Crítica | Convenção das Bruxas (2020)

Nostálgicos da Sessão da Tarde e apaixonados por Anjelica Houston, mantenham-se distantes do remake Convenção das Bruxas, que chega aos cinemas hoje. O filme não é ruim, mas certamente vai gerar comparações e críticas negativas dos mais velhos. Mas vou direto aos motivos pelos quais considerei positiva essa atualização do filme de 1990. O primeiro passo foi trocar os protagonistas por atores negros e colocar a questão racial em discussão. Isso não precisa nem de explicação, ainda mais nos tempos sombrios que vivemos. Jasen Fisher e Mai Zetterling foram substituídos por Jahzir Bruno (da série Atlanta) e Octavia Spencer (Histórias Cruzadas), assumindo os papéis do menino órfão e da avó. A dupla atua muito bem e traz um algo a mais para esse remake. Substituta de Anjelica Houston, Anne Hathaway (Os Miseráveis) é quem interpreta a Grande Rainha Bruxa. No entanto, diferentemente do original, Anne optou por uma pegada mais divertida, caricata, longe de qualquer comparação. Ademais, outro ponto que vale ser ressaltado é que o filme inspirado na obra de Roald Dahl é voltado para o público infanto-juvenil. Por conta disso, muita coisa realmente não vai ser tão divertida para os mais velhos, como foi nos anos 1990. Os tempos mudaram, a geração CGI (imagens geradas por computador) agradece a atualização feita pelos realizadores. Em suma, quando se lê realizadores, inclua na lista Robert Zemeckis (Forrest Gump e trilogia De Volta Para o Futuro) na direção; Guillermo del Toro (A Forma da Água) no roteiro; e Alfonso Cuarón (Roma) na produção. Quer mais? Sobre a Convenção das Bruxas Em resumo, Convenção das Bruxas conta a história de um jovem órfão (Bruno) que, no final de 1967, vai morar com sua adorável avó (Spencer) na cidade rural de Demopolis, no Alabama. Quando a dupla encontra algumas bruxas ilusoriamente glamorosas, mas completamente diabólicas, a avó sabiamente leva nosso jovem herói para um exuberante resort à beira-mar. Lamentavelmente, eles chegam ao local exatamente ao mesmo tempo em que a Grande Rainha Bruxa (Hathaway) reúne suas colegas de todo o planeta – disfarçadas – para realizar seus planos nefastos, como transformar as crianças em ratos e galinhas. Convenção das Bruxas. Aventura e Fantasia. EUA. Duração: 1h45m. Direção de Robert Zemeckis. Com Anne Hathaway, Octavia Spencer, Stanley Tucci, Kristin Chenoweth, Chris Rock, Jahzir Kadeem Bruno e Codie-Lei Eastick.

Crítica | Sin After Death – Dirty Grave

O nome da banda já da pistas, mas é ao colocar para rodar Sin After Death, segundo álbum do Dirty Grave, de Orlândia (SP), que o ouvinte se depara com um doom metal sombrio e pesado, com influências óbvias de Black Sabbath, Saint Vitus, Pentagram e Cathedral. O power trio Mark Rainbow (baixo, voz), Pedro Barros (guitarra) e Henrique Lima (bateria) realmente sabiam muito bem o que queriam quando entraram em estúdio, e os resultados são excelentes. Vale lembrar que esse é o segundo álbum do Dirty Grave, sucessor de Evil Desire, de 2017. O som do trio é denso, fúnebre, como todo doom metal deve ser. A voz hipnótica de Rainbow é responsável pelo clima doom em faixas como Slaughter (Human Race is Dead), arriscando inclusive falsetes à King Diamond. Os riffs e solos de guitarra são puro Iommi, ou seja, sem malabarismos inúteis, apenas melodias obscuras que envolvem a música do trio em uma neblina de sujeira. Os destaques do álbum vão para as duas últimas músicas, Slow Journey e When Lucifer Touches Your Soul, a primeira por seu andamento à Saint Vitus e a segunda por pelos seus mais de nove dolorosos minutos de pura viagem doom metal. Confira! Sin After DeathAno de Lançamento: 2019Gênero: Doom Metal Faixas:1-In This Night2-Slaughter (Human Race is Dead)3-Turn Off All My Fears4-Lord of Pain5-Satan´S Wings6-Disposable Toys7-Slow Journey8-When Lucifer Touches Your Soul

