Após 15 anos, Superchunk desafia a lógica dos sets engessados e faz show memorável no Cine Joia

Foram necessários 15 anos para o retorno do Superchunk ao Brasil. Mas a longa espera foi recompensada no domingo (31), no Cine Joia, em São Paulo, com um dos shows mais intensos até aqui em 2026. Em quase 90 minutos de apresentação, a banda norte-americana enfileirou seus principais hinos, além de promover uma série de mudanças no setlist na comparação com o show do Rio de Janeiro, que rolou na noite anterior. Aliás, a disposição para alterar o repertório é algo louvável em tempos de turnês com sets engessados. Poucas são as bandas que ousam mudar mais de cinco músicas quando viajam pela América do Sul. No caso do Superchunk, foram 21 faixas executadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas com nove novidades no show paulista, além da total reordenação das canções mantidas. Logo de cara, duas surpresas abriram a noite: This Summer, atendendo ao pedido de um fã e que rendeu uma piada do vocalista Mac McCaughan, dizendo que a escolha era no mínimo inusitada, já que estamos próximos do inverno, emendada propositalmente ou não por Endless Summer. E foi nesse ritmo, entre hinos e improvisações, que o Superchunk fez a festa de um público composto em sua maioria por pessoas entre 40 e 50 anos, dentre eles Evan Dando, vocalista do The Lemonheads, outro grande expoente do rock alternativo dos anos 1990. O clima de improviso, inclusive, fez com que a novata Laura King (ex-Bat Fangs), baterista de turnê que substitui Jon Wurster, desligado do grupo em 2023, errasse algumas entradas. Muito tímida ao microfone, ela se desculpou por três vezes, mas nada que comprometesse o ritmo do show. Pelo contrário: Laura desceu o braço na bateria. No palco, a baixista Betsy Wright, substituta de Laura Ballance nas turnês (embora a fundadora siga gravando em estúdio e à frente da Merge Records), e o guitarrista Jim Wilbur são mais discretos, cada um em seu canto. Enquanto isso, Mac McCaughan distribuía pulos e corridinhas pelo palco. Dentro do cenário alternativo noventista, o Superchunk se manteve como uma referência ética exatamente por ter se negado a virar mais uma banda presa às grandes gravadoras. Eles chegaram a se reunir com a Atlantic Records na época, mas decidiram não assinar nenhum contrato para preservar a autonomia artística. O grupo havia sido um dos primeiros a assinar com o cultuado selo independente Matador. Porém, quando a Matador formou uma parceria justamente com a major Atlantic Records, a banda decidiu agir. Mac McCaughan e Laura Ballance preferiram sair e construir sua própria gravadora do zero: a Merge Records. Durante a década de 1990, eles transformaram a Merge de um pequeno projeto movido por paixão em uma verdadeira potência do indie rock, sendo os responsáveis pelo lançamento de álbuns históricos como In the Aeroplane Over the Sea (Neutral Milk Hotel) e 69 Love Songs (The Magnetic Fields), além de trabalharem anos mais tarde com nomes como Spoon, Arcade Fire e Caribou. No Cine Joia, os momentos de maior catarse coletiva ficaram por conta de Everybody Dies, Driveway to Driveway, Crossed Wires e Slack Motherfucker. O impacto no público foi imediato: além de abrir alguns mosh pits, o som fez coroas emocionados subirem ao palco para pular nos braços dos fãs. Vale destacar que Mac não pareceu muito feliz com os invasores que demoravam a deixar o palco, chegando a dar um leve empurrão em um deles. O fim da apresentação ainda trouxe Learned to Surf e Hyper Enough, coroando o set mais redondo possível. O público saiu emocionado, feliz, suado e estacionou na frente do Cine Joia na esperança de garantir uma foto com a banda. Edit this setlist | More Superchunk setlists

