Rancore o peso e a maturidade de “Brio”ao Sesc Pompéia neste final de semana

Quinze anos depois de lançar seu último álbum de inéditas, o Rancore vive um dos momentos mais importantes de sua trajetória. Após um longo hiato, a banda paulista retornou às atividades com Brio, quarto álbum de estúdio que simboliza uma nova fase artística e criativa. Nos dias 3 e 4 de julho, o grupo apresenta esse trabalho ao vivo no Sesc Pompeia. O repertório reúne as músicas de Brio, lançado em abril, além de canções que ajudaram a consolidar a banda na cena hardcore brasileira, como os clássicos “Jeito Livre” e “Quarto Escuro”. O show propõe um encontro entre diferentes momentos da carreira da Rancore, unindo a energia dos primeiros discos à maturidade conquistada ao longo dos anos. Mais do que encerrar um jejum de 15 anos sem inéditas, Brio apresenta uma banda transformada pelo tempo. Se os primeiros trabalhos eram marcados pela urgência do hardcore melódico e do punk, o novo álbum amplia esse universo ao incorporar influências de post-hardcore e post-punk, punk 77, rock alternativo e noise rock, mantendo a intensidade que sempre fez parte da identidade do grupo. As dez faixas abordam temas como saúde mental, luto, esperança, paternidade e transformação, refletindo as experiências vividas pelos integrantes durante o período em que estiveram afastados. O disco também traz referências à filosofia, à espiritualidade e à teoria do caos, mostrando uma evolução tanto na sonoridade quanto nas letras. Produzido por Guilherme Chiappetta, Brio nasceu de um processo de redescoberta entre os músicos. O álbum preserva a essência da Rancore, mas evidencia uma banda interessada em explorar novos caminhos criativos sem perder a força que a tornou uma das principais referências do hardcore brasileiro dos anos 2000. Formada em São Paulo em 2001, a Rancore conquistou espaço no cenário independente ao unir peso, melodias marcantes e letras carregadas de emoção. Atualmente, a banda é formada por Teco Martins (voz), Alê Iafelice (bateria), Gustavo Teixeira (guitarra), Henrique Uba (guitarra) e Rodrigo Caggegi (baixo e voz). Serviço Rancore | Turnê do álbum Brio Quando: 3 e 4 de julho Onde: Sesc Pompeia Classificação: 14 anos Duração: 90 minutos Ingressos: https://www.sescsp.org.br/programacao/rancore-2/
Fabiano Negri é escolhido Tracy G, ex-guitarrista de Dio, para novo álbum

O vocalista, compositor, guitarrista e produtor brasileiro Fabiano Negri acaba de dar um dos passos mais importantes de sua carreira internacional. Com mais de 30 anos de trajetória no heavy metal, o músico foi escolhido para assumir os vocais do novo álbum de Tracy G, guitarrista que integrou a banda de Ronnie James Dio entre 1993 e 1999. Tracy G foi responsável por boa parte da identidade sonora dos álbuns Strange Highways (1993) e Angry Machines (1996), além de participar do disco ao vivo Inferno: Last in Live (1998). Sua abordagem mais pesada e sombria marcou uma fase distinta da carreira de Dio e influenciou gerações de guitarristas. Convite surgiu pelas redes sociais A parceria nasceu de forma inesperada. Após assistir a vídeos de Fabiano Negri interpretando clássicos do heavy metal, Tracy G entrou em contato diretamente pelas redes sociais. A sintonia artística foi imediata e rapidamente evoluiu para a produção de um álbum completo. No projeto, Tracy G assina toda a parte instrumental, enquanto Fabiano Negri será responsável pelas letras e melodias vocais, além de colaborar criativamente sempre que novas ideias surgirem durante o processo de composição. Segundo o guitarrista, a versatilidade do brasileiro teve impacto direto na construção das músicas. “Fabiano tem uma grande voz e é um vocalista extremamente versátil. Além disso, é muito criativo, compondo suas próprias melodias e letras. Quando lhe enviei a primeira música e ouvi o resultado, soube imediatamente que havia encontrado