A cantora e compositora Ava Della Pietra surge como um dos novos nomes promissores do pop teen internacional e merece a atenção do público brasileiro. Ex-atriz da Broadway e dona de uma trajetória que une teatro musical, composições autorais e forte presença nas plataformas digitais, a artista norte-americana vem construindo sua identidade com narrativas confessionais e um apelo pop contemporâneo. Aos 20 anos, Ava combina vocais marcantes, influência teatral e uma escrita sensível, elementos que a colocam como uma das apostas da nova geração do gênero.
Seu lançamento mais recente, “3am”, aprofunda esse momento de amadurecimento artístico. A faixa aborda os conflitos emocionais de um relacionamento cíclico, guiada pelo refrão “nothing bad’s gonna happen at 3am”, e apresenta uma sonoridade intimista, entre o pop melódico e a atmosfera noturna do indie. A música chegou acompanhada de videoclipe e reforça o lado mais vulnerável e narrativo da cantora, consolidando Ava Della Pietra como uma nova estrela teen em ascensão. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Ava fala sobre o novo capítulo em sua carreira, a influência da Broadway em sua música e os próximos passos rumo a um álbum.
Você sente que “3am” representa um novo capítulo na sua carreira?
Acho que sim. Sinto que essa música me leva para um lado mais pessoal dentro das narrativas que construo. Ela também mostra uma falha na narradora, algo que eu gosto, um lado mais vulnerável. Então, sim, eu diria que representa um novo capítulo.
Hoje em dia é comum um single ganhar uma versão acústica como parte da estratégia de lançamento para bandas de rock, como forma de suavizar o som. No caso de “3am”, essa ideia surgiu organicamente?
Sim, aconteceu de forma bem natural. Quando comecei a gravar a música, eu a imaginava mais acústica. Desenvolvi uma primeira versão assim com o produtor e gostei muito. Mas no estúdio eu costumo ficar muito animada e isso acaba refletindo na produção. Por isso, decidi lançar primeiro a versão mais intensa e depois a acústica, que também representa muito a essência original da canção.
Eu achei a letra bem pessoal. O quanto essa música é autobiográfica?
Ela não é totalmente autobiográfica. A inspiração veio da observação de um relacionamento de uma amiga, além de uma frase dita por outro amigo, que me falou para “pensar durante a noite e decidir no dia seguinte”. Achei essa frase perfeita para a música e construí a narrativa a partir disso.
Qual foi a parte mais difícil de transformar essa experiência em música?
O mais desafiador foi construir essa narradora quase não confiável. O refrão sugere que nada de ruim vai acontecer às 3 da manhã, quando, na verdade, o público percebe que existe um ciclo tóxico ali. Trabalhar essa dualidade foi desafiador, mas também muito interessante.
Em início de carreira, você já hesitou em expor seu lado vulnerável nas músicas?
Na verdade, a vulnerabilidade sempre fez parte do meu processo. Costumo escrever quando estou refletindo sobre a vida, então a composição acaba funcionando como um diário e também como algo terapêutico.
E como foi o processo criativo do videoclipe? Você teve participação ou isso ficou a cargo da produção?
Sim. Eu sou muito envolvida na criação dos videoclipes, inclusive na edição e na narrativa. A ideia era mostrar um ciclo de acontecimentos, com repetições que simbolizam a repetição dentro do relacionamento. A estética mais escura reforça a vulnerabilidade da música.
O quanto sua experiência na Broadway influenciou a artista que você é hoje?
Influenciou muito. Aprendi sobre performance, presença de palco e conexão com o público. Além disso, cresci ouvindo trilhas de musicais e músicas da Disney, então essa construção narrativa com começo, meio e fim aparece bastante nas minhas composições.
O teatro musical também moldou a forma como você interpreta suas canções?
Com certeza. Gosto de escrever músicas que contem histórias e tenham uma mensagem, quase como uma moral ao final. Isso vem muito da minha formação e da exposição ao teatro musical desde cedo.
Você faz duas faculdades e ainda dá os primeiros passos na sua carreira. Conta para mim, como você consegue equilibrar tudo e como seus estudos impactam sua carreira musical?
Atualmente estudo em Harvard e na Berklee College of Music, em um programa conjunto. Tenho aprendido muito com as aulas e, principalmente, com as pessoas ao meu redor. Mas essa rotina me ajuda bastante. As novas experiências que vivo acabam servindo de inspiração para as composições.
Quais artistas mais te inspiram hoje? E como você enxerga o momento atual da música pop?
Sou muito fã de Conan Gray e Chappell Roan. Gosto especialmente da forma narrativa como o Conan escreve suas músicas. Acho que o pop está cada vez mais diverso, incorporando diferentes estilos. Gosto muito quando artistas experimentam novas direções, porque isso reflete mudanças naturais da vida e da própria identidade artística.
Como costuma nascer uma música sua? Pela melodia ou pela letra?
Normalmente, o hook (gancho) e parte do refrão surgem primeiro, com letra e melodia ao mesmo tempo. Depois desenvolvo a ideia como se fosse um poema e vou construindo a música a partir disso.