Molho Negro lança o álbum Vidamorteconteúdo

Primeiro disco da Molho Negro lançado pela gravadora Deck, Vidamorteconteúdo começou com um desafio diferente para a banda, ao se depararem com um pedido do diretor artístico Rafael Ramos. “Ele sugeriu que a gente compusesse mais músicas para depois escolher as que entrariam no álbum e isso já fez uma super diferença”, comentou o vocalista e guitarrista João Lemos. Assim a banda montou o disco tendo muitas opções e seguiu um fio narrativo ao selecionar as canções e a ordem delas. Vidamorteconteúdo, embora não tenha um tema, traz como pano de fundo a vida que a gente tem levado, muito pautada pela hiperconectividade, excesso de telas e afins, “além do que vem junto com isso, precarização do trabalho e outros problemas do nosso tempo”. A sonoridade desse novo trabalho traz a essência da Molho Negro, mas com alguns experimentos novos como em Bombas e Refrigerantes, que tem elementos eletrônicos e samples e Claustrofobia, com uma massa sonora mais densa do que os álbuns anteriores. Com 13 anos de carreira, a Molho Negro lança seu quarto álbum, Vidamorteconteúdo, que reafirma a identidade da banda, ao mesmo tempo que aponta novos caminhos.
The Damned anuncia álbum de covers em homenagem a Brian James

O The Damned agendou o lançamento de Not Like Everybody Else, seu novo álbum de estúdio, para 23 de janeiro de 2026. O material será uma homenagem ao guitarrista e fundador Brian James, falecido em março de 2025, trazendo versões de artistas que influenciaram o músico a tocar, compor e a fundar a lendária banda de punk rock. There’s a Ghost In My House, versão do clássico do cantor canadense R Dean Taylor, foi escolhido como o primeiro single do álbum. O som, lançado nesta quinta-feira (30), traz a energia e o charme sombrio do The Damned, assim como visto desde os primeiros trabalhos do grupo. A faixa também ganhou um clipe com imagens filmadas durante a recente turnê norte-americana do grupo. Gravação em cinco dias e a volta do baterista Rat Scabies Not Like Everybody Else foi gravado em apenas cinco dias no Revolver Studio, em Los Angeles, após a turnê do The Damned pela América do Sul – incluindo shows no Brasil – e EUA. O disco também marca o retorno do baterista Rat Scabies em um disco de estúdio com a banda após 40 anos. Além de There’s A Ghost In My House, o álbum contará com versões de See Emily Play do Pink Floyd, Gimme Danger do The Stooges e When I Was Young do The Animals. Ou seja, teremos várias covers de rock clássico adaptadas ao estilo “gothic punk”. O toque final de Not Like Everybody Else é dado pela faixa de encerramento This Could Be The Last Time dos Rolling Stones. O registro, gravado ao vivo em 29 de outubro de 2022, se tornou a última apresentação de Brian James com o The Damned. Confira a tracklist completa de Not Like Everybody Else do The Damned There’s a Ghost In My HouseSummer In The CityMaking TimeGimme DangerSee Emily PlayI’m Not Like Everybody ElseHeart Full Of SoulYou Must Be A WitchWhen I Was YoungThis Could Be The Last Time
Five Finger Death Punch celebra 20 anos com novo álbum “Best Of – Volume 2”

