Christine Valença une Brasil e França no novo single “Sur Ton Île”

A cantora, compositora e multi-instrumentista carioca Christine Valença prepara o lançamento de seu novo single, Sur Ton Île, que chega às plataformas digitais em 22 de maio e inaugura uma nova etapa em sua trajetória autoral. Após apresentar no início do ano a faixa Coco do Recado, em parceria com a pernambucana Caetana, a artista agora amplia suas conexões musicais em uma colaboração internacional com os artistas parisienses Félicien Adam, Verso e Luazó, aproximando Brasil e França em uma composição marcada por encontros criativos, memória afetiva e experimentação sonora. Com uma trajetória que atravessa gêneros como soul, MPB, folk e pop alternativo, Christine Valença vem consolidando uma obra guiada por escrita intimista e reflexões sobre pertencimento, deslocamento e identidade cultural. Em Sur Ton Île, essas referências ganham novos contornos a partir de experiências vividas durante sua circulação pela Europa, além de um vínculo afetivo com a França que dialoga com memórias familiares ligadas a Paris. Segundo a artista, o single representa um momento de maior apropriação de seu processo criativo e serve como ponto de partida para um novo EP, previsto para o segundo semestre, impulsionado pelo desejo de explorar novas sonoridades e fortalecer a potência da música brasileira em diálogo com outros universos musicais.

Rolling Stones revivem os anos 70 em clipe tecnológico de “In The Stars”

Após o anúncio do aguardado álbum Foreign Tongues, os The Rolling Stones lançaram nesta quinta-feira (14) o videoclipe de seu single principal, In The Stars. O vídeo é uma celebração visual que une o passado glorioso da banda ao futuro da tecnologia audiovisual. Dirigido por François Rousselet (que também assinou o icônico clipe de Angry), o vídeo conta com a participação da atriz Odessa A’zion. O grande diferencial, no entanto, é o uso de tecnologia deepfake pela empresa Deep Voodoo, que recriou os Stones em sua estética clássica da década de 1970, colocando-os para tocar ao lado de artistas e dançarinos de diversas épocas e subculturas. Uma fã no set de In The Stars Odessa A’zion, estrela em ascensão em Hollywood, não escondeu o entusiasmo. “O primeiro disco que ouvi do começo ao fim foi o Tattoo You. Sou obcecada pelos Stones”, revelou a atriz. No clipe, ela atua como o fio condutor dessa jornada atemporal pelas ruas e palcos. Metropolis Studios Gravado em menos de um mês no Metropolis Studios, no oeste de Londres, Foreign Tongues marca o reencontro da banda com o produtor Andrew Watt. O disco chega em 10 de julho como o sucessor do multiplatinado Hackney Diamonds. Para os colecionadores, a banda manteve o mistério até o fim: antes do anúncio oficial, a faixa de abertura Rough and Twisted circulou em edições limitadas de vinil branco sob o pseudônimo The Cockroaches (as baratas), um apelido clássico que o grupo costumava usar em shows secretos. * Tracklist – Foreign Tongues

Entrevista | Rodox – “Santos testemunhou minha transformação. Vamos levar algo que ainda não mostrei na cidade”

