Dark Chapel entra na turnê do Black Label Society e Zakk Wylde fará show duplo em São Paulo

A turnê brasileira do Black Label Society ganhou dois atrativos extras para os fãs de heavy metal. A principal novidade é a inclusão do Dark Chapel como banda de abertura em todas as apresentações pelo país. Liderado pelo guitarrista e vocalista Dario Lorina, integrante do próprio Black Label Society desde 2014, o grupo norte-americano acompanhará Zakk Wylde em todas as datas da excursão marcada para outubro. A presença do Dark Chapel reforça ainda mais a conexão da turnê com o universo criativo de Wylde. Embora seja conhecido pelo trabalho ao lado do guitarrista, Lorina desenvolve uma carreira paralela que ganhou força com o lançamento de “Spirit in the Glass”, álbum de estreia do Dark Chapel, lançado em 2025. O disco reúne elementos de metal alternativo, grunge, blues e hard rock, equilibrando peso e melodias em faixas como “Glass Heart”, “Hollow Smile”, “Corpse Flower” e “Dead Weight”. Antes de integrar o Black Label Society, Dario Lorina chamou atenção ainda adolescente ao tocar com Jani Lane, ex-vocalista do Warrant, e posteriormente integrar a banda Lizzy Borden. Além do trabalho com o Dark Chapel, o músico também possui uma carreira instrumental consolidada, com dois álbuns lançados pela tradicional gravadora Shrapnel Records. Sua participação na turnê brasileira oferece ao público a oportunidade de conhecer uma faceta diferente de um dos músicos mais próximos de Zakk Wylde nos últimos anos. Confira aqui a entrevista com Zakk Wylde feita neste ano Outra novidade anunciada pela organização envolve a apresentação de São Paulo, no dia 18 de outubro, na Terra SP. Pela primeira vez no Brasil, Zakk Wylde fará dois shows no mesmo evento. Antes da apresentação principal com o Black Label Society, o músico sobe ao palco com o Zakk Sabbath, projeto dedicado a revisitar clássicos do Black Sabbath. O formato repete a dobradinha que o guitarrista já vem levando para os Estados Unidos e Europa, reunindo duas fases distintas de sua trajetória em uma única noite. A passagem pelo Brasil acontece poucos meses após o lançamento de “Ozzy’s Song”, homenagem que o Black Label Society fez a Ozzy Osbourne após a morte do cantor em 2025. Com mais de 25 anos de estrada, a banda segue como um dos principais nomes do heavy metal contemporâneo, agora acompanhada por uma das revelações mais promissoras do círculo criativo de Zakk Wylde.
Wally, ex-CPM 22, lança EP de estreia de sua nova banda Trompas

O guitarrista e vocalista Wally, conhecido por ter sido um dos fundadores do CPM 22, apresentou o EP de estreia de sua nova banda, Trompas. Intitulado “Anxiety”, o trabalho já está disponível nas plataformas digitais e reúne seis faixas que transitam entre sludge, stoner e grunge, apostando em riffs pesados, andamentos arrastados e atmosferas carregadas. O lançamento marca oficialmente o início da trajetória do trio, formado ainda por Benhur Lima, ex-Hibria, e Thiago Caurio, parceiro de Wally desde os tempos do Astafix. Construído a partir de temas como ansiedade, frustração, desgaste emocional e os aspectos mais sombrios da experiência humana, o EP apresenta uma sonoridade que dialoga com referências como Black Sabbath, Nirvana, Crowbar, Mastodon e Monolord. Em vez de buscar uma simples homenagem ao passado, o Trompas utiliza essas influências para criar uma identidade própria baseada em peso, densidade e intensidade emocional. Antes do lançamento completo, três faixas já haviam antecipado o universo do disco. “Ten Year Hate”, que aborda o acúmulo de desgaste emocional ao longo do tempo, ultrapassou a marca de 200 mil visualizações no YouTube. Na sequência vieram “Lost Again”, inspirada por sonhos recorrentes ligados a um relacionamento conturbado, e “Anxiety” (clipe acima), composição nascida das inquietações vividas durante o período da pandemia. Os três singles ganharam videoclipes que ajudaram a apresentar a estética visual da banda ao público. O EP também traz as inéditas “Trip” e “Fading Face”. A identidade visual do projeto tem participação direta de Wally, responsável pelas fotografias utilizadas na capa do trabalho e no single “Anxiety”. Enquanto a arte do EP retrata uma Nova Iorque vertiginosa, a imagem