Frutas, stage dives e “my mame is Dangerous”: a apoteose krishnacore do Shelter em Santos, em 1996

O ano era 1996 e o hardcore dominava a MTV Brasil. Se você ligasse a TV em qualquer tarde daquele ano, era questão de tempo até o clipe de Here We Go invadir a tela com sua energia contagiante. A faixa catapultou o álbum Mantra (1995) e transformou o Shelter, banda americana liderada por Ray Cappo (ex-Youth of Today), em um fenômeno global. A sonoridade agressiva contrastava com a mensagem pacifista e espiritual de orientação hindu, criando um subgênero próprio: o krishnacore. E foi exatamente no auge dessa febre, em junho de 1996, que a banda desembarcou no Brasil para uma turnê histórica. Além de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, a rota incluiu uma parada obrigatória na Baixada Santista. O resultado? Um dos shows mais caóticos, divertidos e inusitados da história de Santos. Palco improvável e a ironia do destino do Shelter em Santos A ironia de uma banda estritamente vegetariana tocar em um antigo restaurante chinês não passou despercebida. O relato histórico do fanzine santista Surf Core detalhou perfeitamente a atmosfera daquela noite. O Cadillac Café, na Avenida Conselheiro Nébias, 788, provou ser um cenário impecável para o hardcore: com dois andares, palco na altura ideal e duas caixas de som gigantes, a estrutura parecia ter sido feita sob medida para os stage dives. A abertura foi uma celebração à parte. O Cólera, com o saudoso Redson, subiu ao palco em formato power trio e entregou um set rápido e agressivo. Em seguida, o Garage Fuzz, que estava há tempos sem tocar em casa por conta da composição de novas músicas, matou a saudade e fez “todo mundo pogar”, com o então vocalista Alexandre Sesper (Farofa) dedicando o show a todos os animais que haviam sido sacrificados ali no passado. O Blind fechou o suporte mostrando sua forte influência do punk rock dos anos 80. Quando o Shelter finalmente assumiu os instrumentos, a catarse foi imediata. Para Marco Casado Lima, fã que esteve presente, a escolha do local refletia a essência da cena na época: “Punk/HC é foda… sempre que um lugar abria espaço, é porque já tava ruim das pernas. Era tipo a última cartada dos donos desesperados”. Quando o Shelter subiu ao palco, a catarse foi imediata. “A galera dava stage dive do mezanino, aquilo me impressionou. Me senti num show do Bad Brains em Nova York no início dos anos 80”, relembra Marco. Camarim vegano para o Shelter em Santos e a ajuda divina Para o produtor do show, Alexandre Macia, o Pepinho, a noite marcou sua estreia com atrações internacionais. “Foi super bem-sucedido, deu sold out. Foi fácil de vender porque Here We Go estava tocando não só na MTV, como nas rádios de rock. Acabaram os ingressos e ainda tinha gente querendo”, conta. Mas se os números de bilheteria eram de rockstars, o rider (lista de exigências) do camarim pegou o produtor de surpresa. Acostumado a comprar cerveja e uísque para bandas de metal, Pepinho se viu em um cenário diferente com os devotos de Krishna, que na época contavam com ninguém menos que Roy Mayorga (que depois brilharia no Soulfly e Stone Sour) na bateria. “Os caras só queriam fruta! Eu fiz a feira pela primeira vez na minha vida graças ao Shelter, comprando mamão papaya, banana… E os caras eram muito gente fina, de boa”, diverte-se o produtor. A logística ainda contou com uma “intervenção divina”: “O templo Hare Krishna de Santos fez questão de levar a banda para almoçar no dia do show. Isso foi uma maravilha, economizei um bom dinheiro de rango!” “Hi, my name is Dangerous” O clima amigável de Ray Cappo rendeu uma das histórias mais hilárias dos bastidores santistas. Pepinho havia prometido ao seu funcionário da loja Metal Rock, apelidado de “Perigoso” e fã do Shelter, que o apresentaria ao ídolo. Durante a montagem do palco, Cappo pediu para tomar uma água de coco. Pepinho topou, com a condição de passarem na loja primeiro. “Quando eu entro na loja com o Ray Cappo, o Perigoso quase desmaiou”, relembra o produtor. Tomado pela emoção e querendo impressionar o ídolo em inglês, o fã cometeu um erro de tradução fatal na hora de se apresentar. “O Perigoso, em vez de falar o nome, traduziu o próprio apelido. Ele soltou um: ‘Hi! My name is Dangerous!’