Santos sempre foi uma bússola na trajetória de Rodolfo Abrantes. Foi no palco do M2000 Summer Concerts, em 1994, que ele viu sua vida mudar ao dividir o line-up com gigantes mundiais e conhecer um jovem Chorão na grade do show. Foi também na cidade que ele enfrentou seu momento mais sombrio, após a tragédia durante o lançamento da turnê Lapadas do Povo, em 1997. Agora, mais de duas décadas depois, o ciclo se fecha, e se renova. O Rodox, banda que marcou o início dos anos 2000 com uma mistura explosiva de hardcore, nu metal e letras viscerais, está de volta. O que começou como uma ideia de turnê pontual de reencontro para o segundo semestre de 2026, transformou-se em um renascimento criativo. Com a química restabelecida e a promessa de um novo álbum de inéditas, Rodolfo e seus companheiros desembarcam nesta sexta-feira (15) no Arena Club. Ainda há ingressos à venda. Nesta entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, o vocalista abre o jogo sobre as cicatrizes do passado, a energia da fase atual e o que esperar de um show que promete lavar a alma dos fãs santistas com a potência característica de uma das bandas mais emblemáticas do rock nacional. * O retorno do Rodox é pontual para esses shows ou você já pensa em gravar um álbum de inéditas? Quando tivemos a ideia de voltar com a turnê, pelo tempo todo que ficamos longe, sem nos vermos, a gente teve que se conhecer de novo, né? Por mais que existisse o carinho, tivemos que nos redescobrir. Então, a princípio, antes de tudo começar, a ideia era fazer alguns shows só de reencontro mesmo no segundo semestre. A questão é que a gente se reencontrou, cara, e todo mundo se amou. Meu, a gente está hoje muito melhor do que já foi algum dia, entre a gente, né? Então a coisa tomou outra proporção: o que era para ser só o primeiro semestre já virou o ano inteiro. E a gente só pensa em gravar músicas novas, estamos doidos para curtir esse momento. Talvez seja um reencontro do público com as músicas antigas, mas percebemos que estamos muito mais afiados. O entendimento do que a banda é e de onde queremos chegar está muito mais claro na cabeça de todo mundo. Então, sim, vai ter álbum novo. A gente quer fazer um retrato, um registro do que está vivendo hoje. Tem sons guardados da primeira fase da banda ou pretendem começar do zero? Já tem faixa nova pronta? Seria algo com composições completamente inéditas. Existem aquelas músicas que rolam na internet, como Taco Bell e Psychobilly, mas aquilo foi sobra de estúdio. Foram faixas que gravamos e achamos que não tinham muito a ver com o álbum na época, então as deixamos de fora e elas acabaram indo para a internet. Temos um carinho por elas, principalmente pelo carinho que as pessoas têm com essas músicas, mas queremos fazer algo que seja um registro deste momento da nossa vida. Como você define o som do Rodox nessa nova fase? O que você tem escutado de som e tem influenciado você no dia a dia? Uma das coisas mais legais sobre o som do Rodox é que ele é muito eclético. Não temos nem como rotular ou dizer que é uma banda de nu metal ou de hardcore, porque tem nu metal, tem hardcore, tem punk rock, tem hardcore melódico, hardcore berrado… tem ska, tem música alternativa, tem balada… Enfim, acho que quando conquistamos isso, passamos a ter uma liberdade absurda para fazer o que quisermos. Mas de uma coisa você pode ter certeza: é a energia que estamos vivendo ao vivo. Essa é uma banda de verdade, não é uma banda de estúdio que vai levar uma coisa pronta para o palco. Não, estamos fazendo aquele caminho natural de experimentar ao vivo para registrar isso depois em estúdio. Você tem uma relação muito marcante com Santos em vários sentidos. Qual é o sentimento de retornar a Santos, que foi palco de muitas alegrias e uma tristeza marcante na sua carreira? A cidade de Santos é uma daquelas no Brasil que me viram em todas as minhas fases, né, cara? Desde o começo da minha carreira, sempre estive passando por aqui. A cidade foi testemunhando a minha transformação ao longo do tempo. Então, vai ser incrível poder retornar com o Rodox agora, sendo que, ok, é uma banda que existiu há mais de 20 anos, mas é uma banda completamente nova. O que a gente vai levar para o público santista é algo que realmente ainda não mostrei em Santos. Em Santos, o Raimundos fez um dos seus primeiros shows, no M2000 Summer Concerts, em 1994. O que você recorda desse show? Tem alguma história curiosa desse show com o Rollins Band, Mr Big e Lemonheads? Eu me lembro que foi o primeiro show gigante que a gente tocou, né? Tinha um ônibus para levar a gente de São Paulo para Santos e depois trazer de volta. Ficamos em um hotel, meu… top! Tudo isso era um absurdo de novo para nós naquela época. Ver o Henry Rollins tocando, eu era muito fã dele e do som dele, e ver aquilo acontecendo ao vivo foi muito didático. Aprendi muita coisa. Lembro que caiu uma chuva terrível naquela noite, que alagou a cidade toda. E tem uma coisa muito interessante: quando eu saí do palco, foi a primeira vez que encontrei o Chorão. Ele estava ali na grade com o pessoal, ouviu o som da minha banda e me deu um CD do Charlie Brown, quando o Charlie Brown ainda era bem metal. Foi muito legal. Essas coisas não saem da memória, não. A tragédia em 1997, no lançamento da turnê do Lapadas do Povo, certamente foi um dos momentos mais tristes da sua carreira. Como foi superar a tristeza daquele momento e seguir em frente? Realmente acho que foi o pior momento da minha vida. Aquele acidente

Entrevista | The Varukers – “Vamos continuar tocando até cairmos mortos em um palco ou em algum aeroporto”

