Pronto para o verão, Silva lança o álbum Bloco do Silva #2

Aquecendo para o verão e para o aguardado pré-carnaval, Silva disponibilizou nesta sexta-feira (9), em todas as plataformas de música, o álbum Bloco do Silva #2. O projeto também conta com videoclipes inéditos, disponibilizados no canal oficial do artista no YouTube. Silva comemora o sucesso e continuidade do projeto. “O Bloco do Silva #2 segue a ideia de ser uma grande celebração à música brasileira. Fico muito feliz que o projeto tenha sido abraçado pelo público. É a minha festa de verão, o momento de homenagear as músicas que embalaram a minha geração”. Marcando o retorno do artista à Som Livre, o álbum conta com 23 regravações que passeiam por importantes canções da música popular brasileira e que embalaram gerações. Silva também revisitou oito canções de sua carreira, entre elas Pra Vida Inteira, Duas da Tarde e Um Pôr Do Sol Na Praia. Silva recebe Criolo em cinco canções, uma delas é Sozinho, composição de Peninha, conhecida originalmente na voz de Caetano Veloso. Criolo enalteceu Silva e o projeto ao comentar sobre sua participação. “Participar desse grande encontro, que leva o nome de Bloco do Silva, e que vai além de uma reunião de músicos, cantores e cantoras tão incríveis. O Silva é uma delicadeza, é uma elegância no palco, um trato de amor com toda a sua equipe, que nos emociona, que nos toca. Todos no entorno dele com essa mesma pegada, o que torna o Bloco do Silva cada vez mais algo tão importante nesse período do ano, algo imperdível. Essa apoteose de músicas do Brasil, de alegria, de felicidade, de amor que o Bloco do Silva leva pra onde vai. Toda essa aura, toda essa energia faz bem pra gente. Só me fez bem. Eu espero estar sempre perto do Silva”.

Onda Errada HC canta dilemas do trabalhador brasileiro em álbum

A referência ao icônico álbum de 1982 do Bad Brains na capa é uma primeira amostra do que o ouvinte pode esperar do disco de estreia da banda Onda Errada HC, de Niterói. No lugar da força da natureza destruindo o Capitólio, vem uma mão arrasadora sobre o Rio de Janeiro. Com um olhar periférico e de contracultura sobre as relações sociais e de trabalho,o grupo liga o hardcore com ritmos afrocaribenhos, como o ska e o reggae. “Amadurecido nas dores da pandemia, nosso novo álbum trata do balanço na navalha que é o cotidiano do trabalhador brasileiro, especificamente o trabalhador da região metropolitana do Rio de Janeiro, se equilibrando entre o desespero e o tédio. Ele está perpetuamente preso entre a desmotivação, a má vontade e a violência policial”, reflete Gustavo Felix, guitarrista da banda. Além dele, fazem parte da banda Jean Marcel Chactoura (voz), Mateus Ferrari (guitarra), Vinicius Câmara (baixo) e Brayner Rodrigues (bateria). Formada em 2018, a Onda Errada surgiu quando Mateus e Vinícius trabalhavam juntos como forma de expurgar muito da raiva que sentiam em forma de arte. Influenciados também pelo avanço do conservadorismo no cenário brasileiro, a banda utiliza suas músicas como forma de militância antifascista, extrapolando os limites dos palcos e levando para as ruas suas ideias e práticas, organizando reuniões e festivais. Após EPs e singles, a Onda Errada HC consolida a primeira fase de sua história com o disco de estreia. Em oito faixas produzidas pela banda com Renan Carriço (Facção Caipira), eles contam com participação especial de Hajed, da banda Lado A, na música Laboratório do Inferno.

