Entrevista | Immolation – “Nos juntar ao Testament e Municipal Waste pareceu uma ótima oportunidade”

Entrevista | Immolation – “Nos juntar ao Testament e Municipal Waste pareceu uma ótima oportunidade”

O Immolation retorna ao Brasil em dezembro ao lado de Testament e Municipal Waste. Em São Paulo, as três bandas se apresentam no dia 6 de dezembro, no Carioca Club, com ingressos já esgotados. A passagem acontece pouco mais de um ano depois da extensa turnê que o grupo norte-americano realizou pelo país e reforça a longa relação do quarteto com o público brasileiro.

A nova visita acontece na esteira de Descent, 12º álbum de estúdio do Immolation, lançado em abril de 2026 pela Nuclear Blast. Sucessor de Acts of God (2022), o trabalho mantém a combinação de death metal brutal, riffs dissonantes e estruturas pouco convencionais que se tornou assinatura da banda, ao mesmo tempo em que mostra um grupo ainda interessado em desenvolver sua sonoridade quase quatro décadas depois do início da carreira.

Formado em 1988, em Yonkers, Nova York, o Immolation tem Ross Dolan e Robert Vigna como núcleo desde os primeiros anos e se consolidou como um dos nomes mais influentes do death metal norte-americano. A discografia inclui trabalhos fundamentais como Dawn of Possession (1991), Here in After (1996) e Close to a World Below (2000), álbum que ajudou a definir de vez a identidade marcada pelas guitarras pouco convencionais, atmosfera sombria e críticas à religião, ao poder e às estruturas de controle.

Em entrevista ao Blog N’ Roll, o guitarrista Bob Vigna falou sobre os primeiros anos do Immolation e a construção de sua identidade musical, detalhou o processo de criação do novo álbum, Descent, e comentou a relação da banda com o Brasil.

Vocês começaram no fim dos anos 1980, quando a Flórida tinha uma cena absurda com Death, Morbid Angel, Obituary e várias outras bandas. Como era a cena de metal no seu terrno, Nova York, naquela época? Vocês sentiam que existia uma identidade diferente por aí?

Era parecida, eu acho, no sentido de que todos nós estávamos entrando em contato com aquela música nova. Era novidade para todo mundo. Em Nova York havia muitas bandas legais e todo mundo tentava se ajudar com shows, principalmente em clubes locais. Às vezes saíamos do estado e conseguíamos algumas apresentações perto da Filadélfia ou em Nova Jersey.

Foi uma época muito boa e interessante porque aquele era praticamente um novo gênero sendo criado. Era legal ver outras pessoas interessadas naquilo e outras bandas surgindo. A partir daí, a cena foi crescendo lentamente. Definitivamente foi uma época muito boa.

A guitarra sempre foi uma parte muito marcante da identidade do Immolation. Mesmo nos primeiros trabalhos já havia riffs diferentes, solos e acordes pouco convencionais. De onde veio essa abordagem? Existia algum guitarrista que servia de referência para você naquela época?

Foram muitos. É até difícil dizer. Eu era um grande fã de Iron Maiden e Judas Priest naquela época. Depois veio Possessed. Os primeiros discos deles tiveram uma influência enorme sobre nós.

Certamente vou esquecer alguns nomes, mas tive muitos guitarristas como referência desde a adolescência. Quando fizemos nossa primeira demo, ainda éramos adolescentes. Eu ouvia Black Sabbath, Dio, os guitarristas do Ozzy, como Jake E. Lee, e tantos outros que me inspiravam naquela época.

Quando começamos a fazer nossas próprias coisas, inclusive ainda na época do Rigor Mortis (antiga banda de Bob e nada a ver com a banda de thrash metal de mesmo nome), tudo isso aparecia. Metallica também, claro. Eu era um grande fã. Tudo isso definitivamente influenciou minha maneira de tocar.

Quando fazíamos as demos do Rigor Mortis, eu ainda estava no ensino médio. Quando comecei a trabalhar nos solos, percebi que sempre gostava de fazer algo que tivesse melodia, mas que também tivesse uma função dentro da música. Sempre encarei dessa maneira e simplesmente continuei desenvolvendo isso.

