Red Fang volta com anúncio de álbum, single novo e vídeo divertido

O Red Fang está de volta! Uma das bandas mais queridas da casa anunciou o álbum Arrows, que chega ao streaming em 4 de junho via Relapse Records. “Foi muito gratificante gravar essas músicas com Funk!”, disse o guitarrista e vocalista, Bryan Giles, sobre o álbum produzido pelo colaborador de longa data Chris Funk (Murder The Mountains). Nos sentimos muito confortáveis com uma rotina flexível. Não tocamos/criamos uma música de cada vez, mas adicionamos guitarras, vocais ou estranheza geral sempre que uma ideia surgia na mente. Foi muito divertido!Vida longa ao Rock!!” Aliás, a primeira prévia do álbum foi revelada com um videoclipe. Em resumo, a faixa-título recebeu uma produção bem digna do Red Fang com direção de Whitey McConnaughy. “O jeito dele de nos apresentar realmente funciona,” disse o guitarrista David Sullivan sobre a relação com Whitney. “O primeiro clipe que ele fez para a gente foi Prehistoric Dog, que deu um grande salto na popularização da banda. E nós amamos trabalhar com ele”. Pré-venda A pré-venda para o álbum de 13 faixas está disponível com uma variedade de formatos, incluindo versões padrões de LP, CD cassete e digital, assim como um LP de edição limitada com líquido, CD de luxo (exclusivo para Europa e Relapse.com) e dois pacotes colecionáveis: LP com um pôster limitado de setas pretas e um box set com tema Texas Hold’em de edição limitada Red Fang x Psycho Las Vegas. Chamado de Fortune Hunter Gamblers Pack, o pacote temático do pôquer inclui cartas de jogar com qualidade de cassino, dados, moedas de colecionador, box personalizado e um cartão de autenticidade (todos com artes de Ian Colazzo), assim como o LP, e uma camiseta. TracklistTake it BackUnreal EstateArrowsMy DisasterTwo HighAnodyneInterop-ModFonzi SchemeDays CollideRabbits in HiveWhyDr. OwlFuneral Coach
Crítica | Necro Sapiens – Baest

Os dinamarqueses do Baest chegam ao seu terceiro full lenght, Necro Sapiens, lançado agora em 2021 e sucedendo os ótimos Danse Macabre (2018) e Venenum (2019). Em pouco mais de seis anos de carreira, a banda já coleciona diversas aparições em festivais mundo afora, além de possuir vários vídeos de ótima qualidade. Isso, claro, no mundo “normal”. Esperamos que tudo volte aos eixos e bandas como o Baest possam voltar destruindo tudo de novo! Mesmo para quem nunca ouviu a música do Baest não é difícil adivinhar o estilo, afinal, com um nome como esse, passando pelo logotipo do grupo, a arte de capa e os títulos das músicas, há alguma dúvida que o death metal tradicional é o que comanda o barco aqui? Pois death metal com as produções atuais é o elemento principal em Necro Sapiens. Portanto, essa dose de modernidade apenas acentuou o poderio de fogo que sons como Czar, Genesis, Abattoir e Meathook Massacre possuem. O vocalista Simon Olsen é um mestre na arte de vomitar as letras mais bestiais possíveis, sem dúvida um dos melhores cantores de death da nova geração. O material varia à vontade entre velocidade e partes mais cadenciadas, sendo que na citada Czar esse expediente é elevado à potência máxima, sendo responsável pelo invariável clima mórbido do trabalho, ou seja, é o death metal em seu estado puro! Aliás, o fato de ser uma banda apenas em seu terceiro álbum nos faz otimistas quanto ao futuro do estilo. Obrigatório aos amantes do metal extremo. Necro SapiensAno de Lançamento: 2021Gravadora: Century Media RecordsGênero: Death Metal Faixas:1-The Forge2-Genesis3-Necro Sapiens4-Czar5-Abattoir6-Goregasm7-Towers of Suffocation8-Purification Through Mutilation9-Meathook Massacre10-Sea of Vomit
Crítica | Subversive Worms – Empty Grace

