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Entrevista | Robin Zander (Cheap Trick): “depois desse álbum, certamente vem outro”

Crédito: David McClister

Quase 50 anos depois do início da carreira, o Cheap Trick mostra que é possível seguir lançando álbuns em alto nível. O mais novo é In Another World, o vigésimo de estúdio de Robin Zander e companhia, que chegou ao Brasil via BMG na última sexta-feira (9).

Aliás, os primeiros versos de The Summer Looks Good on You, faixa que abre o álbum, já mostram que a energia segue lá em cima. Em resumo, rock and roll dançante e com refrões poderosos. O Cheap Trick não perdeu sua essência.

Contudo, o guitarrista e fundador do Cheap Trick, Rick Nielsen, resumiu bem esse sentimento dos integrantes.

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“Nós somos irresponsáveis o suficiente para não desistir. Amamos nos unir e tocar. No nosso primeiro disco eu dizia ‘tenho 30 anos mas sinto como se tivesse 16’. E bem, ainda me sinto assim… Pelo menos até a realidade me alcançar. Mas quando toco, me sinto o cara mais jovem do mundo”.

Fundado em 1974, o Cheap Trick atualmente conta com sua formação quase inteiramente original. A exceção é o baterista Bun E. Carlos, que foi substituído por Daxx Nielsen, filho de Rick. Robin Zander (voz, guitarra base) e Tom Petersson (baixo) seguem desde o início na linha de frente.

Além dos explosivos singles Light Up The Fire e Boys & Girls & Rock N Roll, o álbum conta com uma versão da clássica Gimme Some Truth, de John Lennon, com a participação especial de Steve Jones (Sex Pistols) nas guitarras.

O vocalista Robin Zander conversou com o Blog n’ Roll, via Zoom, sobre o novo álbum, influências, Brasil, além de ter dado dicas para as bandas que estão começando. Confira abaixo.

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Robin, como foi o processo de criação de In Another World?

Nós fizemos o álbum quase todo no estúdio. Às vezes nós fazemos isso porque cria um som espontâneo, que geralmente tem mais energia do que quando você pensa demais em algo. Algumas coisas foram escritas antes, naturalmente, mas a maior parte foi adicionada já no estúdio.

O Cheap Trick já carrega quase 50 anos de carreira nas costas. Qual foi o pior momento para vocês? E como acertaram o rumo?

A pior parte da nossa carreira foi em 1981, depois que lançamos All Shook Up (1980). Foi quando o Tom saiu da banda (ficou fora até 1987) e formou uma outra banda, chamada Another Language. Depois disso, a gente não sabia exatamente o que fazer. Posteriormente, o Roy Thomas Baker, famoso produtor do Queen, salvou nossa carreira.

As apresentações ao vivo do Cheap Trick são notórias e lendárias. Como está sendo esse período sem turnês para vocês?

Nossas performances ao vivo ainda existem. Sempre nos consideramos uma banda viva. Já fizemos mais turnês do que qualquer outra banda que consigo pensar agora. E continuamos gravando novos álbuns, o que é algo único para bandas que começaram na mesma época que nós.

Vocês continuarão gravando álbuns de estúdio?

Estamos sempre gravando. Eu estou cercado por gênios. Cheap Trick sempre teve essa qualidade.

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Robin, qual é a chave para esse sucesso do Cheap Trick?

É uma mistura de tudo. De todos os rapazes da banda, com tudo que crescemos escutando, com nossas influências… nós roubamos dos melhores.

O que domina esse caldeirão de influências de vocês?

Eu diria que o Rolling Stones, The Who, Queen, The Beatles e (Jimi) Hendrix. Mas principalmente dessas bandas da invasão britânica.

Impressiona a consistência da discografia da banda. Sabemos que geralmente, a banda considera o seu último trabalho como o melhor da carreira. Você compartilha desse pensamento?

