The Cranberries celebra 33 anos de álbum de estreia com raridades e versões latinas

Em março de 1993, quatro jovens de uma pequena cidade na Irlanda lançavam um álbum que mudaria o curso do rock alternativo. Everybody Else Is Doing It So Why Can’t We?, a estreia do The Cranberries, apresentou ao mundo a voz única e etérea de Dolores O’Riordan. Trinta e três anos depois, esse legado ganha um novo capítulo: a Island/UMe anunciou o lançamento da 33rd Anniversary Deluxe Edition para o dia 22 de maio de 2026. A edição comemorativa não é apenas um resgate nostálgico, mas uma atualização técnica. O produtor original do disco, Stephen Street, retornou ao estúdio para criar mixagens estéreo totalmente novas para 2026, buscando capturar “o som dos Cranberries” com as tecnologias atuais sem perder a essência de Dublin. Linger em “Spanglish” e tributo latino ao Cranberries O grande diferencial desta edição de luxo é o intercâmbio cultural. O álbum traz releituras em espanhol de dois dos maiores hits da banda: O material bônus ainda inclui um remix onírico de Linger feito por Iain Cook (Chvrches) e registros históricos ao vivo no London Astoria em 1994. Memórias de estúdio Para os fãs, o lançamento traz depoimentos raros de Noel Hogan e Fergal Lawler sobre as sessões no Windmill Lane 2. Eles relembram a transição de Dolores, que passou de uma jovem nervosa que olhava para o chão a uma estrela que dominava arenas com uma ousadia hipnotizante. “Tudo parecia um conto de fadas na época. Dolores tinha uma atitude de ‘é assim que eu sou, é pegar ou largar’ que o público simplesmente adorava”, recorda o guitarrista Noel Hogan.

Selvagens à Procura de Lei lança o álbum “Pra Recomeçar Ao Vivo”

Depois de percorrer o Brasil com 38 apresentações e reunir mais de 26 mil pessoas, os Selvagens à Procura de Lei decidiram eternizar a turnê do aclamado álbum Y. O grupo lançou Pra Recomeçar Ao Vivo, um registro de 21 faixas captado durante o show de encerramento da tour no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar, em Fortaleza. O lançamento chega acompanhado do vídeo da música Gatilhos, uma das faixas que melhor resume a atual fase da banda: um equilíbrio entre o indie rock clássico e as novas texturas exploradas no disco anterior, que rendeu ao grupo indicações ao Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. Intercâmbio do rock nacional em Pra Recomeçar Ao Vivo Um dos grandes momentos do registro é a participação de Jajá Cardoso, vocalista da banda baiana Vivendo do Ócio. Ele divide os microfones com os Selvagens em três faixas: Quando Eu Me Encontrar, Nostalgia e Mucambo Cafundó, reforçando a conexão entre duas das bandas mais importantes da cena nordestina que conquistou o país. O repertório é generoso e passa por todas as fases da discografia. Além das novidades, não ficaram de fora os hinos que consolidaram a banda no mainstream, como Brasileiro, Amigos Libertinos e Despedida, todas em versões que captam a energia do público cearense. Registro de uma jornada Para a banda, o formato ao vivo é onde as canções ganham sua forma final. Pra Recomeçar Ao Vivo funciona como um ponto final de um ciclo de dois anos de estrada e, ao mesmo tempo, um cartão de visitas para quem ainda não testemunhou o peso do quarteto no palco.

Tom Misch volta às raízes no álbum “Full Circle”

