Di Ferrero lança o aguardado álbum “SE7E”

Há momentos na carreira de um artista em que os ciclos pessoais e profissionais se alinham perfeitamente. Para Di Ferrero, esse momento é agora. O cantor acaba de disponibilizar nas plataformas digitais o álbum SE7E, um trabalho que reúne os singles de seus últimos EPs a três faixas inéditas, consolidando a fase mais autêntica e madura de sua caminhada solo. Muito além de uma simples coleção de músicas, SE7E carrega um forte conceito místico e visual. E para nós, da Baixada Santista, o disco traz um sabor ainda mais especial devido às participações de figuras históricas do nosso rock de praia. Astrologia Um dos detalhes mais curiosos dos bastidores de SE7E é a influência da família de Di na concepção do cronograma. Sua mãe, que o acompanhava desde o início do NX Zero, formou-se em astrologia recentemente. Juntos, mãe e filho usaram a ciência dos astros para escolher a dedo as melhores datas de lançamento para cada etapa do projeto. Essa atmosfera mística transborda para a identidade visual do disco, criada por cccaramelo sob direção de Bruno Zampoli. O céu, as constelações e o tom azul profundo abraçam a capa e contracapa, funcionando como símbolos de transição e recomeço. >> LEIA ENTREVISTA COM DI FERRERO “O SE7E foi muito transformador. Estou em uma fase de crescimento, me permitindo viver coisas que antes eu não podia, e isso acaba despejado nas minhas composições”, revela Di Ferrero. As três inéditas do álbum As novidades do repertório mostram Di Ferrero explorando diferentes dinâmicas emocionais: DNA santista no disco Se7e Para quem é fã do rock feito na Baixada, SE7E é um prato cheio. Di Ferrero recrutou velhos parceiros de estrada para somar ao álbum. O guitarrista e parceiro de NX Zero, Gee Rocha, divide as cordas com o virtuoso Matheus Asato na releitura de Azul (Oceano). Para coroar a conexão com o litoral, o lendário guitarrista do Charlie Brown Jr., Thiago Castanho, marca presença na energética Então volta. A soma desses nomes traz aquela pegada orgânica de guitarra que consagrou o rock dos anos 2000 direto para 2026.

Towa Bird lança álbum “Gentleman”; ouça!

Se você acompanha a nova safra do indie rock, o nome de Towa Bird certamente já cruzou o seu feed. Conhecida por sua técnica impecável na guitarra, sua atitude andrógina e por ter acompanhado Reneé Rapp na estrada, a artista anglo-filipina acaba de dar o pontapé inicial em sua nova era com o álbum Gentleman. Atitude, desejo e androginia do Towa Bird Carro-chefe do álbum, a faixa-título é uma declaração ousada. Towa utiliza o deboche e o magnetismo andrógino para explorar sua própria sexualidade e o desejo queer, vestindo um arquétipo tradicionalmente masculino de forma provocativa e livre. “Eu queria começar o álbum abraçando a androginia e expressando esse lado da minha sexualidade de forma direta. Existe vulnerabilidade em outros momentos do disco, mas com Gentleman eu queria iniciar tudo com uma grande explosão”, explica a artista. Som da liberdade de estúdio A canção foi a primeira a ser escrita e gravada para o novo projeto, ditando imediatamente o tom de todo o disco. Criada de forma espontânea ao lado do produtor Wimberly, a faixa é uma colisão perfeita de pop-punk acelerado, vocais rasgados e riffs de guitarra que parecem disparados por uma metralhadora. Para Towa, o segredo da energia da música foi a ausência de cobrança nas sessões de estúdio: “Nossa única intenção naquele dia era criar algo punk, empolgante e rápido. Estávamos apenas experimentando e vendo no que dava. Entrar no estúdio com essa mentalidade tirou toda a pressão, e essa sensação de liberdade nos acompanhou até o fim do processo”, relembra.

