Tove Lo desafia pé quebrado e entrega aula de pop sensual e carisma

Uma estrela pop comum talvez cancelasse o show. Tove Lo, não. Com o pé quebrado e usando uma bota ortopédica, a sueca trouxe a turnê de Sunshine Kitty para o Popload e deu uma lição de profissionalismo. Grande parte do show foi feita sentada em uma cadeira (que mais parecia um trono), mas isso não diminuiu em nada a voltagem sexual de sua performance. Hits como Disco Tits e Talking Body funcionaram perfeitamente com a acústica do festival. Tove Lo compensou a falta de mobilidade com interação, olhares e vocais afiados. O público comprou a briga, cantando cada verso de Cool Girl e Glad He’s Gone. O momento mais catártico veio no final, com Habits (Stay High). Ver milhares de pessoas cantando sobre “comer o jantar na banheira” enquanto a cantora, visivelmente emocionada e limitada fisicamente, entregava tudo de si, foi um dos momentos mais humanos e bonitos do evento.
Lovefoxxx lidera retorno triunfal do CSS e transforma Popload em festa da saudade indie

Havia uma dúvida no ar: o “indie dance” do Cansei de Ser Sexy (CSS) envelheceu bem ou soaria datado em 2019? A resposta veio em forma de uma festa caótica e deliciosa. Celebrando 15 anos de estrada (e após um longo hiato dos palcos brasileiros), a banda fez o show mais divertido do festival. Lovefoxxx, vestindo um figurino que misturava tules e cores vibrantes, não parou um segundo. A abertura com Art Bitch e Alala foi um soco de nostalgia que fez o público de trinta e poucos anos voltar à adolescência. Mesmo com alguns problemas técnicos e a ausência da formação original completa, a energia de faixas como Let’s Make Love and Listen to Death From Above compensou tudo. O show foi uma celebração da liberdade e do deboche que marcaram a cena indie dos anos 2000. Ao final, com Music Is My Hot Hot Sex e Lovefoxxx se jogando na galera (literalmente), o CSS provou que, mesmo que o “hype” tenha passado, a capacidade de fazer um festival inteiro pular continua intacta.
Khruangbin hipnotiza o Popload com funk tailandês e prova que música instrumental também ferve festival

Coube ao trio texano Khruangbin a tarefa de tocar sob o sol impiedoso da tarde no Memorial da América Latina. Para muitos, era apenas “aquela banda de nome difícil”, para os iniciados, a atração mais aguardada do dia. E eles entregaram exatamente o que se esperava: uma viagem psicodélica e elegante. Mark Speer (guitarra) e Laura Lee (baixo), com seus visuais de perucas cleópatra e roupas espaciais, transformaram o concreto quente do Memorial em uma praia da Tailândia dos anos 70. O setlist, focado em Con Todo El Mundo e The Universe Smiles Upon You, trouxe pérolas como Dern Kala e August 10. Não houve necessidade de vocalista carismático correndo pelo palco, o groove lento e preciso foi suficiente para fazer a massa dançar. O clímax, claro, foi a execução de Maria También. A faixa, que conta com um vídeo clipe homenageando mulheres iranianas, ganhou enxertos de Misirlou (tema de Pulp Fiction) e Apache, fechando o set do Khruangbin com uma energia de surf rock que conquistou até quem estava lá guardando lugar para o Raconteurs.
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