Em 2018, Tom Misch ajudou a definir a sonoridade de uma geração de produtores de quarto com o álbum Geography. Mas, após oito anos, o músico londrino decidiu que era hora de fechar um ciclo. Lançado nesta segunda-feira (30) via Beyond The Groove / AWAL Recordings, o seu segundo álbum solo, Full Circle, abandona o Logic Pro e as edições digitais perfeitas para abraçar o calor da gravação em fita e a composição clássica no violão. O álbum é fruto de um período de vulnerabilidade. Após enfrentar um esgotamento mental (burnout), Tom voltou a morar com os pais e encontrou na natureza e no surf a cura para retomar sua relação com a música. Ecos das chamas e a influência dos anos 70 O single de destaque, Echo From The Flames, é o retrato fiel dessa fase. Construída sobre um riff de guitarra hipnótico, a faixa detalha as noites em que Tom ficava sentado em frente à lareira da casa dos pais, tentando “regular” seus pensamentos. Diferente da estética lo-fi hip hop que o consagrou, Full Circle bebe da fonte de gigantes como Fleetwood Mac, Joni Mitchell e Neil Young. Para alcançar a textura hi-fi dos anos 70, o álbum foi gravado em fita com microfones vintage, preservando a espontaneidade da performance sem a “muleta” da edição excessiva do computador. Conexão com o Brasil e Marcos Valle Para o público brasileiro, o lançamento tem um sabor especial. Durante o processo de criação de suas novas músicas, Tom Misch esteve no Brasil para trabalhar com ninguém menos que o mestre da bossa nova e do jazz, Marcos Valle. Essa vivência tropical e rítmica ajudou a moldar a leveza de faixas como Red Moon e Sisters With Me, que trazem um groove mais profundo e orgânico. * 💿 Serviço: Tom Misch – “Full Circle” O álbum já está disponível em todas as plataformas de streaming e marca o retorno de um dos produtores mais influentes da década passada.

Jovem Dionísio lança “Migalhas” com palco sobre rodas

A Jovem Dionísio decidiu que a melhor forma de apresentar seu terceiro disco de inéditas, Migalhas, lançado nesta quarta-feira (1º de abril), era voltando para a rua. Mas eles não vão de qualquer jeito: a banda curitibana adquiriu um clássico ônibus Scania dos anos 2000 e o adaptou para ser o palco itinerante de sua nova turnê nacional. O conceito é uma espécie de “circo contemporâneo sobre rodas”. A ideia dos “meninos de Curitiba” é estacionar em praças e espaços públicos, abrindo o ônibus e transformando o deslocamento em linguagem visual. O disco: império do “erro” e da textura Se você espera a perfeição milimétrica de Acorda Pedrinho, Migalhas pode te surpreender. O álbum marca um amadurecimento radical do quinteto. Gravado integralmente ao vivo em apenas duas semanas, o disco não utilizou autotune ou intervenções digitais de correção. A aposta aqui é na respiração coletiva, na textura dos instrumentos e até no “erro” que traz humanidade à música. Sonoramente, o grupo expandiu o vocabulário com: Vida no Scania A turnê itinerante foca inicialmente no Paraná, mas deve percorrer todo o Brasil ao longo de 2026. O ônibus funciona como camarim, transporte e, claro, a estrutura de som que vai levar a catarse do palco direto para o asfalto. É um movimento que reforça o DNA indie e alternativo da banda, buscando uma conexão mais visceral com o público.

Monica Casagrande transforma vozes femininas em ritual audiovisual no álbum Corpo Coral