Os primeiros anos foram definitivamente muito importantes. Quando você está começando a tocar guitarra e tem todos aqueles guitarristas incríveis ao seu redor, desde as maiores bandas até grupos novos surgindo, existe muita inspiração.

Você falou que ainda era adolescente. Quantos anos tinha naquela época? Uns 17 ou 18?

A primeira demo do Immolation foi em 1988, então eu tinha 18 anos. As demos do Rigor Mortis saíram, acho, em 1986, quando eu tinha 16. Comecei a levar a guitarra um pouco mais a sério por volta dos 14 anos. Então eu ainda não tocava havia tanto tempo.

Antes disso, cheguei a estudar um pouco de piano. Fiz algumas aulas, mas depois queria sair, encontrar meus amigos e fazer outras coisas, então não durou muito. Depois fui para a guitarra e fiz algumas aulas básicas, mas foram suficientes para me dar uma base.

Quando aprendi, por exemplo, a escala pentatônica, comecei a ouvir Metallica e vários tipos de solos e tentava tirar tudo de ouvido. Quando você conhece a pentatônica, já consegue entender mais ou menos o que está acontecendo. Muitas vezes, para mim, era simplesmente ouvir, tentar descobrir e aprender sozinho.

Desde adolescente sou apaixonado por isso e fico empolgado em tocar guitarra. Felizmente, ainda consigo fazer isso hoje.

Legal saber disso… O piano, ou melhor, o teclado, também foi meu primeiro instrumento. Depois virei baixista.

Legal. É um instrumento sobre o qual eu gostaria de aprender mais no futuro. É uma das coisas que gostaria de ter continuado porque adoro piano. É incrível.

Só não tenho oportunidade de tocar com frequência. Mas é algo que, no futuro, gostaria de retomar e aprender um pouco mais. É realmente um instrumento muito legal.

No primeiro álbum vocês fizeram uma escolha interessante. Em vez de trabalhar com um produtor americano ligado à cena de death metal, foram até Harris Johns, que já havia trabalhado com Kreator e Sodom. Por que escolheram um produtor alemão em vez de um americano. Foi decisão da Road Runner?

Basicamente por isso. Ele tinha feito muitos trabalhos que conhecíamos muito bem e dos quais éramos fãs. Acho que tínhamos três opções. Uma delas era Colin Richardson, porque eram os produtores que estavam fazendo a maior parte desse tipo de trabalho quando estávamos na Roadrunner Records. Escolhemos Harris por tudo que ele havia feito anteriormente.

Achávamos que era o caminho certo porque nosso estilo era mais sombrio. A cena da Flórida era ótima, mas tinha um som muito particular. Acho que queríamos algo com mais atmosfera. Além disso, muitas bandas já tinham gravado por lá naquela época. Isso também pesou na decisão.

Queríamos realmente tentar fazer algo diferente e trabalhar com Harris Johns. Ficamos muito felizes porque ele fez um trabalho fenomenal naquele primeiro disco. A atmosfera, o impacto das músicas, tudo ficou muito bom.

E vocês foram para lá?

Sim, foi uma experiência incrível porque fomos para Berlimpela primeira vez. Imagine ir a Berlim pela primeira vez para gravar o primeiro disco da sua vida. Tudo era novidade.

Naquela época, o Muro de Berlim tinha caído havia apenas um ou dois anos e ainda havia partes dele por toda a cidade. Não tinham retirado muita coisa ainda. Foi um momento muito interessante para estar lá. Várias coisas se somaram para tornar aquela viagem muito especial para nós.

Para fechar essa parte sobre o começo, queria entender o intervalo de cinco anos entre o primeiro e o segundo álbum. O que aconteceu naquele período? Era difícil conseguir shows, compor músicas novas? Qual foi o problema?

O problema provavelmente éramos nós mesmos. Fizemos algumas turnês. A primeira turnê europeia aconteceu porque outra banda, acho que o Devastation, do Texas, não conseguiu participar. A turnê tinha Massacre e Morgoth, e nos adicionaram ao lineup.

Foi perfeito porque coincidiu com o lançamento do nosso disco. Fizemos a turnê e foi incrível. Era nossa primeira turnê e já aconteceu na Europa. Tudo foi feito de uma maneira enorme. Foi muito legal.

