Peter Gabriel lança “Been Undone” e inicia ciclo do álbum “o\i”

O lendário músico britânico Peter Gabriel decidiu começar 2026 com uma proposta artística inovadora e ambiciosa. O cantor lançou hoje a faixa Been Undone, o primeiro single oficial de seu novo álbum, curiosamente intitulado o\i. Este lançamento marca o início de uma jornada que durará o ano todo. Gabriel planejou revelar o álbum gradualmente, seguindo o calendário lunar. Portanto, a cada lua cheia de 2026, os fãs receberão uma música inédita nas plataformas digitais. Lados opostos de Peter Gabriel: Dark-Side e Bright-Side O projeto não se resume apenas às composições. Peter Gabriel oferece diferentes perspectivas sonoras para cada faixa. As músicas chegarão ao público com interpretações distintas, divididas em remixes Dark-Side (Lado Escuro) e Bright-Side (Lado Brilhante). Para este primeiro lançamento, o artista escolheu o Dark-Side Mix. A mixagem ficou a cargo do renomado Tchad Blake. Peter Gabriel escreveu e produziu a faixa, gravando-a no Real World Studios, em Wiltshire, e no The Beehive, em Londres. Toque de arte brasileira Um detalhe especial chama a atenção do público nacional. A identidade visual deste single destaca o talento do Brasil. A arte da capa apresenta a obra “Ciclotrama 156 (palíndromo)”, da artista plástica brasileira Janaina Mello Landini. Essa conexão entre a música de Gabriel e a arte visual contemporânea reforça o caráter experimental do projeto o\i.
Alter Bridge prova que ainda é a banda mais pesada de hard rock com um dos discos mais fortes da carreira

O Alter Bridge acaba de entregar um dos álbuns mais sólidos da carreira. Batizar o disco com o próprio nome é sempre um movimento carregado de intenção e, felizmente, aqui dá certo. A banda soa extremamente confortável na própria pele, consciente de sua identidade, do seu legado e de onde quer chegar daqui pra frente. Não é um disco feito para provar algo a alguém, mas para reafirmar por que o Alter Bridge segue relevante depois de tantos anos. O que mais impressiona neste trabalho é como eles conseguem ser fiéis ao próprio estilo sem soar repetitivos ou datados. Os riffs continuam pesados e bem construídos, a dinâmica entre Myles Kennedy e Mark Tremonti nos vocais segue como um dos grandes diferenciais da banda, e tudo soa muito orgânico. É aquele tipo de álbum que parece ter sido pensado como um todo, não apenas como uma coleção de músicas soltas. Silent Divide, anteriormente lançada, abre o disco de forma explosiva e deixa tudo mais familiar. Com seu riff direto, agressivo e um refrão que gruda imediatamente, ela é daquelas faixas que já nascem com cara de clássico de show e deixar os fãs brasileiros ansiosos para o ato de abertura do Iron Maiden em outubro. Power Down mantém o peso lá em cima, com uma pegada quase mais suja, enquanto Rue the Day, a minha favorita, traz aquele equilíbrio típico do Alter Bridge entre força e melodia. Trust In Me é um dos grandes momentos do álbum justamente pela troca vocal entre Kennedy e Tremonti, que consegue sempre surpreender. A música cresce aos poucos e entrega um refrão forte, emocional, sem cair no óbvio. Disregarded segue por um caminho mais cru e direto, enquanto Tested and Able mostra um lado mais reflexivo da banda, com arranjos que respiram mais e dão espaço para a música se desenvolver. What Lies Within e Scales Are Falling funcionam como o miolo emocional do disco. São faixas que não se resolvem rapidamente, apostam em construções mais longas e reforçam essa sensação de maturidade artística. Já Hang By A Thread surge como o momento mais contido do álbum, uma balada bem trabalhada, honesta, sem exageros, que funciona muito mais pela interpretação do que por grandiosidade. E, vamos confessar, sempre cai bem uma baladinha, né? Slave To Master fecha o disco em clima épico e um prato cheio para músicos. São vários minutos de mudanças de andamento, que me fizeram arregalar os olhos, solos bem encaixados e uma sensação clara de encerramento à altura do que veio antes. Não é uma faixa feita para consumo rápido, nem para o grande público, mas para ser ouvida com atenção, como um resumo de tudo o que o Alter Bridge se propôs a fazer aqui. No fim das contas, este álbum não reinventa a roda, mas também nem precisava fazer a esta altura do campeonato. Ele reafirma o Alter Bridge como uma banda segura de si, madura e ainda extremamente competente no que se propõe a fazer. É um disco pesado, emotivo, bem produzido e cheio de momentos marcantes. Um trabalho que respeita o passado da banda, dialoga com o presente e mostra que ainda há muito a ser cantado.
