Born to Kill traz um lado mais melancólico e intenso do Social Distortion

Quinze anos depois de Hard Times and Nursery Rhymes, o Social Distortion lança amanhã (8) Born To Kill, um álbum que soa como reencontro com a própria essência. Tivemos acesso ao álbum em primeira mão e trazemos aqui as primeiras impressões deste novo trabalho. Mike Ness não tenta modernizar a fórmula ou correr atrás de tendências. Pelo contrário. O disco abraça sem medo tudo aquilo que transformou a banda em referência do punk rock americano: guitarras melódicas, influência rockabilly, letras confessionais e aquela sensação constante de estrada, bares vazios e cicatrizes acumuladas pelo tempo. A faixa-título já deixa claro o tom do trabalho. Born To Kill chega agressiva, direta e com cara de clássico instantâneo da banda. No Way Out mantém a intensidade elevada, enquanto Partners In Crime reforça a mistura entre melodia e sujeira que o Social Distortion domina como poucos. O álbum inteiro passa uma sensação de honestidade rara, principalmente porque não tenta soar maior do que realmente é. Tudo funciona de maneira orgânica, sem exageros na produção ou tentativas artificiais de atualizar a sonoridade. O grande coração emocional do disco aparece em The Way Things Were. A música carrega o mesmo espírito de faixas clássicas como Story of My Life, trazendo Mike Ness revisitando o passado de maneira madura e melancólica. Existe um peso sentimental muito forte na composição, principalmente pela forma como ele canta sobre juventude, memória e transformação sem soar piegas. A interpretação vocal transmite desgaste e experiência, enquanto as guitarras criam uma atmosfera agridoce que encaixa perfeitamente na proposta do álbum. É uma música sobre olhar para trás entendendo que muita coisa mudou, mas sem perder a conexão com quem você foi um dia. Outro momento que chama atenção é a releitura de Wicked Game, clássico eternizado por Chris Isaak. É um cover comum e, confesso, quando vi que não era uma coincidência apenas de nome e sim uma versão, cheguei a torcer o nariz. Mas essa sensação acabou em segundos, pois em vez de apenas reproduzir a versão original, o Social Distortion transforma a faixa em algo completamente compatível com sua identidade. A banda deixa a música mais crua, mais soturna e carregada de tensão emocional. A voz rouca de Mike Ness funciona perfeitamente dentro dessa abordagem, trazendo um ar ainda mais decadente e melancólico para a composição. É o tipo de cover que faz sentido existir porque adiciona personalidade própria, não apenas reverência. Crazy Dreamer, Walk Away (Don’t Look Back) e Never Goin’ Back Again ajudam a manter a fluidez do álbum até o final, sempre alternando momentos mais explosivos com outros mais introspectivos. O mérito de Born To Kill está justamente nessa naturalidade. O disco não tenta reinventar o Social Distortion, mas também não soa cansado. Depois de tanto tempo longe dos estúdios, Mike Ness e companhia entregam um trabalho honesto, intenso e carregado de identidade. E no meio disso tudo, The Way Things Were e Wicked Game acabam funcionando como os grandes pilares emocionais desse retorno.