A histórica banda punk The Varukers desembarcou novamente no Brasil para uma extensa sequência de shows ao lado da banda paulista Asfixia Social. Formado em 1979, na cidade inglesa de Leamington Spa, o grupo liderado por Anthony “Rat” Martin se consolidou como um dos nomes fundamentais do D-beat e do hardcore punk mundial, influenciando gerações de bandas extremas ao redor do planeta. A nova passagem pela América do Sul reforça uma relação antiga da banda com o público brasileiro, que acompanha o Varukers desde as primeiras visitas ao país nos anos 2000. A atual turnê brasileira também celebra a conexão criada entre o Varukers e o Asfixia Social nos últimos anos. Depois de dividir palcos no Brasil em 2024 e realizar apresentações conjuntas na Inglaterra, as bandas agora seguem juntas em dez datas pelo país, incluindo festivais como Goiânia Noise, Punk no Park e Punk in Rio. O Varukers mantém viva a essência do punk britânico surgido no fim dos anos 1970, carregando letras sobre guerra, desigualdade, manipulação política e violência social, temas que seguem presentes quase cinco décadas depois da formação da banda. A agenda da turnê segue nesta terça (12) em Uberlândia, depois gira por Patos de Minas, Divinópolis, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e finaliza em São José dos Campos no domingo (17). Conhecida pela intensidade ao vivo e pela relação próxima com o público sul-americano, a banda retorna ao Brasil em um momento de renovação do interesse global pelo hardcore punk e pelas discussões políticas presentes no gênero desde sua origem. Em entrevista ao Blog N’ Roll, os integrantes Stevie e Rat falam sobre o início da cena punk inglesa, a conexão com pessoas reais para enfrentar a alienação e o carinho que eles têm pelo Brasil. Como era a cena punk britânica no começo do Varukers? Stevie – Para falar a verdade, para nós nem existia uma cena ainda, porque éramos só crianças. Descobrimos bandas como Sex Pistols, The Damned e The Rats e ficamos completamente inspirados por aquilo. O grande lance do punk naquela época era essa sensação de “a gente consegue fazer isso também”. Então começamos a tentar. Aos poucos fomos nos organizando, mas não tínhamos ideia do que estávamos fazendo. Não existia internet, não existia manual para aprender. Era tudo muito DIY. Organizávamos pequenos shows, tocávamos uns para os outros e aquilo foi crescendo naturalmente. Foi um período extremamente criativo. Quando vocês perceberam que estavam criando algo importante dentro do punk? Stevie – Demorou bastante. Acho que uns seis anos. E isso é legal porque foi um processo lento. Éramos quatro garotos de Warwick, uma cidade pequena do interior da Inglaterra, lançando discos independentes e fazendo shows. De repente começaram a chegar cartas de lugares que eu nunca tinha ouvido falar. Pessoas dizendo “comprei o compacto de vocês”, “troquei um disco e adorei a banda”. Aquilo foi surreal para nós. E então continuamos tocando, lançando discos, viajando, e percebemos que influenciávamos outras bandas. Isso é algo muito especial. O Brasil tem uma cena punk também muito rica e vocês já vêm ao país há mais de duas décadas. O que vocês conhecem sobre as bandas brasileiras clássicas? Rat – Tocamos com o Cólera em Londres há um ou dois anos e foi incrível. Também gostamos muito do Ratos de Porão. São bandas fantásticas. O Brasil sempre teve grupos muito fortes, com identidade própria, mostrando ao mundo o jeito brasileiro de fazer punk e hardcore. Nós adoramos isso. O que diferencia o público brasileiro do europeu? Stevie – O público sul-americano em geral é mais apaixonado, mais “louco” no melhor sentido possível. As pessoas vivem aquilo de coração. É algo honesto e verdadeiro. Acho que eles percebem isso em nós também. Entendem que somos pessoas reais, pé no chão, honestas no que falamos e fazemos. Rat – Se estivéssemos enganando as pessoas, elas não nos apoiariam por tantos anos. Não são idiotas. Existe uma relação muito importante entre banda e público. Sem as pessoas, a música não significa nada. Quando alguém coloca um disco do Varukers para ouvir e sente aquela agressividade e aquela raiva, quero que a pessoa sinta exatamente o que eu senti quando gravei aquilo. Você lembra dos shows antigos em Santos? Rat – Lembro sim. Foi um ótimo período. O Boca (baterista do Ratos de Porão) levou a gente para a praia depois do show, no dia seguinte. Tenho lembranças muito boas de Santos. Foi uma experiência incrível. Depois de quase cinco décadas, o que mantém o espírito do Varukers vivo? Rat – Eu (risos). Porque isso é quem nós somos. Somos pessoas normais, honestas, e fazemos isso há tanto tempo que virou parte da nossa vida. O Varukers existe há 47 anos. Está plantado no nosso cérebro, no coração e na alma. Provavelmente vamos continuar tocando até cairmos mortos em um palco ou em algum aeroporto por aí. Você acredita que a mensagem punk ainda consegue ser transmitida em um mundo cada vez mais digital e capitalista? Stevie – Hoje isso é mais importante do que nunca. Existe uma diferença enorme entre a informação que a mídia entrega e a realidade. Quando viajamos e conversamos diretamente com pessoas reais em outros países, compartilhamos experiências verdadeiras. Não é propaganda. Não é a visão manipulada que muitos governos e meios de comunicação empurram para as pessoas. Rat – Atualmente isso ficou tão descarado que eles nem tentam mais esconder. Estamos vivendo uma era de excesso de informação e desinformação ao mesmo tempo. Por isso é tão importante as pessoas se reunirem, conversarem entre si e trocarem experiências reais. Vocês imaginavam que as letras do Varukers continuariam atuais quase 50 anos depois? Rat – Isso me choca. Nunca achei que iria mudar o mundo. Sou apenas um punk raivoso que observa as coisas e grita sobre elas através das músicas. As letras do Varukers sempre foram simples e diretas, mas tentando atingir as pessoas. Temos uma música chamada “Nothing’s Changed” e ela nunca foi tão atual. O mundo ficou mais