Achei que seria nos Estados Unidos a primeira turnê

Queríamos muito fazer uma turnê pelos Estados Unidos, mas a gravadora disse que não havia nenhuma turnê aparecendo e sugeriu que começássemos a trabalhar no próximo disco. Ficamos meio frustrados porque tínhamos passado anos fazendo demos, finalmente tínhamos nosso primeiro álbum e queríamos excursionar.

Então basicamente agendamos nossa própria turnê pelos Estados Unidos. Tínhamos alguns contatos que conseguimos por meio de amigos e acabamos organizando tudo por conta própria. Foi ótimo.

Depois disso, éramos jovens e, resumindo, não estávamos felizes com o que estava acontecendo com a gravadora. Saímos do selo e levamos algum tempo para escrever músicas novas. Aí fomos para a Metal Blade.

Mas aquilo foi responsabilidade nossa. Poderíamos perfeitamente ter feito a turnê, começado a escrever o novo disco e mantido tudo funcionando. Só que não sabíamos muito sobre como as coisas funcionavam naquela época. Precisávamos manter aquele embalo, mas estávamos apenas começando.

Mas, de qualquer forma, vocês não estavam satisfeitos com a RoadRunner, certo?

Achávamos que as coisas deveriam funcionar de determinada maneira e sentíamos que a gravadora não estava fazendo o suficiente por nós. Mas éramos apenas garotos e não entendíamos muita coisa.

Eles nos liberaram. Pelo que ouvimos, fomos praticamente a única banda que conseguiu sair daquele contrato. Nós simplesmente não queríamos fazer mais músicas para eles, falamos isso e eles nos deixaram sair.

Só que isso criou um intervalo de cinco anos entre os discos, o que não é exatamente a coisa mais inteligente para fazer depois do primeiro álbum. Levamos algum tempo para entrar no ritmo novamente.

E o que mudou esse cenário?

Felizmente, o Cannibal Corpse nos levou para praticamente todas as turnês quando o segundo disco saiu. Fizemos acho que duas turnês europeias e duas americanas com eles. Também fizemos turnês com o Six Feet Under.

Estávamos justamente ali durante toda aquela época da separação no Cannibal Corpse, então acabamos tocando com as duas bandas. Conseguimos voltar para a estrada e entrar novamente no jogo, por assim dizer.

Hoje Close to a World Below é considerado um dos grandes discos do death metal. Vocês perceberam naquela época que tinham feito uma obra prima ou essa importância só ficou clara depois?

Na época parecia muito legal. Acho que, quando ouvimos pela primeira vez, principalmente depois de Failures for Gods, gostamos muito mais da produção de Close to a World Below. Isso foi muito importante.

As músicas, tudo nele era interessante e legal, além daquela faixa épica no final. Achávamos que era um ótimo disco. Hoje ouvimos muitas opiniões diferentes. Cada pessoa tem seu álbum favorito e, para mim, isso é algo bom. Close to a World Below acabou se tornando um dos discos preferidos de muita gente, então é ótimo.

Tudo naquele álbum foi muito legal. Gostamos mais da produção, a capa ficou ótima. Tínhamos o conceito e Andreas Marschall, junto com o irmão dele, acredito, criou aquilo misturando arte tradicional com um pouco de arte digital. O disco foi muito bem recebido, então foi ótimo. Mas nunca ficamos pensando muito sobre como ele seria visto ou sobre o que ele representaria. Simplesmente fazemos o nosso trabalho e seguimos em frente.

Agora vocês estão com um novo álbum, quase 40 anos depois do início da banda. Quando entra no estúdio hoje, você ainda se preocupa em tentar fazer alguma coisa diferente ou simplesmente deixa a música mostrar para onde deve ir?

Eu deixo a música me levar para onde ela quiser. Simplesmente começo a escrever, crio riffs, ideias, bateria e vou juntando bastante coisa. Monto partes no computador e vou deixando tudo separado até encontrar algo que acredito ser capaz de sustentar uma música. Também recebo material do Alex, ele me manda alguns riffs, e vou colocando tudo junto.

Basicamente componho de maneira natural. Não fico pensando: “Precisamos fazer isso neste disco” ou “essa música precisa ter esse tipo de parte”. Não funciona assim. É como se a própria música se desenhasse. Quando tenho uma parte que parece realmente interessante, penso: “Certo, consigo construir uma música em torno disso”. A partir daí, pego outras ideias e vejo o que combina. Às vezes lembro de uma parte que fiz dois dias antes e percebo que ela encaixa perfeitamente.

