Pedro Madeira lança álbum “Semideus dos Sonhos”; ouça!

Pedro Madeira tem o dom. A voz. A alma boa. Após uma longa gestação, depois de três singles, ele chega ao seu primeiro álbum, Semideus dos Sonhos. Porque é da natureza de qualquer jovem de 25 anos sonhar, mesmo morando na comunidade do Mineiro Pau, em Santa Cruz, bairro limítrofe do Rio de Janeiro. Formado como assistente social, voluntário na Obra Social Filhos da Razão e Justiça, sempre sonhou em ser uma inspiração para as crianças de onde mora. Não é fácil viver nessa luta diária. Mas a sua voz contrasta com tudo aquilo que você possa imaginar. Isso porque ela não se faz com revolta, raiva ou indignação. Ela choca mais ao revelar a leveza. Se há melancolia, ela é lúgubre. Se há felicidade, impera a beleza. Pedro sempre gostou de cantar. Fã de Beyoncé e Iza, foi num show desta última, em 2018, que ele surpreendeu a cantora, quando esta lhe passou o microfone para participar ali, na primeira fila, no meio da multidão. A voz firme e cristalina chamou a atenção de todos os presentes e ele, de cara, ganhou fãs até da própria Iza. Isso o fez acreditar na possibilidade de ir além, de ter um registro de seu próprio trabalho. De um dia, poder estar sobre o palco, e não na plateia. Foi assim que Pedro se descobriu cantor e compositor na confiança de cada passo dado e cada resposta, de cada desafio e cada apoio recebido. Num mundo de zaps e recados em redes sociais, foi o velho e-mail que permitiu o contato com Bruno Gouveia, cantor do Biquini. Ele se surpreendeu com a pureza da voz de Pedro e a beleza de suas composições. Primeiramente, buscou apenas dar orientação e apoio ao garoto, mas acabou fazendo mais que isso. Produzindo com Raul Dias, ele viabilizou a gravação do primeiro single de Pedro, Chuva. Vieram outros dois: Pássaros, em co-autoria com Bruno, e Bem Que Se Quis, sucesso na voz de Marisa Monte. O trabalho foi evoluindo. Após abrir alguns shows do Biquini Cavadão, mergulharam no projeto de um álbum mais completo, mais denso. Raul Dias que, além de trabalhar na produção, tocou guitarra, baixo, violão e programações, também convidou diversos músicos a participarem do álbum, fazendo com que Pedro mergulhasse na sua mais profunda identidade. O Semideus dos Sonhos, título do álbum, é um retrato de suas aspirações. São 12 faixas, entre canções autorais, vinhetas e duas regravações: a já conhecida Bem Que Se Quis e Minha Missão, de João Nogueira, cuja versão se transforma em um áudio-retrato. Misturando samba, soul, ritmos africanos incorporados de sua própria religião, afoxés e muita influência brasileira, Pedro se destaca ao fazer o que muitos artistas neste meio, mesmo os mais conhecidos e endeusados não parecem mais saber fazer: cantar. Poucos são capazes de cantar com interpretação, sem Auto-Tune, somente com an alma, como ele faz. Assim, Petições revela com propriedade o seu clamor por paz, Cheiro de Flor adoça os ouvidos com sua melodia gostosa, e a dançante-soul Terra Arrasada te faz dançar no mais doído desabafo. Seu single de lançamento do álbum é Só Mais Um Preto Que Morreu, um samba em parceria com Bruno Gouveia. É nesta mistura entre o roqueiro e o cantor que surge um tiro de canhão no peito de toda a sociedade, cantada com a assinatura de quem já viveu muitos assassinatos por perto. Narrado na primeira pessoa, o samba se torna um grito surdo e seco, diante da banalização da violência do dia a dia. Pedro é madeira de lei, lenha que arde, madeira talhada, é álbum que vale muito mais que uma mera audição. Um disco que fala sobre sonhos. Sonhos que todos temos. Para Pedro, um deles está se concretizando agora, muitos outros virão.