The All-American Rejects abandona nostalgia e aposta em reinvenção em novo álbum “Sandbox”

Depois de 14 anos sem lançar um álbum de estúdio, o The All-American Rejects retorna com Sandbox, disco que abandona qualquer obrigação de funcionar como uma simples cápsula do tempo dos anos 2000. A banda, atração da primeira edição do I Wanna Be Tour, até poderia ter seguido o caminho mais seguro e recriado a fórmula radiofônica de Move Along ou When the World Comes Down, mas escolheu fazer exatamente o contrário. O quinto álbum de estúdio do grupo nasce como uma tentativa clara de reconstrução artística, refletindo uma banda mais velha, mais introspectiva e consciente de que nostalgia sozinha já não sustenta relevância em 2026. O próprio Tyson Ritter chegou a comentar recentemente que o objetivo não era apenas fazer o público “se sentir jovem novamente”, mas tentar “dizer algo agora” e criar conexão no presente. O que esperar de Sandbox? Essa mudança aparece imediatamente na sonoridade. Sandbox reduz drasticamente o protagonismo do pop punk acelerado e dos refrões explosivos que definiram a identidade comercial da banda. Em vez disso, o álbum mergulha em uma estética mais atmosférica, cheia de texturas lo-fi, sintetizadores discretos, guitarras menos agressivas e estruturas menos previsíveis. O disco soa muito mais próximo de um indie alternativo melancólico do que daquele emo pop radiofônico que dominava MTV e trilhas adolescentes nos anos 2000. Ainda existem melodias familiares e momentos que remetem ao DNA clássico da banda, mas agora tudo parece filtrado por uma abordagem mais madura e menos imediatista. Tyson Ritter acaba sendo o centro emocional do álbum. Se antes suas letras eram marcadas por sarcasmo, relacionamentos turbulentos e refrões feitos para multidões cantarem juntas, aqui o vocalista assume uma postura muito mais vulnerável. Em músicas como For Mama (clipe acima) e Green Isn’t Yellow, ele explora temas ligados à exaustão emocional, amadurecimento e desgaste pessoal sem tentar transformar tudo em um grande hit de arena. Há um tom contemplativo constante no disco, como se a banda estivesse processando os próprios anos de afastamento enquanto tenta entender qual ainda é o seu lugar dentro da música alternativa atual. A faixa-título talvez seja a melhor representação disso tudo. Sandbox usa referências à infância e ao conceito simbólico de uma caixa de areia para discutir relações humanas, isolamento e conflitos emocionais. Existe uma nostalgia evidente, mas ela não aparece romantizada. O álbum inteiro parece tratar o passado como algo inevitável, porém insuficiente para responder às crises do presente. É justamente essa visão que distancia o disco de tantos retornos oportunistas de bandas daquela geração. Álbum equilibra experimentação com identidade própria Musicalmente, Sandbox funciona melhor quando consegue equilibrar experimentação com identidade própria. Faixas como Get This ainda preservam parte da pegada melódica clássica do grupo, trazendo hooks mais acessíveis e uma energia mais próxima do antigo The All-American Rejects. Já músicas como King Kong apontam para um território mais pessoal e introspectivo. Ritter revelou que a faixa nasceu da decisão de deixar Los Angeles e retornar para Oklahoma, usando a composição como reflexão sobre superficialidade, fama e autodestruição. Ao mesmo tempo, o álbum também apresenta algumas irregularidades. Em certos momentos, a tentativa de soar moderno parece excessiva, quase como se a banda estivesse tentando se encaixar dentro da estética indie contemporânea em vez de simplesmente deixar as músicas respirarem naturalmente. Algumas faixas soam mais densas do que realmente precisariam ser, e a produção às vezes prioriza textura e ambientação em detrimento de impacto emocional imediato. Parte dos fãs já demonstra essa divisão, principalmente entre quem esperava um retorno mais explosivo e direto. Mas talvez justamente aí esteja o maior mérito de Sandbox. O disco nunca soa preguiçoso ou automático. Diferente de muitos retornos recentes de bandas do mesmo período, o The All-American Rejects não parece interessado em repetir uma fórmula antiga apenas para sobreviver no circuito nostálgico. Existe um senso genuíno de reconstrução artística aqui. De volta ao jogo A banda passou mais de uma década praticamente distante do centro cultural do rock alternativo, e esse tempo claramente serviu para redefinir prioridades criativas. Tyson Ritter chegou a admitir que o grupo precisava descobrir como evoluir sem continuar “voltando a um poço que já estava seco”. A produção reforça bastante essa sensação de amadurecimento. Em vez da compressão exagerada típica do auge do pop punk comercial, Sandbox aposta em espaço, ambiência e camadas instrumentais mais sutis. As guitarras continuam presentes, mas agora dividem protagonismo com synths, linhas de baixo discretas e momentos quase contemplativos. Isso transforma o álbum em uma experiência menos imediata, porém mais interessante ao longo de múltiplas audições. No fim, Sandbox dificilmente será o disco favorito de quem esperava apenas uma continuação direta de Move Along. E talvez nem queira ser. O álbum existe justamente para romper essa expectativa. Imperfeito, irregular e ocasionalmente excessivo, o trabalho ainda assim consegue entregar algo raro em retornos tardios: propósito artístico real. O The All-American Rejects volta não para repetir o passado, mas para tentar entender quem ainda pode ser no presente.

