Crítica | The Circle of The Crow – The Mist

Quem acompanhou o cenário nacional no final dos anos 1980 e início dos 1990, com certeza lembra dos mineiros do The Mist, banda liderada pelo grande Vladimir Korg (Chakal), que contou inclusive com Jairo Quedz (ex-Sepultura, atual The Troops of Doom) em suas fileiras. Foram três álbuns, Phantasmagoria (1989), The Hangman Tree (1991) e Gottverlassen (1995), que receberam bastante destaque em suas épocas de lançamento. Depois de muitos anos de hiato, Vladimir recrutou Edu Megale (guitarra), Ricardo Linassi (bateria) e Wesley Ribeiro (baixo) e o resultado foi esse EP The Circle of The Crow. E o retorno foi mais do que satisfatório! Com os vocais agressivos de Korg, riffs puramente thrash e baixo/bateria precisos, a porradaria funciona facilmente nas quatro faixas que compõem o artefato: My Inner Monster, Over My Dead Body, The Blackmail of God e The Tempest. O estilo, como já foi dito, continua o thrash metal, porém a produção tratou de entregar ao EP uma bem vinda modernidade, onde cada instrumento é ouvido perfeitamente e executado por quem entende do riscado. Por fim, The Mist promete um álbum completo para breve, portanto, vá curtindo esse EP e aprecie uma das mais tradicionais bandas do cenário brasileiro. The Circle of The CrowAno de Lançamento: 2022Gravadora: MCK DiscosGênero: Thrash Metal Faixas:1-My Inner Monster2-Over My Dead Body3-The Blackmail of God4-The Tempest https://www.youtube.com/watch?v=2FFwo93lT84 https://open.spotify.com/album/48ZCNL189s934cBSmODd0A?si=P-WuXT7xQlSC0VHo5jJanQ