Da quente Teresina (PI) vem o Empty Grace, trio formado em 2001, que executa um duro e potente death metal. Foi assim na estreia com Subterranean Soul´s March (2009) e em seu segundo álbum, Subversive Worms, lançado em 2017, onde os três músicos atingiram seu ápice. A propósito, formam a banda Marcus Borralho (baixo e voz), Nanno Tajra (guitarra) e Angelo Fernando (bateria). Logo de cara, a faixa-título explode nas caixas com um riff que lembra Serpents of The Light, do Deicide. Ou seja, dá para ter uma idéia de como é o trabalho do Empty Grace, ou não? Sim, é death metal brutal, veloz e esporrento, sem qualquer concessão ou vontade de soar modernoso. Confira os brutais blast beats de Unnecessary Suffering, a velocidade estonteante de Consumed By Madness e o ataque impiedoso de riffs em cacetadas como Inner Weakness, Slaved By Faith e Divine Torture, todas transbordando fúria, ódio e malevolência, perfeitas para bater cabeça e nos lembrar as razões que nos fazem gostar desse estilo musical. Sem novidades, afinal, o Brasil possui uma das mais mortíferas cenas de death metal do mundo (sem exageros ou demagogias), sendo o Empty Grace mais um nome que você, caro (a) deathbanger, deve conferir. Subversive WormsAno de Lançamento: 2017Gênero: Death Metal Faixas:1-Subversive Worms2-Empty Grace3-Unnecessary Suffering4-Consumed By Madness5-Inner Weakness6-Slaved By Faith7-False Belief8-Divine Torture9-Forgotten By The Church of Christ10-Inquisition
Aline Happ lança versão rock sinfônica de Because of You, da Kelly Clarkson

Um dos grandes hits dos anos 2000, Because of You, da Kelly Clarkson, ganhou uma versão que une rock e vocal lírico, por Aline Happ. Em resumo, a cantora renova o hit pop com a inclusão de instrumentos de maior peso melódico, tais como harpa híbrida, violino e flauta. A canção faz parte de uma série de releituras que Happ realiza em seu canal no YouTube. Anteriormente, ela divulgou versões de Rihanna, Linkin Park, Iron Maiden, e até mesmo, The Mandalorian. Aliás, algumas das canções também estão disponíveis nas principais plataformas de streaming e download. “Esta é uma canção profunda que fala sobre alguém que te puxa para baixo, fazendo você se sentir inseguro e abandonado. Mas também traz a mensagem de esperança, dizendo que apesar de todos os sentimentos ruins, você não vai ser igual a essa pessoa”, define Aline Happ sobre a letra de Because of You. Lançada originalmente em 2005 por Kelly Clarkson em seu segundo disco, Breakaway (2004), a canção chegou a ser a mais tocada no Brasil e ficou entre as 10 primeiras nos EUA, Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Hungria, Irlanda e Reino Unido. A primeira versão da letra foi escrita por Clarkson quando esta tinha 16 anos, durante o divórcio dos pais, e fala sobre a dor emocional de um relacionamento tóxico. Em síntese, no clipe, a cantora mostra que mesmo com a dor que sente, não irá repetir os mesmos abusos emocionais com sua família. Conhecida mundialmente por seu trabalho como líder, vocalista e compositora do Lyria, Aline Happ é hoje uma das vozes mais famosas do metal brasileiro. Em seu projeto solo, a artista promove releituras Gothic/Folk/Celtic de canções do rock e do metal mundial que estão disponíveis em seu canal no YouTube.
Discografia Municipal: Good Times, do Safari Hamburguers

No sexto episódio da série Discografia Municipal, Mari Rodrigues e Wladimyr Cruz recebem Antônio Carlos “Atibaia”, guitarrista do Safari Hamburguers. Em resumo, eles falam sobre Good Times (1993), disco lançado pela Cogumelo Records e que marca o começo da popularização do hardcore melódico na cidade. Aliás, a série tem apoio da Lei Adir Blanc de fomento à cultura, do site Blog n’ Roll e do Santa Portal. Portanto, são nesses sites, além das plataformas musicais (Spotify, Deezer, Amazon Music), que você encontra semanalmente um novo episódio da série, sempre às terças-feiras.
