Titãs lança Olho Furta-Cor, álbum em colaboração com Rita Lee

Com apenas três dos oito integrantes da formação original, o Titãs lançou nesta sexta-feira (2) o álbum de estúdio, Olho Furta-Cor. Aos 40 anos de banda, os paulistanos passeiam por vários gêneros em uma produção que teve colaboração de Rita Lee e Roberto de Carvalho. “Este álbum é para comemorar os 40 anos, mas também para provar para nós mesmos que a nossa química continua viva”, disse Sérgio Britto em entrevista à Folha de S.Paulo. “A gente faz o que pode para manter a chama acesa. O que mais nos aproxima é fazer coisas novas e, talvez, isso seja mais prazeroso do que ficar olhando o passado”. Com 14 faixas inéditas, Olho Furta-Cor traz singles fortes como Apocalipse Só e Caos, essa composta em família por Rita Lee, Roberto de Carvalho e Beto Lee. Apesar de tantas mudanças na formação, Sérgio Britto, Branco Mello e Tony Bellotto conseguem manter intacta a veia crítica e roqueira do Titãs, mas sem deixar de experimentar. Um disco digno dessa carreira extremamente festejada.

Jacque Falcheti faz música intimista e visceral no álbum Crua

Jacque Falcheti transformou suas canções em um diálogo ao pé do ouvido, um convite a uma pausa para buscar um caminho de volta para quem somos de verdade. Artista com uma expressiva discografia com outros artistas e extensa experiência nos palcos, a cantora e compositora entregou Crua, sexto álbum da carreira e primeiro solo. Imerso em questionamentos, vulnerabilidade e intimidade, o disco está disponível para streaming e chega acompanhado de um clipe para a faixa-título. O conceito de Crua partiu da vontade de voltar à essência humana, sem pressões externas para performar um personagem que não existe de fato. A cobrança de uma perfeição em todos os âmbitos da vida – em especial no caso das mulheres, seja como mãe, mulher, filha, cidadã – leva a filtros, maquiagens e cirurgias que encobrem a crueza, o essencial. Jacque Falcheti se mostra como mulher inacabada, imatura, visceral e intuitiva em canções onde se entrega em voz e violão. Ela canta que não é dito, os desejos, os segredos, a solidão. O novo disco chega após uma carreira que inclui cinco álbuns premiados – Passim (2016); Flor de Aguapé (2017); Passim 2 (2021); e Outras Bossas (2020) e Facetas de Noel – Clássicos (2021), em homenagem aos 110 anos do compositor Noel Rosa – além de turnês por Europa, África e América Latina. Jacque ainda soma experiências gravando com artistas como Mônica Salmaso e Verônica Ferriani. Agora, Falcheti está pronta para uma nova fase em sua carreira, retornando à formação minimalista com a qual aprendeu música na adolescência, compondo com o violão empunhado ao peito. Nesse resgate pessoal e íntimo, ela cria canções universais que dialogam com todos aqueles dispostos a uma pausa para ouvir o coração. Crua é, ao mesmo tempo, uma obra profundamente particular e um convite a encontros, já que a artista está acompanhada de presenças ilustres. Nomes da nova geração da música brasileira aparecem entre as parcerias das canções, como Iara Ferreira, Gabi Buarque, Luis Felipe Gama, André Fernandes, Renato Frazão e Jô Anjo. O CD foi premiado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC-LAB) e a turnê de estreia de “Crua” irá apresentar shows pelo Estado de São Paulo em seis cidades e pela Europa passando por Portugal, Inglaterra, Estônia, Alemanha e Bélgica. Enquanto isso, é possível conferir o álbum em todas as principais plataformas de música.

