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Entrevista | Geoff Rickly (Thursday) – “Tocaremos os pontos altos de cada disco”

A influente e veterana banda emo/post-harcore Thursday chega ao Brasil nesta semana. Será a primeira vez do grupo de New Jersey no País. A apresentação acontece no próximo sábado (6), no Carioca Club, em São Paulo. Ainda há ingressos à venda, custando entre R$ 180,00 e R$ 560,00.

A aguardada vinda do Thursday ainda traz Tim Kasher, vocalista do Cursive (Estados Unidos), que fará um show acústico solo na abertura, tanto em São Paulo.

Durante a estadia em São Paulo, o vocalista do Thursday, Geoff Rickly, também fará um show acústico com Tim Kasher no Tendal da Lapa, em São Paulo. O evento será acompanhado de uma sessão de autógrafos da sua biografia, Este Não Sou Eu (Someone Who Isn’t Me). O evento, gratuito, será no domingo (7), às 17h.

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Geoff Rickly conversou com o Blog n’ Roll, via Zoom, sobre o livro, a tão aguardada estreia no Brasil, carreira, além de sua luta contra o vício em heroína. Confira abaixo.

O Thursday é uma referência para muitas bandas emo, mas nunca veio ao Brasil. Por que demorou tanto para vir?

Existem algumas razões. Vou tentar ser legal aqui, um deles é a falta de planejamento. Tínhamos um grupo de pessoas que cuidava das nossas turnês, e mesmo se falássemos que queríamos tocar em tal lugar, existiam algumas razões para que não quisessem que viajássemos para muito longe. Mas muita coisa mudou agora, e estamos felizes que o Brasil ainda deseja um show nosso.

Devo ter pedido umas dez vezes já, que queria ir para a América do Sul, para o Brasil, e me diziam “ótimo, você irá um dia! Se conseguirmos um Rock in Rio, um blá blá blá (algum festival)”. Sempre foi assim, e eu acreditava que se fizéssemos um show solo as pessoas iriam, mas insistiam em dizer que seria um risco muito grande. Fico feliz que nosso empresário de agora acredita que vale a pena o risco.

No pior dos casos, o show não será bom, não pedirão nosso retorno, mas mesmo assim assim os fãs poderão lhe ver e você vai ter feito o show. Eu quero estar lá, quero visitar, é um ótimo emprego, posso visitar o lugar que sempre quis conhecer.

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Teremos um dia de folga, e sei que a banda quer usar para ensaiar, pois não moramos no mesmo lugar e quando há oportunidade, eles gostam de ensaiar. Mas eu quero ver os locais, vou ver se consigo pelo menos com a minha esposa.

Na tua opinião, qual foi o grande mérito do Thursday para virar uma banda tão cultuada?

Acho que fizemos algo muito diferente dos nossos contemporâneos do hardcore, muito cedo, que foi adicionar uma camada romântica, quase gótica estilo The Cure. Nossos guitarristas são bem inventivos e diferentes, é interessante ver as bandas que os influenciam, bandas de black metal.

Acho que tivemos uma combinação de coisas ao mesmo tempo, e sorte de estar no lugar certo na hora certa, não é como se fossemos gênios, mas tivemos a sorte de estar fazendo algo novo no momento certo. Não é a resposta mais empolgante, mas é a verdade.

Os temas sociais nas músicas também ajudam, certo?

Algumas das questões sociais citadas nas músicas. É interessante, pois quando começamos e eu falava do imperialismo americano, pensava o porquê de não fazermos músicas sobre garotas, sendo que todos cantavam sobre coração partido. Mas não achava interessante, queria falar sobre outras coisas, sobre as coisas que estava lendo, estava lendo muito Edward Said.

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É engraçado que 25 anos depois, os jovens estão mais interessados nas coisas que eu falava lá atrás, e eu nunca teria adivinhado isso.