Som na Vitrola | 5 discos com Zéu Britto
Entrevista | Ana Carol: “quando me tornei mãe percebi que a música estava fazendo falta”

Feito e inspirado na própria família. Essa provavelmente é a frase que melhor define o álbum de estreia Alma Nua, da cantora gaúcha Ana Carol. Totalmente delicado e conduzido pelas vivências de maternidade da artista, o novo projeto ainda conta com a participação do marido e cineasta André Moraes, responsável pela criação das melodias do álbum. Em dez faixas, o disco mescla composições autorais da cantora e homenagens a obras populares brasileiras, com um toque especial e uma linguagem afetiva. Aliás, mesmo sendo o primeiro disco lançado pela também atriz, escritora e bailarina, não é de hoje que a artista expressa tamanha vontade por cantar e compartilhar suas criações musicais. Todavia, Alma Nua é a realização de um sonho nascido há alguns anos, em Porto Alegre. “É um projeto tão antigo na minha vida. Eu comecei a querer criar um disco logo que eu saí da minha cidade, com 22 anos. Meu desejo sempre foi ser cantora, a vida que acabou me levando para outros caminhos. Foi um momento de pura realização a gravação desse disco, não tive nenhum nervosismo, apenas muita vontade para que ele se concretizasse”, revela a cantora. Amamentação Na faixa-título do álbum, Ana utilizou a própria experiência com a amamentação do primeiro filho, Francisco, para criar a letra e também o videoclipe, que foi totalmente adaptado e filmado em casa, devido à pandemia. Estando há alguns anos no universo maternal e tendo inclusive escrito e compartilhado suas vivências em um blog e no YouTube, a cantora sempre levantou bandeiras de humanização do nascimento e de uma maternidade ativa. Portanto, com o novo trabalho, ela não poderia deixar de lado a vontade de também trazer a família para o projeto musical. Antes disso, ela já trabalhava em conjunto com o esposo e cineasta André Marques em uma produtora, escrevendo roteiros audiovisuais. Segundo ela, a parceria é uma caraterística muito própria da família e nada mais natural do que refletir isso nas composições e no resultado da obra. “O disco é uma consequência de muitos questionamentos que surgiram com a maternidade. Comecei a rever minha carreira, a minha maneira de estar no mundo. O que eu gostaria de transmitir para as pessoas? Qual recado de fato queria dar? Além de uma vontade muito grande de não ficar só reproduzindo os discursos de outras pessoas ou simplesmente fazendo algo para o outro, mas sim fazer meus próprios projetos e então dar minha assinatura para as coisas. Isso veio muito forte com a maternidade e fazia parte disso o desejo de estar mais com a minha família, incluir eles no meu processo de trabalho”, conta. Retomada musical de Ana Carol Na época em que a artista partiu do sul do Brasil para iniciar carreira em solo carioca, sabia que amava música. Com três anos de idade já cantava e com 11 começou a ter ainda mais vivência vocal. Depois de adulta e deixando as apresentações nas casas noturnas de Porto Alegre, acabou dando de cara com os musicais do Rio de Janeiro, graças às experiências com atuação e dança. Neste longo processo colocou o canto de lado, voltando sua energia principalmente para a televisão e os conteúdos audiovisuais. “Quando me tornei mãe percebi que a música estava me fazendo muita falta. Que não podia ficar longe como estava, foi quando entrei nesse processo de retomada da minha carreira, seguindo meu desejo de estar perto. Isso culminou no lançamento do disco, algo que sempre esteve comigo e que tinha deixado de lado nos anos que me dediquei como atriz”. E essa multiplicidade de tarefas é de tirar o fôlego. Impossível desviar de tantas funções e interesses da artista, que está sempre buscando, analisando e se colocando