O Five Finger Death Punch comemora duas décadas de carreira com o lançamento de Best Of – Volume 2, uma coletânea que revisita os maiores sucessos da banda em novas versões e inclui colaborações inéditas. O disco foi lançado ontem, 24 de outubro, e marca uma nova fase na trajetória do grupo, que decidiu regravar clássicos após a venda não autorizada dos masters originais. Celebrar aniversários não é novidade. Em 2020, o baixista Chris Kael deu uma entrevista ao Blog N’ Roll falando sobre os 15 anos da banda, como a sobriedade mudou o processo de gravação e também sobre a forte amizade do grupo. Agora, com mais cinco anos de estrada, as marcas impressionam: mais de 8 bilhões de streams e 3 bilhões de visualizações de vídeo no mundo todo. O single mais recente, “I Refuse”, parceria com Maria Brink (In This Moment), já ultrapassou 4,8 milhões de streams, entrou no Top 10 Active Rock nos Estados Unidos e aparece entre os destaques no Shazam alemão, com 61 mil pré-saves no Spotify. Diferente de um simples relançamento, o Volume 2 apresenta 16 faixas regravadas em 2025, incluindo “Hell To Pay”, “Got Your Six”, “Blue On Black” e “Walk Away”, além de três gravações ao vivo inéditas: “Wash It All Away”, “Wrong Side Of Heaven” e “Jekyll And Hyde”. Um dos destaques é “The End”, que traz participação da sensação japonesa BABYMETAL e se tornou a primeira música com versos em japonês a entrar nas rádios norte-americanas do segmento Active Rock. Em entrevista à Digital Beat Magazine, Su-Metal, vocalista do BABYMETAL, comentou sobre a parceria: “Cantei letras em japonês inspiradas nos vocais originais de ‘The End’ e passei muito tempo experimentando para encontrar a voz que melhor se encaixasse nessa faixa profunda e intensa. Meu momento favorito é o fluxo de ‘Negai o kakete’ para a pausa, onde minha voz é gradualmente engolida pelo growl do Ivan. Me deu arrepios. Espero que os ouvintes sintam isso também.” A banda também está em turnê pelos Estados Unidos neste verão, incluindo participação em grandes festivais, com foco na promoção do novo repertório. Paralelamente, o Five Finger Death Punch prepara um novo álbum de estúdio, além de ações de destaque como uma entrevista e um especial em áudio para o Loudwire. Com 25 hits no Top 10, 13 singles em primeiro lugar e mais de 12 bilhões de streams acumulados, o Five Finger Death Punch reforça seu domínio no rock contemporâneo e sua capacidade de transformar desafios em oportunidades. O lançamento de Best Of – Volume 2 reafirma o poder e a longevidade da banda, que segue moldando seu legado com intensidade e visão estratégica.
Circa Waves completa novo projeto com o lançamento de “Death & Love Pt. 2”

O grupo de Liverpool Circa Waves lançou nesta sexta-feira (24) o álbum Death & Love Pt. 2 (Lower Third/[PIAS]). O trabalho complementa a primeira parte do projeto, lançada em janeiro de 2025, reunindo agora 18 faixas em um álbum completo disponível no streaming e em formatos físicos (CD e vinil duplo). O lançamento é acompanhado pelo single Stick Around, que ganhou videoclipe dirigido pelo guitarrista da banda, Joe Falconer. Anteriormente, o grupo já havia antecipado as faixas Cherry Bomb e Old Balloons. Processo de composição de Death & Love Pt. 2 O conceito do álbum duplo foi motivado por um problema de saúde grave enfrentado pelo vocalista Kieran Shudall no início de 2023. Após o diagnóstico de uma artéria bloqueada, o músico passou por uma cirurgia cardíaca de emergência, período que resultou em um hiato nos palcos e em uma produção intensa de novas composições. Segundo Shudall, as músicas refletem o processo de recuperação e o impacto emocional do procedimento cirúrgico. O material foi produzido pelo próprio vocalista e gravado entre o RAK Studios, em Londres, e um estúdio em Finsbury Park. Histórico O Circa Waves surgiu em 2013 e alcançou destaque no cenário indie britânico com o álbum de estreia Young Chasers (2015), que entrou no Top 10 do Reino Unido. O grupo é conhecido por singles como T-Shirt Weather e Stuck in My Teeth. O último trabalho de inéditas antes do novo projeto havia sido Never Going Under, lançado em 2023.
