Porão do Rock 2026 inicia maratona nacional para revelar novos talentos

O Porão do Rock, patrimônio cultural de Brasília e um dos festivais de rock mais longevos do país, decidiu quebrar os muros do Distrito Federal em 2026. Entre abril e maio, o festival percorrerá dez cidades em todas as regiões do Brasil com suas Seletivas Presenciais, buscando os nomes que integrarão o line-up oficial da edição deste ano, marcada para os dias 22 e 23 de maio, na capital federal. As etapas não são apenas competições, mas minifestivais que unem o fôlego das bandas novas ao peso de “padrinhos” do rock nacional. Nomes como Dead Fish, Terno Rei, Matanza Ritual e Supla (com Dani Buarque) farão os shows de encerramento em cada cidade. Formato da disputa Cada banda selecionada terá 15 minutos para mostrar seu trabalho autoral. A decisão de quem avança para o palco principal do Porão em Brasília será híbrida: Ao todo, dez artistas (um de cada seletiva, com Brasília elegendo três representantes) ganharão a chance de tocar no Palco Seletivas da programação oficial. Cronograma de Seletivas – Porão do Rock 2026 Serviço: Etapa São Paulo
Dead Fish celebra show de 20 anos de “Zero e Um” e lança o registro de Queda Livre nas plataformas

O Dead Fish segue reafirmando seu peso na cena nacional. Em meio à divulgação de “Labirinto da Memória (Deluxe)”, o grupo também abriu espaço na agenda para revisitar um dos capítulos mais importantes da própria trajetória. O resultado é o audiovisual “Dead Fish – 20 Anos de Zero e Um (Ao Vivo)”, registro de uma apresentação especial realizada na Áudio, em São Paulo. A gravação celebra as duas décadas de “Zero e Um”, disco que se tornou um marco não apenas na discografia da banda, mas também na história do hardcore brasileiro. O show reúne versões ao vivo de músicas que atravessaram gerações, como “A Urgência”, “Queda Livre” e “Você”, reafirmando a força de um repertório que permanece atual. Além de integrar o repertório do audiovisual, “Queda Livre (Ao Vivo)” também foi lançada nas plataformas digitais, ampliando o alcance da celebração e conectando a nova geração de ouvintes ao catálogo clássico da banda. O vídeo da faixa já está disponível no YouTube, abrindo a sequência de registros que serão publicados no canal oficial do grupo, com dois vídeos por dia, de segunda a sexta-feira. A noite registrada em São Paulo contou ainda com a participação especial de Phill Fargnoli, que integrou o Dead Fish até 2013 e depois seguiu para o CPM 22. O guitarrista e vocalista retornou ao palco para celebrar o disco que ajudou a consolidar a identidade do grupo. Para ampliar o alcance da comemoração, o show foi exibido na íntegra ontem, 03 de março, no Canal Bis, levando a celebração dos 20 anos de “Zero e Um” para além das casas de espetáculo. Entre turnês lotadas, presenças em festivais e relançamentos comemorativos, o Dead Fish mostra que seu passado segue pulsando com a mesma urgência que moldou sua história.
Levant Fest transforma quatro capitais do Nordeste em rota do hardcore brasileiro

O Levant Fest chega ao Nordeste em março como um festival itinerante que propõe mais do que uma sequência de shows. A turnê passa por Fortaleza, Natal, João Pessoa e Recife, reunindo Dead Fish, Matanza Ritual, Switch Stance e Malvina em um lineup que conecta diferentes gerações e estéticas do rock nacional, reforçando a diversidade sonora dentro do peso. A presença do Dead Fish acontece em um momento simbólico da carreira da banda. Ao mesmo tempo que celebra os 25 anos de Afasia ao vivo, o grupo lançou ontem a versão deluxe do álbum Labirintos da Memória, que chega às plataformas com duas faixas inéditas e gravações ao vivo. Além do Dead Fish, o Levant Fest também destaca a fase atual do Matanza Ritual, que apresenta ao público o álbum A Vingança é Meu Motor, enquanto Switch Stance representa a brutalidade direta do hardcore nacional, com shows intensos que transformam cada apresentação em um choque físico entre palco e público. Completa o lineup a Malvina, que carrega a urgência do hardcore punk, com músicas rápidas, discurso direto e uma postura DIY que mantém viva a essência mais crua do underground brasileiro. Ao escolher o Nordeste como rota, o Levant Fest reafirma a região como protagonista no mapa da música pesada brasileira. A circulação por quatro capitais fortalece a descentralização cultural e amplia o acesso do público a uma experiência pensada de forma coletiva, unindo peso, identidade e renovação artística. Serviço Datas e locaisFortaleza – 19 de marçoEstacionamento da Praça Verde do Dragão do Mar Natal – 20 de marçoRibeira Music João Pessoa – 21 de marçoClube Cabo Branco Recife – 22 de marçoArmazém 14 Ingressos101 Tickets
Dead Fish revela inéditas na versão deluxe de “Labirinto da Memória”

