Justice quebra jejum de oito anos com o álbum Hyperdrama

O duo Justice lançou o álbum Hyperdrama, disponível via Ed Banger Records / Because Music, o primeiro em oito anos. O disco é composto por 13 faixas, incluindo o single Neverender, com Tame Impala – uma das duas colaborações com Kevin Parker em Hyperdrama. O novo projeto apresenta uma série de colaboradores de renome – além de Tame Impala, há contribuições de Thundercat, Miguel, The Flints, Rimon e Connan Mockasin. Várias das faixas previamente inéditas do álbum foram apresentadas durante a estreia de seu novo e impressionante show ao vivo em um fascinante palco principal no Coachella Valley Music and Arts Festival, sua primeira grande apresentação em seis anos e o ponto de partida para sua iminente turnê global “Justice: Live”. A banda detalhou o processo de 18 meses para montar o show em um perfil no The New York Times e, desde então, compartilhou vídeos de sua estreia com a música One Night/All Night, uma canção que se tornou uma presença constante tanto no streaming quanto no rádio desde seu lançamento, em janeiro passado. A extensa turnê internacional da Justice para promover o álbum marca sua primeira grande turnê desde o término da turnê Woman World Wide, em 2018 (que também rendeu o álbum ao vivo Woman World Wide, ganhando um Grammy de Melhor Álbum Eletrônico em 2019). Assim como o álbum, a expectativa para o retorno do duo ao palco ao vivo tem sido feroz, esgotando facilmente dois shows na cidade de Nova York, bem como a enorme Accor Arena, em Paris.

Pet Shop Boys lança aguardado álbum “Nonetheless”; ouça!

O Pet Shop Boys iniciou 2024 com o anúncio do lançamento de um álbum e de cinco apresentações especiais na Royal Opera House de Londres, que acontecerão em julho deste ano. Nonetheless acaba de chegar e já está disponível em todas as plataformas digitais, pela Parlophone Records, com distribuição nacional da Warner Music Brasil. Nonetheless é o primeiro álbum da dupla com o produtor James Ford, que já trabalhou com artistas como Arctic Monkeys, Depeche Mode, Blur, Gorillaz e Simian Mobile Disco. O projeto apresenta dez faixas inéditas, gravadas e mixadas em Londres no ano passado, principalmente no estúdio de James Ford no leste da cidade. Já a orquestra e os backing vocals foram gravados no estúdio The Church, no norte. A banda falou sobre o processo criativo em torno do disco. “Queríamos que este álbum fosse uma celebração das emoções únicas e diversas que nos tornam humanos. Das faixas mais dançantes à pungência crua das baladas introspectivas, com seus belos arranjos de cordas, cada música conta uma história e contribui para a narrativa geral do álbum”. Impulsionado pela última trilogia de álbuns de estúdio e pelo sucesso contínuo da turnê Dreamworld: The Greatest Hits Live, Nonetheless marca o som de um grupo que continua em uma curva crescente. Tendo vendido mais de 50 milhões de discos, o Pet Shop Boys é facilmente a dupla britânica de maior sucesso de todos os tempos. Desde o seu primeiro single número 1, West End girls, eles traçaram um caminho singular. “Estamos muito entusiasmados em lançar este novo álbum. Suas dez faixas são os indicadores mais fortes de onde estamos hoje. Como grande parte da nossa música, o projeto traz muita reflexão. Foi ótimo trabalhar com James Ford, que acreditamos ter trazido novos elementos ao nosso trabalho. Nossas demos às vezes são bastante complicadas, e James se atreveu a nos tornar um pouco mais minimalistas, porém com os arranjos de cordas muito bonitos. Parte do disco é bastante comovente, mas esperamos que grande parte dele também seja edificante. É um disco do qual estamos muito orgulhosos”, contaram.

Pearl Jam lança décimo segundo álbum de estúdio, Dark Matter

O Pearl Jam lançou seu décimo segundo trabalho de estúdio, Dark Matter, via Monkeywrench Records/Republic Records. O álbum também já está disponível para pré-venda na UMusic Store. Da abertura agitada de Scared of Fear até a expiração otimista do encerramento do álbum, Setting Sun, as 11 faixas mostram os músicos trabalhando a todo vapor. Uma onda de energia perpassa esse corpo de trabalho amplificado por ritmo trovejante, solos de guitarra estratosféricos e vocais cheios de vitalidade. Produzido pelo produtor e vencedor do prêmio Grammy Andrew Watt, Dark Matter marca o primeiro lançamento da banda desde o aclamado Gigaton (2020). O Pearl Jam preparou o terreno para o disco com a faixa-título, lançada como single principal. “Eu recomendo que ouçam alto, tipo muito alto mesmo”, disse Eddie Vedder sobre como escutar Dark Matter, em entrevista para a Via Alt 98.7. “Estamos orgulhosos do nosso décimo segundo bebê em 33 anos. Sente, relaxe, feche os olhos para a primeira audição, mergulhe nos sons e nas letras, e faça sua própria interpretação”, acrescentou Jeff Ament. Na última terça-feira (16), o Pearl Jam colaborou com a Abramorama para criar uma estreia global única do álbum em mais de 45 países e 900 cinemas. Pearl Jam — Dark Matter — Global Theatrical Experience lotou várias salas no Brasil.

