Balaclava Records anuncia data extra de Godspeed You! Black Emperor

Com ingressos esgotados, o selo e produtora Balaclava Records anunciou nova data para a banda canadense Godspeed You! Black Emperor, um dos nomes mais influentes no gênero post-rock. Além de 23 de novembro, eles se apresentam no dia 24, na Audio, em São Paulo. Os ingressos já estão à venda online no site da Ingresse, nos setores Pista e Camarote. Para quem deseja comprar sem taxa de conveniência, o Takkø Café é o ponto de venda físico oficial, no bairro Vila Buarque. Confira os dias e horários de funcionamento do estabelecimento. Godspeed You! Black Emperor lançou uma série de álbuns entre 1997 e 2002, amplamente reconhecidos por redefinir o que a música de protesto pode ser, em que composições instrumentais de rock de câmara de longa duração, carregadas de sentimento e poder, servem como trilha sonora para a alienação e resistência do capitalismo tardio.  Os quatro primeiros lançamentos da banda, especialmente F#A#∞ (1997) e Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven (2000), são considerados clássicos da época e do gênero. As lendárias performances ao vivo do Godspeed, com múltiplos projetores de 16mm exibindo uma colagem de loops e rolos de filmes analógicos sobrepostos, juntamente com a iconografia, as imagens e a textura características das capas dos álbuns e das embalagens físicas dos LPs, definem ainda mais a essência estética, o ethos e o mito sui generis deste grupo. O GY!BE divulgou apenas duas fotos oficiais da banda em seus 25 anos de existência e concedeu meia dúzia de entrevistas escritas, respondidas coletivamente durante esse mesmo período. A banda nunca teve um site ou contas em redes sociais. Nunca lançou um videoclipe. Poucas bandas de rock do século XXI foram tão firmes em deixar o trabalho falar por si só e em manter regras simples para minimizar a participação em culturas de personalidade, exposição, acesso, mercantilização ou cooptação. Após um hiato de sete anos que começou em 2003, o Godspeed retornou aos palcos em dezembro de 2010 (como curador do festival britânico All Tomorrow’s Parties), e o período pós-reunião da banda já dura mais de uma década, marcado por centenas de shows com ingressos esgotados e quatro álbuns adicionais, todos aclamados pela crítica. NO TITLE AS OF 13 FEBRUARY 2024 28,340 DEAD, o quinto álbum da banda após a reunião (e o nono no geral), foi lançado em 4 de outubro de 2024. Balaclava Records apresenta: Godspeed You! Black Emperor em São Paulo  Data: 24 de Novembro de 2026, terça-feira (Data extra!) Local: Audio Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 694 – Água Branca, São Paulo – SP, 05001-100 Horários: Portas 20h / Show 21h30 Classificação etária: 16+ / menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsável legal Ingressos * Ponto de venda físico (sem taxa de conveniência) Takkø Café – R. Maj. Sertório, 553 – Vila Buarque – São Paulo/SP Horários: Terça à Sexta, das 8h às 17h / Sáb, dom e feriados, das 9h às 18h. Saiba mais em @takkocafesp no Instagram

LP lança Best In Life, nova prévia de Room 12

A cantora norte-americana LP lançou Best In Life, novo single de Room 12, oitavo álbum de estúdio da artista, que chega às plataformas em 2 de setembro. Depois de Love Is All I Have, a nova faixa oferece mais um recorte do universo do disco. Em Best In Life, LP reflete sobre autenticidade, liberdade e a escolha de viver de acordo com a própria identidade, em vez de corresponder às expectativas impostas pela sociedade. Sobre a canção, LP comenta: “Best In Life fala sobre aproveitar ao máximo a vida sendo exatamente quem você é e fazendo aquilo que te faz feliz. É uma música sobre não se prender às normas sociais nem àquilo que os outros determinam como a maneira certa de viver.” Composta por LP em parceria com Andrew Berkeley Martin e produzida pela dupla ao lado de Mike Del Rio, a faixa combina uma abordagem orgânica com a interpretação intensa que marca a obra da artista. A gravação reúne ainda contribuições de Bobby Victor, Camilla Charlesworth e Sterling Laws. Ao longo de 2026, LP segue em turnê com All Is Not Lost World Tour, que celebra os dez anos de Lost On You, álbum responsável por consolidar sua projeção internacional. Além de apresentar canções inéditas de Room 12, os shows contam com um segmento especial dedicado à execução integral de Lost On You, em homenagem ao aniversário do disco.