Metallica incendeia Morumbi em noite de nostalgia

Foram dois anos de espera até o Metallica, enfim, se apresentar no estádio do Morumbi, em São Paulo. O atraso causado pela pandemia, no entanto, não tirou o ímpeto da banda, muito menos dos fãs, que lotaram a casa do tricolor paulista em plena terça-feira. Aliás, quem comprou ingresso para ver o Metallica, ganhou dois shows incríveis de abertura: Ego Kill Talent e Greta Van Fleet, que iniciaram os trabalhos ainda no fim da tarde. Ego Kill Talent A primeira banda a subir ao foi o Ego Kill Talent, que recentemente fez um show tributo a Taylor Hawkins, do Foo Fighters, no Lollapalooza. A banda paulistana teve apenas 30 minutos para dar o recado, mas aproveitou muito bem o tempo, emendando um som atrás do outro sem enrolação e conversa fiada. Na bagagem, trouxe o excelente segundo álbum de estúdio, The Dance Between Extremes, lançado no ano passado. O set curto, com sete canções, equilibra bem um pouco de cada um dos dois álbuns de estúdio. E o mais legal foi ver a recepção e o carinho que o público teve com o grupo, que bom alcance internacional. Greta Van Fleet Logo depois, o Greta Van Fleet, a banda mais “ame ou odeie da atualidade”, apareceu. Em sua terceira apresentação em São Paulo (antes tocou no Lollapalooza e Lolla Parties de 2019), o grupo mostrou ainda mais consistência do que na primeira vez. Os irmãos gêmeos Josh Kiszka e Jake Kiszka, vocal e guitarra, respectivamente, estavam mais à vontade no palco. Logo nas duas primeiras canções conquistaram o público carrancudo do Metallica com o potente alcance vocal e solos absurdos de guitarra. The Battle at Garden’s Gate (2021) respondeu por metade do repertório, composto por apenas oito músicas em quase uma hora de apresentação. No entanto, foram duas canções do disco From The Fires que mais se destacaram no show: Black Smoke Rising logo no começo e Highway Tune, que encerrou a festa. Curioso notar que não somente as canções, mas o figurino e o próprio telão, o tempo todo em preto e branco, garantem um tom mais nostálgico para o show. Impossível não lembrar de Led Zeppelin, mas o Greta mostra que já conseguiu moldar essa influência para algo bastante original. Metallica Com 20 minutos de atraso, o Metallica colocou o Morumbi abaixo com uma estrutura absurda: cinco telões gigantes que revezavam imagens dos integrantes com animações incríveis, além de torres de fogo que esquentaram toda a plateia. Whiplash (Kill ‘Em All, de 1983) abriu a apresentação, tal como nos shows de Curitiba e Porto Alegre. O single de estreia da carreira do Metallica, no longínquo 1983, funcionou como um na porta para quem estava se queixando do pequeno atraso. O peso do início da carreira se manteve na sequência com Ride The Lightning, faixa-título do segundo disco do Metallica, de 1984. Aliás, quem teve a proeza de seguir passando frio após esse início absurdamente quente, esquentou com Fuel, do Reload (1997). Durante a execução, torres de fogo foram acesas no meio da pista e nos dois lados do palco. Conversando com pessoas que ficaram em setores diversos no estádio, ficou quente igual para todos. O repertório do Metallica seguiu muito nostálgico com a inclusão de Seek & Destroy, do álbum de estreia, entoada a plenos pulmões pelos fãs mais apaixonados. Nostalgia dá o tom do show do Metallica A trinca seguinte mostrou que o Metallica não estava disposto a tirar o pé do acelerador. Os dois anos de atraso, felizmente, deixaram os músicos ainda mais empolgados em cena. Em sequência vieram Holier Than Thou, One e Sad but True. A primeira e a terceira do campeão de vendas Black Album (1991) e a segunda do clássico …And Justice for All (1988), responsável pela primeira turnê do Metallica no Brasil, em 1989. Dirty Window (St Anger, 1999) e No Leaf Clover (S&M, 2003), em sequência, foram uma forma encontrada pelos músicos de não deixar passar em branco álbuns mais “recentes” da discografia. Porém, o que estava funcionando mesmo com os fãs e o Metallica conhece bem sua base em São Paulo eram os clássicos, a fase mais pesada da banda. For Whom the Bell Tolls e Creeping Death, do Ride Lightning, vieram em dobradinha, sucedidas por Welcome Home (Sanitarium) e Master of Puppets, do disco de 1986. Bis trouxe dois grandes clássicos A saída rápida do palco, antes do bis, não dá tempo nem de comprar uma bebida com os ambulantes. James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo já retornaram antes de qualquer possibilidade de ação por parte dos fãs. E, aqui, vale ressaltar a disposição dos músicos no palco. Os shows já não têm mais três horas de duração (foram quase duas), mas a disposição de todos os integrantes no palco é impressionante. Todos parecem estar se divertindo o tempo todo. No encore, Spit Out the Bone, último single do álbum mais recente, Hardwired… to Self-Destruct, de 2016, foi a primeira, substituindo Battery, do Master of Puppets. Nothing Else Matters e Enter Sandman para encerrar o show nos remetem ao início dos anos 1990, quando em sua segunda turnê pelo Brasil, em 1993, o Metallica divulgava seu maior sucesso comercial, Black Album, e disputava o posto de maior banda de rock do mundo com o Guns n’ Roses. Enter Sandman, aliás, foi concluída com o estádio inteiro cantando junto, pulando em completo descontrole. A queima de fogos encerrou a noite nostálgica que certamente agradou em cheio os fãs mais antigos do Metallica. Que retornem pela décima vez e mais, se possível. Ninguém vai reclamar. Setlist do Metallica Whiplash Ride the Lightning Fuel Seek & Destroy Holier Than Thou One Sad but True Dirty Window No Leaf Clover For Whom the Bell Tolls Creeping Death Welcome Home (Sanitarium) Master of Puppets BIS: Spit Out the Bone Nothing Else Matters Enter Sandman