da faixa-título contrapõe a tranquilidade de um gramado ao ruído simbólico de antigos telefones desativados, reforçando os conceitos explorados nas canções. Formado em 2024, o Trompas surgiu da amizade e da experiência compartilhada entre músicos que já passaram por diferentes fases do rock e do metal brasileiro. O nome da banda faz referência às primeiras formas de instrumentos de sopro, construídos a partir de chifres de animais. Segundo Wally, a escolha remete à ideia de força, comunicação e conexão com algo primitivo, características que também ajudam a definir o som robusto e pesado do grupo. Com o lançamento de “Anxiety”, a banda inicia uma nova etapa e já prepara material inédito para os próximos meses.
Ploho anuncia turnê pelo Brasil com seis shows em novembro

A banda russa Ploho voltará ao Brasil em novembro de 2026 para uma turnê de seis apresentações. O grupo, considerado pela revista ReGen Magazine uma das principais vozes da nova onda da música russa, passará por São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belém. A excursão integra a rota latino-americana da banda e amplia a relação construída com o público brasileiro desde a estreia no país, em 2024, quando realizou um show único em São Paulo. A turnê brasileira da Ploho passará por seis cidades em novembro. A banda se apresenta em 12 de novembro no Jai Club, em São Paulo; 13 de novembro no Basement Cultural, em Curitiba; 14 de novembro no Célula Showcase, em Florianópolis; 15 de novembro no Opinião, em Porto Alegre; 16 de novembro no Garage Grindhouse, no Rio de Janeiro; e encerra a passagem pelo país em 18 de novembro, no Studio Pub, em Belém. Os ingressos para todas as datas estão à venda pela plataforma 101 Tickets. Formada em 2013 na cidade siberiana de Novosibirsk, a Ploho se consolidou como um dos principais nomes do pós-punk russo contemporâneo. Com guitarras melancólicas, baixo em destaque, sintetizadores econômicos e letras cantadas em russo, a banda construiu uma identidade própria abordando temas como isolamento urbano, memória, desencanto e tensão social. O próprio nome do grupo traduz parte dessa proposta. Em russo, “ploho” significa algo próximo de “mal” ou “ruim”, refletindo a atmosfera sombria presente em sua obra. Frequentemente comparada a nomes como Molchat Doma, Motorama e Human Tetris, a Ploho encontrou um caminho particular ao unir referências do rock russo dos anos 1980, da new wave soviética e do pós-punk europeu. A influência da lendária banda Kino é perceptível, mas o grupo evitou transformar essas referências em mero exercício nostálgico. O reconhecimento internacional ganhou força a partir de 2020, quando assinou contrato com a Artoffact Records, selo canadense conhecido por seu catálogo ligado ao pós-punk, darkwave e música alternativa. A discografia da banda ajudou a consolidar sua presença fora da Rússia. Álbuns como “Where the Birds Fly Away to Die” (2018), “Pyl” (2019), “Phantom Feelings” (2021) e “When the Soul Sleeps” (2022) expandiram seu alcance internacional. Já “Soil”, lançado em 2024, marcou uma fase mais madura, abordando temas como desgaste social, destruição ambiental, anticapitalismo e sobrevivência emocional, sem abandonar a sonoridade característica baseada em linhas de baixo marcantes, vocais graves e sintetizadores discretos. A trajetória recente da Ploho também foi impactada pelas transformações políticas no Leste Europeu. Após a invasão russa da Ucrânia, os integrantes deixaram a Rússia e passaram a desenvolver suas atividades fora do país. Mesmo distante de sua terra natal, a banda manteve o idioma russo como elemento central de sua identidade artística, reforçando a conexão com sua origem e com o imaginário presente em suas composições. Nos palcos, a Ploho aposta na intensidade construída pela repetição e pela atmosfera. Sem recorrer a excessos visuais, o grupo cria apresentações marcadas por baixo pulsante, bateria direta, guitarras frias e melodias persistentes. A nova turnê chega em um momento de intensa atividade, impulsionada pela edição deluxe de “Soil”, lançada em 2025, além do registro ao vivo “Dobrolet Sessions” e dos singles mais recentes. Antes de desembarcar no Brasil, a banda ainda passará por México, Costa Rica, Peru, Argentina e Chile.