Anônimos Anônimos estreia álbum “Acabou Sorrire” misturando indie e emo

A banda Anônimos Anônimos acaba de lançar o primeiro álbum cheio da carreira. Intitulado Acabou Sorrire, o disco chegou às plataformas pelo selo Forever Vacation Records reunindo nove faixas que consolidam a fase mais madura e coesa do quarteto paulistano. Depois de dois EPs marcados por experimentações dentro do rock alternativo, o grupo agora aposta em uma identidade mais definida, aproximando indie rock, emo, pop punk e dream pop de letras confessionais em português e referências nacionais. O trabalho também representa um novo momento para a banda dentro da cena independente. Antes do álbum, a Anônimos Anônimos passou pela Repetente Records, selo criado por Badauí e Phil Fargnoli, além de receber indicação de Clemente como revelação no programa KZG News. Agora, o grupo apresenta um repertório mais alinhado, focado em melodias diretas e letras sobre crescimento, relações pessoais, tempo e inquietações cotidianas. O título do álbum nasceu inicialmente como uma brincadeira com Acabou Chorare, clássico dos Novos Baianos, mas acabou ganhando significado próprio dentro da proposta do disco. Segundo o vocalista Flávio, o trabalho carrega uma atmosfera mais introspectiva e reflexiva, sem abandonar o lado melódico da banda. A ideia, segundo ele, é transmitir acolhimento e proximidade, funcionando mais como “um abraço” do que como um convite para a festa. A produção ficou nas mãos de Alexandre Capilé, que teve papel importante na construção da identidade final do álbum. Já a mixagem e masterização foram realizadas em parceria com Gabriel Zander. O resultado é um disco que preserva a energia dos primeiros lançamentos, mas entrega uma sonoridade mais sólida, clara e direta, reforçando o momento de afirmação da Anônimos Anônimos dentro da nova geração do rock alternativo brasileiro.

Entrevista | American Football – “É sobre convidar as pessoas certas e confiar nelas”