a combinação perfeita. Ele entrega interpretações cheias de emoção, escreve melodias e letras incríveis e acrescenta uma identidade única às composições. Já concluímos duas músicas e estamos trabalhando na terceira. Vai ser um álbum fantástico”, afirma Tracy G. O lançamento está previsto para o fim deste ano. Inicialmente, o disco será disponibilizado de forma independente, embora o guitarrista não descarte uma parceria com uma gravadora durante a produção. “Achei que era uma brincadeira” Para Fabiano Negri, o convite foi uma surpresa. “Foi totalmente de surpresa. Ele me mandou uma mensagem via Facebook, se apresentando, como se fosse necessário, já que sou fã dos álbuns que ele gravou com o Dio, e disse: ‘você pode ligar? Gostei do seu vocal e tenho algumas músicas que talvez você possa gravar’. Achei que era uma brincadeira. Mas não. Liguei para ele e, a partir daí, tudo fluiu como se nos conhecêssemos há décadas. O cara é brilhante. O som que ele tira da guitarra, combinado com a técnica explosiva e a capacidade de compor riffs brutais e belos ao mesmo tempo, me deixaram embasbacado e feliz ao mesmo tempo. Que baita surpresa na minha vida”, comenta o músico. Reconhecimento internacional O convite amplia o reconhecimento internacional conquistado por Fabiano Negri ao longo de uma carreira construída em diferentes projetos. O músico reúne uma discografia consistente como integrante das bandas Rei Lagarto, Dusty Old Fingers e Unsaved, além da carreira solo, sempre atuando como vocalista, compositor, multi-instrumentista e produtor. Seus três trabalhos mais recentes, ZebathY (2022), Mysteries The Night Hides (2023) e The Outlaw’s Journey (2025), receberam destaque na imprensa especializada brasileira e internacional. Agora, a parceria com Tracy G une dois nomes de diferentes gerações do heavy metal. De um lado, um guitarrista que ajudou a definir uma das fases mais marcantes da carreira de Ronnie James Dio. Do outro, um dos vocalistas brasileiros mais respeitados do gênero, que passa a integrar um projeto com potencial para ampliar ainda mais sua presença no cenário internacional.
Black Pantera anuncia álbum “Continental” e confirma lançamento para agosto

O Black Pantera confirmou o lançamento de seu quinto álbum de estúdio. Intitulado Continental, o novo trabalho chega às plataformas no dia 21 de agosto, pela Deck, marcando mais um capítulo na trajetória de ascensão do trio mineiro dentro do rock brasileiro. O primeiro single do disco, “Start The Game”, será lançado em 13 de julho, Dia Mundial do Rock, e dará início à divulgação do álbum, que promete ampliar a identidade musical construída pela banda ao longo dos últimos anos. O anúncio acontece após um primeiro semestre de 2026 repleto de conquistas. O Black Pantera foi confirmada pela terceira vez no Rock in Rio e também garantiu presença, pela segunda vez, no Primavera Sound. Além disso, abriu o show da Korn no Allianz Parque, lançou o primeiro projeto audiovisual da carreira e conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Artista de Rock. Brasil como ponto de partida Segundo a banda, o título Continental traduz o conceito central do álbum. O trabalho parte de reflexões sobre o Brasil e utiliza o rock como base para explorar diferentes influências musicais, ampliando o alcance sonoro característico do grupo. As novas composições também refletem as experiências pessoais de Chaene da Gama, Charles Gama e Rodrigo ‘Pancho’, além de aprofundar temas ligados à ancestralidade, presentes na identidade artística do Black Pantera desde o início da carreira. Com Continental, a banda busca expandir tanto sua sonoridade quanto sua mensagem, mantendo o rock como essência enquanto explora novos caminhos criativos. O lançamento reforça o momento de consolidação vivido pelo trio, que segue ampliando seu espaço nos principais festivais e premiações da música brasileira.
