Banda de art punk Glote reflete inquietações geracionais em disco

Uma das revelações da pulsante cena musical carioca, a banda de art punk Glote lançou seu disco de estreia, Melancolia-Ultra, via Transfusão Noise Records. O trabalho é um mosaico abstrato que reflete as inquietações de uma geração indecisa, reativa e frustrada com o mundo ao seu redor, buscando beleza no absurdo. Essa atmosfera da pós-modernidade é construída ao longo do álbum, com camadas dissonantes e imersivas somadas à letras que exploram o surrealismo do dia-a-dia unidas a referências ao universo gamer (como Skill Sem Delay) e à cultura pop (como Shinkeitsu, que referencia ao clássico Túmulo dos Vagalumes, de Isao Takahata). O disco conta, também, com versões de artistas da mesma cena que a Glote, (Wxndy, de Fernando Carvalho) e Joy Division, de Yuri Costa, reforçando a intenção da banda em prol do coletivo. As músicas do disco foram criadas como colagens de diferentes riffs e ideias, trocadas à distância durante épocas pandêmicas, resultando em composições que refletem o período imprevisível em que a banda surgiu. Formada em 2021, a banda atualmente é formada por Arthur Xavier na bateria, Eduardo Andrade no baixo, João Autuori na guitarra microtonal e vocais e Lorenzo Ciambelli na guitarra e vocais. O álbum foi gravado, produzido e mixado por Lê Almeida e masterizado por João Casaes, ambos da banda Oruã. A recente turnê internacional desta banda, aliás, foi uma das influências sonoras indiretas pro álbum já que o disco foi mixado em diversos estúdios nos Estados Unidos. Essa abordagem colaborativa contribui para a atmosfera fragmentada e vertiginosa de Melancolia-Ultra, refletindo os diversos percalços enfrentados pelos integrantes da Glote. O álbum é um lançamento do selo Transfusão Noise Records que em 2024 completa 20 anos de uma história que já conta com mais de 100 álbuns lançados, apresentando sempre novidades e experimentos para a cena musical brasileira.

Will Magalhães une MPB, blues, rock e jazz em plural álbum de estreia Impressões

Trazendo um caldeirão de influências que aproxima o rock progressivo do jazz, o blues ao Clube da Esquina e ao Azymuth, o guitarrista, compositor e produtor musical mineiro Will Magalhães lança seu álbum de estreia solo, Impressões. O projeto é uma viagem sensorial que abrange uma variedade de timbres, desde as guitarras que marcam o trabalho do artista até sintetizadores e percussão. Will Magalhães, que também integra o renomado Sexteto Sucupira, inclui em sua carreira colaborações com diversos artistas e grupos, desde ícones da MPB e do jazz até nomes proeminentes do universo do samba e do pop. Ele já compartilhou o palco com artistas como Jane Duboc, Ney Matogrosso, João Donato, Fernanda Abreu e muitos outros. O álbum foi gravado na Bituca – Universidade de Música Popular, em Barbacena, com produção de Nema Antunes, que também assina os baixos, junto de uma banda formada por Max Dias (baixo), Marco Brito (teclado), Erivelton Silva (bateria), André Fróes (bateria), Licinho (percussão), Marcelo Martins (sax/flautas), Breno Mendonça (sax), Fernanda Santanna, Hilreli e Ciro Belucci (vocais). A mixagem e masterização foram realizadas por Fabrício Mattos, um profissional laureado com dois prêmios Latin Grammy e sete indicações. Ouça o álbum Impressões, de Will Magalhães, abaixo