​Os gigantes do math rock e do midwest emo estão de volta. O American Football lançou o aguardado LP4, um trabalho que mergulha nas complexidades da maturidade e nas “duras realidades da vida” sob uma perspectiva de meia-idade. Com uma sonoridade mais encorpada e camadas rítmicas profundas, o novo álbum reafirma a posição do grupo como arquitetos de uma melancolia sofisticada, equilibrando a precisão técnica que os consagrou com uma entrega emocional ainda mais direta e visceral. ​Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, o baterista e trompetista Steve Lamos abriu o jogo sobre o processo de criação no estúdio e a busca por uma sonoridade autêntica. Lamos revelou como a parceria com o produtor Sonny DiPerri foi fundamental para reconstruir sua confiança atrás do kit, resultando em performances que ele considera as mais honestas de sua carreira até hoje. Entre compassos quebrados e melodias de trompete, o músico descreve o novo disco como um retrato fiel de quem a banda é no momento. ​Um dos pontos altos da conversa foi o clima de celebração em torno das colaborações de peso no álbum, que conta com nomes como Brendan Yates (Turnstile) e Beth Orton. Steve detalhou como a banda deu liberdade total para que esses artistas deixassem suas marcas, transformando as faixas em diálogos orgânicos entre diferentes gerações do rock alternativo. O resultado é um disco que, embora denso, encontra momentos de alívio em faixas mais solares, como o single Wake Her Up. ​A conexão com o público brasileiro também ganhou destaque no papo. Mesmo a milhares de quilômetros de distância, Lamos descreveu a recepção dos fãs na América do Sul como “mágica” e confessou que a banda está ansiosa para retornar. Ele relembrou a última passagem por São Paulo e expressou o desejo genuíno de explorar outras cidades brasileiras na próxima turnê. * O material de divulgação do LP4 menciona que o American Football enfrentou realidades duras da vida sob uma perspectiva de meia-idade. Como o seu processo criativo na bateria e no trompete refletiu esse clima mais denso e introspectivo deste novo disco? Uau, essa é uma ótima pergunta, eu agradeço. Uma perguntinha fácil para começar, né? Nossa, sabe, acho que estamos todos mais velhos, fazemos isso há muito tempo e acho que a única razão para continuar é fazer música nova que pareça, sabe, autêntica de alguma forma. ​Não sei se entramos nessas músicas pensando deliberadamente: “Ah, vamos fazer um hino adulto” ou algo assim, mas acho que todos querem fazer música que soe sincera ou autêntica. Algumas dessas músicas vieram de partes de bateria que eu talvez estivesse… eu amo ir para a garagem e fazer barulho, e às vezes penso “ah, gostei desse barulho”, gravo e tento desenvolver algo. Então algumas faixas foram geradas assim. ​O trompete é meu amigo e meu inimigo; sempre que crio uma melodia nele, eu o trato como — em inglês dizemos frenemy [amigo-inimigo], certo? — trato o trompete como meu frenemy. Uma dessas melodias o Mike [Kinsella] escreveu para mim, mas no “meu estilo”, e foi impressionante. Eu pensei: “Meu Deus, é exatamente o que eu teria tocado”. No final da música chamada Wake Her Up, ele escreveu aquela melodia e eu fiquei tipo… foi estranho ter algo escrito por outra pessoa que fosse tão certeiro. Mas a primeira música, a do meio chamada Patron Saint of Pale e a última são especiais para mim, porque todas vieram de levadas de bateria que eu tinha guardadas há muito tempo. No fim, acho que só queremos criar coisas interessantes; se as acharmos interessantes, esperamos que pareçam sinceras para as outras pessoas. Trabalhar com o produtor DiPerri trouxe um som mais encorpado, mais “carnudo” para o álbum. De quais formas a colaboração dele influenciou a maneira como você estruturou as camadas rítmicas desta vez? ​Puxa, outra ótima pergunta. Eu não conhecia o Sonny. O Mike e o Nate conheceram o Sonny quando eu saí do American Football por um tempo para lidar com outras coisas. Eles o conheceram para trabalhar no disco do Lies [projeto paralelo]. Então o Mike e o Nate fizeram um disco juntos, em dupla. E quando voltamos, eles disseram: “Ei, ele é ótimo, né? É muito fácil trabalhar com ele”. E eu não o conhecia. No fim das contas, ele trabalhou em discos que eu conhecia, só não sabia que era ele. ​É difícil expressar o quanto gostei de trabalhar com ele. Ele também é baterista e está muito interessado, durante a gravação, em takes que soem autênticos. Mesmo que não sejam perfeitos, há alguns erros neste disco. Eu os ouço e penso: “Ah, cara…”. Mas foram erros que, espero, façam parte de algo maior; eu não quis descartar a performance. Tudo pareceu muito… esse foi o disco que mais pareceu com o primeiríssimo álbum, talvez até melhor que o primeiro no sentido de que me senti muito confiante. Me senti bem com o que estava fazendo, me senti pronto para gravar. E acho que isso transparece. ​Eu amo este disco, talvez seja o meu favorito. E espero que as pessoas gostem. Elas têm todo o direito de não gostar, eu entendo. Mas já disse isso antes: se alguém pedisse “ei, me toque uma coisa que represente quem você acha que é como baterista”, eu daria este disco com certeza. Porque acho que este soa mais autêntico em relação a quem eu sou no momento. Talvez pela maturidade que você construiu na sua carreira. ​Espero que sim. E disse ao Sonny também: senti que, depois que saí, tinha perdido um pouco da confiança. Não me sentia eu mesmo atrás da bateria. E acho que ele foi muito encorajador. Foi muito significativo para mim ele dizer: “Ei, apenas confie em si mesmo, não fique preso dentro da sua própria cabeça”. Às vezes eu ficava frustrado e ele dizia: “Ei, vá fazer uma pausa”. ​Estávamos perto do oceano. Eu estava contando para a última pessoa com quem falei: estávamos em um estúdio com vista para uma baía linda.