Crítica | Cycle of Disaster – Válvera

Formado em 2010 em Votuporanga (SP), o quarteto Válvera chega ao seu terceiro álbum, Cycle of Disaster, uma avalanche potente de heavy/thrash metal que destrói tudo pela frente. O time consiste em Glauber Barreto (voz, guitarra), Rodrigo Torres (guitarra), Jesiel Lagoin (baixo) e Leandro Peixoto (bateria). A exemplos dos dois álbuns anteriores, logo de cara o que chama a atenção é a qualidade da produção, especialmente da guitarra, muito bem timbrada, grave e pesada. Os vocais agressivos de Barreto nos trazem à mente nomes como Phil Anselmo, ou seja, são encarregados de trazer peso ao material. Falando em peso, é isso que iremos encontrar em Cycle of Disaster. Muito peso. Faixas como Nothing Left to Burn, Glow of Death e a canção-título explodem numa violência tão forte que beira o death metal. Não é exagero! Também vale citar o baterista Leandro Peixoto, dono de uma pegada precisa e brutal, especialmente nos bumbos. Pantera, Metallica e Testament estão entre as influências do quarteto. Outros momentos dignos de nota em Cycle of Disaster chegam com O.S. 1977 (pesadíssima), Born on a Dead Planet (que ganhou vídeo) e Bringer of Evil, que encerra o álbum no melhor estilo thrash anos 1980, inclusive com possantes backing vocals. Confira! Cycle of DisasterAno de Lançamento: 2020Gravadora: Brutal RecordsGênero: Heavy/Thrash Metal Faixas:1-Nothing Left to Burn2-Cycle of Disaster3-Glow of Death4-The Damn Colony5-All Systems Fall6-Born on a Dead Planet7-O.S. 19778-Fight For Your Life9-Bringer of Evil

Crítica | O Halloween de Hubie, filme novo de Adam Sandler

Desde que fundou a produtora Happy Madison, em 1999, Adam Sandler tem se dedicado a filmes que funcionam apenas com um público: os seus fãs apaixonados. Nesses 20 anos, poucos longas conseguiram ter um alcance maior: Click, Reine Sobre Mim, Tá Rindo do Quê?, Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe e Jóias Brutas. Com Jóias Brutas, inclusive, muita gente cogitou uma indicação ao Oscar para Adam Sandler, que venceu vários prêmios pelo mundo com esse longa. Dos filmes citados acima, Click é o único da Happy Madison, responsável por quase todos os filmes do ator. Reine Sobre Mim e Tá Rindo do Quê? foram gravados pela divisão dramática da produtora, enquanto os demais são de outras equipes. E, principalmente, sem Sandler na produção. Na última semana, o ator de origem judaica estreou mais um filme com fórmula repetida na Netflix: O Halloween de Hubie. Pode funcionar com os fãs, que inclusive já devem ter assistido. Mas para por aí. Seguindo um formato muito utilizado em seus filmes, Sandler é a grande estrela, reúne seus melhores amigos no elenco e deixa uma lição moral no fim da trama. O que muda aqui é a temática, totalmente voltada para o Halloween, que é muito bem festejado na América do Norte, com casas completamente decoradas, tal como é mostrado na produção. A trama do filme novo de Adam Sandler Em O Halloween de Hubie, embora ninguém se importe, Hubie Dubois (Adam Sandler) sempre passa o Dia das Bruxas tentando garantir que os moradores de sua cidade festejem de forma segura e de acordo com as regras. Este ano, no entanto, um fugitivo (Rob Schneider) e um novo vizinho misterioso (Steve Buscemi) vão realmente tirar seu sono. Quando pessoas começam a desaparecer, Hubie precisa convencer os policiais (Kevin James e Kenan Thompson) e a comunidade de Salem que monstros existem, e só ele poderá detê-los. Entretanto, por sempre fazer denúncias infundadas, Hubie não é levado a sério por quase ninguém, sendo alvo de bullying da comunidade o tempo todo. As únicas pessoas que dão valor a Hubie são sua paixão secreta de longa data, Violet Valentine (Julie Bowen), uma divorciada bonita e de bom coração que gosta de adotar órfãos; seu novo vizinho, Walter Lambert (Steve Buscemi), que dá todas as indicações de que ele pode ser um lobisomem; e sua mãe (June Squibb), que continua tendo que lembrar Hubie de lutar contra os valentões que seguem a atormentá-lo. O elenco de O Halloween de Hubie é grandioso. Além dos já citados, inclui Ray Liotta (Sr. Landolfa), Ben Stiller (Hal L.), Maya Rudolph (Mary Herlihy) e Noah Schnapp (Tommy Valentine). Nada, porém, fortalece o filme. Segue sendo uma produção de Adam Sandler para os seus fãs mais fiéis. E, mesmo assim, já começa a esgotar a fórmula repetida.

