Fresno abraça o analógico e a memória em “Carta de Adeus”

A trajetória da Fresno, iniciada em 1999, ganha hoje um de seus capítulos mais maduros e esteticamente corajosos. O trio gaúcho, Lucas Silveira, Vavo e Guerra, disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Carta de Adeus. O trabalho, que já havia sido apresentado na íntegra em um show histórico no Espaço Unimed no último dia 18, revela uma banda que não tem medo de abandonar as ferramentas digitais modernas para buscar o que é essencial. Diferente dos álbuns anteriores, marcados por camadas densas de sintetizadores e edições precisas, Carta de Adeus é um exercício de organicidade. As guitarras soam como guitarras, a bateria respira e as vozes ocupam o espaço de forma nua e crua. >> LEIA ENTREVISTA Tonalismo dos anos 80 A sonoridade do disco foi moldada pelo uso de equipamentos analógicos da década de 80, como câmaras de eco e unidades de chorus. Esse “relicário” sonoro não é apenas um capricho vintage, mas uma forma de Lucas Silveira revisitar sua própria adolescência em Porto Alegre, cercada por sons de bandas como The Cure, New Order, Titãs e Engenheiros do Hawaii. Destaques do repertório Obra coletiva Apesar do nome sugerir um encerramento, Carta de Adeus é um disco de expansão. Ele vocaliza e potencializa o trabalho de uma rede criativa potente: Camila Cornelsen (direção criativa), Giovanna Cianelli (design), André Figueiredo (filmmaker) e Gabriel Rolim (direção visual).

Colomy mergulha no Yacht Rock com o novo single “Causas Naturais”

O trio Colomy disponibilizou em todas as plataformas de streaming o single Causas Naturais, o primeiro cartão de visitas do álbum Pra Quem Andou Perdido, que será lançado em julho pela Universal Music. Acompanhada de um videoclipe vibrante, a faixa revela um amadurecimento que troca as baladas contemplativas do disco anterior, Jaú (2023), por um som mais colorido, acelerado e dançante. Composta por Sebastião Reis, Pedro Lipa e Magno Britto, a música é um mergulho inédito do grupo no yacht rock, subgênero que dominou as rádios entre o final dos anos 70 e início dos 80, conhecido pela produção impecável e vibe sofisticada. Conexões internacionais e locais O que chama a atenção em Causas Naturais é o peso dos nomes envolvidos. A percussão é assinada por Barrett Martin (conhecido por seu trabalho com Screaming Trees e Mad Season). Mas as surpresas do álbum não param por aí: o disco completo contará com a guitarra de Peter Buck (cofundador do R.E.M.) e a participação do mestre brasileiro Guilherme Arantes. “Essa música traz um frescor dançante e pop ao mesmo tempo. É um lado diferente nosso que sempre esteve lá, mas que ainda não tínhamos gravado”, explica Sebastião Reis. A letra reflete sobre dilemas e recomeços de ciclos, com versos marcantes como: “Eu não tenho medo de morrer de amor, só de saudade e de outras causas naturais”. Show de lançamento no Blue Note Para os fãs que querem conferir essa nova sonoridade ao vivo, a Colomy se apresenta no dia 20 de maio no Blue Note São Paulo. O show será uma oportunidade exclusiva de ouvir, em primeira mão, as canções do novo álbum que promete ser o guia de reencontro para “quem andou perdido” nos últimos tempos.

Entrevista | Fresno – “Carta de Adeus é um disco de canções que tem um quê de confortável pensando no fã”