Yellowcard alcança o auge com Better Days, disco que une nostalgia com a nova era do pop-punk

O Yellowcard retorna em grande forma com Better Days, álbum que consolida a nova fase da banda e marca um dos momentos mais importantes da carreira. Produzido por Travis Barker, do Blink-182 e que também tocou bateria no disco, o novo trabalho combina o pop-punk nostálgico dos anos 2000 com a sonoridade moderna que domina o gênero hoje. O resultado é uma fusão de estilos que colocou o grupo pela primeira vez no topo das paradas: o single “Better Days” conquistou o primeiro lugar da Billboard Alternative, feito inédito para a banda. Com uma passagem de destaque no Brasil no mês de agosto, o Blog N’ Roll esteve presente no I Wanna Be Tour e no sideshow, ambos em São Paulo, e pode conferir ao vivo os primeiros singles deste novo trabalho. Participações de Avril Lavigne e Matt Skiba dão brilho extra ao álbum Entre os destaques de Better Days está “You Broke Me Too”, parceria com Avril Lavigne. A faixa é uma das mais intimistas do disco, resgatando a emoção da balada Only One e é forte candidata a liderar novamente no ranking da Billboard. Avril adiciona força e contraste à voz de Ryan Key, criando um dueto poderoso que encapsula bem o espírito do novo trabalho. Outro momento marcante é “Love Letters Lost”, que traz Matt Skiba (Blink-182, Alkaline Trio) nos vocais. A faixa reforça a ponte entre o Yellowcard e a nova geração do pop-punk, com guitarras afiadas e um refrão carregado de melancolia. A presença de Skiba não é apenas simbólica: ela ajuda a construir o tom mais maduro e emocional que permeia o álbum. Produção moderna e bateria visceral de Travis Barker A produção de Travis Barker é um dos pontos altos de Better Days. Além de assinar o som do disco, o baterista do Blink-182 participa diretamente das gravações, imprimindo ritmo e dinâmica com sua marca registrada. As levadas de bateria são intensas e precisas, equilibrando o peso das guitarras com os arranjos de violino de Sean Mackin, que seguem como símbolo da identidade do Yellowcard. O trabalho de Barker na mixagem e estrutura das músicas dá um ar contemporâneo ao álbum, aproximando-o da estética do Blink atual, mas sem apagar a essência melódica e emocional que sempre definiu o grupo. Ping-pong faixa a faixa do Better Days, do Yellowcard Com dez músicas, Better Days alterna momentos de energia explosiva e introspecção. “Better Days”: A faixa-título abre o disco com força, em ritmo acelerado e refrão marcante, reafirmando o retorno do Yellowcard ao topo;“Take What You Want” mantém o clima urgente e traz letras sobre frustração e amadurecimento;“Honestly i” surge como uma confissão pessoal de Ryan Key, abordando temas de paternidade e transformação;“City of Angels” é o respiro do álbum, mais atmosférica e contemplativa, enquanto “Bedroom Posters” e “Skin Scraped” reforçam o lado emocional da banda com guitarras densas e refrões melódicos.O encerramento com “Big Blue Eyes” é delicado, acústico e bem intimista, uma despedida suave para um disco que trabalha bem o equilíbrio entre dor e renascimento. Mais do que um retorno, Better Days é uma afirmação de identidade. O Yellowcard amadureceu sem perder o vigor juvenil, e isso explica por que o disco conquistou novos ouvintes e garantiu à banda o primeiro número 1 da carreira.
Upchuck lança I’m Nice Now, punk cru que transforma raiva em música

O Upchuck lança I’m Nice Now, seu terceiro álbum, com uma explosão de punk cru e visceral que transforma raiva em força e resistência. Produzido por Ty Segall, o disco aborda temas urgentes como racismo, sexismo e lutas diárias, mantendo a energia crua que tornou a banda referência do cenário atual. O Blog’n’Roll entrevistou recentemente a banda e, no bate papo, a vocalista Kaila “KT” Thompson afirmou: “Nunca houve um momento em que eu não tivesse raiva. Neste mundo de distrações constantes e estressores, é importante manter seu corpo e espírito sãos o suficiente para continuar nesta luta aparentemente interminável.” Essa raiva se traduz em músicas como Tired, faixa de abertura que soa como um grito coletivo contra injustiças, e Forgotten Token, escrita após a perda da irmã de KT, que aborda luto, racismo e desumanização: “Eu só sinto / Porque sou negra / Isso está empilhado / Em um armário perdido” O álbum também se destaca pela diversidade de vozes e idiomas, com o baterista Chris Salado assumindo os vocais em espanhol nas faixas Un Momento e Homenaje, trazendo uma perspectiva multicultural que amplia os limites do punk tradicional. “Para mim é natural. Meu pai e meu avô me ensinaram a tocar cumbia desde criança. Já toquei em banda de cumbia. Quando entro no estúdio, faço freestyle, vou gravando partes e guardo o que gosto. Punk e cumbia andam juntos”, confessa. A produção de Ty Segall mantém a intensidade das guitarras distorcidas e do baixo pulsante, equilibrando momentos de groove mais suaves em Slow Down e New Case com explosões sonoras em Nowhere, faixa que encerra o álbum com força e emoção. “Nós amamos o Ty. Gravamos no Sonic Ranch, em dez dias, e ele trouxe uma vibe muito boa. É um cara relaxado, que nos dá liberdade, mas também direciona em alguns pontos. Depois do último álbum com ele, foi natural voltar”, conta KT. I’m Nice Now, do Upchuck, é um manifesto sonoro de resistência e sobrevivência.