Balara apresenta “Acusticamente” no Blue Note SP

Após conquistar o topo das rádios de MPB com o sucesso Algo Me Diz, parceria que uniu sua voz à de Jorge Vercillo, o cantor e compositor Balara prepara um encontro intimista com seu público. No próximo domingo (26 de julho), ele sobe ao palco do Blue Note São Paulo para apresentar o espetáculo Acusticamente, uma noite desenhada para valorizar a canção em sua forma mais pura: voz e violão. O show é um desdobramento do projeto audiovisual que deu nome à turnê e reflete a crença de Balara de que “menos é mais”. Ao tirar os excessos e os arranjos grandiosos, o artista coloca o foco onde realmente importa: a letra, a melodia e a interpretação emocional. Parceria de longa data Nesta travessia, Balara não estará sozinho. Ele divide o palco com o músico e produtor Jeff Pina, seu parceiro de longa data e co-produtor dos 50 fonogramas que integram o projeto Acusticamente. A sintonia entre os dois é o motor do espetáculo: arranjos construídos minuciosamente para sustentar a mensagem da letra, evidenciando a maturidade artística de quem não tem medo de se expor no formato acústico. “Durante muitos anos ouvi que músicas com mensagens positivas não tinham espaço no mercado e que um show de voz e violão era um formato menor. Continuei acreditando exatamente no contrário. ‘Simplificar para amplificar’ sempre foi uma ideia que me acompanhou”, reflete Balara. * Serviço: Balara – “Acusticamente” no Blue Note SP

Fcukers promove DJ set e sessão de autógrafos em São Paulo nesta quinta-feira

Após abrir os shows da turnê Together, Together de Harry Styles no Estádio MorumBIS, em São Paulo, a dupla Fcukers promove um encontro especial com os fãs nesta quinta-feira, 23 de julho, das 18h às 20h, na Intercommunal Music (Rua Dr. Cesário Mota Jr., 277, 2º andar – Vila Buarque, São Paulo – SP). O evento contará com DJ set da dupla e uma sessão de autógrafos de vinil, celebrando também o recente lançamento de seu álbum de estreia, Ö. O disco foi lançado pelo selo Ninja Tune, produzido por Kenneth Blume (FKA Kenny Beats), mixado pelo engenheiro vencedor do Grammy Tom Norris (Lady Gaga, Charli XCX e The Weeknd) e conta com produção adicional de Dylan Brady (100 gecs) em três faixas. >> LEIA ENTREVISTA COM FCUKERS A ação acontece entre as apresentações do grupo na capital paulista, onde o Fcukers foi escolhido para abrir os shows de Harry Styles nos dias 17, 18 e 24 de julho. O evento é gratuito e aberto ao público, sujeito à lotação do espaço. Estarão disponíveis para venda vinis e merch oficial da banda.