One Deep River, álbum novo de Mark Knopfler, chega ao streaming

O aguardado álbum de Mark Knopfler, One Deep River, seu décimo como artista solo, chegou ao streaming pela gravadora British Grove, via EMI. One Deep River traz um fluxo imparável de futuros clássicos de Knopfler, com suas habituais letras cultas e refinadas texturas de guitarra. As novas canções se baseiam em uma vida inteira de influências que cruzam gêneros como blues, folk e rock, entre outros, e, como de hábito, revelam seus encantos e sua profundidade com uma graça desapressada. One Deep River foi produzido por Knopfler e por seu fiel colaborador Guy Fletcher. Foi gravado em seu estúdio de última geração, British Grove, em Londres. A banda em One Deep River conta com Mark Knopfler nas guitarras, Jim Cox e Guy Fletcher nos teclados, Glenn Worf no baixo, Ian Thomas na bateria e Danny Cummings na percussão, Richard Bennett na guitarra e o recém-chegado Greg Leisz no pedal e na lap steel; Mike McGoldrick toca apito e gaitas de fole irlandesas e John McCusker toca violino. As irmãs Topolski, Emma e Tamsin, fazem os vocais de apoio. Todas as músicas são de autoria de Mark Knopfler. 2024 tem sido um ano muito movimentado para Mark Knopfler. Em janeiro, sua coleção de guitarras foi leiloada na Christies, com várias sendo vendidas por valores recordes. Em 15 de março, Mark Knopfler’s Guitar Heroes lançou uma versão de sua música Going Home (Theme From Local Hero) por um grupo de guitarristas lendários, com renda destinada ao Teenage Cancer Trust e ao Teen Cancer America. Mark se uniu a Brian Johnson, o cantor das lendas do rock do AC/DC, para fazer uma nova série de TV de seis partes para a Sky Arts, intitulada Johnson & Knopfler’s Music Legends. Os dois amigos jogam um olhar fascinante na história da música popular, juntando-se a vários convidados especiais, incluindo Tom Jones, Sam Fender, Carlos Santana, Cyndi Lauper, Nile Rodgers, Emmylou Harris e Vince Gill. A série irá ao ar no Sky Arts a partir de 25 de abril de 2024.

Djavan celebra a vida com álbum de show em Maceió; ouça!