Mundo Video lança primeiro disco com Ana Frango Elétrico e Putodiparis

Após dois EPs lançados, o duo carioca Mundo Video, formado pelos compositores, instrumentistas e vocalistas Gael Sonkin e Vitor Terra, debuta seu primeiro álbum, Noite de Lua Torta (Balaclava Records). O disco foi gravado entre junho de 2022 e setembro de 2023, no entremeio de projetos individuais e de outros materiais da banda. A sonoridade de Noite de Lua Torta foi construída a partir de performances ao vivo realizadas em diferentes contextos; enquanto o aspecto eletrônico surgiu após um convite para um show em uma rave, o álbum foi lapidado com roupagem indie pop após a adição das letras. Esse ecletismo pode ser reparado nos diferentes colaboradores que compõem o disco, que vão da cantora Ana Frango Elétrico (Perto da Praia) ao trapper Putodiparis (Amantes da Paz); as faixas ainda recebem coros femininos gravados por artistas de várias pontas do cenário independente, como Gab Ferreira, Janine Prici e Carol Maia. O duo cita Tears for Fears, Tim Maia, Daft Punk e Lulu Santos como algumas das inspirações por trás de Noite de Lua Torta. As gravações do disco iniciaram no Rio de Janeiro e foram finalizadas em São Paulo, cidade onde a Mundo Video se encontra radicada no momento. A discrepância entre o bucolismo carioca e a urbanidade paulista é um dos temas de Noite de Lua Torta, com composições que tratam da saudade de casa e da solitude da metrópole. O álbum ainda discorre sobre os diferentes momentos do amor, da paixão ao fim do fascínio.

Entre o space rock e colagens surrealistas, Rod Krieger lança A Assembleia Extraordinária

Pode-se afirmar que A Assembleia Extraordinária (Café8 Music) é uma obra artesanal. Produzida de forma solitária na pequena aldeia de Sobral do Parelhão, no interior de Portugal, ela traz Rod Krieger no seu momento mais particular. Em nove faixas, ele dá vida a uma narrativa por vezes introspectiva, porém quase sempre irônica, que também sairá em filme. Quase todos os instrumentos do álbum foram Rod Krieger quem tocou, com exceção do piano e a flauta de Cai o Sol e Sobe a Lua, respectivamente assinados por João Nogueira e João Mello, do sitar de Cabelos Longos e da tampura de O Fluxo das Coisas, ambos por Fabio Kidesh, que também está nas vocalizações da introdução, faixa-título do disco. “Esse foi o primeiro trabalho em que fiz praticamente tudo sozinho, então tive momentos em que eu precisava me acertar comigo mesmo e decidir as coisas para poder ir para a próxima etapa do processo. Foi um aprendizado técnico e pessoal, porque ao mesmo tempo atuei como músico, produtor, compositor e engenheiro de áudio e não ter alguém para decidir as coisas do lado foi uma experiência nova”. A assinatura de Rod Krieger pode ser conferida não somente nas músicas, mas também nos vídeos que vão compor o filme do álbum que será lançado ano que vem. Foi ele quem roteirizou, filmou, editou, finalizou. Para somar, imagens do fotógrafo Daryan Dornelles captadas em diferentes lugares e situações fecham a narrativa proposta. Até o momento, já foram revelados os vídeos de Cai o Sol e Sobe a Lua, Este Comboio Não Para em Arroios, Cabelos Longos e agora, com o disco, é lançado o clipe de Era. Inclusive, sobre a faixa ter sido escolhida como música de trabalho do álbum, ele comenta. “A fusão entre as batidas eletrônicas com melodias vocais pop psicodélicas me agradam bastante. Além disso, essa faixa representa uma sonoridade que já venho trabalhando há algum tempo. No momento em que estava gravando a música, brinquei com alguns loops e sintetizadores, o que tirou ela um pouco do rock clássico e deixou com uma sonoridade mais contemporânea.” Para o filme, ainda serão captados também registros documentais na turnê do álbum, que já tem datas em Portugal – dia 11 de Outubro em Leiria, no Texas Club, 18 em Caldas da Rainha, no Festival Impulso, 19 no Porto, no Socorro e fecha em Lisboa, dia 25, na Fábrica Braço de Prata – e no Brasil, sendo dia 11 de dezembro no Rio de Janeiro, no Audio Rebel, e 14 em São Paulo, no Bar Alto. Influências do álbum “Quando cheguei em Portugal tentei escutar o máximo de música portuguesa possível e achei que a melhor maneira seria vir de trás pra frente. Peguei os primeiros discos dos cantores clássicos como José Cid, Sérgio Godinho, entre outros, e quis entender um pouco da cena musical do país. Um disco, aliás, dois, que me chamaram muito a atenção foram os dois primeiros discos do Jorge Palma, (Como uma Viagem na Palma da Mão e o ‘Te Já). Acho eles sensacionais e escuto frequentemente, tanto que acabaram entrando para a minha lista de álbuns favoritos da vida e, com certeza, eles tiveram uma atuação forte em mim que acabou influenciando também o A Assembleia Extraordinária”, conta Rod Krieger que também aponta Aphrodite’s Child, Beto Guedes, Arnaldo Baptista, Bob Dylan, The Pretty Things e Kraftwerk como artistas que de uma forma ou de outra também guiaram as criações do álbum. “De vez em quando eu revezava os artistas e ia para os brasileiros e fiz uma imersão no disco Molhado de Suor, do Alceu Valença. Daí, gravei Cabelos Longos. Outro disco que mexeu bastante comigo nessa jornada foi o José Cid 10.000 Anos depois entre Venus e Marte”, recorda. E finaliza: “As influências sempre foram as mesmas, o que muda é o estado de espírito e, no caso da Assembleia Extraordinária, apesar de o corpo e o espírito estarem em solo português, havia uma parcela que ainda tinha uma saudade do Brasil, o que acabou gerando uma fusão de referências entre as minhas duas casas”.