Dethklok anuncia primeiro show no Brasil e celebra 20 anos de Metalocalypse

O Dethklok, banda que nasceu dentro da animação Metalocalypse e se transformou em um fenômeno real do heavy metal, fará sua estreia no Brasil em 27 de outubro. A apresentação única acontece na Burning House, em São Paulo, marcando a primeira visita do grupo ao país em uma turnê que celebra os 20 anos do projeto criado por Brendon Small e Tommy Blacha. Os ingressos já estão à venda pela plataforma 101 Tickets. Criado originalmente para a série exibida pelo Adult Swim, bloco de programação adulta ligado à Cartoon Network nos Estados Unidos, o Dethklok surgiu como uma sátira aos excessos do universo do metal. Na trama, a banda é retratada como o maior grupo do planeta, capaz de movimentar fortunas, provocar caos e influenciar multidões. O que começou como uma piada ganhou contornos reais graças ao trabalho de Brendon Small, que escreveu músicas completas para o projeto, transformando a banda fictícia em uma atração legítima dos palcos e dos serviços de streaming. A força musical do Dethklok também ajudou a consolidar sua reputação entre os fãs de metal. As gravações contaram desde o início com o baterista Gene Hoglan, conhecido por trabalhos com Death, Testament, Dark Angel e Strapping Young Lad. O resultado apareceu em The Dethalbum, lançado em 2007, disco que levou para fora das telas músicas como Murmaider, Awaken, Thunderhorse e Go Into the Water. O sucesso abriu caminho para Dethalbum II, Dethalbum III e a ópera metal The Doomstar Requiem, ampliando o universo construído pela animação. Depois de um longo período de hiato, o projeto voltou aos holofotes em 2023 com Dethalbum IV e o filme Metalocalypse: Army of the Doomstar, que encerrou tramas aguardadas pelos fãs da série. Em 2026, ano em que completa duas décadas de existência, a banda revisitou seu álbum de estreia com The Dethalbum DKXX: Dethmastered, edição remixada e remasterizada que serve como um dos pilares da atual turnê comemorativa. Nos palcos, o Dethklok vai além de um show convencional. A apresentação mistura performance musical e elementos audiovisuais inspirados diretamente em Metalocalypse, criando uma experiência que conecta o peso do death metal melódico ao universo visual da animação. A formação atual reúne Brendon Small nos vocais e guitarra, Gene Hoglan na bateria, Pete Griffin no baixo e Nili Brosh na guitarra, músicos que ajudam a transformar em realidade uma das histórias mais improváveis e bem-sucedidas da cultura pop ligada ao metal. SERVIÇO Dethklok em São Paulo/SP Data: 27 de outubro de 2026 Local: Burning House (Avenida Santa Marina, 247. Bairro Água Branca, São Paulo/SP) Ingressos: 101tickets.com.br/events/details/DETHKLOK-EM-SAO-PAULO Realização: Rodia Soundwave Agency LLC e Xaninho Discos
Abissal apresenta o novo single “Ametista” e se prepara para o Casalango Fest

A banda Abissal lançou o single “Ametista”, primeira amostra do EP Flashes, previsto para os próximos meses via Casalago Records. A faixa aposta em uma construção sonora que transita entre o rock alternativo e o post-rock, explorando atmosferas melancólicas e progressões instrumentais intensas. Produzida por Gui Godoy, a música parte de harmonias de guitarras e vozes em camadas para desenvolver uma narrativa marcada pela memória, culminando em um desfecho instrumental carregado de emoção. Segundo a proposta conceitual da banda, “Ametista” aborda a forma como lembranças retornam de maneira fragmentada, surgindo como imagens difusas