An Evening With Emerson, Lake & Palmer: uma noite de reverência e emoção

Quando soube que An Evening With Emerson, Lake & Palmer chegaria ao Brasil, sob a batuta do lendário Carl Palmer, confesso que a expectativa e a curiosidade foram grandes, pelas características do espetáculo, diferente de tudo que já vi ao vivo. Ao fim da noite de sábado (30), no Teatro Bradesco, em São Paulo, tudo isso foi superado com louvor. O que vi não foi apenas um show de rock progressivo tradicional, nem apenas uma sessão de nostalgia para antigos fãs. Foi uma experiência que exaltou a presença musical do ELP com uma sensibilidade rara, respeitando o passado, tudo na medida certa. Antes mesmo do show começar, o telão já mostrava imagens raras e referências ao supergrupo britânico em séries e filmes, incluindo cenas hilárias protagonizadas por Homer Simpson na série Os Simpsons, cantando trechos da clássica Lucky Man. Já durante o espetáculo, imagens restauradas de Keith Emerson e Greg Lake (ambos falecidos em 2016) em apresentação no histórico Royal Albert Hall, em 1992, eram projetadas em perfeita sincronia com a performance dos músicos ao vivo, criando uma sensação de diálogo entre passado e presente. Ao lado de Carl Palmer, sua ELP Legacy Band, formada pelo talentoso guitarrista Paul Bielatowicz e pelo virtuoso Simon Fitzpatrick no baixo e chapman stick. Ambos tiveram seus momentos de protagonismo, com solos impressionantes. É notável como Bielatowicz consegue reproduzir na guitarra a linha de teclados de Emerson. Quanto ao repertório, só pedradas. Começando com Karn Evil 9: 1st Impression, Part 2, que de cara já causou grande impacto e uma conexão imediata com o público. Na sequência, Hoedown, Knife-Edge, Pictures at an Exhibition e Benny the Bouncer, essa última com Carl Palmer cantando. Em seguida, o telão exibiu um vídeo de Keith Emerson executando Creole Dance, outro momento marcante do show. Um detalhe: antes de quase todas as músicas, Palmer se levantava da bateria e conversava com o público, contando “causos” e bastidores da faixa que seria executada, com muito bom humor, criando uma atmosfera de cumplicidade entre ele e a plateia. O público também não deixou por menos e por várias vezes se levantou das poltronas para aplaudir de pé o grupo. Voltando ao repertório, vieram a seguir as épicas Tarkus e Trilogy, a linda From the Beginning e Still… You Turn Me On. Depois, a instrumental “O Fortuna”, de Carl Orff, um dos momentos mais aguardados da noite, pois é no meio da execução desse clássico que ocorre o solo de bateria. E que solo! No auge de seus 76 anos, Palmer mostrou que segue em plena forma, com uma técnica e um virtuosismo impressionantes, além de momentos de irreverência, como um “solo de baquetas”. Uma verdadeira aula. A parte final do show teve Tiger in a Spotlight, Paper Blood, Lucky Man (pausa para secar as lágrimas), Fanfare for the Common Man, encerrando a noite com Peter Gunn. Destaque para Fanfare…, momento em que o telão exibe a performance insana de Keith Emerson, que praticamente destrói seu órgão Hammond C3, chegando a ficar em pé sobre ele. Espetacular! Ao fim do show, concluí que o que diferencia “An Evening With Emerson, Lake & Palmer” de alguns outros tributos e revisitações é a presença de propósito. Não havia exagero de produção, nem a tentativa de repetir literalmente aquilo que já foi. O que houve foi uma reconstrução afetiva e respeitosa, guiada por músicos que entendem o valor de cada acorde e cada silêncio. Eram nítidos o carinho, a emoção e o respeito de todos pelo legado do ELP, e de Palmer pelos seus saudosos amigos. Percebi que não havia presenciado apenas um espetáculo musical, havia participado de um encontro inesquecível entre história, lembranças e presente. De certa forma, me senti reconfortado por não ter tido a oportunidade de assistir ao vivo o ELP com sua formação clássica. Deixei o Teatro Bradesco com os olhos marejados e com a sensação de que a obra de Emerson, Lake & Palmer permanece viva e pulsante, exatamente como deve ser.