10 anos sem David Bowie: Seu Jorge libera live “The Life Aquatic” no YouTube

Hoje, o mundo da música completa exatos dez anos sem o inigualável Camaleão do Rock. Para marcar a data, o cantor Seu Jorge preparou um presente especial para os fãs. Ele disponibilizou, pela primeira vez de forma permanente, a live “The Life Aquatic: A Tribute to David Bowie” em seu canal oficial no YouTube. Até então, o público só podia acessar esse material de forma restrita ou temporária. Agora, o registro chega como um gesto definitivo de memória e respeito, celebrando um diálogo artístico que já dura mais de duas décadas. Do cinema para os palcos A conexão entre o músico brasileiro e a obra de Bowie nasceu no cinema. Em 2004, o diretor Wes Anderson convidou Seu Jorge para integrar o elenco do filme A Vida Marinha Com Steve Zissou. Na ocasião, Jorge criou versões em português para clássicos do britânico. Essas releituras ganharam vida própria e formaram o aclamado álbum The Life Aquatic Studio Sessions (2005). Vale destacar que o brasileiro compôs quase todas as versões, com exceção de “Starman”, que manteve a adaptação consagrada pela banda Nenhum de Nós (“Astronauta de Mármore”). O sucesso foi tanto que o projeto virou turnê internacional. A partir de 2016, Seu Jorge levou esse show para diversas cidades dos Estados Unidos, Europa e Austrália, provando a força dessas interpretações ao vivo. Intimidade de Seu Jorge com voz e violão A live que chega hoje ao YouTube traz esse repertório em sua forma mais essencial: voz e violão. A equipe gravou a apresentação em agosto de 2020, durante a pandemia, em uma casa em Ubatuba (SP). O cenário natural contribuiu para o clima contemplativo da performance. O setlist conta com 15 canções, incluindo pérolas como “Life on Mars?”, “Changes” e “Rebel Rebel”. Segundo Seu Jorge, liberar esse material agora é uma forma de honrar o legado de um criador que segue inspirando gerações. A benção do Camaleão É impossível falar desse projeto sem lembrar o reconhecimento do próprio homenageado. Na época do lançamento do filme, David Bowie escreveu um texto elogiando o trabalho do brasileiro. ”Se Seu Jorge não tivesse gravado minhas músicas em português, eu nunca teria ouvido esse novo nível de beleza que ele soube imprimir nelas”, declarou o astro britânico.
Goldfinger anuncia álbum “Nine Lives” com convidados de peso e polêmica

O Goldfinger confirmou o lançamento de seu nono álbum de estúdio, apropriadamente intitulado Nine Lives. O disco chega às plataformas de streaming no dia 23 de janeiro. Este trabalho marca o retorno do grupo desde o lançamento de Never Look Back (2020). Além disso, é o terceiro registro desde que a banda reformulou sua formação após um longo hiato. O time atual conta com verdadeiras lendas da cena: o vocalista John Feldmann segue acompanhado pelo guitarrista Philip Sneed (Story of the Year) e pelo baixista Mike Herrera (MxPx). Singles e participações em Nine Lives, do Goldfinger Embora a banda não tenha divulgado músicas inéditas junto com o anúncio, o álbum incluirá faixas conhecidas. Os singles Chasing Amy e Freaking Out a Bit, ambos lançados em 2025, fazem parte do repertório. O tracklist recém-divulgado impressiona pela quantidade de convidados especiais. O Goldfinger recrutou nomes como Mark Hoppus (Blink-182), Jim Lindberg (Pennywise), El Hefe (NOFX) e Spencer Charnas (Ice Nine Kills), além de participações de FIDLAR e iann dior. A polêmica da capa e o uso de IA No entanto, o anúncio não escapou de críticas. A revelação da arte da capa gerou um debate imediato e acalorado nas redes sociais. A imagem mostra uma televisão e um aparelho de som em uma mesa com vários objetos espalhados, incluindo discos antigos da banda. Muitos fãs acusaram o grupo de utilizar Inteligência Artificial (IA) para gerar a ilustração. O público notou detalhes que sugerem a ausência de um artista humano na criação. Essa discussão reflete uma tensão crescente na indústria musical. Recentemente, bandas como Pestilence, Ice Nine Kills e Bring Me the Horizon enfrentaram reações negativas semelhantes. Os fãs questionam a originalidade dessas obras e defendem a remuneração justa para designers e ilustradores, criticando a substituição da arte humana por algoritmos.