Às vezes, o que fica de fora da tracklist final de um disco é tão urgente quanto o que entra. Quase dois anos após apresentar o álbum Labirinto da Memória (2024), o Dead Fish decidiu abrir os arquivos daquela sessão de gravação. A banda capixaba disponibilizou nas plataformas de streaming a edição deluxe do trabalho, via gravadora Deck. O projeto expandido vai além de uma simples reedição: ele traz duas faixas inéditas, Entre o Fim e o Começo e Orbitando, além de quatro registros captados ao vivo. “Tragicamente atual para 2026” Produzidas por Rafael Ramos e Ricardo Mastria, as canções inéditas mantêm a pegada hardcore melódica que marcou o disco original. Segundo a banda, elas só ficaram de fora em 2024 por questões de fluxo narrativo do álbum. O vocalista Rodrigo Lima comenta que a faixa “Entre o Fim e o Começo” reflete sobre o esgotamento de recursos e a apropriação egoísta do conhecimento: “Entre o Fim e o Começo ficou pronta no fim das gravações e preferimos deixá-la de fora. Eu, pessoalmente, gosto bastante da letra e da música, é uma letra tragicamente atual para 2026”. Já sobre Orbitando, Lima explica que a música “bateu na trave”. “Ficou pronta antes de muitas que entraram. Gosto de tudo nela… mas acabou não encaixando no flow do álbum. É uma música muito forte, que ficou sem lugar”. Registro dos palcos de Labirinto da Memória Para completar o pacote, a edição deluxe inclui a energia da turnê que rodou o Brasil nos últimos dois anos. As faixas escolhidas para as versões ao vivo foram:
Dead Fish faz show de 25 anos do Afasia neste sábado em São Paulo

O Dead Fish sobe ao palco da Audio, em São Paulo, neste sábado, 24 de janeiro, para um show especial que celebra os 25 anos de Afasia, um dos álbuns mais importantes da história do hardcore brasileiro. Anunciada em novembro, a apresentação terá repertório dedicado ao disco lançado em 2001, responsável por consolidar a banda capixaba no cenário nacional com músicas como Tango e Noite. A noite também contará com shows da Budang e da Bullet Bane, representantes da nova geração do punk e do hardcore nacional, que se apresentam antes do Dead Fish. O encontro entre diferentes momentos da cena reforça a influência duradoura de Afasia, disco que segue como referência para bandas que surgiram décadas depois de seu lançamento. Lançado há 25 anos, Afasia marcou uma virada na trajetória do Dead Fish ao ampliar o alcance da banda para além do circuito underground, sem perder o caráter político e direto que sempre definiu sua obra. O álbum se tornou um dos registros mais celebrados do hardcore brasileiro e permanece atual tanto pelas letras quanto pela intensidade das composições. O show na Audio celebra esse legado e reafirma o papel do Dead Fish como um dos nomes centrais do hardcore nacional, reunindo fãs de diferentes gerações em uma data simbólica para a história da banda e do gênero.
Dead Fish: por que o álbum “Afasia” é um viajante do tempo?

