Pedro Tommaso estreia com álbum Amora para consolidar sua virada artística

O cantor e compositor Pedro Tommaso lança seu primeiro álbum de estúdio, Amora, já disponível nas plataformas digitais. Nascido em São Paulo e radicado no Norte de Minas, o artista entrega um trabalho que nasceu do desejo de falar de amor em tempos de distâncias e incertezas. O disco, produzido de forma independente, transita por ritmos como funk, samba, ijexá, bolero, pop e indie rock, abraçando influências que vão de Lenine e Chico César a Vanessa da Mata e Gilberto Gil. O resultado é um mosaico afetivo que celebra a vida, as relações e o reencontro com o próprio sentir. Com dez faixas autorais, Amora destaca a pluralidade de Pedro e o cuidado com cada detalhe do projeto. Gravado durante a pandemia, o álbum surgiu de forma caseira e colaborativa, com as primeiras guias registradas no microfone de um fone de ouvido e lapidadas pelo produtor Rafael Carneiro. O disco também carrega afeto familiar, já que a filha do artista participa com vocalizações gravadas aos cinco anos de idade. A capa, assinada por Alexandre Zuba sobre foto de Lucas Viggi, sintetiza o espírito dessa nova fase: Pedro em pleno salto, em um gesto que mistura liberdade e enraizamento. Em declaração ao Blog N’ Roll, Pedro descreve o lançamento como um processo de renascimento artístico e emocional. “Eu sempre quis lançar meu disco, agora parece que eu pari meu primogênito e só me deu mais vontade de ter mais filhos”, diz. Ele lembra a dedicação de quatro anos até transformar a ideia de Amora em um álbum completo. “Agora, cheio de orgulho e água na boca, posso saborear meu primeiro álbum e oferecer esse sabor para o mundo enquanto colho os frutos deste lançamento.” Pedro vê o disco como um convite à escuta sensível e reforça o poder transformador da obra. “Amora faz muito bem para o coração”, afirma. Entre momentos de autocuidado, saudade, reencontros e descobertas, o trabalho marca uma virada de chave na carreira de um artista que compõe desde os 10 anos e agora encontra no amor, por si, pela música e pelo outro, sua força motriz.
Soma Soma estreia o disco Nem Toda Flor, que planta o Brasil em terras britânicas

O grupo Soma Soma estreou o álbum Nem Toda Flor. O trabalho, que ganha vida a partir de pausas e transformações, foi gravado na cidade de Bristol, na Inglaterra, em um estúdio localizado nos fundos do The Jam Jar. É o mesmo espaço em que o grupo costumava ensaiar. Ao longo de nove canções, o LP traduz a maturidade criativa e a harmonia coletiva adquirida por seus integrantes, que constroem juntos uma ponte entre o velho continente e as sonoridades brasileiras. Marcado por arranjos ousados e uma produção que valoriza o som orgânico, o projeto busca reafirmar a força do Soma Soma como um dos grupos mais inventivos da diáspora brasileira. Liderada pelo vocalista e guitarrista brasileiro Artur Tixiliski, radicado na Inglaterra há mais de duas décadas, a banda propõe uma viagem musical que atravessa o mundo entre paradas que incluem o samba rock, partido alto, afoxé, swingueira, axé e maracatu. Seu segredo está na mescla de tradições afro-brasileiras com camadas de jazz espiritual, afrobeat e mais fusões globais. Todos esses ritmos são trazidos à baila de maneira orgânica, de um jeito caro à formação da banda. Ao longo de sua trajetória, Tixiliski vem unindo forças com instrumentistas e estudiosos musicais a fim de criar intersecções entre a alma brasileira, a vivência inglesa e toda referência que se faça bem-vinda a partir de outros cantos do mundo. Formada por Jonny Pryor (guitarra), Oli Mason (bateria), Jake Calvert (percussão), Rory Macpherson (saxofone), Joe Bradford (trombone), Piers Tamplin (saxofone, clarinete baixo e flauta) e Stevie Toddler (baixo e vocais de apoio), além de Artur, a Soma Soma se revela uma celebração da pluralidade rítmica e emocional. Mais do que isso: uma big band contemporânea que calca sua identidade na potencialidade da música progressiva em acessar a alma do Brasil e ainda assim estar aberta ao diálogo com o mundo. O título, que vem da frase Nem toda flor floresce o ano todo, é também uma metáfora sobre ciclos, emoções e a necessidade de respeitar o próprio tempo. “Nem Toda Flor, o álbum, nasceu da pausa que o mundo viveu durante a pandemia de covid-19. Eu e Artur tínhamos bebês recém-nascidos, mas ainda assim encontramos tempo para seguir compondo com o resto da banda. Era um período de reflexão e de reconexão com o essencial — e foi nesse espírito que as músicas surgiram”, conta Jonny Pryor, um dos integrantes do projetos. Haja vista, cada faixa carrega uma história. O Mundo Parou, escrita durante uma visita ao Brasil, pulsa entre a tensão e a esperança. Inspirada por Bebeto e Antônio Carlos & Jocafi, a canção transforma a quietude do isolamento social em groove, com letras que refletem sobre trabalho, tempo e reconexão com a família. Já Se Eu Fosse Um Homem Sem Amor é uma canção de duas notas que se expande em sentimento, nascida da tentativa de simplificar o entorno e deixar que apenas seu ritmo guie. Influenciada pela batida dos Arróxa Drummers, a estreia traz um groove denso e apaixonado sobre criar vida a partir do amor. Em Yelda, Artur Tixiliski se inspira no romance O Caçador de Pipas, do romancista afegão Khaled Hosseini, para transformar a noite mais longa do inverno persa em metáfora da espera e do desejo. Parquinho, por sua vez, reflete o tempo vivido entre a incerteza da paternidade, com o som das correntes de um balanço infantil se transformando em base rítmica para uma peça de tom jazzístico. Pressa, na sequência, homenageia a cena de jazz de Bristol com compassos irregulares e metais exuberantes, lançando luz sobre o aprendizado coletivo da desaceleração com fins de reencontro do propósito. O álbum também se abre ao protesto e à espiritualidade. Treta é um maracatu político, escrito a partir de um antigo riff de autoria de Tixiliski, em parceria com o compositor Hércules Lacovic. É uma resposta à sua frustração com o autoritarismo e a crise ambiental provocada pelo governo de Jair Bolsonaro (2019–2022). Laranjeiras, lançada como single antecipado, é um samba psicodélico que homenageia o bairro carioca e o espírito solar do Brasil, enquanto Nem Toda Flor Floresce o Ano Todo funciona como um mantra sobre autocompaixão, inspirado nos cantos responsivos do samba de coco. O encerramento, que se dá com O Menino e o Pandeiro, flutua entre rumba e samba, celebrando o aprendizado, a leveza e a continuidade, aspectos que nos abrem as portas do futuro. Entre raízes e experimentação, Nem Toda Flor se revela um disco centrado no ato de florescer apesar das intempéries, com a consciência de que até o silêncio faz parte da música. A obra surge como fruto de uma longa semeadura, que plantou o Brasil no interior de cada integrante, mas também de quem a escuta. Honesto em sua proposta, o álbum ganha profundidade justamente por não buscar complexidades ao despertar sentimentos. Cultivado a várias mãos, o repertório foi regado e cuidado para dialogar com muito mais do que os ouvidos estrangeiros fascinados pelas referências estrangeiras estão acostumados. Aqui, a intenção é se conectar com a essência brasileira que nos leva a dar frutos em qualquer lugar do mundo.