A Fresno viveu um momento marcante no último sábado (18), ao transformar o Espaço Unimed, em São Paulo, no palco de lançamento de seu novo álbum, Carta de Adeus. Em uma proposta não usual na trajetória da banda, o trio apresentou o disco ao vivo e na íntegra antes mesmo de seu lançamento nas plataformas digitais, oferecendo ao público a primeira audição coletiva das novas faixas. A noite também serviu como estreia oficial da nova turnê, que inaugura mais um capítulo nos 27 anos de carreira do grupo. O show foi pensado como uma experiência imersiva, reforçando a relação histórica da banda com os fãs. Além das músicas inéditas, o repertório passeou por clássicos que ajudaram a consolidar a identidade da Fresno ao longo das décadas. A proposta de lançar o álbum diretamente no palco ampliou o peso emocional da apresentação, transformando a estreia em um evento único para quem acompanhou a noite. O conceito do disco, centrado no processo humano da criação artística, também se refletiu no espetáculo, que valorizou a organicidade da música e a conexão direta com o público. Quem ouviu o novo álbum também pode observar uma forte referência aos anos 80 e, inclusive, teve processos de gravação no formato analógico. Com Carta de Adeus, a banda liderada por Lucas Silveira reafirma sua maturidade criativa e aposta em uma sonoridade que dialoga com nostalgia, emoção e novas possibilidades estéticas. A apresentação no Espaço Unimed consolidou esse novo momento, unindo a força do repertório inédito à memória afetiva construída ao longo dos anos com sua base de fãs, hoje formada por diferentes gerações. Nossa correspondente Fernanda Santana bateu um papo com a Fresno ainda no Espaço Unimed e trouxe a visão do trio em relação ao novo álbum. O público da Fresno hoje é mais velho do que no início da carreira, e esse novo álbum transmite uma grande sensação de maturidade. Há também elementos que remetem aos anos 80. O que inspirou esse trabalho? Lucas – Se uma banda com uns malucos de 40 anos fizer um álbum imaturo, tu pode acabar a banda, né? Eu acho que a maturidade vem com o tempo, e ela não pode ser um bagulho do tipo “vamos fazer um disco maduro”. Não é assim. A gente vai evoluindo, vai florescendo. Diferentemente de uma fruta, a gente vai só evoluindo mesmo. A coisa dos anos 80 veio porque a gente decidiu incorporar coisas com as quais cresceu ouvindo, e não necessariamente só bandas atuais que a gente gosta. Hoje também temos acesso a timbres e sonoridades que talvez há dez anos a gente nem soubesse fazer. É um disco de canções que tem um quê de confortável pensando no fã da banda. Para mim, tem elementos musicais que, assim como na comida, funcionam como um temperinho com gosto de vó. Nesse disco tem um pouco disso. A pessoa se sente em casa com um timbre de guitarra menos processado, que às vezes lembra coisas mais antigas, e a gente se colocando dentro dessa linguagem faz com que as músicas falem de uma forma diferente. Quais bandas e artistas serviram como referência para esse álbum? Lucas – Eu cresci indo em festas onde tocavam Legião Urbana, Plebe Rude, The Smiths, Joy Division e New Order. Depois, um pouquinho mais velho, todo mundo aqui via muita novela, então tem muita coisa incrível que tocou em novela e que a gente gosta bastante. Guilherme Arantes, para mim, é um dos maiores compositores do Brasil. Mesmo a gente gostando de algumas bandas de rock mais moderno, de coisas meio metal, a gente se baseia muito também em coisas que crescemos ouvindo, em referências que são universais. Vavo – Eu discordo da parte de que eu assisti muitas novelas, isso não é verdade. Mas eu conheço as músicas das novelas, isso eu acompanhei muito, porque elas ultrapassavam a novela. Elas chegavam até a gente de outras formas. Se Carta de Adeus fosse “irmão” de outro álbum da Fresno, qual seria? Lucas – Cara, são todos nossos filhos, então são todos irmãos. Eu acho que nessa nossa última passada de discos, desde Sua Alegria Foi Cancelada, são discos que eu considero bem irmãos. Enquanto banda, como pais da obra, a gente não consegue fazer muito essas relações de qual disco bate de qual maneira, porque a gente não consegue ouvir da mesma forma que um fã ouve, que sente as conexões de outro jeito. Eu já vi fãs relacionando esse disco até com trabalhos que não têm muito a ver, e às vezes eu nem sei de onde eles tiram isso. Mas eu não consigo responder de uma maneira totalmente satisfatória porque, para mim, todos fazem parte de uma mesma linhagem. Vavo – Eu vejo mais como Pokémon. Um é a evolução do outro, não necessariamente irmãos. Gostou da minha referência? Guerra – Acho que é isso mesmo. Existe uma linha que une todos, principalmente na escrita, nas canetadas do Lucas. Essa identidade foi sendo construída ao longo do tempo. Vejo como um processo evolutivo de dois ou três discos, uma fase que vai se transformando naturalmente. Setlist do Show de lançamento de Carta de Adeus Parte 1 Parte 2

Nine Inch Nails e Boys Noize lançam o álbum “Nine Inch Noize”