Afasia é, sem dúvidas, um marco não apenas na carreira do Dead Fish, mas considero (humildemente) um marco na música brasileira, por ter uma sonoridade singular e temas que me pego pensando até hoje. Mas, antes de falar sobre os sons que irei mencionar, queria destrinchar um pouco dessa fase da banda, da qual tive meu primeiro contato com a banda. Na falecida MTV Brasil havia um programa que passava nas tardes de domingo, antes do Top 20 Brasil. Esse programa era o Toca Aí, no qual algumas pessoas pediam clipes específicos para se passar nessa faixa. Em um desses programas eram feitos especiais com músicos que bancavam os VJs por alguns minutos, e em uma dessas, o convidado foi o saudoso Marginal Alado, Alexandre Magno Abrão, mais conhecido como o Chorão do Charlie Brown Jr. Não achei o programa que Chorão participava, mas, na oportunidade, o cara escolheu Too Much Pressure do Selecter, War Inside My Head do Suicidal Tendencies, Big Pimpin’ de Jay-Z e uma tal banda capixaba chamada Dead Fish, com Proprietários do Terceiro Mundo. O clipe fazia um paralelo de como o capitalismo coloca o trabalhador em uma situação totalmente utilitarista e animais como tendo o significado de sua vida apenas para servir como alimento. E óbvio, eu, aos meus 10 anos de idade, nunca fiz essa reflexão. Mas o que me chamou a atenção foi um tipo de som que eu nunca tinha escutado, com uma voz vinda de uma garganta rasgada cheia de areia gritando palavras de liberdade, das quais eu não conseguia compreender muito bem do que se tratava. Meses depois, eu de bobeira no meu sofá mais uma vez, sintonizado no também saudoso Musikaos de Gastão Moreira, dei de cara com Rodrigo e sua trupe mais uma vez, dessa vez tocando Afasia, Noite e Sonho Médio. O que me gerou estranheza e uma pulga atrás da orelha sobre qual tipo de som o Dead Fish tocava, já que, na minha arrogância e pretensão de pré-adolescente, o tal do hardcore era Bad Religion, NOFX, Pennywise, e não tinha nada a ver com aquilo. Bom, mal sabia o pequeno Willian Portugal que aquelas quebras de tempo propositalmente marcadas pela bateria, o baixo groovado e as guitarras bizarramente distorcidas seriam o que justamente fariam aquela fase do Dead Fish ser uma das suas preferidas. Afasia, um álbum do Dead Fish viajante do tempo Anos mais tarde, logo depois do lançamento de seu sucessor, Zero e Um, fui atrás de adquirir Afasia e percebi o ponto fora da curva que essa obra foi do restante do que a banda produziu tanto antes quanto depois. Mas só recentemente fui perceber como o disco azul é um viajante do tempo, e não apenas por como soa, mas sim pelas letras compostas por Rodrigo Lima no alto dos seus 28 anos e seu poder de identificação contemporâneo. É claro que a já citada Proprietários confronta o estigma neocolonizador que nos rodeava desde sempre, naquela época, mas nos assombra principalmente nos dias de hoje. Tango, uma ode à luta e resistência feminista, e outras músicas desse LP são queridas e lembradas por grande parte do público até os dias de hoje, como Viver, Noite, Me Ensina, Iceberg e a própria faixa título. Mas gostaria de exaltar três que quase nunca são lembradas e dar razões do porquê deveriam ser. E claro, todas essas interpretações são MINHAS, o que pode ser totalmente equivocado e diferente da intenção final de quem compôs hahaha. Revólver: A previsão do “cidadão de bem” Começando: Revólver. Essa faixa é muito interessante por mostrar uma decepção política disfarçada pelo seu ritmo. Em um hardcore “tupá tupá” no melhor estilo Face To Face, a letra mostra o passo a passo de como a educação neoliberal influencia a classe média a acreditar em suas falácias individualistas, de que um bom emprego e os bens materiais provenientes dele te fazem acreditar que o problema não é você e a classe à qual você pertence. E mais: quem aí teve um amigo que cresceu ouvindo Dead Fish com você e se tornou um adulto apático, despolitizado, isso se não debandou para uns pensamentos MBL das ideias? Pois é… “Este poder jovem te tornará senil e destruirá tudo de bom que já existiu. Um homem morto aos 30, em uma boa posição. Este é você!” Teria Rodrigo previsto o punk de direita lá em 2001? Foto: Fred Bell Maya Reprogresso, a preservação da memória Continuando, agora seguiremos com Reprogresso. Quando ouvi o álbum pela primeira vez, não gostei dessa música, francamente. É uma música “difícil” de se escutar. Arrastada, “turva”. Mas, como os mais velhos dizem, “quando você for mais velho, você vai entender”. E entendi. Aqui, Rodrigo fala de uma Vitória da qual ele não reconhece mais, muito diferente daquela que ele conheceu quando era mais jovem. E não se trata de saudosismo barato, é sobre preservação da memória. Fui criado na Vila Vivaldi, no bairro de Rudge Ramos, em uma casa na Rua Antônio Simões. Era uma casa de muro baixo, chão de ladrilhos, um pequeno canteiro com algumas plantas, quintal enorme que eu brincava com meus primos. Ali, por meio do meu falecido tio Marco Aurélio, aprendi a gostar de futebol, de música, cinema e até mesmo um pouco sobre política (ele tinha um quadro do Che que ficava na sala, bordado à mão, vermelhão, a coisa mais linda). 23 anos depois, a casa não existe mais, existem poucas fotos, sobrou apenas uma construção abandonada, toda cinza e nenhum resquício visual do que foi a minha infância. Hoje entendo que “isso não pode ter sido sem querer, e vimos um prédio crescer”. No capitalismo, não existe espaço para que o afeto do trabalhador permaneça. Apenas suas mãos e suas pernas, enquanto elas funcionarem. Perfect Party, ansiedade antes do debate Por fim, a faixa que encerra o disco, Perfect Party. Essa fui apenas entender melhor quando eu comecei a me entender melhor por meio da terapia. A ansiedade esteve
Budang e Dead Fish: revelação do hardcore abre festa de 25 anos do álbum “Afasia”