nas situações propostas, conectando tudo ao trabalho, sem parar nunca. Mas com um currículo tão extenso, como escritora, compositora, cantora, bailarina, atriz e ainda formada em psicologia, o questionamento que paira pelo ar é: como ela consegue dar conta de tantas atividades ao mesmo tempo? Simplesmente dando um passo de cada vez. “Não existe uma conciliação de tudo isso, na verdade, isso tudo me habita. Eu sou essa colcha de retalhos, esse mix de influências. É impossível que isso coexista simultaneamente, no mesmo momento. Então, eu estou sempre priorizando coisas, não tem como dar conta de tudo ao mesmo tempo. As mulheres inclusive sofrem muito por acreditarem nessa ilusão de que a gente tem que dar conta de tudo, mas não temos e não conseguimos”. A música é prioridade de Ana Carol E nessa trajetória de quase dez anos como atriz, portas foram abertas para que o novo álbum chegasse ao público. Agora, no entanto, a prioridade é o lado musical. “Estou no momento, menos dedicada a minha carreira de atriz, para me dedicar mais a minha vida como cantora e compositora, já que são coisas que estão fazendo mais sentido para mim, como pessoa, mãe e como tudo aquilo que me constitui até agora”, diz. Ana Carol ainda conta sobre a proposta do novo projeto, já que propositalmente e de maneira intencional quis quebrar padrões pré-estabelecidos com este álbum. De acordo com ela, atualmente as produções estão próximas demais do convencional e deixando de lado o verdadeiro caráter artístico necessário. “Dentro da gente há um universo inteiro. E eu acho que o mundo hoje está muito na superfície das coisas, encaixotado. As pessoas fazem o que dá certo para a audiência e eu não gosto. Quero quebrar isso. Acho que temos que nos mostrar inteiros dentro das coisas que fazemos. Mostrar nossas camadas, singularidades e nosso colorido, porque é isso que faz com que sejamos únicos”, finaliza.
Entrevista | Richie Kotzen: “Adrian e eu temos pensamentos em comum e outros diferentes”

Dois grandes guitarristas unidos em um projeto de tirar o fôlego. Adrian Smith e Richie Kotzen estrearam o álbum Smith / Kotzen, projeto gravado nas Ilhas Turcas e Caicos, um pouco antes do início da pandemia. Composto por nove faixas, Smith / Kotzen é uma perfeita colaboração entre os dois músicos altamente respeitados que escreveram todas as músicas, compartilharam os vocais principais e também trocaram as funções de guitarra e baixo ao longo do disco. Repleto de melodias e harmonias poderosas, o disco incorpora a atitude espirituosa do rock clássico dos anos 1970 com um caldeirão de influências que vão do blues, hard rock, R&B tradicional e mais, misturando as origens e experiências de cada um do par para resultar em um som totalmente contemporâneo. Kotzen conversou com o Blog n’ Roll sobre a parceria com o guitarrista do Iron Maiden, carreira, gravação do álbum na ilha, Brasil e lockdown. Confira o papo abaixo. Como surgiu essa parceria com Adrian Smith? Nós nos conhecemos há uns nove ou dez anos. É difícil dizer exatamente como nos conhecemos, porque em Los Angeles você vê e conhece pessoas com frequência. Mas, ao longo dos anos, nossa amizade foi crescendo, nossas esposas ficaram amigas, e sempre falamos muito sobre música. E sempre nos feriados, a gente se encontrava para fazer uma sessão e tocar algumas músicas. Mais recentemente, em uma dessas sessões, alguém sugeriu que eu e o Adrian tentássemos fazer uma música juntos. E, felizmente, isso aconteceu, e hoje estamos aqui. O que permeou a montagem desse set? Todas as músicas são idênticas… brincadeira (risos). As faixas me lembram muito aquele rock clássico que cresci ouvindo. É um álbum agradável, que tem um flow muito bom. É um daqueles álbuns legais de rock clássico, e cada música tem sua personalidade. O