Geese lança terceiro álbum de estúdio, “Getting Killed”

A banda novaiorquina Geese lançou seu terceiro álbum de estúdio, Getting Killed, via Partisan Records e Play It Again Sam, incluindo os singles iniciais Taxes, Trinidad e 100 Horses. Com um ritmo frenético e produção de Kenneth Blume, Getting Killed desafia estruturas convencionais de rock, trazendo uma visão afiada e inovadora do gênero. Recentemente, a banda compartilhou detalhes de seu processo criativo em uma série de matérias para a GQ sobre sua evolução de amigos de escola para estrelas do rock. O segundo álbum da banda, 3D Country (2023), já é considerado um clássico moderno. O frontman Cameron Winter retorna com novas experimentações vocais e uma energia renovada em Getting Killed.
Júnior Cordeiro lança álbum Brenha, Vasto Profundo; ouça!

A vastidão da memória coletiva das gentes brasileiras é notável, explícita, infindável, nesse álbum que já está nas plataformas digitais. Os traços culturais fincados na alma do nosso povo aparecem em profusão dentro de todos os campos da vida social, mesmo em levas de grandes aviltamentos da identidade cultural em tempos hodiernos. O imaginário popular e as ancestralidades são perenes, fortes, indestrutíveis. “O Brenha é um regresso, uma revisita aos temas iniciais da minha discografia: Nordeste Mítico e Místico, Religiosidade Popular, Herança Ibérica/Mourisca…”, define Júnior Cordeiro. Concentrado em reavivar, reacender e revigorar os elementos mais enraizados das nossas tradições populares, Júnior Cordeiro, em seu décimo primeiro álbum, volta aos temas primevos de sua poética, de seu discurso musical: o Sertão Profundo, O Nordeste mítico e místico de fabulosa tradição. “Nos últimos discos eu tinha me dedicado mais a expor temáticas mais ligadas à filosofia, à existência e à condição humana. Agora voltei para as brenhas da memória coletiva brasileira, do sertão nordestino, meu berço cultural”, conta o artista. Brenha, Vasto Profundo é uma longa viagem poético-sonora que se debruça sobre temas cujos quais o artista paraibano conhece de perto, por empirismo e estudos: crendices populares, sertão mítico, catolicismo rústico e sertanejo, lendas, herança ibérica-moura, ancestralidades ameríndias e africanas, sebastianismo e tudo que remeta ao que há de mais profundo e mais mágico no inconsciente coletivo do povo brasileiro, sobretudo nordestino. O disco soa como uma ode à alma brasileira, uma grande apologia ao fecundo caldeirão de elementos culturais que gestaram a nossa feição enquanto povo, em sua diversidade e originalidade. Nessa busca da nossa gênese cultural, o Sertão, sacralizado pelo artista em grande parte de sua obra, é visto como um espaço onde o tempo não corrói a memória popular, que persiste e ainda brilha mesmo em épocas tão globalizantes. Na senda sonora, o álbum aponta para uma concepção mais intimista e “sertânica” da obra de Júnior Cordeiro, cujas matrizes musicais estão fincadas muito mais na enorme variedade de gêneros de música nordestina, e até ibérica-mourisca, do que no rock, outro acento forte e premente na discografia do artista. Não obstante esse “regresso” a bases mais nordestinas, o compositor ainda guarda pitadas explícitas de psicodelia e rock progressivo em parte das canções. Sem mais, Brenha é vasto, é profundo sabor do povo brasileiro. Brenha é vasta senda fantástica que habita em nós. As brenhas culturais brasileiras precisam ser mais revisitadas na nossa música. “Um Júnior Cordeiro de safra: é assim que defino este álbum. Resolvi mostrar a face mais espinhenta de minha obra, a mais sertânica, a mais nordestina possível… Não que eu tenha deixado de lado o hard rock, o progressivo e o blues. Mas o conteúdo disto está menos