Lesoir anuncia novo álbum e lança single inspirado em Volodymyr Zelensky

A banda holandesa Lesoir iniciou a divulgação de seu sétimo álbum de estúdio com o lançamento de “Back to You”. A faixa antecipa Tomorrow Is Now Today, previsto para chegar às plataformas digitais e em formatos físicos no dia 23 de outubro, pela V2 Records. Conhecida por transitar entre o rock progressivo e o art rock, a Lesoir aposta em uma canção que aborda temas como esperança, coragem, perseverança e liberdade. A inspiração veio da atuação do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky durante a guerra na Ucrânia. Segundo a banda, “Back to You” retrata como a coragem de uma única pessoa foi capaz de gerar um impacto mundial, tornando-se uma homenagem àqueles que lutam pela liberdade. “Infelizmente, a história ainda não tem um desfecho definitivo, pois ninguém conhece o resultado da guerra na Ucrânia. O que permanece é a manifestação respeitosa e emocional da Lesoir de esperança, força e humanidade”, afirma o grupo. Musicalmente, a faixa começa de forma intimista, sustentada por violão acústico, voz e uma delicada linha de violino. Aos poucos, ganha intensidade com a entrada da bateria e de novos arranjos até chegar a um refrão grandioso, característica marcante da sonoridade da banda. A construção dinâmica e a riqueza instrumental reforçam o clima emocional da composição. Novo álbum chega em outubro Tomorrow Is Now Today será lançado em 23 de outubro pela V2 Records, selo europeu independente que reúne artistas como Moby, Mumford & Sons, Skunk Anansie, Kaiser Chiefs, Temples e Blood Red Shoes. A pré-venda do álbum já está disponível no site oficial da banda. Quem adquirir o disco antecipadamente também receberá, por e-mail, o álbum digital Lesoir Live at Hedon 2025, já mixado. Antes do lançamento do novo trabalho, a Lesoir ainda embarca na turnê europeia de Anneke van Giersbergen, ex-vocalista da The Gathering, na qual fará os shows de abertura em novembro. Trajetória em ascensão Formada em 2009, na cidade holandesa de Maastricht, a Lesoir construiu uma trajetória consistente dentro da cena progressiva europeia. Um dos momentos decisivos aconteceu em 2019, quando a banda excursionou por cinco semanas ao lado do Riverside, ampliando sua projeção internacional durante o ciclo do álbum Mosaic. Mesmo com os planos interrompidos pela pandemia, o grupo manteve a atividade criativa com o lançamento de Babel, obra de 20 minutos lançada em edição limitada de vinil artesanal, que esgotou rapidamente. Em 2024, a banda lançou Push Back The Horizon, primeiro álbum com distribuição global pela V2 Records. Produzido por John Cornfield, com produção vocal de Paul Reeve e masterização de Steve Kitch, o trabalho apresentou uma abordagem mais direta e melódica, sem abandonar as raízes progressivas. Agora, com Tomorrow Is Now Today, a Lesoir abre um novo capítulo de sua carreira, reforçando a combinação entre composições elaboradas, mensagens humanistas e forte identidade musical.
