A banda Ação Direta voltou a Santos, na última sexta-feira (10), para um show no pub Mucha Breja, reunindo diferentes gerações da cena punk e hardcore. O evento também contou com apresentações de Sociedade Armada, Causa Hardcore e Contramão, consolidando uma noite marcada pelo reencontro entre nomes históricos.
Formada no ABC Paulista em 1987, a Ação Direta construiu uma trajetória sólida dentro do hardcore brasileiro, com letras politizadas, atitude DIY e forte presença ao vivo. Ao longo das décadas, a banda se tornou referência no gênero, mantendo-se ativa com lançamentos constantes, turnês e participações em festivais importantes. Mesmo após mudanças de formação, o grupo preserva sua essência combativa e segue dialogando com diferentes gerações da cena.
O retorno a Santos também teve caráter simbólico para a banda, que mantém uma relação histórica com a cidade desde os anos 80, período em que o intercâmbio entre as cenas do ABC e do litoral era intenso. No show do Mucha Breja, o público respondeu com casa cheia e participação ativa, reforçando a relevância contínua do grupo. Em entrevista ao Blog N’Roll, o vocalista Paulo Gepeto fala sobre os 40 anos da banda que será celebrado em 2027. Esta entrevista faz parte de uma série de 11 entrevistas sobre a cena punk e hardcore do Brasil.
39 anos de Ação Direta. Você tem algum plano para os 40 anos? O que vocês pretendem fazer para o ano que vem? Quais são as expectativas?
Cara, nem parece que passou tanto tempo, né? Mas são 39 anos de estrada, de trabalho pesado. A banda está em um momento bom, a gente está fazendo bastante shows.
Tem um álbum novo chegando agora em maio, que é um split com uma banda alemã chamada Japanische Kampfhörspiele. Não sei se meu alemão está tão bem assim. Mas estamos com muita atividade e com um baixista novo. Estamos preparando dois setlists para os 40 anos da banda, para comemorar, abrangendo todas as fases.
E como está a agenda da banda?
Muitos planos, turnês, shows. A agenda da banda está legal, a gente está rodando. Hoje estamos aqui em Santos, voltando a Santos. Se não me engano, fazia três anos que a gente tinha vindo no FuzzFest, do Garage Fuzz. E é muito legal, emocionante rever toda essa galera, os amigos dos anos 80, que ajudaram muito a Ação Direta aqui.
Tem algum show memorável aqui em Santos?
Cara, hoje com certeza foi um show memorável, porque casa cheia, festa boa, rever a velha guarda de Santos, a molecada nova, todo mundo. Isso é memorável. Acho que todos os shows que a gente fez aqui entraram para a história.
Acho que o Circo Marinho, que reuniu Psychic Possessor, Ação Direta, Vulcano, SPH, foi um show que me marcou muito. Já fizemos um lançamento de disco Vestido de Mulher, no Carinhoso Bar, com o Nego caindo no canal, chapado.
Tinha um intercâmbio muito grande entre ABC e Santos. E relembrar Psycho Possessor, Ovec, Garage Fuzz, Safari Hamburguers, tantas bandas importantes da cena. Aqui é muito legal. É um prazer enorme voltar a Santos, que a gente frequenta desde os anos 80.
Então, muitas histórias legais e rever essas pessoas, rever a cena nova, as bandas novas que tocaram com a gente hoje também. Muito importante, cara. E a gente está muito feliz de ver o espaço abrindo as portas para as bandas, a galera comparecendo, se divertindo, comprando merchandise, dando suporte. A gente vai sair daqui feliz e a banda tem várias novidades. Fiquem atentos que agora em maio sai o trabalho novo.