Macaco Bong se reinventa no intenso álbum “Live Garage”

O trio de rock instrumental Macaco Bong lançou o disco Live Garage. Com apenas cinco músicas, mas 40 minutos de duração, a banda se reinventou em um trabalho que traz influências de metal e riffs intensos. As faixas do disco formam uma história “sem fim”, prendendo o ouvinte em cada segundo e o levando em uma aventura hipnotizante. Para o fundador e guitarrista da Macaco Bong, Bruno Kayapy, o grande diferencial desse álbum é a intensidade da energia crua do trio, que foi conservada na gravação. Não se trata exatamente de um álbum ao vivo com um público presente, mas a banda buscava traduzir a mesma energia presente nas suas performances: “Ao longo de quase duas décadas de banda, comecei a perceber melhor esse feedback de como o nosso show é absurdamente superior a gravação que se ouve nos discos! A experiência de estar presente no show do Macaco Bong é totalmente diferente da experiência de ouvir um disco. Esse é o primeiro álbum da banda que prioriza esse lado da sonoridade ao vivo dos nossos shows – por isso esse conceito de Live.” Essa abordagem de gravação, mais crua e realista, surgiu também em resposta ao período da pandemia: o último álbum da banda, Mondo Verbero (2021), teve um processo adverso, sendo gravado completamente à distância. Já nesse novo disco, a banda pôde finalmente se juntar novamente e gravar presencialmente. Em um ambiente de garagem transformado em estúdio musical caseiro, Bruno Kayapy (guitarra), Igor Carvalho (baixo) e Marcus Fachini (bateria) gravaram as músicas do disco juntos, olho no olho. Com isso em mente, a banda também planeja um complemento a esse disco; em 2023, um segundo volume do Live Garage será lançado. A continuação do disco será composta por uma seleção de músicas de todo o catálogo da carreira da banda, regravados nesse mesmo formato que prioriza a energia “ao vivo”, e contando também com uma faixa inédita. O Macaco Bong dificilmente repete a mesma fórmula musical em seus álbuns, e as composições transitam por inúmeras vertentes musicais, ao ponto de ser praticamente impossível de se rotular a banda dentro de algum gênero ou nicho da indústria musical. Nesse novo trabalho, a banda atingiu um novo patamar no que se refere a sua proposta musical de desconstrução de arranjos convencionais da música pop. Mesmo com dez anos de carreira, o trio segue inovando, e esse novo disco é a maior prova disso. Ao mesmo tempo que exploram sonoridades novas, a banda conseguiu evidenciar no disco seu maior ponto forte: a intensa energia que vem da dinâmica entre o grupo. O álbum Live Garage, do Macaco Bong, é um lançamento do selo ForMusic Records.

Deserto, disco de estreia do Casa Civil, revela indignação política e social

Com influências que vão do rock oitentista de Brasília aos clássicos The Who e The Clash, o Casa Civil lançou o seu primeiro álbum com 12 faixas produzidas por Philippe Seabra da Plebe Rude, no Daybreak Studio, em Brasília. A gravação contou ainda com a participação de Paulo Veríssimo (Distintos Filhos) nas guitarras, Fred Ribeiro (ex- PUS) no baixo e do ‘plebeu’ Marcelo Capucci na bateria. Deserto já está disponível nas principais plataformas digitais, e segundo o vocalista Bruno Santana, é carregado por composições que questionam as divisões e mecanismos sociais aos quais estamos submetidos como indivíduos. “Fala muito sobre a luta pra preservamos nossa essência diante de um imaginário político social totalmente corrompido, persuasivo e manipulador”, explica. Após o lançamento do single É Gol! em lyric video, a banda escolheu a faixa Primeiro Meu Dinheiro no Bolso para divulgar o álbum. A letra questiona as promessas não cumpridas por políticos brasileiros. “Os que usam da persuasão e do mal caratismo pra enganar os eleitores e depois de eleitos só pensam em si próprios. A música fala também de todo mecanismo criado pra sustentar esses malandros e aprisionar a sociedade nesse ciclo vicioso”, diz o vocalista. Além de Bruno Santana, a Casa Civil é composta por Léo Ciotti (baixo), Zéh Zuntana (guitarra) e Marcos Goi (bateria). Agenciados pelo experiente Cacá Prates, a banda pretende fazer uma série de shows pelo Brasil em 2023.