. O Ray Cappo chorou de rir de encostar na parede. Ele ria e falava: ‘Ok, sorry, you are dangerous!’. Puta, coitado do Perigoso”, gargalha Pepinho. Caos no mosh, cusparada e a debandada dos “modistas” O sucesso estrondoso de Here We Go nas rádios e na TV cobrou seu preço na pista. Se o produtor Pepinho celebrou o sold out, o fanzine Surf Core relatou o que isso significou na prática: foram mais de mil ingressos vendidos para um espaço que, teoricamente, não comportava aquele volume de pessoas. “Não cabe isso tudo, mas coube”, resumiu a publicação. Essa superlotação misturou a velha guarda do punk com o público novato atraído pela MTV, gerando atritos. A empolgação com os saltos do mezanino e invasões de palco fugiu do controle. Em determinado momento, os “babacas de plantão” invadiram tanto o espaço da banda que uma das músicas do Shelter acabou sendo tocada de forma quase totalmente instrumental, pois Ray Cappo mal conseguia cantar. O clima, que era de festa, atingiu um pico de tensão com uma atitude inaceitável. Sempre pregando o pacifismo e o respeito, o vocalista parou o show e ameaçou não continuar após um fã dar uma cusparada na intérprete que estava no palco tentando traduzir as mensagens da banda para o público. Apesar do estresse, a apresentação teve um “filtro” natural. Assim que o super hit Here We Go foi executado, ocorreu um fenômeno clássico dos anos 90 relatado pelo fanzine: os “modistas” deram a noite por encerrada e foram embora para casa. Foi só a partir desse momento, com a pista respirando um pouco mais, que os fãs reais de krishnacore puderam absorver a agressividade musical do Shelter
30e assume gestão global do Faith No More e anuncia turnê mundial para 2027

A 30e, companhia brasileira líder em entretenimento ao vivo, anunciou um global deal estratégico com o Faith No More, uma das bandas mais influentes e disruptivas da história do rock. O acordo de longo prazo confere à empresa brasileira o papel de núcleo estratégico e operacional para as próximas turnês mundiais da banda, abrangendo os cinco continentes. Quebrando o eixo tradicional Historicamente, o fluxo do show business global é centralizado nos eixos Estados Unidos e Europa. Este acordo subverte essa lógica, colocando uma potência latino-americana na liderança do planejamento global de um ícone mundial. O modelo garante que a 30e exporte sua inteligência em dados, marketing e infraestrutura, enquanto a banda mantém controle total sobre sua autonomia artística e legado. Identidade compartilhada O Faith No More, sempre conhecido por desafiar gêneros e romper com o status quo — seja fundindo funk e metal ou experimentando texturas imprevisíveis —, encontrou na 30e um parceiro alinhado com esse espírito. “A 30e é uma empresa que quer desafiar o status quo e, como artistas, entendemos o valor disso. A abordagem deles não soa como a engrenagem de sempre”, declarou a banda em comunicado oficial. Pepeu Correa, CEO da 30e, reforçou que a escolha do grupo não foi por acaso: “Eles moldaram gerações inteiras justamente por se recusarem a jogar sob as regras óbvias do mercado, e é esse mesmo espírito audacioso que move a 30e”. Ascensão global Este não é o primeiro passo da empresa neste tabuleiro. No início de 2026, a 30e já havia anunciado um acordo de longo prazo com o System Of A Down, consolidando sua posição como uma das principais exportadoras de inteligência e estratégia do mercado de música ao vivo. A parceria com o Faith No More, construída em conjunto com a agência WME, sinaliza um novo momento para o setor no Brasil: um país que não apenas recebe grandes shows, mas que agora comanda a engrenagem criativa por trás deles.
