Djavan celebra 50 anos com show grandioso no Allianz Parque

Djavan celebra 50 anos com show grandioso no Allianz Parque

Em 1976, o Brasil era apresentado a A Voz, o Violão, a Música de Djavan. Cinquenta anos depois, o cantor alagoano ocupa o Allianz Parque, em São Paulo, não apenas como um ícone, mas como uma entidade da nossa música. A turnê comemorativa, que se iniciou oficialmente na última sexta (8), trouxe para este sábado (9) uma atmosfera de consagração.

​“Considero ter uma carreira vitoriosa”, cravou Djavan logo no começo da apresentação, lembrando do início da trajetória em São Paulo, quando ficou em 2º lugar no Festival Abertura de 1975, realizado no Teatro Municipal, com a música Fato Consumado.

​A sinergia entre o artista e o público rendeu destaques emocionantes, como os coros em Meu Bem Querer e Oceano, que vieram em sequência no momento de voz e violão. Sob a direção artística de Gringo Cardia, o palco reflete a sofisticação das harmonias djavanianas. O trabalho de iluminação de Césio Lima e Mari Pitta cria o cenário perfeito para a banda de elite que o acompanha: Felipe Alves (bateria), Marcelo Mariano (baixo), Torcuato Mariano (guitarra/violão), Paulo Calasans e Renato Fonseca (teclados), além do trio de sopros Jessé Sadoc, Marcelo Martins e Rafael Rocha.

​Assisti a alguns shows de Djavan nos últimos 30 anos, muitos deles em Santos, do ginásio e teatro do Sesc à Praia do Boqueirão. Mas a grandiosidade que o espetáculo ganhou com a turnê Djavanear é impressionante. O telão é de padrão internacional, daqueles que os fãs costumam reclamar que artistas estrangeiros nem sempre trazem em suas turnês por aqui.

​A qualidade sonora é impecável. Aos 77 anos, Djavan não dá sinais de cansaço. Mantém a voz presente, com ótimo suporte das backing vocals (que garantem a sustentação necessária enquanto ele dança e interage com os fãs). Com um setlist focado exclusivamente em sucessos, não há espaço para momentos mornos. A estrutura do show traz uma curiosidade marcante: Sina é a escolhida tanto para abrir quanto para encerrar a noite, criando um ciclo perfeito de celebração.

Sina, inclusive, carrega o famoso neologismo criado por Djavan: “Caetanear”. O termo, feito para homenagear Caetano Veloso, significa compor ou cantar com a maestria, poesia e leveza características do baiano. Quando a música volta ao palco no bis, serve como uma deixa para o público trocar “Caetanear” por “Djavanear” na letra. O mestre alagoano merece a exaltação que ele mesmo criou para o amigo.

​Djavan também emociona em canções mais recentes, como Um Brinde. Na época do lançamento dessa faixa, o artista liberou um trecho de um minuto cantado apenas com silabados, convidando os fãs a criarem versões sobre a melodia. Já em O Vento, ele relembrou a saudosa Gal Costa, que gravou a faixa (composta em parceria com Ronaldo Bastos) em 1987. Recentemente, a canção ganhou uma nova roupagem no álbum Improviso.

Momentos de destaque: Meu Bem Querer, Oceano, Eu Te Devoro, Linha do Equador, Nem Um Dia, Samurai, Lilás, Flor de Lis e Açaí.

​A turnê, realizada pela Live Nation e Luanda Promoções, cumpre a promessa de entregar exatamente o que o fã deseja: uma antologia viva com estrutura digna de sua história. Assistir ao show Djavanear é obrigatório para quem deseja ver a história da música brasileira sendo celebrada em tempo real.

A turnê agora segue para Salvador, passa por Fortaleza, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Florianópolis, Belém, Recife, Maceió, antes de retornar para o show derradeiro no Pacaembu, em São Paulo, no dia 12 de dezembro.