atravessadas por afetos, ruídos e lacunas. A composição cresce gradualmente, sem pressa de atingir seu ápice, privilegiando a construção de texturas e contrastes dinâmicos. O resultado é uma faixa que combina delicadeza e densidade, com influências que remetem ao universo sonoro do Radiohead. O lançamento também marca uma nova etapa na trajetória da Abissal. Após o EP Sutra, lançado em março, o grupo amplia sua exploração de temas introspectivos e desloca o foco para as memórias e suas diferentes formas de permanência. A identidade visual desse novo ciclo acompanha o conceito das músicas, com capas produzidas a partir de ensaios fotográficos subaquáticos realizados pelos próprios integrantes. As imagens reforçam a ligação com o nome da banda e utilizam a água como metáfora para o surgimento e a transformação das lembranças. Formada por Murilo Ferragut (voz e guitarra), Bruno Cavalcanti (baixo), Dan (guitarra) e Uncas (bateria), a Abissal surgiu com raízes no rock alternativo e no grunge dos anos 1990, mas vem incorporando elementos de dream pop, indie e post-rock em seus trabalhos mais recentes. Essa evolução sonora poderá ser conferida ao vivo no dia 26 de junho, quando a banda sobe ao palco do Casalago Fest, em São Paulo, ao lado de Maré Tardia, CHVVV e Julieta Social. O show será uma das primeiras oportunidades para o público conhecer de perto a nova fase do grupo.
Casalago Fest estreia em São Paulo com line-up voltado à cena independente

Tradicional no interior paulista, o Casalago Fest chega pela primeira vez à capital paulista no próximo dia 26 de junho, ocupando o palco do La Iglesia, em Pinheiros. Promovido pela Casalago Records, selo independente sediado em Jundiaí, o evento reúne Julieta Social, Abissal, CHVVV e Maré Tardia em uma edição que simboliza um novo passo na trajetória do projeto, ampliando sua atuação para além dos limites do circuito regional. Criado a partir da movimentação da Casalago Records na cena alternativa do interior de São Paulo, o festival consolidou-se como uma vitrine para artistas autorais ligados ao universo do selo. A chegada à capital não representa apenas uma mudança geográfica, mas uma expansão natural de um trabalho que vem fortalecendo conexões entre bandas independentes e novos públicos. Segundo Gui Godoy, fundador da Casalago Records, o objetivo é aproximar a produção do selo de ouvintes que acompanham a cena fora dos circuitos tradicionais. O line-up reflete essa proposta. A Julieta Social se apresenta como um projeto coletivo construído a partir do encontro entre diferentes artistas, priorizando a colaboração e a criação compartilhada. Já a Abissal, integrante do catálogo da Casalago, mistura referências do rock alternativo e do grunge noventista com elementos de dream pop, indie e post-rock, construindo atmosferas densas e emocionais. Representando o Espírito Santo, a Maré Tardia traz ao festival sua combinação de surf punk e indie rock, marcada por guitarras carregadas de efeitos, base rítmica intensa e influências que vão de Dick Dale aos The Strokes. Completa a programação a CHVVV, um dos nomes emergentes do post-rock nacional, que ganhou destaque com o EP Chuva e atualmente trabalha em seu primeiro álbum cheio, incorporando novas experimentações sonoras, incluindo vocais femininos e flauta em sua formação. Serviço Casalago FestBandas: Julieta Social, Abissal, CHVVV e Maré TardiaData: 26 de junho de 2026 (sexta-feira)Horário: 19hLocal: La IglesiaEndereço: Rua João Moura, 515, Galpão 6, Pinheiros, São Paulo/SP.