Não Religião retorna aos palcos no Hangar 110

O punk rock nacional perdeu um pouco de sua voz quando o Não Religião pausou suas atividades, mas a espera acabou. Formada em São Paulo em 1985, a banda que ajudou a pavimentar o hardcore e o rock alternativo brasileiro retorna para um show de reunião mais do que necessário no dia 20 de junho de 2026, no Hangar 110, em São Paulo. A banda, liderada por Tatola nos vocais, volta para mostrar que a crítica social e política de seus três discos fundamentais, A Verdadeira História de Um Brasileiro, Pegaram Jesus Pra Cristo e Ninguém Me Escuta, permanece urgente. Uma noite de resistência e solidariedade O show contará com participações de peso, incluindo a lendária banda 365, e convidados como Swave, Chicko Noise e Cadillacs Punk Rock. A discotecagem da noite fica por conta do DJ Maia (89 FM). Além da celebração musical, o evento abriga uma causa nobre: o Bazar do Mingau. Amigos e o próprio músico estão doando instrumentos, discos, roupas e equipamentos para um bazar solidário. Toda a renda será revertida como combustível para o tratamento e recuperação de Mingau, uma das figuras mais amadas do rock nacional. É o punk rock cumprindo seu papel original de rede de apoio e coletividade. Serviço: Não Religião – Show de reunião
Machine Gun Kelly anuncia show solo em São Paulo

O artista multiplatinado mgk (Machine Gun Kelly) confirmou seu retorno a São Paulo. O cantor, que se tornou uma das figuras mais dinâmicas da cena musical global, traz a sua Lost Americana Tour para uma apresentação solo em São Paulo, no dia 6 de setembro de 2026, no Espaço Unimed. Com mais de 20,6 bilhões de streams acumulados, mgk consolidou uma trajetória marcada pela quebra de paradigmas. Após dominar o rap, o músico fez uma transição bem-sucedida para o rock/pop punk com o aclamado Tickets to My Downfall (2020), que atingiu o topo da Billboard 200, e manteve a relevância com o sucessor Mainstream Sellout (2022). Turnê “Lost Americana” A turnê atual promove seu sétimo álbum de estúdio, Lost Americana (2025). O repertório promete um espetáculo de alta energia, mesclando faixas que definiram sua fase rock, como bloody valentine e my ex’s best friend, com o material mais recente, que continua a flertar com a versatilidade do alt-pop e do rap. Multitalento em foco Para além da música, mgk se firmou como uma força no entretenimento e cinema. Recentemente, o artista se destacou por seu papel como a pioneira do rock Sister Rosetta Tharpe no filme Rosetta (Amazon MGM Studios) e pela sua participação em projetos de comédia, demonstrando uma versatilidade que o mantém no centro das conversas da cultura pop mundial. Serviço: Machine Gun Kelly em São Paulo – Lost Americana Tour
Lionel Richie confirma show único no Nubank Parque, em São Paulo

O lendário Lionel Richie desembarca em São Paulo para uma noite histórica no Nubank Parque, no dia 19 de dezembro de 2026. Com um repertório recheado de clássicos que definiram a música pop, o artista promete uma experiência de conexão profunda com o público brasileiro. Informações sobre Lionel Richie em São Paulo Vendas e pré-venda (clientes Itaú) O Itaú Unibanco oferece benefícios exclusivos, incluindo 15% de desconto no valor dos ingressos para compras com cartões de crédito. Público Início Fim Private Bank e Personnalité 16/06, 10h 17/06, 10h Demais clientes Itaú 17/06, 10h 18/06, 10h Venda geral (online) 18/06, 12h – Bilheteria oficial 18/06, 13h – Setores e preços Dica: Clientes Itaú podem parcelar em até 3x sem juros em qualquer compra. O que esperar do show do Lionel Richie em São Paulo? Lionel Richie conduz seus espetáculos como uma “memória coletiva”. Prepare-se para cantar do início ao fim hinos como: Informação importante sobre o pacote VIP O Pacote VIP Super Fã Itaú (R$ 500,00) inclui itens exclusivos, mas atenção: ele é vendido separadamente e exige a compra prévia de um ingresso para os setores específicos (Platinum, Orange, Diamond, Gold ou Silver). Classificação etária: Entrada de 5 a 15 anos acompanhados; 16 e 17 anos podem ir desacompanhados. (Sujeito a alteração por decisão judicial).