Artistas transformam hits de Cássia Eller em reggae e ska em coletânea

Quente, envolvente, solar, relax. Assim era Cássia Eller. E assim é o segundo volume do álbum Cássia Reggae (Universal Music), lançado nesta sexta-feira (25), que reúne artistas de diferentes personalidades – bem no estilo eclético da cantora: Samuel Rosa, Roberta Campos, Mart’Nália, Frejat, Otto, Beto Lee e Armandinho Macedo dão nova vida às canções interpretadas pela artista, que completaria 60 anos no próximo dia 10 de dezembro. A produção musical, artística e arranjos do álbum são assinados por Fernando Nunes e Sergio Fouad. “A proposta desta homenagem é unir artistas que Cássia admirava a outros que ela teria gostado de conhecer”, diz Fernando Nunes. Se o álbum é uma festa, ela acontece à beira-mar. Lua cheia, vento gostoso e canções eternizadas na memória dos fãs com novas levadas e belezas. Uma big band comandada por Fernando Nunes abre o disco com Luz dos Olhos (Nando Reis), canção que une um naipe de metais efervescente, arranjado por Nunes e Tércio Guimarães, a uma interpretação única de Samuel Rosa, lembrando a conexão entre a canção e os primeiros anos do Skank. A noite esquenta com o hit Relicário em um ska moderno e acelerado do jovem Dada Yute, considerado uma “jovem lenda” do reggae nacional. Os efeitos eletrônicos na música e nas vozes amplificam o som, aquele suingue perfeito para as noites de lua cheia. O segundo volume do projeto Cássia Reggae traz uma raridade renovada. A suave Flor do Sol, composta por Cássia e Simone Saback em 1982 – e redescoberta 30 anos depois -, ganha uma versão envolvente e contemplativa na bela voz de Roberta Campos. Se fecharmos os olhos, podemos “ver” as vozes de Roberta e Cássia caminhando juntas na areia. O álbum segue ao comando dos fortes ventos no irreverente e dançante ska Todas As Mulheres Do Mundo. A música de Rita Lee gravada por Eller em 1998 no disco Veneno Vivo recebe vívida releitura de Ana Cañas, Tacy de Campos e Beto Lee, que também toca guitarra na gravação. A festa está formada! O luau entre amigos desce para pertinho da água na delicada Preciso dizer que te Amo (Dé Palmeira, Bebel Gilberto e Cazuza), em um encontro especial de Mart’Nália e Frejat nos vocais. A sexta e última faixa, Mapa do meu Nada, recomeça a festa num ragga muffin com personalidade nordestina, fruto do encontro do eletro pernambucano de Otto com o guitar man baiano Armandinho Macedo, numa versão bem rítmica e percussiva, características do compositor Carlinhos Brown. Cássia Reggae [Vol. 2] é uma fluida continuidade do primeiro álbum da série e o clima “all-stars” segue com entrosamento e criatividade. “Temos grandes performances no álbum e um repertório de músicas maravilhosas que viraram pérolas na voz dela. Mesmo tendo essa pegada blues-rock, Cássia Eller passeava com facilidade por vários ritmos. Gravou Eleanor Rigby em reggae no seu primeiro disco…já flertava com o estilo desde sempre”, diz Fernando Nunes.

Ouça Past Lives, álbum de estreia do supergrupo L.S. Dunes; ouça!

