The Damned lança Not Like Everybody Else e traz Rat Scabies de volta ao estúdio após 40 anos

O lendário The Damned lançou hoje (23) seu novo álbum, intitulado Not Like Everybody Else. O disco é uma coleção de covers profundamente pessoal e celebratória. O trabalho carrega duas grandes notícias. A primeira é o retorno histórico de Rat Scabies. O baterista original se reuniu com a banda em estúdio pela primeira vez em 40 anos, completando o time ao lado de Dave Vanian (vocal), Captain Sensible (guitarra), Paul Gray (baixo) e o tecladista de longa data Monty Oxymoron. Tributo a Brian James em Not Like Everybody Else, do The Damned A segunda notícia é o motivo emocional por trás do disco. O álbum é dedicado à memória de Brian James, guitarrista fundador da banda, que faleceu em 6 de março de 2025. Gravado em apenas cinco dias de “emoção e fogo criativo” no Revolver Studio, em Los Angeles, o álbum busca reconectar a banda com a energia bruta de seu início. De Pink Floyd a Rolling Stones O repertório passeia por clássicos que formaram o DNA do grupo. O disco abre com There’s A Ghost In My House (R. Dean Taylor) e passa por versões de See Emily Play (Pink Floyd) e When I Was Young (The Animals). O encerramento, no entanto, é o ponto alto da emoção. A banda escolheu The Last Time, do Rolling Stones, para fechar o disco. A faixa conta com a participação do próprio Brian James, retirada de sua última performance ao vivo com o The Damned e remixada carinhosamente para este lançamento. Ouça álbum completo abaixo.

Nine Lives resgata a energia do Goldfinger, mas capa vira alvo de protestos

Com mais de três décadas de carreira, o Goldfinger retorna ao centro do debate com Nine Lives, seu nono álbum de estúdio. Lançado hoje (23), o disco funciona como uma tentativa clara de reconectar a banda com a energia que a transformou em um dos nomes mais populares do ska punk nos anos 1990, sem ignorar o cenário atual e suas contradições. Nine Lives aposta em músicas diretas, refrões fáceis e um clima que alterna entre a leveza pop punk e momentos mais reflexivos. Faixas como Chasing Amy recuperam o espírito radiofônico que sempre foi uma das marcas do grupo, enquanto outras músicas trazem letras mais pessoais e maduras, refletindo o tempo e a experiência acumulada pelos integrantes. A presença de convidados conhecidos ajuda a dar variedade ao álbum. Destaque para nomes como El Hefe (NOFX), Mark Hopus (Blink-182) e Jim Lindberg (Pennywise). Porém as collabs não tiram o foco da identidade central do Goldfinger. Musicalmente, o disco não busca reinventar o gênero. Pelo contrário, Nine Lives soa confortável em sua própria fórmula, apostando na nostalgia como principal motor criativo. Para parte do público, isso funciona como um retorno bem-vindo às origens e, de certo modo, irá agradar por isso. Porém, para os mais críticos, o álbum carece de ousadia e soa excessivamente seguro, reforçando a sensação de que a banda prefere olhar para trás em vez de avançar. Polêmica na capa de Nine Lives, do Goldfinger Um ponto negativo está na capa. Logo após o lançamento, fãs passaram a acusar o Goldfinger de ter utilizado inteligência artificial na criação da arte. A suspeita ganhou força nas redes sociais e em fóruns, com protestos online de ouvintes que consideraram o possível uso de IA incompatível com a ética e a estética do punk, tradicionalmente associadas ao faça você mesmo e à autoria humana. A polêmica acabou se tornando parte da narrativa de Nine Lives, ampliando o debate para além das canções. Mesmo sem ofuscar completamente o conteúdo musical, o episódio evidenciou como questões tecnológicas e artísticas hoje caminham lado a lado, especialmente em bandas com um público fiel e atento a cada detalhe. No fim, Nine Lives não é um disco revolucionário, mas cumpre seu papel ao reafirmar que o Goldfinger ainda sabe escrever boas músicas e manter relevância em um cenário que mudou drasticamente desde seus primeiros passos. Entre acertos, controvérsias e nostalgia, o álbum confirma que, em 2026, o Goldfinger continua vivo no debate cultural, para o bem ou para o mal.