Avril Lavigne confirma show único em São Paulo; venda começa na sexta

Após 8 anos de espera para os fãs, Avril Lavigne está de volta ao Brasil! A artista faz única apresentação em São Paulo, no dia 7 de setembro, no Espaço das Américas. Viajando o mundo com a turnê Love Sux, a cantora canadense traz um show que não faltarão seus grandes sucessos, como Complicated, Sk8er Boi, Girlfriend, Here’s To Never Growing Up e Head Above Water, além das músicas do Love Sux, o sétimo álbum de estúdio de sua carreira. Os clientes dos cartões C6 Bank Mastercard terão pré-venda exclusiva entre sexta (13) e sábado (14), iniciando às 10h online e na bilheteria oficial (Espaço das Américas). Para o público geral, a venda começa na segunda-feira (16) nos mesmos canais e horários. Clientes dos cartões C6 Bank Mastercard têm ainda o benefício de parcelamento em até quatro vezes sem juros e os demais duas vezes. Love Sux marca a estreia de Avril no selo DTA RECORDS, de Travis Barker e com distribuição nacional da Warner Music Brasil. O álbum composto por 12 músicas traz de volta o pop-punk característico da cantora de forma icônica, com colaborações épicas e hits já lançados, entre eles Bite Me e Love It When You Hate Me feat com blackbear. SERVIÇO – AVRIL LAVIGNE SÃO PAULO Data: 7 de setembro de 2022 (quarta-feira) Abertura dos portões: 19h30 Horário Abertura: 20h30 Horário do show: 21h30 Local: Espaço das Américas Endereço: R. Tagipuru, 795 – Barra Funda, São Paulo Ingressos: a partir de R$ 150,50 (ver tabela completa) Classificação etária: 16 anos* *Sujeito a alteração por Decisão Judicial. PREÇOS MEZANINO – R$150,50 meia entrada e R$ 301,00 inteira PISTA- R$ 215,50 meia entrada e R$ 431,00 inteira CAMAROTE- R$ 345,50 meia entrada e R$ 691,00 inteira PISTA PREMIUM- R$ 365,50 meia entrada e R$ 731,00 inteira BILHETERIA OFICIAL – SEM COBRANÇA DE TAXA DE CONVENIÊNCIA Espaço das Américas: Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda – São Paulo/ SP. Dias 13 e 14/05 (pré-venda C6 Bank) das 11h às 17h. Dia 16/05 (venda geral) das 11h às 17h. Após essas datas – Mediante à disponibilidade: Terça a Sábado – das 10h às 17h | Não há funcionamento aos domingos e feriados. Em dias de eventos na casa, a bilheteria só funciona para o evento do dia.

Arcade Fire lança novo álbum, “WE”; ouça!

Após a recepção aclamada dos singles The Lightning I, II e Unconditional I (Lookout Kid), o Arcade Fire, enfim, lançou o sexto álbum de estúdio, WE. Produzido por Nigel Godrich, Win Butler e Régine e gravado em vários locais, incluindo Nova Orleans, El Paso e na Ilha Mount Desert, WE fez com que, paradoxalmente, “passássemos o maior tempo escrevendo ininterruptamente, provavelmente em toda as nossas vidas”, conta Win Butler. O novo trabalho aborda as forças que ameaçam nos afastar das pessoas que amamos e foi inspirado pela urgente necessidade de superá-las. A jornada catártica de WE segue um arco definido que vai da escuridão à luz ao longo de sete canções, divididas em dois lados distintos: o Lado I, que canaliza o medo e a solidão do isolamento e o Lado WE, que expressa a alegria e o poder da reconexão. Na capa do álbum, uma fotografia de um olho humano do artista JR evoca o Sagitário A*, o buraco negro supermassivo no centro da galáxia. Esta imagem impressionante, intensificada pelo marcante aerógrafo de Terry Pastor (utilizando a mesma técnica física que ele empregou nas icônicas capas de Hunky Dory e Ziggy Stardust, de David Bowie), é a expressão visual de WE. A etapa britânica da turnê WE – com a convidada especial Feist – começará em Birmingham, dia 2 de setembro, e incluirá shows em Manchester, Glasgow e na O2 Arena, em Londres. Os shows na América do Norte contarão com a participação especial de Beck, que irá tocar um set acústico, e acontecerão a partir de 28 de outubro, começando em Washington D.C. Os ingressos para todas as datas da turnê estarão à venda para o público a partir de sexta-feira, 13 de maio, às 10h na hora local. O Arcade Fire se juntou à PLUS1 para que cada $1/£1/€1 por ingresso vá para a fundação KANPE e para o seu trabalho de apoio às comunidades mais vulneráveis do Haiti.

Halestorm lança álbum Back From The Dead; ouça!