Matanza Ritual divulga A Vingança é Meu Motor com show em São Paulo

Já consolidado na música pesada nacional que atinge distintos públicos do rock, o Matanza Ritual chega nesta sexta-feira ao palco do Carioca Club, em São Paulo, para apresentar ao público as faixas de A Vingança é Meu Motor, álbum que consolida a identidade da nova formação. Os ingressos estão à venda no site do Clube do Ingresso ou na bilheteria do Carioca Club. O show também trará músicas marcantes da sólida carreira na voz de Jimmy London, conectando passado e presente em uma mesma noite. A abertura fica por conta da Throw me to the Wolves. Desde sua formação em 2019, a banda percorreu o Brasil com shows lotados, apresentando clássicos do Matanza e singles como Rei Morto e Morte Súbita. Com um time de estrelas e produção de Rafael Ramos, o álbum, que leva o nome de uma das faixas, traz a marca registrada da banda: um som pesado e visceral, mesclando thrash metal, hardcore e country, aliados a letras carregadas de ironia, crítica social e reflexões sobre o caos humano. São 13 faixas, incluindo os já lançados singles O Paciente Secreto e Assim Vamos Todos Morrer. O single que veio junto ao álbum é Nascido Num Dia de Azar, música que representa com força essa nova etapa da banda e define o tom do álbum. O trabalho conta com participações especiais de Chico Brown em Lei do Mínimo Esforço e Leminski em A Noite Eterna. A faixa Assim Vamos Todos Morrer surpreende com a inclusão inusitada de um violino, executado por Tamara Barquette, um elemento raro na sonoridade do grupo. Com uma atmosfera que alterna entre a fúria e a melancolia, A Vingança é Meu Motor reflete sobre temas como sanidade, escolhas humanas e a inexorabilidade da morte. Faixas como O Paciente Secreto exploram a linha tênue entre loucura e lucidez, enquanto Ode ao Ódio e …E Tenha um Péssimo Dia reforçam a pegada agressiva e provocativa do Matanza Ritual. “O disco traz essa sensação de urgência, do tempo finito para se tomar decisões e lidar com as consequências delas. É a trilha sonora perfeita para tempos caóticos”, comenta Jimmy London, vocalista da banda. Gravado sob a produção de Rafael Ramos, com mixagem de Jorge Guerreiro e masterização de Fábio Roberto, o projeto reafirma a força e a identidade sonora da banda, formada por Jimmy London (vocal), Amilcar Christófaro (bateria), Felipe Andreoli (baixo) e Antônio Araújo (guitarra). SERVIÇOMatanza Ritual lança álbum A Vingança é Meu Motor em São PauloData: sexta-feira, 21 de novembro Horários: 20h — abertura da casa | 20h50min – Throw me to the Wolves | 22h — Matanza Ritual Local: Carioca Club (Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros) Valor: de R$90 a R$280,00 Ingresso online
Deco Fiori revela álbum Cada Verdade Que Eu Sonhar; ouça!

Sonhos, verdades e canções pontuam Cada Verdade Que Eu Sonhar, segundo álbum do cantor, compositor e instrumentista Deco Fiori. Nas dez faixas, todas autorais, as influências pop de Beatles, MPB e Clube da Esquina, novamente sob a batuta do produtor e diretor musical Marcílio Figueiró, abrem espaço para outros sonhos ao repetir a vitoriosa parceria do álbum anterior, Luz da Criação, de 2024. Lançamento do selo Clube Novo. Se Lô Borges e Ronaldo Bastos – duas das maiores referências do artista – um dia traçaram seu sonho real, Deco Fiori renova esperanças e aspirações, atento às contradições do mundo contemporâneo, “pelos gritos roucos e revolucionários” de quem sonhou demais, sem perder o tom da ternura. É o que explicita já na faixa-título Cada Verdade Que Eu Sonhar, uma balada certeira onde questionamentos existenciais se amalgamam aos ideais sociais e políticos, premidos pela urgência da maturidade que bate à porta. Um artista possui seu próprio relógio criativo-biológico. “É a faixa que abre e dá nome ao álbum. Começa com o verso ‘não sei pra onde vou / mas não me desespero / só quero que passe devagar’. Eu, como ateu, que não acredito em nada específico, faço uma colocação do tipo não sei o que vai acontecer, mas espero ficar um bom tempo por aqui. O segundo verso diz: ‘pra entender quem