Water Rats aposta na estética retrô e energia crua em novo single “Robert Flag”

O Water Rats apresentou nesta semana o single e videoclipe de “Robert Flag”, mais uma prévia de MACRODOSE, novo álbum da banda curitibana que chega às plataformas digitais na próxima semana, no dia 23 de junho, pelos selos Forever Vacation Records e Laja Records. Formado por Alexandre Capilé, Pedro Grips, Bi Free e Renê Bernuncia, o grupo segue explorando sua mistura de punk rock, garage rock e rock alternativo, agora em uma faixa que amplia as possibilidades sonoras da banda sem perder a identidade construída ao longo de mais de uma década na cena independente. “Robert Flag” gira em torno de um personagem dividido entre extremos. A letra acompanha alguém que transita entre referências distintas, como Led Zeppelin e Black Flag, enquanto tenta equilibrar desejo, insegurança e raiva. Com uma abordagem carregada de ironia e humor, a música desacelera em relação ao punk mais acelerado que costuma marcar o repertório da banda, apostando em uma atmosfera mais crua e alternativa. A gravação segue a filosofia adotada em todo o álbum MACRODOSE. As faixas foram registradas ao vivo, sem excesso de edição ou artifícios de estúdio, priorizando a captura da energia natural do grupo. Produzida pelo próprio Water Rats, a música foi gravada por Alexandre Capilé e João Manoel, com mixagem e masterização assinadas por Capilé e Gabriel Zander no Estúdio Costella, em São Paulo. O lançamento também chega acompanhado de um videoclipe dirigido por Rafael Rocha, fundador da Revista Noise e nome conhecido do audiovisual brasileiro. Filmado integralmente em Betacam, o vídeo mergulha na estética visual dos anos 1980 e 1990, explorando texturas analógicas, cores saturadas e um visual propositalmente low budget. Produzido em chroma key, o clipe coloca a banda em cenários artificiais e surreais, enquanto o ator Tiago Marvin interpreta o personagem Robert Flag e conduz a narrativa visual. Fundado em Curitiba, em 2012, o Water Rats construiu uma trajetória sólida dentro do rock independente brasileiro. A banda já lançou os álbuns Ugly By Nature (2014), Year 3000 (2017) e Tetrix (2022), além do EP Hellway to High (2016), produzido por Jack Endino. Ao longo da carreira, o grupo realizou turnês pelo Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos, passando por festivais importantes, incluindo uma apresentação no Primavera Sound Barcelona, e trabalhando com nomes como Jack Endino e Thurston Moore. Agora, com MACRODOSE prestes a chegar ao público, o quarteto reafirma sua disposição em seguir expandindo fronteiras sonoras sem abrir mão da intensidade e da atitude que transformaram o Water Rats em uma das bandas mais consistentes da cena independente nacional.