Entrevista | American Football – “É sobre convidar as pessoas certas e confiar nelas”

​Os gigantes do math rock e do midwest emo estão de volta. O American Football lançou o aguardado LP4, um trabalho que mergulha nas complexidades da maturidade e nas “duras realidades da vida” sob uma perspectiva de meia-idade. Com uma sonoridade mais encorpada e camadas rítmicas profundas, o novo álbum reafirma a posição do grupo como arquitetos de uma melancolia sofisticada, equilibrando a precisão técnica que os consagrou com uma entrega emocional ainda mais direta e visceral. ​Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, o baterista e trompetista Steve Lamos abriu o jogo sobre o processo de criação no estúdio e a busca por uma sonoridade autêntica. Lamos revelou como a parceria com o produtor Sonny DiPerri foi fundamental para reconstruir sua confiança atrás do kit, resultando em performances que ele considera as mais honestas de sua carreira até hoje. Entre compassos quebrados e melodias de trompete, o músico descreve o novo disco como um retrato fiel de quem a banda é no momento. ​Um dos pontos altos da conversa foi o clima de celebração em torno das colaborações de peso no álbum, que conta com nomes como Brendan Yates (Turnstile) e Beth Orton. Steve detalhou como a banda deu liberdade total para que esses artistas deixassem suas marcas, transformando as faixas em diálogos orgânicos entre diferentes gerações do rock alternativo. O resultado é um disco que, embora denso, encontra momentos de alívio em faixas mais solares, como o single Wake Her Up. ​A conexão com o público brasileiro também ganhou destaque no papo. Mesmo a milhares de quilômetros de distância, Lamos descreveu a recepção dos fãs na América do Sul como “mágica” e confessou que a banda está ansiosa para retornar. Ele relembrou a última passagem por São Paulo e expressou o desejo genuíno de explorar outras cidades brasileiras na próxima turnê. * O material de divulgação do LP4 menciona que o American Football enfrentou realidades duras da vida sob uma perspectiva de meia-idade. Como o seu processo criativo na bateria e no trompete refletiu esse clima mais denso e introspectivo deste novo disco? Uau, essa é uma ótima pergunta, eu agradeço. Uma perguntinha fácil para começar, né? Nossa, sabe, acho que estamos todos mais velhos, fazemos isso há muito tempo e acho que a única razão para continuar é fazer música nova que pareça, sabe, autêntica de alguma forma. ​Não sei se entramos nessas músicas pensando deliberadamente: “Ah, vamos fazer um hino adulto” ou algo assim, mas acho que todos querem fazer música que soe sincera ou autêntica. Algumas dessas músicas vieram de partes de bateria que eu talvez estivesse… eu amo ir para a garagem e fazer barulho, e às vezes penso “ah, gostei desse barulho”, gravo e tento desenvolver algo. Então algumas faixas foram geradas assim. ​O trompete é meu amigo e meu inimigo; sempre que crio uma melodia nele, eu o trato como — em inglês dizemos frenemy [amigo-inimigo], certo? — trato