Você já pensou como será condensar um repertório vasto para o público que nunca assistiu a banda ao vivo?

Devido ao fato de termos demorado tanto para vir ao Brasil, precisamos unir as coisas, esperamos ser convidados novamente para tocar nos anos seguintes, mas sempre há a chance de não acontecer. Então vamos tocar pensando o que alguém gostaria de ouvir caso nos veja apenas uma vez na vida.

A era clássica será bem representada, mas especialmente as músicas que são fortes ao vivo, pois quando se toca um álbum inteiro, se percebe que algumas músicas não foram feitas para o ao vivo, matam a energia, então acho que tocaremos os pontos altos de cada disco.

Claro que todos têm sua música preferida, mas não tem como tocar a preferida de todos, mas vamos tentar deixar o set forte, tocando aquelas que ninguém espera, mas ao ver ao vivo entende o motivo de tocarmos.

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Falando sobre o seu livro, ele é uma ficção mais baseada em sua vida, certo? Qual a diferença principal entre expor seus sentimentos e vivência na música e escrever de forma ficcional em um livro?

De alguma forma são bem similares. Acredito que o Thursday possui uma grande dose de coisas que aconteceram na minha vida, pelas quais fiquei obcecado, mas também tem um elemento em que se torna mais abstrato, não se diferencia tanto do que é real ou não. E acho que também acontece isso no livro, apesar de no livro ter aprendido muito sobre como trabalhar com ficção, linhas do tempo, sequência de sonhos, personagens, e um arco dramático longo, com várias páginas.

Na música preciso fazer algo marcante em quatro, cinco linhas, ou terei problemas. No livro preciso alongar, deixar respirar, isso foi o que precisei aprender, fiz aulas, workshops, tentei fazer do jeito certo, ao invés de chegar achando que sou um bom escritor. Queria ser o cara que consegue andar com outros escritores, não só com o pessoal da música.

Foi uma experiência ótima, eu disse para minha empresária que o próximo livro deveria ser mais fácil, e ela disse que não, todo livro tem seu processo de aprendizado.

Foram cinco horas por dia, cinco dias por semana, por cinco anos, milhares de horas trabalhando nisso. As pessoas têm sido muito gentil e receptivas com meu trabalho, dizendo que é muito bom, não é qualquer coisa, fico muito grato.

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Você chegou a fazer um tratamento com ibogaína para se livrar do vício em heroína. Como foi essa experiência?

Não sei a pronúncia correta, pois é uma raíz da África chamada iboga, de onde é retirada a Ibogaína, um alucinógeno experimental bem forte, que mostra as piores coisas que fez na vida, e precisa responder por elas, e mudar quem você é. Tomei em um hospital, uma pílula, tudo monitorado com médicos e enfermeiros.

Tomei no México, é ilegal nos Estados Unidos. Foi uma experiência heróica, não foi assustador, mas uma sensação de não saber se consigo passar por isso, mas devo tentar. Mas naquele ponto estava muito doente, já havia tentado de tudo para me livrar do meu vício, ou tentava ou iria morrer de qualquer forma.

Olhando agora, fico feliz que tentei, e orgulhoso de ter tido a coragem para isso. Nosso agente é um cara bem grande, lembro dele me dizendo que nunca pensou nisso antes, mas que sou um cara durão. E pensei: “agora eu sou durão”.

Isso impactou de alguma forma na tua obra?

Confrontar a si mesmo, suas falhas, muda você como artista, te ajuda a entender o mundo. Você vê os defeitos dos outros e vê o que reconhece em ti. É interagir com o mundo com mais compaixão, se ver no lugar do outro, ao invés de despejar ódio. Acho que minha arte melhorou muito desde então.

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Já ouviu bandas brasileiras? O que recomendaram para você?

Me disseram que vou gostar muito da Fresno, vou pesquisar. E uma banda que não é emo chamada Terraplana, que parece ser mais gótica.

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