É como montar um quebra-cabeça sem saber ainda qual imagem ele deveria formar. Você simplesmente vai juntando as peças até chegar à imagem certa.

Teve alguma música do novo álbum que quase ficou de fora? Ou alguma que virou uma verdadeira dor de cabeça e foi especialmente difícil de terminar?

Não, desta vez acho que não. A primeira música é sempre difícil porque você começa com uma página em branco. Você tem um disco novo e está começando do zero. Então terminar a primeira música é sempre a parte mais difícil.

Depois fica melhor porque você começa a acumular músicas e ideias. Não acho que tenha existido uma música específica com esse tipo de problema neste disco. Pode ter acontecido de alguma levar mais tempo para eu conseguir terminar, mas não consigo lembrar exatamente qual. Provavelmente alguma no meio do processo.

O mais importante: Ficaram felizes?

Posso dizer que estamos extremamente felizes com este álbum. Acho que o material ficou muito, muito bom. Musicalmente, é uma das melhores coisas que já fizemos. A arte ficou incrível e acho que conseguimos uma das melhores produções que já tivemos.

É muito bom chegar ao 12º disco depois de 37 ou 38 anos de banda e lançar algo que ainda faz você pensar: “Uau”.

Sempre ficamos felizes com os discos que lançamos, mas acho que nos últimos trabalhos já estávamos chegando naquele ponto de pensar: “Acho que finalmente estamos acertando”. Para mim, os álbuns e as composições foram ficando cada vez melhores nos últimos anos.

Estamos muito felizes. Todo mundo envolvido fez um trabalho fenomenal, desde a gravação até a arte, mixagem e masterização. Nos sentimos muito privilegiados por estarmos aqui depois de tanto tempo e ainda conseguirmos lançar algo que nos deixa tão empolgados.

Vamos entrar um pouco no lado nerd dos equipamentos? Depois de tantos anos testando coisas diferentes, qual é hoje sua configuração de efeitos e pedais para chegar ao seu som?

No fim das contas, sempre fui para o lado mais simples. Usamos Peavey XXX durante muito tempo. Começamos uma parceria com a Peavey por volta de 2008 e passei bastante tempo usando esses amplificadores basicamente com o som natural dos cabeçotes.

Se preciso de algum efeito ao vivo, às vezes coloco um pedal, mas sinceramente não sou muito ligado em pedais. Felizmente nosso técnico de som, Seth, consegue cuidar disso. Quando entro nos solos, ele resolve essa parte e eu não preciso me preocupar.

A maior mudança aconteceu com a EVH. Alex já usava os cabeçotes EVH havia bastante tempo e vivia insistindo para eu experimentar. Eu queria testar, mas sempre dizia: “Bom, os meus ainda estão funcionando, então estamos bem”.

Até que ele conseguiu fazer isso acontecer e estamos usando EVH desde 2022. Fizemos as turnês do último disco com eles, embora não tenhamos usado os amplificadores diretamente durante a gravação daquele álbum. Talvez tenham entrado posteriormente no reamp.

Mesmo não usando, o produtor deve usar um plugin do EVH, não?

Pois é, mas em Descent já estávamos usando os EVH ao vivo havia alguns anos e finalmente levei isso para o estúdio. Foi incrível. Gravar as guitarras base com eles funcionou muito bem e o som estava ótimo desde o começo.

Tenho certeza de que Zak Oran, durante a mixagem e masterização, também pode ter utilizado algum EVH diferente no reamp porque ele sempre faz isso para chegar a determinados timbres. Mas desta vez ele manteve parte dos sons originais, algo que acho que não aconteceu no disco anterior.

Atualmente usamos os EVH 5150III. Como você percebe, não sou um grande nerd de equipamento. Uso os cabeçotes e o som deles. Só isso. Regulo meu timbre e pronto. Para mim, funciona melhor usar menos distorção. Ela está lá, mas não exagero, principalmente ao vivo.