Trio irlandês Kneecap estreia no Brasil em outubro

O trio de hip-hop e punk-rave irlandês Kneecap, conhecido por suas letras anárquicas, humor ácido e forte ativismo político, confirmou show único no Brasil. O grupo, composto por Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí, ganhou notoriedade mundial com suas apresentações intensas e disputadas pelos principais festivais do mundo. O show acontece no dia 23 de outubro, no Cine Joia, em São Paulo. Os ingressos já estão à venda online no site da Ingresse. Para quem deseja comprar sem taxa de conveniência, o Takkø Café é o ponto de venda físico oficial, no bairro Vila Buarque. Confira abaixo os dias e horários de funcionamento do estabelecimento. Formado no ano de 2017 em Belfast, capital da Irlanda do Norte, Kneecap chamou atenção logo em seus primeiros lançamentos por defender a preservação da língua irlandesa de forma irreverente, abordando temas como identidade nacional, desigualdade social, legado do conflito na Irlanda do Norte e o cotidiano da classe trabalhadora. Essa combinação transformou o grupo em um fenômeno cultural que ultrapassou o universo da música. Seu nome é uma referência direta a uma prática associada ao Exército Republicano Irlandês (IRA): a de alvejar os joelhos de quem era considerado um traidor ou criminoso. Com o passar dos anos, o trio tornou-se conhecido por suas apresentações ao vivo enérgicas e por suas frequentes polêmicas. O grupo costuma defender causas ligadas aos direitos linguísticos, à reunificação da Irlanda e à causa palestina, posicionamentos que geraram debates públicos, cancelamentos de apresentações e intensa cobertura da imprensa. Ao mesmo tempo, essas controvérsias fortaleceram sua imagem como uma banda que utiliza a música como instrumento de contestação política. Em 2024, alcançaram projeção internacional com o lançamento do filme Kneecap, uma cinebiografia em tom de comédia dramática na qual os próprios integrantes interpretam versões de si mesmos. O longa estreou no Festival de Sundance e foi escolhido como representante da Irlanda na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional, consolidando o Kneecap como um dos principais símbolos da cultura irlandesa na atualidade. Musicalmente, o trio acumulou reconhecimento com o álbum de estreia Fine Art (2024), elogiado pela crítica especializada por unir produção moderna, rap de alta intensidade e uma forte identidade cultural. Com este trabalho, fizeram um dos shows mais comentados do festival Glastonbury nos últimos anos, tocaram como atração principal em grandes festivais, viram-se no meio de um turbilhão político por defenderem abertamente a paz e a liberdade palestina no Coachella e lançaram colaborações marcantes. Entre elas, Better Way To Live, com Grian Chatten, vocalista do Fontaines D.C., além de trabalhos com nomes como Kae Tempest, Killer Mike (Run The Jewels) e Shanti Celeste. Em maio deste ano, lançaram seu segundo álbum de estúdio, Fenian, aprimorando seu som e expandindo sua visão para entregar um trabalho mais sombrio, mais conflituoso e mais confiante. Ao longo do disco, Kneecap equilibra confronto com técnica, combinando inteligência mordaz com energia inegável. O resultado é um álbum que emociona tanto quanto provoca, marcando um novo pico claro na evolução do grupo. O trabalho, produzido por Dan Carey, confirma o trio não apenas como provocadores, mas como artistas operando no auge de seus poderes. Balaclava Records apresenta: KNEECAP em São Paulo Data: 23 de Outubro de 2026, sexta-feira Local: Cine Joia Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade Horários: Portas 20h / Show 21h30 Classificação etária: 16+ / menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsável legal Ingressos

My Dying Bride anuncia seu primeiro show da história em São Paulo em novembro

Treze anos depois de sua única passagem pelo Brasil, o My Dying Bride finalmente fará sua estreia em São Paulo. Um dos principais nomes da história do doom metal britânico se apresenta em 29 de novembro, no Fabrique Club, com Mikko Kotamäki, vocalista do Swallow The Sun, assumindo os vocais. A realização é da Firebird Industries, Matrix Entertainment e Kool Metal Fest. Formado em Bradford, na Inglaterra, em 1990, o My Dying Bride foi fundamental para estabelecer as bases do death-doom britânico. Ao lado de Paradise Lost e Anathema, o grupo integrou a chamada Trindade do Doom Metal, responsável por combinar elementos do death metal com andamentos arrastados, atmosfera gótica, violinos e uma forte carga melancólica. Discos como Turn Loose the Swans (1993) e The Angel and the Dark River (1995) se tornaram referências do gênero e ajudaram a influenciar diferentes gerações dentro do metal. A apresentação no Fabrique Club acontece 13 anos após o show realizado no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, até então a única passagem da banda pelo país. O repertório deve percorrer mais de três décadas de carreira, além de apresentar músicas de A Mortal Binding, lançado em 2024 pela Nuclear Blast e atual trabalho de estúdio do My Dying Bride. Produzido por Mark Mynett, A Mortal Binding marcou uma aproximação com o lado mais áspero das origens do grupo. Guitarras densas, ritmos fúnebres e a alternância entre vocais limpos e guturais aparecem em faixas como Her Dominion, Thornwyck Hymn, The 2nd of Three Bells, The Apocalyptist e Crushed Embers, com o violino novamente ocupando posição de destaque nos arranjos. O disco também ganhou um significado especial na trajetória do My Dying Bride por ser o último gravado com Aaron Stainthorpe. Vocalista e um dos fundadores da banda, o músico deixou oficialmente o grupo em outubro de 2025. Para a apresentação em São Paulo, a responsabilidade pelos vocais ficará com Mikko Kotamäki, conhecido pelo trabalho à frente do Swallow The Sun. SERVIÇO My Dying Bride em São Paulo Data: 29 de novembro de 2026 Horário: 17h (abertura da casa) Local: Fabrique Club Endereço: Rua Barra Funda, 1071, bairro Barra Funda, São Paulo/SP Ingresso: ticket.com.vc/evento/my-dying-bride-em-sao-paulo