Entrevista | Dave Fenley – “Acho que temos algumas das canções mais incríveis guardadas”

Dave Fenley não é apenas uma voz que ecoou nos palcos do The Voice e do America’s Got Talent, ele é um contador de histórias que encontrou o equilíbrio exato entre a crueza do Texas e a suavidade do soul. Após anos lançando coleções menores de canções, o artista agora apresenta seu álbum mais robusto e pessoal, Rest of My Life, um projeto que serve como uma fotografia nítida de sua maturidade artística e pessoal. Neste novo disco, Dave Fenley mergulha em uma sonoridade que ele define como um “soulful country”, quase beirando o gospel. O álbum não apenas compila singles de sucesso, como a impactante releitura de Stuck On You, mas também apresenta cinco faixas inéditas que revelam um lado mais profundo do cantor. Segundo ele, o processo de curadoria das faixas foi guiado por uma nova percepção de mundo, agora moldada pela família e pela espiritualidade. A paternidade, inclusive, é o fio condutor que trouxe calor e novas camadas à sua voz. Dave Fenley reflete com honestidade sobre como a chegada da filha transformou sua compreensão sobre o amor incondicional, influenciando diretamente a forma como ele compõe e se apresenta. Para o músico, cada verso gravado hoje é um legado que sua filha poderá acessar no futuro, o que elevou sua responsabilidade com a integridade de sua obra. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Dave Fenley também detalhou o impacto de sua passagem pelos grandes reality shows americanos e como o aprendizado nessas vitrines moldou sua gestão de carreira independente. Com um olhar generoso sobre a cultura brasileira, ele revela planos de trazer sua turnê ao país em 2027, prometendo uma experiência que vai além dos covers virais que o tornaram um fenômeno nas redes sociais. * Dave, seu novo álbum se chama Rest of My Life. Esse título traz um senso de longevidade e compromisso. O que este disco representa para sua vida e carreira neste momento? É algo realmente impactante, porque ao longo dos anos fiz muitos EPs pequenos, coleções de seis músicas, porque costumava escrever sobre algo que estava acontecendo na minha vida e lançava aquilo. Mas, desde o meu último álbum, me casei, tive um bebê e muita coisa aconteceu. Participei de diferentes programas de TV e minha carreira tomou rumos diferentes. Então, realmente quis lançar algo que parecesse: ok, aqui está um momento no tempo onde tudo me trouxe para quem e onde estou agora. E, a partir deste ponto, quem sabe como será a vida. Mas o “resto da minha vida” é tão empolgante por causa da música, da família e do meu Senhor. Simplesmente tudo parece estar dando tão certo agora que estou realmente ansioso pelo que o próximo capítulo reserva. Queria ter algo agora que transmitisse esse momento específico. O álbum tem 11 faixas, mas seis delas já haviam sido lançadas como singles. Como foi o processo de criação das outras cinco faixas inéditas? Elas seguem a mesma sonoridade ou trazem surpresas? Sabe, este álbum inteiro acabou se transformando em um disco de country com alma (soulful country), quase gospel. Eu sempre fiz o que chamaria de álbuns “mais country”. Mas, assim que começamos a olhar para as canções e escolher o que colocar no disco, ele pareceu um pouco mais voltado para o soul. Por isso, algumas músicas tiveram que ser completamente mudadas em relação à forma como as escrevi. Estamos muito empolgados com o que ainda não lançamos, porque meio que instigamos o público com as primeiras cinco ou seis músicas para ver se as pessoas ficariam animadas com o que viria. Mas acho que temos algumas das canções mais incríveis guardadas. Nunca estive tão animado com nada na minha vida. Sim, isso é incrível. Stuck On You tem sido um marco na sua jornada desde o The Voice. Por que você decidiu lançar uma versão com banda completa agora, sete anos depois? E como sua interpretação dessa letra mudou com a maturidade que você tem hoje? Sabe, não tinha ideia de que, quando cantei essa música no The Voice, ela teria tanto impacto. Como qualquer outra coisa na indústria musical ou qualquer obra artística que você cria, você a coloca no mundo e espera que alguém preste atenção. E, pela graça de Deus, fomos tão afortunados de ter tido essa resposta. Mas o motivo de termos feito uma versão com banda completa foi, em parte, porque as pessoas a estavam usando em casamentos. E eu pensei: “Quero dar a eles uma versão mais polida do que apenas um violão acústico”. Então, lançamos uma versão completa com a banda para dar aos belos casamentos a bela canção que eles merecem. Acho que liderar com o coração primeiro, sabendo que tínhamos um motivo, uma motivação de amor, foi o que guiou o álbum todo. Oh, isso é tão lindo. Imagino que muitas pessoas cheguem até você para dizer que se casaram ao som da sua versão de Stuck On You. Absolutamente! É uma loucura! Já viajei o mundo todo cantando essa música em casamentos também, porque as pessoas simplesmente a amam. Isso é um testamento ao Lionel Richie, que escreveu a canção. Uma música atemporal assim é perfeita. Acho que não importa quem a cante, será um sucesso. Só fico muito orgulhoso de poder ser uma das vozes para ela. Você é frequentemente rotulado como um artista “country soul”. Como você equilibra a crueza do country com a suavidade e o groove do soul ao compor músicas autorais? Eu não foco muito no que “fui”, foco em quem sou. E quando estou compondo, nem penso no estilo de música que estou escrevendo. Porque, hoje em dia, qualquer música pode ser de qualquer gênero. Se a música é boa, ela é boa. Stuck On You é um ótimo exemplo. Originalmente, era um R&B puro, uma música linda do Lionel Richie. Quando chegou nas minhas mãos, eu a tornei mais country. Acho que as fronteiras entre os gêneros estão muito borradas agora. Então, apenas tento escrever uma boa música e