Entrevista | Draconian – “Tínhamos muita coisa escrita pensando na Lisa, mas ela deixou tudo ainda melhor”

O Draconian retorna ao Brasil no próximo dia 16 de maio para apresentação única no Carioca Club, em São Paulo. O show marca a nova passagem da banda sueca pelo país após a apresentação sold out realizada em 2023 no La Iglesia, casa que acabou combinando perfeitamente com a atmosfera sombria e melancólica construída pelo grupo ao longo de mais de três décadas de carreira. Desta vez, o Draconian desembarca em meio à divulgação de In Somnolent Ruin, oitavo álbum de estúdio que será lançado oficialmente amanhã, 8 de maio, via Napalm Records. A noite ainda contará com abertura da norte-americana Emma Ruth Rundle, conhecida pelo trabalho que mistura dark folk, ambient, post-rock e doom. Formado na Suécia em meados dos anos 1990, o Draconian se consolidou como um dos nomes mais respeitados do gothic/doom metal contemporâneo graças à combinação de riffs lentos, clima depressivo e o contraste entre vocais guturais e femininos etéreos. A banda nunca apostou em excesso de técnica ou velocidade. Seu diferencial sempre esteve na construção de ambiente, algo perceptível desde trabalhos clássicos como Arcane Rain Fell até discos mais recentes como A Rose for the Apocalypse, Sovran e Under a Godless Veil. A formação atual também representa uma reconexão com a essência clássica do grupo, especialmente após o retorno da vocalista Lisa Johansson, novamente dividindo os vocais com Anders Jacobsson. In Somnolent Ruin Ouvimos In Somnolent Ruin e te contamos em primeira mão o que esperar do álbum. O novo trabalho praticamente reafirma tudo aquilo que transformou a banda em referência dentro do gothic doom metal. O álbum mergulha em atmosferas densas, melodias arrastadas e estruturas que alternam delicadeza e brutalidade de maneira extremamente natural. Desde a abertura com “I Welcome Thy Arrow”, o disco transmite uma sensação quase cinematográfica, sustentada por teclados soturnos, guitarras pesadas e o contraste vocal que continua sendo a principal assinatura do grupo. O retorno de Lisa Johansson não funciona apenas como elemento nostálgico. Sua presença recoloca o Draconian em um território emocional que remete diretamente aos discos mais celebrados da carreira. O novo álbum também chama atenção pela produção mais orgânica e menos polida em excesso, algo que reforça ainda mais o peso emocional das composições. Faixas como “The Face of God”, “Cold Heavens” e “Misanthrope River” trabalham sentimentos de isolamento, espiritualidade e desesperança sem soar repetitivas ou previsíveis. O Draconian continua operando dentro da mesma identidade construída nos últimos 30 anos, mas consegue evitar a sensação de estagnação justamente pela maneira como desenvolve dinâmica e atmosfera. Existe um equilíbrio muito forte entre o lado contemplativo e os momentos mais pesados, aproximando o álbum de nomes clássicos como My Dying Bride e Paradise Lost, mas sem perder personalidade própria. Mesmo sem reinventar o estilo, In Somnolent Ruin surge como um dos trabalhos mais consistentes da discografia do Draconian. O disco mantém a essência melancólica da banda, mas adiciona sensação de maturidade e coesão raramente alcançada dentro do doom metal contemporâneo. O resultado é um álbum que não busca hits imediatos ou refrões acessíveis. Pelo contrário: funciona quase como uma experiência contínua de imersão emocional. Em uma cena onde muitas bandas do gênero acabaram se tornando previsíveis, o Draconian ainda consegue transformar tristeza, peso e contemplação em algo genuinamente envolvente. E para trazer ainda mais detalhes sobre o novo álbum e o show no Brasil, o Blog N’ Roll conversou com Anders Jacobsson que falou sobre o retorno de Lisa, a expectativa de retorno ao Brasil e qual seria o local perfeito para os humanos habitarem. Como surgiu o processo criativo de In Somnolent Ruin? O ponto de partida foi “Misanthrope River”, que originalmente tinha sido escrita para Under a Godless