Blink-182 relança Take Off Your Pants and Jacket com faixas inéditas no streaming

O Blink-182 lançou a edição de 25 anos de Take Off Your Pants and Jacket, o álbum que mudou a história do punk rock ao ser o primeiro do gênero a estrear no topo da Billboard 200. Além das 13 faixas clássicas que definiram hits como The Rock Show, Stay Together for the Kids e First Date, esta edição comemorativa traz um presente especial para os fãs mais dedicados: seis músicas que nunca tinham chegado ao streaming. Fim do mistério das edições raras Quando o disco foi lançado, em 12 de junho de 2001, a capa foi dividida em três versões colecionáveis, cada uma representada por um símbolo: o avião vermelho, a calça amarela e a jaqueta verde. Cada uma dessas edições trazia duas músicas “escondidas” que se tornaram o Santo Graal dos fãs da banda. Agora, pela primeira vez, todas as seis raridades estão reunidas em um único lugar. Impacto de Take Off Your Pants and Jacket O álbum é um divisor de águas não só para o blink-182, mas para o rock moderno. Ele refinou a fórmula que a banda começou a desenhar em Enema of the State, trazendo uma produção mais polida, mas mantendo a atitude adolescente, o senso de humor escrachado e a energia inesgotável. Vinte e cinco anos depois, a relevância do disco continua intacta.
Grotta estreia com álbum gravado na urgência do punk e mira shows no Brasil e Europa

Nascida de uma reunião despretensiosa entre amigos, a banda Grotta transformou a paixão pelo skate punk e pelo hardcore dos anos 1980 em um disco de estreia que carrega toda a espontaneidade de sua origem. Formado em Piracicaba, no interior de São Paulo, o trio lançou Tomorrow Comes Today, álbum com oito faixas que mergulham em sonoridades ligadas ao skate punk, crossover, hardcore e thrashcore, mantendo a energia crua e direta que marcou os primeiros registros do projeto. A Grotta surgiu como um desdobramento da The Mullet Monster Mafia, grupo que conquistou reconhecimento internacional dentro da cena surf punk. Mas, desta vez, a proposta era outra. Inspirados por nomes clássicos como Gang Green, Agent Orange e Bad Brains, Verme, Netão e Neri decidiram revisitar a agressividade e a velocidade que ajudaram a moldar o universo do skate punk e do crossover. As composições nasceram de forma quase instantânea. Durante um encontro na casa de Verme, guitarrista e vocalista da banda, os músicos começaram a tocar, improvisar levadas e escrever letras enquanto ouviam discos antigos do gênero. As primeiras versões das músicas foram registradas de maneira totalmente caseira, com violões, batidas na mesa e gravações simples. O resultado daquele encontro acabou se transformando nas oito faixas que compõem Tomorrow Comes Today. O projeto poderia ter permanecido apenas como uma gravação informal, mas ganhou novos contornos durante a passagem de Neri pelo Psycho Carnival. Ao revisitar o material gravado no celular, o baterista percebeu que havia ali potencial para um álbum completo. Pouco tempo depois, a banda entrou no Soul de Pira Studios, em Piracicaba, e registrou todas as músicas em uma sessão rápida que preservou a urgência das composições originais. Essa velocidade também define a experiência de audição do disco. Com músicas curtas, refrões diretos e estruturas enxutas, a Grotta aposta em canções que não desperdiçam tempo. As letras acompanham a intensidade instrumental ao abordar temas como desgaste social, tensão urbana, medo, resistência e as incertezas do cotidiano. Em vez de narrativas complexas, predominam frases de impacto e mensagens condensadas, seguindo uma tradição presente tanto no punk quanto no hardcore. Além do lançamento nas plataformas digitais e no Bandcamp, Tomorrow Comes Today ganhará uma edição especial em vinil de 12 polegadas. A prensagem será viabilizada por uma união entre cinco selos independentes: Trashout Records, Orleone Records, Redlightz Records, Tupunk Records e Under Shows, reforçando a conexão da banda com a cena underground internacional. Com o álbum recém-lançado, a Grotta já começa a olhar para a estrada. A expectativa é realizar apresentações no Brasil a partir de agosto, aproveitando a passagem de Neri pelo país durante as atividades relacionadas ao Lucky Friends Rodeo. Para novembro, os planos incluem uma pequena turnê europeia, levando a energia veloz e descompromissada de Tomorrow Comes Today para além das fronteiras brasileiras. Se a estreia nasceu de maneira improvisada, o futuro da banda parece seguir em ritmo acelerado.
Mari Romano reflete a importância do encantamento cotidiano no enérgico álbum Além da Pele