visível nesse novo álbum. Entretanto, a psicodelia é premente em todas as canções: poesia ácida e viagens sonoras movidas muito mais pela viola do que pela guitarra… O Brenha é uma viagem de volta, um reencontro com os ermos, com o Nordeste mítico de fabulosa tradição, que sobrevive apenas na memória coletiva, frente à voracidade do tempo e da internet”, conclui Júnior Cordeiro. Júnior Cordeiro é um poeta, cantor e compositor da Paraíba. Em sua discografia, conta com 11 álbuns gravados, diversos clipes e dois DVDs. Em 20 anos de carreira, possui indicações a prêmios importantes da nossa música, bem como análises musicais enobrecedoras sobre sua obra, por importantes críticos brasileiros. O Bruxo do Cariri Velho, como ficou conhecido no meio musical, viaja por praticamente todos os segmentos de música nordestina, da toada ao baião, bem como de vários segmentos do bom e velho Rock’n’Roll, desde o Progressivo/Psicodélico ao folk/blues, estabelecendo um acento musical que o próprio artista conceitua como Rock-Baião. Com sua música, Júnior Cordeiro conseguiu firmar uma forte característica: a peculiaridade dos temas abordados em seus discos. O Nordeste mítico, a herança ibérica, a tradição oral, o realismo fantástico, a metafísica, o existencialismo e tantos outros intricados assuntos, juntam-se numa ideia fixa de verificação dos males da coisificação do homem na pós-modernidade líquida, em rico campo imagético, onde o imaginário coletivo está sempre revigorado. Análises sobre a formação cultural do povo brasileiro também fazem parte do discurso do artista.
Entrevista | Hugo Mariutti – “Muita gente acha que é um disco de guitarrista, mas é um projeto diferente”

Hugo Mariutti acaba de lançar This Must Be Wrong, seu quarto álbum solo, produzido inteiramente pelo guitarrista. O trabalho sucede The Last Dance (2023), seu primeiro após o fim do Shaman, e marca uma fase em que o músico busca novas sonoridades. O primeiro show foi realizado no Sesc Santo Amaro com casa cheia e boa repercussão “ Agora é seguir divulgando, porque muita gente ainda acha que é um disco de guitarrista. É importante mostrar que é um projeto diferente.”, afirma Hugo, que encara o disco como o mais completo de sua carreira, tanto no aspecto vocal quanto nas composições. Distante do heavy metal pelo qual é amplamente reconhecido, Mariutti mergulha em influências que transitam pelo post-punk, rock britânico e elementos alternativos, sem abrir mão da bagagem construída ao longo de décadas de estrada. A faixa-título e a capa, por exemplo, reflete sobre a exaustão física e mental imposta pela sociedade atual e pela autocobrança constante, traduzindo inquietações pessoais e coletivas em forma de música. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Mariutti falou sobre os desafios de gravar em tons mais altos sem perder a força das composições, a importância de saber equilibrar perfeccionismo e maturidade durante a produção e como influências de bandas como The Cure e New Order ajudaram a moldar esse novo momento em sua trajetória. Esse disco sucede The Last Dance e você o define como seu trabalho mais completo. Quais foram os maiores desafios, tanto na produção quanto na composição? Meu maior desafio nesse disco foi cantar as músicas no tom que eu escrevi. Algumas estão em tons mais altos e eu não quis baixar, porque poderia tirar um pouco da essência. Então tive que treinar bastante para cantar bem. Na produção eu sempre tomo muito cuidado com a gravação de voz, porque é a primeira coisa que salta para quem está escutando. Nas letras também tive muito cuidado. Reescrevi várias vezes frases que não estavam boas, voltava, refazia, regravava. O legal de estar produzindo, e com a tecnologia