o trompete como meu frenemy. Uma dessas melodias o Mike [Kinsella] escreveu para mim, mas no “meu estilo”, e foi impressionante. Eu pensei: “Meu Deus, é exatamente o que eu teria tocado”. No final da música chamada Wake Her Up, ele escreveu aquela melodia e eu fiquei tipo… foi estranho ter algo escrito por outra pessoa que fosse tão certeiro. Mas a primeira música, a do meio chamada Patron Saint of Pale e a última são especiais para mim, porque todas vieram de levadas de bateria que eu tinha guardadas há muito tempo. No fim, acho que só queremos criar coisas interessantes; se as acharmos interessantes, esperamos que pareçam sinceras para as outras pessoas. Trabalhar com o produtor DiPerri trouxe um som mais encorpado, mais “carnudo” para o álbum. De quais formas a colaboração dele influenciou a maneira como você estruturou as camadas rítmicas desta vez? ​Puxa, outra ótima pergunta. Eu não conhecia o Sonny. O Mike e o Nate conheceram o Sonny quando eu saí do American Football por um tempo para lidar com outras coisas. Eles o conheceram para trabalhar no disco do Lies [projeto paralelo]. Então o Mike e o Nate fizeram um disco juntos, em dupla. E quando voltamos, eles disseram: “Ei, ele é ótimo, né? É muito fácil trabalhar com ele”. E eu não o conhecia. No fim das contas, ele trabalhou em discos que eu conhecia, só não sabia que era ele. ​É difícil expressar o quanto gostei de trabalhar com ele. Ele também é baterista e está muito interessado, durante a gravação, em takes que soem autênticos. Mesmo que não sejam perfeitos, há alguns erros neste disco. Eu os ouço e penso: “Ah, cara…”. Mas foram erros que, espero, façam parte de algo maior; eu não quis descartar a performance. Tudo pareceu muito… esse foi o disco que mais pareceu com o primeiríssimo álbum, talvez até melhor que o primeiro no sentido de que me senti muito confiante. Me senti bem com o que estava fazendo, me senti pronto para gravar. E acho que isso transparece. ​Eu amo este disco, talvez seja o meu favorito. E espero que as pessoas gostem. Elas têm todo o direito de não gostar, eu entendo. Mas já disse isso antes: se alguém pedisse “ei, me toque uma coisa que represente quem você acha que é como baterista”, eu daria este disco com certeza. Porque acho que este soa mais autêntico em relação a quem eu sou no momento. Talvez pela maturidade que você construiu na sua carreira. ​Espero que sim. E disse ao Sonny também: senti que, depois que saí, tinha perdido um pouco da confiança. Não me sentia eu mesmo atrás da bateria. E acho que ele foi muito encorajador. Foi muito significativo para mim ele dizer: “Ei, apenas confie em si mesmo, não fique preso dentro da sua própria cabeça”. Às vezes eu ficava frustrado e ele dizia: “Ei, vá fazer uma pausa”. ​Estávamos perto do oceano. Eu estava contando para a última pessoa com quem falei: estávamos em um estúdio com vista para uma baía linda.

Entrevista | Asfixia Social – “Nossas influências de punk e hip hop ajudaram na formação política e social”