Veil, mas não se encaixava naquele álbum. O Johan sentiu isso na época, e ele estava certo. Então decidimos guardar a música para o próximo disco. Só que demorou muito até realmente chegarmos ao momento de fazer esse álbum acontecer. O verdadeiro começo veio em 2022, quando a banda começou a encontrar estabilidade novamente. Havia muita incerteza. A pandemia tinha mudado tudo, algumas pessoas tinham prioridades diferentes e nós nunca tivemos a chance de promover Under a Godless Veil adequadamente porque a turnê foi adiada várias vezes. Então foi um período muito turbulento emocionalmente. E como foi a troca de formação com a saída da Heike e o retorno da Lisa? Tudo o que queríamos era manter o Draconian funcionando. Quando sentimos que as coisas começaram a se estabilizar e que o retorno da Lisa Johansson faria sentido, o processo criativo realmente começou. No início ela voltaria apenas para os shows ao vivo, mas acabou acontecendo naturalmente. A própria Heike Langhans sentiu que fazia sentido a Lisa retornar. Ela queria focar mais nos outros projetos dela e apoiou muito esse álbum. É muito difícil escrever músicas quando a banda está emocionalmente instável. Então o processo só avançou quando sentimos que o caos estava diminuindo. Mesmo assim demorou anos. Houve procrastinação, atrasos e várias mudanças até chegarmos ao resultado final. E o que mudou no processo criativo de vocês ao longo desses anos? Hoje o Draconian funciona de maneira muito diferente dos primeiros anos. Antigamente ensaiávamos juntos antes de gravar. Agora trocamos demos e arquivos à distância. O Johan me envia ideias, eu escrevo letras, devolvo para ele e assim seguimos trabalhando. Bem, o Johan tinha ideias para cerca de 20 músicas, então tivemos que sentar e decidir quais realmente fariam sentido dentro do álbum, não apenas musicalmente, mas também conceitualmente. Isso só aconteceu no ano passado. E o processo continuou mudando até os últimos dias. Eu ainda alterava coisas no mesmo dia em que terminei meus vocais. Muitas ideias nasceram já dentro do estúdio. A dinâmica vocal mudou com o retorno da Lisa Johansson ou foi como retornar aos velhos tempos? Sim e não. Acho que algumas partes já foram escritas pensando nela, porque a Lisa possui uma extensão vocal diferente da Heike. Isso naturalmente cria outras possibilidades dentro das músicas. Mas a principal diferença desta vez foi
A Flock of Seagulls anuncia show pela primeira vez no Brasil

A Flock of Seagulls, um dos nomes mais emblemáticos da new wave britânica, fará show único no Brasil no dia 7 de outubro, no Cine Joia, em São Paulo. A apresentação, realizada pela Maraty, marca a estreia da banda no país e reforça o legado do grupo liderado por Mike Score, figura central na consolidação de uma sonoridade que ajudou a expandir o synthpop e a estética audiovisual na virada dos anos 1980. Formada em Liverpool no início da década de 1980, a banda surgiu em um contexto de transformação do pop britânico, impulsionado pelo uso de sintetizadores, guitarras com ambiência espacial e forte identidade visual. A formação clássica, com Mike Score, Ali Score, Frank Maudsley e Paul Reynolds, construiu uma assinatura sonora marcada por linhas de sintetizador, baixo pulsante e guitarras com eco e tensão melódica, elementos que rapidamente tornaram o grupo reconhecível. O impacto veio com o álbum de estreia, lançado em 1982, que apresentou ao público faixas como “I Ran (So Far Away)” e “Space Age Love Song”, impulsionadas pela forte rotação na MTV e pela expansão da chamada segunda invasão britânica nos Estados Unidos. A banda também conquistou reconhecimento crítico com “D.N.A.”, que rendeu o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Rock em 1983 e evidenciou uma faceta mais experimental dentro de seu repertório. Ao longo das décadas, o grupo passou por mudanças de formação, mas seguiu ativo sob o comando de Mike Score, revisitando seu catálogo em projetos orquestrais e mantendo a produção autoral. O ciclo mais recente inclui o álbum Some Dreams, lançado em 2024, primeiro trabalho de inéditas desde os anos 1990, que reafirma a identidade construída entre sintetizadores e guitarras, ao mesmo tempo em que atualiza a proposta sonora da banda para um novo contexto. ServiçoShow: A Flock of SeagullsData: 7 de outubro de 2026Local: Cine Joia, São PauloIngressos: fastix.com.br/events/a-flock-of-seagulls-em-sao-paulo