Blink-182 relança Take Off Your Pants and Jacket com faixas inéditas no streaming

O Blink-182 lançou a edição de 25 anos de Take Off Your Pants and Jacket, o álbum que mudou a história do punk rock ao ser o primeiro do gênero a estrear no topo da Billboard 200. Além das 13 faixas clássicas que definiram hits como The Rock Show, Stay Together for the Kids e First Date, esta edição comemorativa traz um presente especial para os fãs mais dedicados: seis músicas que nunca tinham chegado ao streaming. Fim do mistério das edições raras Quando o disco foi lançado, em 12 de junho de 2001, a capa foi dividida em três versões colecionáveis, cada uma representada por um símbolo: o avião vermelho, a calça amarela e a jaqueta verde. Cada uma dessas edições trazia duas músicas “escondidas” que se tornaram o Santo Graal dos fãs da banda. Agora, pela primeira vez, todas as seis raridades estão reunidas em um único lugar. Impacto de Take Off Your Pants and Jacket O álbum é um divisor de águas não só para o blink-182, mas para o rock moderno. Ele refinou a fórmula que a banda começou a desenhar em Enema of the State, trazendo uma produção mais polida, mas mantendo a atitude adolescente, o senso de humor escrachado e a energia inesgotável. Vinte e cinco anos depois, a relevância do disco continua intacta.
Chuck Ragan retorna ao Brasil em 2027 para três shows em formato acústico

Chuck Ragan, conhecido mundialmente como a voz do Hot Water Music, voltará ao Brasil em janeiro de 2027 para uma turnê solo acústica. O músico norte-americano fará três apresentações no país, passando por Florianópolis, Curitiba e São Paulo. Os shows acontecem nos dias 7, 8 e 9 de janeiro, respectivamente, marcando o reencontro de Ragan com o público brasileiro em um formato mais intimista, mas sem perder a intensidade que o tornou uma referência do punk rock melódico. A passagem pelo Brasil começa no Desgosto Bar, em Florianópolis, segue para o Basement Cultural, em Curitiba, e termina no Hangar 110, em São Paulo. Na capital paulista, o show terá abertura de Koala, vocalista do Hateen, em um set acústico. Os ingressos já estão à venda. Embora seja reconhecido principalmente pelo trabalho à frente do Hot Water Music, banda fundamental para a consolidação do punk melódico norte-americano nas últimas três décadas, Ragan construiu uma trajetória solo consistente, aproximando elementos do folk, country e rock de estrada. Em seus shows acústicos, o artista costuma transformar canções carregadas de energia em interpretações mais próximas do público, valorizando a força das composições e de sua voz característica. Outro capítulo importante dessa caminhada foi a criação da Revival Tour, projeto itinerante que reuniu compositores de diferentes gerações em apresentações colaborativas. A iniciativa contou com nomes como Frank Turner e Brian Fallon e ajudou a ampliar a influência de Ragan para além do universo do punk, reforçando seu papel como elo entre diferentes vertentes da música independente. A nova visita ao Brasil acontece em meio à divulgação de Love And Lore, primeiro álbum solo de inéditas lançado por Ragan em uma década. O disco apresenta um artista disposto a expandir seus horizontes criativos, explorando diferentes sonoridades sem abandonar as raízes que moldaram sua carreira. Faixas como “Echo The Halls”, “Winter” e “Reel My Heart” revelam um compositor interessado em temas como passagem do tempo, família, vida na estrada e as transformações da maturidade. Além da música, a relação de Ragan com a natureza também tem ocupado espaço central em sua produção recente. Proprietário de uma operação de pesca com mosca na Califórnia, o artista passou a incorporar reflexões sobre equilíbrio, sobrevivência