trabalho. A composição aborda a necessidade de aceitar situações que não podem ser controladas e encontrar maneiras de seguir em frente. Segundo a banda, a proposta do EP não é oferecer respostas definitivas, mas criar uma conexão com quem enfrenta momentos difíceis.
Basta reúne convidados ligados à história do punk brasileiro
Entre os destaques está “De Novo Aqui”, faixa de abertura que conta com Henrike Baliú nos vocais. Conhecido por sua trajetória no Blind Pigs e no Armada, o cantor participa de uma das composições mais rápidas e diretas do EP, cuja letra aborda resistência e superação.
Já Badke, integrante do Carbona e Morcegula, participa de “Mundo Estranho”, música que critica a busca por aprovação nas redes sociais e a construção de uma vida aparentemente perfeita nas telas. A faixa alterna diferentes ritmos e apresenta um refrão melódico, com os vocais divididos entre Badke e Raphael Franco.
O repertório também inclui “Fora do Lugar”, que discute erros e convicções em meio a diferentes versões da realidade; “Certas Escolhas”, marcada pela velocidade do skate punk; e “Nunca Me Fez Bem”, composição sobre recuperar a própria identidade depois de tentar corresponder às expectativas dos outros.
A gravação aconteceu no Rocklab, em Anápolis (GO), com produção de Gustavo Vazquez. Para preservar a energia das apresentações ao vivo, os cinco integrantes registraram as músicas tocando juntos, sem o uso de metrônomo. Vazquez também ficou responsável pela mixagem e masterização. A arte da capa é assinada pelo ilustrador pernambucano Wendell Araújo, que já trabalhou com bandas como Ratos de Porão e Cólera.
Integrantes do Basta têm longa trajetória na cena independente
O Basta é formado por Raphael Franco (vocal), Thiago Soraggi (guitarra), Felipe “Capacete” Santos (guitarra), Raphael “Sapão” Rabelo (baixo) e Marco Paulo Henriques (bateria).
Raphael Franco e Thiago Soraggi integraram o Uganga, enquanto Sapão também passou por Krow e Attero. Além da experiência musical, os integrantes participaram da organização de festivais e iniciativas independentes no Triângulo Mineiro.
Marco Paulo Henriques, por exemplo, comanda desde 2011 o Vitrola Ambiente Cultural, em Araguari, e criou o Festival Pegando Fogo, que já realizou 33 edições. Já Sapão foi responsável pela criação do Udi Rock, evento que ajudou a movimentar a cena de rock pesado de Uberlândia.
Com Manual para Dias Estranhos, o Basta apresenta um trabalho que conecta a experiência de seus integrantes à tradição do hardcore melódico brasileiro, apostando em músicas rápidas, refrões marcantes e letras sobre questões pessoais e sociais.
Ouça o EP Manual para Dias Estranhos: https://basta-manual.sbmt.to