A compositora, arranjadora e produtora carioca Mari Romano decidiu habitar a própria pele de forma completa em seu segundo álbum de estúdio. Além da Pele é um marco de maturidade pessoal e artística que transita por um universo popular e experimental, onde arranjos de sopros minuciosos encontram batidas eletrônicas e a força da percussão brasileira e latino americanas para refletir sobre crise climática, ansiedade digital e a urgência de estar presente no agora. Mari Romano estava sumida da música já faz alguns anos, mas não dos tocadores. Desde 2018, ela se consolidou como um dos principais nomes na área de produção de podcasts no Brasil. Mas em 2026, se prepara para um retorno à música autoral, com um lançamento especial. Além da Pele é seu novo disco, de 11 faixas, todas diferentes entre si. “Quis aproveitar esse trabalho para fazer tudo o que eu queria. Não penso em fazer um próximo disco tão espalhafatoso como esse. Minha ideia era transmitir uma espécie de encantamento radical, saiu um disco eufórico”, reflete ela. “Estamos o tempo todo nos comparando com os outros, vivendo na alteridade do meio digital. Eu sofria muito com essa ansiedade. Aterrar em mim mesma me deixou mais presente e acalmou essa aflição. Quis fazer um disco vivo, curioso, com energia, mas que carregasse também a complexidade da vida”. O repertório é um mosaico de ritmos que desafia classificações rígidas. Da ironia ácida de Tudo Errado, inspirada no New Jack Swing, ao samba bem-humorado de Maluco da Retronoia com a percussão mestre de Zero Telles, Mari Romano demonstra domínio técnico e narrativo. O álbum explora desde a hipnose industrial da faixa em inglês Mosquito até a influência folclórica argentina em Sentimento e Nada, composição que remete aos anos em que Mari viveu em Córdoba. O encerramento com Ilusão Delícia traz uma mensagem de renascimento, transformando dores em um samba luminoso que celebra a capacidade humana de recomeçar. Mari Romano iniciou sua jornada musical aos 11 anos e, desde então, acumulou experiências que passam pelo coletivo Xanaxou, pela graduação em Composição na Argentina e pela produção do elogiado Romance Modelo (2017). Sua carreira como editora de som de grandes podcasts brasileiros (incluindo produções como Foro de Teresina, Pistoleiros, Maníaco do Parque e Reply All) refinou sua percepção estética, permitindo que, em Além da Pele, ela assumisse o protagonismo total: das vozes e guitarras aos arranjos de metais. Os arranjos foram escritos por Mari Romano e executados pelo trio Copacabana Horns (formado por Marlon Sette, Diogo Gomes e Jorge Continentino, músicos que acompanham nomes como Caetano Veloso e Maria Bethania), e Aline Gonçalves. Além disso, a artista reuniu um time estelar de músicos: Kassin (baixo), Jeremy Gustin e Pedro Fonte (bateria), Danilo Andrade e Thomas Jagoda (pianos e synths), Guilherme Lirio e Rafael Barone (baixo), Vitor Wutzki e Bichinho (guitarras), Abel Souza (cavaquinho), além da percussão de Zero Telles e Marja Lenski. “É impressionante quanto a gente ganha da vida quando começa a habitar a própria pele de forma completa. Sem fugir dela, sem fugir da vida. Esse disco é a celebração desse momento. De quando entramos em sintonia com nós mesmos, passamos a estar no mundo, com tudo o que ele tem: sujeita, alegria, vacilos, amores, sonhos, frustrações. Pra mim esse disco é isso”, conta Mari. Mais do que um retorno, esta é uma afirmação de identidade. Um disco que convida a dançar, sentir, não se perder de si, e lutar pelas coisas que importam. Além da Pele está disponível em todas as plataformas de música digital.
Lizzo reafirma seu poder com o novo álbum “Bitch”

A multi-artista e vencedora do Grammy e Emmy, Lizzo, está de volta para elevar o nível. O novo álbum de Lizzo, intitulado apropriadamente Bitch, já está entre nós, consolidando sua trajetória de autoconfiança e reinvenção sonora. Conceito por trás do título Lizzo não escolheu o nome ao acaso. Reivindicando um termo historicamente usado para diminuir mulheres, ela o transforma em um emblema de poder, amor-próprio e liberdade. A artista cita influências fundamentais, como Meredith Brooks e Missy Elliott, como inspirações para usar a palavra em seus próprios termos. “É uma declaração de confiança sem desculpas”, comenta a cantora. Destaques de Bitch, de Lizzo Além das paradas de sucesso
Paul McCartney lança álbum The Boys of Dungeon Lane

