Lemmy passa mal e Motörhead cancela show; Jam com Sepultura tapa buraco
Arctic Monkeys consagra era ‘AM’ na Arena Anhembi
Mesmo sem Slash e Duff, Guns n’ Roses melhora imagem no Brasil
Kiss leva 25 mil pessoas ao delírio em São Paulo
Keane conquista novo público em SP
Red Hot Chili Peppers espanta a chuva e a saudade de Frusciante com groove e hits no Anhembi

Havia duas grandes novidades no show do Red Hot Chili Peppers no Anhembi, em São Paulo: Josh Klinghoffer, o jovem guitarrista com a missão ingrata de substituir John Frusciante, e Mauro Refosco, o percussionista brasileiro que deu um molho extra ao show. Quando a banda entrou com Monarchy of Roses, os olhares estavam todos em Josh. Tímido, curvado sobre a guitarra e vestindo roupas largas, ele não tinha a presença mística de Frusciante, mas entregou as notas com precisão e texturas interessantes. Ele passou no teste, mas quem carregou o piano (ou o baixo) foi Flea. Flea rouba a cena Flea estava possuído. Plantou bananeira, fez discursos de amor ao Brasil (“Eu rolaria pelado num campo de cactos por vocês!”) e segurou o groove com uma energia infinita. Anthony Kiedis, ostentando um visual diferente (boné de caminhoneiro do OFF!, franja estilo “emo” e uma camiseta escrita “Red Hot Peru”, gafe geográfica ou piada interna?), estava vocalmente seguro. O setlist foi uma metralhadora de hits. Can’t Stop, Scar Tissue e Otherside transformaram o Anhembi em um karaokê gigante. A chuva, que ia e voltava, não diminuiu a empolgação de clássicos como Californication. Momentos raros Um dos destaques da noite foi a improvisação. Atendendo a um cartaz de fã, Flea tocou Pea (aquela faixa solo de baixo e voz cheia de palavrões), um momento raro e divertido. A presença de Mauro Refosco na percussão brilhou em faixas como Did I Let You Know e nas jams estendidas, trazendo uma brasilidade orgânica ao funk-rock da banda. O show fechou com a trinca Dance, Dance, Dance (do disco novo), a belíssima Don’t Forget Me (ponto alto de Josh, enchendo o som de delays) e a explosão final de Give It Away. Edit this setlist | More Red Hot Chili Peppers setlists
Foals ignora a chuva e a indiferença do público com show matemático e escalada de palco no Anhembi
Abrir para o Red Hot Chili Peppers exige coragem. O público, ansioso pelos hits de rádio, costuma ser impiedoso com bandas de som mais complexo. Quando o Foals subiu ao palco do Anhembi sob uma garoa chata, 80% da plateia parecia se perguntar “quem são esses caras?”. Mas os outros 20% (e quem prestou atenção) viram uma das bandas mais interessantes daquela geração dando o sangue. Focados nos álbuns Antidotes e Total Life Forever, os ingleses trouxeram seu “math rock” dançante e quebrado. A abertura com Blue Blood mostrou uma banda tecnicamente impecável, com as guitarras entrelaçadas de Yannis Philippakis e Jimmy Smith cortando o ar úmido de São Paulo. A banda sabia que precisava de mais do que técnica para ganhar o jogo. Em Cassius e Olympic Airways, a energia subiu, com a banda se movendo freneticamente apesar do som complexo. Mas o momento que definiu o show, e que acordou o público, veio no final. Durante a execução catártica de Red Socks Pugie, o vocalista Yannis Philippakis decidiu que o palco era pequeno demais. Ele desceu para a grade, correu entre os seguranças e, num momento de pura energia, escalou a estrutura de iluminação lateral do palco. Ver o vocalista pendurado a metros de altura enquanto a banda destruía os instrumentos lá embaixo foi o cartão de visitas definitivo. O Foals saiu de cena suado e tendo convertido alguns milhares de fãs. Eles provaram que, por trás da complexidade “nerd” do som, existe uma banda de arena pronta para explodir. Foi o aquecimento perfeito, cerebral e físico, para a festa que viria a seguir. Edit this setlist | More Foals setlists
Ozzy Osbourne encharca o Anhembi com espuma e clássicos do Sabbath

Havia uma dúvida no ar, no sábado (2), no Anhembi, em São Paulo: como o público brasileiro, órfão do carisma ogro de Zakk Wylde, receberia o novo guitarrista, o grego Gus G.? A resposta veio logo nos primeiros acordes de Bark at the Moon. Gus G. é um virtuoso, técnico e preciso, e embora não tenha o “peso visual” de Zakk, entregou cada nota com perfeição cirúrgica. Mas a estrela, claro, é Ozzy. Aos 62 anos, o Madman subiu ao palco correndo, pulando seus “polichinelos” e, claro, armado com sua mangueira de espuma e baldes d’água. A turnê Scream trouxe um repertório equilibrado. Faixas novas como Let Me Hear You Scream funcionaram bem, mas o Anhembi queria história. E Ozzy entregou. A trinca do Black Sabbath com Fairies Wear Boots, War Pigs e Iron Man transformou o sambódromo em um templo profano. Ouvir a sirene de War Pigs ecoando no concreto de São Paulo é uma daquelas experiências religiosas do metal. A voz de Ozzy, sempre uma incógnita, estava em uma noite boa. Ele desafinou aqui e ali (como é de lei), mas manteve a potência e, principalmente, o carisma inabalável, regendo a plateia com seus gritos de “I can’t hear you!”. A calmaria veio com Mama, I’m Coming Home, iluminada por milhares de isqueiros e celulares. Foi o respiro necessário antes da tempestade final. Crazy Train colocou o Anhembi abaixo. Gus G. brilhou no solo icônico, provando que o posto estava em boas mãos. Para o bis, a rápida e visceral Paranoid encerrou a noite. Ozzy, encharcado e sorridente, prometeu voltar.
Sepultura ignora posto de ‘banda de abertura’ e massacra o Anhembi com clássicos e a estreia de ‘Kairos’

Não existe banda de abertura melhor para Ozzy Osbourne no Brasil do que o Sepultura. Às 20h30, no Anhembi, em São Paulo, quando as luzes do Anhembi se apagaram, o quarteto não entrou para pedir licença; entrou para dominar. A escolha de abrir com Arise e Refuse/Resist foi uma declaração de guerra: o som estava alto e definido, algo raro para bandas de abertura no Anhembi. Derrick Green, imponente como sempre, comandou o público com seu português cada vez mais afiado. A banda vive a transição da era A-Lex para o vindouro Kairos, e a formação com Jean Dolabella na bateria mostra um entrosamento técnico impressionante. A coragem da banda apareceu ao testar a faixa inédita Kairos. Pesada e cadenciada, a música foi recebida com respeito, mas foi nos clássicos que a “roda” se abriu na pista. Choke e Territory mantiveram a energia no topo, com Andreas Kisser desfilando riffs que são o abecedário do metal para muitos ali presentes. O momento tribal, marca registrada da fase Derrick, veio com a jam de percussão, preparando o terreno para o final apoteótico. Roots Bloody Roots fez 30 mil pessoas pularem simultaneamente, criando aquela visão assustadora e bela de um mar de gente em transe. Edit this setlist | More Sepultura setlists