A banda de hard rock Halestorm lançou, nesta sexta-feira (6), Back From The Dead, seu quinto álbum de estúdio. O disco sucede Vicious, de 2018, responsável pela segunda indicação ao Grammy do grupo. Produzido por Nick Raskulinecz (Foo Fighters) com co-produção de Scott Stevens (Shinedown), Back From The Dead teve sua maior parte escrita e produzida em meio ao lockdown da pandemia. “É uma jornada de navegação pela saúde mental, pela sobrevivência, pela redenção, pelo redescobrimento, ainda mantendo a fé na humanidade”, diz a vocalista Lzzy Hale. Começando na próxima terça-feira (10), a nova turnê do Halestorm pela América do Norte contará com Stone Temple Pilots, Black Stone Cherry e Mammoth WVH. Posteriormente, em julho, todos os convidados especiais serão mulheres do The Pretty Reckless, The Warning e Lilith Czar. Por fim, a banda segue para a Europa com o apoio da Alter Bridge em novembro.

Entrevista | Matisyahu – “Fizemos um ótimo álbum, eu acho, e dois bebês”

O cantor nova-iorquino Matisyahu lançou, recentemente, o sétimo e homônimo álbum de estúdio. O disco traz muito da constante evolução sonora de Matisyahu, que quase nada lembra o do início da carreira, quando estourou com os singles King Without a Crown e Youth. Repleto de influências musicais novas e alimentado por uma redefinição dos próprios limites artísticos, Matisyahu fez do disco o retrato de um criador que está eternamente em busca de si mesmo e extrai inspirações de suas raízes, de sua adolescência, fama, busca espiritual, transformações e, ao mesmo tempo, de sua família. Matisyahu conversou com o Blog n’ Roll sobre a nova fase da carreira, pandemia, filhos, Brasil e o atual momento político dos EUA. Confira abaixo. Como foi o processo de criação do novo álbum? Foi incrível, eu passei anos gravando com diferentes pessoas, o que também é um processo divertido, mas quando se acha o som certo, o momento certo, em que se sente autêntico, e correto, e as pessoas com quem trabalha são incríveis, e isso tudo em um contexto de covid, estando em casa, se criou um ambiente para a criação de um lindo álbum. O quão impactou a pandemia nesse processo do álbum Matisyahu? Me impactou com certeza, no sentido de que passei muito tempo fazendo turnês e trabalhando duro para estar na estrada. E essa foi a primeira vez que tive a oportunidade de passar um tempo em casa, em 15 ou 20 anos. A minha sorte foi que conheci minha alma gêmea, minha esposa, um pouco antes da pandemia. Nós estamos vivendo juntos, e temos feito turnês juntos há alguns anos, e tivemos esse tempo para apenas ficar em casa. Então tentamos aproveitar o máximo, fizemos um ótimo álbum, eu acho, e dois bebês. A paternidade influenciou nesse trabalho? Você se sentiu impactado na hora de compor e gravar? Completamente, pessoas já me perguntaram isso antes, pois eu tenho um filho de 17 anos, me tornei pai já faz um tempo. Mas esse álbum me deu a oportunidade, como disse, devido ao covid, de estar em casa e de estar por dentro, verdadeiramente, do dia a dia dos meus filhos mais velhos e mais novos, e também da minha esposa. Também posso dizer que houve um impacto nas letras e na vibe. Foram cinco anos sem um álbum novo. A pandemia contribuiu para essa demora? Não sei se tem muito a ver com o covid, na verdade. Acho que é mais eu querendo lançar a coisa certa. É fácil lançar música, é fácil escrever alguns versos sobre uma batida