StarAce leva rock brasileiro ao Barcelona Rock Fest e entra para seleto grupo de bandas nacionais no festival

A StarAce alcança um dos momentos mais importantes de sua trajetória nesta sexta-feira (3), quando faz sua estreia no Barcelona Rock Fest, um dos principais festivais de rock e heavy metal da Europa. A banda paulistana passa a integrar um grupo restrito de artistas brasileiros que já se apresentaram no evento, seguindo um caminho aberto pelo Sepultura em 2017. No line-up de 2026, a StarAce divide espaço com atrações de peso como Megadeth, The Offspring, Sex Pistols, Powerwolf, Bad Religion, Accept e Sabaton. O Cavalera também participa do festival, mas com uma carreira consolidada internacionalmente há décadas. Nesse contexto, a StarAce desponta como uma das principais representantes da nova geração do rock brasileiro no evento. A apresentação reforça a estratégia de internacionalização adotada pelo grupo desde sua formação. Com repertório em inglês e uma proposta voltada ao mercado global, a banda busca ampliar sua presença fora do Brasil sem abrir mão de uma identidade artística própria. Em um cenário cada vez mais dominado pela inteligência artificial e pela automação, a StarAce defende uma abordagem oposta. O grupo aposta na construção coletiva entre músicos e público, valorizando a espontaneidade das apresentações. Um dos exemplos é a escolha do setlist, normalmente definida poucos minutos antes do início de cada show, de acordo com a energia da plateia. Formada pelos irmãos Julio Starace (voz e guitarra), Luiz Starace (baixo) e Thomaz Starace (bateria), ao lado do guitarrista Chris Dias e da multi-instrumentista Bia Tucci, a banda reúne músicos com longa experiência na cena nacional. Os irmãos acumulam cerca de 25 anos de estrada e passaram pela Ted Marengos. Chris Dias integrou a banda de Lobão durante cinco anos, enquanto Bia Tucci também fez parte do Folk na Kombi, do duo Horses and Joy e participou de gravações de Zé Geraldo. Com influências que passam por Led Zeppelin, Rolling Stones, Bob Dylan, Muddy Waters, southern rock, blues e folk, a StarAce construiu uma sonoridade autoral baseada em riffs marcantes e forte conexão com a música ao vivo. ‘Real’ consolida identidade da banda Lançado em outubro de 2025, o álbum de estreia Real sintetiza a proposta artística da StarAce. O trabalho surgiu como uma resposta ao cenário de conteúdos produzidos em larga escala e reforça a valorização das experiências humanas, das imperfeições e da autenticidade. O videoclipe da faixa-título também acompanha o crescimento da banda e está próximo de alcançar a marca de um milhão de visualizações. O disco ainda recebeu respaldo de nomes importantes da indústria musical internacional. A produção contou com David Frangioni, profissional que trabalhou com Aerosmith, KISS e Ringo Starr. A mixagem ficou nas mãos do vencedor do Grammy Charles Dye, conhecido pelos trabalhos com Bon Jovi, Ricky Martin e Julio Iglesias. Além disso, o álbum traz participações do tecladista Derek Sherinian, ex-Dream Theater e colaborador de Alice Cooper e KISS, além do baterista Felipe Roseno, que já atuou ao lado de Ney Matogrosso e Maria Gadú. Turnê europeia continua em Valência Após a apresentação no Barcelona Rock Fest, a StarAce segue para Valência, onde toca no Peter Rock Club, na sexta-feira (4). A viagem marca a segunda passagem da banda pela Europa. Em 2025, o grupo realizou shows na Espanha e em Portugal durante a turnê The Real Tour. Ao longo de 2026, a StarAce também ampliou sua circulação pelo Brasil, incluindo a primeira turnê pela região Sul. A agenda do segundo semestre ainda prevê participações em festivais como Capital Moto Week, Rock Rio Pardo e Festival Hora do Rock, consolidando uma fase de expansão dentro e fora do país.