Biquini lança álbum com releituras de hits com convidados especiais

Tudo começou em 2018 com um encontro inesperado com a dupla Matheus e Kauan. Ao descobrirem que eles eram fãs do grupo, o Biquini os convidou para gravarem juntos um dueto. A escolha da faixa foi da própria dupla: Quanto Tempo Demora Um Mês. Esse foi o ponto de partida para o projeto Vou Te Levar Comigo, que chega agora com sete faixas, sete encontros sempre com artistas de estilos bem diferentes da banda. “É neste encontro de estilos que cada música ganhou novas interpretações e nuances. Nossos convidados também se sentiram assim mais à vontade”, explica Bruno Gouveia. Produzido por Carlos Coelho, Vou Te Levar Comigo leva o ouvinte a encontros do Biquini com artistas como Fagner, Guilherme Arantes, Péricles, Falamansa e Alex Escobar. Ao longo do ano, os shows constaram com participações de cada convidado no telão e foram a O sétimo convidado foi Sidney Magal, numa versão com pitadas de salsa para a música Chove Chuva, de Jorge Benjor. “Esta música se tornou um grande sucesso em nossa carreira e a consideramos quase que um filho adotivo. E não haveria melhor música para cantamos com Magal”, avalia o tecladista Miguel Flores da Cunha. O single sai no dia 2 de outubro e o álbum chega nas plataformas a partir do dia 4. “Já pensamos em fazer um volume 2 nos próximos anos. Os encontros com cada artista foram sempre cercados de grande alegria e troca de informações. E achamos que o público sempre sai ganhando com isso. O que não falta é música!”, afirma Bruno Gouveia.

Blue Mar une raízes brasileiras e indie rock no álbum Oliveira; ouça!

Brasileiro cidadão do mundo, Blue Mar faz de sua música um caldeirão de influências. Guiado por sua guitarra virtuosa e um feeling genuíno que o levaram ao reconhecimento internacional, ele se aproxima da música brasileira em Oliveira, seu novo álbum de estúdio. Após quase um ano na estrada cruzando os Estados Unidos, Europa e África do Sul, Blue Mar se sentiu compelido a embarcar em algo novo e se reconectar com suas raízes ao mesmo tempo que busca seu próprio espaço na cena alternativa. A faixa-foco, Fallen Leaves, ganhou um clipe dirigido pelo coletivo Filhos do Dono, mostrando belas cenas do litoral brasileiro. >> CONFIRA ENTREVISTA COM BLUE MAR O que começou como uma brincadeira com samplers rapidamente evoluiu para sessões imersivas de gravação em Londres com Ian Flynn e Liam Hutton no Unwound Studios, assim como ao lado de Pedro Serapicos no Alcachofra Studios, em São Paulo. Além de Fallen Leaves, o disco conta os já lançados singles Siren in the Darkness, Tough Spell, Never Ever Was e Belle of the Ball, que acumulam mais de 300 mil streams. Apesar da vibe energética e muitas vezes dançante do álbum, Oliveira é um registro pessoal que mergulha nos altos e baixos da vida, tentações e escolhas que nem sempre trazem felicidade. O nome do álbum tem um valor sentimental e se aproxima da busca por raízes do artista, pois é o sobrenome de solteira de sua mãe.