A banda Asfixia Social segue ampliando sua conexão internacional em maio ao embarcar em uma nova turnê ao lado dos britânicos do The Varukers, um dos nomes mais influentes do punk mundial desde o fim dos anos 1970. Após abrir shows do grupo inglês em 2024 e realizar apresentações na Inglaterra, incluindo um show em Nottingham, cidade natal do Varukers, o coletivo paulista volta a dividir os palcos com a banda liderada por Anthony “Rat” Martin em dez datas pelo Brasil. A parceria reforça o elo entre o anarcopunk britânico e o crossover de rap, hardcore, ska e reggae criada pelo Asfixia Social nas periferias de São Paulo. A turnê também marca o lançamento de “Mess Bigger”, novo álbum do Asfixia Social, que chega cercado de expectativa após os singles “Walls Won’t Make You Safe” e “Revolutionary Rapport”, este último acompanhado de imagens da passagem do grupo pela Europa em 2025. Formada em Diadema, a banda se consolidou como um dos nomes mais ativos da cena underground brasileira ao unir discurso político, crítica social e influências multiculturais. Em entrevista ao Blog N’Roll, o vocalista e trompetista Kaneda Mukhtar define o projeto como uma tentativa de conectar diferentes vertentes da cultura de rua sem limitações de gênero ou estética e fala sobre o punk, a parceria com MV Bill e as experiências internacionais da banda. A agenda da turnê segue nesta terça (12) em Uberlândia, depois gira por Patos de Minas, Divinópolis, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e finaliza em São José dos Campos no domingo (17). Além das apresentações ao lado do Varukers, o Asfixia Social também carrega no repertório músicas dos álbuns “Da Rua Pra Rua” e “Sistema Sangria”, trabalhos que ajudaram a projetar a banda em turnês pela Europa e América Latina, incluindo uma histórica passagem por Cuba em 2015. Como surgiu a identidade sonora do Asfixia Social que é um mix de vários estilos diferentes? A gente também é uma banda crossover. O Varukers faz crossover dentro do punk e nós acabamos levando isso para vários outros caminhos. Misturamos reggae, ska, hip hop e música brasileira. Nós éramos uma molecada que se encontrava nas praças de Diadema ouvindo de tudo. Aquela atmosfera de rua, jogando bola, tocando violão, convivendo com diferentes sons, acabou virando esse caldeirão musical. Nunca quisemos segregar. Não era montar uma banda só de punk ou só de rap. A ideia sempre foi mostrar que não existe limite ou rótulo para a música. E como dois movimentos de rua como o punk e o hip hop se conectam dentro da proposta da banda? Essas culturas têm uma mensagem muito forte. O hip hop no Brasil sempre esteve ligado ao movimento negro, às causas sociais. O punk sempre teve relação com a luta contra injustiças. Quando você olha as letras de hardcore e rap brasileiro, muitas vezes elas falam das mesmas dores. Para nós, a música é uma ferramenta de transformação. Ela ajudou na nossa formação política e social, muitas vezes preenchendo lacunas que a escola não alcançava. E as músicas em inglês surgiram pensando em uma expansão internacional? Não foi algo planejado no começo. Os primeiros discos eram em português. Mas quando começamos a tocar na Europa, muita gente queria entender as letras. Depois dos shows, os caras perguntavam o significado das músicas. Então começamos traduzindo refrões e isso evoluiu para composições em inglês. Nunca deixamos de cantar em português, mas percebemos que cantar em inglês também ajudava a fortalecer a comunicação com o público de fora. E entre as experiências internacionais, está Cuba. Como é o país e como foi a experiência de levar o som do punk brasileiro? Foi uma experiência transformadora. A gente foi para Cuba em 2015 para gravar o documentário “Cuba Punk”. Fizemos dez shows por lá e tocamos até na Bienal de Artes de Havana. Encontramos um povo muito conectado com cultura, educação e consciência política. É um país com dificuldades materiais, mas que nos surpreendeu pela segurança e pelo senso coletivo das pessoas. Culturalmente, nos sentimos muito próximos deles. E para quem quiser assistir o documentário, como faz? Está no YouTube e gratuito. O nome é “Cuba Punk”. A gente mostra um pouco das viagens, dos shows e das dificuldades que enfrentamos por lá. Foi uma vivência muito intensa e importante para a banda. E vocês também fizeram uma grande parceria com o lendário MV Bill, como surgiu essa aproximação? Nós sempre fomos fãs dele. Conhecemos o MV Bill em um festival e depois criamos uma conexão maior quando ele tocou no nosso festival “Da Rua Pra Rua”. A parceria nasceu de uma música inspirada no clima político de 2018. Quando mostramos a ideia para ele, rolou uma identificação imediata. O mais legal foi perceber como ele também tem ligação com o rock. Ele falava de Black Sabbath, Cólera, trocava referências conosco. Foi uma experiência muito forte e uma das músicas mais importantes que já fizemos.

Entrevista | Dave Fenley – “Acho que temos algumas das canções mais incríveis guardadas”