A noite do dia 24 de janeiro (sábado) promete ser histórica para o hardcore nacional. A banda Budang, considerada uma das principais revelações da cena atual, sobe ao palco da Audio, em São Paulo. O grupo tem a importante missão de aquecer o público para o show comemorativo do Dead Fish, que celebra os 25 anos do clássico álbum Afasia. O evento reúne gerações diferentes do estilo em uma única noite. Além da Budang, a banda Bullet Bane também marca presença no line-up. Juntas, elas preparam o terreno para Rodrigo Lima e companhia tocarem hits eternos como Tango e Noite. A ascensão da Budang O quarteto catarinense vive um momento especial na carreira. Em 2025, eles lançaram seu primeiro álbum, intitulado Magia, pela gravadora Deck. O trabalho chamou a atenção da crítica e do público por misturar o peso do hardcore tradicional com influências modernas. Além disso, as letras capturam a vivência e a identidade do underground brasileiro de forma honesta. Por isso, os shows da banda costumam ser explosivos e carregados de energia. “Eu tenho 25 anos!” Para Vinícius Lunardi, guitarrista da Budang, a data carrega um simbolismo curioso e pessoal. O músico tem exatamente a mesma idade do disco homenageado. “Eu tenho 25 anos! Já tivemos a honra de tocar com o Dead Fish algumas vezes, mas tocar com eles numa data tão especial quanto a comemoração de um álbum tão gigante quanto AFASIA, é algo meio surreal”, comenta Vinícius. Ele ressalta a felicidade de somar forças nesse line-up. O guitarrista considera o Dead Fish uma referência gigantesca para sua formação musical. “Fazer parte da festa de um álbum que tem a mesma idade que eu é doideira, ainda mais algo desse tamanho. Fico até sem palavras!”, finaliza o músico. Serviço e ingressos para Dead Fish + Budang A Audio abre as portas para essa celebração do punk rock no próximo sábado. A Budang inicia os trabalhos pontualmente às 20h, seguida pela Bullet Bane às 21h. A atração principal, Dead Fish, encerra a noite a partir das 22h. 📅 Serviço
Dead Fish passeia pela discografia em show repleto de circle pits