Fibonattis fala de pandemia, futebol e relacionamentos em Cidade Mórbida

Maturidade e evolução sintetizam o novo disco do quarteto punk rock Fibonattis, Cidade Mórbida, que chega nas principais plataformas de streaming pelo selo Repetente Records. Cidade Mórbida, o segundo álbum na perseverante carreira da banda de Francisco Morato (Grande São Paulo), como sugere o nome, é um registro sóbrio, com temas sérios e pertinentes ao duro cotidiano de muitos brasileiros. Tem a ver com o momento em que foi composto, praticamente por completo durante a pandemia. Os assuntos são diversos, sobre rotina, relacionamento, desigualdade social, pandemia, futebol, entre outros. No entanto, a sonoridade é menos densa que as elaboradas letras e apresenta o característico enérgico punk/street rock da Fibonattis, com melodias cativantes e refrões marcantes, para sair cantando junto desde o primeiro ‘play’ em Cidade Mórbida. E, de certa forma, o título do disco é um norte para as músicas. Nunca mais fala sobre aquele período que todos enfrentamos no começo de 202, aflitos com o número de mortos aumentando devido à covid-19 e diversos lugares fechando, vendo quase incrédulos e pela primeira vez uma cidade como São Paulo, pela primeira vez, ‘dormir’, como uma metrópole mórbida. Já a música Jonhhy e Joana mostra um lado mais descontraído do disco. A letra traz uma compilação de fatos ocorridos nos relacionamentos de cada integrante da banda e suas perspectivas mulheres. A ideia era mostrar que independente das diferenças e desavenças que qualquer relacionamento tem, Jonhhy não vive sem Joana e vice versa. A voz de Joana ficou por conta de Judyxxx, vocalista e guitarrista da banda Judy and the Outsiders. Destaque também para a faixa Velha seleção, uma mistura de nostalgia e crítica a seleção brasileira, ao lado de Não se rompe, além da regravação de Jura Eterna, são as canções futebolísticas do disco. O álbum também conta com a composição de Christian Targa, vulgo Gordo, das bandas O Preço, Surf Aliens e ex-Blind Pigs, na música Singelos votos, além de Alberto Rinaldi na faixa Cidade Mórbida. O disco foi gravado entre fevereiro de 2020 até maio de 2021 em Campo Limpo Paulista, produzido pelo Windi Ribeiro em parceria com a própria banda. Além de estar no streaming pela Repetente Records, Cidade Mórbida ganhará uma versão LP (vinil) pelos selos Neves Records e Detona Records.

Renê Freire faz mergulho emocional profundo no álbum Átrio

Entre composições e improvisações, Átrio se desdobra em oito faixas onde o pianista Renê Freire explora o fazer musical do ponto de vista criativo. Mais que um estudo que se tornou sua dissertação de mestrado em Composição na Universidade Federal da Paraíba, o disco é um registro cru e orgânico do piano solo enquanto meio de criação e expressão total de seu criador. O lançamento conjunto é dos selos experimentais Brava (SP) e MenasNota (BA). Três interlúdios preenchem o trabalho de improvisos espirituosos, permeados por composições escritas entre 2016 e 2021, onde Renê Freire busca novos caminhos ao piano. O próprio músico assina a produção musical ao lado do orientador Valério Fiel da Costa, com efeitos eletrônicos de Luã Brito. A mixagem e masterização ficaram por conta de Emygdio Costa (Cadu Tenório, Letrux), completando assim o trajeto de Átrio, desde o Pernambuco natal de Renê, passando por São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Paraíba. O título do disco vem cheio de significado. Além do sentido ligado à arquitetura – fazendo referência às entradas e salas principais de construções desde a antiguidade -, é no teor anatômico que a palavra ganha mais força. O átrio é, também, a primeira câmara de cada lado do coração, por onde passa o sangue. O título entrega a busca por significados que Freire realiza ao longo do disco, principalmente no que diz respeito ao fazer música como compositor. “A ideia do nome Átrio surgiu a partir de uma conversa informal com um amigo sobre os processos criativos em uma composição musical. Segundo a concepção deste amigo, o processo criativo em uma composição é fruto de um trabalho racional, quase puramente científico. Na conversa, eu discordei de tal assertiva, expondo que, na minha concepção, o ato criativo na composição musical teria uma ação muito mais emocional que racional. Devido a tais questionamentos gerados por esta discussão é que tive a ideia de intitular uma peça para piano, que eu estava compondo na época, que pudesse fazer alusão à inquietação gerada pela discussão. A palavra escolhida foi Átrio, que além da peça, que também está contida no álbum, se tornou o título do disco”, resume Renê. Embora seja instrumental, o álbum traz, também, uma temática inerente a cada composição. Elas têm uma relação direta com questões de saúde mental presentes na vida do seu autor – depressão e síndrome do pânico -, traduzindo os sentimentos e sensações causados por elas. “Partindo desta minha compreensão em relação aos processos criativos, o uso do termo Átrio passou a ter um significado de ‘a sala principal’, ‘a entrada’ para as minhas emoções mais profundas, assim como as câmaras do coração, órgão este que popularmente é relacionado com as emoções e os sentimentos”, completa.