sou / busco na madrugada por cada verdade que sonhar’, o que representa o próprio ato de criar. É na madrugada que as inspirações vêm. No refrão eu digo: ‘nossa memória, nossa história não vai se apagar / não enquanto houver canções / inspirando gerações / a botar o mundo pra rodar’. Este é o legado do artista, é o que fica para as futuras gerações”, vislumbra Deco Fiori. A travessia segue por Outras Paragens onde “não falta coragem para entrar na roda e dançar”. Na estrada que bifurca vias de mãos múltiplas pelo GPS do Clube da Esquina, violões gitanos (de Marcílio Figueiró) enlouquecem madrugadas e amanhecem os corações, apoiados pelas congas de Fabiano Salek, o baixo acústico de Berval Moraes, o sax soprano de Daniel Garcia. Afinal, “só nos resta prosseguir viagem mesmo sem saber onde vai dar”. Toda e Qualquer Geração compartilha ideais humanistas na contramão de um mundo repleto de amores líquidos e inteligências artificiais, pois que “não adianta trilhar um caminho pensando onde se quer chegar / sem considerar quem mais vai caminhar”. Oráculos de gerações diversas, antídotos das distopias contemporâneas, Beatles e Beach Boys reverberam nas entrelinhas da canção onde “bom é se importar com o bem estar de cada mortal”. Tendo como norte a mensagem das tantas canções que nos formam a todos, é hora de voltar para casa em O Meu Mundo Cabe em Meu Quintal, com destaque para o solo de guitarra genuíno do Picasso Falso Gustavo Corsi e o trompete de José Arimatéa, para além das cercas que separam quintais. O piano acústico é do próprio Deco Fiori. “Essa é a minha Certas Canções. Ela fala da importância das músicas que escutei na minha formação. Como diz o Milton Nascimento, ‘coração é o quintal da pessoa’. É onde guardamos as coisas que realmente importam”. Folhas pelo chão repisa o solo fértil da canção pop, de natureza sofisticada, pelas ramificações harmônicas das árvores genealógicas de Stevie Wonder ou Ivan Lins, onde “toda paz é breve / toda folha quando cai é leve”. Neste meio ambiente, e o reforço vocal de Sofia Jordão Caeiro e Mario Vitor, sabemos que “chão é pra pisar / porque voz é pra cantar ou pra se fazer compreender”. Na justa medida da trilha pop, na balança onde se pesam influências tão diversas como Djavan e Pink Floyd, Libra busca o equilíbrio improvável ao fim das histórias de amor. “Pra que serve um coração que bate mas não vibra / pulsa e jamais desequilibra?”, indagam os versos novamente sustentados pelo trompete astrológico de José Arimatéa, os teclados de João Braga, a guitarra de Gustavo Corsi, o piano de Deco Fiori. No câmbio incerto da vida, a libra sempre é o coração. Segue a viagem, Pra Qualquer Lugar, uma canção dedicada à companheira de estrada que, apoiada nas flautas de Andrea Ernst Dias, tem como ponto de partida a introdução com timbre de minimoog pilotado por João Braga. Porque “a gente não tem pressa” e sempre chega “a hora do mistério nos guiar”. Diante de tal mistério, “como olhar as estrelas sem mirar no firmamento?”, indaga perplexo o artista em Se Não Tenho Chão (Melhor Voar), uma toada romântica, tendo a separação como tema. Ecos de Toninho Horta e Pat Metheny permeiam o belo arranjo de Marcílio Figueiró, abrindo espaço para o voo fretless do baixo de Hugo Belfort e a bateria – com a precisão de um trem – de Elcio Cáfaro. Tão Iguais tem participação super especial de Pedro Luís, que canta em dueto com Deco Fiori. Um pop/rock sobre as questões afetivas na era dos romances virtuais, pois enquanto “criamos numa tela realidades paralelas” é sempre bom ressaltar que “é nas ruas da cidade que a vida corre de verdade”. O choque de realidade passa também por Que Negócio é esse?, composta em homenagem ao poeta Marcio Negócio, amigo de infância que partiu cedo demais. Tendo autores como Guinga e Dori Caymmi entre as referências, e o auxílio luxuoso da sanfona de Itamar Assieri e do bandolim de Luis Barcelos, a canção encerra o álbum deixando aquele gostinho de “que negócio é esse de apressar o fim?”. Melhor voltar ao início e embarcar novamente nos sonhos, verdades e canções de Deco Fiori.