Quando a gente pensa em metal, a gente pensa em guitarra e toda aquela parafernália…

Isso é especialmente quando é mais jovem, monta o amplificador sozinha e acha incrível aquele som extremamente sujo e cheio de distorção. Só que, quando você toca com outra guitarra, baixo, bateria e vocais pesados, tudo isso ocupa muito espaço e algumas coisas começam a desaparecer.

Para mim, o som fica mais forte quando uso mais volume e menos ganho. Fica mais definido e com mais impacto, mas ainda com distorção suficiente para funcionar. É basicamente isso que fazemos com os EVH 5150. Não uso outros pedais. Nada. E funciona muito bem.

Recentemente estivemos na Europa e alugamos nossos equipamentos com uma empresa chamada Gate to Hell, na Alemanha. Alugamos os mesmos cabeçotes que usamos em casa e todo o backline. É ótimo porque parece que estamos tocando com nosso próprio equipamento. Eles são muito confiáveis e soam fenomenais.

Bem básico, então. E existe algum riff ou música que ainda exige bastante concentração ao vivo? Algo que faça vocês pensarem: “Precisamos nos preparar para tocar essa”?

Às vezes, sim. Eu diria que principalmente as músicas antigas. Quando tiramos alguma coisa de Here in After ou Close to a World Below, depende da música, claro. Existem faixas mais difíceis em todos os discos, mas há algumas músicas antigas que são simplesmente complicadas demais.

Depois que conseguimos pegar novamente, fica tudo bem. Mas existem algumas, com certeza. “Nailed to Gold”, por exemplo, estamos tocando de vez em quando nesta turnê. É uma música que exige um pouco mais de concentração porque existem muitas coisas fora do tempo e várias partes acontecendo.

A gente consegue tocar, claro, mas, como você disse, exige um pouco mais de concentração e atenção.

E com o novo álbum, como é precisar tirar músicas do setlist para abrir espaço para as novas? Dói remover uma música?

Não. Para mim, o que dói é não conseguir tocar mais músicas novas. No geral, montar setlist é um pé no saco. É uma das coisas mais difíceis porque, quanto mais álbuns você tem, mais músicas existem. E tudo depende de quanto tempo você terá no palco.

Nas duas primeiras turnês que fizemos neste ano, uma com Mayhem e Marduk na Europa, que foi fenomenal, e outra recentemente com Behemoth, Satyricon e Rotting Christ, tivemos apenas meia hora.

É totalmente compreensível. Existem muitas bandas, então funciona assim. Mas isso torna muito difícil escolher o repertório, especialmente quando temos um disco novo.

Acho que chegamos a tocar cinco músicas do álbum novo porque adoramos o disco e acreditamos que são músicas poderosas. E funcionaram fenomenalmente bem ao vivo. Então eram cinco músicas novas e talvez três ou quatro antigas, no máximo. É difícil.

Mas nem todo show é curto, certo?

É, fica um pouco mais fácil quando temos mais tempo ou fazemos um show como atração principal porque conseguimos encaixar mais coisas. Mas escolher as músicas é complicado. Temos muitas.

Às vezes até esquecemos de algumas e alguém fala: “Essa é ótima, deveríamos tocar novamente”. Conforme o tempo passa, fica cada vez mais difícil. Acho que essa é nossa maior batalha como banda: montar o setlist e tentar mudá-lo a cada turnê.

Nunca tivemos aquela música que obrigatoriamente tocamos em todos os shows. Às vezes colocamos algo do primeiro disco, outras vezes não. Quando colocamos, podemos escolher outra faixa. Tentamos variar o máximo possível para manter tudo interessante.

Quando terminamos um ciclo de turnê, procuramos mudar algumas coisas e deixar certas músicas descansarem.

Vocês fizeram uma turnê extensa pelo Brasil no ano passado, passando por várias cidades. Normalmente uma banda estrangeira vem para cá, toca em São Paulo e vai embora. Como foi ter a oportunidade de conhecer mais do país e do público brasileiro?

Foi incrível. Nosso amigo Edu, do NervoChaos, tem uma empresa aí e estava organizando a turnê. Ele falou: “Quero levar vocês para cá porque tenho um ônibus e toda a estrutura. Em vez de vocês ficarem voando de show em show, podem vir ao Brasil e fazer umas dez apresentações pelo país”.