O que acontece quando os arquitetos do rock industrial se encontram com o mestre do techno alemão? A resposta é “Nine Inch Noize”, um projeto colaborativo entre o Nine Inch Nails (NIN) e o produtor Boys Noize, que acaba de ser lançado globalmente pela Interscope Records. O álbum não é apenas uma coletânea de remixes, mas uma reconstrução sonora que funde a agressividade orgânica de Trent Reznor e Atticus Ross com a precisão sintética e o “punch” das pistas de Alex Ridha (Boys Noize). De “Closer” ao universo de Tron O repertório conta com dez faixas que atravessam diferentes eras da carreira de Reznor. Entre os destaques absolutos está a nova roupagem para Closer, que ganha uma batida de techno industrial implacável, e a versão de As Alive As You Need Me To Be. Esta última, parte da trilha sonora de Tron: Ares, chega ao álbum com o peso de ter vencido recentemente o Grammy. O disco também faz um aceno aos projetos paralelos de Reznor, incluindo uma releitura de Parasite, da banda How To Destroy Angels (projeto de Trent com Mariqueen Maandig e Atticus Ross). Atmosfera distópica Boys Noize, conhecido por seu som “sujo” e distorcido, provou ser o parceiro ideal para o NIN. O resultado é um disco que soa como uma trilha sonora para um futuro distópico, equilibrando momentos de pura catarse eletrônica com as paisagens sonoras sombrias que são marca registrada da banda norte-americana.

Adrian Younge redefine o encontro entre Orquestra e Hip Hop em novo álbum

Existem artistas que fazem música e existem artistas que constroem mundos. Adrian Younge pertence ao segundo grupo. O compositor, produtor e multi-instrumentista de Los Angeles acaba de lançar sua obra definitiva: o álbum Younge. O disco é uma afirmação instrumental audaciosa que posiciona o artista como o elo perdido entre os grandes compositores de trilhas sonoras dos anos 70 e os produtores de hip hop contemporâneos. O álbum é uma homenagem consciente a gênios como Ennio Morricone, Lalo Schifrin e David Axelrod, visionários que criaram músicas cinematográficas que seriam, décadas depois, “escavadas” por produtores de rap para criar batidas atemporais. Em Younge, Adrian não apenas utiliza essas influências; ele as reconstrói do zero. Orquestra para o sample Diferente de uma orquestra clássica tradicional, as composições em Younge são modulares. Elas foram escritas com a mentalidade de um produtor que entende de sampling. São arranjos construídos sobre textura, tensão e espaço, convidando à reinterpretação. Tudo no álbum foi gravado de forma 100% analógica, em fita, no Linear Labs (estúdio de Younge em LA). Esse compromisso com o som “sujo” e quente da fita garante que o disco soe, ao mesmo tempo, como uma raridade descoberta em um sebo de 1972 e como algo futurista e inevitável. Legado Jazz Is Dead Adrian Younge também é conhecido por ser o cofundador do selo Jazz Is Dead, onde produz álbuns inéditos ao lado de lendas vivas do jazz. Essa experiência de “curadoria viva” transparece em seu novo trabalho solo, onde a sofisticação harmônica se encontra com o peso rítmico do hip hop. Ele é o compositor que pensa como produtor e o produtor que escreve como maestro.

Com show agendado em São Paulo, Zayn lança o álbum “Konnakol”

O cantor e compositor Zayn acaba de inaugurar sua era mais pessoal e culturalmente rica. Seu quinto álbum de estúdio, Konnakol, chegou hoje às plataformas via Mercury Records, trazendo uma sonoridade que resgata o falsete impecável de seu debut (Mind of Mine), mas com uma camada profunda de influências do sul da Ásia. Produzido em parceria com o renomado Malay (Frank Ocean, Lorde), o disco de 15 faixas utiliza o símbolo do leopardo-das-neves na capa para representar a herança cultural do artista. O título e a estética do projeto bebem diretamente das tradições rítmicas indianas e paquistanesas, com destaque para a faixa de abertura Nusrat, uma homenagem ao lendário Nusrat Fateh Ali Khan. Entre o R&B atmosférico e a pista de dança, “Konnakol” transita por diferentes texturas: Show em São Paulo Para a alegria dos fãs brasileiros, a The Konnakol Tour vem para São Paulo. A turnê solo, a maior da carreira de Zayn até agora, começará em maio em Manchester e passará por grandes metrópoles como Londres, Los Angeles, Cidade do México e São Paulo. Na capital paulista, o show será no Allianz Parque, em 10 de outubro. Ainda há ingressos disponíveis.