Gabriel Elias retorna às raízes reggae em “Tropical” e celebra autodescoberta

O artista mineiro Gabriel Elias, um dos destaques da cena musical contemporânea, lançou seu quinto álbum, Tropical. As nove faixas do projeto apresentam elementos do reggae, pop e ijexá, mescladas com a essência do verão e a leveza do estilo de vida praiano que o artista adotou nos últimos tempos. “Voltar a fazer um álbum de reggae, o que eu não fazia desde o Solar (2016), era algo que eu queria há tempos. Agora que cheguei aos 30 anos de idade, só tenho gratidão pela trajetória que construí e sinto que posso ser um cara importante neste lugar. O reggae é uma verdade muito grande para mim, independente das dificuldades midiáticas ou de aceitação em fazê-lo no Brasil. O conceito de Tropical me soa como algo sensitivo. Penso em cair no mar, em tomar água de coco gelada numa sombra embaixo de um coqueiro em um dia de verão. O tropical para mim é muito mais do que o clima. É um estado de espírito, é conexão com a natureza, é a liberdade de ser e estar”, explica o artista. A concepção do álbum surgiu após uma viagem de veleiro por ilhas paradisíacas que durou 12 dias – sem internet e acompanhado pelo som do silêncio -, onde o luxo era acordar na natureza, poder mergulhar em águas cristalinas e repensar o estilo de vida. Foi neste período que Gabriel Elias trocou a agitada São Paulo pela reserva natural de Itaguaré, pertencente a Bertioga, na Baixada Santista, e passou a se dedicar ao surf (outra de suas paixões). Não à toa, a música de trabalho se chama Paradisíaca e reflete esse momento onde a simplicidade pauta cada movimento do artista. “Paradisíaca é uma música que nasceu após esta viagem muito espiritual, onde aprendi a velejar e que, sem dúvidas, mudou minha vida. Tem um trecho dela que ilustra bem: ‘deixa o vento me guiar sob a luz do dia’. A letra trata de sairmos da rotina e deixarmos o prazer do presente tomar conta. É uma canção com muita brasilidade, que tem elementos reggae, mas também tem muito do ijexá no balanço, no pulso que a canção traz, muito do violão de nylon ali. Sem dúvidas é uma música muito importante dentro do projeto porque foi a partir dela que o conceito do álbum Tropical foi criado”, explica. As nove faixas de Tropical foram produzidas por Gabriel Elias e Renato Gallozi e agraciadas com audiovisuais em formato live session filmados em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, sob a direção de Bruno Fioravanti. A capa do álbum reflete bem esta escolha por uma vida mais próxima à natureza e este momento de redescoberta. “Mais uma vez trabalhei com meu fotógrafo favorito, Victor Costa, que assina quase todas as minhas capas há alguns anos. Ele captou bem essa sensação de movimento, de correr para a vida que escolhemos porque não temos tempo a perder, sabe?”.

Entrevista | King Saints – “É interessante mostrar o quanto a gente precisa se ‘branquear'”