Após um hiato de mais de cinco anos em seus lançamentos solo, o eterno beatle Paul McCartney apresentou The Boys of Dungeon Lane, um álbum que se autodefine como a “história antes da história”. Uma viagem à Liverpool do pós-guerra Mais do que um simples conjunto de canções, o novo trabalho é uma coleção de memórias íntimas. Com foco total na introspecção, McCartney abre o baú de recordações e compartilha passagens que nunca haviam sido reveladas ao público. O álbum transporta o ouvinte para a Liverpool da década de 1950, descrevendo com uma franqueza rara: A rotina e a resiliência de seus pais no pós-guerra; Os primeiros acordes e aventuras compartilhadas com John Lennon e George Harrison; A vida cotidiana muito antes da explosão da beatlemania. Vulnerabilidade e legado The Boys of Dungeon Lane mostra um Paul McCartney em estado de espírito sincero e reflexivo. Ao revisitar os alicerces de sua formação, o artista explora o que moldou não apenas sua vida, mas também a base da cultura popular moderna. É, sem dúvida, o projeto mais pessoal e transparente de toda a sua trajetória.
Violet Grohl mergulha na nostalgia do rock alternativo em álbum de estreia

A cantora e compositora Violet Grohl lançou o seu álbum de estreia, Be Sweet To Me. Composto por 11 faixas, o projeto é um tributo sonoro ao final dos anos 1980 e início dos anos 1990, um período que a artista descreve como autêntico e cru. Referências e atmosfera de Violet Grohl O disco é uma colagem de influências que moldaram o gosto musical de Violet desde a infância. Na sonoridade do álbum, é fácil identificar ecos de nomes fundamentais do rock alternativo e grunge, como Pixies, Soundgarden, Cocteau Twins, The Breeders, PJ Harvey, Björk, Alice in Chains, L7 e Juliana Hatfield. Segundo a artista, o objetivo foi capturar a mensagem e o visual de uma época que considera poderosa. “Existe algo muito autêntico na música daquele tempo”, comenta. Influências cinematográficas Além da música, Be Sweet To Me traz uma carga visual e narrativa fortemente influenciada pelo cinema. Fã confessa da obra de David Lynch, Violet transpôs essa estética para as suas composições. Um dos exemplos mais claros é a faixa What’s Heaven Without You, que explora contornos impressionistas e nasceu de sentimentos melancólicos após os incêndios em Altadena, Los Angeles. O resultado é um trabalho cinematográfico que consegue ser, ao mesmo tempo, uma homenagem ao passado e uma afirmação da identidade artística atual de Violet Grohl.
Asfixia Social mistura hardcore, rap e ritmos brasileiros no álbum “Mess Bigger”

Com quase duas décadas de estrada, o quinteto paulistano Asfixia Social acaba de lançar o álbum Mess Bigger, um trabalho que traduz o barulho, as tensões e a urgência das calçadas das metrópoles em forma de música pesada. O disco traz oito faixas inéditas e foi produzido pela própria banda em parceria com Pedro Garcia (baterista do Planet Hemp). O resultado é um híbrido explosivo que une a agressividade do punk e do metal com o balanço do ragga, do ska, do rap e de ritmos genuinamente brasileiros, como o baião e o funk carioca. Caldeirão de ritmos de rua Para o vocalista e trompetista Kaneda Mukhtar, o álbum é uma reverência direta à cultura de rua em sua raiz de luta. A atual formação, que conta também com Thiko Garcia (guitarra), Leo Oliveira (baixo), Jahya (saxofone) e Barba (bateria), não tem medo de experimentar. >> LEIA ENTREVISTA COM ASFIXIA SOCIAL O grande destaque do repertório é a pesada Baião de Dois. A música promove uma fusão de metal, soul e baião, servindo de base para uma letra forte que aborda a desigualdade social e a fome nas grandes cidades, trazendo referências à justiça de Xangô. Outro choque de realidade vem em Capoeira-Karatê, que une a batida do funk carioca à fúria das guitarras do hardcore para falar sobre sobrevivência e insubmissão urbana. Já a abertura com Revolutionary Rapport funciona como uma rádio pirata periférica, cujo videoclipe reúne imagens da turnê europeia da banda realizada em 2025, conectando grandes festivais e ocupações artísticas alternativas do velho continente. Time de convidados Para encorpar a sonoridade de Mess Bigger, o grupo recrutou um time de peso nos bastidores. O álbum conta com arranhões de prato do icônico DJ Erick Jay (vencedor de cinco títulos mundiais de DJ), batidas de Carlos PXT, além das colaborações de Henrique Kehde e do multi-instrumentista Dendê Macedo.
Clássicos de Erasmo Carlos nos anos 70 ganham rimas do rap nacional