Rolling Stones anunciam o álbum “Foreign Tongues” e liberam o single “In The Stars”

Eles não param, e a gente agradece. Menos de três anos após o aclamado Hackney Diamonds, os The Rolling Stones provaram que o motor do rock ‘n’ roll continua em alta rotação. A banda anunciou oficialmente nesta terça-feira o lançamento de seu novo álbum de estúdio, intitulado Foreign Tongues, com data de estreia marcada para o dia 10 de julho via Capitol Records. Para acompanhar o anúncio, Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood liberaram o primeiro single oficial, In The Stars. A faixa traz de volta a energia vibrante e as guitarras entrelaçadas que são a marca registrada do grupo, agora sob a batida moderna da produção de Andrew Watt, o produtor “queridinho” dos veteranos que também assinou o disco anterior. Intensidade em Londres O álbum foi gravado em um período curto e explosivo no Metropolis Studios, em Londres. Segundo Mick Jagger, a banda registrou 14 faixas em poucas semanas. “Eu amo gravar na Metropolis. A sala não é muito grande, então você consegue sentir a paixão de todo mundo ali dentro”, revelou o frontman. Keith Richards destacou que o novo trabalho é uma continuidade natural da energia recuperada em 2023. “Foi um mês de soco concentrado. Para mim, é tudo sobre diversão. Sou abençoado por poder fazer isso e espero que dure por muito tempo”, celebrou o guitarrista. Já Ronnie Wood ressaltou o entrosamento do time: “Muitas vezes matamos a música no primeiro take”. Arte e mistério de Foreign Tongues A capa do disco leva a assinatura do artista Nathaniel Mary Quinn. Vale lembrar que, antes do anúncio oficial, os Stones já vinham pregando peças nos fãs: no último Record Store Day, lançaram a faixa Rough And Twisted sob o pseudônimo The Cockroaches, aguçando a curiosidade dos colecionadores.
Entrevista | Metric – “Temos que tocar no Lollapalooza”

Com mais de duas décadas de estrada, o Metric consolidou-se como um dos pilares da independência artística no rock alternativo. No fim de abril, a banda liderada por Emily Haines alcançou a marca histórica de dez álbuns de estúdio com o lançamento de Romanticize the Dive. Mais do que um novo capítulo, o disco representa um acerto de contas com o passado e um abraço à maturidade que só o tempo permite. O cenário para essa nova jornada não poderia ser mais emblemático: o Electric Lady Studios, em Nova York. Ao retornar ao local onde gravaram clássicos do início da carreira, Emily e o guitarrista Jimmy Shaw reencontraram os “fantasmas” de suas versões mais jovens. Entre as paredes que já ecoaram as vozes de ícones como Jimi Hendrix e o mentor da banda, Lou Reed, o grupo buscou resgatar a urgência sonora dos discos Fantasies e Synthetica. Nesta entrevista ao Blog n’ Roll, Emily Haines refletiu sobre o processo de “destruição do ego” sob a tutela do produtor Gavin Brown. Ela revelou como a Metric busca despir as composições de metáforas complexas para atingir um estado de vulnerabilidade absoluta, transformando o estúdio em um espaço de cura e introspecção filosófica. Um dos pontos altos da conversa é a discussão sobre o papel da “mulher durona” na indústria musical atual. Emily compartilha sua visão sobre o amadurecimento e a transição de quem antes estava na linha de frente para uma posição de mentoria, como uma “irmã mais velha” que observa a nova geração enquanto aprecia um chá de camomila nos bastidores da própria história. Encerrando o papo com um olhar carinhoso para o público sul-americano, Emily não esconde o desejo de trazer a nova turnê para o Brasil. Entre reflexões sobre o desapego e a celebração da