e conexão com o ambiente em suas letras. Essa perspectiva atravessa boa parte de Love And Lore e deve estar presente nas apresentações brasileiras, que prometem revisitar diferentes fases de uma carreira marcada pela honestidade emocional e pela dedicação às canções. Hot Water Music também no Brasil Seis meses depois, Chuck Ragan irá retornar ao país com o Hot Water Music. A agenda brasileira terá cinco apresentações: Rio de Janeiro/RJ em 15 de junho, no Experience, seguindo para Florianópolis/SC no dia 17/07, no Desgosto, Curitiba/PR recebe a banda dia 18/07, no Basement Cultural, e depois vem as duas datas em São Paulo/SP, ambas no lendário Hangar 110: 19/07, já esgotada, e 20 de junho. Serviço – Chuck Ragan no Brasil em 2027 7 de janeiro de 2027 em Florianópolis/SC Local: Desgosto Bar Endereço: Rua Padre Roma, 174 – Centro – Florianópolis/SC Ingressos: 101tickets.com.br/events/details/Chuck-Ragan-em-Florianopolis 8 de janeiro de 2027 em Curitiba/PR Local: Basement CulturalEndereço: Rua Desembargador Benvindo Valente, 260 – São Francisco – Curitiba/PR Ingressos: 101tickets.com.br/events/details/Chuck-Ragan-em-Curitiba 9 de janeiro de 2027 em São Paulo/SP Local: Hangar 110Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro – São Paulo/SP Ingressos: 101tickets.com.br/events/details/Chuck-Ragan-Hangar-110
Entrevista | Shawn James – “Ninguém ligava para Through The Valley até o The Last of Us”

O cantor, compositor e multi-instrumentista norte-americano Shawn James lança nesta sexta-feira (12) o álbum Passage, novo trabalho de estúdio que marca mais um capítulo na trajetória de um dos artistas independentes mais respeitados da cena folk, blues e rock contemporânea. Conhecido mundialmente por sua voz poderosa e pela capacidade de transitar entre momentos intimistas e explosões de intensidade sonora, o músico apresenta um disco que fala sobre transformação, superação e a coragem necessária para seguir em frente. Escrito e gravado ao longo do último ano, Passage surge como uma obra profundamente introspectiva. O álbum equilibra passagens acústicas delicadas com arranjos carregados de peso, misturando blues sombrio, rock, folk e elementos orquestrais. A faixa de destaque é Headed for the End, que também ganha um videoclipe oficial nesta sexta-feira. Entre os momentos mais marcantes do trabalho está Burn, composição que reflete sobre um mundo em constante transformação e os desafios enfrentados pela sociedade contemporânea. Shawn James no Brasil Além do lançamento do novo álbum, Shawn James também se prepara para retornar ao Brasil em agosto. A turnê passará por Porto Alegre, no Teatro Opinião, em 6 de agosto; São Paulo, no Cine Joia, em 7 de agosto; e Curitiba, no Hard Rock Cafe, em 8 de agosto. Os shows prometem reunir clássicos da carreira, como Through The Valley, música eternizada pelo universo de The Last of Us, além das novas composições de Passage. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Shawn James falou sobre a expectativa para o lançamento do álbum, relembrou o impacto inesperado de Through The Valley após sua associação com The Last of Us e comentou a forte conexão que desenvolveu com o público e a cultura brasileira ao longo de suas passagens pelo país. O novo álbum chega às plataformas em poucas horas. Como você está se sentindo neste momento? Estou animado. Sempre existe uma expectativa antes do lançamento de um álbum, especialmente nas primeiras horas. É divertido acompanhar a empolgação das pessoas. A verdade é que escrevi essas músicas no ano passado e terminamos as gravações no final do verão. Então, estou esperando por esse momento há bastante tempo. Originalmente, o disco seria lançado em 1º de maio, mas quando voltei de uma