Entrevista | SOJA – “Paulo Coelho, precisamos fazer uma música juntos, amigo”

O SOJA lança em 31 de julho o aguardado álbum Without Surrender, primeiro trabalho de estúdio do grupo norte-americano desde Beauty in the Silence, vencedor do Grammy de Melhor Álbum de Reggae em 2022. Com 14 faixas, o disco inclui “Time Won’t Wait”, parceria com Di Ferrero, vocalista do NX Zero. Lançada como single em 10 de julho, a música aproxima o reggae melódico da banda do universo do rock e do emo brasileiro, enquanto reflete sobre a velocidade do tempo e a necessidade de aproveitar o presente. Formado em 1997, na região de Washington, D.C., o SOJA construiu uma trajetória marcada pela combinação entre reggae, rock e letras sobre questões sociais, ambientais e espirituais. Liderada pelo vocalista e guitarrista Jacob Hemphill, a banda alcançou projeção internacional com discos como Peace in a Time of War, Born in Babylon, Strength to Survive e Amid the Noise and Haste. O grupo também desenvolveu uma relação especial com o público brasileiro, onde já realizou quase 40 apresentações. No entanto, eles não tocam no país desde outubro de 2022, hiato que chegará a quatro anos em 2026. Em sua terceira entrevista com o Blog N’ Roll, Jacob Hemphill falou com carinho sobre a relação do SOJA com o Brasil e confirmou que a banda pretende retornar ao país para a nova turnê. O vocalista também surpreendeu ao revelar sua paixão por bandas de emo e explicou como o gênero influenciou sua tentativa de tornar o reggae mais acessível a diferentes públicos. Hemphill ainda destacou a importância do poema Desiderata, apresentado a ele por seu pai e responsável por mudar sua maneira de enxergar o mundo, além de inspirar os títulos de diferentes álbuns do SOJA. O que mudou na vida de vocês depois da conquista do Grammy? Esse reconhecimento influenciou a maneira como vocês trabalharam no novo álbum? Não. Acho que a questão de ganhar um Grammy é que, na sua mente, você não ganhou um Grammy. Na música, a cada novo nível que você alcança, pensa: “Caramba, preciso mudar tudo. Agora estou nesse nível”. O segredo é perceber que você não pode mudar absolutamente nada. Já se passaram cinco anos desde Beauty in the Silence. Em que momento você percebeu que era hora de começar a construir um novo álbum? O que mudou no SOJA durante esse período, que também foi marcado pela pandemia? Sinceramente, estou escrevendo o tempo todo. Estava escrevendo hoje de manhã. Para mim, música não é: “Agora vou fazer um novo álbum”. A música simplesmente faz parte do meu dia. Quando gosto muito de uma composição, eu a levo para o SOJA e digo: “Aqui está uma música”. Nunca escrevo com o objetivo de fazer um álbum, um videoclipe, ganhar um Grammy, alcançar determinada quantidade de streams ou visualizações. Eu simplesmente gosto de fazer música. Vocês costumam fazer muitas colaborações nos álbuns. Isso também faz parte de uma estratégia para alcançar novos públicos ou é algo que vocês realmente consideram importante para o processo de composição e para a música? Não fazemos isso por estratégia. A resposta é semelhante à anterior: fazemos o que consideramos melhor para a música. Tenho uma música no novo álbum chamada “Did I Wait Too Long?”. É uma composição triste sobre um homem ou uma mulher que tratava a outra pessoa como algo garantido, porque já estava cansado da relação. Enquanto isso, outra pessoa conseguiu enxergar as qualidades que existiam nela. Quando essa pessoa vai embora, você finalmente percebe todas as qualidades que ela tinha. Começamos a colocar algumas influências de country na faixa porque era uma história triste, sobre perder algo e nunca mais conseguir recuperar. Maoli é um artista que mistura reggae e country. Mandamos a música para ele e perguntamos o que achava. Ele respondeu: “Adorei, já tenho uma ideia”. É assim que o processo normalmente funciona. Quando conseguimos imaginar a voz ou as palavras de alguém em uma música, entramos em contato com essa pessoa. O SOJA possui uma forte conexão com o Brasil e já colaborou com Marcelo Falcão e Natiruts. Agora vocês trabalham com Di Ferrero, artista muito ligado ao emo e ao rock. Como surgiu esse convite e como vocês o conheceram? Não fui eu quem fez o convite. Pat O’Shea, nosso tecladista, escreveu a música. Então foram Pat e nosso empresário, Elliott, que conversaram diretamente com o Di. Mas fiquei muito animado porque cresci ouvindo muito emo. Posso até mostrar alguns discos para você. Faça a próxima pergunta que estou te ouvindo, vou separar alguns discos. Nesse momento, Jacob mostra cerca de dez discos em vinil, incluindo Bleed America do Jimmy Eat World, From Under the Cork Tree do Fall Out Boy e o álbum homônimo do Portishead. “Time Won’t Wait” fala sobre como o tempo passa rapidamente. Por coincidência, o último álbum de Di Ferrero também aborda o tempo, mais especificamente os ciclos que as pessoas atravessam a cada sete anos. Vocês sabiam dessa conexão? Acho que foi uma coincidência muito feliz, mas não existia uma conexão planejada. Eu ouço muita música. O emo teve um papel muito importante na maneira como passei a enxergar o reggae, porque aquelas bandas pegaram o punk e o transformaram em algo que poderia chegar às massas. Era isso que eu tentava fazer com o reggae desde o começo: torná-lo mais acessível, para que a mensagem pudesse alcançar mais pessoas. A mensagem do reggae realmente mudou minha vida. Acho que estou apenas tentando levá-la para mais pessoas. O título Without Surrender é uma nova referência ao poema Desiderata, especialmente ao trecho “as far as possible, without surrender”? Sim, com certeza. É o que uso para nomear todos os discos. Era algo que eu compartilhava com meu pai. Foi ele quem me ensinou a tocar e a escrever músicas. Quando fiquei bom o suficiente, ele começou a procurar professores para mim, tanto de guitarra quanto de escrita. Desiderata era um poema que eu e meu pai compartilhávamos o tempo todo. Por isso, passei a usar versos do poema

