Entrevista | Balance and Composure – “Somos uma banda de rock emocional, nunca nos preocupamos com rótulos.”

Entrevista | Balance and Composure – “Somos uma banda de rock emocional, nunca nos preocupamos com rótulos.”

O Balance and Composure se apresenta no próximo dia 16 de maio, em São Paulo, no Cine Joia, marcando a aguardada estreia da banda no Brasil. A passagem pela capital paulista integra uma turnê pela América Latina que também inclui datas no México, Colômbia, Chile e Argentina. O evento ganhou uma alteração importante na programação após pedidos dos fãs, já que acontece no mesmo dia do show do Korn no Allianz Parque. Com isso, a casa abre às 13h e o show do Balance and Composure foi antecipado para acontecer das 17h às 18h30, permitindo que o público consiga acompanhar ambas as apresentações.

Formado em 2007, na Pensilvânia, o Balance and Composure construiu uma trajetória sólida dentro do emo e do post-hardcore, equilibrando peso e melodia em uma discografia que inclui álbuns como Separation e The Things We Think We’re Missing. Após um hiato, a banda retomou as atividades e lançou em 2024 o elogiado álbum With You in Spirit, o primeiro em oito anos, com produção de Will Yip e letras marcadas por reflexões pessoais sobre família, perdas e amadurecimento.

O último trabalho reforça a identidade do grupo ao mesmo tempo em que aponta novos caminhos sonoros. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Jon Simmons falou sobre a expectativa para o primeiro show no Brasil, o retorno após anos de pausa e o momento atual da banda.

Simmons demonstra entusiasmo ao falar sobre a estreia no país e o contato com os fãs sul-americanos, destacando a energia do público e a longa espera por esse momento. Ao mesmo tempo, ele revisita o passado da banda, apontando o desgaste emocional como principal fator para o hiato, além de refletir sobre a forma como o grupo sempre se manteve distante das pressões da indústria. Por fim, o músico comenta o processo criativo do novo álbum e a fase atual e dá sua opinião sobre quem seria o Big 4 da cena Emo.

Como você vê a expectativa para o primeiro show no Brasil?

Ouvi dizer que é insano, que os fãs brasileiros são muito energéticos e cheios de amor. Todo mundo que já tocou aí falou que é algo muito especial. Estou muito animado para viver isso. É algo que sempre quisemos fazer e agora finalmente vamos conseguir. A gente sempre tenta levar energia, mas acho que dessa vez vai ter um pouco mais, justamente pela empolgação de estar na América do Sul pela primeira vez. É algo que esperamos há muito tempo.

Chegaram a conversar com outras bandas sobre a experiência deles por aqui?

Sim, já ouvi de outras bandas que são alguns dos melhores shows que eles já fizeram. Conversei recentemente com o pessoal do Touché Amoré e eles disseram que foi algo de outro mundo. Além disso, os brasileiros comentam nas nossas redes pedindo para irmos ao país desde o começo da banda.

O show foi antecipado por conta do Korn e foi a pedido dos fãs que vão fazer um esforço e ver as duas apresentações no mesmo dia. Como vocês reagiram a isso?

A gente nem sabia que o Korn ia tocar no mesmo dia, foi coincidência. Mas achei muito legal conseguirmos ajustar o horário para que as pessoas consigam ver os dois shows. Isso é incrível.

Os últimos shows de vocês têm sido bem curtos com oito ou nove músicas. O que o público pode esperar do setlist por aqui?

Vai ser mais longo do que isso. Como somos headliner, vamos nos divertir mais com o setlist. Vamos tocar bastante coisa antiga e um pouco do novo, mas queremos focar nos clássicos, já que o Brasil nunca teve essa experiência ao vivo.

Existe alguma surpresa no setlist ou algo diferente que vocês estão preparando?

Sim, estamos pensando em incluir algumas músicas do Separation e também de The Things We Think We’re Missing. Ainda estamos debatendo, mas com certeza teremos algumas surpresas.

Vocês olham o Spotify, buscam alguns dados ou decidem vocês mesmos?