Entrevista | Usted Señalemelo – “Sempre tentamos buscar coisas novas”

Um dos maiores nomes do indie rock e da música alternativa sul-americana contemporânea, o trio argentino Usted Señalemelo aterrissa em São Paulo na noite deste sábado (27) para uma apresentação que promete ser histórica no Bar Alto. Acostumados a lotar arenas na Argentina e a rodar grandes festivais pelo mundo, incluindo uma passagem recente pelo Lollapalooza Chicago, os músicos trazem à capital paulista um formato intimista. O grande combustível da noite é o quarto álbum de estúdio do grupo, Términos & Condiciones, lançado no início de 2026. Sucessor do aclamado TRIPOLAR (indicado ao Latin Grammy), o novo trabalho marca uma virada corajosa do trio em direção às pistas de dança. Com uma sonoridade retrofuturista rica em synth-pop, texturas sombrias de eletrônica e batidas de drum and bass, o álbum quebra as fórmulas do rock tradicional e convida o público a habitar o movimento e a experimentação digital. Para esquentar os motores antes de subirem ao palco, o baterista, Lucca Beguerie Petrich, conversou com o Blog n’ Roll. Em um papo franco e descontraído, Lucca revelou os bastidores do processo de composição feito inteiramente em computadores, detalhou as inéditas parcerias de estúdio com o mexicano Jay de la Cueva e com os norte-americanos do Portugal. The Man, e analisou como o minimalismo estético do novo trabalho serve de manifesto contra o excesso de telas na sociedade moderna. A conexão do Usted Señalemelo com o Brasil não é de hoje, e Lucca fez questão de reforçar o carinho pelo público local. Relembrando o início da carreira, quando tocaram em São Paulo para apenas duas pessoas que já conheciam suas letras, o baterista celebrou o retorno à cidade ao lado de bandas parceiras da cena brasileira, como Boogarins e Terno Rei, e destacou o quanto o público do país é caloroso e aberto a novas e ousadas experiências sonoras. A apresentação de hoje no Bar Alto é uma oportunidade única de testemunhar a evolução de uma banda que se recusa a estagnar. Os ingressos para o evento estão disponíveis na Ingresse. Confira a seguir a íntegra da entrevista! Términos y Condiciones traz uma virada clara para as pistas de baile, mesclando synth-pop, drum’n’bass e disco. O que motivou o Usted Señalemelo a buscar essa sonoridade mais eletrônica e retrofuturista logo após o sucesso de TRIPOLAR? É um disco que, na hora de compor e começar a fazer as canções, nós o fizemos com muita gente. Foi a primeira vez que, na etapa de composição, incorporamos outros compositores ou produtores. Então isso nos deu um leque, uma quantidade de possibilidades de músicas que, quando começamos a pensar no álbum já como um corpo de trabalho e não como faixas isoladas, o eletrônico unia muito bem tudo o que tinha acontecido na composição. Além disso, nós sempre tivemos elementos eletrônicos nos nossos discos, sempre usamos sintetizadores, baterias eletrônicas, samplers, um pouco de tudo. Então, este disco foi uma aposta: vamos fazer com que o eletrônico seja um pouco o eixo do que está acontecendo a nível estético, algo que nunca tínhamos feito de forma tão explícita quanto agora. Foi um processo longo, muito digital. É um disco muito digital, feito inteiramente no computador e não em grandes estúdios, um processo bem diferente daqueles a que estávamos acostumados, que no geral eram mais orgânicos e de gravações clássicas de um disco de rock. Neste álbum foi como: vamos tentar fazer algo mais atual, com a forma como estamos trabalhando e as ferramentas que temos hoje, e ver o que acontece. O disco tem estruturas ousadas e mudanças inesperadas, como em Eso que llaman luz. Como foi o processo de composição e produção junto aos produtores para alcançar texturas complexas e imprevisíveis? Nós sempre nos caracterizamos por buscar dinâmicas nas músicas ou nos discos que talvez fujam do que estamos acostumados em termos de estruturas, melodias ou formas de compor. Sempre tentamos buscar coisas novas na hora de compor e gravar, caminhos que ainda não tínhamos trilhado para que nos levem a novos resultados. Sempre estivemos experimentando; há muitas músicas deste disco que tiveram