Ravel encara mudanças e traz sonoridade moderna em Impermanente

Abraçar a impermanência é imprescindível para viver melhor. É improvável ter controle sobre todas as coisas da vida, mas se pode tentar ter controle e saúde mental para reagir às infinitas situações durante a jornada da existência. É pelo caminho do efêmero, o de encarar mudanças como algo positivo, que o quarteto paulistano Ravel lançou em plataformas digitais o primeiro álbum, Impermanente. Com nove faixas, Impermanente é moderno, com uma sonoridade que agrega referências do rock, do hardcore e até mesmo da música pop. A produção ficou a cargo do grego Nick Grivellas. O single do álbum é Flores, sobre superação e esperança, com pegada comercial, com arranjos que flertam com elementos da música pop. E por falar em singles, foram três antes do lançamento de Impermanente: Névoa, Então é Isso e Planar, que juntos somam mais de 38 mil plays no streaming. Impermanente, plural e expansivoO disco de estreia é uma ruptura na carreira da Ravel: é a fase de expandir pontos de vista em forma de música, uma pluralidade latente ao longo da audição do álbum. “Procuramos muitas e muitas e muitas referências nacionais e internacionais até chegar na fórmula que chegamos. Ainda estamos testando, mas tem uma premissa inegociável para banda: A gente precisa amar o som que a gente está tocando e sabemos que ter essa escolha é de um privilégio enorme”, comenta o vocalista Eduardo Costa.

Vicka vence concurso e lançará álbum com Oswaldo Montenegro

A cantora e compositora Vicka só tem o que comemorar. A artista paranaense é a grande vencedora de um concurso promovido por Oswaldo Montenegro e lançará junto ao músico um álbum inédito e dez videoclipes. A novidade foi anunciada pelo próprio cantor em suas redes sociais. A novidade vem em meio a uma crescente nos trabalhos de Vicka. Em 2023, a artista foi indicada ao Prêmio Multishow pelo lançamento do EP Entrega. “Fiquei sabendo da seletiva para participar desse projeto com o Oswaldo através da minha madrinha, que é super fã dele. E dentre as suas canções escolhi ‘Intuição’ para fazer uma versão e colocar minha interpretação. Uma música que fala sobre cantar a vida e exaltar a beleza das emoções e que conecta com a mensagem que venho trazendo nas minhas composições”, explica Vicka sobre o processo seletivo. Agora com o anúncio, a paranaense espera ansiosamente pela concretização da oportunidade. “Fiquei emocionada e muito honrada em ter sido escolhida pelo júri para gravar um álbum com esse grande artista que é o Oswaldo, vai ser uma experiência incrível poder colaborar, aprender com ele e entrar nesse universo de poesia e arte”, completa.

Salloma Salomão e Paulo Tó elevam o ritmo ao estado de graça em Terno Azul

Dois nomes do cenário independente paulistano se uniram em uma colaboração inédita que dá o tom deste início de 2024, dançando. Paulo Tó e Salloma Salomão desenvolveram o disco Terno Azul a partir do auge da pandemia, via WhatsApp, e agora amadurecem sua parceria ao compartilhar com o público esse convite para bailar e mergulhar na MPB: a Música de Pista Brasileira. O título, além de evocar a imagem clássica de uma vestimenta de gafieira com o conjunto de calça, colete e paletó, representa uma projeção sobre o que seria a ideia do “bem vestir” ocidental. Os artistas exploram a riqueza dessa metáfora ao abraçar e se apropriar da linguagem dos beats, oferecendo uma visão única sobre o funk e o disco do final dos anos 1970 sem perder o olhar atual. Terno Azul é uma jornada musical que vai desde a canção romântica brasileira até os vibrantes ritmos do funk carioca. “Conheci o Salloma em um debate, em que ele fazia uma fala contundente e performática. Vejo o Salloma como essa figura provocativa, que transborda arte e política em tudo, seja na música, no teatro, seja em uma aula ou em uma fala pública. Minha aproximação surgiu primeiro pela admiração. Começamos a conversar mais, a compor algumas coisas à distância e daí surgiu a ideia do álbum. Pra mim, a viagem estética que entrei nesse álbum foi a investigação da linguagem dos beats. Isso com certeza vai ficar pros meus próximos trabalhos”, avalia Paulo Tó. Essa sintonia foi o ponto de partida para uma convivência musical que se mostraria prolífica e logo resultaria no álbum Terno Azul. “Conheci Paulo Tó apresentado por Mariana Mayor. Logo agarramos numa conversa sobre história das músicas brasileiras, nossas contradições, riquezas e dilemas. Pensei nele primeiro como um compositor cujo estilo se encontra fora do seu próprio tempo e achei isso muito atraente. Ele me permitiu ver a continuidade de uma vertente estético política bacana, que eu curto, no presente”, reflete Salloma. Depois de ouvir os álbuns de Tó, a proximidade se tornou inevitável, seja por frequentarem os círculos artísticos da capital paulista, seja nas primeiras colaborações: a gravação em estúdio e de um clipe para a faixa de Paulo Tó com Jé Oliveira. Quando a pandemia bateu na porta de todos, a amizade havia se feito e a arte de ambos já dava frutos compartilhados. “Agora queremos mostrar esse álbum a quem se interessar”, convida Salomão. Terno Azul representa a alegria possível em meio ao caos, uma esperança que surge de forma inesperada. Continue a Dançar, um dos singles revelados, explicita esse sentimento, incentivando a ativação da fantasia e da loucura diante das adversidades. Assim, o álbum caminha pelas memórias e desejos, envolto no pulsante “batuque blues do baixo hemisfério”. O processo criativo ocorreu com trocas constantes de letras, poesias, melodias e arranjos, em uma construção verdadeiramente colaborativa. Paulo Tó, responsável pela produção musical e mixagem, fundiu suas raízes na MPB, samba e música brasileira com uma exploração cuidadosa das produções do funk nos últimos anos. Salloma Salomão, por sua vez, contribuiu significativamente para a poética e o conceito do álbum, além de oferecer sua experiência na música, refletindo sobre os ritmos brasileiros e a música preta.