Achamos incrível. Para nós foi muito importante poder fazer isso e visitar tantos lugares diferentes. Tivemos alguns shows pequenos, outros maiores, mas foi muito legal tocar para pessoas em diferentes cidades.

Muita gente dizia: “Normalmente precisamos viajar para lá ou para cá para assistir a vocês. Agora vocês estão vindo até nós. Isso é incrível”. Foi muito legal. Sei que ele está tentando desenvolver ainda mais a cena por aí, o que é ótimo. Ficamos felizes de fazer parte disso e tenho certeza de que vamos repetir algo assim no futuro.

Somando todas as passagens, vocês estão chegando perto de 20 shows no Brasil. E agora voltam para um show esgotado com Testament e Municipal Waste. Depois de tantos anos, ainda existe aquela empolgação quando aparece um lineup desses? E consegue dar algum spoiler do setlist para os fãs brasileiros?

Estamos muito empolgados. Tivemos a oportunidade de participar dessa turnê e achamos que era algo que simplesmente não poderíamos deixar passar. É um pacote muito legal.

Você tem o Testament, que está aí há décadas e representa o thrash dos anos 1980. Depois tem o Municipal Waste, que representa uma geração mais nova do thrash. Eles também são grandes amigos nossos, caras incríveis. Já excursionamos juntos e somos próximos.

Ter a oportunidade de nos juntar a essas duas bandas e ir para aí pareceu uma ótima oportunidade. Estamos realmente muito animados. Definitivamente vamos tocar material novo, claro, mas também vamos tentar colocar algumas músicas antigas e alguns clássicos.

Ainda não fechamos o setlist especificamente para essa turnê, mas sei que vamos preparar algumas coisas legais. Vamos fazer o possível para agradar todo mundo aí. Será uma mistura. É impossível agradar todo mundo, mas vamos fazer o que pudermos para tocar algumas coisas antigas. Sempre fazemos isso quando vamos ao Brasil.

Gostamos muito de tocar os clássicos por aí, mas também teremos músicas novas. Vamos tentar encontrar a melhor mistura possível para essa turnê.

Pois é, quando postei no Instagram sobre esse show, todo mundo elogiou as três bandas. É muito legal quando isso acontece.

Sim, é um lineup muito legal. Definitivamente. Cada banda tem algo um pouco diferente, então fica muito interessante.

Para terminar, vivemos em um mundo muito polarizado, especialmente em países como Brasil e Estados Unidos, onde praticamente qualquer coisa pode virar uma discussão política. O Immolation fala sobre poder e religião. Vocês já tiveram algum problema com pessoas extremistas, seja nas redes sociais ou mesmo nos shows?

Não, de forma alguma. Acho que a maior parte do nosso trabalho consiste em olhar para alguma coisa, questionar e falar sobre aquilo como realmente é. Nós meio que falamos as coisas como elas são. Então nunca tivemos muitos problemas desse tipo, para ser sincero.

Liricamente, abordamos muitas coisas diferentes, mas fazemos isso de determinada maneira. Existe certa ambiguidade. Falamos sobre muitas coisas que estão acontecendo no mundo, mas as letras são escritas de uma forma que permite que cada pessoa tire sua própria interpretação. Talvez isso faça parte da razão.

Na maior parte do tempo, estamos basicamente olhando para aquilo que vemos e, de certa maneira, quase “reportando”: “É isso que estamos vendo. É para esse lugar que estamos caminhando”. É esse tipo de assunto que sempre abordamos. Talvez existam algumas mudanças que precisemos fazer porque tem muita coisa fodida acontecendo por aí.

É, eu perguntei porque vejo cada coisa nos comentários dos posts por aí…

Acho que este momento específico, como você falou, é muito estranho. Parece que isso está acontecendo em todos os lugares. Tudo virou extremos e lados opostos.

Essa é justamente uma das coisas legais sobre a música. Ela é muito unificadora. Acho que consegue aproximar muitas pessoas. Independentemente do assunto sobre o qual você está falando, as pessoas conseguem se identificar.

Quando saímos para tocar e fazemos esses shows, é uma maneira de todo mundo liberar um pouco disso e simplesmente se divertir. É assim que enxergamos. É algo muito positivo.

Bom, pelo menos ninguém mais acha que vocês são satanistas, certo?

É, acho que não (risos).