A cantora Monica Casagrande apresenta Corpo Coral, um álbum audiovisual que transforma repertório feminino em um percurso sensorial e simbólico guiado pela voz. O projeto reúne releituras de compositoras brasileiras e internacionais em uma construção que atravessa diferentes estados emocionais, tratando a interpretação como gesto criativo e o corpo como elemento central da narrativa. Concebido como uma obra-chave em sua trajetória, o disco parte da ideia de que o corpo é atravessado por múltiplas vozes femininas. Cada faixa funciona como um ciclo dentro de um ritual de transformação não linear, em que desejo, resistência, entrega e renascimento se conectam como estados de passagem. A noção de “coral” aparece justamente como essa sobreposição de vozes que ganham unidade na interpretação da artista. Gravado em parte no Estúdio Kumbuka e com sessões audiovisuais realizadas na Bolha Films, Corpo Coral prioriza a presença da voz, da respiração e dos silêncios. Os arranjos atuam como suporte para a interpretação, evitando protagonismo instrumental. O resultado é um trabalho que transita entre jazz, MPB, soul, pop e blues, tendo o smooth jazz como eixo de unidade sonora, sem se prender a um gênero específico. O álbum conta com participações de Lan Lahn e Navalha Carrera, ampliando a presença feminina no projeto. A escolha das colaborações reforça o caráter coletivo do disco, que se constrói a partir de diferentes trajetórias e linguagens. O repertório percorre momentos distintos desse ritual simbólico. A emancipação aparece em “Don’t Let Me Be Misunderstood”, eternizada por Nina Simone; o desejo ganha movimento em “Fullgás”, de Marina Lima; a liberdade se afirma em “Agora Só Falta Você”, de Rita Lee; enquanto o autorreconhecimento se revela em “Suddenly I See”, de KT Tunstall. Já a ruptura e autonomia atravessam “You Don’t Own Me”, de Lesley Gore, enquanto a entrega emocional se aprofunda em “Amor, Meu Grande Amor”, de Angela Ro Ro. Na reta final, o disco caminha para a cura em “Put Your Records On”, de Corinne Bailey Rae, a maturidade em “At Last”, de Etta James, e o renascimento em “Baby”, associada à interpretação de Gal Costa. Longe de um tributo nostálgico, as versões funcionam como reinscrições dessas canções em um novo contexto corporal e vocal. Pensado desde o início como um projeto audiovisual, Corpo Coral chega acompanhado por uma série de videoclipes e conteúdos de bastidores. Os vídeos, com direção criativa de Di Tateishi e Nora Jasmin, expandem o conceito do álbum ao explorar arquétipos, atmosferas e estados corporais, evitando a reprodução literal das artistas homenageadas. A estética visual também reforça essa proposta. A capa apresenta a artista em camadas e fragmentações, sugerindo múltiplos estados internos e dialogando com símbolos de ciclicidade e transformação. Assim como o disco, a imagem não se fecha em uma única leitura, propondo movimento e desdobramento. Após quatro trabalhos centrados em composições próprias, Monica Casagrande desloca o foco para a interpretação como prática criativa. Corpo Coral marca uma nova fase em sua carreira ao transformar canções que atravessam gerações em um espaço de escuta, reconhecimento e reinvenção contínua.

Flea surpreende com álbum de jazz; ouça Honora

Após quatro décadas definindo o DNA do rock percussivo com o Red Hot Chili Peppers, Flea finalmente entregou o projeto que gestava há 35 anos. Honora não é apenas um disco solo, é o fechamento de um ciclo poético. O menino que aos 8 anos viu o mundo mudar ao ouvir o padrasto tocar o standard Cherokee no trompete, agora, aos 63, retoma esse sopro vital com uma entrega que beira o espiritual. O álbum é fruto de uma disciplina quase monástica: durante a turnê mundial dos Chili Peppers (2022-2024), Flea praticou trompete diariamente, combatendo o medo de ser visto como um “roqueiro poser” pelos gigantes do jazz de Los Angeles. O resultado? Uma odisseia meditativa e vibrante que passa longe de ser um projeto de vaidade. Curadoria da “vibração” O grande trunfo de Honora é a humildade de Flea em se cercar de visionários. Produzido por Josh Johnson, o disco conta com a guitarra angular de Jeff Parker (Tortoise) e a pulsação precisa de Anna Butterss. É um álbum de texturas, onde o jazz não é um museu, mas um playground elástico. Colaborações de peso O álbum brilha intensamente quando as vozes convidadas entram em cena: Veredito do álbum de estreia de Flea Honora é um disco sobre liberdade. Para quem esperava o baixo frenético de Give It Away, o álbum pode ser um choque, mas para quem conhece a alma exploratória de Michael Balzary, é uma recompensa. Flea sobe ao palco não como o astro de estádio, mas como um músico que, após centenas de horas de prática e reclamações de barulho em hotéis, finalmente se sente digno de flutuar.

Raye lança o cinematográfico “This Music May Contain Hope.”