Entrevista | Moyses dos Santos – “A estrada ensina coisas que nenhuma escola consegue ensinar”

Depois de duas décadas construindo uma sólida carreira em Londres ao lado de artistas como Nile Rodgers, Janelle Monáe, Gregory Porter, Omar e Emeli Sandé, o baixista brasileiro Moyses dos Santos inicia um novo capítulo com Maria, seu primeiro álbum solo. Inspirado pelas lembranças da infância e pela influência da mãe, que dá nome ao disco, o músico reúne maracatu, baião, samba, frevo, jazz, soul, funk e disco em um trabalho que conecta suas raízes nordestinas à cena contemporânea do jazz britânico. O álbum ainda conta com participações de nomes de peso, como Arthur Verocai, Theo Croker e Lynda Dawn, e nasceu após uma reconexão do músico com a cultura brasileira durante uma turnê ao lado do Azymuth e do baterista Ivan “Mamão” Conti. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Moyses dos Santos fala sobre esse reencontro com a música brasileira, os bastidores da criação de Maria e a experiência de construir uma carreira internacional sem perder a identidade brasileira. Você comentou que a turnê com o Azymuth fez você se reconectar com a música brasileira. O que aconteceu durante essa experiência para despertar esse sentimento? Foi uma experiência muito grande. Depois de quase 20 anos morando em Londres, tocando com muita gente daqui e também nos Estados Unidos, entre Londres, Los Angeles e Nova York, a música americana acabou tendo uma influência muito forte na minha vida. Em alguns momentos, a gente acaba deixando um pouco de lado de onde veio. Sempre faço questão de dizer que o Brasil é um país impressionante musicalmente. A cultura, as pessoas, os ritmos… tudo isso faz parte de quem eu sou. Estava faltando alguma coisa e conhecer o Mamão foi muito importante nesse processo. Durante cerca de dois meses e meio de turnê, ele sempre dizia: “Você é brasileiro, não pode esquecer disso”. Não que eu tivesse esquecido, mas ele foi uma influência enorme. As histórias que contava e as conversas sobre os ritmos brasileiros me fizeram lembrar de tudo o que minha mãe me ensinava sobre partido alto, maracatu e tantos outros estilos. A turnê com o Azymuth abriu essa porta para eu voltar às minhas origens e entender novamente quem eu sou musicalmente. E em que momento você decidiu que esse álbum precisava existir? Foi logo depois da turnê. Conversei com a gravadora e falei que queria fazer um disco que unisse o lado brasileiro com a cena do jazz britânico. Eu sentia que finalmente estava preparado para apresentar esse trabalho ao mundo. Em uma jam session em São Paulo toquei uma música minha e pensei: “Esse álbum vai se chamar Maria“, que é o nome da minha mãe. A partir dali decidi que faria um disco totalmente conectado às minhas raízes brasileiras, porque esse é o lugar de onde eu vim. Acho muito bonito quando uma pessoa consegue voltar às próprias origens. Às vezes a gente esquece o quanto a música brasileira é respeitada no mundo. Quando toquei nessa jam e senti a reação das