The Funeral Portrait lança primeiro álbum ao vivo e clipe de “Stay Weird”

Após a Pandora citá-los como um dos “Artistas para ficar de olho”, a banda The Funeral Portrait celebra a ascensão meteórica com o lançamento de seu primeiro álbum ao vivo, intitulado Live From Suffocate City. O disco chega hoje via Better Noise Music e está disponível nas plataformas digitais, além de versões físicas em CD/Blu-ray e vinil. Para marcar o lançamento, o grupo também divulgou o videoclipe da faixa Stay Weird, trazendo a energia do palco para as telas. Uma carta de amor aos fãs O vocalista Lee Jennings define a nova música de trabalho como uma homenagem direta à base de fãs da banda, carinhosamente chamada de “The Coffin Crew”. “Stay Weird sempre foi nossa carta de amor às almas maravilhosamente estranhas que apoiam esta banda desde o primeiro dia… Aquela noite capturou tudo o que defendemos: individualidade, pertencimento e a liberdade de ser exatamente quem você é”, declara Jennings. O álbum Live From Suffocate City convida o ouvinte a entrar no caos e na catarse do show “Suffocate City Town Hall Meeting”. A gravação ocorreu em 2025, durante uma apresentação esgotada no The Masquerade, casa de shows na cidade natal da banda, Atlanta. O registro documenta performances cruas e teatrais, incluindo sucessos do aclamado álbum de estúdio Greetings From Suffocate City (2024).

Kim Gordon anuncia álbum “Play Me” e lança clipe de “Not Today”

A eterna baixista do Sonic Youth, Kim Gordon, continua desafiando paradigmas e acaba de anunciar seu terceiro álbum solo. O disco se chama Play Me e a Matador Records agendou o lançamento para 13 de março. Para oficializar a novidade, Kim Gordon liberou a faixa Not Today. A música evidencia uma tensão poética inédita em sua voz e chega acompanhada de um curta-metragem dirigido por Kate e Laura Mulleavy, fundadoras da grife Rodarte. Moda, ruído e cinema No vídeo, Gordon veste um vestido de tule de seda tingido à mão, uma peça de arquivo feita sob medida para ela pelas irmãs Mulleavy anos atrás. “Ela era nossa ídola… Quando começamos a conceituar o vídeo, Kim sugeriu usar o vestido, o que sabíamos que era perfeito para a ideia”, contam as diretoras. Sonoramente, Play Me expande a paleta de Gordon. O trabalho mantém a colaboração com o produtor Justin Raisen (Charli XCX, Yves Tumor), mas agora incorpora batidas mais melódicas e o impulso motorik do krautrock. Gordon define o som como “mais focado e talvez mais confiante”, priorizando músicas curtas e orientadas pelo ritmo. Crítica ácida aos bilionários e à IA Se The Collective (2024) trouxe o peso industrial, Play Me processa os danos colaterais da era moderna. As letras atacam a classe bilionária, o fascismo tecnocrático e o achatamento cultural impulsionado pela Inteligência Artificial. A artista não poupa alvos específicos: “Fiquei pensando: será que meu próximo chefe vai ser um chatbot de IA? Nós seremos os primeiros cujas luzes vão se apagar — não os bilionários da tecnologia”, reflete Gordon. A faixa-título também ironiza a cultura do streaming, sobrepondo nomes de playlists do Spotify a um groove trip-hop, criticando a “cultura da conveniência” que tenta prever nosso humor antes mesmo de sentirmos algo. Assista ao clipe de Not Today abaixo.

Com show agendado no Brasil, Black Label Society anuncia álbum “Engines of Demolition”

O incansável Zakk Wylde começou 2026 com o pé no acelerador. O Black Label Society anunciou o lançamento de Engines of Demolition. Este será o primeiro álbum de estúdio da banda desde 2021. Os fãs não precisarão esperar muito. O disco chega às lojas e plataformas digitais no dia 27 de março de 2026. Para dar um gostinho do que vem por aí, o grupo já liberou o pesado single Name In Blood, acompanhado de um videoclipe. Da turnê do Pantera à homenagem ao “Chefe” O processo de criação deste trabalho foi intenso. Zakk começou a escrever as músicas em 2022, enquanto viajava o mundo com a Pantera Celebration World Tour. Ele seguiu compondo até 2025, transformando a estrada em inspiração. O grande destaque emocional do álbum promete ser a faixa Ozzy’s Song. Wylde descreve essa música como sua balada mais pessoal e profunda até hoje. Trata-se de uma dedicação direta ao homem que deu início a tudo em sua carreira: Ozzy Osbourne. Show confirmado do Black Label Society no Brasil A notícia fica ainda melhor para os fãs brasileiros. O lançamento do álbum ocorre apenas um mês antes da vinda da banda ao país. O Black Label Society faz parte do line-up do festival Bangers Open Air 2026. O grupo sobe ao palco no dia 25 de abril. Portanto, o público brasileiro terá a chance privilegiada de ouvir as novas faixas ao vivo logo após o lançamento mundial. A formação atual conta com Zakk Wylde (vocal, guitarra, piano), John (JD) DeServio (baixo), Jeff Fabb (bateria) e Dario Lorina (guitarra). Tracklist de Engines of Demolition:

Astra Vaga: pop alternativo português estreia com álbum “Unção Honrosa”

O músico português (e neto de brasileira) Pedro Ledo decidiu romper com a rotina de escritório para criar algo novo. Assim nasceu o Astra Vaga, projeto que acaba de lançar seu disco de estreia, intitulado Unção Honrosa. O trabalho chega ao mercado pelo selo Saliva Diva, conhecido por movimentar a cena independente de Portugal. Musicalmente, o artista cruza referências de dream pop e pós-punk, criando uma sonoridade envolvente e nostálgica. Do terno e gravata à liberdade criativa de Astra Vaga Pedro Ledo acumula mais de uma década de trajetória na música, com passagens pelas bandas The Miami Flu e Lululemon. No entanto, o Astra Vaga surgiu de uma ruptura pessoal. O músico adotou o terno e gravata, inspirado nos salaryman japoneses, mas ressignificou o traje com um propósito artístico. O título do álbum reflete esse momento. Segundo Pedro, Unção Honrosa evoca reconciliação com o passado e reparação interior. Ele compôs e produziu as nove faixas em estúdios improvisados na cidade do Porto. Geralmente, as gravações ocorriam em sessões tardias, após o trabalho, o que moldou o tom introspectivo e urbano da obra. Estética lo-fi e novo clipe O universo visual é uma parte fundamental do projeto. Pedro trabalha com videoarte analógica e traz referências de jogos japoneses dos anos 90 e glitch art. Essa estética de “baixa fidelidade” cria uma sensação de memória distorcida. Para acompanhar o lançamento, o artista divulgou o clipe da faixa Nada a Meu Favor. O vídeo se junta aos singles anteriores Lamento, Cor-de-rosa, Noite a Cair e Roxo. Conexão profunda com o Brasil Apesar da origem europeia, o Brasil ocupa um lugar especial nos planos do Astra Vaga. Pedro Ledo revelou um fascínio antigo pela nossa cultura e planeja uma turnê pelo país. “A música brasileira influenciou a minha formação como músico desde cedo: a harmonia rica da bossa nova; a música louca e psicodélica dos Mutantes; o groove do Tim Maia e o rock da Legião Urbana”, conta o artista. Ele acredita que a energia do Brasil vem das pessoas e da forma como elas se relacionam. Portanto, ouvir Unção Honrosa é também descobrir como essas influências tropicais ecoam, mesmo que sutilmente, na melancolia portuguesa de Pedro Ledo. Ouça o álbum completo e assista ao novo clipe nos links abaixo.

Sahara Hotnights lança “Vanishing Girl”, prévia do álbum “No One Ever Really Changes”

A banda Sahara Hotnights apresentou hoje (9) a música Vanishing Girl. Esta é a segunda amostra do aguardado novo álbum, intitulado No One Ever Really Changes. A faixa chega como uma balada de rock envolvente e mostra um lado mais introspectivo do quarteto. Com isso, o grupo captura aquele momento frágil em que a confiança vacila e as dúvidas assumem o controle. Uma mistura de reflexão e energia no novo som do Sahara Hotnights Musicalmente, Vanishing Girl equilibra duas forças. A canção mistura a pegada característica que consagrou a banda com um tom mais reflexivo e emocional. A letra aborda temas profundos como a perda de si mesma e a constante busca por segurança. Portanto, o ouvinte encontra uma sonoridade madura, que não perde a essência do rock, mas convida à contemplação. É a trilha sonora perfeita para momentos de incerteza. Do interior da Suécia para o mundo A trajetória do Sahara Hotnights impressiona pela longevidade e consistência. O grupo se formou na pequena cidade de Robertsfors, em 1992. Elas saíram de uma modesta sala de ensaio para conquistar palcos internacionais. Ao longo das décadas, as integrantes acumularam aclamação da crítica e múltiplos discos de Ouro e Platina. Após o elogiado álbum de retorno lançado em 2022, a banda prova que segue em constante evolução.