single Taking My Chances é uma faixa forte, que queríamos mostrar primeiro, mas todas são importantes. Você percebe que as canções são da mesma banda, mas a vibe muda, claro. Cada música representa nosso sentimento quando as escrevemos. Como foi gravar o álbum em uma ilha paradisíaca do Caribe? Cara, isso foi muito divertido. Eu nunca tinha ido para lá. É um lugar lindo, tropical, com um mar maravilhoso. Foi incrível! O único problema foi que eu não queria fazer nada além de ficar deitado na praia (risos). Tivemos alguns dias de folga, e depois começamos os trabalhos. Foi bem legal, e gostei muito de ter feito dessa forma. Espero que o próximo seja assim também. Tiveram problemas na hora de voltar por conta da pandemia? Não tivemos problemas, porque saímos de lá antes de tudo começar por aqui. Eu lembro que tive minha festa surpresa de aniversário em Las Vegas, depois fiz shows em um cruzeiro em Miami, e em seguida encontrei o Adrian para gravarmos o álbum. Quando terminamos, já estávamos planejando a turnê mundial e marcando os shows. Nossa ideia era lançar o álbum em março ou abril de 2020 e começar a turnê logo em seguida. Mas, obviamente, a pandemia chegou e tudo isso mudou. Como estão os planos para a divulgação de Smith / Kotzen com esse impedimento? Estamos fazendo o que podemos. Divulgamos algumas músicas, o álbum completo está pronto para ser lançado, estamos dando muitas entrevistas e contando nossa história. Eu sou um cara das antigas, então não vejo a hora de poder tocar ao vivo. No Texas, por exemplo, eles liberaram shows, então talvez a gente faça uma turnê por lá. O lockdown dificultou algo em sua vida? Para mim, não foi tão ruim como para muitas pessoas. Eu sou grato por ter conseguido descansar um pouco, porque precisava de um tempo livre. Quando você é um cara como eu, se te oferecem três semanas de shows da América do Sul, você vai. Ou então, meses na Europa, eu vou também. Então, é difícil dizer não quando essas oportunidades surgem. Eu não queria tirar essa folga, mas senti uma tranquilidade quando as coisas pararam. Claro que odeio a covid-19, obviamente, mas ficar em casa nesse lockdown funcionou para mim. Voltando ao álbum, como foi cruzar as influências de vocês dois? Adrian e eu temos pensamentos em comum e pensamentos diferentes. Por exemplo: nós dois amamos bandas clássicas de rock. Mas, por outro lado, eu também gosto de alguns elementos, e o Adrian de outros, como jazz e blues. Eu não curto tanto, mas tenho muita influência do soul e do r&b. E isso foi bom, porque tivemos muitos pontos onde nos conectamos bem, e outros que nos ajudaram a trazer algo diferente para o álbum. Você é um cara com muita bagagem no rock, ainda mais pelas passagens pelo Poison e Mr Big. Acredita que ainda carrega algo dessas vivências no seu som? Todas as coisas que você faz como músico ajudam a formar suas características. Para mim, eu não sei ao certo o que aprendi com cada membro de cada banda que passei, porque são anos na estrada, e períodos relativamente curtos com as bandas. Mas, certamente, para um cara jovem que tocava na garagem, tocar com outros grandes artistas e interagir com eles é um aprendizado enorme. Conheci muita gente gigante, e essas pessoas me ensinaram muitas coisas que começaram a fazer parte da minha personalidade musical. Você tem uma relação legal com o Brasil, certo? Brasil é um dos lugares que mais gosto de visitar e tocar. Sempre tenho experiências incríveis quando vou ao Brasil, com ótimos públicos e pessoas apaixonadas por música. Minha esposa é brasileira e a conheci em São Paulo. É um lugar importante para mim, e espero voltar logo. Já aprendeu a falar em português? Só frases ridículas e palavrões (risos). Mas vou parar de ser preguiçoso e tentar aprender algo útil.