Cinco expoentes do cenário pós-punk e da cena hardcore se juntaram para criar um supergrupo de rock: o L.S. Dunes conta com o guitarrista Frank Iero (My Chemical Romance), o guitarrista Travis Stever (Coheed and Cambria), o vocalista Anthony Green (Circa Survive), o baixista Tim Payne (Thursday) e o baterista Tucker Rule (Thursday/Yellowcard). A novíssima banda lançou seu primeiro álbum, Past Lives, na última sexta (11). O primeiro single do álbum do L.S. Dunes, a flamejante Permanent Rebellion, saiu em 26 de agosto, dando uma boa medida da energia rock que está chegando agora. Livres das expectativas e da estética de suas já bem-sucedidas carreiras, os músicos do L.S. Dunes aplicam uma sobrecarga elétrica de energia punk em seus hinos pesados, alcançando um som diferente de qualquer coisa que tenha vindo antes. Da apaixonante e teatral abertura 2022, passando pela rascante e viciante Like Forever e pela porradaria expansiva de Permanent Rebellion, até o desarmante encerramento, Sleep Cult, o álbum Past Lives é uma viagem emocionante e eletrizante. Past Lives foi produzido por Will Yip (Turnstile, Circa Survive, Quicksand) e gravado em seu Studio 4 na Filadélfia, nos EUA. Indo fundo nas questões de destemor, inconformismo, dependência e impermanência, as canções do álbum foram resultado de um trabalho colaborativo. Na pandemia, durante o lockdown, os músicos, todos amigos e fãs uns dos outros, perceberam com urgência que não existe “amanhã” garantido. “Não sabíamos se iríamos tocar estas músicas juntos. Na verdade, nenhum de nós, músicos a vida toda, sabia realmente se poderíamos voltar a tocar ao vivo novamente”, contou Frank Iero. “A música Permanent Rebellion fala de tomar de volta o que é seu por direito.” Tucker Rule acrescentou: “Queríamos fazer algo em que você pudesse escutar todas as nossas bandas, mas sem soar particularmente como uma delas. Nossas raízes são punk rock e hardcore, e a vibe é de esperança para todas as almas perdidas”. As sementes para a formação do L.S. Dunes foram plantadas durante os ensaios para um evento no Natal de 2020 que incluiu amigos e conhecidos de algumas de suas bandas favoritas. A química nas improvisadas e descontraídas sessões foi instantânea. Com a adição do vocalista do Circa Survive Anthony Green, ficou organicamente claro: a música formou a banda.

Revelação do Pop, Davi Bandeira lança “Intenso”, segundo álbum de estúdio

Um álbum para ouvir a todo momento – seja deitado, no conforto de casa; no ônibus da janela ou do metrô em direção à faculdade ou no trabalho; ou numa viagem com os amigos, tendo as músicas como uma trilha sonora… Esse é Intenso, o segundo álbum de Davi Bandeira. Do pop dançante ao melancólico, passando por referências nordestinas e indo até o reggae, a mistura de sons marca uma nova fase na carreira do artista. Junto a ele, estão parceiros musicais que trabalharam com outros grandes nomes da música contemporânea brasileira. “Intenso é muito sobre mim, mas ao mesmo tempo não é um álbum biográfico. É um álbum que foi feito em sua maioria no interior do Ceará, de onde as pessoas talvez não imaginassem ser possível sair um álbum de música pop”, conta Davi, ao citar que o álbum traz como uma visão de mundo que construiu nesses 30 anos de vida. “É engraçado, porque eu estava ouvindo ele completo e é muito nítido que é um álbum de alguém que cresceu ouvindo de Michael Jackson a Aviões do Forró. Eu sempre fui encantado pela música pop e o forró corre nas minhas veias por ser cearense, mas o desafio foi entender como é ser esse artista que possui referências tão distintas. Fiquei com medo de soar confuso, de não estar coeso, mas eu fui seguindo meu coração e estou muito orgulhoso desse projeto”, destaca. A concepção do novo projeto teve início ainda em 2019, logo após Davi Bandeira lançar uma releitura de Assim Caminha a Humanidade, do Lulu Santos. O combustível foi o desejo de fazer um álbum brasileiro de música pop, que contemplasse suas origens e referências nordestinas, misturando com o synth-pop mais nostálgico que ele ouvia tocando no rádio quando era criança. Ele estava morando em São Paulo e trabalhava em uma loja de cuecas para juntar dinheiro e investir em sua carreira. Com a pandemia de covid-19, houve o retorno para casa – e o que poderia parecer o fim do projeto que acabara de ser idealizado era, na verdade, um recomeço. “Foi interessante porque eu fui embora para tentar minha carreira e voltei para o lugar de onde eu comecei a sonhar para produzir e trabalhar no projeto”, completa, ao dizer que sonha com isso desde muito criança e que, às vezes, sente como se o Davi de hoje encontrasse o Davi criança do início dos anos 2000. A produção do álbum é assinada por enzo dicarlo, que trabalhou com nomes como Pabllo Vittar e Clara Valverde e coprodução do próprio Davi Bandeira. “Naquele meio de incertezas, se o mundo ia acabar ou não, eu comecei a trabalhar em uma perspectiva: se eu pudesse fazer o último disco da minha vida, como ele seria?”, comenta Davi. Diante dessa nova realidade, ele se juntou novamente a Dan Morais, também parceiro artístico, e juntos escreveram todas as músicas do álbum. O processo, como afirma o cantor, era como “uma terapia no meio do caos”.