Dave Fenley não é apenas uma voz que ecoou nos palcos do The Voice e do America’s Got Talent, ele é um contador de histórias que encontrou o equilíbrio exato entre a crueza do Texas e a suavidade do soul. Após anos lançando coleções menores de canções, o artista agora apresenta seu álbum mais robusto e pessoal, Rest of My Life, um projeto que serve como uma fotografia nítida de sua maturidade artística e pessoal. Neste novo disco, Dave Fenley mergulha em uma sonoridade que ele define como um “soulful country”, quase beirando o gospel. O álbum não apenas compila singles de sucesso, como a impactante releitura de Stuck On You, mas também apresenta cinco faixas inéditas que revelam um lado mais profundo do cantor. Segundo ele, o processo de curadoria das faixas foi guiado por uma nova percepção de mundo, agora moldada pela família e pela espiritualidade. A paternidade, inclusive, é o fio condutor que trouxe calor e novas camadas à sua voz. Dave Fenley reflete com honestidade sobre como a chegada da filha transformou sua compreensão sobre o amor incondicional, influenciando diretamente a forma como ele compõe e se apresenta. Para o músico, cada verso gravado hoje é um legado que sua filha poderá acessar no futuro, o que elevou sua responsabilidade com a integridade de sua obra. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Dave Fenley também detalhou o impacto de sua passagem pelos grandes reality shows americanos e como o aprendizado nessas vitrines moldou sua gestão de carreira independente. Com um olhar generoso sobre a cultura brasileira, ele revela planos de trazer sua turnê ao país em 2027, prometendo uma experiência que vai além dos covers virais que o tornaram um fenômeno nas redes sociais. * Dave, seu novo álbum se chama Rest of My Life. Esse título traz um senso de longevidade e compromisso. O que este disco representa para sua vida e carreira neste momento? É algo realmente impactante, porque ao longo dos anos fiz muitos EPs pequenos, coleções de seis músicas, porque costumava escrever sobre algo que estava acontecendo na minha vida e lançava aquilo. Mas, desde o meu último álbum, me casei, tive um bebê e muita coisa aconteceu. Participei de diferentes programas de TV e minha carreira tomou rumos diferentes. Então, realmente quis lançar algo que parecesse: ok, aqui está um momento no tempo onde tudo me trouxe para quem e onde estou agora. E, a partir deste ponto, quem sabe como será a vida. Mas o “resto da minha vida” é tão empolgante por causa da música, da família e do meu Senhor. Simplesmente tudo parece estar dando tão certo agora que estou realmente ansioso pelo que o próximo capítulo reserva. Queria ter algo agora que transmitisse esse momento específico. O álbum tem 11 faixas, mas seis delas já haviam sido lançadas como singles. Como foi o processo de criação das outras cinco faixas inéditas? Elas seguem a mesma sonoridade ou trazem surpresas? Sabe, este álbum inteiro acabou se transformando em um disco de country com alma (soulful country), quase gospel. Eu sempre fiz o que chamaria de álbuns “mais country”. Mas, assim que começamos a olhar para as canções e escolher o que colocar no disco, ele pareceu um pouco mais voltado para o soul. Por isso, algumas músicas tiveram que ser completamente mudadas em relação à forma como as escrevi. Estamos muito empolgados com o que ainda não lançamos, porque meio que instigamos o público com as primeiras cinco ou seis músicas para ver se as pessoas ficariam animadas com o que viria. Mas acho que temos algumas das canções mais incríveis guardadas. Nunca estive tão animado com nada na minha vida. Sim, isso é incrível. Stuck On You tem sido um marco na sua jornada desde o The Voice. Por que você decidiu lançar uma versão com banda completa agora, sete anos depois? E como sua interpretação dessa letra mudou com a maturidade que você tem hoje? Sabe, não tinha ideia de que, quando cantei essa música no The Voice, ela teria tanto impacto. Como qualquer outra coisa na indústria musical ou qualquer obra artística que você cria, você a coloca no mundo e espera que alguém preste atenção. E, pela graça de Deus, fomos tão afortunados de ter tido essa resposta. Mas o motivo de termos feito uma versão com banda completa foi, em parte, porque as pessoas a estavam usando em casamentos. E eu pensei: “Quero dar a eles uma versão mais polida do que apenas um violão acústico”. Então, lançamos uma versão completa com a banda para dar aos belos casamentos a bela canção que eles merecem. Acho que liderar com o coração primeiro, sabendo que tínhamos um motivo, uma motivação de amor, foi o que guiou o álbum todo. Oh, isso é tão lindo. Imagino que muitas pessoas cheguem até você para dizer que se casaram ao som da sua versão de Stuck On You. Absolutamente! É uma loucura! Já viajei o mundo todo cantando essa música em casamentos também, porque as pessoas simplesmente a amam. Isso é um testamento ao Lionel Richie, que escreveu a canção. Uma música atemporal assim é perfeita. Acho que não importa quem a cante, será um sucesso. Só fico muito orgulhoso de poder ser uma das vozes para ela. Você é frequentemente rotulado como um artista “country soul”. Como você equilibra a crueza do country com a suavidade e o groove do soul ao compor músicas autorais? Eu não foco muito no que “fui”, foco em quem sou. E quando estou compondo, nem penso no estilo de música que estou escrevendo. Porque, hoje em dia, qualquer música pode ser de qualquer gênero. Se a música é boa, ela é boa. Stuck On You é um ótimo exemplo. Originalmente, era um R&B puro, uma música linda do Lionel Richie. Quando chegou nas minhas mãos, eu a tornei mais country. Acho que as fronteiras entre os gêneros estão muito borradas agora. Então, apenas tento escrever uma boa música e