várias versões, tanto em estrutura quanto em arranjos. Por isso, foi um trabalho que envolveu muito mais produção do que pré-produção. Foi muito mais sobre começar a gravar e começar a mudar tudo uma vez que já estava gravado, testando coisas novas. Há músicas que gravamos e terminaram completamente diferentes no disco, da primeira versão até a última. Nós nos damos essa liberdade de poder experimentar porque acreditamos que faz parte da nossa identidade e da nossa busca. Então não importa se é mais eletrônico, se é mais rock ou mais pop, sinto que sempre haverá esse selo nosso de buscar algo diferente, mesmo que esteja ligado a um gênero, entende? E, pela primeira vez na história do Usted Señalemelo, vocês tiveram colaborações de estúdio, com o mexicano Jay de la Cueva e com o Portugal. The Man. Como surgiram esses convites e como foi equilibrar a identidade de vocês com a deles? Nós assistimos ao show deles (Portugal. The Man) e tivemos uma conexão muito bonita. Eles são do Alasca, que fica bem ao norte dos Estados Unidos, nas montanhas, na neve, e nós somos de Mendoza, que é um pouco semelhante sob certo aspecto: somos da montanha, estamos longe das grandes cidades. Então já existia algo ali que nos conectava por si só, o fato de sermos bandas de rock de lugares fora do eixo onde as coisas costumam acontecer, com tudo o que isso custa para uma banda. Naquela noite, ficamos conversando um tempão sobre a vida, ficamos muito amigos, e eles estavam muito interessados em tudo o que estava acontecendo na cena alternativa em espanhol. Eles já tinham escutado bandas e artistas do México, da Argentina, então já estavam conectados com isso. Conversando, dissemos que um dia deveríamos fazer música juntos, como algo bem descompromissado, tranquilo, e eles toparam de primeira. Quando começamos a fazer essa faixa, que se chama Dando Vueltas, era uma música que imaginávamos com
Melton Sello lança É Mole? e prepara estreia do álbum OPA!

A banda carioca Melton Sello apresentou nesta semana o single É Mole?, última prévia antes do lançamento de OPA!, primeiro álbum de estúdio do quarteto, previsto para chegar às plataformas digitais em 10 de julho. Conhecido por transformar situações do cotidiano em músicas leves e bem-humoradas, o grupo mantém essa proposta na nova faixa, que nasceu de um bordão ouvido com frequência pelos integrantes em um dos bares que costumam frequentar. O lançamento marca mais um passo da banda em sua consolidação dentro da cena independente do pop punk nacional. A inspiração para É Mole? veio de Teixeira, garçom de um bar frequentado pelos músicos, que costuma repetir a frase “Você é tão demais pra mim”. A expressão acabou sendo incorporada pela banda como uma maneira divertida de representar situações em que alguém ou alguma coisa parece estar além do alcance. Segundo o vocalista Caio Paranaguá, essa ideia serviu de ponto de partida para a composição da música, que combina uma letra descontraída com uma sonoridade que aproxima o pop punk clássico de elementos mais modernos, apostando em um beat marcante e refrões de fácil assimilação. Formada no Rio de Janeiro, a Melton Sello vem construindo sua identidade a partir de referências da cultura brasileira e do humor popular. O próprio nome da banda faz homenagem ao ator que interpretou Chicó em O Auto da Compadecida, enquanto o EP de estreia, Só Sei Que Foi Assim, lançado em 2023, também faz referência a uma das frases mais conhecidas do personagem. Desde então, o grupo passou a chamar atenção por unir melodias acessíveis, letras irreverentes e uma abordagem que conversa diretamente com o cotidiano de seu público. Os singles Dei Bobeira e Para com Essa Parada ajudaram a ampliar a visibilidade da banda e abriram caminho para OPA!, primeiro álbum da carreira. A expectativa é que o disco reúna as principais características que marcaram os primeiros lançamentos da Melton Sello, mas também apresente uma evolução na produção e nos arranjos. Com É Mole?, o quarteto entrega a última peça desse quebra-cabeça antes da chegada do álbum, reforçando sua aposta em um pop punk descontraído, bem-humorado e conectado à nova geração da música independente brasileira.
