Se Santos ganhou a alcunha de “Califórnia Brasileira” nos anos 90, devendo sua fama ao celeiro de bandas de hardcore, a fundação dessa casa foi construída pela Psychic Possessor. Podemos afirmar: esta é a banda responsável pelo início do movimento de transição na Baixada Santista.
Tudo começou com o prodígio Zé Flávio Rodrigues. Após tocar na lendária banda de metal Vulcano com apenas 12 anos, ele viu sua sonoridade mudar radicalmente com a chegada de dois amigos que traziam a velocidade do 7 Seconds e Minor Threat: o baixista Fabrício de Souza (futuro Garage Fuzz) e o baterista Maurício Boka (futuro Ratos de Porão).
Resistência ao novo no Psychic Possessor
A mistura não foi fácil. Zé Flávio vinha do metal puro.
“Como tocávamos com bandas de metal, a galera não entendia a música e vaiava o grupo”, recorda o guitarrista.
Fabrício complementa: “O Zé tinha resistência no início, mas o convívio fez ele adotar o estilo. O Psychic absorveu metal, crossover, punk e hardcore, criando uma cena que até então não existia por aqui”.
Enquanto o punk raiz (representado por Mordedura, Tropa Suicida e Pesadelo) era forte em São Vicente, Cubatão e no ABC, em Santos o metal reinava. A Psychic Possessor foi o elo perdido que uniu as tribos através do crossover.
Toxin Diffusion (1988), a estreia do Psychic Possessor
O primeiro LP, Toxin Diffusion, lançado pela gigante mineira Cogumelo Records, é uma obra-prima do crossover thrash.
“Com bases pesadas e sem solos, foi totalmente inovador e estava à frente de seu tempo”, analisa Arthur Von Barbarian, baterista dessa fase (que contava ainda com Lau no baixo/vocal e Korg no vocal).
Nós Somos a América do Sul (1989)
No ano seguinte, a banda guinou de vez para o hardcore/punk com letras em português e cunho social no álbum Nós Somos a América do Sul.
A formação clássica desse disco trazia:
- Zé Flávio (guitarra);
- Fabrício de Souza (baixo);
- Maurício Boka (bateria);
- Márcio Ferreira, o Nhonho (vocal – falecido em 2013).
Álbum Perdido
A banda encerrou as atividades em 1990, com passagens de nomes como Alexandre Farofa (ex-vocalista do Garage Fuzz), deixando para trás um tesouro jamais gravado.
“A banda acabou com um disco inteiro composto. Eram 16 músicas prontas que nunca foram lançadas”, lamenta Fabrício.
Mesmo sem esse terceiro álbum, a Psychic Possessor cumpriu sua missão: foi a universidade onde se formaram os músicos que dominariam o rock brasileiro na década seguinte.
Ouça o primeiro álbum da banda: Toxin Difusion (1988)
Psychic Possessor na Concha Acústica de Campinas (1989)