Varado une Anderson Foca e Fabrício Nobre em estreia urgente e sem filtros pelo selo Dosol

Depois de anos cruzando caminhos nos bastidores da música independente brasileira, Anderson Foca e Fabrício Nobre finalmente dividiram o mesmo estúdio para dar vida ao projeto Varado. O resultado desse encontro é o EP homônimo lançado pelo selo Dosol, trabalho que aposta na espontaneidade e na energia crua do rock e do garage punk. Com cinco faixas gravadas em menos de dez horas no Estúdio Costella, em São Paulo, o registro foi concebido praticamente ao vivo, priorizando a captura do momento em vez de uma produção excessivamente lapidada. Produzido por Anderson Foca, o EP também contou com a participação de músicos das bandas Sugar Kane e Zander. Carlos Fermentão assinou a coprodução do trabalho e gravou os instrumentos, enquanto Alexandre Capilé colaborou diretamente nas gravações ao lado de Gabriel Zander. Segundo Foca, as composições foram pensadas especialmente para a interpretação de Fabrício Nobre, trazendo letras que refletem inquietações pessoais e sociais compartilhadas pela dupla ao longo dos anos. As cinco músicas exploram diferentes perspectivas sobre o cotidiano contemporâneo. “Fenda Vil do Tempo” aborda a relação com a passagem do tempo e os papéis sociais, enquanto “Sente-se” discute as transformações do presente e os desafios da masculinidade. Já “Água Parada” reflete sobre envelhecimento e movimento, “Pensamento Linear” critica posturas rígidas e conservadoras, e “De Volta ao Começo” encerra o trabalho mergulhando em ciclos de excessos, consumo e dependência tecnológica. A proposta estética do Varado também se estende ao visual. A capa, criada por Caio Vitoriano com ilustração de Anderson Foca, faz referência a processos gráficos manuais, contrastando com a hiperconectividade atual. Os videoclipes seguem a mesma filosofia, com uma estética garageira, direta e sem filtros. Para Foca, o projeto também carrega uma mensagem geracional importante: nunca é tarde para começar algo novo. Aos mais de 50 anos, ele e Fabrício Nobre transformam a amizade de décadas em um disco que celebra liberdade criativa, urgência artística e o prazer de continuar fazendo música.
Frutas, stage dives e “my mame is Dangerous”: a apoteose krishnacore do Shelter em Santos, em 1996

O ano era 1996 e o hardcore dominava a MTV Brasil. Se você ligasse a TV em qualquer tarde daquele ano, era questão de tempo até o clipe de Here We Go invadir a tela com sua energia contagiante. A faixa catapultou o álbum Mantra (1995) e transformou o Shelter, banda americana liderada por Ray Cappo (ex-Youth of Today), em um fenômeno global. A sonoridade agressiva contrastava com a mensagem pacifista e espiritual de orientação hindu, criando um subgênero próprio: o krishnacore. E foi exatamente no auge dessa febre, em junho de 1996, que a banda desembarcou no Brasil para uma turnê histórica. Além de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, a rota incluiu uma parada obrigatória na Baixada Santista. O resultado? Um dos shows mais caóticos, divertidos e inusitados da história de Santos. Palco improvável e a ironia do destino do Shelter em Santos A ironia de uma banda estritamente vegetariana tocar em um antigo restaurante chinês não passou despercebida. O relato histórico do fanzine santista Surf Core detalhou perfeitamente a atmosfera daquela noite. O Cadillac Café, na Avenida Conselheiro Nébias, 788, provou ser um cenário impecável para o hardcore: com dois andares, palco na altura ideal e duas caixas de som gigantes, a estrutura parecia ter sido feita sob medida para os stage dives. A abertura foi uma celebração à parte. O Cólera, com o saudoso Redson, subiu ao palco em formato power trio e entregou um set rápido e agressivo. Em seguida, o Garage Fuzz, que estava há tempos sem tocar em casa por conta da composição de novas músicas, matou a saudade e fez “todo mundo pogar”, com o então vocalista Alexandre Sesper (Farofa) dedicando o show a todos os animais que haviam sido sacrificados ali no passado. O Blind fechou