pessoas, tive certeza de que esse álbum precisava existir. Durante o processo de composição, teve algum ritmo brasileiro que você redescobriu? O baião foi um deles, mas principalmente o partido alto. Como comecei tocando na igreja desde criança, o partido alto ainda era algo relativamente novo para mim. Toda vez que eu tentava tocar, errava alguma coisa. O Mamão sempre me explicava como funcionava. Além da parte musical, tinham as histórias que ele contava sobre encontros com Fela Kuti, Jaco Pastorius e tantos outros músicos. O próprio Félix Pastorius, filho do Jaco e amigo meu, sempre fala que o brasileiro tem melodia. Acho que precisamos olhar mais para a nossa própria música. Ela é realmente incrível. Você foi para a Inglaterra para estudar, mas acabou largando tudo pela estrada. O que a estrada ensinou que nenhuma escola poderia ensinar? Boa pergunta! Acho que a música é uma língua universal. Estudar, aprender teoria e ler partitura é importante, mas a estrada ensina coisas que nenhuma escola consegue ensinar. Tocar todos os dias, conhecer repertórios diferentes, passar por estilos como jazz, soul, música brasileira. Isso forma qualquer músico. Foi por isso que saí da faculdade. Quatro anos depois eu estava tocando com alguns dos meus próprios professores. Eles falavam: “Você aprendeu o groove na rua. Continua assim”. E a lenda Arthur Verocai participa do álbum. Como surgiu esse convite? E eu inda não conheci o Arthur pessoalmente, acredita? Mas espero que isso aconteça em breve. Quem fez essa ponte foi a afilhada dele, com quem trabalhei. Eu falei que existia uma música em que seria um sonho ter a participação dele. Nem sabia se ele aceitaria, porque o álbum ainda nem tinha sido lançado. Quando mandei a música, ele gostou e gravou os arranjos de cordas no Rio de Janeiro com uma orquestra. Quando recebi aquilo, pensei: “Agora essa música está pronta”. Foi um momento inesquecível. Sou muito grato por ele ter aceitado participar. O disco reúne músicos de diferentes partes do mundo. Como funciona esse processo de colaboração? Muitas vezes começa com uma ideia muito clara na minha cabeça. Na música Brazilian Spirit, por exemplo, eu já imaginava o Theo Croker tocando. Gravamos primeiro um trombonista fazendo uma referência ao solo que eu imaginava para o trompete. Depois mandei para o Theo.Ele ouviu, entrou no estúdio e gravou praticamente tudo em um take. Depois voltou apenas para trocar uma única nota. Às vezes você precisa confiar na sua intuição. Nem sempre dá certo, mas, quando dá, é mágico. Você sempre foi do time dos amplificadores. Continua assim? Até duas semanas atrás, sim. Um amigo que trabalha comigo falou que eu precisava experimentar alguns pedais e montou um setup para mim. Ainda estou aprendendo, vamos ver. O baixo aparece bastante no álbum, mas nunca tenta roubar a cena. Isso foi pensado desde o início? Porque é um álbum de baixista sem que você assuma o protagonismo em prol da música. Sim. Eu sempre começo compondo a partir de uma linha de baixo. Foi assim com