Paul McCartney lança álbum The Boys of Dungeon Lane

Após um hiato de mais de cinco anos em seus lançamentos solo, o eterno beatle Paul McCartney apresentou The Boys of Dungeon Lane, um álbum que se autodefine como a “história antes da história”. Uma viagem à Liverpool do pós-guerra Mais do que um simples conjunto de canções, o novo trabalho é uma coleção de memórias íntimas. Com foco total na introspecção, McCartney abre o baú de recordações e compartilha passagens que nunca haviam sido reveladas ao público. O álbum transporta o ouvinte para a Liverpool da década de 1950, descrevendo com uma franqueza rara: A rotina e a resiliência de seus pais no pós-guerra; Os primeiros acordes e aventuras compartilhadas com John Lennon e George Harrison; A vida cotidiana muito antes da explosão da beatlemania. Vulnerabilidade e legado The Boys of Dungeon Lane mostra um Paul McCartney em estado de espírito sincero e reflexivo. Ao revisitar os alicerces de sua formação, o artista explora o que moldou não apenas sua vida, mas também a base da cultura popular moderna. É, sem dúvida, o projeto mais pessoal e transparente de toda a sua trajetória.

Rogério Skylab celebra os 20 anos de Skylab IV em show marcado por um mar de cigarros, em Santos

Cigarros arremessados no palco, uma voz em coro gritando “lindo, tesão, bonito e gostosão” por diversas vezes, e um público que ansiava sempre pela próxima música. Essas foram só algumas das características do show de Rogério Skylab em Santos, nessa sexta-feira (29). O carioca de 69 anos está viajando pelo Brasil com a turnê que comemora os 20 anos de Skylab IV, um de seus álbuns mais emblemáticos. Dessa vez, ele subiu ao palco do Arena Club para celebrar essa obra importante. Aliás, essa foi a oportunidade perfeita para os fãs da Baixada Santista que nunca viram o artista ao vivo. É o caso do mecânico Bruno Ayala, 31, que acompanha o trabalho de Skylab há mais de uma década. “Eu o conheci por meio de uma roda de amigos. Além das músicas, também acompanhava o seu podcast Contemporâneos e, claro, as entrevistas em que ele participa. Estou esperando ver toda aquela loucura do Skylab no palco!”, comentou, minutos antes do show começar. Se a promessa era uma homenagem ao Skylab IV… Foi cumprida com êxito! Afinal, Skylab executou todas as 15 faixas do álbum. O repertório começou com IML e terminou com Por dentro, por fora. Enquanto isso, o público cantava junto e já arremessava alguns cigarrinhos. Um ou outro… por enquanto. Assim, Skylab apresentou uma obra constituída essencialmente por rock, mas que também bebe da fonte da MPB. Aliás, o público tem a sua preferida e a cantou bem alto, em contraste com aquele sonzinho de bossa nova. Você já sabe qual é, né? Logo depois do Skylab IV, o carioca apresentou músicas de suas obras mais recentes. Tivemos, por exemplo, as faixas Fui por Aí, da Trilogia da Putrefação – Volume 1 e Alguém Como Nós, de seu último álbum lançado, Mesa de Dissecação. “Essa turnê conta com todo o repertório do disco Skylab IV, e também conta com músicas dos meus trabalhos mais novos. Pra vocês verem como foram feitas em momentos diferentes”, explicou Rogério Skylab no palco. Afinal, como ele comentou em entrevista recente ao Blog n’Roll, suas obras não são monotemáticas. Em seguida, aconteceu aquele momento que talvez seja o mais esperado pelos fãs. Skylab começou a cantar Tem Cigarro Aí e imediatamente provocou uma chuva de cigarros. Tinha muito cigarro. Muito mesmo. Bastante. O palco ficou completamente inundado por eles, se assim podemos dizer. Um mar de nicotina. Durante mais de oito minutos, o público lançou cigarros em direção ao palco e cantou todos os trechos junto com Skylab. Era nítido que boa parte das pessoas presentes aguardava ansiosamente por esse momento. Outros clássicos de sua carreira, que já conta com mais de três décadas, foram incluídos no setlist. Fátima Bernardes Experiência, por exemplo, é uma delas. Depois, a performance de Matador de Passarinhos também era claramente aguardada pelos fãs. Esse, inclusive, teve direito a um mosh pit e tirou todo o Arena Club do chão. Aliás, essa música deu nome ao seu antigo programa de entrevistas no Canal Brasil, que foi transmitido entre 2010 e 2013. Por fim, acompanhado de uma banda talentosa e entrosada, Rogério Skylab cantou a clássica Você Vai Continuar Fazendo Música?. Com uma letra que expõe as diversas tentativas de desestimular a sua arte, ele mostra que não ouviu aqueles “incentivos”. Ele continuou, sim, fazendo música. Continua com a sua turnê. E vai continuar fazendo música nova: ele já está trabalhando no seu novo álbum, em suas madrugadas produtivas e silenciosas.