Grupo Martelo celebra a identidade e a diversidade da música brasileira no álbum Sotaque

Em um caldeirão sonoro, o quarteto de percussão Grupo Martelo lança o primeiro álbum, Sotaque, pelo selo Juá. Um registro que celebra a identidade sonora do grupo e a riqueza da música brasileira contemporânea. O trabalho reúne obras de compositores como Clarice Assad, André Mehmari, Léa Freire, Antônio Nóbrega, Débora Gurgel, Daniel Grajew, Luísa Mitre, Hércules Gomes e Sílvia Góes, reinterpretadas em uma linguagem que une a música de concerto e a popular. Formado por Danilo Valle (Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal de São Paulo), Leonardo Gorosito (Orquestra Sinfônica do Paraná), Rafael Alberto (Orquestra Filarmônica de Minas Gerais) e Rubén Zúñiga (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), o Martelo se destaca por uma atuação colaborativa: seus integrantes, vindos de diferentes regiões e formações, se reúnem periodicamente para criar, pesquisar e experimentar novas formas de expressão. Dessa união veio o conceito de Sotaque que norteia não apenas o título do disco, mas a própria estética do quarteto. O sotaque é um fenômeno sonoro que ultrapassa fronteiras geográficas — seja ele regional, pessoal ou musical, é a marca de uma identidade única. Na música, surge da fusão entre diferentes influências e das personalidades de cada intérprete. O Martelo abraça essa ideia ao combinar a musicalidade de seus quatro integrantes com sonoridades diversas, especialmente dos instrumentos brasileiros e dos instrumentos criados pelo próprio grupo. O resultado é uma fusão viva e singular, em que cada nota carrega a identidade do quarteto. Mais do que um registro fonográfico, Sotaque é um retrato da trajetória do Martelo e da multiplicidade de suas vozes. O grupo revisita obras consagradas com uma abordagem fresca e autêntica, valorizando as raízes musicais brasileiras ao mesmo tempo em que propõe novas leituras e timbres. Essa liberdade criativa faz do disco um marco para a música instrumental contemporânea. Parceiro de marcas como Black Swamp Percussion, Alves Percussion e Zildjian, o grupo amplia com Sotaque sua presença em palcos e circuitos culturais pelo Brasil, reafirmando seu compromisso com a inovação e o diálogo entre tradição e contemporaneidade. Além disso, se posiciona com uma abordagem diferente que traz uma perspectiva distinta para a música instrumental atual. O Grupo Martelo transforma vivência e experiência em uma forma de narrar musicalmente o mundo que o cerca.

Ana Cacimba comemora 10 anos com Luminosa Ato 1 Lua: obra dividida entre espiritualidade e expansão

A cantora, compositora e instrumentista Ana Cacimba lança Luminosa Ato 1 Lua, trabalho que marca seus dez anos de trajetória artística e inaugura um projeto conceitual dividido em dois capítulos. Quilombola e periférica, a artista propõe uma obra guiada por metáforas de luminosidade, em que a Lua simboliza mistério, intuição e espiritualidade, enquanto o segundo ato, Sol, previsto para os próximos meses, representará expansão e realização. O lançamento sai pelos selos Head Media e Universal Music. O primeiro ato reúne canções autorais e tradicionais diretamente conectadas à fé da artista, com a Música Popular Brasileira atravessada pela afro religiosidade. A sonoridade percorre samba rock, samba, pop, afrobeat, kuduro e referências da música caipira inspirada nas congadas do Rosário do Vale do Jequitinhonha. O asalato, instrumento de origem africana, aparece como elemento central e reforça o vínculo com a ancestralidade. Segundo Ana, o conceito de Luminosa nasce da necessidade de falar sobre autoestima e valorização do próprio brilho pessoal e espiritual em meio às exigências do cotidiano. O disco se abre com “Exu”, uma poesia autoral em forma de reza, seguida por “Padê Onã”, ambas com participação de Alessandra Leão. Ao longo do repertório, a espiritualidade se manifesta em diferentes camadas, como na exaltação do sagrado feminino em “Pombagira Dona da Casa Maria Mariá”, na força dos ventos em “Oyá”, que dialoga com o kuduro angolano, e nas homenagens às yabás das águas em “Ponto de Oxum” e “Canto de Iemanjá”. Tradições também são revisitadas em faixas como “Preto Velho”, “O Sino da Igrejinha” e “Se Meu Pai é Ogum”, além das referências às memórias quilombolas da família da artista ao celebrar Oxóssi, Oxalá e Xangô. A produção musical é assinada por Los Brasileros e Dmax. O lançamento vem acompanhado de um visualizer para “Exu Padê Onã”, dirigido por Gabriel Sorriso, com imagens captadas durante a gravação no estúdio Head Media. A identidade visual reforça o conceito do projeto, trazendo a Lua como personagem central da capa, em um trabalho concebido por Ana Cacimba e desenvolvido em parceria com uma equipe majoritariamente feminina. O segundo ato, Sol, dará sequência à narrativa ao explorar experiências cotidianas, alegria e a energia do convívio com o mundo exterior, ampliando o retrato da afro brasilidade e da afro religiosidade na música popular brasileira.