Inocentes lança “Antes do Fim Deluxe” e anuncia show no Blue Note

A banda Inocentes lançou a versão expandida de seu último trabalho, Antes do Fim Deluxe. Disponível em todas as plataformas digitais via Red Star Recordings, o álbum agora conta com 20 faixas, incluindo oito versões acústicas inéditas que mostram a versatilidade de um grupo que há quatro décadas define o gênero no Brasil. O lançamento resolve um “problema” estratégico do ano passado. Como a primeira edição foi focada no formato LP (vinil), o limite físico da mídia obrigou a banda a segurar parte do repertório. “Foi uma escolha difícil, por isso seguramos essas 8 faixas para a versão digital”, explica o vocalista Clemente Nascimento. Agora, o público tem acesso à obra completa, gravada e produzida por Henrique Khoury. Homenagem ao Cólera Para marcar o lançamento, a banda escolheu como single a versão acústica de Quanto Vale a Liberdade, um clássico do Cólera escrito por Redson. A música, que apareceu pela primeira vez na histórica coletânea Sub (1983), ganha uma roupagem desplugada que realça a potência da letra. Não é a primeira vez que os Inocentes registram a faixa, mas esta nova versão busca uma fidelidade crua ao espírito original do mestre Redson. Noite de gala no Blue Note Para celebrar este novo momento, o quarteto formado por Clemente, Anselmo Monstro, Nonô e Ronaldo Passos sobe ao palco do Blue Note São Paulo no dia 12 de maio (terça-feira). O show promete ser uma experiência única, trazendo os arranjos do disco para o palco com as participações especiais de Wagner Bernardes (teclados) e Tata Martinelli (voz). Mas Clemente garante: o projeto acústico não significa que os amplificadores serão aposentados. “Esse acústico é um projeto que anda juntamente com o elétrico, não paramos um pra fazer o outro”, afirma o ícone do punk. Serviço: Inocentes – “Antes do Fim Deluxe”