e soltar. Não sei mais por quanto tempo veremos álbuns grandes sendo lançados, e com esse álbum quis fazer o todo, o álbum completo, e isso afetou com certeza. Como surgiu essa parceria com o duo Salt Cathedral, formado por Juliana Ronderos e Nicolas Losada, que produziu o seu novo álbum? A parceria começou em 2016, nos encontramos online, trabalhando em algumas músicas que lancei antes. Então quando o covid veio estava tentando ver com quem poderia trabalhar e estava vendo entre os diferentes produtores com quem trabalhei, quem eu poderia ligar, quem viria até em casa, e foram eles quem liguei. Aliás, desde o primeiro minuto que começamos a trabalhar, ficou claro que nossos gostos musicais estavam alinhados. E quando se trabalha com produtores, você quer alguém que tenha essa compatibilidade contigo, não quer ter que explicar determinadas coisas. Em Mama Please Don’t Worry, você convocou Michael Garcia para a direção, que tem várias produções marcantes no currículo. Sim, queria para esse clipe o mesmo diretor com quem trabalhei no vídeo de Sunshine, então trabalhamos com sua produtora, mas com um novo diretor. E quando estávamos escrevendo o roteiro, pensei em fazer algo autobiográfico, pois tudo é sobre música. Mas quando você requisita roteiros a diretores muitas vezes retornam ideias que não se relacionam com a sua história, e a música e o álbum são coisas muito autobiográficas. Queria ter algum impacto nisso, então escrevemos um roteiro que era mais sobre a minha experiência, não exatamente ela, mas um pouco dela. Suas canções funcionam como terapia? Sobre o que procurou cantar no novo álbum? Sim, de alguma forma. Às vezes decido por uma direção ou outra, ou expresso algo da minha vida que é mais obscuro, mais doloroso. Mas com esse álbum consegui expressar um verdadeiro prazer, o tempo com a minha familia, tempo em casa, a minha habilidade de processar alguma das experiências que tive ao longo disso. Tive um pouco de espaço para respirar, escrever, criar, me apaixonar, casar, todas essas coisas que criam um sentimento como se eu não pudesse nunca mais me aborrecer. A música é inspirada por reggae, inspirada na música que me trouxe até aqui, e há abertura para letras, para a composição emergir, e é o que as pessoas estão procurando, letras, uma ideia, que as permitirá seguir em frente, e eu acho que alcancei isso. Am_rica traz uma reflexão sobre o atual momento dos EUA, mas de forma bem particular. Queria que você falasse mais sobre essa música. Acho que quando se trata de política, principalmente nos EUA, o importante para mim não é tomar lado, mas colocar minha reação emocional sobre o que está acontecendo ao meu redor. Em resumo, isso será associado a uma ideia, e as ideias são ideias que aprendi ao longo da minha vida, e passei um grande tempo estudando ideias judaicas. Uma das ideias que me lembro aparecendo era esta chamada Am_rica, que significa nação vazia, o que desperta diversas interpretações, mas levando a minha interpretação, acredito que estou vivendo em um país onde há tantas versões do que está acontecendo, diferentes experiências para diferentes pessoas. Então tudo que posso escrever é sobre minha experiência, e minha ideia para Am_rica não é dizer que os EUA é uma nação vazia, como estou dizendo, há um aspecto disso que é existente no nosso país. Um país que é baseado em liberdade, liberdade de religião, mas ao mesmo