Sahara Hotnights lança “Vanishing Girl”, prévia do álbum “No One Ever Really Changes”

A banda Sahara Hotnights apresentou hoje (9) a música Vanishing Girl. Esta é a segunda amostra do aguardado novo álbum, intitulado No One Ever Really Changes. A faixa chega como uma balada de rock envolvente e mostra um lado mais introspectivo do quarteto. Com isso, o grupo captura aquele momento frágil em que a confiança vacila e as dúvidas assumem o controle. Uma mistura de reflexão e energia no novo som do Sahara Hotnights Musicalmente, Vanishing Girl equilibra duas forças. A canção mistura a pegada característica que consagrou a banda com um tom mais reflexivo e emocional. A letra aborda temas profundos como a perda de si mesma e a constante busca por segurança. Portanto, o ouvinte encontra uma sonoridade madura, que não perde a essência do rock, mas convida à contemplação. É a trilha sonora perfeita para momentos de incerteza. Do interior da Suécia para o mundo A trajetória do Sahara Hotnights impressiona pela longevidade e consistência. O grupo se formou na pequena cidade de Robertsfors, em 1992. Elas saíram de uma modesta sala de ensaio para conquistar palcos internacionais. Ao longo das décadas, as integrantes acumularam aclamação da crítica e múltiplos discos de Ouro e Platina. Após o elogiado álbum de retorno lançado em 2022, a banda prova que segue em constante evolução.
A Wilhelm Scream anuncia “Cheap Heat”, sexto álbum de estúdio

A Wilhelm Scream anunciou oficialmente o lançamento de seu novo álbum, intitulado Cheap Heat. A gravadora Creator-Destructor Records agendou a chegada do disco para o dia 27 de fevereiro. Este trabalho marca o sexto registro de estúdio da carreira do grupo e promete agitar a cena punk mundial. Junto com o anúncio, a banda revelou o single Midnight Ghost. Ouça abaixo. O retorno da agressividade técnica em Cheap Heat O lançamento acontece pouco mais de três anos após o álbum Lose Your Delusion (2022). Desta vez, o quinteto apresenta dez faixas inéditas repletas de adrenalina. A banda promete resgatar elementos que consagraram sua discografia. Segundo o comunicado oficial, Cheap Heat funciona como um híbrido único. O som combina a atmosfera sombria e niilista do clássico Ruiner (2005) com a técnica apurada e a ferocidade de Career Suicide (2007). Ou seja, o ouvinte encontrará os elementos mais agressivos e precisos que definem a identidade do grupo. A melhor fase da banda? O vocalista Nuno Pereira não poupou elogios ao novo material. Para ele, o disco celebra a potência e a dedicação que os integrantes mantêm pela música. “Há uma energia visceral em cada vocal, guitarras estridentes e implacáveis, e aquela malícia irônica que é a nossa especialidade”, destacou Nuno. O frontman foi ainda mais longe em sua declaração. Ele garantiu que Cheap Heat será considerado o melhor trabalho da banda até hoje. Essa confiança eleva a expectativa dos fãs, que aguardam ansiosamente para conferir se o grupo superou seus próprios clássicos.
We Are LA!: Ícones do punk se unem em single beneficente após incêndios

Um ano após os devastadores incêndios florestais que atingiram Los Angeles, diversos artistas locais se uniram por uma causa nobre. Eles lançaram o single We Are LA!, um verdadeiro hino de solidariedade e resistência. Entre os artistas participantes estão integrantes do Social Distortion, Foo Fighters, Pennywise, Alkaline Trio, entre outros. O projeto, batizado de “Punk Rock to the Rescue”, tem um objetivo claro. A iniciativa apoia o Sweet Relief Musicians Fund. Essa organização oferece serviços vitais e assistência financeira para músicos profissionais e trabalhadores da indústria que enfrentam dificuldades. Para onde vai a ajuda? O fundo desempenha um papel crucial na vida desses artistas. A organização destina as verbas para cobrir despesas médicas, incluindo cirurgias, tratamentos e prêmios de seguro. Além disso, o Sweet Relief ajuda com necessidades básicas de subsistência. Isso inclui custos de moradia, alimentação e contas de serviços públicos. Portanto, ouvir a música e apoiar a causa impacta diretamente a sobrevivência de muitas famílias da cena musical. Um time de peso do punk rock em We Are LA! A faixa We Are LA! reúne uma lista impressionante de colaboradores. O som conta com a participação de lendas como Jonny Two Bags (Social Distortion), Rami Jaffee (Foo Fighters), Jim Lindberg (Pennywise) e Mike Watt (Minutemen). A nova geração também marca presença com Eloise Wong (The Linda Lindas). A maioria desses artistas aparece no videoclipe oficial, celebrando a união de diferentes eras do rock californiano. A lista de convidados não para por aí. O single traz ainda nomes como Ron Emory (TSOL), Atom Willard (Alkaline Trio), Jane Weidlin (The Go-Go’s) e muitos outros veteranos de bandas como The Adolescents, The Bangles e Flogging Molly. Até mesmo Gary Tovar, fundador da Goldenvoice e considerado o “padrinho do punk”, participa da homenagem. Leilão exclusivo para fãs Para ampliar a arrecadação, a organização preparou uma ação especial. Um violão e uma camiseta, autografados por quase todos os artistas que participaram da gravação, estão disponíveis para leilão. Todo o valor arrecadado será revertido para o Sweet Relief Musicians Fund. Os interessados devem correr, pois o leilão termina no dia 18 de janeiro, às 22h (horário do leste dos EUA). É a chance de ter um item histórico e ainda ajudar quem faz a música acontecer.