Violet Grohl mergulha na nostalgia do rock alternativo em álbum de estreia

A cantora e compositora Violet Grohl lançou o seu álbum de estreia, Be Sweet To Me. Composto por 11 faixas, o projeto é um tributo sonoro ao final dos anos 1980 e início dos anos 1990, um período que a artista descreve como autêntico e cru. Referências e atmosfera de Violet Grohl O disco é uma colagem de influências que moldaram o gosto musical de Violet desde a infância. Na sonoridade do álbum, é fácil identificar ecos de nomes fundamentais do rock alternativo e grunge, como Pixies, Soundgarden, Cocteau Twins, The Breeders, PJ Harvey, Björk, Alice in Chains, L7 e Juliana Hatfield. Segundo a artista, o objetivo foi capturar a mensagem e o visual de uma época que considera poderosa. “Existe algo muito autêntico na música daquele tempo”, comenta. Influências cinematográficas Além da música, Be Sweet To Me traz uma carga visual e narrativa fortemente influenciada pelo cinema. Fã confessa da obra de David Lynch, Violet transpôs essa estética para as suas composições. Um dos exemplos mais claros é a faixa What’s Heaven Without You, que explora contornos impressionistas e nasceu de sentimentos melancólicos após os incêndios em Altadena, Los Angeles. O resultado é um trabalho cinematográfico que consegue ser, ao mesmo tempo, uma homenagem ao passado e uma afirmação da identidade artística atual de Violet Grohl.

Supergrupo mineiro Capsula une membros do Skank e Penélope no single “Dopamina”

O supergrupo Capsula lançou o seu primeiro single, Dopamina, via OneRPM. A banda reúne figuras carimbadas do mainstream e do indie nacional: Érika Martins (voz, ex-Penélope), Fernando Americano (guitarra, ex-thesurfmotherfuckers e Penélope), Haroldo Ferretti (bateria, ex-Skank) e Lelo Zaneti (baixo, ex-Skank). Conexão de estúdio nas montanhas de Nova Lima O início da banda se deu de forma quase acidental, típica dos encontros orgânicos de Belo Horizonte. Um almoço de família e conexões informais entre vizinhos e músicos que frequentavam os mesmos círculos há décadas, mas que nunca haviam dividido um estúdio, geraram o convite simples: “vamos fazer um som?”. Em vez de correr para o estúdio comercial, os quatro integrantes decidiram trabalhar em silêncio. Durante um ano inteiro, o quarteto se reuniu de forma descompromissada no Estúdio Bamboo, espaço montado na casa do baterista Haroldo Ferretti, cercado pelas montanhas de Nova Lima (MG). Longe das pressões do mercado, eles passaram noites e madrugadas desmontando, experimentando timbres e reconstruindo arranjos. O foco do grupo foi preservar a crueza dos instrumentos gravados por mãos humanas, abraçando as imperfeições naturais que dão alma ao rock de garagem. Crônica digital de “Dopamina” O resultado dessa calmaria é uma sonoridade madura que caminha entre o pop rock, o pós-punk, o dub e o reggae. O primeiro cartão de visitas dessa fase, Dopamina, é uma verdadeira crônica da exaustão urbana contemporânea. Liricamente, a faixa aborda a nossa ansiedade digital, a hiperconexão, as relações líquidas e a dependência química que desenvolvemos pelas notificações e validações instantâneas dos ecrãs de nossos telemóveis. É o balanço perfeito entre a cozinha rítmica clássica de Haroldo e Lelo, as texturas espaciais das guitarras de Fernando e a interpretação densa e magnética que sempre foi marca de Érika Martins.