trajetória percorrida, a artista nos convida a deixar o rancor de lado e “ficar no alto”, uma mensagem que define perfeitamente o espírito de Romanticize the Dive. Oi, Emily, como você está? Ótima, obrigada! Onde você está agora? Em casa? Estou de volta ao estúdio. Acabamos de encerrar nossa turnê de imprensa na Europa e o lançamento do álbum em Nova York. Estou feliz por entrar agora no “modo ensaio”. Tem sido muito corrido. Imagino! Romanticize the Dive marca o 10º álbum da Metric e um retorno ao Electric Lady Studios, em Nova York. Como foi entrar naquele estúdio em 2026 e confrontar a “fome” da sua juventude, de quando vocês começaram no início dos anos 2000? Foi como entrar em uma casa mal-assombrada onde alguns dos fantasmas eram versões mais jovens de nós mesmos. E outros eram pessoas com quem gravamos lá, como o Lou Reed. Também conhecemos todos os álbuns que foram feitos ali, Patti Smith, D’Angelo, Jimi Hendrix. O Jimmy (Shaw) e eu sempre dizemos que aquele lugar é como ter um “grupo de foco”: quando damos o play em uma música na sala, recebemos informações sobre se ela é boa ou não sem precisar de ninguém lá, porque as paredes guardam essa história para nós. Vocês trabalharam novamente com o produtor Gavin Brown. O que ele traz ao som do Metric que ajuda a capturar o caos e as possibilidades de antes, mas com a maturidade que vocês têm hoje? A última vez que trabalhamos com ele foi no Fantasies (2009) e no Synthetica (2012), que são os discos que tentamos “revisitar” como conceito neste novo álbum. O grande diferencial do Gavin é que ele me desafia como compositora, ele sempre me pede para tirar as camadas e dizer o que realmente sinto. É difícil, porque prefiro escrever em códigos e me esconder atrás deles. Ele me ajuda a ter coragem de dizer o que realmente quero dizer, em vez de me ocultar. Chamamos esse processo de “destruir o ego”. Crush Forever é descrita como uma carta de amor para “garotas duronas” (tough girls). Em uma indústria que mudou tanto, o que define uma garota durona no contexto atual de 2026? Acho que uma das mudanças é que, quando começamos, as pessoas eram obcecadas pelo fato de não acreditarem que (o rock) pudesse ser feito por uma mulher. Isso mudou, vimos muitas estrelas massivas surgirem. Mas, nessa música, não escrevo para alguém da indústria, mas sim para uma “irmã mais nova” que tenta descobrir como ser ela mesma, sem medo de causar problemas, de irritar algumas pessoas, de ser forte ou cometer erros. Falar com essa irmã mais nova me ajudou a encontrar minha voz como irmã mais velha. Entender que talvez tenha que ficar mais nos bastidores agora, ainda estou no bar, mas bebendo chá de camomila. A faixa Tremolo parece ser o coração filosófico do disco, falando sobre aceitar o quão pouco podemos controlar. Compor essa música foi um processo de cura ou de resignação? Eu diria cura, com certeza. Em qualquer momento da vida, você pode se fixar em grandes decisões passadas ou em coisas pequenas e arbitrárias que te levaram por outro caminho. Você pode gastar todo o seu tempo reimaginando essas coisas, o que é exaustivo e danifica sua capacidade de estar no presente. Espero que a música ajude as pessoas a se libertarem disso. É sobre dizer: “estou aqui, é aqui que quero estar, o resto já aconteceu. E agora?”. O Metric mantém a mesma formação original há duas décadas e sempre priorizou a independência artística com selo próprio. Qual foi o momento mais crítico em que essa independência foi testada? Acho que foi com o Fantasies, em 2009. Recebemos ofertas de grandes gravadoras, como a Interscope, mas não conseguíamos entender como seria se eles fossem donos da nossa música. Nosso empresário na época foi muito corajoso, cuidou de toda a parte legal para nos tirar dos contratos e criar a MMI. Somos donos da nossa música desde então. O fato de aquele ter sido nosso maior álbum tornou tudo mais significativo. Hoje trabalhamos com a Thirty Tigers, que segue a lógica de: “vocês são donos da música, dividimos os lucros e pronto”.