Mon Rovîa lança “Bloodline”, seu aguardado álbum de estreia
O cantor e compositor liberiano Mon Rovîa lançou seu aguardado álbum de estreia, intitulado Bloodline. O projeto conta com 16 faixas e consolida o músico como uma das vozes mais instigantes da nova geração. O disco funciona tanto como um memorial pessoal quanto como um testemunho coletivo. Ele mescla narrativas íntimas com temas expansivos como memória, identidade, migração e luto. Uma jornada de resiliência de Mon Rovîa Bloodline traça a trajetória singular de Mon Rovîa. O artista explora desde sua infância, moldada pela guerra e pelo deslocamento, até a conquista de uma sensação de pertencimento após anos de movimento constante. Ele traduz essas experiências em composições vívidas. A paleta sonora é acolhedora e meditativa, convidando o público a refletir sobre suas próprias histórias. Singles aclamados como Oh Wide World, Running Boy e a recente Old Fort Steel Trail já haviam antecipado o núcleo emocional deste trabalho. Sucesso nas redes e nos palcos O lançamento encerra um ano notável para o cantor. Recentemente, ele ganhou destaque na NPR e viralizou no TikTok com a faixa Heavy Foot, considerada um hino de protesto moderno. Os números impressionam: já são mais de 200 milhões de streams na carreira e mais de 1 bilhão de visualizações na plataforma de vídeos. Além do sucesso digital, Mon Rovîa mostra força no ao vivo. Ele esgotou a turnê norte-americana A Place To Gather e marcou presença em festivais gigantes como Bonnaroo, Austin City Limits e Red Rocks. Estreia na TV e próximos passos Para celebrar o lançamento, o artista fará sua estreia na televisão norte-americana amanhã. Ele apresentará uma performance especial no programa CBS Saturday Morning. Logo em seguida, ele volta para a estrada. Nas próximas semanas, Mon Rovîa acompanhará a banda Alabama Shakes em datas selecionadas, apresentando o universo de Bloodline para públicos ainda maiores.
Entrevista | Death to All – “Diziam que o death metal era barulho. Hoje falam que foi revolucionário”

O Death to All, projeto que reúne ex-integrantes do Death em uma celebração direta e respeitosa da obra de Chuck Schuldiner, falecido em 2001, retorna ao Brasil neste mês para uma série de quatro apresentações. A turnê marca datas simbólicas da discografia da banda, com foco nos álbuns Spiritual Healing e Symbolic, que completam 35 e 30 anos, respectivamente. Os shows acontecem em Porto Alegre (20/01, no Opinião), Curitiba (21/01, no Tork n Roll), São Paulo (24/01, no Carioca Club) e Belo Horizonte (25/01, no Mister Rock), com produção da Overload e ingressos já à venda. No palco, o Death to All traz Gene Hoglan, baterista que participou de Individual Thought Patterns e Symbolic, ao lado do baixista Steve DiGiorgio, do guitarrista Bobby Koelble e de Max Phelps, responsável pela guitarra e vocais. Mais do que um tributo, o projeto se consolidou como uma forma de manter viva a música do Death e a memória de Chuck Schuldiner para diferentes gerações. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Gene Hoglan fala sobre o início da carreira no Slayer, a relação com Chuck, a importância do Symbolic, a criação do Death to All e a conexão especial com o público brasileiro. Antes de se tornar um dos bateristas mais respeitados do metal, você trabalhou nos bastidores com o Slayer, ainda muito jovem. Como essa experiência ajudou a moldar sua visão da estrada? Eu trabalhava com iluminação e nem dá para chamar aquilo de design de iluminação. Era tudo muito rudimentar, de baixo custo e com pouquíssimo tempo para montar. Ainda assim, aquela experiência foi fundamental para mim. Foi o meu primeiro contato real com a vida em turnê. Eu tinha 16 anos e estava cercado por adultos, músicos e técnicos mais experientes. Isso me ensinou muito sobre atitude. Aprendi rápido que, naquele ambiente, observar era mais importante do que opinar. Se eu pudesse voltar no tempo, diria a mim mesmo para falar menos e ouvir