Greta Van Fleet resgata as origens em novo single, Play Your Games

O Greta Van Fleet deu início a uma nova fase em sua trajetória. Após realizar uma performance intimista no Bowery Ballroom, em Nova Iorque, o grupo vencedor do Grammy lançou o single e o videoclipe Play Your Games, a primeira amostra oficial de um material inédito desde que a banda decidiu se afastar dos holofotes para compor. Retorno à crueza Diferente de seus trabalhos mais recentes, que exploravam arranjos complexos e uma sonoridade expansiva, Play Your Games aposta na irreverência. O som é o resultado de uma imersão no Tennessee ao lado do produtor Mike Elizondo, conhecido por trabalhos com Fiona Apple e Turnstile. A música foi resgatada de uma demo dos arquivos da banda, capturando a essência dos anos de formação do grupo em Frankenmuth. Para Jake Kiszka, guitarrista da banda, o tema central é simples: “É sobre essa bela natureza de aproveitar um momento”. Estética e universo visual O lançamento é acompanhado por um videoclipe oficial dirigido pela Moonbase, que expande o universo visual da banda. O vídeo reflete a atitude afiada da música, consolidando o que parece ser uma era mais “indomável” do quarteto. Assista ao videoclipe

Entrevista | Bullet Bane – “Optamos por segurar o novo álbum para que tudo fosse encaixado da melhor forma possível”

O Bullet Bane lança nesta sexta-feira (29) o álbum O Agora Que Cobra Viver, trabalho que marca uma nova fase na trajetória do grupo. O disco chega acompanhado de mudanças importantes na formação, com a entrada do vocalista Lucas Guerra e do baterista Andrew Lee. As transformações refletem diretamente na identidade sonora da banda, que amplia ainda mais seus horizontes sem abandonar a intensidade característica construída ao longo da carreira. Com produção de padrão internacional, O Agora Que Cobra Viver surpreende pela maneira como expande os limites do hardcore melódico moderno. O álbum incorpora elementos do metal contemporâneo e aposta em experimentações que incluem screams, sintetizadores, beats eletrônicos e até uma orquestra com 12 instrumentos na faixa “Mais Um Dia”. O resultado é um disco pesado, emocional e ambicioso, que alterna momentos explosivos e atmosferas grandiosas sem perder a conexão com o lado melódico da banda. O trabalho ainda reúne participações especiais de Teco Martins, que aparece em “Mais Um Dia”, e Rodrigo Lima em “Paradoxo Progresso”. E ainda há espaço para uma surpresa: “Alma Gêmea”, tocada em voz e violão de maneira bem intimista. Todas as letras do álbum foram escritas por Lucas Guerra, mostrando a importância da nova formação. A produção ficou a cargo do guitarrista Fernando Uehara, que dividiu a função com toda a banda, enquanto Caio Weber assinou a produção de vozes e colaborou em algumas melodias do disco. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Fernando Uehara conta sobre a segunda troca de vocalista, o processo e cuidado na produção do álbum e como ele soa o reflexo do momento dos cinco integrantes. ​Como tem sido o processo de composição com a entrada do Lee e do Lucas? A primeira música que a gente fez foi “Reta-ação”. Eu, Dan e Rafa já tínhamos essa música e mostramos para o Lee e para o Lucas. Eles piraram e aquilo acabou funcionando como uma porta de entrada para essa nova fase. Foi uma conversa bem direta: “Galera, estamos com essa ideia para um novo momento da banda e queremos que tenha essa energia”. Eles compraram a ideia imediatamente e começamos a trabalhar juntos em cima disso. O mais legal é que tudo fluiu de forma muito natural no estúdio, mesmo sem termos criado nada juntos até então. Foi um processo leve desde o começo. Depois dessa primeira experiência, o restante das músicas acabou acontecendo de forma quase automática. Fomos trabalhando faixa por faixa ao longo dos últimos meses. Já faz cerca de um ano desde que eles entraram na banda e acho que, mais para o final do ano passado, a gente realmente se encontrou musicalmente. A ideia inicial era lançar o álbum antes, mas decidimos adiar porque percebemos que ainda poderíamos amadurecer alguns detalhes. Depois de tocar juntos, fazer shows e observar a reação do público, entendemos melhor o que as pessoas esperavam, o que gostávamos de fazer e qual energia queríamos transmitir. Então optamos por segurar o disco até agora para que tudo fosse encaixado da melhor forma possível. Queríamos que, ao ouvir as músicas, as pessoas realmente sentissem cada um de nós ali dentro. Acho que essa conexão que criamos é algo difícil de alcançar e o fato de nos entendermos tão bem e termos nos encontrado nesse momento da vida fez tudo fluir naturalmente. Todo mundo ficou muito satisfeito com o resultado. A troca de um vocalista é sempre um processo complicado para muitas bandas, mas vejo que todo mundo ficou feliz com a nova formação. Como foram os primeiros shows e o feedback do público? A troca de vocalista é sempre algo complicado e até curioso, porque é difícil lembrar de bandas que passaram por duas mudanças desse tipo e conseguiram continuar fortes. A primeira aconteceu em 2018, com a saída do Vitro, que era o vocalista original do Bullet Bane. Foi um momento difícil, mas logo nos recompusemos com a entrada do Arthur. Tivemos uma fase muito boa e tudo fluiu naturalmente naquele período. Com o passar do tempo, porém, as coisas deixaram de funcionar da mesma maneira e, em 2025, aconteceu a saída do Arthur. Já não existia mais a mesma sinergia entre a gente e entendemos que fazia mais sentido cada um seguir seu caminho. Ele foi para a carreira solo e, para nós, era assustador pensar em uma segunda troca de vocalista. Uma mudança já é complicada, então uma segunda parecia um desafio ainda maior. Quando o Arthur saiu, muita gente do Brasil inteiro entrou em contato interessada em fazer testes, mas o Lucas já era um amigo nosso de longa data. A gente nunca teve banda junto, mas já tínhamos convivido bastante e feito muitas coisas juntos. Por isso, ele foi a escolha mais coerente. Também coincidiu com o momento em que ele estava de volta ao Brasil e disposto a entrar nesse novo projeto. Tudo aconteceu de forma muito natural. A aceitação do público foi muito positiva. O Lucas já é um cara muito querido por conta dos trabalhos anteriores e da carreira que construiu. As pessoas gostaram muito de vê-lo cantando as músicas antigas e nós também curtimos bastante como elas soaram na voz dele. E as músicas novas ficaram ainda mais fortes. Eu sou fã dele há muito tempo, principalmente pela forma como escreve e pela visão que tem nas letras. Acho que as pessoas vão gostar muito dessa fusão que aconteceu. Qual a história por trás do nome “O Agora Que Cobra Viver”? Para ser sincero, a gente não tinha um nome definido para o álbum. Fomos fazendo as músicas e desenvolvendo o projeto até chegar o momento em que precisávamos decidir isso para avançar com a arte e toda a identidade visual. Sempre é uma escolha difícil porque o nome precisa soar forte, fazer sentido e agradar todo mundo da banda. “O Agora Que Cobra Viver” surgiu a partir de um trecho da música “Decisão”, a segunda faixa do disco. No refrão existe a frase “do agora que cobra viver” e aquilo