Giuliano Eriston anuncia álbum “Politonia” para o fim do mês

O cantor, compositor e violonista cearense Giuliano Eriston, que conquistou o Brasil ao vencer a 10ª edição do The Voice Brasil, anunciou o lançamento de seu segundo álbum autoral, Politonia. Previsto para chegar às plataformas no dia 28 de abril, o trabalho é um reflexo direto de sua mudança de ares, de Jericoacoara para o Rio de Janeiro, trazendo letras que exploram a saudade, a paquera e um tom crítico inédito em sua trajetória. O título é um neologismo cunhado pelo próprio Giuliano. Politonia surge como um antônimo de monotonia, expressando a busca do artista pela diversidade de ideias e pela “multi-versatilidade” do mundo. Musicalmente, o disco entrega essa promessa ao fundir maracatu, jazz, xote e R&B, cantados em português, inglês e francês. Curadoria de Pedro Baby e encontro com Moreno Veloso A produção musical leva a assinatura de Pedro Baby, que refinou as sonoridades para que cada composição encontrasse seu lugar exato. Um dos pontos altos do álbum é a faixa de trabalho Corpo de Candiá, uma celebração noturna que conta com a participação de Moreno Veloso. A canção, que utiliza vocábulos de matrizes indígenas e africanas, foi aprovada pessoalmente por Moreno, que aceitou o convite para a gravação. Guia do álbum: por dentro de “Politonia” Giuliano detalhou a jornada emocional do disco, que abre com a introspectiva Lucidez e passa pelo solar de Gosto do Gesto e Festa no Infinito. O tom bem-humorado aparece na parceria com Pedro Baby em Borogodó, enquanto a reta final do álbum, com as faixas Teia e Waiting, traz um olhar mais crítico sobre as questões sociais e políticas da atualidade.

Luiza lança álbum de estreia após hit viral de 1,5 bilhão de views

A nova promessa da música global tem raízes no Brasil e o coração em Paris. Luiza, cantora franco-brasileira que se tornou onipresente nas redes sociais em 2025 com o hit Soleil Bleu, lançou seu primeiro álbum de estúdio, autointitulado. O trabalho chega via selo Chapter Two e consolida uma sonoridade que a própria artista define como um convite para “viver com os pés na água e a cabeça pegando fogo”. Com mais de 1,5 bilhão de visualizações no TikTok e Instagram, Luiza conseguiu o que poucos artistas novos alcançam: o topo das rádios na França e Bélgica com uma faixa que mistura pop e reggae de forma despretensiosa. Identidade híbrida e produção O álbum nasceu durante um verão passado entre o agito de Paris e a calmaria da cidade portuária de Salerno, na Itália. Produzido por Victor Vagh (conhecido pelo trabalho com Flavia Coelho), o disco reflete essa dualidade cultural. Luiza transita entre o francês, o português e, ocasionalmente, um idioma inventado por ela mesma, onde a mensagem é transmitida puramente pelo som e pela emoção da voz. O repertório é variado e ambicioso: Fenômeno digital Os números de Luiza impressionam pela rapidez. Além do sucesso nas rádios europeias (NRJ, Europe 2), a artista já ultrapassou a marca de 135 milhões de streams apenas com seu primeiro single. O álbum é o fechamento de um ciclo de crescimento orgânico que a levará agora para os palcos dos maiores festivais do mundo, como o Paleo Festival na Suíça e o Reeperbahn na Alemanha.

Cameron Picton (ex-black midi) apresenta “My New Band Believe”

Quando o black midi encerrou suas atividades em 2023, o mundo do rock experimental ficou órfão de sua construção de mundos caóticos. No entanto, o hiato serviu para que o baixista e vocalista Cameron Picton encontrasse um novo caminho, um que nasceu de um sonho febril em um quarto de hotel na China. O resultado é o álbum homônimo de estreia do My New Band Believe, lançado pela lendária Rough Trade Records. O nome do projeto surgiu literalmente de fragmentos de textos embaralhados que Picton anotou enquanto delirava sob o efeito de uma doença repentina durante uma turnê. O que antes era apenas uma frase peculiar tornou-se a identidade de sua nova fase artística. Menos distorção, mais dinamismo Diferente do som abrasador e matemático de sua antiga banda, o My New Band Believe aposta em uma sonoridade ágil e quase totalmente acústica. Picton trocou o peso eletrônico por uma seção completa de cordas e o mínimo de reverb possível. Mas não se engane: a leveza não significa simplicidade. O álbum é maximalista e dinâmico, onde cada faixa parece se desintegrar para se reorganizar no ímpeto da seguinte. Para dar vida a esse “multiverso” sonoro, Picton se cercou de músicos de alto nível da cena londrina, como Kiran Leonard, Caius Williams, Steve Noble e Andrew Cheetham. O álbum transita por registros emocionais diversos, guiados pela narração carismática e, por vezes, histérica de Cameron. “Kick Me” e o solo transatlântico Para celebrar o lançamento, a banda compartilhou Kick Me, uma gravação ao vivo montada a partir de multitracks de sete performances diferentes realizadas entre Londres e Nova York. O destaque fica para o “solo de guitarra transatlântico”, dividido entre Ryley Walker e Tara Cunningham, sintetizando a proposta de intercâmbio e improvisação do projeto.