turnê, em março, precisei passar por uma cirurgia e tivemos que adiar tudo um pouco. Está tudo bem agora, mas foi uma longa espera. Estou aliviado e empolgado por finalmente lançar esse trabalho. O que aconteceu para você precisar da cirurgia? Achei que estava com uma intoxicação alimentar. Acordei com uma dor forte do lado esquerdo e fui ao médico. Descobri que era apendicite e precisei retirar o apêndice. Foi muito rápido. Fui dormir com uma dor de estômago e poucas horas depois estava em uma sala de cirurgia. Felizmente aconteceu quando eu já estava em casa, em Portland, no Oregon. Foi intenso, mas estou totalmente recuperado. Como tem sido a reação do público aos primeiros singles de Passage? Tem sido fenomenal. Uma das coisas que gosto de fazer é construir a partir do que já criamos anteriormente. Quando os fãs gostam de discos como Shadows ou The Dark & The Light, eles sabem que podem confiar em mim. Não vou simplesmente mudar tudo de direção. Existe experimentação, claro, mas acredito que as pessoas estão gostando porque encontram elementos familiares apresentados de uma forma nova. Não tenho do que reclamar. Como foi o processo de composição deste álbum? E de onde vêm suas inspirações? A inspiração vem de todos os lugares. Quando eu era mais novo, especialmente na época de Shadows, muitas músicas surgiam de questões pessoais e experiências do passado que eu estava tentando entender. Hoje pode vir de algo que estou vivendo, de um filme incrível que assisti, de um livro, de um mito ou de uma história qualquer. Gosto disso porque amplia as possibilidades criativas. Quanto ao processo de composição, ele varia bastante. Às vezes surge uma ideia de letra, às vezes uma história, outras vezes um riff ou uma progressão de acordes. Em Passage, tentei fazer algo que gosto muito: escrever a música e a letra ao mesmo tempo. Assim, uma inspira a outra e tudo parece mais natural e coeso. Você encontrou alguma inspiração musical no Brasil? Sim. Antes mesmo de visitar o Brasil eu já conhecia alguns estilos brasileiros, como o funk e outros gêneros populares. Mas quando estive aí pude conhecer mais da cultura musical do país. A bossa nova, por exemplo, é muito inspiradora. Cresci em Chicago cercado por gospel, blues, soul, jazz e rock. Quando você conhece outra cultura musical, percebe pequenas diferenças na forma como as pessoas constroem suas canções. Tenho ouvido mais artistas brasileiros ultimamente. Alguém até montou uma playlist para mim. Quem sabe um dia eu consiga escrever uma música em português. Primeiro preciso aprender o idioma. E você conseguiu conhecer melhor o Brasil durante as turnês? Deu tempo? Sim. São Paulo foi a cidade onde tivemos mais tempo para passear. Visitamos mercados, bares e diferentes bairros. Também conheci cidades como Belo Horizonte, Florianópolis, Curitiba e Brasília. Adorei experimentar a culinária brasileira. Sou apaixonado por feijoada. Um dos momentos mais marcantes foi quando visitei uma propriedade em Minas Gerais, a convite do chef Santi Roig. Ver as paisagens, a natureza e o interior do Brasil foi incrível. Gosto muito de conhecer essa parte mais natural do país. Você teve uma infância muito ligada à igreja. Como isso influencia seu trabalho atualmente? Influenciou profundamente minha visão sobre a música. Desde criança eu via pessoas indo à igreja levando seus problemas, suas dores e dificuldades. A música fazia parte desse processo. Via pessoas cantando juntas, chorando, encontrando conforto. Isso me ensinou que a música pode ter um propósito muito maior do que simplesmente soar bem ou parecer algo legal. Hoje recebo milhares de mensagens de pessoas contando como minhas músicas as ajudaram em momentos difíceis. Acho que aprendi muito cedo que a música pode ser uma ferramenta emocional e até terapêutica. Você chegou um pouco depois da era de ouro do rádio e