Dramón alça novos voos com segundo disco, “C É U S”

Da escuridão à claridade, passando por uma vasta gama de tons, sons e cores, o álbum C É U S é o novo trabalho do músico fluminense Renan Vasconcelos em seu projeto solo, Dramón. Depois de chamar atenção no cenário nacional e da América do Sul, o artista abre caminhos ao norte com o selo americano Mystery Circles. O disco transita pelo ambient e experimentalismo eletrônico para criar narrativas onde as sensações guiam o caminho. O trabalho abre com o poema em spoken word Um Céu Negro e Suas Promessas, com participação de Andréia Barana, seguida pelo single Ouro Cinza da Terra. Convalescente, Ao Meio e Deserto Lá Fora formam o segundo ato, onde um tom quase onírico borra as linhas do que é são ou não; do que é real ou imaginário. A distopia começa a de dissipar nas faixas finais, Comunhão dos Santos e O Tempo Abaixo dos Céus, onde Dramón retorna ao chão para lidar com o clima sombrio dos dias atuais. A associação com as cores não é por acaso – elas permeiam todo o disco, com uma função sinestésica. Provocam sensações, criam imagens a partir do título de uma faixa, de escolhas estéticas e sonoras. O álbum fecha um ciclo criativo iniciado pelo artista como um desafio pessoal em 2020 de criar uma música por semana. “Nada (ou quase nada) é tão especial como o céu e tudo o que vemos nele. A possibilidade de observá-lo daqui de baixo e interpretar seus humores faz dele um dos principais guardiões dos mistérios desse mundo. No plural, transforma-se em um lugar sagrado para onde confidenciamos nossos medos, desejos e buscamos respostas. Este novo disco é uma ode aos céus. Fiel depositário de nossas esperanças que, em troca, nos oferece sanidade frente às angústias da vida. O Reino dos Céus, morada da eternidade”, resume. Dramón surgiu da vontade de contrapor à ansiedade das grandes metrópoles – um reflexo da vivência de Vasconcelos pelo cenário musical do Rio de Janeiro, ele mesmo natural da serra fluminense. Porém, após se refugiar no balneário de Búzios, Renan trocou a região dos lagos por São Paulo, onde reside há quatro anos. Essa mudança atravessa a identidade sonora de Dramón, um projeto guiado por sensações, vibrações e climas. Depois de revelar suas primeiras criações ainda em 2019, Dramón vem lançando novidades, entre elas o single oscilar (2020) e quatro EPs: Afã (2020), Bétula//Membrana (2021), pra hoje (2021) e Performar Selvagem (2022). Além disso, ele lançou o disco completo Àspero em 2021. Agora, C É U S marca um novo capítulo dessa trajetória. Depois dos primeiros singles, o panorama sonoro do novo trabalho está completo, com o álbum já disponível nas principais plataformas de música.

Faca Preta lança o álbum Resistir pelo selo Repetente Records; ouça!

Resistir, o primeiro full álbum da banda paulistana de punk rock Faca Preta, com 13 faixas, é mais um lançamento do selo Repetente Records, criado e conduzido por Badauí, Phil Fargnoli e Ali Zaher Jr do CPM 22. A distribuição digital é por meio da Ditto Music. A produção musical, mixagem e masterização do disco ficou por conta de Átila Ardanuy, com participação de Marcelo Sabino (baterista do Faca Preta, também do Chuva Negra e do Anônimos Anônimos), enquanto a gravação dos vocais principais foi assinado por Thiago Hospede. As 13 músicas são assinadas pelos músicos do Faca Preta e três delas conta com participações especiais: Fernando Badauí (CPM 22) canta em Coragem, Fernando Lamb (Não há mais volta) coloca sua voz em Velha Escola, Ricardo Scaff toca gaita em Cães de Rua. Além dos convidados, o produtor Átila Ardanuy toca todos os pianos e efeitos sonoros em Resistir. Como revela Sabino, a composição de Resistir começou em 2017, exatamente no período em que foi oficializado o baterista do Faca Preta. Na época, fizeram a abertura de um show da lendária banda street punk britânica Cockney Rejects, em São Paulo. “A primeira música foi Dias Melhores, o primeiro single que saiu pela Repetente Records. Logo começamos a trabalhar em bases que eles já tinham e a partir de novas ideias que foram surgindo”, lembra o baterista. O resultado é um álbum de street punk rock com sonoridade direta e com punch. É punk para cantar junto, se divertir, refletir e resistir; é música libertária contra a repressão policial e combativa a tudo que desalinha e separa uma sociedade. Neste registro, a Faca Preta ainda saiu da zona de conforto e experimentou com instrumentos inusitados ao estilo, como violão, moog e hammond. Neste mês de agosto, além do lançamento de Resistir, o Faca Preta fará o show de lançamento do disco no Hangar 110, dia 20, ao lado das bandas Red Lights Gang e Os Excluídos. “Estamos preparando um show com um mix entre as músicas antigas e as desse novo disco. Será demais retornar aos palcos após tanto tempo parado por conta da pandemia”, finaliza a banda.