o suporte mostrando sua forte influência do punk rock dos anos 80. Quando o Shelter finalmente assumiu os instrumentos, a catarse foi imediata. Para Marco Casado Lima, fã que esteve presente, a escolha do local refletia a essência da cena na época: “Punk/HC é foda… sempre que um lugar abria espaço, é porque já tava ruim das pernas. Era tipo a última cartada dos donos desesperados”. Quando o Shelter subiu ao palco, a catarse foi imediata. “A galera dava stage dive do mezanino, aquilo me impressionou. Me senti num show do Bad Brains em Nova York no início dos anos 80”, relembra Marco. Camarim vegano para o Shelter em Santos e a ajuda divina Para o produtor do show, Alexandre Macia, o Pepinho, a noite marcou sua estreia com atrações internacionais. “Foi super bem-sucedido, deu sold out. Foi fácil de vender porque Here We Go estava tocando não só na MTV, como nas rádios de rock. Acabaram os ingressos e ainda tinha gente querendo”, conta. Mas se os números de bilheteria eram de rockstars, o rider (lista de exigências) do camarim pegou o produtor de surpresa. Acostumado a comprar cerveja e uísque para bandas de metal, Pepinho se viu em um cenário diferente com os devotos de Krishna, que na época contavam com ninguém menos que Roy Mayorga (que depois brilharia no Soulfly e Stone Sour) na bateria. “Os caras só queriam fruta! Eu fiz a feira pela primeira vez na minha vida graças ao Shelter, comprando mamão papaya, banana… E os caras eram muito gente fina, de boa”, diverte-se o produtor. A logística ainda contou com uma “intervenção divina”: “O templo Hare Krishna de Santos fez questão de levar a banda para almoçar no dia do show. Isso foi uma maravilha, economizei um bom dinheiro de rango!” “Hi, my name is Dangerous” O clima amigável de Ray Cappo rendeu uma das histórias mais hilárias dos bastidores santistas. Pepinho havia prometido ao seu funcionário da loja Metal Rock, apelidado de “Perigoso” e fã do Shelter, que o apresentaria ao ídolo. Durante a montagem do palco, Cappo pediu para tomar uma água de coco. Pepinho topou, com a condição de passarem na loja primeiro. “Quando eu entro na loja com o Ray Cappo, o Perigoso quase desmaiou”, relembra o produtor. Tomado pela emoção e querendo impressionar o ídolo em inglês, o fã cometeu um erro de tradução fatal na hora de se apresentar. “O Perigoso, em vez de falar o nome, traduziu o próprio apelido. Ele soltou um: ‘Hi! My name is Dangerous!’. O Ray Cappo chorou de rir de encostar na parede. Ele ria e falava: ‘Ok, sorry, you are dangerous!’. Puta, coitado do Perigoso”, gargalha Pepinho. Caos no mosh, cusparada e a debandada dos “modistas” O sucesso estrondoso de Here We Go nas rádios e na TV cobrou seu preço na pista. Se o produtor Pepinho celebrou o sold out, o fanzine Surf Core relatou o que isso significou na prática: foram mais de mil ingressos vendidos para um espaço que, teoricamente, não comportava aquele volume de pessoas. “Não cabe isso tudo, mas coube”, resumiu a publicação. Essa superlotação misturou a velha guarda do punk com o público novato atraído pela MTV, gerando atritos. A empolgação com os saltos do mezanino e invasões de palco fugiu do controle. Em determinado momento, os “babacas de plantão” invadiram tanto o espaço da banda que uma das músicas do Shelter acabou sendo tocada de forma quase totalmente instrumental, pois Ray Cappo mal conseguia cantar. O clima, que era de festa, atingiu um pico de tensão com uma atitude inaceitável. Sempre pregando o pacifismo e o respeito, o vocalista parou o show e ameaçou não continuar após um fã dar uma cusparada na intérprete que estava no palco tentando traduzir as mensagens da banda para o público. Apesar do estresse, a apresentação teve um “filtro” natural. Assim que o super hit Here We Go foi executado, ocorreu um fenômeno clássico dos anos 90 relatado pelo fanzine: os “modistas” deram a noite por encerrada e foram embora para casa. Foi só a partir desse momento, com a pista respirando um pouco mais, que os fãs reais de krishnacore puderam absorver a agressividade musical do Shelter