Veteranos do hardcore brasileiro, a banda capixaba Dead Fish mudou completamente o clima do Wanna Be Tour. Saiu o som dançante do The Maine, entrou a porradaria repleta de críticas políticas e sociais. O vocalista Rodrigo Lima, único membro da formação original, reina sozinho no protagonismo. Conduz a massa como poucos e não dá descanso, mandando uma pedrada sonora atrás da outra. Na ativa desde 1991, o Dead Fish não se esconde no que defende: “sobrevivemos a uma pandemia assassina e um governo neonazista”, proclamou Rodrigo antes de puxar a música Autonomia. O set também trouxe alguns clássicos como Zero e Um, Bem-vindo ao Clube e Sonho Médio, que fechou a apresentação com o tradicional grito do público: “ei Dead Fish, vai tomar no cu!”. “Nunca imaginei que fosse ficar feliz com um grito desse”, brincou Rodrigo antes de sair de cena. Setlist A urgência Tão iguais Queda livre Asfalto Dentes amarelos 49 Sombras da caverna Zero e um Venceremos Bem-vindo ao clube Autonomia Didático Você Contra todos Proprietários do terceiro mundo Afasia Sonho médio
Entrevista | Rodrigo Lima (Dead Fish) – “Tocar para a garotada pop é um desafio bom. Não me intimida”

Em turnê celebrando 34 anos de história, o Dead Fish foi escolhido como headliner do maior festival da cena hardcore do país: o Arena Hardcore. São sete bandas renomadas do cenário nacional se apresentando em três cidades. Após o sucesso da edição de Santos, realizada no último dia 13 de abril, a trilogia terá Piracicaba (1 de junho) e Guarulhos (17 de agosto) com o mesmo line-up. “Serão somente estas três edições com as mesmas bandas”, afirma Daniel Azevedo, organizador do evento. Mas quem vê o Dead Fish como banda principal em meio a moshes e stage dives, nem imagina que a banda se apresentou no Lollapalooza para uma plateia que não os conhecia. Abrindo o palco principal do primeiro dia do evento, o público era formado por adolescentes que guardavam um local para o show de Olivia Rodrigo. Em entrevista ao blognroll, logo após seu show no Arena Hardcore, Rodrigo Lima conta como foi essa experiência inusitada, além de relatar seu primeiro contato com o Lollapalooza e escolher o melhor álbum da história do Dead Fish. Confira a entrevista completa com Rodrigo Lima abaixo. Como foi para você tocar para uma plateia jovem fã de pop music? Dead Fish no Lollapalooza 2025. Foto por Hyndara Freitas Cara, eu gosto. Me sinto desafiado. Tocar para os Black Metal ou para a garotada do pop é um desafio bom. Não me intimida em momento nenhum. É até divertido, mesmo que eu seja vaiado ou que joguem alguma coisa em mim. Essas coisas podem acontecer e é tão divertido quanto. Eu não tenho mais medo, mas a gente tem que ser respeitoso com as plateias que estão na nossa frente. Não que eu seja uma pessoa super respeitosa, às vezes sou mais provocador do que respeitoso. Mas, na minha visão, se eu estou provocando é porque eu estou me importando com eles. E eu gostei das crianças, achei eles fofos, divertidos e muito educados. Alguns ficaram com cara de tédio, outros ficaram curiosos. Ali era um corpo de 52 anos e eles estavam lá para ver uma menina de 22 anos. Eu adorei a estrutura do Lollapalooza, eu nunca tinha ido. Só achei tudo muito longe e molhado por causa da chuva, mas gostei muito do festival. Depois de andar um pouco, eu vi uma banda de jazz que me teletransportou para a única parte boa do Texas. Parecia que eu estava assistindo Frank Zappa. Lógico, o evento tem essa coisa de marcas, logos e consumo dessa geração que está há 30 anos vivendo esse liberalismo louco e intenso. Mas eu adorei, gostei muito mesmo. A Seven está organizando a turnê de 34 anos do Dead Fish e eu queria fazer um jogo rápido para saber qual o melhor álbum da banda nessas mais de três décadas de história. Vou falar dois álbuns e você escolhe um para prosseguir. Começando: Ponto Cego ou Labirintos da Memória? Ponto Cego Ponto Cego ou Contra Todos? Ponto Cego Ponto Cego ou Zero e Um? Zero e Um Zero e Um ou Sonho Médio? São os meus dois preferidos. Por uma questão história, Zero e Um. Mas, por uma questão local, Sonho Médio.