Destaque de Alagoas, Gato Negro transita entre passado e presente em Mestiço

Se na mitologia grega Cérbero, o cão de três cabeças, guarda o submundo, para a banda alagoana Gato Negro, sua contraparte felina guarda o paraíso. E é por isso que ela estrela a capa de Mestiço, segundo álbum de estúdio do trio, onde mergulha fundo nos grooves mais psicodélicos e dançantes dos anos 1970, mesclando ao rock alternativo e ao blues. “Mestiço é a evolução natural de Cio, nosso disco de estreia. Uma mistura de sentimentos aguçada pelo isolamento da pandemia e uma vontade louca de emanar energias positivas”, conta o vocalista e guitarrista Paulo Franco, que também assina a produção musical. Além dele, a banda conta com Wilson Silva na bateria e André Damasceno no baixo. O disco ainda traz Natan no trompete e flugelhorn. Iniciada em 2007, a Gato Negro reuniu um repertório autoral que une funk, soul, rock e blues indo de Tim Maia até Led Zeppelin. Seu disco de estreia, Cio, foi lançado em 2015, e durante a pandemia eles se inspiraram na vontade de trazer algo novo, algo luminoso. Disponível em todas as plataformas musicais e com capa assinada pela artista plástica Ana Noronha, Mestiço é um disco para se ouvir no fim de noite ou para relaxar em casa e mostra uma nova página de um grupo que quer se reinventar para se aproximar do público.