Entrevista | Dave Faulkner, do Hoodoo Gurus – “Nos tornamos música para surf sem sermos surfistas”

Doze anos após o seu último álbum de estúdio, o lendário grupo australiano Hoodoo Gurus está de volta! Em março último, a banda revelou o disco Chariot of the Gods, com 13 faixas (16 na versão deluxe). O primeiro single do álbum é Carry On, um hino que celebra a resiliência e a tenacidade. Há o explosivo e deslumbrante World Of Pain. Hung Out To Dry, uma ode politicamente incorreta a um ex-presidente laranja, está disponível apenas na versão em vinil duplo de lançamento limitado. Chariot of the Gods também traz Get Out of Dodge, uma música para todos os não-conformistas por aí, qualquer um que se sinta em menor número e não consiga se encaixar com as expectativas irracionais da multidão, e o punk agressivo Answered Prayers. O vocalista e guitarrista do Dave Faulkner conversou com o Blog n’ Roll sobre o novo álbum, pandemia, longevidade da banda e possível vinda ao Brasil. Confira abaixo! Como foi o processo de gravação de Chariot of the Gods? Quais foram os principais desafios, tendo uma pandemia pelo caminho? Primeiramente, começamos antes da pandemia. Por volta de novembro de 2019, nós gravamos o single Answered Prayers. Foi a primeira gravação que fizemos com Nic Rieth na bateria, pois Mark tinha se aposentado. E isso foi antes da pandemia, Answered Prayers saiu em dezembro. E tínhamos decidido gravar este álbum já, mas de uma forma diferente, nós iríamos lançar um single depois do outro, gravando uma música de cada vez ao invés de ensaiar para gravar tudo de uma vez. Então, lançamos Answered Prayers e era hora de trabalhar em um novo single, começamos a ensaiar em janeiro, e agendamos de gravar em abril. Estávamos ensaiando e escrevi as músicas Get Out Of Dodge e Carry On. Estávamos ensaiando elas e me soavam como singles. Quando iríamos para a gravação, o lockdown aconteceu. Por três meses não pudemos deixar nossas casas, caso não estivéssemos indo buscar algum medicamento, indo ao médico ou buscar comida. Não podíamos ir mais do que 5 km de nossas casas para fazer nada, e claro não podíamos receber visitas, então não nos encontramos por três meses. Não chegaram a produzir, nem fazer nada de modo remoto? Conversávamos ocasionalmente para falar dos negócios, mas não fizemos nenhuma gravação ou ensaio pela internet, não houve composição. Ao fim desses três meses começamos a acreditar que poderíamos estar todos em uma sala juntos, pois nenhum de nós havia ficado doente, e o estúdio em que queríamos trabalhar era muito pequeno. O cara que gerencia o estúdio é muito cuidadoso em questão ao covid, pois o pai dele, que foi membro da banda Easybeats, não estava muito bem. Então todos fomos muito cuidadosos. Em resumo, tivemos muita sorte que a pandemia apenas nos interrompeu, mas não nos evitou de fazer as coisas do jeito que gostaríamos de fazer. Talvez o fato de ter adiado o lançamento tenha ajudado o álbum, pois as pessoas gostaram do disco, isso eu sei, mas se o sucesso seria igual, caso não tivesse acontecido a pandemia, não dá para saber. Hung Out to Dry é uma faixa politicamente incorreta a um ex-presidente laranja? Queria que você falasse um pouco sobre a inspiração. Nós originalmente pensamos nessa música como um lado B do próximo single, que seria Get Out Of The Dodge ou Carry On. Nós as ensaiamos ao mesmo tempo, no início de 2020. Mas aí escrevi a letra e era tão certo que seria sobre o Trump, que nós desprezamos pelo jeito que estava fazendo política com a situação da pandemia do covid. Então, pensamos, como ele está se candidatando para as eleições deste ano? Vamos lançar a música agora e fazer com que as pessoas saibam o que pensamos deste homem. Fiquei surpreso que não haviam muitas músicas falando sobre isso, pois estava muito claro que ele é uma pessoa horrível, e o jeito que ele explora o lado obscuro da humanidade, apelando para instintos terríveis nas pessoas. Sabe, o jeito que ele usou o povo mexicano como uma desculpa para ser eleito, coisas terríveis. Essa foi a razão pela qual queríamos lançar a música, e eu também queria uma música que apesar de dizer que Trump é um homem mal, e que odiamos suas políticas, não fizesse as pessoas ouvirem e pensarem que estou falando de um lugar de superioridade, apontando o dedo para os defeitos alheios. Portanto, fiz uma música falando diretamente com o Trump: “você é um otário, eu te odeio, e eu quero que você suma o quanto antes”. Aliás, eu quero que as pessoas, independentemente se apoiam ou não o Trump, sintam a minha raiva. Por isso escrevi deste modo, ao invés de falar de um local de superioridade falando de outra pessoa. Answered Prayers segue algo semelhante, não? É a mesma coisa com Answered Prayers. É uma canção muito obscura também, sobre um relacionamento abusivo, e canto da perspectiva do abusador. Você pode ouvir ele manipulando, dizendo o quão inútil a outra pessoa é, e que trai ela quando tem vontade. As coisas ditas na música são terríveis, mas quero que as pessoas sintam uma conexão pessoal com aquilo, para não conseguirem desviar a atenção, e dizer que é problema de outra pessoa, não é, é seu problema, estou falando com você. Achei que foi um jeito muito bom de escrever uma música, bem obscuro, e sinto que é uma música feia, e me sinto meio aterrorizado com ela, mas é muito verdadeira. É sobre algumas pessoas que conheço, na verdade sobre dois casais, que conheço agora, que tiveram essa dinâmica bem tóxica em suas relações, e um parceiro tratava o outro terrivelmente, e eles continuavam nessa. E é algo que exploro nessas músicas. Answered Prayers foi a primeira música a ser escrita ou há outras mais antigas? Tem uma música mais velha, Settle Down. Na verdade, escrevi há 20 anos, e é engraçado pois essa música é sobre envelhecer, e sentir que as pessoas estão te ignorando