“Eu não quero mais conversa / Com quem não tem amor”. Quando Erasmo Carlos cantou esses versos em Gente aberta, no início da década de 1970, ele não estava apenas lançando uma música, estava assumindo uma postura política e existencial diante de uma ditadura militar asfixiante e de uma sociedade careta. Mais de meio século depois, essa mesma urgência ressurge com o lançamento de Mano (Universal Music), álbum que promove um encontro histórico e sem precedentes entre o rap nacional e o acervo do Tremendão. Lançado no último dia 22, como parte das celebrações do que seriam os 85 anos do cantor (comemorados em 5 de junho), o projeto não é um amontoado de remixes eletrônicos genéricos. Trata-se de uma verdadeira conversa de estúdio. Os rappers entraram direto nos fonogramas originais, rimando e dialogando por cima das fitas master e da voz de Erasmo, que segue viva e potente. “Boom” de Ainda Estou Aqui O recorte do projeto foca em uma fase de ouro muito específica da discografia do cantor: o período entre 1971 e 1974, representado pelos álbuns Carlos, Erasmo (1971), Sonhos e memórias – 1941/1972 (1972) e 1990 – Projeto Salva Terra! (1974). Foi a época em que Erasmo deixou de lado a inocência da Jovem Guarda para cantar crises existenciais, desordem urbana, drogas, paternidade e liberdade de espírito. Esse repertório voltou ao centro das atenções mundiais após a canção É preciso dar um jeito, meu amigo integrar a trilha sonora do filme Ainda estou aqui, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional. A música estourou nas plataformas de streaming como a mais ouvida de Erasmo, provando que sua lírica dos anos 70 continua assustadoramente atual. Ideia de família A semente do projeto nasceu de conversas entre Erasmo e seu filho e empresário, Léo Esteves. Eles queriam fazer circular canções que o compositor amava, mas que nem sempre cabiam nos shows de turnê. Para garantir que o material ganhasse o tratamento artístico que merecia, Léo convocou o produtor Marcus Preto, diretor artístico dos últimos álbuns do Tremendão em vida. Foi de Marcus a ideia de usar o rap. “Pensamos: por que não dar essas bases analógicas clássicas para a galera do rap abrir, amostrar e rimar por cima? É a própria linguagem do hip-hop. Virou um formato de dueto de verdade, onde a voz de Erasmo é o núcleo central”, explica o diretor artístico. Faixa a faixa
Vida adulta e família moldam o visceral “Co.War.Dice.”, novo álbum do Marmozets

Quem acompanhou a explosão do rock alternativo e do post-hardcore britânico na década passada sabe o impacto que o Marmozets causou com sua mistura caótica de riffs matemáticos e vocais explosivos. Após um longo silêncio que se arrastava desde o elogiado Knowing What You Know Now (2018), o quinteto lançou na última sexta-feira (22) o seu terceiro álbum de estúdio, intitulado Co.War.Dice. O novo trabalho não tenta apenas replicar a fúria juvenil do passado; ele reflete a maturidade de uma banda que aprendeu a canalizar sua energia em canções mais diretas, melódicas e estruturadas, sem perder a pegada agressiva que sempre foi sua marca registrada. Nova dinâmica familiar do Marmozets A semente de Co.War.Dice começou a brotar longe dos palcos caóticos. A vocalista Becca Bottomley e seu marido, o guitarrista Jack Bottomley, tornaram-se pais e se estabeleceram em uma rotina mais pacata. Foi durante uma jam descompromissada na sala de casa, em uma noite de sexta-feira, que o casal escreveu New York, a primeira composição inédita do grupo em anos e o estopim para a reunião da banda. O projeto continuou sendo um verdadeiro “negócio de família”. O irmão de Becca, Josh Macintyre (bateria), ajudou a lapidar as primeiras demos em casa. Já o outro irmão, Sam Macintyre, assumiu o baixo após a saída amigável do membro original Will Bottomley. Essa nova configuração trouxe um espaço criativo inédito para o grupo, que buscou inspiração no punk clássico do The Cramps e na esquisitice eletrônica do Devo. Para garantir o peso ideal, eles recrutaram o produtor Johnathan Gilmore (conhecido por seus trabalhos impecáveis com Nothing But Thieves e Biffy Clyro). “Este é um álbum que reflete sobre o estado do nosso mundo e uma promessa a nós mesmos de deixá-lo em um lugar melhor. Talvez nunca causemos um grande impacto, mas só podemos tentar. Escolhemos um final feliz”, reflete Becca Bottomley.