Placebo relança álbum de estreia em versão remasterizada após 30 anos

Trinta anos depois de apresentar um dos discos mais influentes do rock alternativo dos anos 1990, o Placebo revisita suas origens com Placebo RE, nova versão de seu álbum de estreia. Produzido a partir das fitas master originais, o projeto atualiza a sonoridade do clássico lançado em 1996, preservando sua identidade, mas incorporando a evolução que as canções ganharam ao longo de décadas de apresentações ao vivo. O lançamento celebra a trajetória da banda britânica e convida uma nova geração de ouvintes a redescobrir um trabalho que marcou época. Quando chegou às lojas em 1996, Placebo chamou atenção por romper padrões dentro do rock britânico. Liderado por Brian Molko e Stefan Olsdal, o grupo se destacou em meio ao auge do britpop ao apostar em uma sonoridade mais sombria, influenciada pelo rock alternativo, pós-punk e glam rock. Ao mesmo tempo, as letras abordavam temas como sexualidade, identidade de gênero, isolamento e dependência química de maneira aberta e provocativa, algo pouco comum no cenário musical da época. Faixas como Nancy Boy, 36 Degrees e Bruise Pristine ajudaram a transformar o disco em um marco da década e consolidaram o Placebo como uma das bandas mais importantes do rock europeu. Segundo a banda, Placebo RE não busca reinventar o álbum original, mas refletir a forma como essas músicas amadureceram após milhares de apresentações ao redor do mundo. O novo tratamento sonoro foi desenvolvido diretamente a partir das gravações originais, permitindo destacar detalhes antes menos perceptíveis e aproximando o resultado da intensidade que o trio costuma entregar nos palcos. A proposta é oferecer uma experiência renovada sem descaracterizar o espírito do disco que apresentou o Placebo ao mundo. Ao longo de três décadas, o Placebo construiu uma carreira marcada pela constante reinvenção. Álbuns como Without You I’m Nothing, Black Market Music, Sleeping with Ghosts e Meds ampliaram a influência da banda sobre diferentes gerações de artistas e fãs do rock alternativo. Mesmo acompanhando as transformações da indústria musical, Brian Molko e seus parceiros mantiveram uma identidade própria, tornando o grupo uma referência para quem busca músicas que combinam intensidade emocional, experimentação e questionamentos sociais. Com Placebo RE, a banda reafirma a importância de um álbum que continua atual e relevante mesmo 30 anos após seu lançamento.
Riviera Gaz lança Monomania e reúne integrantes de Sonic Youth, Pitty e Forgotten Boys

O Riviera Gaz apresentou nesta semana o single Monomania, faixa que antecipa o álbum Catacroma e marca uma nova etapa na trajetória do trio. Com atmosfera cinematográfica, elementos psicodélicos e uma proposta sonora mais expansiva, a música explora a ideia da obsessão e aponta para um trabalho que promete ampliar os horizontes criativos da banda. O lançamento reforça a identidade autoral do grupo, que reúne músicos com passagens por alguns dos nomes mais importantes do rock brasileiro e internacional. O trio é formado por Gustavo Riviera, guitarrista, cantor e fundador da banda Forgotten Boys, um dos principais nomes do garage rock brasileiro; Paulo Kishimoto, baixista conhecido pelo trabalho com a banda Pitty e também por sua atuação como jornalista e produtor ligado ao mercado da música; e Steve Shelley, baterista do Sonic Youth, banda fundamental para a consolidação do rock alternativo e experimental nas décadas de 1980 e 1990. A união dos três músicos faz do Riviera Gaz uma espécie de superbanda, combinando diferentes influências que vão do punk e garage rock ao indie e à psicodelia. Segundo o grupo, Monomania representa uma evolução natural da sonoridade desenvolvida desde a formação da banda. A faixa aposta em texturas mais densas, arranjos contemplativos e uma construção que remete ao universo do cinema e da ficção, criando uma experiência imersiva para o ouvinte. O single também funciona como uma prévia do que será apresentado em Catacroma, álbum que promete explorar novas possibilidades sonoras sem abandonar a essência rock que caracteriza os integrantes do projeto.