Kiss se despede de São Paulo com show no Allianz Parque lotado

A história dos grandes shows internacionais no Brasil se confunde com as visitas do Kiss ao País, que frequenta nossas terras desde 1983. Agora, 39 anos depois da estreia no Brasil, o Kiss se despediu dos fãs de São Paulo. E o bota fora foi em grande estilo, no Allianz Parque lotado! Penúltima parada nacional da End of The Road Tour, São Paulo viveu uma noite especial neste sábado (30). Se em 1983 Creatures of the Night foi o material mais recente na bagagem, dessa vez o Kiss fez um verdadeiro tributo para si mesmo. Destacou Destroyer, o álbum homônimo (1974) e o próprio Creatures of the Night, mas sem esquecer de um grande passeio por quase todos os álbuns. Quem tem acompanhado os últimos shows dessa turnê de despedida do Kiss notou que não há espaço para surpresas. Mas elas não são o ponto alto há tempos. Quem vai assistir ao Kiss, quer ver essa incrível máquina divertida e dançante. O início com Detroit Rock City já mostrou que os bons velhinhos não queriam perder tempo para esquentar o público. Aliás, eles são a banda mais quente do mundo, certo? E antes dos efeitos e pirotecnia, mais sucessos foram distribuídos para os fãs: Shout It Out Loud, Deuce, War Machine e Heaven’s on Fire. Logo depois, Gene Simmons cospe fogo para emendar a clássica I Love It Loud, cantada a plenos pulmões pelos fãs. Aliás, essa canção foi uma das mais tocadas nas rádios na época do primeiro show por aqui. Say Yeah e Cold Gin deram um descanso para os fãs que não são tão fervorosos, além de abrirem espaço para o primeiro solo cheio de efeitos da noite, com o guitarrista Tommy Thayer. Lick It Up e Calling Dr. Love, logo na sequência, relembraram o Kiss mais sexy, cheio de caras e bocas para o público. A dobradinha funcionou demais para quem estava se acabando na pista. E um grilo no microfone de Paul acabou roubando a cena rapidamente, arrancando risos dos fãs. Tears Are Falling, da época quase esquecida do Kiss sem máscara, antecedeu Psycho Circus, que ficou marcada por uma das vezes em que a banda esteve no Brasil, nos anos 1990. Posteriormente, mais uma sequência de solos. Agora na bateria e no baixo, ambos acompanhados de números divertidos, palco alçado ao topo e repletos de efeitos cenográficos, como o sangue de mentirinha do linguarudo. O solo de baixo, inclusive, é o que abre espaço para Gene Simmons cantar God of Thunder. Hora de inverter os papéis e Paul Stanley assume os vocais. Nesse momento, uma forte chuva desabou sobre o Allianz Parque, mas nada que assustasse esse tiozinho de 70 anos, que mesmo assim voou com a tirolesa até um palco secundário, próximo à pista comum, onde puxou Love Gun. O passeio de Stanley até o meio do gramado também rendeu I Was Made for Lovin’ You, que empolgou demais os fãs. A reta final, antes do bis, ainda teve Black Diamond com Eric Singer fazendo o papel de Peter Criss, cantor original deste clássico. O intervalo do bis foi muito rápido, não deu nem tempo do público gritar pela banda. Enquanto os outros integrantes permaneciam fora de cena, Eric Singer retorna no piano para cantar Beth, com direito a muitos celulares ligados para garantir o clima mais romântico na arena. Do You Love Me, fechando o top 5 de Destroyer, teve a adição de balões pretos e brancos estilizados do Kiss, que caíram em cima do público. O clima festivo teve seu gran finale com o maior hit de todos: Rock and Roll All Nite. Chuva de papéis picados, explosões, cheiro de pólvora e pista queimando de tão quente garantiram uma despedida de encher os olhos. Por fim, vale destacar que os dois líderes da banda, Gene Simmons e Paul Stanley, de 72 e 70 anos, respectivamente, não cantam mais como em outros tempos. Mas a alegria e a emoção de estarem no palco permanecem intactas. RepertórioDetroit Rock CityShout It Out LoudDeuceWar MachineHeaven’s on FireI Love It LoudSay YeahCold GinGuitar SoloLick It UpCalling Dr. LoveTears Are FallingPsycho CircusDrum Solo100,000 YearsBass SoloGod of ThunderLove GunI Was Made for Lovin’ YouBlack Diamond BISBethDo You Love MeRock and Roll All Nite