Se Eu Fosse Uma Garota Branca é o álbum de estreia da cantora e compositora King Saints. Após cinco anos nos bastidores, King se reinventou em um projeto repleto de críticas sociais e parcerias de peso. São 11 faixas inéditas, com colaborações de artistas como Karol Conka, MC Soffia, Leone, entre outros. Juntos, eles usam a rima para destacar a força da mulher preta, com muita ironia e um humor singular. Assim como na música, seu primeiro clipe, que leva o mesmo nome do álbum, inspira-se em Zezé Motta e Taís Araújo, fazendo uma crítica ao processo de whiteface. Em entrevista ao Blog n’ Roll, a cantora King Saints falou sobre essa nova fase da carreira, o processo de criação do álbum, suas inspirações musicais e visuais, além de sua agenda de shows. Após muitos anos escrevendo para outros artistas, o que te inspirou a lançar o seu primeiro álbum? Como foi essa transição? Eu, na verdade, comecei na vida como bailarina, depois virei cover dublada, que eram umas competições muito específicas que aconteciam aqui no Rio de Janeiro. E aí, nesse meio, comecei a criar minhas próprias músicas e a fazer shows nas boates do Rio de Janeiro. Então, na verdade, comecei ali na música, sendo artista e intérprete. A composição para outros veio depois, mas também foi um caminho que encontrei para pleitear o meu trabalho dentro do mercado. É algo que gosto muito de fazer, compor música. São duas coisas que caminham juntas. Só que, nesses últimos dois anos, foi o momento em que dei muita atenção ao meu trabalho como intérprete. Fiquei cinco anos nos bastidores, mas gosto disso e estou bem feliz. Não foi repentino, foi bem pensado. Estamos aí, fazendo as duas coisas. Temos indicações no Grammy como compositora, estivemos no Rock in Rio, e agora lançando o álbum. Então, é um ano de vitória. Como foi o processo de criação do álbum Se Eu Fosse Uma Garota Branca? Foi um processo bem divertido. No estúdio, estava com produtores e amigos que tornaram tudo leve. Diferente de compor para outros, aqui pude relaxar e realmente me expressar sem pressão, porque, quando a gente faz trabalho para outras pessoas, acaba sendo estressante, já que não são necessariamente nossas próprias ideias, não somos nós que vamos cantar, e tem que fazer sentido para o outro intérprete. As colaborações com artistas como Karol Conka e MC Soffia foram experiências incríveis e trouxeram uma energia única ao álbum. Se eu olhar para trás, para a King de antigamente, e falar para ela: “Olha só, seu álbum vai ter essa galera toda com você”, acho que ela ficaria muito impactada com o que conseguimos juntos. Bom, já que você falou das parcerias, o álbum conta com colaborações de artistas como Karol Conka, MC Soffia e Leone. Como foi trabalhar com esses nomes? Foi muito especial. Todos esses artistas têm uma importância grande na minha trajetória pessoal, são pessoas que admiro há muito tempo. Cada um deles fez parte de alguma fase minha, seja por alguma música, seja pela estética. Foi muito maneiro, todo mundo me recebeu muito bem. É triste quando você conhece um artista que gosta e ele é chato, sabe? Mas, nesse caso, todos foram incríveis, e isso transparece no resultado do álbum. É um trabalho que, claramente, foi feito com muito café, muito trabalho e muita diversão. Eles estiveram com você no processo de composição também? Algumas músicas eu já tinha começado, como “Cinderela”, da MC Soffia. Eu tinha uma parte, mas o refrão ainda não existia. Quando ela chegou, criou a parte dela e tudo fluiu de uma vez, foi incrível. Já a música com a Karol Conka, fizemos do zero: eu, ela e a MC Taia, juntas, escrevendo. Eram três mulheres negras criando uma música poderosa, para chegar com atitude, e daí saiu “Kanhota”. Foi um processo bem colaborativo, nada foi feito sozinho. Quais foram as principais inspirações musicais e visuais que você trouxe para a faixa-título e para o videoclipe? Visualmente, trouxemos como inspiração Zezé Motta, enquanto Chica da Silva, que faz um processo de whiteface. Acho que é interessante mostrar o quanto a gente precisa se “branquear” para mostrar que ascendeu de alguma maneira. Thaís Araújo também, quando fez Chica da Silva, teve o mesmo processo. Grace Jones foi outra grande referência estética que usamos. Na produção da música, tivemos como referência Lily Allen, com “Smile”, e “Blank Space”, da Taylor Swift, para criar as harmonias e melodias. Foram duas faixas que usamos muito como norte. No seu álbum, você é muito irônica, com muitas críticas sociais. Como acha que sua vida pessoal influencia sua vida artística? Totalmente. Eu tive que entender muitas coisas. Saber dividir o que é sobre mim e o que é sobre a figura que as pessoas construíram, baseado no que acham que é uma pessoa negra da favela, sabe? Ter que me proteger nesse lugar e não perder minha voz por causa da perspectiva dos outros me fez trazer isso para o álbum, para a música. Acho que não permito que ninguém silencie minha voz, porque tenho consciência do que estou fazendo. A consciência é muito importante. Saber de onde vim, para onde vou, e o porquê de estar fazendo as coisas. Estar sempre em busca desse conhecimento definitivamente reflete na minha música. Agora, queria saber um pouquinho sobre sua agenda de shows. Como está esse novo projeto? Então, vem aí! Estamos montando uma turnê. A partir de novembro, teremos novidades. Estamos segurando algumas informações, mas, ainda este ano, estaremos na pista. Vamos ver qual será a demanda.