Djavan vasculha os imprevisíveis caminhos do amor no álbum “Improviso”

“Ir atrás do amor é um jazz.” O verso de Um Brinde dá a pista: Djavan construiu seu novo álbum, Improviso (Luanda Records / Sony Music), em torno dos movimentos não programados, do balé imprevisto e das jogadas sem ensaio que permeiam as relações de amor. Em 12 grandes canções autorais, 11 delas inéditas e, em sua maioria, escritas recentemente, o artista segue em seu ofício de abrir novas veredas para a grande floresta amorosa, nota por nota, como quem defende na partitura a vida como um estado de ação constante, pois afetos estagnados ressecam. Escrever sobre o amor nunca é repetição. E Djavan se diverte buscando outras maneiras de navegar pelo mesmo oceano de águas sempre novas. Única regravação do álbum, O Vento foi feita em parceria com Ronaldo Bastos em 1987 e imediatamente entregue a Gal Costa, a mais representativa intérprete de Djavan, que lançou a composição no álbum Lua de Mel Como o Diabo Gosta. O triste fato de termos perdido Gal recentemente, em 2022, moveu o autor a trazer esta canção de volta, agora em gravação inédita na voz do cantor alagoano. Ainda não há informações sobre uma possível turnê de divulgação do álbum. Ouça Improviso, álbum novo de Djavan, abaixo
Do hardcore ao caos psicodélico: Drain e Portugal. The Man lideram os lançamentos da semana

A nova investida da banda norte-americana Drain confirma sua reputação de “banda mais simpática do hardcore”. Gravado em meio a adversidades, já que o baterista Tim Flegal enfrentou recentemente um diagnóstico de câncer, o álbum explode com a energia característica do HCNY, riffs frenéticos e refrões que misturam otimismo e intensidade. Faixas como “Stealing Happiness From Tomorrow” trazem hinos com o mantra “Life is not a contest, but I’ve already won!”, enquanto “Darkest Days” e “Scared Of Everything And Nothing” exploram ansiedade, vulnerabilidade e superação. Os vocais de Sammy Ciaramitaro não escondem os demônios pessoais, e é justamente essa honestidade que torna o disco tão potente. No fim, “Is Your Friend” serve tanto como trilha de mosh-pit quanto como manifesto de união, reafirmando que o hardcore do Drain é sobre comunidade, não apenas brutalidade. Portugal. The Man Enquanto isso, o Portugal. The Man retorna com seu décimo álbum, “Shish”, expandindo fronteiras sonoras com uma mistura de indie rock, distorção pesada e colagens experimentais. O disco traz a fórmula de sucesso que mistura psicodelia, eletrônico e indie pop. John Gourley e Zoe Manville mergulham em suas próprias raízes para criar faixas que vão do crust punk agressivo de “Pittman Railliers” aos momentos contemplativos de “Knik” e “Tanana”. Algumas escolhas arrojadas, como o refrão de “Angoon” que lembra o saudoso Kurt Cobain, mostram uma banda que não teme errar para seguir explorando. “Shish” é denso, cheio de texturas e nuances, e recompensa quem escuta com atenção. É uma obra de liberdade criativa e autoconhecimento, um retrato de uma banda que prefere se reinventar a repetir fórmulas. Esses dois lançamentos mostram caminhos opostos, mas igualmente pulsantes do rock atual. O Drain mantém viva a essência do hardcore visceral e coletivo, enquanto o Portugal. The Man se aventura por um território mais caótico e inventivo. Em comum, ambos reafirmam que a música continua sendo um espaço de intensidade e renovação. ServiçoDrain – “Is Your Friend” (lançamento: 7 de novembro de 2025, Epitaph Records)Portugal. The Man – “Shish” (lançamento: 7 de novembro de 2025, Thirty Tigers)
Dois Girassóis lança o álbum “Coisas Boas” e celebra uma década de estrada

O duo formado por Luiza Novaes e Aloisio Oliveira chega ao primeiro álbum autoral com “Coisas Boas”, trabalho que marca os dez anos de trajetória do Dois Girassóis. O disco, lançado pela Tratore e disponível em todas as plataformas digitais, abre um novo ciclo para os artistas, reconhecidos em 2024 com o Prêmio Inezita Barroso de Música Caipira e Cultura Popular. A dupla soma passagens por projetos como Ruas Abertas, Virada Cultural (2016–2025) e feiras literárias pelo país, além de turnês pelos Estados Unidos, Argentina e Peru. Gravado no Estúdio 185, o álbum tem produção de Rodrigo Carraro e masterização de Beto Mendonça. As faixas transitam entre o baião, o folk celta, o reggae e o cururu, misturando influências nordestinas e da música popular brasileira. “É um convite para acordar a criança do adulto e fazer dormir o adulto da criança”, resumem os músicos. Entre os destaques estão “Lua Gira Sol”, que reflete sobre as fases da lua e seus efeitos sobre os sentimentos, “Coisas Boas”, composta à beira-mar como um chamado à energia positiva, e “Beijo”, que resgata a leveza das brincadeiras de roda. Já “Repense”, escrita no Dia do Meio Ambiente, reforça a importância dos sete R’s; “Deixa” fala sobre o perdão; e “Tudo ou Nada”, em ritmo de forró, aborda a dificuldade de colocar emoções em palavras. Outras faixas ampliam o universo poético do álbum, como “Acerola no Quintal”, que celebra a natureza em compasso 7/8, e “Intransitivo”, sobre o amor que existe por si só. O clipe dessa última já ultrapassou 120 mil visualizações após sua exibição no festival La Mission. O disco termina com “Eu Não Tô Só”, canção que lembra que sonhos se realizam em conjunto. O álbum conta com participações de Márcio Maresias (gaita), Lucas Tornezze (viola caipira), Marcos Coin (violão e guitarra), Rodrigo y Castro (flauta), Ramiro Marques (saxofone), Humberto Zigler (bateria e moringa) e Max Dias (baixo). A capa, assinada por Warley Kenji, foi registrada nos trilhos de trem que levavam o duo às aulas de yoga, o mesmo caminho onde nasceram várias composições, simbolizando a busca pela luz mesmo em dias nublados. O lançamento vem acompanhado de um videoclipe dirigido por Alécio Cezar, que mostra os bastidores da gravação. Viabilizado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do município de Guararema, o projeto celebra a arte como força transformadora. “Coisas Boas” é, acima de tudo, um disco sobre esperança, parceria e o poder de encontrar beleza no simples.