Eu tenho esse sentimento também. O mais recente é sempre o melhor. Eu o recomendaria para novos fãs, claro.

A pandemia deixou muitas bandas novas desanimadas por conta das restrições. Qual conselho você dá para esses músicos?

Não desistam. Se é algo que vocês gostam de fazer, simplesmente não desistam.

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O Cheap Trick sempre foi uma banda com um astral lá em cima, esperançosa nas letras. A pandemia mudou isso, Robin?

Nós não pensamos muito no que está acontecendo no mundo. As letras saem naturalmente, na verdade.

Como foi o período de isolamento para vocês?

Foi assim como foi para você. Isolamento é uma faca de dois gumes, porque te dá a oportunidade de olhar para si mesmo. Eu finalmente consegui ter tempo para minha esposa depois de 27 anos, pelo menos.

Acredita que o mundo será um lugar melhor após a pandemia?

Acho que sim. Essa é uma experiência de morte para o mundo. Nunca se falou tanto de mortalidade. E é algo que não vai embora se não revidarmos. Estamos no meio dessa batalha. Mas, ganhamos novas munições a cada semana. Sempre surgem com coisas novas que podem ajudar. Nós todos temos que ser responsáveis, usar máscara, manter o distanciamento, evitar aglomerações… até que isso acabe, temos que ser responsáveis. Acho que se lutarmos sério contra isso por mais um ou dois meses, podemos vencer. Talvez não a ponto de voltar ao normal, mas o suficiente para que possamos aproveitar a vida novamente.

Como é o desafio de promover o álbum com as casas de shows fechadas?

Acho que isso é um desafio positivo. O streaming é algo novo e que ajuda muito. Além disso, existem projetos de shows em estádios para pessoas em suas casas. Várias telas com um público participando pelo Zoom (risos).

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Em 2016, vocês entraram para o Rock and Roll Hall of Fame. Como receberam essa homenagem?

Depois de 25 anos, você se torna elegível para entrar no Hall da Fama. Os anos vão se passando, e você sempre acha que pode ser seu momento, até que vai perdendo a esperança. Mas, de repente, você recebe uma ligação dizendo que você está dentro, e toda a espera é perdoada.

Imaginava ser tão grande e relevante um dia, Robin?

Não. É uma honra que as pessoas ainda contratem a gente para lançarmos novos álbuns. Na nossa idade, estar na ativa significa que estamos fazendo algo certo. Música é o que amamos, então a gente vai continuar gravando e viajando até onde conseguirmos. Eu não vejo uma parada tão cedo. Depois desse álbum, certamente vem outro. E depois do outro, lançamos mais um, e mais um, e mais um…

Isso passa por uma boa parceria com os membros da banda?

Eu acho que nunca tivemos uma amizade de fato. Nossa relação é de trabalho, e isso é o que nos une. Nunca fomos tão próximos a ponto de um irritar o outro. Mas trabalhamos muito bem juntos, e esse é o caso. Esse é o sentido da nossa amizade.

O que você tem escutado ultimamente?

Eu tenho ouvido muito a banda do meu filho (Ian Zander). Eles acabaram de terminar um álbum. E eu gosto muito de ouvir a música deles. Sempre que tenho tempo, gosto de ouvir álbuns completos.

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Vocês vieram ao Brasil pela primeira vez em 2017. Guarda alguma memória especial do país?

A melhor memória é de quando fomos à praia e ficamos em um hotel muito famoso. A comida é maravilhosa e as pessoas são incríveis. Eu sei dos problemas, mas não vivenciei nenhum. Espero voltar assim que possível. Vamos tocar na Austrália, mas espero que a gente consiga colocar o Brasil na nossa rota em breve.

Conhece algo da música brasileira?

Não conheço nenhum artista específico, mas escuto na rádio de vez em quando. Acho fascinante, só não sei nomear nenhuma música.

*Entrevista e texto por Caíque Stiva, Lucas Krempel e Matheus Krempel

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