Bangers Open Air anuncia primeiras atrações da edição de 2027 com Quiet Riot e Lacuna Coil

O Bangers Open Air começou a desenhar sua próxima edição. Após reunir grandes nomes do rock e do metal neste ano, o festival confirmou as cinco primeiras atrações para 2027: Quiet Riot, Lacuna Coil, Floor Jansen, Metal Church e Soen. O evento acontecerá nos dias 24 e 25 de abril de 2027, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Os ingressos já estão à venda pelo site do Clube do Ingresso. A expectativa é que novas atrações sejam anunciadas nos próximos meses, ampliando um line-up que já reúne representantes de diferentes vertentes do metal, do hard rock clássico ao metal progressivo contemporâneo. Quiet Riot Formado na década de 1970, o Quiet Riot foi um dos pioneiros na popularização do heavy metal nos Estados Unidos. A banda entrou para a história ao lançar Metal Health (1983), primeiro álbum de heavy metal a alcançar o topo da parada da Billboard. Liderado atualmente pelo baterista Frankie Banali até sua morte em 2020 e mantendo vivo seu legado, o grupo segue levando aos palcos clássicos como Cum On Feel the Noize, Bang Your Head (Metal Health) e Mama Weer All Crazee Now. Lacuna Coil Um dos maiores nomes do metal italiano, o Lacuna Coil construiu uma carreira sólida desde os anos 1990 combinando elementos de gothic metal, alternative metal e sonoridades modernas. Liderada pelos vocalistas Cristina Scabbia e Andrea Ferro, a banda conquistou reconhecimento internacional com álbuns como Comalies, Karmacode e Black Anima. Conhecida pela forte conexão com o público brasileiro, a banda costuma entregar apresentações marcadas por intensidade e grande apelo visual. Floor Jansen Reconhecida mundialmente por sua potência vocal e versatilidade, Floor Jansen ganhou projeção internacional à frente do Nightwish, tornando-se uma das vozes mais respeitadas do metal contemporâneo. Antes disso, a cantora já havia se destacado em grupos como After Forever e Revamp. Em carreira solo, Floor tem explorado diferentes influências musicais sem abandonar suas raízes no metal sinfônico, consolidando uma trajetória que a transformou em referência para uma nova geração de vocalistas. Metal Church Fundado em 1980, o Metal Church é um dos nomes mais influentes da cena heavy e power metal norte-americana. A banda ganhou notoriedade com discos como Metal Church, The Dark e Blessing in Disguise, ajudando a moldar o som do metal tradicional dos anos 1980. Ao longo das décadas, passou por diversas mudanças de formação, mas manteve sua identidade baseada em riffs pesados, melodias marcantes e letras que transitam entre temas sociais e existenciais. Soen Criado em 2010 pelo baterista Martin Lopez, ex-Opeth, o Soen se consolidou como um dos principais representantes do metal progressivo moderno. Com influências que vão de Tool ao próprio Opeth, a banda sueca desenvolveu uma identidade própria marcada por composições sofisticadas, atmosferas melancólicas e forte carga emocional. Álbuns como Lotus, Imperial e Memorial ampliaram sua popularidade nos últimos anos, especialmente entre fãs de rock e metal progressivo. Com as confirmações de Quiet Riot, Lacuna Coil, Floor Jansen, Metal Church e Soen, o Bangers Open Air dá início à construção de uma edição que promete atrair diferentes gerações de fãs de rock e metal. Novos anúncios devem ser divulgados ao longo dos próximos meses até a formação completa do line-up de 2027. Serviço Bangers Open Air 2027Data: 24 e 25 de abril de 2027Local: Memorial da América Latina, São PauloIngressos: à venda pelo Clube do Ingresso.