Dead Fish inicia ano com os pés na porta e álbum incrível; ouça Labirinto da Memória

A banda capixaba de hardcore Dead Fish abriu 2024 com uma grata surpresa para os fãs, o lançamento do álbum Labirinto da Memória. Composto por 13 faixas repletas de críticas sociais e políticas, o grupo mostra que continua atemporal e pesada. Labirinto da Memória é o décimo quinto disco da discografia, se contarmos os registros ao vivo. A bateria certeira e as letras que abordam o período sombrio vivido pelo Brasil recentemente funcionam como alerta para que se evite a repetição dos erros. Anteriormente, a banda já havia revelado dois singles do novo álbum, Estaremos Lá e Dentes Amarelos. Estaremos Lá trata de fatos da vida brasileira, da memória coletiva. “O título, Estaremos Lá, quer dizer, no fim das contas, que as memórias não são apenas o que a gente viveu, mas o que assistimos, soubemos, lemos e está no nosso inconsciente”, explica o vocalista Rodrigo Lima. Tudo isso embalado pelo instrumental poderoso da banda; as guitarras rápidas de Ric Mastria, a bateria de Marcão Melloni e o baixo de Igor Moderno. Em resumo, o disco mergulha na memória coletiva a partir de uma jornada do vocalista Rodrigo Lima. Tudo começou quando ele estava lendo Realismo Capitalista, do Mark Fisher, que descreve as mudanças que o capitalismo trouxe para o mundo, através de sua experiência. “Foi uma faísca”, disse Rodrigo. “Fiz 50 anos e não queria ficar remoendo as memórias como algo nostálgico, mas sim como um ‘zine’ de coisas boas e ruins que aconteceram tanto comigo como com quem viveu naquela época”. Assim, ele foi escrevendo em seu inseparável caderno até finalizar as letras, boa parte delas em parceria com Alvaro Dutra. O álbum também trata de assuntos do presente, mas o primeiro single revelado, Dentes Amarelos, trouxe como tema a passagem do tempo e o que a inspirou foi uma conversa sobre clareamento dentário. “Aprendendo a ter orgulho dos meus dentes amarelos/Que rangem quando falo, mas se calo, esfarelam/Ainda servindo pra devorar /O mundo em pedaços que uma hora eu engulo/E mesmo com sorrisos mais escassos/Vou digerindo vitórias e fracassos”, conclui nos versos finais.