mais. Ninguém quer ouvir as opiniões de um garoto que acabou de chegar, muito menos alguém tentando repetir frases de rockstars que leu em entrevistas. Quando você é jovem, imagina que a vida na estrada é glamourosa, cheia de limusines, aviões e festas. Mas a realidade é bem diferente. Muitos músicos falavam que só queriam voltar para casa e dormir na própria cama. Eu estava no meu primeiro tour, me divertindo, e tentando agir como se estivesse exausto, repetindo discursos que não se aplicavam a mim. Foi uma lição importante de humildade. Essa fase também me ensinou a respeitar o processo e as pessoas ao redor. Mais tarde, quando comecei a tocar profissionalmente, eu já entendia como uma turnê funcionava de verdade. Isso moldou completamente minha postura até hoje. Sei que você era um grande fã de Rush e Kiss, mas quais outros discos e bateristas foram fundamentais para moldar seu estilo e te levar ao metal extremo? Foram muitos, e vieram em ondas. Judas Priest teve um impacto enorme em mim, especialmente discos como Stained Class, Sin After Sin, Hell Bent for Leather e até o álbum ao vivo. Simon Phillips tocando pedal duplo em músicas como “Call for the Priest” foi algo que abriu minha cabeça. Aquilo já apontava para o que depois seria o speed metal. Iron Maiden também foi crucial. O primeiro álbum deles me marcou profundamente. Eu tinha cerca de 12 anos quando saiu. Motörhead foi outra influência gigantesca, principalmente pela abordagem crua do Phil “Philthy Animal” Taylor. Era agressivo, direto, sem polimento. Anvil, com o Rob Reiner, Raven com o Rob “Wacko” Hunter, Accept com discos como Breaker e Restless and Wild, tudo isso ajudou a estabelecer uma linguagem baseada em velocidade e peso. Quando você olha para trás, vê claramente o fio condutor: o pedal duplo empurrando o metal para frente. Depois, estar em Los Angeles no início dos anos 80 foi decisivo. Eu vi o Metallica tocar no Whisky (a Go Go) em 1982, no segundo show da banda. Eu tinha 15 anos. Estar ali, vivendo aquele nascimento do thrash metal, foi algo que moldou tudo o que veio depois, inclusive o death metal. Quando você e os músicos do Death perceberam que estavam ajudando a criar algo novo, que mais tarde seria chamado de death metal? Isso aconteceu ainda antes de eu entrar na banda. Na época em que o Death estava sendo formado, eu ainda estava no Dark Angel e antes disso no War God. Mas o Chuck e eu já éramos amigos. Todo mundo conhecia o material do Mantis, com Chuck, Kam Lee e Rick Rozz. As influências eram compartilhadas. Venom, Slayer, Possessed, todas essas bandas estavam moldando a cena. Dark Angel tocava com Slayer naquela época, e era possível perceber que todos estávamos bebendo da mesma fonte. Quando você está criando algo novo, não existe a consciência de que está fazendo história. O que existe é resistência. As pessoas diziam que aquilo era ruim, que não era música, que era barulho. Isso aconteceu com o thrash, aconteceu com o death metal. Só muitos anos depois é que as pessoas olham para trás e dizem que aquilo foi revolucionário. O Chuck tinha uma visão muito clara. Quando o death metal começou a seguir caminhos que não o interessavam, ele simplesmente seguiu em frente, evoluindo do jeito dele. Ele nunca se preocupou em se encaixar. Essa foi uma das maiores forças dele. Como era a dinâmica de trabalho entre você e Chuck Schuldiner no estúdio? Havia espaço para colaboração ou ele que dava as cartas? O Chuck era extremamente aberto à colaboração. Ele sempre dizia que não era baterista, então confiava completamente em mim nesse aspecto. Quando eu perguntava se alguma coisa estava exagerada ou difícil demais, ele sempre respondia: “Vai fundo, você está aqui porque eu quero tocar com você”. Essa confiança era mútua. Quando fui para a Flórida gravar Individual Thought Patterns, tivemos pouquíssimo tempo para preparar tudo. Sugeri que pegássemos guitarras e que ele me ensinasse todos os riffs. Queria entender exatamente como