Crítica | Emily em Paris é leve e gostosa de assistir

Bonjour! Emily em Paris acabou de estrear na Netflix, está em primeiro lugar no ranking da plataforma e já ganhou os corações de todos em menos de uma semana – inclusive os dos apaixonados pela capital francesa. A série é leve e gostosa de se assistir. Dá para maratonar rapidinho e até vê-la duas vezes. Eu mesma fiz isso. São dez episódios de quase 30 minutos cada. Emily Cooper é tão empolgada com toda Paris a seus pés que essa energia é sentida também por quem assiste. A personagem que esbanja simpatia é protagonizada pela atriz Lily Collins, de 31 anos, filha do músico Phil Collins. A viagem começa quando Emily sai de Chicago e vai a Paris substituir por um ano sua chefe que está grávida, em uma agência de marketing que só trabalha com marcas de luxo, a Savoir. Quando Emily chega, não só fica encantada pela beleza, mas um pouco perdida também com traduções, costumes e geografia. Enfrenta a insegurança de estar em um lugar novo, onde não fala o idioma local, e coloca em risco seu relacionamento atual, que ficou em Chicago. Já instalada, ela abre a janela do quarto e se depara com uma vista tipicamente parisiense. Diz que se sente como a Nicole Kidman em Moulin Rouge e, automaticamente, muda sua conta do Instagram para @emilyinparis. Começa a registrar selfies e as aventuras que serão vividas na cidade romântica. Em poucos dias, a estrategista em mídias sociais percebe que o número de seus seguidores aumenta e se torna uma digital influencer e uma “quase” especialista em tudo em Paris. Graças à paixão que ela coloca em tudo o que faz. Emily em Paris tem muito turismo na Cidade Luz A série mostra pontos turísticos da capital francesa, como a Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Jardim de Luxemburgo, Rio Sena, Ponte Alexandre III, Ópera Garnier, La Maison Rose, Sacre Coeur, Moulin Rouge… Se pudesse, eu listaria todos. Mas a sedução das locações em cada ruazinha, paisagem, cafés, restaurantes e as boulangeries (padarias) é indescritível. Emily já começa experimentando o pain au chocolat (croissant de chocolate) e ele vira o queridinho do seu café da manhã. Eu queria morar nessa série, quem não? No primeiro dia de trabalho, a norte-americana tem que lidar com a resistência dos seus colegas, que a evitam a qualquer custo. Mas essa atitude a leva a almoçar sozinha nos jardins do Palais Royal e, lá, conhecer Mindy Chen (Ashley Park), uma babá asiática. Logo, elas se tornam melhores amigas. E uma Paris sem romance não é Paris. Tô tentando não dar spoilers, mas Emily viverá (muitos) romances e aventuras ao longo dos episódios. Já posso adiantar que ela esbarra com o vizinho gato do andar de baixo, o Gabriel (Lucas Bravo), que é chef de cozinha do restaurante da rua onde moram. Sem saber, Emily também fica amiga da namorada dele e aí a confusão se estabelece. No decorrer da trama, esses e outros dilemas serão bem explorados e a série passa a mexer com seu coração, não só com o da Emily. Série escrita por criador de Sex and the City A série foi criada e escrita pelo Darren Star, de Sex and the City. Por isso há similaridades, principalmente entre as protagonistas Emily Cooper e Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker). As duas amam moda, além de vestirem looks incríveis e trabalharem com Comunicação. Carrie era colunista no The New York Star. Mas para dar um ar mais realista e parisiense, Darren morou na cidade com o objetivo de trazer mais veracidade ao roteiro. Vivenciou todos os detalhes descritos na trama. Outra referência é a relação ou a falta dela com a nova chefe da agência de marketing, Sylvie (Philippine Leroy-Beaulieu). Emily precisa ganhar a confiança e a aceitação dela. Sylvie se convence que Emily é inimiga do luxo, sem beleza e refinamento. E isso me fez lembrar do filme O Diabo Veste Prada, com a maravilhosa Meryl Streep, uma poderosa editora de revista de moda e sua relação com Andy (Anne Hathaway), que vai para Nova York e consegue ser co-assistente de Meryl, a chefe má: Miranda Priestly. Mesmo sendo totalmente clichê, a série é divertida e bem produzida, além de trazer muitas referências em artes, música, lugares e comida. Tem que assistir para degustar cada episódio. A primeira temporada termina como os típicos finais franceses: com drama e sem fugir da vida real. A segunda temporada ainda não foi confirmada, mas Darren já deu indícios de que haverá continuação. “Emily vai ter os pés no chão um pouco mais. Ela está fazendo uma vida lá” e Lily também já declarou que “adoraria que o seriado fosse renovado e Emily viajasse pela Europa”. Vamos aguardar! Au revoir!