Após fazer história ao varrer o Brit Awards em 2024, a britânica Raye consolida sua posição como uma das arquitetas do novo pop orquestral. Lançado nesta sexta-feira (27), o seu segundo álbum de estúdio, This Music May Contain Hope., é uma jornada densa de 17 faixas que utiliza o jazz, o soul e a música erudita para falar de sobrevivência e otimismo. O projeto é dividido em quatro “estações” sonoras, guiando o ouvinte em uma narrativa que começa no caos emocional e termina em um ambiente acolhedor. Para dar vida a essa escala épica, Raye convocou um time improvável de colaboradores, que vai da lenda do soul Al Green à London Symphony Orchestra. Colaboração com Hans Zimmer e hits globais O grande diferencial técnico deste disco é a faixa Click Clack Symphony., produzida em parceria com o renomado compositor de trilhas sonoras Hans Zimmer (O Rei Leão, Interestelar). A música funde a sensibilidade pop de Raye com a grandiosidade rítmica de Zimmer, criando um dos momentos mais experimentais do ano. O álbum também traz o megahit Where is my Husband!, que já acumula mais de 800 milhões de streams globais e dominou as paradas brasileiras nos últimos meses. Diferente da “bad trip” urbana de seu disco de estreia, aqui a artista busca o que chama de “remédio para si mesma”, transformando traumas em big band e soul clássico. 💿 Serviço: Raye – This Music May Contain Hope. O álbum já está disponível em todas as plataformas de streaming e a artista se prepara para abrir os shows de Bruno Mars em estádios no segundo semestre.

Letrux retorna com o conceitual “SadSexySillySongs”

Após três anos sem lançamentos inéditos, a “mulher girafa” do indie nacional está de volta para ocupar o seu lugar de destaque no pop alternativo. Letrux lançou nesta sexta-feira (27), via Coala Records, o seu quarto álbum de estúdio: SadSexySillySongs. O título, que nasceu de uma anotação em um caderninho em 2023, acabou ditando as regras do jogo. O disco é rigorosamente dividido entre três universos emocionais: canções tristes (sad), sensuais (sexy) e bobas/engraçadas (silly), totalizando 12 faixas que passeiam pelo pop, rock e MPB. Do minimalismo ao eletrônico Curiosamente, o projeto foi concebido inicialmente para ser um disco de “voz e violão”, um retorno às raízes mais cruas da composição de Letícia Novaes. No entanto, durante o processo no estúdio com o produtor Thiago Rebello (baixista da banda desde a era Climão), o som se expandiu. O resultado final mantém uma essência orgânica, mas não foge de batidas eletrônicas em quatro das faixas e até de momentos experimentais com poemas declamados, inspirados pela mestre da vanguarda Laurie Anderson. Outra característica marcante é o bilinguismo: o álbum é dividido exatamente ao meio, com seis músicas em português e seis em inglês. Parcerias de peso em SadSexySillySongs Para dar vida a esses três humores, Letrux convocou um time de colaboradores que admira. O álbum conta com composições e participações de nomes como Jadsa, Mahmundi, Bruno Capinan e membros da banda Nouvella.

Don Broco lança “Nightmare Tripping” e convoca vocal do Architects para manifesto contra a extrema-direita

O Don Broco escolheu esta sexta-feira (27) para entregar ao mundo o seu trabalho mais denso e politizado até aqui. O novo álbum de estúdio, batizado de Nightmare Tripping, já está disponível em todas as plataformas de streaming. Para celebrar o lançamento, a banda britânica liberou o videoclipe de True Believers, uma colaboração explosiva com Sam Carter, vocalista do Architects. Mais do que apenas uma parceria entre dois gigantes do rock moderno, a faixa é um grito de resistência contra o cenário político global dos últimos anos. Contraste entre a festa e a violência em Nightmare Tripping O vocalista do Don Broco, Rob Damiani, revelou que True Believers foi gestada em 2024, durante um período de profunda dualidade no Reino Unido: enquanto o país celebrava as Olimpíadas, as ruas eram palco de violentos protestos da extrema-direita em Southport. “Ver políticos e pessoas nas ruas usando a saudação nazista livremente e ideias de apologistas de genocídio sendo abraçadas pela mídia foi alarmante. Essa música é sobre a lavagem cerebral que levou a isso, um convite para questionar as narrativas que nos impõem há gerações”, desabafa Damiani. Sobre a escolha de Sam Carter para dividir os vocais, Rob é categórico: “Somos fãs de Architects há muito tempo. A energia e a agressividade que ele traz são incomparáveis. Como ser humano, Sam sempre usou seu talento para defender o que é certo, então colaborar com ele foi muito especial”. Sonoridade e ativismo Nightmare Tripping mantém o DNA experimental do Don Broco, misturando sintetizadores, batidas dançantes e riffs pesados, mas ganha uma camada extra de urgência. A presença de Sam Carter em True Believers injeta uma dose de metalcore que torna a mensagem da letra ainda mais visceral.