Deep Purple anuncia novo álbum “Splat!” para julho

Com mais de 120 milhões de álbuns vendidos e um lugar cativo no Hall da Fama do Rock, o Deep Purple provou que não está interessado em apenas viver do passado. A banda anunciou oficialmente o seu novo álbum de estúdio, Splat!, que será lançado em 3 de julho pela earMUSIC. Em uma declaração empolgante, o frontman Ian Gillan afirmou que esta encarnação da banda soa como uma versão atualizada do Deep Purple do início dos anos 70. “Estamos de volta com um material compatível com Highway Star, Smoke on the Water e Lazy. A dinâmica, o equilíbrio e a diversão da música que fizemos entre 69 e 73”, revelou o vocalista. Som mais pesado em décadas em Splat! Para garantir que o espírito clássico fosse capturado, o grupo uniu forças novamente com o lendário produtor Bob Ezrin (KISS, Pink Floyd, Alice Cooper). O diferencial de Splat! é que a banda gravou tocando junta no estúdio, priorizando a pegada orgânica e a improvisação coletiva. Segundo Gillan, o resultado é o disco mais pesado que o Deep Purple lançou em muitos anos. Metamorfose O título e o conceito do álbum foram concebidos por Gillan. Longe de ser um disco apocalíptico comum, Splat! imagina o fim da humanidade não como destruição, mas como uma transformação, uma metamorfose para além da existência física. É uma abordagem filosófica que será revelada em capítulos nas próximas semanas. Turnê mundial O álbum chegará em diversos formatos, incluindo edições limitadas em vinil roxo e amarelo transparente, além de um Box Set de Luxo que inclui discos de 10 polegadas com gravações ao vivo da tour de 2024 e o single exclusivo em 7 polegadas Guinnesis. Para celebrar o lançamento, o Deep Purple seguirá com sua massiva turnê de 2026, com 86 shows programados em 28 países, incluindo uma passagem pelo Brasil em dezembro. Tracklist de “Splat!” (CD/2LP) Lado A Lado B 5. The Only Horse In Town 6. Sacred Land 7. The Beating Of Wings Lado C 8. Guilt Trippin’ 9. Scriblin’ Gib’rish 10. Jessica’s Bra Lado D 11. Third Call 12. My New Movie 13. Splat!

Versalie Waltz lança o visceral álbum de estreia “Whispers”

Direto da Zona Oeste de São Paulo, a banda Versalie Waltz acaba de colocar no mundo seu primeiro álbum completo, Whispers. Lançado pelo selo Red Star Recordings, o disco de dez faixas não é apenas uma coleção de canções, mas uma obra conceitual que mergulha em um arco fictício inspirado nos tumultos da Revolução Francesa. Segundo o guitarrista Mateus Bonini, o álbum questiona se os grandes movimentos sociais são puramente espontâneos ou se existem “influências externas”, inclusive de ordem sobrenatural, manipulando a sociedade. É nessa dualidade entre livre-arbítrio e instinto que a banda constrói sua lírica potente. “Haunted” Para promover o lançamento, o grupo escolheu a faixa Haunted, que chega acompanhada de um videoclipe dirigido por Ivan Shupikov. A estética é um deleite para os fãs de cinema: o vídeo bebe diretamente da fonte do terror oitentista, com referências visuais claras a clássicos como Suspiria e O Iluminado. Musicalmente, Haunted entrega um hard rock vigoroso, explorando desejos reprimidos e uma atmosfera sombria que já se tornou marca registrada da banda, composta por Jhey Rose (vocais e teclados), Victor Bittencourt (baixo), Diego Tetti (guitarra), Guilherme Fioravanti (bateria) e Mateus Bonini (guitarra). Produção orgânica e analógica Gravado na Red Star Studios sob o comando de Henrique Khoury, Whispers foca em uma captação orgânica. A banda optou por priorizar amplificadores reais e uma estética analógica, distanciando-se das produções excessivamente digitais para garantir que o som soasse tão cru e real quanto a narrativa que propõem.