Quebrando divisões de gênero musical para colocar a fúria feminina na linha de frente com humor, atitude e deboche: a cantora e compositora Mastrobiso disponibilizou nas principais plataformas digitais o single Cruelas Vol. 1. Lançada pela gravadora Deck, a faixa assume o formato de um cypher visceral que costura as batidas do hip hop à distorção do rock, reunindo um time de peso: Dani Buarque (vocalista e guitarrista do The Mönic), MC Taya, Kouth e Scarlett Wolf.
A iniciativa nasceu da vivência de Mastrobiso com a cultura do rap, cultivada desde a adolescência, somada ao desejo de transportar essa dinâmica de rimas coletivas para a cena do rock protagonizada por mulheres.
Para a artista, a simples existência feminina em um mercado dominado por homens já é um manifesto punk por si só, abrindo mão do peso didático.
“Chega de explicar o óbvio. Agora é hora de falar sobre o que quiser, colocar a raiva para fora, se divertir e fazer barulho”, crava Mastrobiso.
Resposta à misoginia com produção de Dé Barros
Em um cenário de recrudescimento de discursos misóginos e ataques a direitos históricos, Cruelas Vol. 1 converte o incômodo em energia sonora criativa. A música dispensa o tom defensivo para apostar na autonomia estética, unindo artistas com posicionamentos contundentes e linguagens complementares.
A arquitetura das batidas e guitarras tem a assinatura de Dé Barros, DJ e produtor atuante na vanguarda do rap e do trap nacional, parceiro de longa data nas composições e arranjos de Mastrobiso.
Como primeiro volume de uma série colaborativa, o lançamento marca território na nova safra da música urbana e alternativa feita por mulheres no Brasil.