Crítica | Ratched: Todos podem se tornar monstros

Ratched é uma série de produção original da Netflix, criada por Ryan Murph, diretor de séries de sucesso, como American Horror Story, Pose e Hollywood. Conhecido por seu estilo sombrio e fantasioso, Murph colocou mais uma vez esse olhar ao recriar a personagem do filme Um Estranho no Ninho. Ratched e seu enredo Após iniciar como enfermeira no hospital psiquiátrico Lucia State, Mildred Ratched se demonstra uma personagem fria, sendo minimalista antes de agir, manipular e enganar. De inicio não é expressado o motivo pelo qual a enfermeira se dedica tanto ao hospital, mas outrora começamos a entender seu objetivo. Adiante, é liberado espaço para outros personagens, como o diretor do hospital, Dr. Richard Hanover (Jon Jon Briones), que esconde muitos segredos por trás de sua medicina “inovadora”; Lenore Osgood (Sharon Stone), uma mãe desesperada por vingança (mesmo que seu papel se torne irrelevante), e Charlotte Wells (Sophie Okonedo), uma paciente que sofre de transtorno dissociativo de identidade (TDI). Charlotte não tem memória sobre o que Ondine Duquette (uma famosa musicista), Apollo (um boxeador), um bebe, e até mesmo o próprio Dr. Hanover, fazem quando habitam o seu corpo. Diga-se de passagem, é uma das melhores atuações. Traumas do passado que refletem no presente No decorrer dos oito episódios da série, é possível notar uma mudança de comportamento de Mildred, anteriormente apresentada como uma personagem dominadora, passa a se tornar “humana” com a chegada de Gwendolyn Briggs (Cynthia Nixon), onde surge uma incrível combinação, mesmo com personalidades distintas (ainda que muitas cenas tenham ficados confusas). Com relação a Edmund Tolleson (Finn Wittrock), antagonista de Ratched, é mostrado o que o levou a assassinar tantas pessoas, até então sem motivos. Mesmo após a explicação sobre seu comportamento, o personagem acaba perdendo o foco, o que dificulta saber qual seu propósito dentro da série. Um personagem que teria tanto a apresentar, se perdeu no emaranhado de histórias. Notas sobre Ratched De fato, se você espera assistir a série se baseando na Mildred de Um Estranho no Ninho, você não irá gostar. Mas de fato a série retrata temas interessantes a questão da saúde mental. É uma série muito fácil de assistir, já que tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. O suspense não é exagerado, o que faz com que mantenhamos o interesse. Outro ponto chave da série é sua fotografia. Cenários deslumbrantes, combinando com a fantasia e a realidade da série; uma paleta de cores incrível, que abusa de tons de verde; figurinos excepcionais, que entra em harmonia com a época e remete a sofisticação de Mildred. Em suma é uma série muito atraente visualmente, com um roteiro e história atrativa. Mesmo que não tenha aproveitado 100% seus personagens, faz com que tenhamos diversas perspectivas sobre os pacientes.