Entrevista | Mark Jansen (Epica): “Temos que mudar principalmente nossa humanidade”

Depois de cinco anos sem um álbum de inéditas, a banda holandesa Epica, enfim, presenteia os fãs com uma novidade. O oitavo disco de estúdio de Simone Simons, Mark Jansen e companhia, Omega, foi lançado no fim de fevereiro e traz 12 músicas divididas em 70 minutos. Dentre as canções está a continuação antológica de Kingdom of Heaven, com pouco mais de 13 minutos. O metal sinfônico de Simone Simons (voz), Mark Jansen (guitarra e gutural), Isaac Delahaye (guitarra), Coen Janssen (sintetizadores e piano), Ariën Van Weesenbeek (bateria) e Rob Van Der Loo (baixo) segue com uma referência mundial. Aliás, sem esquecer os fãs brasileiros, a Epica aproveitou o lançamento do álbum para presentear os apaixonados pela banda com novidades. Em resumo, a turnê Ωmega BrasileirΩ e a loja pop up na Galeria do Rock, em São Paulo, com produtos exclusivos. O guitarrista Mark Jansen conversou com o Blog n’ Roll sobre a produção de Omega, os desafios e a ligação com o público brasileiro. Confira o resultado abaixo. A pandemia atrapalhou de alguma forma o processo de criação de Omega? Nós demos sorte porque todo o processo de composição foi feito antes da pandemia. Até mesmo boa parte das gravações foi feita antes das coisas ficarem severas. As coisas começaram a entrar em lockdown justamente quando eu e a Simone íamos começar a gravar os vocais. Então, eu tive que gravar minha parte do meu estúdio caseiro, o que não foi um problema, porque tenho todo o equipamento necessário. Já a Simone alugou um estúdio perto da casa dela na Alemanha, e tudo caminhou bem. Não tivemos grandes problemas com a pandemia enquanto estávamos trabalhando no álbum. Como foi a comunicação entre os integrantes da banda na pandemia? Nós já fazíamos reuniões virtuais antes da pandemia, porque moramos em países diferentes. Temos três caras na Holanda, um na Bélgica, a Simone na Alemanha e eu na Itália. Então, temos muitas reuniões assim o tempo todo. Claro que o lockdown atrapalhou, principalmente porque algumas coisas precisavam ser feitas pessoalmente, mas não pude comparecer porque a Itália está muito fechada até hoje. E lançar o álbum sem poder fazer turnê? O quão complicado é isso? Nós discutimos se seria válido lançar o álbum sem poder sair em turnê na sequência. Eu sempre tive uma crença grande de que deveríamos lançar, sim. Porque se você atrasar o lançamento por mais um ano e meio, ainda tem o risco de não poder fazer turnê da mesma forma. Então não faria sentido ficar esperando o momento certo, até porque as pessoas precisam de novas músicas para enfrentar esses tempos difíceis. Não poder fazer turnê é uma pena, mas tem coisas mais importantes na vida. Você imagina que o mundo será muito diferente pós pandemia? Sim, acho que o mundo vai ser diferente. Essa situação aumentou muito a preocupação das pessoas e causou muito trauma. Vamos sentir isso no futuro. Temos que mudar as coisas, principalmente nossa humanidade. Temos que entrar em equilíbrio com a natureza e reencontrar nosso lugar no mundo. Se você encurrala a natureza, ela revida, e isso vai acontecer. Temos que achar mudanças para um futuro melhor. Por falar em natureza, vocês têm uma ligação especial com lobos, certo? Nós temos uma música que fala sobre lobos para apoiar a fundação que os protege. Para nós, foi algo ótimo, porque já fizemos diversas campanhas, e sempre que podemos ajudar pelo menos um pouquinho, podemos ajudar o mundo a ficar ligeiramente melhor. Se todos fizerem o mesmo, a diferença será enorme. Essas ações motivam o público? Acredito que sim! Converso com muitas pessoas online que me perguntam sobre esses projetos e se mostram interessadas. Não tem problema as pessoas não apoiarem a mesma causa dos lobos, mas ajudar qualquer iniciativa que ajude animais é algo lindo. Omega ainda traz um bônus com faixas acústicas, certo? Nós sempre tentamos fazer faixas extra para cada CD. Tentamos aceitar o desafio de fazer versões diferentes de algumas músicas. Não só acústico, mas também com uma atmosfera totalmente diferente. Nessas faixas, quando você escuta, sente uma vibe diferente. É bem legal fazer algo totalmente novo a partir de uma outra música. Como estão os planos futuros da Epica? É difícil dizer quanto tempo isso tudo ainda vai durar, mas eu tento ser otimista. Quando tudo isso for resolvido, espero que as pessoas assumam uma posição de mudança. Eu tenho muita esperança nisso. Então, acho que tudo acontece por uma razão. Tempos de caos vêm para mudar a forma como as pessoas veem as coisas. Acredito que daremos um passo como humanidade. Mark Jansen, quer deixar uma mensagem para os fãs brasileiros? Primeiro, quero desejar saúde para todos e para todas as famílias. Sei que a situação está ruim por aí, sei que falta oxigênio em hospitais, e isso é muito devastador. Desejo muita saúde e quero dizer para que tentem apoiar uns aos outros nesses tempos difíceis. Mesmo sem poder visitar, podemos ligar, mandar mensagem… isso é crucial.