Rashid explora a distopia das metrópoles em Movimento Rápido dos Olhos

Em um futuro distópico, as grandes cidades deixam de ser polos econômicos e se tornam vazios de concreto; a população, então, migra para as regiões interioranas atrás de recursos. A busca por qualidade de vida esbarra, diretamente, no comando do Patriarca, figura corrupta e detentora de riquezas conquistadas por meio de ameaças e intimidações. Uma comunidade instalada na região vive em harmonia até ser dizimada por homens subordinados ao vilão… Assim se inicia a história por trás do novo lançamento de Rashid, o disco Movimento Rápido dos Olhos. Definido pelo artista como um álbum-áudio-filme, o quarto trabalho de estúdio do rapper intercala as canções com animação em quadrinhos, resgatando o formato das radionovelas. Nomes como Liniker, BK’, Marissol Mwaba, Amiri, Don L, Curumin, Macedo Bellini e Stefanie se unem a Rashid como participações especiais ao longo das 15 faixas. Estas constroem uma jornada de mudanças regida pela evolução pessoal e pelos questionamentos às regras. “O disco vem para exagerar a realidade. Ele eleva à enésima potência a atmosfera na qual a gente vive hoje e deduz onde poderíamos parar caso não houvesse mudanças”, comenta Rashid. Com um tempero de utopia, sonho e heroísmo, a narrativa é pautada no processo de autodescoberta de Samurai, protagonista que tem a companhia de Proceder, Oráculo, Davila e Patriarca ao longo da história. Para dar vida a estes personagens, Rashid convidou a jornalista e apresentadora Adriana Couto, o publicitário Rodrigo Carneiro e o dublador Guilherme Briggs. Este último é figura conhecida por emprestar a sua voz para desenhos como Buzz Lightyear, Superman, Mickey e Samurai Jack. “Queria trazer alguém da dublagem para trabalhar num álbum meu há algum tempo, mas ainda não tinha o lugar perfeito. Não imaginava que conseguiria um dos maiores dubladores do país para este trabalho atual”, comemora. A cultura oriental é um forte guia em Movimento Rápido dos Olhos. Seja nas animações, em formato de quadrinhos, ou nos personagens. Isto se deve à admiração que Rashid cultivou ao longo dos anos. “Essa identificação nasceu ainda na época das batalhas, onde toda semana meu talento estava em jogo contra MCs incríveis e eu precisava de uma disciplina intensa para continuar evoluindo. Nessa época, conheci livros como Bushido, Hagakure e a própria história do Miyamoto Musashi, o samurai mais famoso da história do Japão”, lembra o rapper, que complementa: “eu me identifiquei com muitas coisas ali e, a partir disso, formei parte da base do meu pensamento sobre rotina, dedicação e foco”. Para representar visualmente Movimento Rápido dos Olhos, a capa do disco traz o Rashid caracterizado de Samurai. A escolha desta figura para encabeçar o enredo foi algo natural para o artista. “A personalidade do Samurai traduz, de certa forma, muito sobre temas abordados nos meus sons. Ele não só é uma manifestação do eu lírico do Rashid, mas também um retrato de todos que se identificam. Por isso, ele não tem nome, porque ele pode ser qualquer um”, afirma. O ponto de partida da obra é com a faixa Oráculo. Ela é responsável por apresentar a jornada do Samurai e o universo de Movimento Rápido dos Olhos para o público. Deixai Toda Esperança, música na qual Rashid divide os vocais com Macedo Bellini, é uma carta para a Morte e foi inspirada no poema A Divina Comédia, de Dante Alighieri. “Você precisa lembrar daqueles que se foram, mas precisa celebrar também quem continua vivo ao seu lado” é a premissa guia de Rashid em Um Brinde A Todos Que Se Foram, composição que passeia pelas memórias do protagonista e transforma as dores em combustível. Jogo Sério, por sua vez, tem participação de Marissol Mwaba e do rapper BK’, e trata sobre a necessidade de tomar as rédeas da situação, mesmo com todas as adversidades. Ela culmina em Tem Dias Que, um mantra de aceitação que funciona como um lembrete: nem todos os dias são bons e não é preciso dar conta de tudo o tempo todo. A jornada de Samurai tem sequência com Agora Você Me Deve, que antecede a faixa A Lua Atrás Do Prédio, resposta — na perspectiva de uma criança — para o single Porque É Proibido Pisar Na Grama, de Jorge Ben Jor. “São questões que, de tão ingênuas, se tornam profundas e filosóficas em alguma instância”, explica. O dia amanhece na narrativa em Ver Em Cores. Com a participação de Liniker, com sua voz que carrega candura e potência, a canção marca a virada da história. A partir deste momento, a narrativa dá lugar à esperança e a novas descobertas. Marco disso é o interlúdio Contexto, Café e Coragem, quando Samurai se dá conta que o seu poder não está na força ou na lâmina de sua espada, mas, sim, nas palavras. Na Entrada do Céu, com participação de Stefanie, traz outro momento de emoção na tracklist. “A música fala sobre pessoas que estão aguardando serem registradas na entrada no céu e cada um conta como chegou ali”, resume. Com Amiri e Don L, Linha De Frente reitera o papel de pessoas que estão no holofotes para tomarem frente nas lutas. “De nada valem todas as habilidades e ser o melhor MC do mundo se as coisas que a gente fala e faz não forem em prol do nosso pessoal”, pontua. Mais uma referência ao texto poético A Divina Comédia, Às Margens Do Rio Lete nasce como uma forma de reforçar a canção anterior e, marca, mais uma vez, a mudança no foco do protagonista. Ao lado de Curumin, Rashid questiona a arte na vida das pessoas em “Ao Subir Das Letrinhas”. “Respiramos arte no dia a dia e as nossas músicas são um reflexo disso. A arte é a forma como a gente vive”, resume. Marcando o final de Movimento Rápido dos Olhos, essa faixa busca estimular que as pessoas vivam as suas vidas após o crédito final. “Quando o crédito sobe é quando começa de fato a obra da sua vida”, declara. Anteriormente, Rashid já tinha divulgado outras duas faixas do disco: Pílula