Maroon 5 anuncia shows no Brasil; veja datas e locais

Atração do Rock in Rio, o Maroon 5 anunciou mais três shows no Brasil em setembro. Em São Paulo, a banda se apresenta no Nubank Parque, antigo Allianz, no dia 8. Os ingressos serão disponibilizados na plataforma Ticketmaster. Há duas pré-vendas para portadores de cartões do banco Santander nesta semana. A primeira, exclusiva para contas Select e Private, começa nesta sexta (29), às 10h. Já a segunda, voltada para os demais clientes, será no sábado (30), no mesmo horário. É permitido comprar quatro ingressos por CPF, sendo duas meias-entradas.A venda geral será aberta na próxima segunda (1º), também às 10h. É permitido comprar até seis tíquetes por CPF, limitados a duas meias-entradas. Na modalidade inteira, os ingressos vão de R$ 480, na cadeira superior, a R$ 950, na pista premium. Para assistir ao show na cadeira inferior, é preciso desembolsar R$ 790. Já a pista custa R$ 590. Os valores não incluem taxas. Em passagem pelo Brasil, a banda será atração do festival Rock in Rio, que acontece em setembro. O grupo toca no Palco Mundo, no dia 12, no Parque Olímpico, além de se apresentar em São José do Rio Preto, no dia 6, e em Salvador, no dia 10.*Maroon 5Nubank Parque – av. Francisco Matarazzo, 1.705, Água Branca, região oeste. 8/9. Ingressos em Ticketmaster