que temos hoje, é que isso fica mais fácil e rápido. Mas também chega uma hora em que você precisa ter maturidade para falar: é isso, está pronto. Pra quem está te conhecendo agora com esse novo trabalho, como é a sua relação com o post-punk e o rock britânico? Era algo que você já ouvia na infância? Ao longo da vida a gente passa por fases musicais. Comecei a ouvir música muito cedo por influência dos meus irmãos mais velhos. Tinha Queen, Supertramp, e depois fui para o metal, tive banda de thrash metal no começo dos anos 90, depois uma que misturava rock progressivo e jazz, ouvindo Rush, Marillion. O post-punk também esteve presente. O The Cure e o New Order tocavam muito no rádio quando eu era pré-adolescente. Eu gostava, mas como era ligado ao thrash metal, não podia assumir muito. Mais velho, você entende que tudo isso se mistura. No disco realmente dá pra perceber essas influências. E como foi o primeiro contato deste trabalho com o público no show do Sesc Santo Amaro? Foi muito legal. Bastante gente no teatro, conseguimos tocar quatro músicas do disco novo e mesclar com os quatro álbuns. A recepção foi ótima, muitas mensagens positivas. A banda é muito boa, isso ajuda muito. Agora é seguir divulgando, porque muita gente ainda acha que é um disco de guitarrista. É importante mostrar que é um projeto diferente. A faixa-título fala de exaustão física e mental. Isso tem relação com a sua vida pessoal ou foi apenas uma ideia para a letra? Tem relação comigo, mas também com muita gente. Várias vezes me peguei em casa, em dias sem compromisso, deitado, olhando pro teto, e me cobrando por não estar fazendo nada. Esse modo de vida gera exaustão mental e física. A capa reflete isso: uma pessoa sentada na praia, em paz, enquanto as pegadas mostram todo mundo indo embora, como se o certo fosse estar sempre produzindo. É uma reflexão sobre essa cobrança. Você falou sobre essa cobrança e tem a questão também sobre o ego do artista. Como foi sair da zona confortável da guitarra e focar mais na composição e produção? Eu nunca me considerei um guitar hero. Pra mim, a composição sempre foi mais importante. É claro que ganhar prêmios é legal, mas meu objetivo sempre foi ouvir as pessoas dizerem que as músicas são boas. Desde os 15 anos eu já tocava música autoral, e isso sempre foi o que me movia. Alguns podem pensar que é um disco de guitarra, mas eu gostaria que escutassem para perceber esse outro lado. Eu gosto do desafio. Nesse disco gravei quase todos os instrumentos, menos a bateria. É sempre uma evolução pessoal, quase uma terapia. Seus trabalhos mais famosos foram com Shaman, Viper e André Matos e são bem diferentes. O que dessas bandas reverbera agora na sua carreira solo? É muito diferente do que eu fazia nas outras bandas. Não tem como soar igual, e eu também não quis. Se fosse para fazer algo parecido com Shaman, André ou Viper, não teria sentido. O trabalho solo é para ser diferente. Mas como sou eu escrevendo, alguma coisa acaba aparecendo. Escrevi muita coisa no Shaman e na carreira solo do André. Já ouvi gente dizer que certa linha de voz poderia ser cantada pelo André, por exemplo. Pode ser inconsciente, porque essas pessoas me influenciaram muito. Falando da sua carreira, não dá pra fugir da pergunta: qual a sua história com a Flying V? Essa é legal. A segunda guitarra que tive na vida foi uma Flying V. Na época era muito difícil ter instrumentos importados no Brasil. Gravei o primeiro disco do Shaman com uma Gibson do produtor, Sasha, mas logo depois um amigo me ligou de uma loja em São Paulo e disse que tinha uma Flying V com ótimo preço. Testei e comprei. Foi a guitarra que usei na fase de maior sucesso do Shaman, então ficou marcada. Tenho ela