Entrevista | Balance and Composure – “Somos uma banda de rock emocional, nunca nos preocupamos com rótulos”

O Balance and Composure se apresenta no próximo dia 16 de maio, em São Paulo, no Cine Joia, marcando a aguardada estreia da banda no Brasil. A passagem pela capital paulista integra uma turnê pela América Latina que também inclui datas no México, Colômbia, Chile e Argentina. O evento ganhou uma alteração importante na programação após pedidos dos fãs, já que acontece no mesmo dia do show do Korn no Allianz Parque. Com isso, a casa abre às 13h e o show do Balance and Composure foi antecipado para acontecer das 17h às 18h30, permitindo que o público consiga acompanhar ambas as apresentações. Formado em 2007, na Pensilvânia, o Balance and Composure construiu uma trajetória sólida dentro do emo e do post-hardcore, equilibrando peso e melodia em uma discografia que inclui álbuns como Separation e The Things We Think We’re Missing. Após um hiato, a banda retomou as atividades e lançou em 2024 o elogiado álbum With You in Spirit, o primeiro em oito anos, com produção de Will Yip e letras marcadas por reflexões pessoais sobre família, perdas e amadurecimento. O último trabalho reforça a identidade do grupo ao mesmo tempo em que aponta novos caminhos sonoros. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Jon Simmons falou sobre a expectativa para o primeiro show no Brasil, o retorno após anos de pausa e o momento atual da banda. Simmons demonstra entusiasmo ao falar sobre a estreia no país e o contato com os fãs sul-americanos, destacando a energia do público e a longa espera por esse momento. Ao mesmo tempo, ele revisita o passado da banda, apontando o desgaste emocional como principal fator para o hiato, além de refletir sobre a forma como o grupo sempre se manteve distante das pressões da indústria. Por fim, o músico comenta o processo criativo do novo álbum e a fase atual e dá sua opinião sobre quem seria o Big 4 da cena Emo. Como você vê a expectativa para o primeiro show no Brasil? Ouvi dizer que é insano, que os fãs brasileiros são muito energéticos e cheios de amor. Todo mundo que já tocou aí falou que é algo muito especial. Estou muito animado para viver isso. É algo que sempre quisemos fazer e agora finalmente vamos conseguir. A gente sempre tenta levar energia, mas acho que dessa vez vai ter um pouco mais, justamente pela empolgação de estar na América do Sul pela primeira vez. É algo que esperamos há muito tempo. Chegaram a conversar com outras bandas sobre a experiência deles por aqui? Sim, já ouvi de outras bandas que são alguns dos melhores shows que eles já fizeram. Conversei recentemente com o pessoal do Touché Amoré e eles disseram que foi algo de outro mundo. Além disso, os brasileiros comentam nas nossas redes pedindo para irmos ao país desde o começo da banda. O show foi antecipado por conta do Korn e foi a pedido dos fãs que vão fazer um esforço e ver as duas apresentações no mesmo dia. Como vocês reagiram a isso? A gente nem sabia que o Korn ia tocar no mesmo dia, foi coincidência. Mas achei muito legal conseguirmos ajustar o horário para que as pessoas consigam ver os dois shows. Isso é incrível. Os últimos shows de vocês têm sido bem curtos com oito ou nove músicas. O que o público pode esperar do setlist por aqui? Vai ser mais longo do que isso. Como somos headliner, vamos nos divertir mais com o setlist. Vamos tocar bastante coisa antiga e um pouco do novo, mas queremos focar nos clássicos, já que o Brasil nunca teve essa experiência ao vivo. Existe alguma surpresa no setlist ou algo diferente que vocês estão preparando? Sim, estamos pensando em incluir algumas músicas do Separation e também de The Things We