Voz e violão, sua música no sumo portanto, Djavan canta frente à multidão de mais de 20 mil pessoas: “Eu fui batizado na capela do farol, Matriz de Santa Rita, Maceió”. Finca o pé na origem, aponta de onde veio — o que diz muito do passado, mas mais ainda das escolhas presentes e dos caminhos futuros. Casa, enfim. É esse o sentido que atravessa D Ao Vivo Maceió, álbum que documenta a turnê do disco D — a inicial do nome do artista, em mais um simbolismo que marca o valor essencial do início. O disco chegou às plataformas digitais de música, enquanto o registro audiovisual será lançado ainda no primeiro semestre de 2024. “Eu tenho um amor profundo e uma gratidão imensa pela minha cidade, por Maceió”, derrama-se o compositor, em conversa em seu estúdio, no Rio. “Porque foi ali que eu me formei, foi ali que eu conheci tudo que eu precisava pra ter uma formação diversa como a minha intuição e o meu espírito gostariam. Ali eu conheci o jazz, o R&B, a música flamenca, a música nordestina, a música do Brasil… Me formatei ali” O sentido de “casa” que atravessa o show, porém, não é um só. Porque, para além de sua cidade natal, são muitas as casas, as origens, os lares que Djavan evoca no palco. A primeira, ainda antes de entrar em cena, fala de nossa essência como povo, pela voz de uma de suas representantes mais ilustres, Sonia Guajajara. Na abertura de D: ao vivo Maceió, ouve-se a líder e ministra dos Povos Indígenas lendo um texto de sua autoria, feito especialmente para a turnê: “Gritamos e ressoamos o ´reflorestarmentes´, para que de uma vez por todas o nosso direito à vida seja conquistado, com base na natureza e na ancestralidade”, diz um trecho. É ainda sobre o eco dessas palavras que Djavan abre o show com Curumim. Lançada em 1989, é uma canção de amor feita da perspectiva de um menino indígena, um curumim que entrega tudo à menina amada (“O que era flor/ Eu já catei pra dar/ Até meus lápis de cor/ Eu já dei/ G.I. Joe, já dei/ O que se pensar/ Eu já dei/ Minhas conchas do mar”) e se angustia com o fato de não ser correspondido. “Escrevi Curumim depois de ter ficado muito impressionado quando vi na televisão uns meninos indígenas brincando com esses bonequinhos G.I. Joe (lançados no Brasil como Comandos em Ação)”, conta Djavan, que dedica o show aos indígenas e a todas as minorias do Brasil. “Você vê a infiltração de outras culturas ali, como isso pode matar a cultura indígena. E eu trago na letra, pra sedimentar essa questão, o nome de várias etnias. Nomes belíssimos, sonoros, musicais. Assim como a expressão G.I. Joe também me pareceu, ali, extremamente musical”. A fala nos lembra que, para Djavan, a casa é também a música — esteja ela guardada nos sons de Txucarramãe ou de G.I. Joe. O compositor nota que o lápis de cor, o G.I.Joe, as conchas são na verdade apenas representações da sedução — “algo que é inerente a qualquer povo, a qualquer civilização”. “Estou tentando dizer, portanto, que os indígenas somos nós. Quando falo dos indígenas, das minorias, estou falando também de mim”, diz o compositor, que já em segundo disco, de 1978, trazia uma canção sobre o tema, Cara de índio. Como pode ser visto nos palcos e em breve estará no registro audiovisual, ao longo de todo o show, o telão projeta imagens de artistas indígenas e periféricos, na cenografia assinada por Gringo Cardia. Desenvolvido por Marina Franco, em parceria com o estilista convidado Lucas Leão, o figurino de Djavan — uma elegância ao mesmo tempo crua e futurista, ancestral e moderna, marcada por tons terra — dialoga com o cenário, assim como com a luz de Césio Lima, Mari Pitta e Serginho Almeida. Produção esmerada que compensa a espera: gravado em 31 de março de 2023, D: ao vivo Maceió ganha as ruas dez anos depois do registro audiovisual anterior de Djavan, o Rua dos amores ao vivo. Depois de Curumim, o roteiro prossegue com Boa noite, lançada em 1992 — o show reúne músicas que vão desde seu primeiro disco até D, de 2022, num panorama amplo de sua carreira. Já nos primeiros versos, Djavan brinca com a ideia do engano de quem se acha dominador. No caso, na dinâmica de um casal no jogo da sedução, mas que pode ser estendido à arrogância do colonizador que toma a terra que não é dele: “Meu ar de dominador/ Dizia que eu ia ser seu dono/ E nessa eu dancei”. Outras essências de Djavan são tocadas ali (Ainda bem que eu sou Flamengo, que ele trata na canção como um modo de lidar com o sofrimento e seu propósito). E já se amplia no groove tão irresistível quanto surpreendente de Boa noite uma percepção que Curumim já anunciava: de como o artista tem uma linguagem musical sedimentada e, mais do que isso, como ela é amparada por sua banda. Estão no palco com o cantor instrumentistas que já estiveram com ele em diferentes momentos, que aprenderam a entendê-lo e ajudaram a dar forma ao que hoje se entende como a “assinatura Djavan”. “Desde sempre tenho uma percepção musical diferente. Minha, né? Pessoal. E ninguém é obrigado a tê-la”, explica o artista. “Mas uma coisa que Deus me deu, que é muito importante pra mim, é saber pedir, fazer com que o sujeito embarque na minha e se sinta confortável com isso. Os músicos que estão comigo hoje já passaram por esse processo várias vezes. Curumim, por exemplo, Nossa Senhora! Ela tem uma divisão inusual, estranha pra quem não tá naquilo. Esses mesmos músicos de hoje relembram, toda vez que a gente vai tocar o Curumim, a dificuldade que era. Mas hoje eles sabem”. Os “músicos de hoje” a que Djavan se refere são Paulo Calasans (piano e teclado), Marcelo Martins (saxofone e flauta), Marcelo Mariano