Hollywood Undead lança seu oitavo álbum de estúdio, “Hotel Kalifornia”

A Hollywood Undead lança seu oitavo álbum de estúdio. Hotel Kalifornia é um pesado e reflexivo trabalho sobre as desigualdades sociais no estado natal da banda, a Califórnia. “Estávamos em um mundo de merda”, reflete Johnny 3 Tears. “As oportunidades para o fracasso eram muito maiores que as de sucesso, com traficantes e gangues. Fizemos algo especial juntos por causa de todas as dores que vieram de todas as nossas experiências”. “Hotel Kalifornia me traz de volta a uma época em que tudo o que importava era a música”, completa J-Dog. Fazendo uma mescla de rap, hard rock e alternativo, a banda é formada também pelos MCs Charlie Scene, Funny Man e Danny. Iniciada em 2005, a Hollywood Undead já é um dos nomes mais consolidados de sua cena. Seu álbum de estreia, Swan Songs (2008), chegou ao disco de platina.

Valentin convida a olhar ao redor no álbum “A Cidade”

Um cancioneiro urbano, cru, atual e cotidiano guia A Cidade, quarto álbum de Valentin, projeto solo do músico Érico Junqueira. O novo trabalho amadurece a estética sonora construída até aqui, calcada na canção, para dialogar com os dilemas de um país dividido e dilacerado, mas que segue existindo e pulsando a cada esquina, embaixo dos viadutos, sobre os morros. O músico propõe novos trajetos para observar o cotidiano, as ruas e as pessoas, como um caminho de volta para si mesmo. O álbum é um lançamento do coletivo de criação musical OCorreLab, já disponível nas principais plataformas de música. A estética musical foi pensada a partir da voz e violão, que é a alma do projeto Valentin. Porém, A Cidade é povoada por muitos outros instrumentos, tons e sons, com uma formação clássica de rock Os convidados vêm para agregar suas vozes a esse ambiente urbano e refletem as fronteiras geográficas diluídas desse projeto. O mineiro Jair Naves surge na já revelada Lobo, enquanto a também gaúcha Amanda Gabana canta no single Agora eu preciso pagar contas e Ingrid Wimmer, de Brasília, participa de Os dias vão bastar. A coletividade da banda foi indispensável para enriquecer melodias e harmonias. As primeiras influências de Érico, no hardcore, se mesclam à MPB na forma de riffs que repetem e pulsam. A bateria de Nicolly Demeneghe, instrumentista de bandas como Suerte e Polara, na maioria das faixas vem com peso e volume, mesmo em ritmos como chamamé ou maracatu. Leonardo Braga, que também assina a produção (junto de Érico Junqueira) e a mixagem, tocou guitarra, baixo, sintetizadores e piano. Formou-se assim uma sonoridade encorpada, onde o violão e voz de Valentin ganham protagonismo. O título do álbum veio da observação de processos como gentrificação, especulação imobiliária, meritocracia, o racismo, a misoginia, a competição e o fascismo, mazelas nunca resolvidas da nossa colonização que se atravessam, se misturam, se reproduzem. “A Cidade inicialmente não foi pensado como um conceito fechado. As músicas que fazem parte desse disco foram escritas num amplo período de tempo que se estende de 2013 até 2019 e refletem alguns momentos vivenciados coletivamente no país mas que reverberam individualmente, intimamente até. Como em qualquer momento de turbulência que revolve o lodo do fundo e joga ele de volta pra superfície, esse período trouxe à tona uma série de questões sociais e políticas com as quais nunca tínhamos sido confrontados, questões que na verdade foram invisibilizadas ou ignoradas ao longo de vários séculos”, resume Érico. Em paralelo a isso, o projeto Valentin começou a ganhar a estrada. O músico passou a viajar com mais frequência, apostando em apresentações na rua, em praças e parques, encorajado por Teco Martins (vocalista da banda Rancore) – artista que fez mais de mil shows dessa forma, do Oiapoque ao Chuí. A circulação por cidades de diferentes regiões do país influenciou diretamente nos assuntos abordados nas canções. A temática do disco é um passeio por toda essa experiência que, apesar de esbarrar na antropologia, não é exatamente um relato etnográfico ou sociológico. “A Cidade” é, na realidade, um produto da percepção, interação e da relação de questões externas – como o ambiente e com outras pessoas – e internas, conflitando com paradigmas existenciais, com certeza estabelecida, com o senso comum internalizado. “Experimentar outras dinâmicas de comportamento e realidade, outros fluxos de atividades, o ar de outras capitais, o ar de cidades do interior, mas principalmente o contato com as pessoas desses lugares, as suas vivências e particularidades. O contraste das suas impressões com as minhas sobre o que acontecia no país tornava evidentes algumas coisas das quais eu somente desconfiava, ou colocava em questão contradições profundas que estavam confortavelmente adormecidas dentro de mim embaixo de um cobertor quentinho”, recorda o músico.