Think We’re Missing. Ainda estamos debatendo, mas com certeza teremos algumas surpresas. Vocês olham o Spotify, buscam alguns dados ou decidem vocês mesmos? A gente discute bastante, às vezes até briga por conta disso (risos). Também olhamos os dados de streaming em cada país, mas ao mesmo tempo queremos tocar músicas que gostamos e que já funcionam bem ao vivo. A queda da cena emo e da cena alternativa influenciou o fim da banda ou houve outros fatores? Foi algo mais profundo. Estávamos muito cansados de ficar em turnê, gravar disco e repetir esse ciclo por anos. Isso desgasta muito. Também foi um momento em que cada um precisava cuidar da própria vida e construir suas famílias. Vocês sentiram que já trilhavam um caminho contra a indústria, por conta de investir em uma cena que estava em queda? Sempre. Nunca pensamos muito na indústria. Queremos fazer música para nós mesmos. Se as pessoas gostam, ótimo, mas isso não guia nossas decisões. Como vocês enxergam hoje aquela fase da cena emo? Existe algum show daquela época que marcou vocês? É algo muito bonito de relembrar. Foi um período muito especial nas nossas vidas. Temos ótimas memórias dessa época. O show de lançamento do Floral Green foi incrível. Mais recentemente, tocar no Red Rocks com Turnover e Tigers Jaw foi um momento muito especial. Ver tantas pessoas tantos anos depois foi emocionante. Houve bandas com quem vocês tocaram que eram ídolos? Sim, Manchester Orchestra foi uma delas, foi um sonho realizado. Também fizemos várias turnês com Circa Survive, que era outra banda muito importante para nós. A pandemia teve influência no retorno da banda? Hoje a banda funciona com outra mentalidade? Com certeza. Foi um período de muita reflexão. Ficamos isolados e isso fez a gente sentir falta de criar, de tocar e de estar juntos. Mas, foi algo natural. A gente começou a sentir falta de tocar e de criar juntos durante esse período de isolamento. Agora temos integrantes em regiões diferentes dos Estados Unidos, então trocamos ideias por mensagem e e-mail. Isso mudou o processo, mas também deu mais tempo para desenvolver as ideias. Qual era o estado emocional durante a criação do
Hayley Williams esgota primeiro show em SP e anuncia data extra

Se havia alguma dúvida sobre o poder de Hayley Williams no Brasil, os últimos minutos de vendas acabaram com ela. A vocalista do lendário Paramore, agora em sua fase solo mais aclamada, traz ao país a turnê The Hayley Williams Show. Em uma realização da 30e, a apresentação do dia 12 de novembro no Espaço Unimed esgotou instantaneamente, o que levou a artista a anunciar uma data extra no dia 13 de novembro. A turnê celebra o estrondoso sucesso de seu terceiro álbum solo, Ego Death At A Bachelorette Party (2025). Lançado de forma independente pelo selo da própria artista, o disco recebeu quatro indicações ao Grammy no último ano e é considerado pela crítica um dos trabalhos mais viscerais e maduros da música alternativa recente. O que esperar de “The Hayley Williams Show”? Diferente das pernas anteriores da tour que focavam apenas no disco novo, a nova fase intitulada The Hayley Williams Show promete ser uma antologia de sua carreira solo. O repertório deve reunir faixas dos álbuns Petals for Armor, FLOWERS for VASES / descansos e, claro, as 20 faixas do novo Ego Death, além de surpresas que podem incluir releituras de seus clássicos. Ícone que define gerações Recentemente eleita pela Billboard como a 13ª maior voz do rock de todos os tempos, Hayley Williams é hoje a maior referência para uma nova safra de estrelas, servindo de inspiração direta para nomes como Billie Eilish, Olivia Rodrigo e Chappell Roan. Sua versatilidade é provada pelas colaborações recentes que vão de Taylor Swift a Turnstile, mostrando que Hayley não apenas pertence ao rock, mas reina sobre ele. Serviço: The Hayley Williams Show em São Paulo