Duda Beat apresenta “Tara e Tal”, seu terceiro álbum

Logo aos primeiros acordes, Tara e Tal, novo álbum de Duda Beat – e seu primeiro projeto completo pela Universal Music – , traz uma surpresa. Os sons, distorcidos e ritmados, sugerem ao ouvido desatento que o que virá pela frente será radicalmente diferente dos seus primeiros trabalhos, Sinto muito (2018) e Te amo lá fora (2021). No entanto, à medida em que avançamos nas faixas, fica mais claro que, sim, é um trabalho com inegável pegada eletrônica, feito para as pistas, uma musicalidade com a energia lá em cima, mas não representa uma ruptura com os álbuns anteriores. Pelo contrário, Tara e Tal fala do traçado de rumos – existenciais, musicais, artísticos e estéticos. É um passo natural na carreira desta artista que usa sua arte para refletir sobre os caminhos da construção do feminino em si. A ideia inicial de Tara e Tal era trazer uma voz mais assertiva, mais madura, mas também mais leve. Para isso, Duda, Tomás Tróia e Lux (os produtores) e equipe se retiraram para uma ilha conhecida pelo clima alegre e ensolarado. Queriam fazer um álbum bem dançante. Resultado: choveu todos os dias. Foi como um zap vindo dos céus, aquele recado amigo que chega na hora certa: Sim, vamos dançar, vamos botar o pé na areia, vamos jogar os braços para cima, mas não vamos esquecer que esse trabalho é parte de um processo. Dessa vez, no entanto, o processo está pronto para aterrissar no terreno deliciosamente escorregadio das pistas. Tara e Tal foi pensado de tal maneira que acompanha a Diva Glam desde a audição íntima até o palco – agora concebido em um show em três atos, teatral e emocionado, com tudo pronto para mobilizar a banda, o balé, os backing vocals e o público em um espetáculo catártico e simbiótico. Duda Beat sempre fala de amor – e o amor é a mais complexa das emoções humanas. Traduzi-lo em forma de canção exige lidar com uma ampla gama de sutilezas estéticas. Nada é exatamente o que parece ser. Tudo comporta mais de uma leitura, mais de uma abordagem. Como nas relações humanas, todas as músicas trazem alguma coisa inesperada, uma espécie de plot twist. E assim, o que poderia ser apenas um excelente álbum dançante, pronto para fazer ferver qualquer pista ou levantar qualquer lineup, recebe uma mistura de elementos improváveis, que resulta em surpreendentes camadas de significados. Duda Beat soma diferentes estilos, referências e épocas. Lança mão dos beats dos anos 90 e 00s – como o house, drum n bass, boombap, dancehall, reggaeton – mas os mistura à música eletrônica mais atual, com o EDM, Jersey club, drill, future bass, lo fi, funk – sem medo de ousar. Isso fica bem claro, por exemplo, em Drama, faixa que abre o álbum, que inicia com uma guitarra do Lúcio Maia reverenciando a banda Nação Zumbi. Night Maré é um rock com elementos eletrônicos – como house e trance – e guitarras distorcidas, que ganha um refrão bem latino, quebrando expectativas e trazendo uma associação instigante e nada óbvia. O mesmo acontece com Teu Beijo, um drum n bass bem simples que, em seu terço final, deixa o tempo cair pela metade, abrindo espaço para uma guitarra heavy metal bem pesada, o que muda completamente o clima da música. Ou em Quem me dera, a muito sonhada parceria com Liniker, que também aponta para um rumo e adota outro ao longo da faixa. Em termos temáticos, Tara e Tal descreve, em 12 faixas, as vivências e reflexões de uma mulher que acorda cheia de questões mal resolvidas e, ao longo de um período, resolve digerir suas mais recentes experiências afetivas, agora buscando um equilíbrio entre a tara – o sentimento que nos leva para a frente, mesmo que desajeitadamente – e o tal – a necessidade de não deixar que os amores líquidos atropelem o crescimento. Não é à toa que o álbum encerra com Na tua cabeça, a canção que constata que, mesmo ainda se sentindo rejeitada e abandonada, a protagonista tem certeza de que veio para ficar, veio para marcar a vida do outro. Tara e Tal traz todos os elementos que alimentam a intensa comunicação que Duda Beat tem com seu público – mas vai além. Traz elementos de underground muito fortes, só sugeridos nos trabalhos anteriores. Escancara a vulnerabilidade emocional – e a transforma em motor de crescimento. Não tem medo de ser ambíguo, complexo e intrigante. Se joga inteiro na pista como uma pessoa de carne e osso o faria: com expectativas, angústia, ansiedade, sonhos, e um caminho bem delineado de superação. Como a própria Duda Beat ressalta, Tara e Tal é a celebração do encontro entre as duas faces de ser mulher: a vulnerabilidade e o empoderamento.