Review | Finn Wolfhard deixa Stranger Things para trás com um dos discos de rock mais interessantes do ano

Foi impossível ouvir Fire From The Hip sem pensar em um encontro entre o virtuosismo dos Rolling Stones e a crueza do The Strokes. Finn Wolfhard era uma incógnita quando dei o play no álbum. E ele encontrou um ponto de equilíbrio curioso entre o rock clássico e a urgência do indie dos anos 2000, criando um disco que soa familiar sem parecer nostálgico demais. Seu segundo álbum solo deixa claro que a música já é realidade e não mais um projeto paralelo. Muito além do sucesso de Stranger Things, Wolfhard se firma como um compositor que entende muito bem de guitarras, melodias e, principalmente, de boas canções. Ele mostra uma maturidade incrível para um jovem de 23 anos que passou a adolescência vendo o rock longe do mainstream. Quem ouviu Happy Birthday certamente perceberá uma evolução evidente. Se o debut tinha um charme quase caseiro, com cara de coleção de demos ou até mesmo uma aventura, Fire From The Hip apresenta uma produção mais encorpada, gravada em fita analógica, mas sem perder a espontaneidade. O álbum mantém aquela sensação de banda tocando junta na garagem, privilegiando dinâmica e calor humano em vez da perfeição digital. É exatamente esse aspecto que torna o disco tão cativante. As influências aparecem o tempo inteiro, mas nunca como cópia. Consegui pescar power pop sessentista, garage rock, folk, glam, country e indie rock convivendo naturalmente. Faixas como “I’ll Let You Finish”, “Common Side Effects” e “Crater” entregam refrães grudentos e guitarras afiadas, enquanto “Lights Go Down”, “Trail”, “Maggie” e “The Climb” desaceleram a experiência sem quebrar o ritmo do álbum. Já “Follow” e “Tunnels” mostram um Finn mais confiante como compositor, escrevendo letras que falam sobre crescimento, despedidas e amadurecimento sem soar pretensioso. O grande mérito de Fire From The Hip está justamente em não tentar impressionar pelo excesso, o que seria até normal para um ator de grande sucesso com seus vinte e poucos anos. Não há solos intermináveis, produções gigantescas ou experimentações mirabolantes. Finn Wolfhard preferiu trabalhar com melodias fortes, guitarras que parecem sair diretamente de um amplificador valvulado antigo e arranjos que fazem o disco fluir de maneira extremamente natural. Em apenas 35 minutos, ele entrega um álbum coeso, divertido e que convida o ouvinte a voltar para a primeira faixa assim que termina. Talvez alguns sintam falta de momentos mais ousados. Em determinados trechos, Wolfhard joga relativamente seguro dentro da estética que escolheu explorar. Mas isso pouco atrapalha o resultado final. Pelo contrário: Fire From The Hip é um daqueles discos que crescem justamente pela consistência. Sem depender da fama conquistada como ator, Finn mostra que encontrou uma identidade própria na música e que pode seguir os passos de sucesso de seu companheiro Djo. E, se continuar evoluindo nesse ritmo, não demorará para vermos ele em um grande show no Brasil.