Paulo Miklos anuncia álbum de releituras e divulga single “O Sal da Terra”

Paulo Miklos nunca teve medo de se reinventar. Seja no palco com os Titãs, no cinema ou em sua carreira solo, o artista sempre buscou novas formas de narrar a experiência humana. Agora, ele eleva essa busca a um novo patamar com o projeto Coisas da Vida. Mais do que um álbum de músicas, o trabalho é uma obra audiovisual completa, onde cada faixa é acompanhada por um clipe que compõe um universo surrealista e onírico. O ponto de partida é o single e clipe O Sal da Terra (clássico de Beto Guedes e Ronaldo Bastos). A escolha não é aleatória: a obra funciona como um manifesto íntimo, um chamado às próximas gerações para uma consciência ecológica e existencial. Estética vintage futurista de Miklos Com direção criativa de Carol Barragana e direção de Jorge Daux, o visual de “Coisas da Vida” aposta em um conceito que a banda chama de “vintage futurista”. Imagine as texturas, tecidos e cores vibrantes dos anos 70 misturados a acessórios surrealistas e uma montagem contemporânea. O clipe de O Sal da Terra utiliza imagens de arquivo para diluir a noção de tempo, sugerindo que a memória do mundo é um fluxo constante. “A natureza surge como força contínua, anterior e maior que o homem”, explica o diretor Jorge Daux. O contraste entre a serenidade natural e a engrenagem frenética das ruas cria a tensão perfeita que a voz de Miklos preenche com maestria. Repertório de clássicos reimaginados Além de Beto Guedes, o álbum trará releituras de ícones como Sérgio Sampaio (Ninguém Vive Por Mim), Criolo (Não Existe Amor em SP) e Paulo Diniz (Quero Voltar pra Bahia). Cada vídeo será costurado por sketches e textos que orbitam temas como solidão, afeto e a passagem do tempo.
Melton Sello lança single “Para com Essa Parada”

Se você já se pegou encostado na janela do ônibus, quase pegando no sono, e foi invadido por um pensamento aleatório, seja uma ideia brilhante ou uma lembrança incômoda, você vai se identificar com o novo single da Melton Sello. O quarteto carioca lançou Para com Essa Parada, a primeira faixa do álbum de estreia que chega em julho pela gravadora Deck. A banda, formada por Caio Paranaguá (voz), Bill Dias (bateria), Gabriel Barros (baixo) e Igor d’Alambert (guitarra), já havia chamado a atenção da cena independente com o EP Só Sei Que Foi Assim (2023). O nome do grupo, inclusive, é uma divertida homenagem ao ator Selton Mello, reforçando a identidade brasileira e autêntica do projeto. Inspiração Diferente das letras de protesto ou de amores perdidos comuns ao gênero, Para com Essa Parada nasceu de um gatilho mental involuntário. “Sabe aquele pensamento que invade do nada? Você tá quase dormindo, encostado na janela do ônibus, fecha os olhos e PÁ!”, conta o vocalista Caio Paranaguá. A música deixa em aberto qual é esse pensamento, permitindo que cada f ouvinte projete suas próprias “neuras” ou obsessões. Musicalmente, a faixa mantém o pé no pop punk suave, estilo que a banda vem lapidando com elementos de reggae e até pitadas de country. É uma sonoridade solar, mas que não foge da introspecção característica das bandas que cresceram ouvindo o punk melódico dos anos 2000. Caminho para o primeiro álbum do Melton Sello Para o vocalista, Para com Essa Parada é a ponte perfeita entre o som do primeiro EP e o que o público pode esperar do disco cheio. Embora o álbum prometa uma mistura maior de influências, este single carrega a identidade central da banda: refrões que grudam e uma energia que convida ao “sing-along”.