A gente discute bastante, às vezes até briga por conta disso (risos). Também olhamos os dados de streaming em cada país, mas ao mesmo tempo queremos tocar músicas que gostamos e que já funcionam bem ao vivo.

A queda da cena emo e da cena alternativa influenciou o fim da banda ou houve outros fatores?

Foi algo mais profundo. Estávamos muito cansados de ficar em turnê, gravar disco e repetir esse ciclo por anos. Isso desgasta muito. Também foi um momento em que cada um precisava cuidar da própria vida e construir suas famílias.

Vocês sentiram que já trilhavam um caminho contra a indústria, por conta de investir em uma cena que estava em queda?

Sempre. Nunca pensamos muito na indústria. Queremos fazer música para nós mesmos. Se as pessoas gostam, ótimo, mas isso não guia nossas decisões.

Como vocês enxergam hoje aquela fase da cena emo? Existe algum show daquela época que marcou vocês?

É algo muito bonito de relembrar. Foi um período muito especial nas nossas vidas. Temos ótimas memórias dessa época. O show de lançamento do Floral Green foi incrível. Mais recentemente, tocar no Red Rocks com Turnover e Tigers Jaw foi um momento muito especial. Ver tantas pessoas tantos anos depois foi emocionante.

Houve bandas com quem vocês tocaram que eram ídolos?

Sim, Manchester Orchestra foi uma delas, foi um sonho realizado. Também fizemos várias turnês com Circa Survive, que era outra banda muito importante para nós.

A pandemia teve influência no retorno da banda? Hoje a banda funciona com outra mentalidade?

Com certeza. Foi um período de muita reflexão. Ficamos isolados e isso fez a gente sentir falta de criar, de tocar e de estar juntos. Mas, foi algo natural. A gente começou a sentir falta de tocar e de criar juntos durante esse período de isolamento.

Agora temos integrantes em regiões diferentes dos Estados Unidos, então trocamos ideias por mensagem e e-mail. Isso mudou o processo, mas também deu mais tempo para desenvolver as ideias.

Qual era o estado emocional durante a criação do último álbum?

Era um momento mais sombrio. Eu estava lidando com questões familiares, doenças, relacionamentos. Foi um período de muita reflexão pessoal.

Esse disco é mais uma reconexão com o passado ou um novo começo? Existe uma música que representa bem essa nova fase?

Um pouco dos dois. Ele tem elementos de tudo que as pessoas gostam na banda, mas também aponta para novos caminhos. Eu destacaria Any Means e também Closer to God. Acho que elas mostram bem para onde estamos indo. E ao vivo a recepção tem sido ótima. A energia é muito boa e a resposta do público tem sido muito positiva.

Como vocês veem a volta da cena emo, agora em grandes palcos e festivais? Esse movimento ajudou de alguma forma na volta da banda?

É louco, difícil até de acreditar, mas é incrível. É muito bom ver bandas daquela época recebendo o reconhecimento que merecem. Mas sobre o nosso retorno, acho que é mais uma coincidência do que um fator direto. Nosso retorno veio mais de uma vontade interna do que de qualquer movimento externo.

Qual a relação de vocês com o Tigers Jaw hoje? Qual foi a importância deles no início da banda com o split?

Muito grande. Eles foram uma influência enorme e tivemos uma conexão muito forte desde o começo. Somos muito próximos. Conheço eles desde a época da escola. São grandes amigos e uma das minhas bandas favoritas. Aliás, muitas bandas dessa época ainda são nossos amigos e seguimos próximos até hoje.

Para você, quem seria o “Big 4” do emo?

Saves the Day, Sunny Day Real Estate, Jimmy Eat World e Jawbreaker.

Como vocês definem o som da banda hoje?

Eu diria que somos uma banda de rock emocional. Nunca nos preocupamos muito com rótulos.

A cena emo sempre foi mais sobre um movimento do que um som. O que o emo ou o rock emocional significa para você hoje?

No começo tinha uma conotação negativa para mim, vindo do punk. Mas depois que conheci bandas dos anos 90, passei a entender melhor. Hoje eu abraço isso. A cena mudou bastante, mas ainda mantém a essência de conexão emocional.