Primavera Sound anuncia lineup com Gorillaz, The Strokes e Lily Allen

O festival Primavera Sound terá shows de Gorillaz e The Strokes como atrações principais em sua terceira edição. O evento acontece nos dias 5 e 6 de dezembro, no autódromo de Interlagos, em São Paulo. A programação também conta com apresentações de FKA twigs, Yung Lean, Lily Allen, CMAT e Courtney Barnett. Cara Delavigne completa o lineup. A programação por dia ainda não foi divulgada pela organização. Os ingressos serão vendidos pela Ingresse. Os valores e a data de venda também não foram anunciados. Original da Espanha, o Primavera Sound chegou ao Brasil em 2022. A segunda edição aconteceu em 2023. Em 2024, o evento previsto para o final do ano foi cancelado meses antes, em agosto. Na ocasião, a produção afirmou que dificuldades externas impediram a realização do festival. Veja, abaixo, a lista completa das atrações anunciadas pelo Primavera Sound com Gorillaz e The Strokes

Air Supply transforma Vibra SP em baile de gala e prova que o amor não envelhece

Graham Russell (75) e Russell Hitchcock (76) estão na estrada há quase 51 anos, celebrando o amor com algumas das mais famosas love songs da história. Na noite de domingo (10), eles retornaram a São Paulo para uma apresentação repleta de sucessos no Vibra SP, com a turnê alusiva aos 50 anos de carreira do Air Supply. Aliás, foi o último show da celebração de meio século, já que o aniversário de 51 anos da banda acontece nesta terça-feira (12). Em uma configuração diferente da apresentada nos últimos dias, como nos shows de Men at Work e Dream Theater, o Vibra transformou-se em um baile de gala, com mesas espalhadas no lugar da pista. Uma escolha acertada, considerando que a média de idade do público era próxima à da dupla. Os dois amigos têm papéis bem definidos no palco. Graham é o mais comunicativo: conta histórias, lê poemas e arrisca palavras em português. Já Hitchcock é a grande estrela. Os primeiros versos de Sweet Dreams, canção que abriu a noite, foram suficientes para impressionar. É notável como ele mantém o vigor vocal após cinco décadas de dedicação aos palcos, potencializado pela excelente acústica da casa. No palco, a dupla é acompanhada por duas violinistas, baterista, baixista e tecladista, músicos técnicos que ganharam momentos de solo para mostrar seu virtuosismo. Even the Nights Are Better, segunda faixa do set, confirmou que a noite seria guiada pela nostalgia. Enquanto a dupla distribuía sorrisos, o telão resgatava videoclipes antigos, uma sacada visual que já havia funcionado bem no recente show de Bryan Adams. Just as I Am (cover de Rob Hegel) manteve o nível elevado, com o público cantando em coro e algumas lágrimas já surgindo nas mesas, cena que se repetiria ao longo de 1h40 de apresentação. Em I Can Wait Forever, Hitchcock testou os limites de seu alcance vocal com sucesso absoluto. Na sequência, Graham Russell assumiu a linha de frente enquanto Hitchcock poupava a voz e tomava um chá, conforme revelado pelo companheiro. Graham leu um poema e exaltou a amizade com o parceiro, reforçando o que já havia dito em entrevista ao Blog n’ Roll: “Nunca tivemos uma briga em 50 anos. Acho que o motivo é que não competimos. O Russell não quer escrever músicas, ele só quer cantar. E eu amo escrever. Não há ego envolvido”. Com o retorno de Hitchcock, o Air Supply trouxe seu primeiro hit mundial, Lost in Love. A música, de estrutura simples (apenas um verso e uma seção B, sem refrão), nasceu de um conselho de Willie Nelson: “Se você pode dizer algo no menor número de linhas possível, faça isso”. A simplicidade, de fato, funcionou. Após apresentações solo das violinistas e do baterista, veio o ápice com Making Love Out of Nothing at All, encerrando a primeira parte. O bis do Air Supply, com Without You (Badfinger) e All Out of Love, garantiu a apoteose: as mesas foram deixadas de lado e os fãs terminaram a noite em pé, colados ao palco. Edit this setlist | More Air Supply setlists