Skizorama lança álbum de estreia, ouça Skizochaos

A banda paulistana Skizorama lançou nesta segunda-feira (3) seu primeiro álbum, intitulado Skizochaos, composto por dez faixas que abordam temas cotidianos e sociais com visão crítica e direta. Segundo Crica, baixista e vocalista da banda, “o disco é permeado por questões relevantes — o caos da cidade, a saúde mental, a desigualdade social e as consequências da ditadura militar que respingam até hoje na nossa política”. Produzido por Diego Rocha no Bay Area Estúdios, o álbum foi desenvolvido de forma totalmente independente. Crica destaca que o trabalho é fruto da sintonia entre os três integrantes banda, que conta ainda com Tio (guitarra e voz) e Cavera (bateria e voz). “O disco é totalmente pensado, feito e executado por nós”, completa. A faixa escolhida para divulgar o álbum é Holiday in DOPS, que aborda o período da ditadura militar no estado de São Paulo. Crica comenta que a banda se inspirou em bandas conhecidas por tratarem de temas políticos com ironia e contundência: “Podemos citar como grande referência o Dead Kennedys, que tem longa trajetória com músicas que tratam desse mesmo tema em outros lugares do mundo”. Formada em 2019, em São Paulo, a Skizorama nasceu da amizade entre três músicos do cenário alternativo. O início da pandemia acabou interrompendo os planos do grupo, mas agora a banda retoma suas atividades com o lançamento do álbum. “Começamos pouco antes da pandemia, o que acabou atrapalhando um pouco os planos. Tivemos que pausar o projeto e ter força e paciência para aguardar a retomada”, relembra a baixista. Com um som que transita entre o punk rock e o hardcore, a Skizorama cita influências como Misfits, Cramps, Exploited, Motörhead, Cockney Rejects, Ramones e Cólera. Para Crica, o diferencial do trio está em sua postura: “O ponto forte é seguir fazendo aquilo que acreditamos, sem buscar rótulos ou aprovação. Skizorama é um projeto maduro, com músicos experientes no cenário alternativo e com forte posicionamento político e social. Não é só pela música”. Tio acrescenta que enxerga a arte como uma garantia de sanidade, necessária para transformação subjetiva. “Nós três temos profissões articuladas a arte e sobretudo à música, para nos inserir politicamente e culturalmente na maneira que somos, sentimos e pensamos. E a cultura é essa dimensão estética e simbólica da existência humana. Então, tocamos também para sobreviver em meio a esse caos real”, conclui.
Florence + The Machine lança Everybody Scream; ouça!

O tão esperado novo álbum de Florence + The Machine, intitulado Everybody Scream, já está disponível. Escrito e produzido em colaboração com um seleto grupo de parceiros criativos, entre eles Mark Bowen (Idles), Aaron Dessner, Mitski, Danny L. Harle e Dave Bayley (Glass Animals), o sexto disco de Florence Welch traz as três faixas já lançadas anteriormente, Everybody Scream, One of the Greats e Sympathy Magic. Florence sairá em turnê pela América do Norte em 2026, com início em abril e shows marcados no Madison Square Garden e no Barclays Center, em Nova Iorque, além de duas noites no Kia Forum, em Los Angeles, entre outras datas. A turnê segue as apresentações previamente anunciadas pela Europa e Reino Unido, também em 2026.